domingo, 17 de janeiro de 2016

A Crise Hoje É Piada Perto do Que Fez fhc

Por: Silézia Franklin de Souza 

A crise de hoje é piada perto do que fez Fernando Henrique Cardoso em 1998

Se você vendesse a sua única casa e desse uma festança torrando todo o dinheiro que recebeu por ela, você iria parecer uma pessoa rica, mesmo sem ter casa para morar. Foi isso o que aconteceu com o Brasil em 1998, quando o governo federal se abriu todo aos investidores de Nova Iorque, de Londres e da Suíça, e vendeu muitos ativos a preço de banana. Foi uma festa de dinheiro entrando no país, mas, ao acabar os ativos, os investidores se foram deixando apenas os débitos.

A reserva brasileira caiu de US$70 bilhões para US$26 bilhões, Fernando Henrique Cardoso teve de vender nossas empresas energéticas a preço de banana para obter fundos a fim de pagar os débitos. Como, ainda que drástica, essa medida não bastava, ele aumentou taxas de juro em 70%, que chegava para o consumidor final em até 200%. Isso é o que se pode chamar de crise. Mas éramos subdesenvolvidos e estávamos acostumados.

Só que FHC quis fazer mais festa e fez um novo empréstimo de US$41 bilhões para gastar com a sua reeleição. E a imprensa não se vendeu por pouco para ficar calada, abocanhou seu quinhão e fez até campanha. O Brasil, cada vez mais pobre, passou a abrigar brasileiros que constavam nos rankings dos mais milionários do mundo. FHC foi reeleito e a conta a pagar ao FMI já estava muito cara para o país. Para pagar esse débito, o governo pôs à venda tudo o que conseguiu, por bagatelas.

Lembro-me do Mário Covas brigando com FHC para não sucatear o Banespa. Isso já não é mais crise, isso é crime, e é motivo de fato e de lei para um impeachment. Mas a imprensa, essa que quer o golpe hoje, se encheu de dinheiro para se calar. E não só a imprensa, imagine você que FHC anunciou ao povo que houve uma entrada de R$85,2 bilhões de lucros com as privatizações, mas omitiu o fato de que, simultaneamente, na mesma “entrada de caixa”, saiu R$87,6 bilhões de contas escondidas.

A festa só acabou quando Lula ganhou as eleições. O que você acha que aconteceu com a dívida externa que degolava os brasileiros? Evaporou? O FMI ficou com peninha e deixou para lá? Não. O Lula peitou os investidores e disse: “Essa dívida não é minha, nem do Brasil”.

Então fomos ameaçados de falência pelos investidores, mas demos a volta por cima. Alguém aí sabe como? Lula “abriu os cofres públicos e emprestou mais de meio TRILHÃO de dólares para fábricas, fazendas, infraestrutura – mas nem um real para derivativos, aquisições hostis ou CDOs, os bancos estatais deram a seus proprietários-cidadão mais crédito do que o FMI dava a mais de 100 nações”. Foi assim que a economia brasileira saiu da lama. Isso é História. A “crise” de hoje é piada perto disso.

Fontes
PALAST, Greg. Piquenique de abutres: Em busca dos porcos do petróleo, piratas da energia e carnívoros da alta finança. Rio de Janeiro: Alta Books, 2014.
BIONDI, Aloysio. O Brasil privatizado: Um balanço do desmonte do Estado. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2003.

Lula Deixará Esse Crime Contra Sua Honra Por Isso Mesmo?

Folha inventa que Lula é chefe de quadrilha e acusado pela Procuradoria

by bloglimpinhoecheiroso

Eduardo Guimarães em seu blog em 13/1/16

Não é pouco. O jornalão paulista coloca o ex-presidente – contra quem não existe nem mesmo pedido à Justiça de abertura de processo – como o suspeito número 1 da Operação Lava-Jato e acusado pelo procurador-geral da República.

Na página A5 da edição da Folha de S.Paulo de quarta-feira, 13/1, a matéria “Quem é quem na Lava-Jato” coloca o ex-presidente Lula como o suspeito número 1 da investigação e o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, como o número 3, logo após José Dirceu, que se encontra condenado e preso pela Justiça.

A matéria propõe ao leitor que “Tente descobrir o dono de cada apelido usado, segundo investigadores, para despistar entrega de propina no esquema da Petrobras”.

Só há um “pequeno” problema nessa matéria que mistura pessoas contra as quais nada pesa na Justiça com outras que estão sendo processadas e/ou que até estão presas, como se todas integrassem uma única “quadrilha”: a menção a Lula captada na Lava-Jato não o acusa de “receber propina”.

Em junho do ano passado, matéria do Estadão dava conta de que escutas da Polícia Federal descobriram que empreiteiros envolvidos na Lava-Jato chamavam Lula de “Brahma”, em alusão a supostos hábitos etílicos do ex-presidente, quem jamais foi flagrado dirigindo bêbado pelas ruas do Rio de Janeiro ou de qualquer parte do país como aconteceu com um certo senador tucano por Minas Gerais.

Como se vê, a matéria deixa bem claro que foi uma menção de empreiteiros a Lula que não o acusou de nada, apenas fez referência a ele.

Abaixo, a citação a Lula em relatório da PF.

Como se vê, o uso do termo “Brahma” para se referir a Lula não passa de uma curiosidade sem qualquer implicação para a honorabilidade do ex-presidente, já que não há nada de extraordinário em grandes empresários fazerem comentários sobre figura tão importante da vida nacional.

Porém, isso bastou para a Folha colocar Lula como o investigado número 1 da Lava, ao lado de pessoas que estão sendo processadas e, algumas, até presas. A matéria induz o leitor menos atento a crer que tem diante de si o raio-x de uma quadrilha.

Mas não é só. Uma página antes, o jornalão antipetista faz uma trapaça ainda mais vulgar e espertalhona ao transformar em acusação mera referência do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a Lula.

Segundo a matéria (canto esquerdo da imagem no alto da página), diz à Folha que o PGR acusou Lula de “lotear entre Collor e PT” uma distribuidora de combustível.

Uau! É uma declaração e tanto. O PGR acusar Lula de “lotear” patrimônio público é grave. Afinal, segundo o bom e velho dicionário Houaiss, lotear significa “dividir (terra, imóvel etc.) em lote, geralmente para venda; fazer loteamento”.

Janot, então, teria acusado Lula de vender ou dividir patrimônio público com entes privados (Collor e o PT). Há relato de que o PGR acusou Lula de alguma ilegalidade, certo?

Errado, porque Janot jamais usou o verbo “lotear”, que a Folha escolheu para falsificar uma acusação do procurador-geral da República a um ex-presidente da República. Exatamente em matéria contígua a outra que acusa o mesmo ex-presidente de liderar uma quadrilha sob investigação da Operação Lava-Jato e punição pela Justiça.

Eis o que disse o procurador-geral sobre Lula e a distribuidora em questão.

A verdade, pois, é bem outra. Ao relatar o caso de Collor, o PGR simplesmente comentou que ele recebeu de Lula “ascendência” sobre a Petrobras Distribuidora S.A. em um acordo político entre o PTB e o governo Lula igual a tantos outros acordos que TODOS os presidentes da República, governadores e prefeitos de todo o país sempre fizeram, fazem e farão para obter o apoio político no Legislativo.

O jornal até reproduziu, sem destaque, o que realmente disse o PGR, mas a manchete “garrafal” faz o leitor menos atento nem sequer prestar atenção na imagem obscurecida e diminuta da declaração real de Janot e ficar com a acusação de “loteamento”, termo que ele não usou, além de não ter pretendido sugerir ilicitude na negociação do governo com o PTB.

A manipulação de fatos pela Folha, nas duas matérias supracitadas, teve o intuito claro de difamar e caluniar o ex-presidente Lula e pode gerar um belo processo ao jornal devido, justamente, à deturpação ou pura e simples invenção de fatos que jamais ocorreram.

Qualquer leitor menos atento ou esclarecido extrairá dessas matérias a impressão de que o ex-presidente é um bandido acossado pela Justiça. A bem da elevação do nível do debate político, espera-se que Lula não deixe esse crime contra sua honra por isso mesmo.

Conspiração Policial

Mino denuncia a conspiração da PF

Rolando Lero é tão incompetente quanto vaidoso

O Conversa Afiada reproduz editorial de Mino Carta, de

CartaCapital:  Conspiração policial

Vazamentos de informações sigilosas para a mídia nativa provam que a polícia trabalha a favor dos interesses da casa-grande

Já tivemos um exército de ocupação, convocado pela casa-grande em 1964. O gendarme indispensável ao golpe, a favor dos senhores com a bênção, não somente metafórica, de Tio Sam. De mais de uma década para cá, somos forçados a colher fortes indícios de que contamos com uma polícia para cuidar dos interesses da minoria privilegiada.

Aquelas Forças Armadas derrubaram o governo. Esta polícia, ou pelo menos alguns de seus núcleos, conspira contra o governo. O tio do Norte está aparentemente mais distante, mas não desgosta de um satélite em lugar de um país independente.

A postura conservadora da caserna, em momentos diversos francamente reacionária, sempre arcou com um papel poderoso, quando não decisivo, na história do Brasil.

