terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Urnas Já!

O símbolo do governo Temer é o aparelho excretor da musa do impeachment.

Por Paulo Nogueira

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Neste Carnaval da anticonsagração de Temer, me peguei pensando em qual é a cara, o rosto do governo. O símbolo, enfim.

Os fatos se incumbiram de me ajudar.

A cara do governo é o aparelho excretor da musa do impeachment.

Para quem gosta de palavras mais diretas, é o c… da musa, tal como exposto em rede nacional: deprimente, vulgar, indecente. Igualzinho à mídia que colocou Temer no poder com uma campanha criminosa contra Dilma com seu jornalismo de guerra.

É até engraçado ver os comentaristas pró-patrões desembarcando dele. Josias de Souza, por exemplo, disse que Temer se meteu em más companhias, e por isso se autoimolou.

Mas um momento: ele sempre andou com as mesmas pessoas, de Jucá a Eduardo Cunha. Não apareceu nenhum novo nome nas relações de Temer. Ele pode e deve ser acusado de muitas coisas, mas não de surpreender: a turma de Temer foi sempre a mesma. Aos 75 anos, ele a vida toda se pautou na política por uma mediocridade constante, longeva e altamente suspeita.

Sabíamos todos, os golpistas em primeiro lugar, que o governo Temer seria ruim. O que as pessoas não esperavam é que fosse tão ruim.

FHC chamou-o de pinguela, uma ponte precária, tosca. O problema é que essa ponte levou para o aparelho excretor da musa. É urgente que este governo seja agora excretado.

Temer não reúne mais as mínimas condições de chegar a 2018. Na teoria, é pouco tempo: já estamos em 2017. Mas na prática é uma eternidade.

É imperioso convocar eleições diretas. Para reconduzir o país a uma situação de próspera concórdia, só alguém com a legitimidade do voto. Milhões e milhões deles.

Não podemos — nós, o Brasil — ficar mais tempo na condição de c… da musa.

Urnas já.

O MP de São Paulo É Só Faz de Contas

Eis um esboço descritivo de um genuíno jogo de faz de conta, onde o MP de São Paulo simula estar investigando e até tentando identificar o "santo". Pelo visto, a "impossibilidade" de identificação vai garantir que o "santo" permaneça fazendo das suas no paraíso...
Conforme se pode deduzir, essa alcunha tem sua razão de ser: o alcunhado é um dos intocáveis da casta dominante. Martinho

Claro que para a coxinhada o tema é só para distrair do objetivo final que é prender o Lula. MP do estado ou do governo? Antônio Aureliano

SÃO PAULO O Ministério Público pressiona por dados da Lava Jato, mas esbarra em suas históricas ligações com os tucanos

Por Renan Truffi

Nomeação. O ex- procurador-geral paulista Márcio Elias Rosa torna-se secretário da Justiça

Em setembro de 2011, o deputado Roque Barbiere (PTB) aproveitou uma despretensiosa entrevista concedida a um jornal do interior de São Paulo para fazer uma denúncia que abriria uma crise no governo de Geraldo Alckmin (PSDB). Um terço dos deputados da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), segundo ele, vendia emendas parlamentares em troca de propina de prefeituras e empreiteiras.
“Tem um belo de um grupo que vive e sobrevive e enriquece fazendo isso. Existe do meu lado, existe vizinho, vejo acontecer. Falo para eles, inclusive, para parar”, explico. A declaração deu início ao que ficou conhecido como escândalo das emendas e atingiu não apenas a base de parlamentares do governo tucano, mas também secretários de Alckmin.

O esquema ocupou por algumas semanas as manchetes de jornais e revistas e foi parar na Promotoria do Patrimônio Público e Social do Ministério Público de São Paulo. Passados quase sete anos da denúncia, é como se o caso nunca tivesse existido. O promotor responsável pelo caso aposentou e o MP-SP não conseguiu levar as investigações adiante.
O escândalo das emendas é apenas um dos exemplos de investigações que não culminaram na responsabilização de agentes públicos em São Paulo, nos últimos anos. Pelo contrário, sobram casos de repercussão em que o órgão não consegue avançar para produzir provas contundentes que levem à denúncia ou à condenação dos envolvidos.

