sábado, 31 de outubro de 2015

O Folhetim Esgoto

247 – A revista Veja deste fim de semana publicou mais uma capa absolutamente infame em relação ao ex-presidente Lula, que acaba de completar 70 anos.
Nela, Lula é retratado como presidiário por ser cercado, segundo Veja, por "chaves de cadeia", como os executivos Alexandrino Alencar (Odebrecht), Léo Pinheiro (OAS) e Ricardo Pessoa (UTC), que são grande doadores de recursos para todos os partidos políticos – em especial para o PSDB.
Ao "prender Lula", a família Civita, que edita Veja, realiza um sonho inconsciente de parte das elites, mas também sinaliza que a agenda do impeachment vem sendo superada.
Como aparentemente não será possível viabilizar um golpe contra a democracia, o que importa, para os fanáticos de direita, é tirar Lula do jogo presidencial de 2018 a qualquer custo.
Nesta semana, no entanto, Lula mandou um aviso, ao discursar no encontro do Diretório Nacional do PT.
"Ninguém precisa ficar com medo, porque se tem uma coisa que eu aprendi na vida é enfrentar a adversidade. Se o objetivo é truncar qualquer perspectiva de futuro, vão ser três anos de muita pancadaria. E podem ficar certos: eu vou sobreviver", disse ele.
Nunca é demais lembrar que Lula, o presidiário de Veja, foi o presidente mais popular e mais aprovado da história do Brasil.

A Justiça Brasileira

Muito oportuna a análise de Luis Nassif sobre o momento atual da Justiça brasileira. Entretanto, infelizmente, reduziu ele a amplitude e a gravidade de que a questão se reveste, tendo em vista os riscos daí advindos para a democracia e a paz social do País.

Deixou, o jornalista, de comentar o início de tudo, quando dos tratamentos diferenciados dados pelo STF aos "mensalões" do PT  e do PSDB: o deste foi conduzido de forma a provocar a impunidade dos réus (pelo menos até agora);  o daquele recebeu um tratamento especial, de modo a garantir a dura condenação de todos os réus adredemente indiciados para  isto.

Há outros aspectos que também deveriam ter sido considerados.  Um deles refere-se à cobertura da mídia ao Juiz Moro, na Operação Lava Jato.  Faltou especificar que os fatos levam à suspeição de haver entendimento, entre a mídia e a equipe da Lava Jato, para poupar os opositores do governo denunciados e, através dos "vazamentos seletivos", transformar em escândalo, via divulgações espetaculosas, quaisquer delações contra membros do governo, contra petistas e, especialmente contra Lula e seus familiares.

Outra observação refere-se à extensão da ambivalência do tratamento dado aos investigados pela Lava Jato.  Dois exemplos marcantes:  Moro determinou a prisão, com base numa suspeita infundada, da cunhada de Vaccari, ex-tesoureiro do PT;  e, tendo em mãos a comprovação da existência de conta secreta na Suíça, aberta com dinheiro ilegal da mulher de Eduardo Cunha (presidente da Câmara e inimigo declarado do governo do PT), deixou de decretar a prisão dessa senhora.

Com relação à Operação Zelotes, estamos presenciando acontecimentos cuja orientação  vai no mesmo rumo daquela da Lava Jato, acima exemplificada.  A Polícia Federal foi à caça de um filho de Lula (inicialmente para depor), que nada tem a ver com os crimes investigados nessa operação; e deixou de lado, até agora,  a abordagem dos grandes tubarões agraciados por anistias fraudulentas de impostos, cujo rombo para o Tesouro está avaliado em quase R$ 20 bilhões.

Outro aspecto a ser levado em conta, é que "a estratégia Sérgio Moro" é endossada não somente por Rodrigo Janot, mas também pelo STF, por enquanto na pessoa do ministro Zavascki (as prisões abusivas decretadas por Moro são constantemente legitimadas por esse ministro, ao negar provimento aos HC impetrados em favor de presos injustiçados).
Além disso, segundo divulgado, há poucos dias o presidente do STF, ministro Lewandowski, elogiou em palestra, nos EUA,  a atuação do juiz Moro na condução da Lava Jato. A ser isto verdade, pode talvez representar uma subliminar prestação de contas à metrópole... Mas, de qualquer modo, foi uma demonstração pública de apoio, sem retoques, ao trabalho daquele Juiz na Lava Jato.

O caso dos "vazamentos" é mais um ponto tratado por Nassif, que precisa de esclarecimento.  Ele generalizou, ao dizer:  depois da Lava Jato, todo vazamento deixará de ser coibido.  Esqueceu de  que os vazamentos sempre foram "seletivos", abrangendo apenas as pessoas escolhidas para ser expostas negativamente à opinião pública.

Martinho Nunes

Por Que a Saída de Cunha é Constitucional

Por Márlon Reis e Luiz Flávio Gomes

Se o STF, pelo Plenário, vier a receber denúncia contra um dos chefes de poder, é mais do que recomendável o seu afastamento do exercício da instituição que dirige.

Recebida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) uma denúncia ou queixa-crime por qualquer crime comum, contra o presidente da República, ficará ele suspenso automaticamente das suas funções (parágrafo 1º, inciso I, do artigo 86 da Constituição Federal). Se não julgado no prazo de 180 dias, reassume o cargo. Essa regra constitucional, que tem o propósito de preservar a integridade e a respeitabilidade do cargo máximo do país, deve valer não só para o presidente, senão também para todos os que estão na sua linha sucessória (vice-presidente e, na ordem, presidentes da Câmara dos Deputados, do Senado e do STF), que podem, em qualquer momento, assumi-la.

O que a Constituinte estabeleceu foi o primado do não exercício da Presidência da República por quem é réu em processo criminal. Embora presumido inocente, chefe de Poder que se transforma em réu fica incompatibilizado com o exercício da sua função de comando. Trata-se de uma exceção constitucional ao princípio da presunção da inocência para a preservação do exercício das altas funções de chefia da nação. O objetivo é assegurar proteção e higidez máxima ao mais elevado cargo eletivo da União.

O dispositivo citado quer, com toda a clareza, impedir que a Presidência seja, mesmo que de forma transitória, exercida por pessoa contra quem paira ação penal com tramitação admitida pela Suprema Corte. Essa medida extrema é justificada, porque as mais elevadas funções do Estado Democrático não podem vir a ser desempenhadas por quem ostenta mácula dessa grandeza, que conspurca a reputação e a imagem esperadas dos mais altos mandatários do país.

A norma constitucional é cogente e válida para todos os que podem assumir o cargo máximo da Presidência da República. Não se trata do afastamento processual, que se justifica por conveniência da instrução penal ou como reação a eventual desvio de conduta do réu, mas como mecanismo de proteção da própria institucionalidade democrática, cujos destinos não podem estar sob o comando de um processado criminalmente. Quem busca intimidar testemunhas, ocultar documentos ou se valer do cargo para intimidar integrantes dos demais poderes pode ser alcançado pelo afastamento cautelar previsto no artigo 319, VI, do Código de Processo Penal. Mas isso não se confunde com o afastamento constitucional.