Hoje, graças também a um comando firme e responsável, mantém a atitude correta na moldura democrática, a despeito dos esforços da mídia nativa para oferecer eco a vozes discordantes de reduzido alcance. A defesa do status quo ficou para a Polícia Federal?

A PF não foi treinada para a guerra, dispõe, porém, de armas afiadas para conduzir outro gênero de conflito, similar àquele da água mansa que destrói pontes.

Um dos instrumentos usados para atingir seus objetivos com a expressão de quem não quer coisa alguma é o vazamento, a repentina revelação de fatos do seu exclusivo conhecimento, graças ao fornecimento de informações destinadas ao segredo e, no entanto, entregue de mão beijada e por baixo do pano a órgãos midiáticos qualificados para tanto, sem descaso quanto à pronta colaboração do Ministério Público.

Na manhã de terça 12 sou atingido pela manchete da Folha de S.Paulo: "Cerveró liga Lula a contrato investigado pela Lava Jato". O delator, diz o texto, declara ter sido premiado com um cargo público pelo então presidente da República por quitar "um empréstimo de 12 milhões de reais considerado fraudulento pela Lava Jato".

Logo abaixo, com título em corpo bem menor em duas colunas, o jornal informa que o mesmo Cerveró "cita Renan Calheiros". Finalmente, no mesmo corpo e extensão de texto, anuncia-se: "Delator fala em propina sob FHC".

Incrível: na mesma manhã, o Estadão me surpreende ao se referir apenas ao envolvimento do governo de Fernando Henrique. O jornalão, é evidente, não foi beneficiado pelo vazamento de todo o material disponível.

O Estadão redime-se aos olhos dos leitores no dia seguinte e na manchete declama: "Cerveró cita Dilma". E no editorial principal da página 3, sempre fatídico e intitulado "No reino da corrupção", alega a abissal diferença entre o envolvimento de Lula e de FHC.

Em relação a este "a informação é imprecisa, de ouvir dizer". No caso de Lula, a bandalheira é óbvia e desfraldada. Patéticos desempenhos do jornalismo à brasileira. Inúmeros leitores não percebem, carecem da sensibilidade do quartzo e do feldspato.

Nada surpreende neste enredo, próprio de um país medieval, indigno da contemporaneidade do mundo civilizado e democrático. O vazamento de informações sigilosas tornou-se comum há muito tempo nas nossas tristes latitudes, como diria Lévi-Strauss.

Mesmo assim, seria interessante descobrir as razões desta conspirata policial. Inútil, está claro, dissertar a respeito dos comportamentos da mídia. Dos seus donos, o mesmo pensador belga observava: "Eles não sabem como são típicos".

O cargo de diretor da PF é da exclusiva competência do Palácio do Planalto, que o subordina ao seu ministro da Justiça, no caso, José Eduardo Cardozo.

Foi ele quem indicou o delegado Leandro Daiello, aquele que em julho passado proclamou, a bem da primeira página do Estadão: "A Lava Jato prossegue, doa a quem doer". E a quem haveria de doer?

Nos bastidores da PF, Cardozo é apelidado de Rolando Lero, personagem inesquecível criado por Chico Anysio, o parlapatão desastrado que diz muito para não dizer coisa alguma.

Tendo a crer que Cardozo aplica seu lero-lero em cima da presidenta Dilma e consegue deixar tudo na mesma. De fato, o nosso ministro é tão incompetente no posto quanto vaidoso.

Achou, porém, em Daiello o parceiro ideal. O homem foi capaz de tonitruar ameaças, dentro da PF, contudo, carece de verdadeira liderança. A situação resulta, em primeiro lugar, dessas duas ausências.

Da conspirata em marcha, vislumbro de chofre três QGs, em recantos distintos. Número 1, escancarado, em Curitiba, onde três delegados dispõem da pronta conivência do Ministério Público e da vaidade provinciana do juiz Sergio Moro, tão inclinado a se exibir quando os graúdos lhe oferecem um troféu.

Os representantes locais da polícia não hesitaram, ainda durante a campanha eleitoral, em declinar suas preferências pelo tucanato, sem omitir referências grosseiras a Dilma, Lula e PT. De onde haveriam de sair os vazamentos se não desses explícitos opositores chamados a ocupar cargos públicos?

Há algo a se apontar no Paraná: a falta de liderança, também ali, de superintendente. Não é o que se dá em São Paulo, onde o chefão recém-empossado decidiu prender um filho do presidente Lula na mesma noite da festa de aniversário do pai, debaixo do olhar indiferente de Cardozo e Daiello. Diante de cenas como essa, o arco-da-velha desmilingue.

O novo superintendente substituía outro da mesma catadura, brindado por serviços prestados por uma das mais cobiçadas aditâncias, como se diz na linguagem policial, em embaixadas localizadas nos mais aprazíveis recantos, Paris, Roma etc.

As aditâncias fazem a felicidade de alguns, destacados delegados, espécie de prêmio à carreira. Tal seja, talvez, o sonho do superintendente em Belo Horizonte, que se distingue sinistramente por seus desmandos em relação ao governador Fernando Pimentel.

Passou por cima da lei e do decoro para torná-lo seu perseguido em nome de uma autoridade de que carece, como é fácil provar.

Até que ponto haveria um comprometimento político e ideológico entre esses policiais e os partidos da oposição? Vale imaginar que, egressos da chamada classe média, alimentem o descabido ódio de classe de quem acaba de sair do primeiro, ínfimo degrau, e atingiu um patamar levemente superior.

Donde, ojeriza irreversível em relação àqueles que nutrem preocupações sociais. Existem, também, claramente detectáveis, umas tantas rusgas, a soletrar a diferença salarial entre delegados e advogados da União, consagrada a favor destes pela presidenta.

É possível, entretanto, que quem vaza informações sigilosas não se dê conta das consequências? Os conspiradores atuam à vontade, com o beneplácito silencioso dos chefes.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

O Que Significa Nilo Batista Advogando Para Lula

POR    ·

Antes de tudo, um esclarecimento: sou amigo e admirador mais que confesso de Nilo Batista, com quem falei rapidamente ao telefone há uma semana e fiquei de conversar. Como não aconteceu a conversa, sinto-me livre para falar apenas o que penso, sem que isso envolva uma palavra sequer de suas opiniões ou quaisquer aspectos técnicos de seu trabalho.

Nilo, embora seja um dos mais respeitados penalistas brasileiros, não é apenas um advogado de causas. Ele próprio tem causas e o Estado de Direito é a maior delas.
Sua vida se dedicou a isso, mesmo antes de integrar e dirigir, aqui no Rio, a Ordem dos Advogados do Brasil. E, conquistada a democracia, continuou, na teoria e na prática, como o maior inimigo da distorção máxima de nosso sistema judicial: a criminalização da pobreza.
Não tem medo dos meios de comunicação e não guarda ilusões de que eles ajam senão com o sentido político que desejam, sem qualquer respeito pela honra alheia.
Não se confundam jamais as suas maneiras gentis e sua simplicidade com pusilanimidade: sua carreira não foi construída nas “rodas” e “sociais” de desembargadores, ministros ou políticos.
A matéria de hoje, na Folha, em que se descreve a sua entrada na defesa de Lula é, para variar, um amontoado de insinuações limítrofes à torpeza.
Nilo assumiu a defesa de Lula muito antes dos recentes “vazamentos” e por razões inversas às que o jornal aponta, de mudar ” a tática de mostrar-se como perseguido por setores do Judiciário e pela imprensa, os quais, na sua retórica, querem minar eventual nova candidatura dele à Presidência”.
Ninguém mais que Nilo Batista sabe que é assim.
Como sabe que não será este simples discurso o que bastará para defendê-lo: a defesa tem que ser também pontual e juridicamente demolidora, sobretudo no ambiente viciado em que o país se encontra, com a promoção diária de linchamentos midiáticos.
É preciso deixar, como diz o vulgo, “nus na praça” os pseudomoralistas que, no sistema de hoje, dilataram a já polêmica tese do “domínio do fato” para uma inusitada “teoria do domínio da hipótese”.
E para isso é preciso ter mais que achar que isto é casual ou fruto de má-fé individual de qualquer agente, mas fruto de um sistema de dominação.
Nilo conhece isso na política e nas ideias e práticas contemporâneas. Quem quiser, pode ler seu ensaio “Mídia e Sistema Penal no Capitalismo Tardio“, um dos melhores textos existentes sobre o tema.
Nele, encerra a análise desta promíscua interferência colocando-a dentro de projetos de poder,  ao lembrar que um certo sujeito, de horrenda memória, afirmava que “”quando a propaganda já conquistou uma nação inteira para uma ideia, surge o momento adequado para a organização, por um punhado de homens, retirar (disso) as conseqüências práticas”.
O sujeito era Hitler, no Mein Kampf.