Segundo o promotor Milani, Moro negou o compartilhamento de provas em três casos suspeitos, envolvendo contratos assinados pelo “Santo”

Esse histórico, no entanto, não tem inibido o MP-SP a pressionar a força-tarefa da Operação Lava Jato. Desde janeiro, promotores do Ministério Público têm usado a mídia para propagandear a tese de que as investigações não avançam em solo paulista devido à resistência do juiz Sergio Moro em repassar o conteúdo de depoimentos e as provas colhidas pela Polícia Federal a envolver políticos, obras e empreiteiras do estado.
Ao Estado de S. Paulo os promotores explicaram que, em pelo três casos de suspeitas envolvendo contratos do governo estadual com empresas investigadas, Moro negou o compartilhamento de provas. “Pedi o compartilhamento e foi indeferido. Minha investigação não avança mais por causa desse indeferimento”, disse o promotor Marcelo Milani, que seria responsável por três inquéritos na área cível ligados à operação.

Tradições. O atual procurador-geral Gianpaolo Smanio declara sua falta de “condescendência”, mas não convence

Um dos interesses do Ministério Público nessa disputa são as anotações apreendidas pela Polícia Federal ao trazerem informações sobre um suposto pagamento de propina de 5% num contrato para obras de duplicação da Rodovia Mogi-Dutra (SP), cujo valor total era de 68 milhões de reais. O beneficiado pelo esquema seria um agente público identificado nos documentos pelo codinome “Santo”. Na ocasião, assim como agora, o governador de São Paulo era o tucano Geraldo Alckmin. Até novembro do ano passado, tudo que se sabia sobre esse personagem eram rumores, mas a revista Veja divulgou tal seria o codinome do governador.
Mesmo antes de vir à público para criticar Moro, Milani já havia tentado obter informações sobre o caso. Ele convocou Benedicto Barbosa da Silva Júnior, ex-presidente do setor de Infraestrutura da Odebrecht, para um depoimento sobre informações relacionadas às autoridades paulistas. Nos documentos de Júnior foram encontradas essas menções à propina do “Santo”. Não deu certo. O executivo negou-se a prestar informações por conta dos acordos firmados com a força-tarefa da Lava Jato.

O interesse do Ministério Público por uma informação que poderia comprometer o governador salta aos olhos. Isso porque esse mesmo promotor já foi alvo de recurso por uma suposta postura “contraditória”, ao se tratar de ações contra gestões petistas e tucanas em São Paulo. No ano passado, quando prefeito, Fernando Haddad recorreu à Corregedoria do Ministério Público de São Paulo contra Marcelo Milani, depois de o promotor entrar com ação de improbidade administrativa contra o petista por multas de trânsito aplicadas na cidade.
Na ocasião, Haddad justificou que Milani teria tido atitudes diferentes em casos parecidos que envolveriam a gestão Alckmin e a sua. “Ele adotou dois pesos e duas medidas. Em um caso ele chama coletiva, no outro não chama. Em um caso ele entra com ação de improbidade, no outro ele não entra. Em um caso ele perde o prazo, no outro ele não perde. Está estranho.” À mídia, o promotor explicou que era signatário do inquérito e não autor da ação.

Escândalo. Fernando Capez, envolvido há um ano no caso denunciado pela Coaf, continua a dormir em paz

E seria justamente essa proximidade entre Ministério Público e integrantes do governo do estado que teria evitado a cooperação com a Lava Jato. Isso poderia representar um risco às investigações, caso os detalhes do caso fossem vazados, inclusive para o próprio governador.
Não é de hoje que o Ministério Público de São Paulo tem sua credibilidade colocada em xeque por conta de supostas interferências. Um estudo feito pela ONG Conectas, e publicado pela Agência Pública, confirma a influência do governo tucano nas ações do MP. A conclusão é resultado de entrevistas com 37 integrantes do Poder Judiciário paulista, sendo 15 deles do Ministério Público, tomadas sob condição de anonimato.