Não se interpretando o artigo 86, parágrafo 1º, I, da Constituição Federal de forma adequada, em caso de afastamento ocasional (por motivo de viagem, enfermidade, férias, afastamento judicial ou determinado pela Câmara) ou definitivo do titular (por perda ou suspensão dos direitos políticos, cassação ou renúncia), a Presidência poderia ser exercida por alguém contra quem paira a circunstância impeditiva prevista no citado dispositivo.

Quem tem a possibilidade de assumir a Presidência da República (em qualquer momento) deve arcar com o ônus de ostentar sempre todas as condições constitucionais de assumi-la. Isso evita que se implante ou se agrave uma crise de estabilidade e de credibilidade, interna e externa, do país. Tratando-se do presidente ou do vice-presidente, deve-se operar o afastamento do próprio mandato eletivo. Em sendo o recebimento da denúncia operado contra o presidente da Câmara ou do Senado ou do Supremo Tribunal Federal, exige-se apenas o afastamento da função transitória (a presidência da instituição), de modo a se suprimir o risco de exercício indevido da Presidência da República pelo réu, remanescendo o direito ao exercício do cargo de deputado federal ou senador ou de ministro da Corte Suprema.

Em suma, se o Supremo Tribunal Federal, pelo Plenário, vier a receber denúncia contra qualquer um dos chefes de poder, é mais do que recomendável (e natural) o seu afastamento do exercício da instituição que dirige. As razões inspiradoras do dispositivo constitucional acima mencionado (CF, artigo 86, parágrafo 1º, I) valem, ipso facto, não apenas para o ocupante do cargo de presidente da República, mas também para todos os que estão em posição de assumir (a qualquer momento) interina ou definitivamente tal função.

Particularmente diante da inércia do poder político, acometido por uma súbita e deliberada cegueira diante das provas inequívocas de contas secretas na Suíça, nada mais oportuno que a intervenção do Ministério Público e do Judiciário, que são os únicos legitimados, como órgãos de controle do Estado (não dos governos), a agirem em favor da preservação da moralidade e do interesse públicos.

Márlon Reis é juiz e membro do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, Luiz Flávio Gomes é jurista e presidente do Instituto Avante Brasil.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Diretoria de Lobby da Globo e Operação Zelotes

Diretoria de lobby da Globo e Operação Zelotes: tudo a ver

Investigadores da Operação Zelotes deveriam dar uma batida na vice-presidência de Relações Institucionais da Globo, pois existem também coincidências interessantes por lá

por Helena Sthephanowitz, para a RBA

RBS é uma das empresas investigadas. Documentos apontam pagamento de propina de R$ 11,7 milhões
A busca e apreensão na empresa de Luís Cláudio da Silva, o Lulinha, filho do ex-presidente Lula, tentando associar a prorrogação de uma medida provisória de 2009 com um negócio da empresa – de 2014 –, dada a fundamentação frágil que a justifica, parece pretexto para se fazer uma devassa na empresa, na expectativa de se encontrar qualquer coisa que renda manchetes aos portais e jornais.

Lembra outro episódio mais ou menos recente, quando a promotora Márcia Milhomens Corrêa, do Ministério Público do Distrito Federal, pediu uma devassa sobre telefonemas de um certo local dando apenas as suas coordenadas geográficas. A alegação era investigar uma informação que, logo depois, mostrou ser mais um factoide lançado pela imprensa: o suposto uso de telefone celular pelo ex-ministro José Dirceu, quando estava preso em regime fechado. O problema é que a promotora “esqueceu” de mencionar que as coordenadas geográficas eram do Palácio do Planalto. Ou seja, na prática, a ação possibilitaria bisbilhotar todo e qualquer telefonema na sede da Presidência da República.

Se for para fazer busca e apreensão com bases tão frágeis, os investigadores da Operação Zelotes teriam de dar uma batida na vice-presidência de Relações Institucionais da Globo, pois existem também coincidências interessantes por lá.

“Vice-presidente de Relações Institucionais” é o nome comumente dado no mundo das grandes empresas ao executivo encarregado de fazer lobby junto a autoridades governamentais, parlamentares e, pelo visto recentemente, até nos tribunais e Ministério Público. Quem ocupa o cargo no grupo Globo, desde 2011, é Paulo Tonet Camargo. Uma busca na agenda pública de autoridades do Ministério das Comunicações mostra que Tonet é assíduo frequentador dos gabinetes do ministério. Seu papel é defender interesses das Organizações Globo junto ao governo.

Mas o que chama atenção é o currículo anterior de Tonet. Largou a carreira no Ministério Público do Rio Grande do Sul e, após passar pelo Ministério da Justiça como diretor do Departamento Penitenciário Nacional, de 1995 a 1997, no governo FHC, foi trabalhar na RBS (afiliada da TV Globo no Rio Grande do Sul e Santa Catarina), onde foi diretor-geral em Brasília e vice-presidente jurídico e institucional, de 1998 a 2011, quando foi promovido para a matriz da Globo.

O cargo na RBS já foi ocupado anteriormente por Augusto Nardes, atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), também implicado pelos investigadores na Operação Zelotes da Polícia Federal.

A RBS é uma das empresas investigadas. Documentos apontam pagamento de propina de R$ 11,7 milhões a um conselheiro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) para anular ou reduzir uma vultosa dívida tributária da empresa com a Receita Federal. Pelo cargo de vice-presidente jurídico e institucional que ocupava na RBS, estaria dentro de suas atribuições lidar com esse assunto, a autuação milionária da Receita, além de fazer gestões junto a órgãos públicos no interesse da empresa.

Não fosse um diretor da Globo, esse conjunto de fatos seria prato cheio para repórteres inescrupulosos fazerem ilações e pressão para a Polícia Federal fazer uma devassa em seus endereços e sigilos fiscais, telefônicos e bancários. Mas o fato é que, sem uma evidência mais clara da participação da pessoa na autoria do ilícito, não há base que justifique buscas e quebras de sigilo apenas por cargos que ocupou e negociações de que participou, da mesma forma que se Luís Cláudio não fosse filho de Lula seria preciso algo bem mais concreto do que ilações sobre uma medida provisória necessária para o Brasil, de quatro anos antes, para justificar medidas judiciais invasivas.

Mas Tonet é da Globo. E Luís Cláudio Lula da Silva nem sequer é propriamente o alvo da ação política. O alvo é o pai. Parodiando frase de 1950 de Carlos Lacerda sobre Getúlio Vargas, a perseguição política em curso visa primeiro a que Lula não seja candidato à Presidência em 2018. Se for candidato, que não seja eleito. Se eleito, que não tome posse. Empossado, que seja derrubado.