Aventura do Impeachment Leva PSDB a Crise Terminal

EMIR SADER
Depois de quatro derrotas sucessivas nas eleições presidenciais, o PSDB, levado pelas mãos aventureiras de Aécio Neves e FHC, se mete em um processo de crise que pode terminar de vez com o partido.
Em 2014 o partido teve, de novo, expectativas de ganhar. Uma vez quando Marina virou sobre Dilma e FHC chegou a propor a Aécio que retirasse sua candidatura para tentarem ganhar no primeiro turno. Depois, quando Aécio ficou em primeiro lugar no segundo turno e, finalmente, na patética comemoração apressada da vitória, no dia das apurações.
Depois, bateu o desespero no PSDB. Tinha se valido já dos seus três candidatos – Serra, por duas vezes, Alckmin e Aécio –, com a perspectiva de retomar algum deles, com o risco de enfrentar Lula e a comparação entre o governo FHC e seus gurus econômicos e as realizações dos governos do PT. O desespero de dois políticos sem futuro levou à aventura de jogar tudo no impeachment, sem fundamento algum, passando-se por golpistas, sem proposta alguma para sair da crise. Tentaram o impeachment pela aliança com Eduardo Cunha, com Temer, mas foram vendo se esgotar suas possibilidades, apegando-se a qualquer possibilidade ainda restante.
Enquanto isso, os governadores não os acompanharam. Todos tratam de sair-se bem nos seus mandatos, com boas relações com o governo federal. Serra esperando que pudesse sobrar algo para ele num ex-futuro governo Temer ou na mágica do parlamentarismo.
Tudo em vão, os tucanos vão tendo que se enfrentar com a realidade concreta, sem impeachment, com Alckmin desgastado no governo de São Paulo, com Aécio fragilizado, sem conseguir derrubar a imagem de Lula. E o partido, que tanto falou da crise do PT, se encontra num processo de crise terminal.
Não pode repetir o mesmo tipo de candidatura e de campanha das últimas quatro eleições, senão corre de novo o risco sério de 2014, de ser superado por algum outro candidato, talvez Marina, e ficar fora do segundo turno. Ou, ainda pior, dividir-se até lá, com a saída de alguns políticos importantes e chegar a 2018 como um partido intranscendente.
O desespero e o aventureirismo de Aécio e de FHC levaram os tucanos a essa situação terminal. Sem proposta, sem candidatos, sem unidade interna, sem perspectivas. Os dois confundiram sua falta de perspectiva pessoal com a do partido e o levaram a essa situação.

PMDB Providencia Enterro Com (Ou Sem) Pompas Para Temer

Por Fernando Brito, do Tijolaço

Diz a lenda que, na Alemanha nazista, os altos oficiais do Exército pegos em conspiratas ganhavam uma pistola Lugger e um hora sozinhos para o suicídio que os pouparia da desonra do fuzilamento.
Não dá para deixar de ver a imagem quando se lê a nota de hoje do Painel da FolhaPMDB no Senado quer que Michel Temer renuncie à presidência do partido após ser reeleito.
Temer, “indignado”, não aceita a fórmula que lhe preserve da humilhação da derrota e sugere trocar a morte por um “estado de animação suspensa”, licenciando-se do cargo.
É preciso retrato mais claro da burrice política de Temer ao exibir-se ao país como o traidor, pronto a usurpar a Presidência?
O senador Eunício Oliveira, cacique peemedebista, disse ontem ao JB que  os atos do vice-presidente ainda prometem muita dor para ele próprio.
Pensando bem, a imagem foi errada.
A certa, mesmo, seria a de um bumerangue.

A Pobreza Franciscana do MPF

POR FERNANDO BRITO

Escrevi o post anterior, sobre a falta de sensibilidade do MPF em gastar R$ 6,2 milhões num sistema de identificação biométrica na portaria de sua sede, em Brasília, no final da noite de ontem. Sem ver, portanto, a manchete de hoje do Estadão: “Janot busca apoio do Supremo para evitar corte no orçamento“.

O argumento, como naquela lenga-lenga da Polícia Federal é que “os cortes” vão prejudicar a Lava Jato.

Então, com aquele velho vício de ir olhar os fatos, este blog foi ver os números do Orçamento do Ministério Público Federal.

Em 10 anos, de 2006 para 2015, ele passou de R$ 1,27 bilhão  para R$ 3,42 bilhões. Descontados os 84% de inflação do período jan/06-dez 15, dá um aumento real de 40,5%.

Se olhadas as despesas correntes, de custeio da sua atuação, o salto impressiona: saíram de R$ 199 nilhões para R$ 711 milhões. 94,1% em valores reais de aumento, descontada a inflação.

Recomendável, portanto, um pouco mais de moderação no “chororô” e um bocado mais de critério jornalístico na hora de dar uma manchete desta natureza, como se Suas Excelências estivessem condenadas à penúria.

Até porque os tais R$ 110 milhões de cortes são divididos com os outros ramos, menos aquinhoados, do MP: o Militar, o do Trabalho e o do Distrito Federal e dos Territórios, cujos orçamentos ficam de fora daquela conta mostrada acima, referente apenas ao Ministério Público Federal, a estrela da companhia.

Cortes estão acontecendo em toda a administração, inclusive em áreas essenciais como saúde e educação porque, afinal, segundo os doutos procuradores, o Estado não pode gastar se não arrecada e nem “pedalar” despesas.

Mas isso “não vem ao caso” e dá, inclusive, para colocar uma portaria “ultra-high-tech“, daquelas de filme de espionagem, no prédio do MPF, porque é pouco o controle implantado, não faz três anos, pela portaria PGR-MPF 12/2013, que estabelece “apenas”  crachá de identificação pessoal; credencial de identificação de veículos;  pórticos detectores de metais; detectores de metais portáteis;  catracas; cancelas;  circuito fechado de televisão ;equipamentos de raios-X; sistemas de cadastramento e registro de visitantes e  fechaduras eletrônicas biométricas. Sem contar, claro, “as equipes de técnicos de apoio especializado/segurança e de vigilância terceirizada”.

Afinal, a PGR é um oásis de austeridade neste país arruinado, corrupto, onde o dinheiro público é gasto sem pudor, com desperdício, sem severa moderação, com castas privilegiadadas…

Aquilo que o espanhol resume numa palavra cuja sonoridade lhe traduz o significado: despilfarro.

Menos, claro, na Procuradoria Geral da República, onde aqueles dedicados servidores, em estado de “petição de miséria”, num velho e carcomido prédio que aparece na foto, são os Ghandi da moralidade.

Patriotas ou Turma Perigosa e Dissimulada?

José Periandro Marques
Vi em uma fotografia de imprensa uma multidão de compatriotas vestidos com as cores douradas e esmeraldinas. 
Ao primeiro impacto uma esperança a mim manifestou-se: "como o brasileiro está nacionalista!". 
Mas a esperança não se fez última e morreu no nascedouro. 
Aquela reunião não era um cantar de louvores ou uma homenagem à glória de um país lídimo, soberano e justo, mas um confronto político, que bem poderia ser bélico, porque as pessoas, rancorosas, queriam destruir um determinado segmento sócio-político, que a elas não convinha, porque contrário às suas expectativas de bom viver.
Agucei minha vista naquelas inúmeras figuras e constatei aterrorizado que entre elas havia corruptos, sonegadores de impostos, torturadores, perversos, antidemocratas, funcionários públicos que muito ganham e pouco trabalham, uns riquinhos que estudam fora, outros que vibraram com a venda do patrimônio nacional, uns envergonhados afirmando que o brasileiro não presta e que os Estados Unidos e os países europeus, estes sim, modelos a serem copiados... Uns relembravam e suas partes íntimas regozijavam-se com a derrota da Seleção Brasileira de Futebol em 2014,e alguns deles até foram às ruas disseminar terror e afiançar que não haveria Copa.
Mas entre eles havia bem intencionados: liam a revista Veja, elogiavam a Globo, acreditavam que todo petista é corrupto e os demais políticos são decentes e quem vota em candidato daquele partido comunista é inconsequente, ignorante ou estúpido.
Porque eles escolheram as cores nacionais, se eles abominam a terra que lhes aceitou neste atual estágio de evolução, eis um paradoxo fácil de ser explicado.
Se eles se envergonham do país onde nasceram, não se identificam com a cultura pátria, por que se ocuparem em trazer insegurança e discórdia?
Introspectivo, em meus pensares, deduzi que eles têm como deus o dinheiro e como nação, conforto e comodidade e seu egoísmo é bem maior que gigantescas cadeias montanhosas. 
Regra geral, não há neles boa vontade, calor humano, sensibilidade. Se outro local lhes dá mais oportunidades, eles traem, enganam, mas de tal modo esconso que se imagina estão deveras interessados no progresso nacional.
Ante a foto estampada eu fiquei verde de vergonha e amarelo de medo dessa turma perigosa e dissimulada.

Delação de Cerveró Não Cita Dilma e Lula

Delação de Cerveró não cita Dilma e Lula. Delator bandido, vazador bandido e mídia…

POR FERNANDO BRITO

A esta altura, a nata do “jornalismo investigativo” – leia-se divulgadores de vazamento – está, como dizia a minha avó, com “cara de tacho”.

Com a revelação, pelo Valor Econômico, que no termo de delação premiada apresentado ao ministro Teori Zavascki não constam menções ao ex-presidente Lula e à presidenta Dilma Rousseff,  deixa todos com cara de pateta por apresentarem ao país o vazamento criminoso do que diz um criminoso sem ao menos checarem as informações.

Engoliram um rascunhão onde Cerveró diz um monte de coisas que não aparecem na versão definitiva, entregue ao STF.

