quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Deputado Que Votar em Temer Vai se Ferrar?

Por Altamiro Borges

Nesta quarta-feira (2), a Câmara Federal deve votar a denúncia por corrupção passiva apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o usurpador Michel Temer. Caso vote pela admissibilidade, o Judas será afastado do cargo que tomou de assalto. O clima em Brasília, segundo a jornalista Tereza Cruvinel, é de um “equilíbrio catastrófico”, com forte tensão entre os parlamentares. Rodrigo Maia, o jagunço dos patrões que preside a Câmara Federal, jura que a denúncia de Rodrigo Janot será rejeitada por ampla maioria e que o odiado Michel Temer seguirá impune no posto. Muitos deputados, porém, devem estar preocupados com o resultado desta inflamável votação – que a TV Globo garantiu que será transmitida ao vivo.

Segundo pesquisa Ibope divulgada nesta segunda-feira (31), 81% dos brasileiros são favoráveis à abertura do processo contra o Judas. O maior percentual (89%) se encontra entre os mais jovens, que tem entre 16 e 24 anos. Pior ainda para os capachos do golpista: 79% dos entrevistados concordaram com a seguinte frase formulada pelo Ibope: “Acho que a denúncia [do PGR) é correta e o deputado que votar contra a abertura do processo é cúmplice da corrupção”. Outra frase que deve atormentar os parlamentares, que só pensam na reeleição: “O deputado que votar contra a abertura do processo não merece ser reeleito em 2018”. Olha o susto: 73% concordaram com a frase, 25% discordaram e 2% preferiram não emitir a sua opinião.

Apesar destes números aterrorizantes, a maioria dos deputados – muitos deles envolvidos em denúncias de corrupção – ainda parece preferir a manutenção do “chefe da maior organização criminosa da história do país”, segundo o procurador Rodrigo Janot. Como afirma o jornalista Bernardo Mello Franco, uma das poucas vozes críticas da Folha, “essa turma torce para que a denúncia seja votada por um plenário esvaziado. Assim, suas excelências reduziriam o desgaste de se associar a um campeão de rejeição... Apesar da impopularidade, Temer se segura porque ainda parece útil ao mercado e ao sindicato dos deputados. Nos últimos dois meses, ele reforçou o discurso pró-reformas e torrou mais de R$ 4 bilhões em emendas. Ao mesmo tempo, acelerou a distribuição de cargos e benesses em troca de apoio contra a denúncia”.

Parece que o “sindicato dos bandidos” está feliz com o chefe da quadrilha que assaltou o poder. E o eleitor brasileiro? Uma dica: guarde bem a lista de votação desta quarta-feira para você também não virar “um cúmplice da corrupção” nas próximas eleições.

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