A pressão por troca de informações com a Lava Jato não vem apenas de promotores. O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Gianpaolo Smanio, chefe do MP, disse em janeiro que estuda constituir uma força-tarefa para ajudar nas investigações provocadas pelas delações premiadas de 77 executivos da Odebrecht. E dali talvez surgissem mais detalhes sobre o envolvimento do “Santo”. Quando declarou essa intenção, Smanio também mandou um recado a Curitiba.
“A Lava Jato ainda não compartilhou seus dados conosco. Mas não vejo nenhuma dificuldade (para investigar). Tem um grupo de promotores em contato direto e permanente com o pessoal da Lava Jato”, disse. Declarações dadas alguns dias depois de Alckmin ser convidado a pegar carona no avião da FAB rumo a Porto Alegre, a convite de Michel Temer, por conta do velório do ministro Teori Zavascki.

Um estudo da ONG Conectas esclarece: há influência, sim, do governo tucano nas ações do MP

Quando assumiu o cargo, Gianpaolo Smanio foi questionado sobre esse “sentimento de condescendência do órgão com a gestão tucana”, obviamente negou. “Posso garantir que essa é uma percepção que não corresponde à realidade. Temos uma atuação, ao longo do tempo, muito eficiente e voltada para a proteção do patrimônio. Temos ações propostas contra todas as questões trazidas: o cartel de trens, o Metrô, a merenda. Posso afirmar que não há nenhuma condescendência.”
Ainda assim, o passado recente mostra que costuma existir forte proximidade entre o procurador-geral de Justiça e o governador de São Paulo. O último a assumir o MP, Márcio Elias Rosa, está hoje no comando da Secretaria de Justiça do Estado. Deixou um órgão que tem entre suas atribuições investigar o governo para em seguida fazer parte dele.
Enquanto o Ministério Público manifesta com veemência o desejo de receber dados e depoimentos da Lava Jato, mesmo diante da negativa de Moro, outros casos de responsabilidade do órgão seguem esperando, há algum tempo, uma solução ou encaminhamento.

O mais recente é o que investiga um esquema de desvios e fraudes envolvendo verbas de merendas escolares. O escândalo veio à tona há um ano e colocou um dos principais tucanos paulistas, o ex-presidente da Alesp, Fernando Capez (PSDB), no centro da denúncia. Integrantes da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf) acusam políticos de exigirem propina para liberar contratos com governos e municípios.
Parte dessas propinas teriam sido negociadas por ex-assessores de Capez. Mas, em 12 meses, o Ministério Público ainda não conseguiu denunciar nenhum envolvido em contratos feitos pelo governo Alckmin. As punições também não devem chegar tão cedo. CartaCapital procurou o promotor Marcelo Milani, mas não obteve resposta.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Denúncia de Yunes Compromete iMoro

JEFERSON MIOLA

Além de Padilha e Temer, denúncia de Yunes compromete Moro

O depoimento que José Yunes prestou ao MP assumindo-se como simples "mula" para transportar os R$ 4 milhões da propina da Odebrecht destinada a Eliseu Padilha, é demolidor para o governo golpista.