Como o fato de terem havido reuniões com Dilma para tratar da compra de Pasadena e “adiantamentos” para a campanha de Lula.

E não aparecem, obvio, porque Cerveró não tem qualquer indício material para sustentar o que afirmava e o ministro Zavascki não é um imbecil de aceitar reduzir a pena de um ladrão confesso na base do “ouvi dizer”, “ele disse que o outro disse”, “sei que deram, mas não sei quem” e outras coisas do gênero.

A imprensa brasileira colocou o povo brasileiro na mão, exclusivamente, do que dizem os bandidos.

O bandido Cerveró, caçando histórias para se livrar de anos de cadeia e o bandido-vazador, que “dirigiu” os repórteres, que se entregaram docilmente em suas mãos, sem verificar, sem chegar datas, circunstâncias, elementos fáticos, nada.

E aos editores covardes que não têm a decência de escrever com a clareza que faz o portal  Terra:

Cerveró muda versão e não cita Dilma e Lula em delação

Muitos, nem chamada nos sites deram.

Não tem “problema”, abafa-se e poucos ficam sabendo do “mico” federal que pagaram.

E amanhã fazem outro.

Não é possível que o Judiciário brasileiro, o procurador-geral Rodrigo Janot e o ministro da Justiça não se interessem em apurar a origem deste estelionato feito com a delação de Cerveró.

Será que, também aí, o país está entregue a gente leniente com bandidos?

E O “Escândalo” da Petrobras de fhc?

Brito: e o “escândalo” da Petrobras de FHC?

"PSDB quer 'ouvi dizer' de Cerveró em ação contra Dilma. E o 'eu escrevi' de FHC?"

De Fernando Brito, no Tijolaço:

PSDB quer “ouvi dizer” de Cerveró em ação contra Dilma. E o “eu escrevi” de FHC?

O PSDB, que em matéria de oportunismo é “o gatilho mais rápido do Oeste” já se apressa em anunciar que vai usar o depoimento “ouvi dizer” de Nestor Cerveró na ação que move contra Dilma no TSE, sob os cuidados da dupla Dias Tóffoli-Gilmar Mendes.

Cerveró diz que “Fernando Collor disse que havia falado com a Presidente da República, Dilma Rousseff, a qual teria dito que estavam à disposição de Fernando Collor de Mello  a presidência e todas as diretorias da BR Distribuidora”.

É assim,exatamente,  o “eu digo que ele disse que ela teria dito” que está na delação.

Poderíamos sugerir, para uma pesquisa mais fidedigna, que nestes assuntos de Petrobras, procurássemos também dar importância ás fontes primárias de informação.

Como a do trecho gravado, transcrito e publicado por ele mesmo, dos “Diários de FHC“.

Para saber dele qual era o “escândalo” que havia na Petrobras, já em 1995, como ele narra.

Orlando Galvão era, simplesmente, diretor financeiro da Petrobras, pouca coisa para assuntos de dinheiro, não é?

E ainda ganhou de FHC a presidência da BR Distribuidora.

Ficou lá até 1999, junto com Joel Mendes Rennó.

Será que o PSDB também vai emprestar foros de verdade ao que diz, no mesmo depoimento, o mesmo Nestor Cerveró ao afirmar que a compra da empresa argentina Perez Companc rendeu US$ 100 milhões ao governo FHC em propinas?

Ou essa parte “podemos tirar se achar melhor”?

O Diabo e a Garrafa

Nossa!!  comentário com denuncia e profético, tudo de forma  contundente. . .Mauro Santayana  não deixou pedra sobre pedra!!
Pessoal!!  caso alguém precise melhorar de vida o primeiro a fazer é deixar de assistir a rede globo de televisão. . . em poucos messes sua vida irá melhorar !!  aquele ente midiático é uma fonte que expele pessimismo. . . dito de outra maneira . . . somente divulga merda contra o governo e contra o país!!
Abraços !!   Oscar – janeiro 15 de 2016

Por   Mauro Santayana

(Rede Brasil Atual) - Em pleno processo de impeachment, e de julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), das ações envolvendo a chapa vitoriosa nas últimas eleições, a situação da República tem sido marcada pela espetacularização de um permanente “pega para capar” jurídico-policial, a ascensão da “antipolítica”, o aprofundamento da radicalização e a fascistização do país.

Políticos e empresários têm sido presos – muitos por ilações frágeis ou exagerado rigor cautelar –, enquanto outros homens públicos e bandidos e delatores premiados apanhados com milhões de dólares na Suíça circulam livremente ou estão em prisão domiciliar.

Milhares de brasileiros acreditam piamente que o Brasil é um país quebrado e destruído, quando temos as sextas maiores reservas internacionais do mundo e somos o terceiro maior credor individual externo dos Estados Unidos.

Que um perigoso “bolivarianismo” pretende implementar uma ditadura de esquerda na América Latina, quando, seguindo os ritos democráticos normais, e sob amplo acompanhamento de observadores internacionais, a oposição liberal acaba de ganhar, pelo voto, as eleições na Venezuela e na Argentina.

Que o Brasil é um país comunista quando pagamos juros altíssimos, e somos, historicamente, dominados, na economia e na política, por um dos mais poderosos sistemas financeiros do mundo, pelo agronegócio e o latifúndio, por bancos e empresas multinacionais.

Discutindo na mesa de pôquer da sala de jogos do Titanic, envolvidos por suas disputas, e por uma rápida sucessão de fatos e acontecimentos, que têm cada vez mais dificuldade em digerir e acompanhar, os homens públicos brasileiros ainda não entenderam que a criminalização da política, criada por eles mesmos, como parte de uma encarniçada e deletéria disputa pelo poder, há muito extrapolou o meio político tradicional, espalhando-se, como o diabo que escapa da garrafa, como uma peste pela sociedade brasileira, na forma de uma profunda ojeriza, preconceito e desqualificação do sistema político, e daqueles que disputam e detêm o voto popular.

Se não se convocar a razão e o bom senso, para reagir ao que está acontecendo, e se estabelecer um patamar mínimo de normalidade político-institucional, tudo o que restará será o confronto, o arbítrio e o caos.

Está muito enganado quem acha que o mero impedimento de Dilma Rousseff resolverá a questão.

No final da década de 20, os judeus conservadores comemoravam, da varanda de suas mansões, na Alemanha, o espancamento, nas ruas, de esquerdistas e socialistas, pelos guardas de grupos paramilitares nazistas como as SS e as SA, e se regozijavam, em seu íntimo, por eles os estarem livrando da ameaça bolchevista.

Depois também viram passivamente – achando que estariam resguardados por suas fortunas – passar sob suas janelas, as filas de operários e pequenos comerciantes judeus a caminho dos campos de concentração – até chegar a sua vez de ocupar, como sardinhas em uma lata, o seu lugar nas câmaras de gás.

Poucas vezes, na história, o efeito bumerangue costuma poupar aqueles que, como aprendizes de feiticeiro, se atrevem a cutucar o que está dentro da caixa de Pandora.

Depois de Dilma e do PT, seria a vez de Temer, e depois de Temer virão os outros – todos os partidos e lideranças que tenham alguma possibilidade de alcançar o poder, por via normal.

Parafraseando Milton Nascimento, na política brasileira “nada será como antes amanhã”.

O Brasil que se seguirá à batalha sem quartel e sem piedade, levada a cabo pela oposição nos últimos anos e meses tendo como fim a destruição e total aniquilamento do PT – cujas principais vítimas não serão esse partido, mas o Estado de Direito, o presidencialismo de coalizão, a governabilidade e a própria Democracia – não terá a cara do Brasil do PSDB de Serra, de Aécio, ou de FHC, mas, sim, a de Moro e a de Bolsonaro.

A do messianismo, da vaidade, da onipotência e do imponderável, e a do oportunismo e do fascismo – e aqui não nos referimos ao velho fascio italiano – em seu estado mais puro, ensandecido e visceral.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Porque Não Houve Uma Lava Jato Para fhc

Colunista Luis Nassif, no jornal GGN, questiona as memórias do ex-presidente tucano FHC, "o mesmo que loteou a Petrobras para o grupo de Joel Rennó e admitiu que nada faria para mudar a situação"; "em um ponto ele foi nitidamente superior a Lula: na capacidade de entender o jogo dos demais poderes de Estado - Polícia Federal, Ministério Público, Justiça - e saber conservá-los sob rÉdea curta" 

Luis Nassif, no jornal GGN
Existem dois FHC. Um que fala para os iletrados - classe média, empresários pouco politizados, leitores da mídia - e outro que ambiciona falar para os historiadores.

O primeiro se vale de um moralismo rasteiro, primário e de uma falsa indignação. O segundo tenta se mostrar o homem de Estado, frio e calculista, dominando as regras da real politik.

Pelos trechos até agora divulgados, as memórias de governo de Fernando Henrique Cardoso - frutos de gravações que fez durante sua gestão - visam a história. Dê-se o devido desconto para algumas passagens repletas de indagações hamletianas sobre dar e receber. Essas cenas FHC provavelmente gravou olhando-se no espelho e fazendo pose. Nas demais, emerge o político esperto, o homem de Estado cujo maior papel foi ter garantido a governabilidade para que seus economistas implantassem o modelo neoliberal.