Intimação de Filho de Lula, às 23 Horas, é Prova do “País da Meganhagem”

POR    

Tenho afirmado aqui que o Brasil virou o país da “meganhagem”.
A Polícia passou a servir para produzir espetáculos políticos.
A polícia ter ido  ao apartamento de Luis Cláudio Lula da Silva por volta das 23 horas da terça-feira, logo após ele ter chegado, com a mulher grávida, da festa de aniversário do pai é reveladora dos métodos que se empregam quando, em lugar de apurar, busca-se intimidar e humilhar.
Não é difícil acreditar que, até, os policiais estivessem de “campana” próximos ao Instituto Lula para segui-lo e intimá-lo assim que chegassem em casa.
Trata-se, é bom lembrar, de pessoa que não é acusada de nada, não está indiciada, tem endereço certo – aliás, apontado como suspeito por ter sido cedido por seu padrinho de batismo!
O tal depoimento seria hoje, quinta-feira, e havia óbvio tempo hábil para que fosse feita, por exemplo, na manhã seguinte.
De novo, não é por ser apenas em relação ao filho do ex-presidente, é em relação a qualquer pessoa que não tem uma ordem de condução judicial, que apenas é intimada a prestar esclarecimentos.
É que quando se faz o que é desnecessário, é claro, está se fazendo algo com deliberada intenção em algo.
E, neste caso, o de provocar constrangimento.
Havia “risco de fuga”? Indício de crime em flagrante? Qual o perigo que representava um rapaz com sua mulher grávida para ser perturbado neste horário? Onde estavam os policiais, “campanando” um ato particular onde se encontrava a Presidenta da República? Com que fim, já que havia endereço sabido e não era aquele?
Infelizmente, não há na Polícia Federal chefes com capacidade de convocar seus subordinados a explicarem porque de uma notificação feita nestas circunstâncias e não segundo os procedimentos de praxe.
E não há, no Ministério da Justiça quem chame a direção da Polícia Federal às falas.
Porque aquilo é uma instituição da República e não o playground da meganhagem para fazer a sua politicagem de cabecinhas depitbull.

Folha de S.Paulo Pagará R$ 73,4 Milhões Por Boicotar o ENEM

Davis Sena Filho, via Palavra Livre
Em 2009, a Gráfica Plural, do grupo Folha de S.Paulo, vazou as provas do Enem, em um crime que causou sérios transtornos ao Ministério da Educação e ao governo Lula, que teve de enfrentar mais uma das inúmeras crises, muitas delas criadas artificialmente com o propósito de boicotar o programa educacional do governo trabalhista, e, consequentemente, golpeá-lo para que fracassasse a inclusão de centenas de milhares de brasileiros pobres ou remediados nas universidades públicas brasileiras até então tratadas como feudos para os filhos dos ricos e das classes alta e média alta.
Contudo, o Judiciário condenou o tal jornal criminoso e useiro e vezeiro em cometer devaneios e irresponsabilidades sórdidas apenas superadas pela própria Folha da família Frias de Oliveira, que na década de 1970 emprestava os carros de sua empresa para que os órgãos de repressão locomovessem agentes do Dops e do Deic, do delegado Sérgio Paranhos Fleury, e carregar prisioneiros considerados adversários da ditadura militar, muitos deles torturados, mortos e muitos deles desaparecidos até os dias atuais.
A condenação da Gráfica Plural – leia-se Folha de S.Paulo – é um exemplo de que ainda tem setores do Judiciário que fazem Justiça e não são pautados por empresários donos de um sistema midiático de negócios privados, que, de forma arrogante e prepotente, querem impor seus valores sectários e elitistas, porque desejam um País para poucos, a fim de manterem seus privilégios, bem como não toleram as diferenças culturais, a ascensão econômica e financeira de 40 milhões de cidadãos brasileiros e a busca de igualdade entre as regiões para que o Brasil, enfim, desenvolva-se de maneira democrática, republicana e justa.
São elites que têm um profundo sentimento de classe social e marcam seus territórios como os lobos e os leões nas selvas – sendo que a selva, o habitat natural dessa gente egoísta e, sobretudo, violenta é o status quo, onde os sectários, os racistas, os patrimonialistas e os que querem um mundo VIP para viver possam manter indefinidamente seus privilégios de classe social edificados por uma ideologia mezzofascista, que prega a exclusão e por isto não reconhece o direito à cidadania de todos os brasileiros e estrangeiros que moram e vivem no Brasil.
Para isso, grupos empresariais de comunicação se transformaram em porta-vozes das ações e do pensamento das classes sociais ricas, opressoras e controladoras dos meios de produção, que formulam um jornalismo de esgoto, de oposição feroz aos trabalhistas e socialistas, ao ponto de boicotarem um sistema democrático e de inclusão social e educacional como o Enem. Por isso e por causa disto, o Grupo Folha vai pagar, conforme determinou a Justiça Federal, valor da ordem de R$73,4 milhões ao governo federal, em função do vazamento da prova do Enem em 2009.
Tal “vazamento” publicado pela Folha foi repercutido pelos seus irmãos siameses e historicamente golpistas, exemplificados no Jornal Passional e no Mau Dia Brasil da TV Globo; na Globo News e seus “especialistas” de prateleira; na Veja, a revista porcaria e associada a bicheiro; no Estadão, o pasquim que pensa que ainda vive na época dos barões do café, e, portanto, da escravidão; e em O Globo, o jornal de péssimo conteúdo editorial, que foi empastelado após a morte de Getulio Vargas e cuja família proprietária pensa que o Brasil, País com 200 milhões de habitantes e considerado a sexta maior economia do mundo é o quintal da mansão onde mora.
Naquele ano de 2009, o Enem foi atacado de todas as formas e maneiras. Ocorreu de fato um achincalhe desproporcional ao episódio, o que levou a classe média conservadora e de perfil lacerdista repercutir com mais ênfase seu ódio de classe contra o governo federal e ao presidente Lula, pois que é exatamente a classe média o alvo ideológico dos meios de comunicação comerciais e privados, já que portadora e disseminadora dos valores burgueses, do acesso restrito à universidade pública, dos sonhos de consumo para si e seus filhos, bem como principal fiadora dos interesses empresariais dos ricos, por ser sua aliada no que concerne ao privilégio, a ser considerada VIP, por se considerar especial e por isto com o “direito” de não se incluir nas massas e com o “dever” de defender o que é pregado pelo establishment.
Folha de S.Paulo nunca se responsabilizou pelo vazamento das provas do Enem em 2009. Pelo contrário, com a cumplicidade dos outros órgãos privados de comunicação de massa, a Folha, de forma irracional e golpista, atacou Lula, Haddad e o Governo trabalhista de maneira impiedosa, sem ponderar, por exemplo, que sua gráfica é que estava a rodar as provas do Enem. Nada importou para o barão Octávio Frias e suas penas alugadas, pois o que interessava era desmoralizar o Enem, odiado por tal gente, porque o programa inclui milhares de brasileiros pobres ou que não tiveram a oportunidade de entrar no esquema mercantil de cursinhos milionários ou frequentar os bancos de colégios particulares das “elites” de um País que melhorou muito na última década, mas ainda desigual e, evidentemente, injusto.
Contudo, a despeito de tudo, volto ao que já considero meu mantra preferido: “Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, cadê ou em qual gaveta está guardado e empoeirado o projeto de marco regulatório para os meios de comunicação do Jornalista Franklin Martins? Vossa Excelência não sabe? Então, pergunte à ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Ministro, talvez o senhor não saiba, mas governos e governantes trabalhistas nunca devem tergiversar ou facilitar com a mídia golpista. Releia a nossa história”. É isso aí.