A denúncia do amigo de mais de meio século do Michel Temer põe luz sobre acontecimentos relevantes da história do golpe, e pode indicar que os componentes do plano golpista foram estruturados em pleno curso da eleição presidencial de 2014:

1. a Odebrecht atendeu o pedido do Temer, dos R$ 10 milhões [os R$ 4 milhões ao Padilha são parte deste montante] operados através de Lucio Funaro, ainda durante o período eleitoral de 2014;

2. mesmo sendo o candidato a vice-presidente da Dilma, na campanha Temer trabalhava pelo esquema do Eduardo Cunha [que na eleição apoiou Aécio Neves, e não a chapa do seu partido, o PMDB], que tinha como meta eleger uma grande bancada de deputados oposicionistas ao governo Dilma;

2. a organização criminosa financiou com o esquema de corrupção a campanha de 140 deputados para garantir a eleição de Eduardo Cunha à Presidência da Câmara;

3. Lúcio Funaro, tido até então exclusivamente como o "operador do Eduardo Cunha", na realidade também atuava a mando de Eliseu Padilha e, tudo indica, de Michel Temer - José Yunes diz que Temer sabia tudo sobre o serviço de "mula" que Padilha lhe encomendara;

4. em janeiro/fevereiro de 2015, na disputa para a presidência da Câmara, embora em público Temer dissimulasse uma posição de "neutralidade", nos subterrâneos trabalhou pela eleição do Cunha;

5. mesmo sendo vice-presidente da Presidente Dilma, o conspirador conhecia o plano golpista desde sempre, e participou desde o início da conspiração para derrubá-la. O primeiro passo, como se comprovou, seria dado com a vitória do Eduardo Cunha à presidência da Câmara para desestabilizar o ambiente político, implodir os projetos de interesse do governo no Congresso e incendiar o país.

A denúncia de Yunes reabre o questionamento sobre a decisão no mínimo estranha, para não dizer obscura e suspeita, do juiz Sergio Moro. Em despacho de 28/11/2016, Moro anulou por considerar "impertinentes" as perguntas sobre José Yunes que o presidiário Cunha endereçou a Temer, arrolado como sua testemunha de defesa.

Moro tem agora a obrigação de prestar esclarecimentos mais convincentes e objetivos que o argumento subjetivo de "impertinência", alegado no despacho. Caso contrário, ficará a suspeita de ter prevaricado para proteger Temer e encobrir o esquema criminoso que derrubaria o governo golpista. Afinal, sabendo do envolvimento direto de Michel Temer no esquema criminoso, Moro teria agido para ocultar o fato?

A cada dia fica mais claro que o Brasil está dominado pela cleptocacia que assaltou o poder de Estado com o golpe. O melhor que Temer faria ao país seria demitir toda a corja corrupta – a começar pelo Eliseu Padilha – e renunciar, porque perdeu totalmente a confiança política e a credibilidade.

A permanência ilegítima de Temer na cadeira presidencial é um obstáculo instransponível à recuperação do Brasil, que assim seguirá o caminho acelerado do abismo.

A Bolinha de Papel do Serra

Nao passa de um puxa-saco de Tio Sam. PHA

Wadih Damous

Faz parte do consenso civilizatório o respeito ao sofrimento alheio. Ainda que a turba raivosa, que tomou conta das ruas, vomitou indignação e exigiu a deposição da Presidenta Dilma Rousseff, não tenha seguido essa regra e as redes sociais tenham virado parques de diversões de ensandecidos a desancarem sobre o luto de Lula, devemos nos compadecer da suposta indisposição de José Serra, que, pelo que contam as colunas entendidas da imprensa comercial, fartou-se de ser chanceler.

Nos últimos tempos, o semblante desolado de Serra evocou o clima de fim de campanha eleitoral com perspectiva de derrota. Não há como não associá-lo ao episódio da bolinha de papel jogada em sua testa na caminhada em Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro, no segundo turno das eleições presidenciais de 2010. Depois de receber instruções pelo celular, simulou ter sido atingido por uma pedra e tentou inflar o episódio para posar de vítima de um atentado. Até um neurologista entrou em cena, para atestar a gravidade da lesão. E, ao final, peritos deram o veredicto: fora só uma bolinha de papel! A montanha parira um camundongo.

Pois é, lembram-se da advertência dos pais aos filhos, para deixarem de mentir ou de pedir socorro quando dele não carecem? Se faltarem uma vez com a verdade, perderão credibilidade e talvez não sejam socorridos em apuros.