Acomodado, pouco ambicioso na implantação de políticas de corte, com baixíssima capacidade de entender os fenômenos do desenvolvimento ou da massificação das políticas sociais, FHC cumpriu competentemente o papel que lhe caiu no colo, de viabilização política de um modelo neoliberal de economia.

Ele admite, então, que em 1996 foi alertado por Benjamin Steinbruch, dono da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) sobre a corrupção na Petrobras, então presidida pelo notório Joel Rennó. Havia a necessidade de intervenção na empresa mas, apesar da gravidade dos fatos, ele nada fez. Segundo ele, não queria mexer no vespeiro antes da aprovação da lei do petróleo.

Em relação ao presidencialismo de coalizão, tem a honestidade de admitir que, sem as concessões, não se governa.
É curioso analisar o discurso atual de FHC, enfático contra o loteamento político, e suas alegações na época, enfáticas na defesa do loteamento político.

“A responsabilidade é minha, a decisão é minha, mas não vou fazer um ministério sem levar em consideração a realidade política. Com a experiência dos últimos anos sei que, se não existe base de apoio político, é muito difícil o governo fazer as modificações de que o Brasil necessita”.

"Não estou loteando nada. Estou simplesmente fazendo o que disse que faria: buscaria o apoio dos partidos políticos, das forças políticas da sociedade, e o faria para poder governar tendo em vista a competência técnica”, relatou.

É o mesmo presidente que loteou a Petrobras para o grupo de Joel Rennó e admitiu que nada faria para mudar a situação.
É igualmente curiosa sua indignação contra uma CPI dos Bancos, preparada por José Sarney e Jader Barbalho para investigar as jogadas com o Econômico e o Nacional. Taxou a CPI de "falta de juízo absoluto (...) Foi uma manobra para abalar meu poder, para me limitar politicamente, me atingir indiretamente".

É retrato de outros tempos, a maneira como enfrentou as denúncias da Pasta Rosa - com documentos comprovando o financiamento de campanha de vários políticos pelo Banco Econômico. A Polícia Federal intimou o presidente da Câmara, Luiz Eduardo , filho do senador Antônio Carlos Magalhães. A reação de FHC foi imediata: "A Polícia Federal foi além dos limites desse tipo de mesquinharia (...) Em todo caso, o procurador Brindeiro colocou um ponto final nisso".

Por tudo isso, não se tenha dúvida que, em um ponto ele foi nitidamente superior a Lula: na capacidade de entender o jogo dos demais poderes de Estado - Polícia Federal, Ministério Público, Justiça - e saber conservá-los sob rédea curta.

fhc Confessa Que “Matou” Francis!

A viúva se recusou a atender o telefonema

Na privilegiada proximidade com a colona em que o Ataulpho Merval de Paiva faz a exegese do Cerveró aparece nota fúnebre:

“FH questiona denúncia de Cerveró sobre propina”.

“Ex-presidente diz que em seu Governo não soube de corrupção na Petrobras”.

Até aí, é o velho Farol de Alexandria de sempre: esqueçam que comecei a vida (acadêmica) como marxista…

(Depois, ele traiu o Florestan).

A novidade é outra.

Certa altura da entrevista ao Globo, por e-mail, “sobre a existência de denúncias  de corrupção em sua jestão (revisor, não mexa! - PHA) o ex-presidente disse só ter ouvido falar quando um jornalista (Paulo Francis – PHA) fez menção (sic) ao assunto.

- Houve uma acusação de conhecido (sic) jornalista e amigo...”

Bingo!

O Francis e ele eram amigos!

Bingo.

(Nada como ler “Colonismo – sólidos, líquidos e gasosos” para entender essa lambança tão brasileira de jornalista e fontes…

O dos chapéus, por exemplo, troca receita de veneno com o Padim Pade Cerra nas noites insones…)

Bingo!

Fernando Henrique era amigo de Francis e não fez nada para impedir que ele “morresse”!

Essa questão já foi devidamente esclarecida no post “quem matou Francis”, de 03/12/15, que se reproduz a seguir:

O livro “O Quarto Poder" tem suculento capítulo sobre Paulo Francis, “o trombone da Província”.

Ali se trata de uma parte da trajetória do trotskista que foi parar na extrema-direita, caminho percorrido por outros da mesma origem.

O ansioso blogueiro foi lançar o “Quarto Poder” – veja o vídeo - na excelente Feira do Livro de Porto Alegre.

E teve o prazer de reencontrar o colega da Globo em Nova York, Régis Nestrovsky, doce coração instalado em diligente produtor.

Régis era o banqueiro que o Francis dizia ter encontrado:  “estive com um ban-quei-ro”.

Era o Régis ou o Pimenta das Neves, aquele que matou a namorada com um tiro pelas costas e, então, trabalhava como sub-do-sub do departamento de imprensa do Banco Mundial (um banco não-comercial, como se sabe).

Eram os “banqueiros” do Francis.

O Brasil negociava a divida externa e Régis tinha que ir a todas as reuniões do Comitê dos bancos credores em Nova York.

(”O Quarto Poder” revela também o que os credores americanos achavam dos filhos do Roberto Marinho … Sem comentários).

Eram reuniões tediosas, mas, a qualquer momento, podia sair um acordo e o Régis avisaria à redação e lá ia um repórter para “fechar” a matéria.

Em geral, o Régis voltava à redação desanimado, passava as informações oralmente, e aquilo não dava em nada.

Mas, o Francis se apropriava do trabalho do Regis, via oral, e berrava no jornal da Globo e nos trombones da Província: as colonas na Fel-lha - que o demitiu -, no Estadão e no Globo: “estive com um ban-quei-ro”!

Em Porto Alegre, Régis me contou – ele era amigo intimo do Francis – que conversou longamente com o Francis, por telefone, pouco antes de  Francis morrer fulminado por um enfarto.

Francis estava de voz baixa, deprimido, derrotado e magoado.

Contou que ia gastar a poupança de uma vida inteira para pagar os advogados.

No programa “Manhattan Connection”, onde ainda parece reencarnar periodicamente, Francis acusou diretores da Petrobras de receberem propina.

O informante do Francis – que o Lucas Mendes, o dos chapéus e o ansioso blogueiro sabem quem é -, não tem a menor credibilidade.

Segundo Régis, o Francis tinha plena consciência de que seria condenado, porque não podia provar o que disse.

(Uma espécie de morinha delação...)

Os diretores da Petrobras, espertamente, processaram o Francis em Nova York, já que ele morava lá e o programa foi gravado lá.

Bingo!

No Brasil, não adiantava processar o Francis – ele era do Globo, da Fel-lha...

Mas, não foi isso o que matou o Francis.

O que desmente a tese do historialista dos chapéus.

O historialista escreveu fluvial biografia autorizada do Golbery para provar duas teses:

- Golbery e Geisel, “o Feiticeiro e o Paspalhão”, são os Pais Fundadores da Democracia Brasileira;

-  Jango caiu porque gostava de pernas: de coristas e de cavalos.

Depois, construiu essa outra: a Petrobras matou Francis!

O processo na Justiça americana provocou o enfarto, sustentou o historialista pigal.

Régis tem outra explicação, muito mais razoável.

Que Francis expressou nesse ultimo telefonema.

Ninguém mais defendeu o Fernando Henrique que o Francis – segundo o Francis.

Antes mesmo de ser eleito presidente.

Quando veio o processo da Petrobras, Francis fez chegar a noticia a Fernando Henrique, com a certeza de que ele mandaria o presidente da Petrobras, o Joel Rennó, fazer os diretores da Petrobras desistirem da ação.

(Rennó também é personagem – subalterno, como sempre – do “Quarto Poder”).

Era a única esperança do Francis.

Regis ouviu de Francis que o FHC não moveu uma única palha para defende-lo.

Francis estava disposto a se retratar, admitir que tinha sido irresponsável – o que ele jamais tinha feito antes, em sua carreira de demolidor de caráter.

A mulher de Francis recebeu durante o velório um telefonema de Fernando Henrique, mas, segundo Régis, se recusou a falar com o Presidente.

Vote aqui em trepidante enquete – o que o Farol de Alexandria  - omite em seus Diários.

O enfarto do Francis deveria ser uma das omissões mais conspícuas.

Paulo Henrique Amorim

Em tempo: sobre esse insigne tucano gaúcho, Jorge Pozzobon, leia o Diário do Centro do Mundo http://www.diariodocentrodomundo.com.br/enfim-um-deputado-do-psdb-diz-publicamente-que-nunca-sera-preso-porque-nao-e-petista/

Perguntinhas Fáceis

PERIANDRO TU NÃO QUERES QUE EU RESPONDA UMA PERGUNTINHA MAIS FÁCIL NÃO? TIPO ESTA AQUI:  "QUANTO METROS DE FERRO E QUANTAS TONELADAS DE CIMENTO, AREIA E BRITA SÃO NECESSÁRIOS PARA FAZER UMA AUTO-ESTRADA DE QUATRO PISTAS DAQUI DE FORTALEZA ATÉ FERNANDO DE NORONHA?"  Franklin.