E Se Verônica Serra Fosse Filha de Lula?

Paulo Nogueira esqueceu de citar a Decidir.com, empresa criada por ela, em sociedade com a irmã do Daniel Dantas, também Verônica, com sede em Miami, que serviu para a lavagem de capitais durante a privataria tucana.  Tarcílio

Paulo Nogueira também esqueceu de citar um grande escândalo em que se envolveu a firma das duas Verônicas.  Isso ocorreu, conforme à época foi divulgado, quando a tal empresa teve acesso ao conteúdo sigiloso dos cadastros de mais de 60 milhões de correntistas do Banco do Brasil.  Mas tudo foi tratado como coisa sem importância; afinal de contas, uma era filha de Serra e a outra, irmã de Daniel Dantas, e estava-se na época do engavetador-geral da República, que perdurou pelos 8 anos do desgoverno FHC.  Martinho

E se Verônica Serra fosse filha de Lula? Por Paulo Nogueira
Este texto está sendo republicado, dada sua atualidade.
Um título do site Viomundo, trazido ao Diário pelo atilado leitor e comentarista Morus, merece reflexão.
E se o filho de Lula fosse sócio do homem mais rico do Brasil?
Antes do mais: certas perguntas têm mais força que mil repostas, e este é um caso.
Bem, o título se refere a Verônica Serra, filha de Serra. Ela foi notícia discreta nas seções de negócios recentemente quando foi publicado que uma empresa de investimentos da qual ela é sócia comprou por 100 milhões de reais 20% de uma sorveteria chamada Diletto.
Os sócios de Verônica são Jorge Paulo Lehman e Marcel Telles. Lehman é o homem mais rico do Brasil. Daí a pergunta do Viomundo, e Marcel é um velho amigo e parceiro dele.
Lehman e Marcel, essencialmente, fizeram fortuna com cerveja. Compraram a envelhecida Brahma, no começo da década de 1980, e depois não pararam mais de adquirir cervejarias no Brasil e no mundo.
Se um dia o consumo de cerveja for cerceado como o de cigarro, Lehman e Marcel não terão muitas razões para erguer brindes.
Verônica se colocou no caminho de Lehman quando conseguiu dele uma bolsa de estudos para Harvard.
Eu a conheci mais ou menos naquela época. Eu era redator chefe da Exame, e Verônica durante algum tempo trabalhou na revista numa posição secundária.
Não tenho elementos para julgar se ela tinha talento para fazer uma carreira tão milionária.
Ela não me chamou a atenção em nenhum momento, e portanto jamais conversei mais detidamente com ela.
Mas ali, na Exame, ela já era um pequeno exemplo das relações perigosas entre políticos e empresários de mídia. Foi a amizade de Serra com a Abril que a colocou na Exame.
Depois, Verônica ganhou de Lehman uma bolsa para Harvard. Lehman, lembro bem de conversas com ele, escolhia em geral gente humilde e brilhante para, como um mecenas, patrocinar mestrados em negócios na Harvard, onde estudara.
Não sei se Verônica se encaixava na categoria dos humildes ou dos brilhantes, ou de nenhuma das duas, ou em ambas. Conhecendo o mundo como ele é, suponho que ela tenha entrado na cota de exceções por Serra ser quem é, ou melhor, era.
Serra pareceu, no passado, ter grandes possibilidades de se tornar presidente. Numa coluna antológica na Veja, Diogo Mainardi começou um texto em janeiro de 2001 mais ou menos assim: “Exatamente daqui a um ano Serra estará subindo a rampa do Planalto”. (Os jornalistas circularam durante muito tempo esta coluna, como fonte de piada e escárnio.)
Cotas para excluídos são contestadas pela mídia, mas cotas para amigos são consideradas absolutamente normais, e portanto não são notícia.
Todos os filhos são iguais, mas alguns são mais iguais que outros
Todos os filhos de políticos são iguais para a mídia , mas alguns são mais iguais que outros
Bem, Verônica agradou Lehman, a ponto de se tornar, depois de Harvard, sócia dele.
O nome dela apareceu em denúncias – cabalmente rechaçadas por ela – ligadas às privatizações da era tucana.
Tenho para mim que ela não precisaria fazer nada errado, uma vez que já caíra nas graças de Lehman, mas ainda assim, a vontade da mídia de investigar as denúncias, como tantas vezes se fez com o filho de Lula, foi nenhuma.
Verônica é da turma. Essa a explicação. Serra é amigo dos empresários de mídia. E mesmo Lehman, evidentemente, não ficaria muito feliz em ver a sócia exposta em denúncias.
Lehman é discreto, exemplarmente ausente dos holofotes. Mas sabe se movimentar quando interessa.
Uma vez, pedi aos editores da Época Negócios um perfil dele depois da compra de uma grande cervejaria estrangeira. Recomendei que os repórteres falassem com amigos, uma vez que ele não dá entrevistas.
Rapidamente recebi um telefonema de João Roberto Marinho, o Marinho que cuida de assuntos editoriais. João queria saber o que estávamos fazendo.
Lehman ligara a ele desgostoso. Também telefonara a seus amigos mais próximos recomendando que não falassem com os repórteres da revista. Ninguém falou, até mais tarde Lehman autorizá-los depois de ver os bons propósitos da reportagem.
A influência de Lehman sobre João Roberto se deve, é verdade, à admiração que Lehman e seu lendário Grupo Garantia despertavam na família Marinho.
Mas é óbvio que a verba publicitária das cervejarias de Lehman falam alto também. Um amigo me conta que em Avenida Brasil os personagens tomavam cerveja sob qualquer pretexto.
Isto porque as cervejarias de Lehman pagaram um dinheiro especial pelo chamado ‘product placement’, ou mercham, na linguagem mais vulgar.
O consumidor é submetido a uma propaganda sem saber, abertamente, que é propaganda. Era como se realmente os personagens tivessem sempre motivos para tomar uma gelada.
Verônica Serra, por tudo isso, esteve sempre sob uma proteção, na grande mídia, que é para poucos. É para aqueles que ligam e são atendidos pelos donos das empresas jornalísticas.
O filho de Lula não.
Daí a diferença de tratamento. E daí também a força incômoda, por mostrar quanto somos uma terra de privilégios, da pergunta do site Viomundo.