É o caso de José Serra. Pode até estar doente, coitado. Não devemos brincar com isso. Afora desumana, nada se ganha com essa atitude. Mas, que fica uma pulga, melhor, uma cigarra atrás da orelha, ah, isso não tem como evitar.

José Serra é o típico ator desse "coiso" que costumam chamar de governo. Um governo só de fato, porque, além de seu chefete não ter sido eleito para ser presidente, age em desacordo com o programa da chapa vitoriosa da qual participou e, em sádica afronta aos eleitores, faz de tudo que lhes possa causar repugnância.

José Serra é um puxa-saco do Tio Sam e não consegue nem um pouquinho de atenção da equipe de Trump. Se esmerou tanto para receber sua atenção (depois de apostar suas fichas na candidata adversária, Hillary Clinton), que deu de graça um pedaço do território nacional, a base de lançamento espacial de Alcântara, onde os ianques terão uma alternativa para Guantánamo, caso queiram prender supostos terroristas fora do território americano. Em tempos de suruba nas instituições públicas, talvez imaginasse que Alcântara funcionasse como uma espécie de unguento KY, para facilitar as coisas...

Em nove meses à frente da Secretaria de Estado, sua política para a América Latina foi um desastre. Não sobrou pedra sobre pedra da liderança regional do Brasil. O condutor da diplomacia brasileira preferiu portar-se como um "rowdy", um menino brigão, hostilizando vizinhos por conta de suas opções políticas.

Desfazendo alianças estratégicas tão custosamente montadas nos treze anos de governos democráticos, fez do Brasil um anão na política global. Não teve planos para os BRICS e calou um projeto promissor de aliança sustentável e contra-hegemônica.

Nada soube fazer com o comércio exterior, nova área temática da sua pasta. À cata de mercados para escoar seu trigo, a Rússia oferece menos da metade do preço praticado pelos americanos, nosso maior fornecedor. Em contrapartida, dispõe-se a importar lotes enormes de carne brasileira. O MRE de Serra deixou as autoridades russas a ver navios. Nessa semana, elas fecharam negócio com o México.

Em regiões conflituadas como o Oriente Médio, o Brasil da "política externa ativa e altiva" (Celso Amorim) faz hoje o papel de espectador desinteressado, apesar de ostentar na sua composição demográfica a maior diáspora árabe do mundo. Vários países da região estão dispostos a aumentar seu volume de negócios com o Brasil. Necessitam urgentemente de acordos de bitributação, para facilitar o fluxo de capitais. Mas o MRE de Serra não deu um passo.

Serra preferiu falar grosso com os amigos tradicionais. Perdeu os ativos conquistados nos anos anteriores sem agregar nada de novo. É um triste balanço. Dessa vez, a farsa da bolinha de papel esconde a profunda incompetência e inoperância de José Serra, travestidas de inapetência. Nesse cenário, é bom que se vá. Seria bom que levasse o "coiso" junto! O Brasil só tem a ganhar ou, melhor, a perder menos do que já perdeu.

Quem É O Novo Ministro da Justiça (sic)?

Mais, muito mais que um simples fã de Cunha...

Serraglio é mais do Cunha que do MT (Reprodução)

Ao escolher Osmar Serraglio como seu novo Ministro da Justiça (sic), o MT deixa claro que, finalmente, Eduardo Cunha tem um lugar no "ministério de notáveis" que o Presidente (sic), logo após o Golpe, prometeu montar.

Afinal, Serraglio disse, em abril do ano passado, que Cunha não era um vilão. Mas um herói! "Eduardo Cunha exerceu um papel fundamental para aprovarmos o impeachment da presidente. Merece ser anistiado", disse o novo Ministro da Justiça.

Serraglio sempre foi, aliás, um admirador do modo como Cunha controlava a Câmara dos Deputados. Admirava a extensão de seu poder, sua mão de ferro.

Vale lembrar que, em 2016, enquanto presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, ele indicou dois fortes aliados de Cunha para a relatoria de seu processo de cassação.

A repercussão dessa tentativa de construir um "acordão" foi tão grande que ele bateu à porta da... Globo.

À época, conseguiu até um direito de resposta no jn, para (tentar) explicar as manobras em benefício de seu ídolo.

E chorou quando Cunha foi preso, dizendo que aquilo representava a "queda da República".

Um escárnio!

Mas não é só isso.

Em 2014, a Justiça Federal do Mato Grosso enviou ao STF um processo que investigava o envolvimento de Serraglio em um esquema de invasão de terras indígenas e arrecadação de R$ 30 mil para relatar projeto que dificultaria ao máximo a demarcação dessas terras.

Serraglio é, inclusive, diretor jurídico da bancada ruralista na Câmara e relator da PEC 215, que quer tirar do Executivo a palavra final sobre demarcação de territórios indígenas - e transferir a prerrogativa, claro, ao Legislativo.

Nesse caso, o Executivo simplesmente levaria ao Congresso as suas considerações sobre as demarcações.

E quem decidiria a sorte dos indígenas seria o Congresso - que não passa de um lixão.

A Presidenta Dilma se manifestou em diversas oportunidades contra a PEC 215.

E fez o possível para trancar essa loucura.

Ao tentar defender a proposta, Serraglio lançou mão de um argumento barato, quase risível: "A pergunta que não quer se calar é: esses que bradam aos céus contra a opressão indígena estariam dispostos a abrir mão de todos seus pertences em prol da causa indígena?”.

Não faz sentido, claro.

Agora como Ministro, Serraglio poderá decidir quais propostas de demarcação de terras serão levadas ao Presidente (sic) e quais serão rejeitadas.

Citado pelo PiG Cheiroso, o ex-presidente da Funai Márcio Santili disse que Serraglio caberia perfeitamente no Ministério da Agricultura.

E completa: "Nos parece inadequado nomear para a Justiça uma pessoa que teve (...) forte atuação para debilitar os direitos constitucionais dos índios, quilombolas e outras minorias".

O C Af dá os parabéns ao MT por mais essa escolha brilhante!

É, de fato, um Ministério de notáveis!

Leonardo Miazzo, editor do C Af

Serraglio = Suruba

Epaminondas Demócrito d'Ávila:

"Transformaram o país inteiro num puteiro, pois assim se ganha mais dinheiro."
(Cazuza, lembrado por Jessé Souza na
epígrafe de A radiografia do golpe)

Ao nomear o ínclito Osmar Serraglio para o Ministério da Justiça, o sultão Michel Temer instalou um serralho no primeiro escalão do governo federal. Deu mais um passo na direção do aprimoramento das instituições. Das suas, bem entendido.

"Serraglio", em italiano, significa "serralho". O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, do qual citamos o que interessa aqui, define:

"1 palácio do imperador, dos príncipes ou dos dignatários do Estado otomano maometano"

"2 espaço desse palácio destinado às mulheres desses personagens; harém"

[...]

"5 fig. local, casa etc., destinado à prostituição; lupanar, prostíbulo"

Nomen est omen, diz um antigo ditado latino, que não cito em homenagem ao bacharéu (bacharel & tabaréu, jamais réu), autor do decantado livro de poemas Anônima intimidade (2013), reformador do tombado Palácio da Alvorada, mas em virtude da insuperável brevidade latina: "(Este) nome é um presságio".

O novo Ministro da Justiça de ominoso nome já disse em abril: "Eduardo Cunha exerceu um papel fundamental para aprovarmos o impeachment da presidente. Merece ser anistiado." Enunciada com singeleza acessível a uma criança, a afirmação não só revela o ideário político de Osmar Serraglio, mas também o alcance da sua compreensão do e do seu apreço pelo Direito. Peculiares ambos. Serraglio foi orientado por Michel Temer durante o mestrado em Direito na década de 1980. O fruto não caiu longe da árvore.