De: José Periandro Marques

Perguntas:
1. É lícito qualquer juiz no Brasil, mormente os que se arvoram salvadores da pátria, receber bem mais que um milhão de reais por ano, sabendo-se que o salário mínimo sequer chega a R$ 1.000,00 por mês?
2. Se as delações "premiadas" são sigilosas, por que elas são sistematicamente vazadas, quando se trata de denunciar gente ligada ao PT, Lula e Dilma?
3. Por que a Polícia Federal aceita que um grupo de delegados abuse de suas autoridades para intentar derrubar um governo constituído? 
3.1. Por que tais elementos não são enquadrados nas normas do Departamento de Polícia?
4. Por que não foi escolhido o Distrito Federal, sede do governo federal e dos demais poderes da República, como o centro das investigações relativas à Petrobras?
5. Por que um juiz do Paraná trancafia os presos que malbarataram o dinheiro da Petrobras em locais não acessíveis a seus familiares e impõem um regime de tortura psicológica para que eles denunciem até o que não sabem?
6. Por que a justiça não chama os veículos de comunicação para explicarem como e de quem receberam os "furos de reportagem" relativos às delações acontecidas e por que não respondem criminal e pecuniariamente pelos delitos?
7. Por que o juiz do Paraná e o chefe do Ministério Público retiraram da lista de corruptos da Petrobras o nome de Aécio Neves?
8. Por que se está permitindo escorrer o prazo de investigação e condenação do pessoal do PSDB que recebeu propina eleitoral?
9. Por que as enormes corrupções e os extravagantes prejuízos que foram causados ao erário público pelos peessedebistas paulistas, notadamente FHC, Alckmin e Serra nunca foram devidamente apuradas?
10. Por que um indivíduo da espécie de Gilmar Mendes ainda permanece ministro do STF, se sua conduta arbitrária, política e desonesta o descredenciam para o cargo que ocupa?
11. Por que os caluniadores, inclusive os da imprensa, que já arrotaram tanta iniquidade não são penalizados pela justiça por cometerem difamação e calúnia?
12. Por que Dilma permite permanecer no cargo um ministro da justiça que não defende o governo que representa, nem estabelece penas disciplinares para todos os maus policiais que, no uso de suas atribuições legais, abusam e zombam da justiça?
São inúmeras as perguntas a serem feitas, mas fiquemos nestas simplesmente.

Os Lucros Fantásticos de Cunha

Os lucros fantásticos de Cunha e os dez anos de cumplicidade da mídia e do MP

Fernando Brito, via Tijolaço em 9/1/2016

A Folha, hoje [9/1], dá manchete para o relatório da Comissão de Valores Mobiliários – vinculada ao Poder Executivo – onde se afirma que os ganhos de Eduardo Cunha no mercado financeiro, à custa de prejuízos para o fundo de pensão dos funcionários da companhia de água e esgotos (que metáfora!) do Rio de Janeiro superam cosmicamente qualquer obra do acaso.

O esquema era simples: Cunha e a Prece aplicavam recursos em fundo de uma corretora, que aplicava o “bolo”. Onde ganhava, 98% era de Cunha; onde perdia, dos da entidade de previdência:

“Para se ter uma ideia, a probabilidade de se obter uma taxa de sucesso de 98% ocorre em uma vez para cada 257 septilhões. Sabendo-se que a chance de ganhar a Mega Sena quando se faz a aposta mínima é de 1 em 50 milhões, verifica-se que a chance de uma taxa de sucesso de 98% é praticamente nula e decorre claramente de uma fraude”.

Muito bem, parabéns pela descoberta das falcatruas de Cunha…

Espere aí, descoberta?

Deviam assinar a matéria com o nome do repórter Leonardo Souza, que registou, na mesma Folha e há mais de dez anos, a maracutaia de Cunha, descrita em seu texto.

Que, aliás, foi pega por outro órgão do Executivo, a Secretaria de Previdência Complementar do Ministério da Previdência, que aplicou as multas que eram de sua competência aplicar.

Não dá pra crer que a Procuradoria Geral da República não lesse os jornais, em 2005. Mesmo porque já havia a informação da chantagem de Cunha para abafar o caso.

Ou, quem sabe, a do coleguinha, gente boa, Sérgio Torres, na mesma Folha, dois anos depois, registrando que o Tribunal de Contas do Rio (até o Tribunal de Contas do Rio!) havia encontrado prejuízos milionários na Prece e via o dedo de Eduardo Cunha por lá.

Onde é que estiveram o MP e a Folha nesta “década perdida”?

Como é que Eduardo Cunha construiu seu império de poder e dinheiro e chegou à presidência da Câmara?

Por uma simples razão: servia para chantagear e, depois, derrubar o governo que odeiam.

Com todo o respeito ao trabalho dos profissionais que “requentaram” o assunto, com detalhes mais picantes, não houve descoberta alguma. Há, sim, a revelação de um longo período de leniência e cumplicidade da mídia e do Ministério Público diante de Eduardo Cunha, que permitiu ao monstro tomar o gigantismo que tem hoje.

E que, ainda assim, pretendem-lhe aproveitar, dando legitimidade, algo de sua obra: o processo de impeachment.

No Direito, há uma teoria de que a árvore que tem veneno em suas raízes o terá em seus frutos, sejam quais forem eles.

Com tudo o que sabem dele, e há tantos e tantos anos, pretender descer seu fruto goela abaixo da nação não pode ter outro sentido que não o de envenená-la.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Estamos E Uma Ditadura

Tratamento a Lula e FHC no caso Cerveró revela que estamos em uma ditadura  Posted by 
Dois ex-presidentes foram citados pelo ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, preso pela Operação Lava Jato e que fechou acordo de delação premiada. Cerveró já mandou o ex-lider do governo no Senado, Delcídio Amaral, do PT, para a cadeia. Agora, acusa dois ex-presidentes de envolvimento com propina.
Não provou nada contra nenhum dos dois, mas, como todos estão vendo, a mídia parece acreditar que Cerveró mente quando fala sobre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e fala a verdade quando acusa Lula.
A imagem no alto da página vale mais do que um editorial, do que um tratado sobre política. A tese que a montagem da primeira página da Folha desta terça-feira (12) contém diz exatamente essa tese maluca, de que só se pode acreditar na parte das acusações do delator que se referem ao PT, como se as acusações contra os dois ex-presidentes não fossem igualmente graves.
A denúncia foi feita na segunda-feira 11 pelo jornal Valor Econômico e ficou fora dos destaques dos grandes portais de internet durante todo o dia. Só foi aparecer nas primeiras páginas dos grandes jornais no dia seguinte, com a diferença de tratamento que se vê na imagem acima.
Alguma novidade? Nenhuma. Dá para acreditar em alguma das acusações de Cerveró? Até que ele apresente provas de suas acusações, não. Porém, a mera leitura das matérias sobre as acusações do ex-diretor da Petrobrás contra os dois ex-presidentes revelam dúvida quanto as acusações de Cerveró a a um e certeza nas feitas contra outro ex-presidente.
Não há uma explicação lógica para essa diferença de tratamento porque ela não existe. A conclusão de que esses grandes meios de comunicação querem ver uma acusação ter consequência e a outra ser ignorada é uma conclusão inescapável.
Está aí, para o mundo ver, o golpe político em curso no Brasil. É descarado, desavergonhado, flagrante.
Nenhum brasileiro correto haverá de querer abafamento de qualquer investigação. Nem contra um ex-presidente, nem contra o outro. Mas se for para investigar um e não investigar o outro, aí não dá para admitir. Então não investiguem ninguém.
Se neste país as suspeitas contra um lado são investigadas e contra o outro são abafadas, não estamos mais vivendo em uma democracia. Isso é o que ninguém pode aceitar mais. Só nas ditaduras que alguns têm licença para cometer atos ilícitos e outros, não.
O Brasil vai deixando de ser uma democracia a cada passo da Operação Lava Jato. Os principais expoentes do PSDB na atualidade foram citados na Operação Lava Jato e a mídia antipetista ainda concede a eles espaço para acusarem adversários por problemas com a Justiça que os dois lados têm.
É um deboche. A sociedade brasileira não pode mais aceitar uma coisa dessas. Órgãos de Estado responsáveis pelas investigações de corrupção estão sendo usadas para um golpe político contra alguns e para acobertar corrupção de outros.
Cabe ao Judiciário provar que não segue a lógica da mídia. Se der a esses casos tratamentos diferentes como a mídia faz, estará consolidada uma ditadura no país e, na verdade, haverá que discutir como livrar o país desse regime de força que está se revelando, um regime que usurpa a lei e a aplica conforme a sua conveniência.
E como se lida com uma ditadura? Essa é a questão que os democratas terão que discutir nos próximos meses.

Roubalheira do PSDB Não Pode Ser Abafada

Mas será e na maior cara de pau. Tarcílio

Ministério Público tentou esconder...

O Conversa Afiada reproduz artigo de Jeferson Miola, extraído da Carta Maior:

A corrupção do PSDB não pode ser abafada. É uma exigência democrática - e não só jurídica - que os US$100 milhões de propina não sejam abafados pelo condomínio policial-jurídico-midiático

Jeferson Miola

Nestor Cerveró, um dos ex-diretores corruptos da Petrobrás, em depoimento prestado ao MP em outubro de 2015, revelou que o governo FHC recebeu 100 milhões de dólares de propina por negócios feitos na Argentina em 2002.

É perturbador lembrar que este mesmo depoimento do Cerveró, quando vazou naquela época, selecionou a parte que incriminava o governo Dilma, mas ocultou a revelação do esquema de corrupção implantado na Petrobrás pelo governo do PSDB.   Isto deixa clara a partidarização e a seletividade do vazamento.

Esta nova denúncia de propina no período dos governos tucanos foi desvendada de maneira acidental. A descoberta só foi possível porque cópia do depoimento de Cerveró ao MP, que teoricamente seria protegido por segredo de justiça, foi encontrada junto com os documentos apreendidos no escritório do senador Delcídio Amaral. É difícil saber se, não fosse esta circunstância acidental, algum dia o assunto viria à tona.

Como Delcídio conseguiu obter o depoimento de Cerveró é uma incógnita, e merece rigorosa apuração. E por que o senador, que foi diretor da Petrobrás nomeado por FHC no governo tucano, não denunciou as propinas pagas ao governo tucano, está longe de ser um mistério.

Ocultar um crime pode ser considerada uma ação tão grave quanto o crime cometido. É difícil acreditar que autoridades que dizem conduzir as investigações da Lava Jato com diligência e preciosismo processual, tenham prevaricado. O MP, a PF e os juízes coordenados por Sérgio Moro certamente dissiparão qualquer dúvida de que não agem com parcialidade e seletividade para incriminar os governos do PT.

É uma exigência democrática – e não só jurídica – que este crime não seja abafado pelo condomínio policial-jurídico-midiático de oposição, como foram abafadas todas as denúncias anteriores que revelaram a origem da corrupção na Petrobrás nos governos do FHC e do PSDB.

Faria bem à democracia brasileira se nossa sociedade recebesse sinais claros das “autoridades justiceiras” que coordenam a Lava Jato – os procuradores do MP, os policiais da PF e os juízes do Judiciário – de que serão instalados inquéritos para apurar toda a corrupção do país, e não só a parte que convém politicamente apurar – justamente aquela que ataca adversários ideológicos.

Quando a Ordem Jurídica de um país é quebrada pelo casuísmo processual unicamente para perseguir inimigos, a República é derrotada, e então cede lugar a um “Regime”. Na Alemanha dos anos 1920 e 1930, o nacional-socialismo magnetizou a sociedade alemã com o Regime defensor dos ideais da raça pura, intolerante, odiosa, de olhos azuis, domiciliada em Higienópolis e adestrada na USP.

O Brasil, afinal, chegou ao século 21. Seria penoso regressarmos àqueles tempos arcaicos em que existia um Engavetador-Geral da República obediente ao Príncipe e sua corja; em que a Polícia Federal era desmantelada e adestrada para não investigar. Naqueles tempos, enfim, em que a Suprema Corte tinha a representação de um líder do governo do Príncipe.
Em tempo do amigo navegante Roberto:

Querem encobrir as 100 Pilas do FHC, o "pai" das propinas da Petrobras.

Qual vai ser o dia do depoimento do FHC alguém sabe?

Eu duvido o FHC "ser convidado a dar esclarecimentos" no Q.G. da PF do PR.

O Mimimi Patético do Banco Central

Luis Nassif, via Jornal GGN atualizado em 10/1/2016 às 22 horas

Correção: o BC não atribuiu a alta da inflação à decisão da equipe econômica de enviar ao Congresso o orçamento com déficit. Aponta uma influência pequena no resultado final. Acabei me enredando em uma matéria falaciosa de O Globo (clique aqui). Alertado pelo Diogo Costa, corrijo pontos do post e mantenho os demais.

A carta de explicações do Banco Central – para justificar o não cumprimento das metas de inflação – é um documento patético. Provavelmente a demonstração mais explícita, nesses anos todos, da mediocridade de sua atuação.

Na carta, o BC se jacta de ser o último bastião da seriedade no país. Reclama que a inflação não cedeu porque o governo enviou ao Congresso um orçamento com déficit, o que provocou o rebaixamento do rating brasileiro comprometendo a estratégia anti-inflacionária do banco. Simples assim! Escreve como se o maior pecado do governo tenha sido macular as projeções do Banco Central.

Correção: menciona o fato mas lhe confere um peso mínimo, ao contrário do que disse O Globo, no qual me baseei.

É inacreditável que um órgão relevante, composto por um batalhão de PhDs formados aqui e no exterior, seja representado por um presidente que ousa uma nota oficial desse nível.

Correção: inacreditável fui eu indo na conversa de O Globo. É uma nota técnica. Mantenho o restante do post.

Basta analisar as razões que levaram à frustração do orçamento: uma brutal recessão, ampliada por uma política monetária extraordinariamente restritiva. A economia continua sendo desmontada e o BC não consegue avançar além das metas inflacionárias.

É um trabalho de burocrata de manual. Toda semana mede os humores do mercado. Se aumenta a expectativa de inflação, aumenta-se a Selic. É como se todo o instrumental do banco se limitasse a definir a Selic e controlar seus efeitos sobre o câmbio. E pouco importa os efeitos sobre o corpo econômico. Substitua-se Alexandre Tombini por um robô, já que, na prática, não passa de um robô acompanhado de notas de rodapé.

A economia está desmontada, com níveis recordes de queda do PIB e aumento sensível do desemprego. A Selic atua sobre a demanda e sobre o câmbio. Se a economia está despencando quase 4%, é evidente que não há nenhum espaço adicional (e nenhuma necessidade) de derrubar ainda mais a atividade.

Se a inflação persiste, com quase 4% de queda do PIB, obviamente a demanda não é causa da inflação.

A inflação foi alimentada por duas rodadas de alta de preços – a inicial, com reajuste dos insumos (câmbio e tarifas) e a segundo, com os repasses para os preços finais, agravada pela seca que influenciou os agrícolas. Com a recessão atual haverá pouco espaço para repasses de preços. Agora é sentar e aguardar que as altas de 2015 saiam gradativamente do ano calendário.

O desafio central é (Acorde, Tombini!) estancar a queda da atividade econômica. Não se trata de problema trivial nem de opção ideológica entre mercadistas e desenvolvimentistas. Trata-se de um problema real, que está jogando as três instâncias administrativas (União, estados e municípios) em uma crise fiscal similar às de 1991 e 1999, e ameaçando o sistema bancário com problemas de monta, se as empresas não recuperarem a capacidade de pagamento. Ou seja, o estancamento da queda do nível de atividade é vital não apenas para a recuperação fiscal, mas para se impedir o caos.

O que faz o Banco Central?

A queda do grau de investimento se deve a dois pontos: a queda recorde da receita fiscal e a elevação recorde da dívida bruta. Ambos os pontos têm a mão, os pés e todas as digitais do BC. Ao jogar a Selic em 14,25% (projetando uma taxa real de quase 7% para os próximos 12 meses!) e, sobre ela, ainda se joga o custo fiscal dos swaps cambiais, o BC ampliou exponencialmente a vulnerabilidade fiscal do país, dando um salto na relação dívida/PIB (principal indicador analisado pelas agências de risco). Não foi o 0,5 ponto de déficit primário que provocou o rebaixamento, foram os 8 pontos de PIB de crescimento da dívida bruta.

O país precisa urgentemente de uma agenda positiva. Na impossibilidade de recorrer a qualquer medida fiscal, um dos fatores de mudança de expectativas são as chamadas reformas estruturais.

Há um caminhão de propostas que poderiam estar na agenda do BC, desde alternativas às operações compromissadas – uma herança nefasta do período inflacionário – até a formas criativas de destravar o crédito.

Nas mãos de Tombini, toda a inteligência acumulada no BC, a tropa de economistas PhDs aqui e no exterior, serve para quê? Apenas para elaborar cenários futuros fantasiosos sobre a inflação e desculpas previsíveis para justificar o passado

O governo Dilma tem de recuperar urgentemente sua autoridade. Esse episódio, de um BC pretendendo enquadrar o ministro da Fazenda (e, por consequência, a própria presidente) é inédito. Ainda mais com base em argumentos tão medíocres.

Ou assuma a presidência ou a entregue para um colegiado composto por Tombini, pelo procurador aloprado do TCU, pelos delegados da PF incumbindo seus ministros de escrever a ata.

Brito Desmascara a "Acusação" de Cerveró Contra Lula

A verdade é que existe um bando de loucos na equipe da Lava Jato tentando aplicar um golpe no governo, na Dilma, no Lula e no PT.  Tarcílio

Brito desmascara a "acusação" de Cerveró contra Lula

E reproduz o incrível "interrogatório" sem perguntas ao delator

No twitter de Turquim

O CAf reproduz texto de Fernando Brito, no Tijolaço:

O incrível interrogatório sem perguntas de Cerveró

Cerveró  – Então eu fui indicado para a diretoria da BR Distribuidora por reconhecimento do Presidente pela ajuda que prestei para resolver aquele problema do empréstimo da Schahin –

Procurador – Sim, o como é que o senhor soube do reconhecimento do presidente Lula a isso?

Cerveró – .... (silêncio)

Procurador – Ele disse isso ao senhor, pessoalmente ou por telefone?

Cerveró – Não, senhor...

Procurador – E como é que o senhor soube disso?

Cerveró – .... (silêncio)

Teria sido assim o interrogatório do senhor Nestor Cerveró  que lhe rendeu redução da pena?

Deve ter sido, porque a "ligação" de Lula à sua nomeação e a razão dela ter sido a "gratidão" presidencial pela operação oculta exatas duas linhas e meia no depoimento premiado de Cerveró, que, há coisa de uma hora, foi liberado pelo "vazador" para ser publicado. Sim, porque duvido que um repórter experiente como o do Estadão fosse "deixar para depois" de ser furado pela Folha que havia uma menção a Lula, justo na primeira página do documento.

Mas vamos ao que diz o papelucho, cuja guarda estava a cargo dos procuradores Fábio Mangrinelli Coimbra e Rodrigo Telles de Souza.

QUE, como reconhecimento da ajuda do declarante nessa situação (a quitação do empréstimo), o Presidente da República LUÍS INÁCIO LULA DA SILVA decidiu. indicar o declarante. para uma diretoria da BR DISTRIBUIDORA, a Diretoria Financeira e de .Serviços.

Só. Nada mais, oficialmente, foi dito ou lhe foi perguntado, porque não está no depoimento, nem que seja para dizer "que, indagado, não soube explicar que...etc..."

Inacreditável. Aliás, na página seis, Cerveró diz que  Delcídio " também era considerado responsável pela indicação do. declarante para a diretoria da BR DISTRIBUIDORA". Era considerado ou era? Foi Delcídio que falou a Cerveró  da suposta gratidão de Lula?

A única operação concreta a que Nestor Cerveró se refere é um suposto empréstimo do Banco do Brasil ao usineiro João Lyra, em 2010, por influência de Fernando Collor e que teria irritado Renan Calheiros. Há, porém, um "probleminha": informa oficialmente o Banco do Brasil que o empréstimo foi recusado e não saiu...

Qualquer delegado novato de DP no pé do morro aqui no Rio interroga melhor. Até porque sabe que um depoimento destes, sem materialidade e sem concatenação é lixo no tribunal.

Mas, no tribunal  em questão, parece "não vir ao caso" e o depoimento é totalmente adequado ao que se busca, de fato: acusar Lula assim na base do "ouvi dizer".

Não precisa nem dizer de quem ouviu dizer.

PS. Detalhe intrigante: Detalhe, a delação não é o mesma que estava nas mãos de André Esteves e Delcídio do Amaral por uma simples razão: ambos foram presos  no dia 25 de novembro e o depoimento foi prestado dia 7 de dezembro. É uma nova versão, certamente  revista e talvez ampliada. Assim se conduz uma montagem.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Sórdido! Moro ou a PF?

Quem vazou as fotos e os números para a Veja?

detrito sólido de maré baixa publica (sic) essa semana uma "reportagem" vazada com as fotos oficiais, sigilosas dos presos (e muitos ainda não-julgados) na Lava Jato de Guantánamo.

São as fotos de identificação policial, que deveriam ser exclusividade dos documentos da Justiça, da Polícia e da administração penitenciária.

Há pormenorizada descrição da rotina dos presos e fotos internas do Pavilhão 6 onde estão trancafiados.

As celas onde vivem três presos, a cama e o mictório (frequentemente grampeado pela PF do ).

Malandramente, o detrito sólido não trata das fotos na "reportagem".

Limita-se a descrever a rotina das vítimas.

E os identifica pelo número: José Dirceu de Oliveira e Silva é o 119526.

Quem vazou?

Só há duas hipóteses, zé.

O Dr Moro, do Não Vem ao Caso.

Ou a PF, o centro da sedição nacional!

O principal suspeito é o Dr Moro.

Por que?

Porque ele foi recebido como um Rei numa festa da Abril, dona (provisoriamente) da Veja.

Para que julgar o Marcelo Odebrecht, o Vaccari e o José Dirceu?

Eles já estão condenados!

Nem nos Processos de Moscou, como diria o professor Pedro Serrano!

E viva a "liberdade de imprensa" do Gianca Civita!, não é isso?

E esse, segundo o zé, será o "legado" da Presidenta: em nome do combate à corrupção destruir o sistema de Direitos do Homem.

Paulo Henrique Amorim

Dique Golpista Começa a Rachar

11/01/2016 Miguel do Rosário

Análise Diária de Conjuntura - Tarde - 11/01/2016
O povo não é bobo. Ou não é tão bobo quanto a mídia pensa.
Comentário que pesquei no site do Globo, abaixo da matéria sobre Jaques Wagner, novo alvo da pistolagem política:
ScreenHunter_292 Jan. 11 15.48
Quando entrei na notícia, era o comentário mais recente, aparecendo, portanto, em destaque.
Esse tipo de reação tem crescido. Sabe-se que a grande mídia, em especial o grupo Abril, contratam empresas especializadas em produzir comentários para os portais.
Os blogs da Veja e mesmo o Antagonista são usuários mais conhecidos dessas técnicas de iludir o leitor e o anunciante, para dar a impressão de uma audiência que não existe.
No caso dos blogs da Veja, os serviços são inclusive de péssima qualidade, e muitos comentários são produzidos quiçá eletrônicamente, por robôs, como se pode constatar pela quantidade bizarra de comentários assinados com nicknames, seguidos de textos repetitivos e redundantes, além da recusa destes mesmos serviços de instalar sistemas de comentários via Facebook, que dificultam o controle e a censura.
Quando aparecem comentários críticos às conspirações midiático-judiciais, é porque o sistema de controle rachou.
O dique da manipulação está começando a se romper.
A grande imprensa iniciou a semana com a nota apocalíptica de sempre, o que ajuda a criar um clima de pessimismo, que o mercado reflete no boletim Focus, o qual por sua vez abastece a mídia, num sistema de retroalimentação desgraceiro e doentio.
A grande imprensa continua a demitir em massa, criando nas redações um clima de terrorismo que resulta numa obediência cega do profissional aos ditames editoriais.
Os jornalistas passam a ter medo até mesmo de pensar diferente. De olho na sobrevivência, os profissionais não apenas vendem sua força de trabalho. Vendem também suas ideias, seus sonhos. Isso é o que o sistema atual pode fazer de mais cruel com a juventude disposta a trabalhar nas redações.
Com o recesso parlamentar, o sistema de pistolagem política depende da Lava Jato para vender conteúdo aos jornalões. De posse de um conjunto gigantesco de informações, um punhado de bandidos travestido de autoridades vende seletivamente vazamentos para uma imprensa interessada especialmente num determinado tipo de informação.
Os vazamentos da delação de Cerveró sobre o governo FHC servem para legitimar uma farsa. E digo farsa não porque desacredite da existência de atos de corrupção, tanto no governo FHC quanto nos governos posteriores. Refiro-me ao método de investigação, baseado em delações, de um lado, e num jogo calculado de vazamentos.
Daí que a agenda política nacional continua estreita. Os brasileiros não conhecem o Brasil. A quantas anda a economia brasileira real?
Por que a imprensa esconde que o Brasil tem o monopólio absoluto da produção mundial de nióbio, minério estratégico e essencial na produção de armas, satélites e produtos tecnológicos? Será porque não interessa à família Itaú, detentora deste monopólio?
Por que a imprensa parou de divulgar amplas reportagens-denúncia (se é que fez alguma vez) sobre a tragédia de Mariana?
A quantas anda a questão fundiária no país?
A nossa imprensa vive presa a uma agenda política incrivelmente curta, e repetitiva. Todos os jornais e revistas só falam de dois ou três assuntos, sob a mesma ótica.
A sociedade brasileira tornou-se muito mais complexa do que seu noticiário. Evidentemente, o monopólio cria essas distorções.
A ameaça de um novo delator de oferecer cem nomes de pessoas, envolvidas em algum esquema, transforma a Lava Jato numa grande pantomina. A delação premiada, definitivamente, vulgarizou-se.
Os réus entenderam que podem falar qualquer coisa, e serão premiados. Se não houver provas, não tem importância: a PF se encarregará de inventá-las, através de suposições as mais esdrúxulas possíveis. Os relatórios da PF tornaram-se peças de ficção, em que o policial, de posse de um conjunto volumoso de vazamentos, constrói uma teoria qualquer, a qual, desde que dentro da linha da mídia, será chancelada e defendida por esta custe o que custar.
As previsões econômicas para este ano ainda são bastante ruins: o boletim Focus, que colhe previsões da iniciativa privada, estimou que o PIB deve cair 3% este ano. Para o ano que vem, contudo, espera-se crescimento. Todos os fundamentos sinalizam que o ciclo negativo se esgota este ano. Aliás, já no segundo semestre deste ano, as luzes devem começar a surgir ao fim do túnel.
Politicamente, inclusive, este ano pode ser bem melhor, em virtude da realização das Olimpíadas e das eleições municipais. Melhor no sentido de possuir uma agenda política um pouco mais abrangente. O golpismo tende a se encolher, constrangido, diante do espetáculo de novas eleições livres e democráticas.
As Olimpíadas servem para erguer o astral, além de atrair, para o país, a atenção global, abrindo excelentes oportunidades para trocas culturais, políticas e comerciais.