Desvio na Zelotes é Para Proteger Grandes Grupos de Comunicação

“A Operação Zelotes saiu do encalço do poder econômico para perseguir familiares de Lula sem qualquer motivo sólido ou aparente. Por que será?”, questionou o deputado federal Marcon (PT-RS)

Por: Agência PT

Em pronunciamento na tribuna da Câmara, na quarta-feira (28), o deputado Marcon (PT-RS) questionou os motivos que levaram a Polícia Federal a concentrar as investigações da Operação Zelotes na empresa de Luis Claudio da Silva, filho do ex-presidente Lula e “esquecer” as grandes empresas sonegadoras do país.
“A Operação Zelotes saiu do encalço do poder econômico para perseguir familiares de Lula sem qualquer motivo sólido ou aparente. Por que será?”, questionou.
“Em vez de investigarem as grandes e médias empresas que sonegam neste País, como o Grupo Gerdau, o Grupo RBS e a Marcopolo, lá no Rio Grande do Sul, estão investigando a filha do Gilberto Carvalho e o filho do Presidente Lula”, estranhou Marcon.
Segundo o deputado, esse tipo de ação da PF evidencia a proteção que a instituição faz às grandes empresas, em especial àquelas ligadas ao setor de comunicação. Como exemplo, ele cita o grupo RBS, afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul e Santa Catarina e que encontra-se na lista dos grandes sonegadores da Operação Zelotes.
O deputado fez questão de lembrar que informações veiculadas nos órgãos de imprensa de circulação nacional revelam que a RBS, para se livrar de um débito no valor de R$ 150 milhões, pode ter pago R$ 15 milhões para agentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) “sumirem” com a dívida.
“A cada dia fica mais claro, em se tratando da Zelotes, que a grande mídia do país que está envolvida em suborno e propina para agentes públicos reduzirem seus tributos junto aos órgãos arrecadadores, quer gerar uma cortina de fumaça para tirar de si o foco e apontar a mira para cima de agentes políticos”, criticou Marcon.
O deputado estranhou como uma operação fadada ao fracasso, uma vez que não tinha recursos para a força-tarefa, nem juiz federal despachando na velocidade de Sergio Moro (Operação Lava Jato) e, consequentemente, sem o impacto da espetacularização dos fatos, de repente, muda de foco, sai do encalço de grandes grupos econômicos — como a Rede Globo, bancos e empreiteiras e passa a perseguir a família do ex-presidente Lula.
“Esse fato foi o suficiente para transferir a Zelotes das páginas secundárias de jornais impressos para ganhar espaços de destaque – aqueles destinados às denúncias bombásticas, mesmo que denúncias vazias”, lamentou Marcon.
Para o deputado, é dessa forma que os grandes grupos econômicos do país agem quando se sentem atingidos. “Eles mandam recado para que não sejam investigados”, finalizou.

A Denúncia de Janot Contra Cunha é Detalhada, Provada e Devastadora

POR     

Acabo de ler as mais de 80 páginas do texto (aqui e aqui) com que o Procurador Geral da República pede que seja aceita a denúncia contra Eduardo Cunha – e também contra sua cúmplice Solange Almeida – por corrupção e lavagem de dinheiro, e que paguem nada menos que R$ 277 milhões de reais como devolução de dinheiro desviado e multa pelo crime.
É acachapante.
Descreve as reuniões entre o lobista Júlio Camargo, o operador de Cunha, Fernando Baiano, o ex-diretor internacional da Petrobrás, Nestor Cerveró e, pelo menos uma vez, na presença de Eduardo Cunha, com descrição em detalhes (e registros) do automóvel em que foi conduzido ao encontro, onde colocou a faca no pescoço do pagador de comissões.
A denúncia prova, com fartura de dados, que os tais requerimentos assinados por Solange Almeida para pressionar Júlio Camargo foram escritos por Eduardo Cunha, em seu computador na Câmara, com o uso de sua senha privativa.
Mostra, uma a uma, as transferências que Julio Camargo fez a Fernando Baiano, para que fossem repassadas a Cunha.
E, como a cereja do bolo fétido, o depósito direto na conta da igreja evangélica a que Cunha se filiou, recentemente.
Embora a defesa de Cunha diga que a acusação é “facilmente derrubável” – interessante que não falou por ela o ex-procurador Antonio Fernando de Souza – por se basear apenas na palavra do delator, não é assim.
Além da materialidade do fato, há provas de autoria (os requerimentos achacadores), tipicidade da conduta criminosa, agravantes, dolo, percepção de vantagem e conexões evidentes.
Cunha, cuja carreira começou como operador do mercado financeiro (e, ironicamente, na firma de auditoria Arthur Andersen) sabe como fazer o despistamento dos vestígios do dinheiro.
Mas não sabe como fazer todos os crimes perfeitos.
Logo ele, que herdou dos tempos de cabo eleitoral de Fernando Collor o espírito do “bateu, levou”, está tomando fôlego para responder.
Resta saber se o tem, e que não se o subestime, porque sua carreira – leia o perfil que dele traça o repórter Chico Otávio – é pródiga em transformar desastres em bons negócios.
Agora, porém, parece ter ido além das próprias pernas.

Os Excessos do Judiciário - VERGONHA

Excertos da reportagem de André Barrocal, CartaCapital Nº 873, de 28/10/2015, págs. 30 a 34)

O Judiciário consome 1,2% do PIB nacional, mas seus integrantes querem mais privilégios.

CAIXA-PRETA é uma definição recorrentemente associada à Justiça brasileira, por conta do corporativismo que encobre os desmandos.

Em 2014, o Judiciário (afora o STF, que teve seu próprio orçamento de R$ 577 milhões) consumiu R$ 68,4 bilhões de verbas públicas, o equivalente a 1,2$ do PIB.

Trata-se do Judiciário mais caro do mundo, ou ao menos do Ocidente.  E não se farta. Quer mais dinheiro.

Veja-se uma comparação entre vários países, e o Brasil com o seu 1,2% do PIB em despesas com o Judiciário:  O gasto é de 0,32% do PIB na Alemanha;  de 0,28% em Portugal;  de 0,19% na Itália;  de 0,14% na Inglaterra;  e de 0,12% na Espanha.  Nos EUA, 0,14%.  Na América do Sul, a Venezuela consome 0,34%, o Chile, 0,22%, a Colômbia, 0,21% e a Argentina, 0,13%.

