quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A Direita Briga Pelos Despojos da Vontade Popular

POR FERNANDO BRITO · 08/08/2017

O “provoca-que-eu-te-provoco” dos personagens da direita – Temer, Dória, Maia, Meirelles e Alckmin – ocupa, como se esperava, as páginas de política dos jornais.

Em condições normais de formação da vontade popular, os cinco somados não teriam, hoje, sequer condições de ir a um segundo turno eleitoral.

Sua disputa, por isso, parte de uma premissa: a de que Lula não possa disputar a eleição.

Não têm votos, mas há uma certeza imensa que o “seu PT” (o “Partido dos Tribunais”) não vai falhar na tarefa de ceifar o favorito do eleitor e impedir que se consume o seu favoritismo.


De comum, ainda dão de barato que a candidatura de Jair Bolsonaro bateu no teto ou está perto disso e que vai desmoronar pela ausência dos meios – materiais e televisivos – para se expandir.

Passam, a partir daí, aos problemas de cada um.

Alckmin já não esconde de ninguém que criou uma víbora em sua própria casa. Já tinha de enfrentar o aecismo, já tinha de lidar com o fato de que a decadente “nobreza” tucana – FHC, Serra etc… – o tratar com desprezo de um “auxiliar” e, agora, tem implantado no seu terreiro paulista um conspirador que lhe jura fidelidade. E não pode, simplesmente, esmaga-lo com o peso da máquina, porque sem ele será ainda menos do que é.

Dória, por sua vez, move-se com espalhafato, disputando com Aécio Neves a chefia do governismo tucano. Sinaliza claramente uma aliança do “voto sem máquina tucana” à “máquina tucana que já não tem voto” adiante, e a posição que almeja não se contradiz com aquela que, a esta altura, sobra ao mineiro: o bastidor.

Meirelles é prisioneiro de sua própria armadilha de rigor fiscal. Sua presença no comando da Fazenda depende de um governo fisiológico e corruptor, sua política de cortes de gastos não abre horizontes de recuperação significativa na arrecadação, e até o espaço para sua candidatura depende da tolerância (ou utilidade) que possa ter de Temer e das ambições de Rodrigo Maia.

E, sobretudo, de que continue a calmaria financeira internacional, com a qual conta o furado barco brasileiro para continuar, mal e mal, flutuando no mar da economia. Como disse hoje na Folha o “sempre às ordens” Armínio Fraga, “as condições externas são favoráveis, o dinheiro está queimando na mão das pessoas lá fora, com juro muito baixo. O Brasil continua com juro alto, apesar da queda recente, o que atrai capital”.

Ainda assim, o impasse da meta irrealizável leva ao aumento de impostos, fatal para quem precisa dos votos da classe média.

O cadáver do país é muito grande e, mesmo em deterioração, ainda é pasto farto para o capital.

Este é o Brasil que, nas contas deles, vai decidir seus rumos em 2018.

Apenas porque, no mundo de hoje, não podem tirar do povo o direito de voto.

Essencial, portanto, tirar da eleição o candidato que não poderiam vencer.

Nenhum comentário: