quarta-feira, 25 de maio de 2016

Tem Cara e Cheiro de Golpe e, Agora, Há Até Prova de Que o Golpe é Golpe

Posted by eduguim

Todo santo dia um pistoleiro da mídia golpista escreve ou recita que o golpe não é golpe. O mais curioso é que esses pistoleiros chegam a reconhecer que o “motivo” alegado para o impeachment é fraco porque presidentes anteriores a Dilma também “pedalaram” e nada aconteceu simplesmente porque pedalada não é motivo para derrubar presidentes.

Vale ressaltar que aquilo que os pistoleiros da mídia chamam de “pedalada” é uma operação contábil feita para impedir que programas sociais e outras obrigações sociais inadiáveis do Estado deixem de ser cumpridas por problemas conjunturais de caixa. Trocando em miúdos: o governo fez empréstimos bancários por alguns dias para pagar beneficios sociais em dia.

Sim, é por isso que estão tentando cassar os 54 milhões de votos de Dilma Rousseff.

Mas o foco desta reflexão é outro. É a negativa pavloviana dos pistoleiros da mídia de que o golpe contra Dilma seja golpe quando até o líder da direita venezuelana – golpista como a nossa – teve que admitir que houve um golpe no Brasil.

O ex-candidato a presidente da Venezuela Henrique Capriles não condena o golpe contra Dilma por bondade, convenhamos, mas porque a direita venezuelana tem forte preocupação com sua imagem e, hoje, negar o golpe no Brasil pega muito mal no cenário internacional.

O golpe brasileiro está sendo visto em todo o mundo como golpe porque ele parece golpe, tem cara de golpe, porte de golpe, cheiro de golpe. Os golpistas usam terminologias golpistas e suas primeiras medidas e declarações foram golpistas.

O desmantelamento rápido e sem discussão de políticas que duraram mais de uma década é absolutamente concernente ao que fazem golpistas quando tomam de assalto o poder. Querem reinventar a realidade do país golpeado o mais rapidamente possível, tentando acelerar o caráter de irreversibilidade da aventura.

Mudanças drásticas como as promovidas pelo usurpador Michel Temer na política externa, na Cultura ou nos programas sociais são características dos golpes. Medidas como essas, que mexem com políticas consolidadas ao longo de mais de uma década, deveriam ser muito mais discutidas.

Para políticas tão importantes serem alteradas tão profundamente ou até anuladas, requerem legitimidade de quem promova tais atos, ou seja, exige um governo respaldado pelo voto popular.

O que, convenhamos, não é o caso de Temer. Apesar de ter sido eleito na chapa de Dilma, essa chapa foi eleita com um programa que Temer está jogando fora de cima a baixo. Sem apoio do voto popular.

Apesar de tudo que diz que o golpe é golpe, porém, as negativas continuam. Viraram um mantra. Quando as provas de que o golpe é golpe são expostas, é fácil visualizar mentalmente uma metáfora do comportamento da mídia golpista: um garotinho com os dedos enfiados nos ouvidos repetindo uma e outra vez: “lá-lá-lá, não é golpe, lá-lá-lá”

Agora, porém, surge até prova MATERIAL de que o golpe é golpe, ou seja, de que Temer e seu grupo político tentam tirar Dilma Rousseff do cargo para encerrar as investigações da Lava Jato.

A esta altura, todos já devem ter lido as muitas matérias sobre grampo de conversas do ministro do Planejamento Romero Jucá (PMDB-RR). Contudo, vale ver trecho de reportagem da Globo sobre essa bomba, sobre essa prova cabal de que o impeachment de Dilma Rousseff parece golpe, tem cara de Golpe, cheiro de golpe e, tem agora, prova de que é golpe.

Chega a ser cômico o cargo que o ministro do Planejamento, Romero Jucá, ocupa. As gravações de conversas tão pouco republicanas como as que se ouviu ele tendo mostram que o “planejamento” de que ele se ocupa é o de como parar investigações policiais contra si e seus comparsas. Agora existem até provas documentais de que o golpe é golpe.

O Responsável Pela Degradação Moral do STF é Gilmar de Lama Mendes

Paulo Nogueira, via DCM em 24/5/2016

O responsável pela degradação do STF é Gilmar Mendes, uma das heranças malditas de FHC.

Não que outros ministros não tenham dado sua cota. Mas nenhum juiz fez tanto quanto Gilmar para transformar a maior corte do país num grotesco, despudorado palco político.

É por conta sobretudo de Gilmar que é absolutamente crível a afirmação de Jucá sobre a participação do STF no golpe.

Num mundo menos imperfeito, Gilmar já teria sido enxotado do STF há muitos anos. Mas o Brasil é o que é.

Em algum momento Gilmar simplesmente perdeu a noção, o pudor, o senso do ridículo. E começou a fazer política abertamente.

Ele contou com o silêncio de seus colegas de Supremo, que jamais manifestaram publicamente nenhum desconforto com seu comportamento patológico e indecente.

Contou, também, com o apoio da mídia, que jamais produziu um só editorial que lembrasse aos leitores que em nenhuma sociedade avançada é tolerado um juiz tão descaradamente partidário e parcial quanto ele.

A imprensa, na verdade, se mancomunou com ele. É conhecido o episódio em que, numa reunião de pauta do Jornal Nacional, Bonner fala ao telefone com Gilmar para combinarem pautas.

A reunião estava sendo acompanhada por convidados de fora, e um deles registrou a abjeta parceria entre a Globo, por Bonner, e Gilmar. Não é à toa que Glenn Greenwald escreveu nestes dias no Twitter que já via piadas jornalísticas, mas nenhuma como o Jornal Nacional.

A relação promíscua de Gilmar com a imprensa vem de longe. Você vê no Google fotos dele abraçado, em eventos festivos, a jornalistas patronais como Merval Pereira e Reinaldo Azevedo. Foi Gilmar quem liberou a funcionária da Receita Federal que fora presa depois de ser flagrada tentando fazer sumir o processo que provava a fraude e sonegação da Globo na compra dos direitos de transmissão da Copa de 2002.

Em países não dominados pela plutocracia, a imprensa e a justiça são poderes que se fiscalizam um ao outro. Na pátria de Gilmar e da Globo, os dois poderes se complementam e protegem um ao outro.

Nas sessões do STF relativas ao impeachment, Gilmar jamais perdeu a chance de proferir estridentes discursos contra o PT, mesmo quando eles eram impertinentes.

Por que o PT nunca reivindicou o impeachment de Gilmar diante de seus repetidos descalabros e desafios à lei da magistratura que prevê equidistância pelo menos aparente dos juízes, é um mistério que caberá à posteridade decifrar.

O que desde já se pode dizer é que no futuro, quando o Brasil já não for controlado pela plutocracia predadora de hoje, Gilmar vai servir de exemplo daquilo que não deve ser um juiz.

Com seu palavreado pomposo e envenenado, com seu semblante cínico e debochado de quem confia na impunidade, Gilmar arrastou a imagem do STF para o lodaçal em que ela está enterrada hoje.

Não é um juiz: é uma vergonha nacional.

Cadê os Paneleiros Hipócritas e Mentirosos?

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

Apoiar quem está no governo é extremamente penoso, a menos que você esteja entre os que são beneficiados pessoalmente por seu governismo. Como esse nunca foi o caso deste blogueiro – tanto nos governos do PT como nos anteriores –, estou amando ser oposição de novo, em um momento em que os ex-oposicionistas têm que mostrar a que vieram.

Ser governo implica em o governista ter que explicar por que defende aquele projeto político-administrativo – e, convenhamos, durante 11 dos 13 anos de governos do PT nunca foi muito difícil explicar meu apoio aos governos Lula e Dilma.

Até 2014, quando me perguntavam por que eu apoiava o PT eu mandava quem me questionasse ir vasculhar o site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A perscrutação do referido site revela que os governos Lula e Dilma civilizaram o Brasil. A pobreza, a miséria, a desigualdade e o desemprego despencaram e dispararam a renda média do trabalhador, os empregos formais, o ingresso no superior, enfim, subiu muito o padrão de vida dos brasileiros de todas as classes sociais.

A vida melhorou mais, obviamente, entre os mais pobres, entre os que mais precisavam melhorar, entre aqueles que era justo que melhorassem antes. E aí estava a razão para o topo da pirâmide social querer tirar o PT do poder.

Agora, porém, ficou claro que a gritaria da elite, da grande imprensa e de partidos políticos oposicionistas contra os governos do PT, sob alegação de que aquele comportamento era “combate à corrupção”, nunca passou de balela.

Desde a madrugada de segunda-feira, 23 de maio, os fatos desmascararam hipócritas que, ao longo de uma trinca de anos, com suas manifestações desavergonhadas vinham vendendo a teoria de que não toleravam nenhum tipo de corrupção. Balela. Não toleram corrupção – ou suposta corrupção – dos outros, mas amam a dos amigos, sócios, parentes, aliados ou mesmo dos políticos que vociferam “ideias” e “ideais” com os quais concordam

Se tivessem um pingo de ética, um pingo de decência, o mínimo que os paneleiros deveriam fazer, após a gravação de Jucá desmascarar o golpe, seria repudiar a armação que resultou no afastamento da presidente da República.

Senão, vejamos: um dos artífices do processo que culminou no afastamento de Dilma é flagrado em escutas nas quais confessa que esse afastamento é uma trama destinada a atrapalhar investigações policiais contra quem a tirou do cargo. Precisa de mais o quê para entender que o impeachment fez uma pessoa inocente ser punida em troca da impunidade dos culpados?

Seja como for, no primeiro dia útil desta semana caiu uma infinidade de máscaras. Além das máscaras dos golpistas e dos paneleiros das varandas gourmet, caiu máscara da mídia golpista, a comandante do golpe.

A Globo resistiu o dia todo a divulgar a gravidade do caso envolvendo o agora ex-ministro do Planejamento Romero Jucá. Na noite da última segunda-feira, porém, ela teve que se render ao cataclísmico noticiário na internet e, assim, o Jornal Nacional teve que fazer barba, cabelo e bigode sobre fatos que comprovaram, cabalmente, que o golpe era mesmo golpe.

O JN teve que divulgar um verdadeiro linchamento público dos tucanos [aqui], feito por Romero Jucá, enquanto este reinventava o conceito de “boi-de-piranha” (bode expiatório)

O JN teve que mostrar Temer sendo chamado de golpista [aqui].

O JN teve até que noticiar elogios de Temer a Romero Jucá, que acaba de ser flagrado planejando um golpe de Estado com a finalidade de obstruir a Justiça [aqui].

O noticiário da Globo sobre o surgimento da prova de que o golpe é golpe, por sua vez, não foi voluntário; foi, digamos assim, coercitivo. A emissora pretendia manter o clima “banal” que Jucá tentou conferir às próprias declarações criminosas, mas não colou.

O noticiário sobre Jucá foi jogado para o fim do Jornal Nacional porque foi feito às pressas, após o ministro “renunciar”. Isso é o que explica o telejornal ter anunciado a matéria sobre o caso em sua “escalada” – apresentação das manchetes do dia, no começo da edição do telejornal –, mas só ter veiculado a matéria no fim da edição.

O fato é que, com liberdade de informação e opinião, é muito difícil, se não impossível, sustentar a versão de que um golpe não é golpe.

Em termos históricos, já é cabalmente impossível manter a versão de que o impeachment de Dilma foi um ato legal. A avalanche de fatos que desmascaram o golpe não deixa a menor possibilidade de os livros de história negarem que em 2016 o Brasil sofreu um golpe de Estado engendrado e perpetrado por setores do Judiciário, grupos de mídia e partidos de oposição.

Na prática, o Brasil vive hoje uma ditadura judiciária. Romero Jucá revelou ao mundo que houve um golpe no Brasil, denunciou a Justiça brasileira, disse que ela pararia a Lava Jato se o governo Dilma fosse derrubado.

Enquanto o Judiciário e a própria Lava Jato não prenderem aqueles que Jucá disse que acabariam sendo presos pela Operação se Dilma não fosse derrubada, restará intocada a suspeita (agora) escandalosamente disseminada de que a presidente foi derrubada para interromper investigações que poderiam atingir inclusive a oposição e, quem sabe, até a própria mídia oposicionista.

A derrubada de Dilma tira o PT de cena e coloca o PMDB e o PSDB. Viraram vidraça. Não adianta acharem que poderão começar a berrar “Lula”, “Dilma”, “PT” quando forem cobrados ou quando começarem a surgir denúncias.

Diante das gravações envolvendo Romero Juca que mostraram que Dilma foi derrubada para interromper a Lava Jato, é ensurdecedor o silêncio das varandas gourmet, onde as panelas, antes tão eloquentes, agora permaneceram silentes, cúmplices de Cunha, Jucá, Temer e do resto da quadrilha golpista que estuprou a democracia rasgando 54 milhões de votos.

Não foi só o golpe que foi desmascarado, foram desmascarados os grupos que pregaram o impeachment e, assim, foram cúmplices de um crime.

terça-feira, 24 de maio de 2016

CARTA DE BELO HORIZONTE

Nós, blogueir@s e ativist@s digitais, reunidos em Belo Horizonte, de 20 a 22 de maio de 2016, manifestamos nosso repúdio ao governo ilegítimo que se instalou no Brasil no último dia 12.

Sem crime de responsabilidade definido, conduzido pelo corrupto Eduardo Cunha e sob a chancela de um STF acovardado, esse impeachment é manifestação clara de nova modalidade de golpe já executada em Honduras e no Paraguai.

Não por acaso, a velha mídia cumpriu papel central na escalada que levou Temer e tucanos ao poder - sem passar pelas urnas.
A Globo, a Veja e seus sócios menores no oligopólio midiático deram cobertura a ações ilegais do juiz Sergio Moro que foram fundamentais para a condução do golpe. A Globo e seus sócios menores ajudaram a arregimentar multidões que, em nome do combate à corrupção, saíram às ruas para pedir a derrubada de um governo eleito por 54 milhões de votos.

Chama atenção que os principais jornais do mundo - mesmo aqueles de linha conservadora - tenham noticiado o óbvio: o que se passa no Brasil é um golpe. Chama atenção também que os jornais, rádios e TVs do Brasil se desesperem quando mostramos o óbvio na internet: o governo Temer é ilegítimo e fruto de um golpe.

Desde nosso primeiro encontro de blogueir@s, em 2010, temos reforçado a necessidade de enfrentar o oligopólio midiático que - sob comando da família Marinho - ameaça a Democracia brasileira.

Foi o movimento de blogueir@s e ativist@s digitais que consolidou a ideia de que a velha mídia no Brasil cumpre o papel de PIG (Partido da Imprensa Golpista). Os governos Lula e Dilma, infelizmente, subestimaram a ameaça dessa máquina midiática a serviço do conservadorismo.

Nós, ativist@s digitais e blogueir@s, reafirmamos que estamos diante de um golpe parlamentar, com forte apoio jurídico-midiático, e que tem como objetivos: tirar direitos trabalhistas, reduzir os programas sociais, esmagar os movimentos sociais e sindicatos, atacar a liberdade da internet e a comunicação pública, além de destruir e entregar as principais empresas estatais brasileiras e especialmente os recursos do Pré-Sal, recolocando o Brasil na órbita dos Estados Unidos.

É um golpe conduzido por corruptos que nem disfarçam seu viés conservador, ao formar um ministério interino em que não há nenhuma mulher, nenhum negro, nenhum representante do povo trabalhador.

Diante dessa ameaça à Democracia, aos direitos sociais e que põe em xeque até mesmo a idéia de um Estado Nacional autônomo, consideramos que são ações prioritárias no próximo período:

a) combater nas ruas e nas redes o governo ilegítimo; não reconhecemos Michel Temer como presidente do Brasil; ele é um traidor e um golpista a serviço das elites, nada mais e nada menos que isso;

b) apoiar as ações que permitam o retorno ao cargo de Dilma Rousseff, a única presidenta legítima do Brasil;

c) manifestar nosso repúdio à intervenção ilegal dos golpistas na EBC (Empresa Brasil de Comunicação), exigindo o cumprimento integral das regras que levaram à criação dessa instituição que (apesar de suas limitações) é símbolo de construção democrática na comunicação;

d) denunciar o ataque à Cultura e aos direitos sociais, apoiando as ocupações das sedes do IPHAN e da FUNARTE e participando da resistência contra o governo golpista;

e) denunciar o caráter machista e preconceituoso de um governo ilegítimo que expulsa as mulheres do centro do poder, tratando-as como “segundo escalão” da sociedade;

f) apoiar todas as ações nas redes que permitam furar o bloqueio midiático, dando ampla cobertura às manifestações contra o governo golpista;

g) denunciar a onda de perseguições aos blogueir@s e ativistas digit@is; deixamos claro que um dos objetivos do governo ilegítimo é priorizar a comunicação chapa-branca, favorecendo a Globo na distribuição das verbas públicas e usando dinheiro do contribuinte para salvar organizações moribundas como a editora Abril e o ex-Estadão;

h) fortalecer o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), participando e ajudando a dar visibilidade às lutas desenvolvidas pelo Fórum; apoiar e participar, nos estados, dos comitês locais do FNDC, integrando assim a blogosfera e o ativismo digital às ações concretas de luta por mais diversidade e pluralidade na mídia;

i) denunciar ao mundo, através de textos traduzidos em vários idiomas, o caráter corrupto do governo Temer, que tem ao menos 7 ministros investigados pela Justiça e nomeou vários aliados de Cunha para postos chaves;

j) mostrar que mulheres, jovens negros, trabalhadores que lutam pela Reforma Agrária e povos indígenas são as vítimas mais imediatas da escalada autoritária;

k) lutar contra o desmanche dos programas sociais - indicando que o governo ilegítimo significa ameaça frontal ao Bolsa-Família, ao Minha Casa Minha Vida e a programas públicos de Educação e Saúde, tendo como centro a ideia de privatizar universidades e reduzir o papel do SUS;

l) resistir ao desmonte da Previdência Social, à terceirização e às mudanças nas leis trabalhistas já anunciadas pelo governo golpista;

m) denunciar as intenções autoritárias do novo Ministro da Justiça, um homem que transformou a PM de São Paulo em polícia política;

n) denunciar a presença, no STF e no TSE, de juízes que atuam como militantes partidários, apontando a ação nefasta de Gilmar Mendes;

o) lutar pela universalização do acesso à internet, e combater i) o desmonte da Lei Geral de Telecomunicações (LGT), ii) os ataques ao Marco Civil da Internet, iii) os projetos aprovados na CPI dos Crimes Cibernéticos, iiii) e a imposição de limites à franquia dados;

p) denunciar ao mundo que as famílias que controlam jornais, TVs, rádios e portais no Brasil são beneficiárias de contas suspeitas em paraísos fiscais, conforme apontado nas investigações do “Swissleaks” e do “PanamaPapers”; são parte do sistema corrupto de poder que tenta se perpetuar sob a presidência de Temer;

q) somar esforços com movimentos de ativistas digitais na América Latina, para denunciar que o golpe no Brasil é parte de uma estratégia de recolonização de nosso continente; a maior prova disso é a nomeação de José Serra, conspirador parceiro da Chevron, para chefiar o Itamaraty; é preciso deixar claro que o golpe faz parte, também, de uma estratégia para desestabilizar os BRICS, que movimentam 46% da economia mundial;

r) lutar contra as tentativas de entregar o Pré-Sal às multinacionais do petróleo e denunciar as negociatas privatistas de Temer, Serra e Moreira Franco;

s) apoiar os esforços da Frente Brasil Popular e da Frente Povo Sem Medo, com vistas a mobilizar os trabalhadores na nova fase de enfrentamentos que se abre.

Não daremos trégua à Globo, a Temer, aos traidores que se dizem sindicalistas, nem aos tucanos e empresários da FIESP - que agiram como patos a serviço do golpismo.

Resistiremos nas ruas e nas redes!

Viva a Democracia!

Ditadura nunca mais!

segunda-feira, 23 de maio de 2016

No Brasil, as Instituições Estão Funcionando

Um show de ironias do excepcional construtor de textos Marcelo Zero. Tarcílio

MARCELO ZERO
Sociólogo, especialista em relações internacionais e assessor da Liderança do PT no Senado

As instituições estão funcionando

Após o golpe, tudo volta ao normal. Tudo volta ao que manda a tradição. As instituições funcionam.

O poder voltou para seus detentores tradicionais: homens brancos, ricos e conservadores. Homens de religiosidade rígida e moral flexível. Homens de contas suíças e política hondurenha, como manda a tradição. As mulheres voltam ao lar e os negros à senzala, como impõe a tradição.

Para conciliar a nação e unir o país, iniciou-se à caça às bruxas contra petistas, progressistas, “bolivarianos”, defensores dos direitos humanos, gays, “abortistas”, “artistas vagabundos” e toda essa fauna que nunca deveria ter chegado perto do poder. Estão fora, como sempre foi na nossa normalidade democrática. Talvez sejam presos, talvez torturados, como reza nossa mais bela tradição.

Na Esplanada, os ministros, na falta de ideias e propostas, dedicam-se a “rever tudo o que foi feito”. Não fazem; reveem o que foi feito. Editam e reeditam a mesma medida provisória várias vezes. Fazem e desfazem ao mesmo tempo, num confuso ioiô cultural. Desfazem até o que eles mesmos fizeram. Esse governo não governa. Esse governo desgoverna. Como era a tradição. Como era normal.

Fazer, mesmo, só o déficit monumental. Deram a si mesmos um enorme cheque em branco para evitar as acusações que eles mesmos utilizaram. À população darão os tradicionais e sombrios pacotes de maldades. Tudo como esperado.

No Senado, prepara-se o rito sumário do julgamento de cartas marcadas iniciado por Eduardo Cunha por vingança política. Segue-se escrupulosamente o rito, faz-se a inescrupulosa condenação sem crime. Sem mérito, mas com muitas formalidades e salamaleques. Como manda a tradição.

Na Câmara, o chefão acusado por um cruel, malvado e anônimotrust suíço continua a mandar no país, mediante seus subordinados no Planalto. Tudo certo.

A mídia plutocrática, antes o maior partido de oposição, volta a ser um diligente partido da situação, defendendo os verdadeiros donos do poder. Como determinam a tradição e a normalidade.

Após cumprir o cívico papel de criminalizar o PT, as gavetas das instituições de controle voltarão a se encher com processos incômodos. Como era a tradição.

As ruas voltam a ficar vazias e as bandeiras do Brasil regressam aos baús cínicos da indignação seletiva. Como sempre foi. As panelas tornam a silenciar em homenagem à normalidade restaurada.

O Itamaraty, que fez silêncio obsequioso ante o atentado à democracia, agora dirige decibéis grosseiros contra potências imperialistas como Nicarágua e El Salvador, que ameaçam a soberania e a imagem do golpe. Volta-se a falar grosso com a perigosa Bolívia. Promete-se, no entanto, mansidão de trato com países pacíficos e modestos, como os EUA. Volta-se ao normal.

Os pobres, que haviam entrado de modo solerte no Orçamento, preparam-se para dele sair. A pinguela para o passado prepara os cortes no Bolsa Família, no Minha Casa Minha Vida, na saúde pública, no Prouni, no Fies, no Pronatec, nos institutos federais, nas universidades. Afinal, a constituição cidadã e os pobres não cabem no Orçamento. Nele cabem apenas rentistas e ricos. Como reza a nossa gloriosa tradição de exclusão.

Os médicos estrangeiros sairão do país, os negros e pobres sairão das universidades, as crianças do Bolsa Família sairão das escolas. Os sem casa voltarão às ruas, as crianças retornarão aos sinais, pobres e negros voltarão às favelas e às filas do desemprego. Gays e transexuais voltarão á marginalidade. Mulheres regressarão ao seu lugar. Trabalhadores deixarão a proteção legal da CLT e voltarão à precariedade e ao subemprego. Quem foi à classe média retornará à pobreza.

Toda essa “herança maldita” de igualdade será revista, seguindo nossos sólidos cânones históricos, que sempre privilegiaram os privilegiados. Como deve ser.

Os aeroportos serão, de novo, apenas dos abastados e o poder será somente de quem pode. Tudo voltará ao normal. Reza a tradição que o Brasil é para poucos.

Quem entrou na Casa Grande, voltará à Senzala. Como sempre foi, como deve ser.

Não se preocupem. No Brasil, as instituições estão funcionando.