No Judiciário, há gente e mordomias demais.  O pagamento de 434.932 funcionários, entre juízes e servidores, mordeu 89,5% das despesas totais de 2014.  O salário médio alcança 10,8 mil mensais.  Apesar disso, a fatia de 1,2% no PIB é a mais baixa em seis anos, motivo, segundo Luciano Ros (professor da Universidade Federal do Sio Grande do Sul), de estar em curso uma ofensiva por mais recursos.

Servidores de tribunais cercam o Congresso há semanas em um pressão pela derrubada do veto presidencial à lei que reajustava o holerite da turma entre 53% e 78%.  Se a lei vigorar, o Judiciário ficará 5 bilhões de reais mais caro a partir de 2016. O custo dobrará de 2018 em diante.

No mesmo Legislativo, avança um projeto do STF, datado de agosto, que reajusta em 16% o salário dos 11 ministros da Corte.  As excelências passariam a receber 39.293 reais mensais.  Detalhe:  o salário dos ministros, hoje em 33.763 reais, foi corrigido há menos de um ano.

Aumentar os vencimentos do STF tem potencial para provocar um efeito dominó.

Desde 2003, o salário dos ministros da corte é referência para a remuneração máxima no setor público.  Na prática, a teoria é outra.

Inúmeros são os subterfúgios usados para proporcionar à magistratura vencimentos acima do teto.  Dados disponíveis na internet mostram gente ilustre a estourar o limite.  O juiz Sergio Moro, da Operação Lava Jato, recebeu 82.370 reais em setembro [destaque nosso].

O pagamento acima do teto resulta dos chamados "penduricalhos".  No Rio Grande do Sul, paga-se um "auxílio-táxi" de 123,80 reais por dia.  Goiás instituiu em 2013 um "auxílio-livro" de 3,2 mil anuais.  No Rio de Janeiro, há desde setembro um um "auxílio-educação" de 953 reais por filho de juiz.  Em 2011, O Conselho Nacional de Justiça, cuja missão é vigiar o Judiciário, criou um "auxílio-alimentação" e uma licença remunerada para cursos no exterior, entre outros.

Tudo serve de pretexto.  No início do mês, o STF aprovou uma "diária" de 5,4 mil mensais a ser paga a 17 juízes que trabalham como auxiliares dos ministros.

Entrevistado para o livro "Um país sem excelências e mordomias", da jornalista brasileira Claudia Wallin, moradora na Suécia há 12 anos, Goran Lambertz, um dos 16 ministros da Corte Suprema sueca, disse que "luxo pago com o dinheiro do contribuinte é imoral e antiético".  Ao comentar os privilégios dos colegas brasileiros foi impiedoso:  "É absolutamente inacreditável que juízes tenham o descaramento e a audácia de ser tão egocêntricos e egoístas a ponto de buscar benefícios como auxílio-alimentação e auxílio-escola para seus filhos.  Nunca ouvi falar de nenhum outro país onde juízes tenham feito uso de sua posição a este nível para beneficiar a si próprios e enriquecer".  

A mordomia da moda é um auxílio-moradia de 4.377,33 mensais.  Foi determinado em setembro do ano passado, graças a uma liminar de Fux, que mandou pagar a todos os magistrados, 16.927 em todo o País.  Custo da liminar para o erário:  900 milhões de reais por ano.
Dias depois, o Conselho Nacional do Ministério Público resolveu liberar o pagamento geral e irrestrito do auxílio-moradia a todos os seus integrantes.  Um casal de procuradores recorreu ao Superior Tribunal de Justiça para receber um auxílio cada, apesar de morarem juntos.  O pedido foi atendido provisoriamente pelo relator, Napoleão Maia [destaque nosso].

Outro penduricalho na crista da onda é uma gratificação para juízes federais, trabalhistas e militares por acúmulo de função.  O mimo é devido a quem assumir casos de um colega ou atuar em outra vara ou corte.  Enriquecerá em até um terço o salário das excelências.
A gratificação foi regulamentada em abril pelo Conselho da Justiça Federal, o CJF. Para o procurador da República Luciano Rolim, o CJF extrapolou os termos da lei e abriu a porteira para um juiz federal obter ganhos iguais àqueles de um ministro so STF e mais 15 dias de férias, além da boa vida de 60 dias garantidos.  

Em um país com 99 milhões de processos encalhados, não seria o caso de reduzir as férias a 30 dias, regra para os demais trabalhadores, em vez de esticá-las?

O caso do "auxílio-voto" (pago "por fora", isento de pagamento de IR e de Previdência) foi denunciado (o processo está parado desde 2013) e refere-se ao pagamento, pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, a juízes que auxiliavam a elaboração de votos dos desembargadores.
O caso do "auxílio-voto" é ilustrativo do que o advogado Marcelo Neves, ex-conselheiro do CNJ, relator do caso no conselho e hoje professor da Universidade de Brasília, chama de "corrupção sistêmica" no Judiciário.  Para Neves, o CNJ abandonou o papel de "fiscal do fiscal".  Tornou-se "corporativista" e "capturado por um pacto mafioso existente entre os poderosos do Judiciário e do Legislativo".  Ignoraria faltas disciplinares dos magistrados graúdos, como aquelas do TJ paulista, para se ocupar de bagrinhos da primeira instância em lugares distantes.  O CNJ é hoje um órgão sem significado prático, principalmente no controle da corrupção, altíssima".
Em dez anos de existência, o CNJ puniu 72 magistrados.  Aposentadoria compulsória, pena mais dura, atingiu 46.  Na verdade, pode ser considerada um prêmio.  Pendura-se a toga, mas não se deixa de receber os vencimentos até o fim da vida.

Se os tribunais funcionassem, o pesado fardo financeiro até poderia não ser um problema.  Não é o caso. "Nosso Judiciário é caro e não se reverte em serviços prestados. Ele não se vê como prestador de serviço público", diz Luciana Gross Cunha, coordenadora do Centro de Pesquisa Jurídica Aplicada da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo.  Essa postura, afirma, tem várias explicações.  Uma cultura nacional que sempre enxergou a Justiça como apartada do Estado.  Uma formação acadêmica exageradamente jurídica por parte dos magistrados.  Juízes que parecem achar pouco digno preocupar-se com a administração.
A melhora da gestão seria a mudança mais urgente em um Judiciário à beira do colapso, acredita a acadêmica.  Só no ano passado, 28 milhões de novas causas chegaram aos tribunais.  A taxa de congestionamento, índice que indica quantos casos nunca tiveram qualquer decisão, chega a 71%.  "O Brasil precisa de uma carreira de gestor jurídico, como os Estados Unidos fizeram há mais de cem anos", diz Luciana Cunha.  Infelizmente, as prioridades são outras. 


Martinho  Nunes

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

O Malabarismo da Mídia

O malabarismo da mídia para esconder a liderança de Lula no Ibope. Por Paulo Nogueira
Estava aqui me divertindo com o malabarismo da mídia para esconder o excelente número de Lula no Ibope desta segunda.
A informação realmente importante é que 23% disseram que votariam com certeza em Lula em 2018. Aécio, o segundo colocado, ficou oito pontos atrás.
Quer dizer.
Com toda essa caçada a Lula promovida pela mídia, eis que ele está com larga margem na frente.
Um dos raros bons jornalistas políticos do Estadão, José Roberto Toledo, disse tudo: “Está explicado por que o fantasma do terceiro mandato assombra a oposição.”
A pesquisa é uma brutal cacetada na imprensa e em seus colunistas. O grau de persuasão de jornais, revistas e articulistas é pateticamente baixo.
Lula era para estar abaixo de zero, se a voz da mídia fosse levada a sério pela sociedade.
Particularmente, não me impressiono, dada a ruindade de classe mundial da imprensa brasileira e seus colunistas.
Você imagina o que vai acontecer quando Lula estiver, de fato, em ação.
Pense como seria um debate entre ele e Aécio.
Se a direita brasileira fosse inteligente, veria que o caminho é outro para conquistar corações e votos.
O brasileiro não é idiota, mas é tratado como tal por jornais e revistas.
Agora mesmo na pesquisa.
Para fugir dos 23% de Lula, o Globo deu no título sua rejeição de 55%.
Mas um momento.
A rejeição de Marina, a boazinha, subiu de 30% para 50% em um ano. A de Serra, com ele mudo, está em 54%. A de Alckmin, em 52%.
E Aécio já chegou a 47% de rejeição, cinco ponto mais  do que ele tinha na época da eleição em que foi derrotado.
Leia-se assim: tudo que Aécio conseguiu, nesta louca cavalgada pelo golpe, é ser mais rejeitado entre os brasileiros.
Mas a notícia do dia, e da pesquisa, é Lula.
A mídia vai continuar a tentar matá-lo.
Lula é, no entanto, desde já, o favorito disparado para 2018.

Moro Escreveu Texto de Juíza Que Determinou Buscas na Empresa de Lulinha?

Os advogados de defesa dos réus na Operação Lava Jato notaram que a decisão da juíza Célia Regina Ody Bernardes, que determinou as buscas na empresa do filho de Lula, traz trechos idênticos aos usados pelo juiz Sérgio Moro em suas decisões. São várias as cópias de partes das decisões de Moro. Isso significa com clareza que o texto da juíza foi feito por Moro e assinado por ela.

É um golpe que joga o Judiciário mais ainda no fundo do poço da corrupção, desqualifica juízes, no caso juíza e explica os elogios de Moro à sua “colega”, feitos publicamente. Onde está o CNJ (Conselho Nacional de Justiça)? E onde fica o Supremo Tribunal Federal (STF)? Uma juíza que se presta a esse tipo de papel, além de ser parte do golpe, se mostra incompetente para uma decisão de natureza simples.
O caso é grave, gravíssimo, não pode passar em branco sob pena de cumplicidade dos tribunais superiores e do CNJ com esse tipo de prática. O Judiciário refém de um juiz corrupto, ligado a um partido político e em franca atividade golpista. Por que acusados tucanos são tratados de forma diferenciada? Por que o nome de Aécio, citado várias vezes pelo doleiro Youssef não aparece? O Brasil, em todas as manobras golpistas, no Judiciário e no Legislativo, respaldadas pela mídia e pelas elites interessadas em recolonizar o País, está mergulhando numa crise sem tamanho e nem faço juízo de mérito do governo Dilma, do qual discordo, da qual a saída será dolorosa se não houver reação.
Do Facebook de Laerte Braga.

Janot e Lula Acabam Com Plano de Cunha Para Salvar-se

POR 

Ninguém duvida que o Ministro Teori Zavascki vai acolher o pedido, confirmado hoje,  do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot,  determinar que Eduardo Cunha, se puder, apresente defesa contra a acusação de manter, com a mulher e filha, contas secretas no exterior, abastecida com dinheiro de corrupção.
Cunha está acabado e, repito o que tenho escrito, tudo o que vai se definir é o quando.
Nem mais o “como”.
Cunha não tem mais armas para jogar o jogo da chantagem e não durou 24 horas a tentativa de intrigar a opinião pública com um suposto acordo de Lula para retirá-lo do quinto círculo do Inferno onde se encontra, do qual tratamos hoje, aqui, bem cedo.
Lula repeliu, em nota, qualquer possibilidade disso e disse claramente quem deu colo a Cunha:
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participa nem estimula qualquer articulação para supostamente “proteger” o presidente da Câmara em procedimento do Conselho de Ética.(…)O Brasil sabe que é a oposição, e não o PT, que há um ano vem promovendo articulações espúrias e barganhas, dentro e fora do Congresso, na desesperada tentativa de derrubar um governo democraticamente eleito.

Cunha é agora um estigma na testa da oposição.
Não serve para nada mais, e máquina de moer gente da mídia vai acabar de moer seu ex-herói, certo que não sem merecimento.   Cunha tem seu rosto indelevelmente gravado no impeachment.   Deu ao golpismo a sua cara.
E o PSDB terá muita dificuldade em tirar seu nariz adunco, porque a máscara aderiu a sua face.

Cunha, o Misógino

Em editorial, o site Carta Maior destaca que, "além de apresentar um projeto que é um atentado contra a dignidade e a vida das mulheres, o presidente da Câmara possui um histórico de agressão contra sua ex-mulher"

Da Carta Maior - É cada vez mais escandalosa a permanência do presidente da Câmara dos Deputados deste país legislando e ainda instalado na cadeira de segundo sucessor do cargo máximo da República; mesmo a considerar a histórica lentidão da justiça seletiva classista praticada no Brasil. Espantoso também é o relativo silêncio (embora esta semana, dia 28 às 18 horas, esteja marcado protesto de organizações femininas, na Cinelândia, no Rio de Janeiro) que ronda as mulheres não apenas diante das pautas de votações e aprovações que tal patético personagem vem propiciando na sua prática de chantagem desabusada ao sabor de interesses pessoais e compromissos vergonhosos com a bancada religiosa, de sua propriedade.
Mas pautas específicas que afrontam as mulheres propondo não só o retrocesso em direitos trabalhistas, na formatação legal da família contemporânea, na proteção de minorias, e a favor do racismo e da violência. Retrocesso, particularmente, na proteção às mulheres brasileiras no que diz respeito ao direito do aborto em casos de estupro, e desmantela, em particular, a defesa de mulheres mais vulneráveis, pobres e negras, dificultando o seu atendimento no SUS. Cunha impede o fornecimento de "pílulas do dia seguinte" para profilaxia de gravidez decorrente de violência sexual e criminaliza médicos que dão informações para as vítimas.
Em outra ponta, chega ao cúmulo de determinar às deputadas eleitas, pela primeira vez na história do parlamento, como se deve dar a votação da bancada feminina!
Neste último fim de semana de outubro o país ouviu o resfolegar de uma grotesca voz feminina transtornada pelo ódio, no protesto histérico contra o governo, numa livraria de São Paulo. Ouvem-se, regularmente, uivos de mulheres xingando pesadamente a presidente Dilma Rousseff com insultos escatológicos. Mas há certa indiferença feminina, com preciosas exceções, em relação ao descalabro da atuação do presidente da Câmara dos Deputados no caso de Projeto de Lei de sua autoria, o PL 5.069/2013, aprovado dia 21 último.
"Ele e outros deputados que têm apoiado as investidas contra os direitos das mulheres parecem ter prazer ao rebaixá-las, retirar-lhes a condição de cidadãs, ampliar seu sofrimento," escreveu a professora de Ciência Política da UnB, Flavia Birolli. Para a professora, há também sadismo. Cunha, segundo ela, se vê como "agente político mais eficaz quanto mais compromete a dignidade das mulheres."
É este mesmo Cunha, relembra Birolli, "que tem comprovadamente dinheiro de corrupção na Suíça em seu nome, que mentiu à CPI e mesmo assim conta com apoio suficiente da oposição e de setores do governo para permanecer na presidência da Câmara dos Deputados." Para Cunha, no Brasil, são as mulheres as culpadas por sofrerem estupro, ela diz.
A Associação Juízes Para a Democracia (AJD) lançou, semana passada, nota de repúdio ao Projeto de Lei 5.069/2013 aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados Federais e nela, registra que "a proposta torna crime anunciar, induzir ao uso, ou fornecer meios ou substâncias abortivas a uma gestante mesmo em caso de estupro. Além disso, o projeto torna obrigatório que mulheres que afirmem terem sido estupradas façam um boletim de ocorrência (o BO) e exame de corpo de delito para que "comprovem" que estão dizendo a verdade."
A AJD acredita que a medida é um instrumento misógino de controle da sexualidade feminina e um verdadeiro atentado contra a dignidade, a saúde e a vida das mulheres. "O projeto constitui uma violação flagrante ao direito fundamental das mulheres à garantia de sua saúde física e psicológica, sexual e reprodutiva, garantida pela Constituição Federal e pelo sistema internacional de proteção dos Direitos Humanos".

Há um episódio na vida de Cunha, no entanto, que embora de conhecimento público, não vem sendo registrado pela velha mídia. Ele reforça a sua misoginia. Se não exemplifica sadismo, distingue atitude violenta, autoritária, agressiva em relação às mulheres. E mostra rejeição aos direitos humanos enquanto liberdade fundamental feminina.
Por volta de 1996/97, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Cunha, então ex-presidente da Telerj (segundo Fernando Henrique Cardoso, ele fazia 'trapalhadas' naquela empresa) acabara de casar com a jornalista Cláudia Cruz que apresentava o RJ-TV segunda edição. Moça com "pouca aptidão jornalística", lembram colegas dela da época.
Um dia, um repórter do telejornal local gravou reportagem com uma mulher da "sociedade", na Barra, que dizia ter sido agredida pelo marido.
Houve grande constrangimento na equipe da TV Globo porque a apresentadora do RJ-TV era a colega Cláudia.
E a mulher que se dizia agredida, nada mais nada menos do que a ex-mulher do marido dela.
O marido de Cláudia, dizia a 'rádio - corredor' da Globo, era um homem poderoso. Eduardo Cunha estava sendo acusado pela ex-mulher, Cristina Dytz, de tê-la agredido.
Detalhe: o chefe da Globo/Rio era então Laerte Rimoli, ex-coordenador de campanha de Aécio Neves, hoje, diretor de Comunicação da Câmara.
Há um testemunho pessoal sobre este episódio, de autoria da jornalista Ruth de Aquino e que se encontra no blog da revista Época, e um trecho reproduzido abaixo:
"Quando eu dirigia o jornal carioca O Dia, em agosto de 1996, pude perceber como Cunha agia ao se sentir acuado. O episódio era prosaico. Não havia crime. Ex-presidente da Telerj nesse tempo - e fonte assídua e ardorosa de jornalistas - Cunha foi parar com a ex-mulher, Cristina Dytz, numa delegacia da Barra da Tijuca, no Rio. O motivo tinha sido uma briga de casal. Vizinhos chamaram a PM porque Cunha estaria, aos gritos, tentando entrar no apartamento do condomínio em que Cristina morava com os filhos, sob o pretexto de apanhar documentos. 
Cunha tinha 38 anos, morava num apart-hotel, estava com a perna engessada e, segundo se apurou, não queria pagar a pensão mensal de R$ 18 mil para ela e os três filhos, depois de 12 anos de união. A PM levou o casal para a delegacia, com seus advogados, e o jornal publicou uma matéria curta. Até aí, nada. Mas Cunha fez de tudo para impedir a publicação. Telefonou primeiro para um editor, depois telefonou para o dono do jornal. A reportagem saiu. Cunha travou com o jornalista um diálogo pesado ao telefone. E o levou à Justiça. Perdeu, porque nada havia ali que configurasse difamação ou injúria. Apenas fatos."
Ruth de Aquino, que assina o texto, relembra o fato e mostra a truculência do presidente da Câmara dos Deputados. A ex-mulher, supostamente agredida por Cunha, é a mãe de Danielle Dytz Cunha - que consta como uma das beneficiárias das contas de Cunha na Suiça.
Perguntamos: não há crime em tentar invadir à força a casa de uma mulher, nesse "episódio prosaico"?
E será que uma moça que aguarda o ônibus, à noite, para levá-la para casa de volta do trabalho e acaba estuprada – esse é um 'episódio prosaico'? Esta mulher estuprada e ferida, segundo o Projeto Cunha deverá se dirigir a uma delegacia e denunciar o que ocorreu. Mais: deverá se submeter a exame de delito. Na delegacia, a moça estuprada poderá ser motivo de chacotas mais ou menos escancaradas conforme o nível indigno de machismo – ou sadismo - dos presentes.
É razoável lembrar que não apenas as mulheres pobres se encontram enquadradas no Projeto Cunha contra o aborto e contra as mulheres. Num estacionamento semi deserto (como tem ocorrido) ou numa rua elegante do eixo Jardins-Leblon-Barra da Tijuca motoristas de classe média também podem ser estupradas.
Sugerimos relembrar o que diz o jornalista político Paulo Moreira Leite: "Para os adversários do PT, de Lula e de Dilma, Cunha pode prestar um serviço único e, no momento, insubstituível. Eles acreditam que o presidente da Câmara é um político tão leviano e inconsequente que seria capaz de um gesto irracional, semelhante aos instintos de um assassino bestializado, capaz de cometer crimes em série porque está convencido de que não tem mais nada a perder. Essa é a tragédia do momento."
Esta é a tragédia das mulheres em um país arbitrado por um misógino ostensivo.