Esmael Morais lembrou ontem que o senador Romero Jucá (PMDB-RR) tornou-se "o principal marqueteiro informal do governo Michel Temer" e "desenvolveu uma nova logomarca: 'Suruba federal'. Na nova marca do governo vem a seguinte inscrição: 'Quem manda nessa porra?' 'Porra' e 'suruba' são jargões do cotidiano de Jucá."

Na última edição de TV Afiada, "A quadrilha no governo e a dos cúmplices", Paulo Henrique Amorim expõe sistemática e didaticamente o acasalamento das duas mencionadas quadrilhas e do Congresso Nacional que as transcende, na suruba. Seu objetivo: "ferrar o povo brasileiro".

Eugênio de Aragão tem biografia e idéias.

Alexandre de Moraes ostenta plágios no currículo.

E quais são as credenciais de Osmar Serraglio, cujo sobrenome também é um presságio?

Leia, amigo navegante, o artigo de Leonardo Miazzo. Qualquer semelhança com um prontuário é mera coincidência.

Em 16 de julho de 1782 Mozart estreou em Viena "O rapto do serralho", um Singspiel, termo que designa um gênero de teatro musicado muito comum nos países de língua alemã nos sécs. XVIII e XIX.

Onde acomodar o novo Ministro da Justiça na reencenação da genial partitura de Mozart?

Só podemos imaginá-lo como Osmin, o rude guardião do serralho. No terceiro e último ato, depois de descobrir a trama do rapto e prender os fugitivos, a jovem Konstanze e seu amado Belmonte, Osmin canta a famosa ária "Ha! wie will ich triumphieren, wenn sie euch zum Richtplatz führen und die Hälse schnüren zu", na qual antegoza a execução de ambos. Em tradução livre: "Ah, como não hei de triunfar, quando sereis levados ao cadafalso e garroteados." E continua, sempre em tradução livre do pitoresco e sugestivo texto original: "Hei de saltar, rir, pular e entoar um cântico de júbilo, pois agora não mais pertubareis a minha paz." Mais ainda: "Esgueirai-vos em silêncio, malditos ratos do harém, mas nosso ouvido haverá de descobri-los, e antes de escapardes, caireis nas nossas armadilhas e recebereis a vossa recompensa!"

Não é difícil imaginar o júbilo de Osmar Serraglio, se o seu projeto de alteração da demarcação das terras indígenas for aprovado, se os índios, os aposentados, a população em geral, os "malditos ratos do harém", forem definitivamente ferrados. Mas as semelhanças terminam aqui mesmo. Serraglio poderá até ser o guardião do serralho, no qual tentam transformar o Brasil. Poderá orquestrar juridicamente a suruba. Mas nunca poderá assumir o papel de Osmin, que exige um basso buffo, um baixo bufo. Sua voz é demasiado débil, nada cavernosa; seu físico não assegura a necessária presença no palco. Serraglio será o guarda-livros do serralho, o amanuense solícito, e tal personagem não foi previsto no libreto de Gottlieb Stephanie Junior, que inspirou Mozart na composição de KV 384. Mozart talvez emudecesse diante de Serraglio.

O ícone da suruba, multicredenciado para as tarefas, digamos, mais operacionais, é Alexandre Frota. Se o novo ministro desdenhar dele como Chefe de Gabinete, sempre poderá empregá-lo na portaria.

A inteligência e graça de Mozart nunca farão coro com a vulgaridade dos trombadinhas de Brasília e seus seguidores Brasil afora.

Ultra aequinoctialem nil peccari - Não há pecado ao sul do equador, eis a máxima dos primeiros séculos da colonização, citada pelo cronista holandês Gaspar Barléu em 1647.

Séculos a fio, tudo foi permitido além do equador. Agora tudo volta a ser permitido.

A mais recente equação do novo velho Brasil, que me coube demonstrar, é mesmo:

SERRAGLIO = SURUBA