segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Arquivado Pedido de Investigação


Janot arquiva pedido de investigação de Gilmar Mendes contra Dilma e pede pacificação


by bloglimpinhoecheiroso
Paulo Moreira Leite em 28/8/2015
Apareceu uma boa notícia para Dilma Rousseff no esforço para enfrentar manobras da oposição para tomar, por via judicial, um mandato que não foi capaz de assegurar nas urnas.
Num despacho onde fez questão de recordar o papel do Judiciário na “pacificação social e na estabilização da Justiça”, o procurador-geral da República Rodrigo Janot manda arquivar um pedido de investigação de Gilmar Mendes contra a campanha da presidente.
O caso arquivado se refere à denúncia envolvendo a VTPB Serviços Gráficos e Mídia Exterior Ltda., que prestou serviços à campanha de Dilma. Em 7 de maio, seis meses e três semanas depois da vitória de Dilma, Gilmar enviou um comunicado ao PGR, pedindo “providências pertinentes” para “possíveis indícios de irregularidades”.
No despacho, divulgado ontem, Janot bate de frente: “Não há providencias de talhe cível ou criminal a adotar a partir da ‘notícia de fato’ em exame,” escreveu.
A partir de notícias veiculadas pela imprensa, o comunicado de Gilmar Mendes dizia, entre outras coisas, que a gráfica não funcionava no endereço declarado, nem teria estrutura “para imprimir o material declarado na campanha”. Janot ouviu as partes, inclusive o ministro da Secom, Edinho Silva, que foi tesoureiro da campanha. No texto, o PGR expõe cada uma das objeções e também relata as explicações ouvidas, sem apontar restrições. Sua avaliação, numa frase: “Os fatos narrados não apresentam consistência suficiente para autorizar, com justa causa, a adoção das sempre gravosas providências investigativas criminais.”
Mais relevante do que a decisão em si, ou cada episódio em particular, é a motivação de Rodrigo Janot pelo arquivamento do caso. Ele lembra, com todas as letras, que as contas de Dilma Rousseff foram julgadas e aprovadas com ressalvas em dezembro do ano passado, pelo próprio Gilmar Mendes, e adverte: “Não há figura cível do juízo que permita a esta Procuradoria Geral Eleitoral – ou a qualquer legitimado para atual na Justiça Eleitoral – a reabertura de questões relativas a sua regularidade”. (A exceção, recorda Janot, envolve o artigo 30-A, que define o prazo de 15 dias para apresentação de fatos e provas para “apurar condutas em desacordo com a legislação, relativas a arrecadação e gastos de recursos”.)
No trecho onde se refere à “pacificação social” como uma das funções “mais importantes do Poder Judiciário”, ele também se refere ao artigo 5o da Constituição Federal, onde se diz: “A todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantem a celeridade de sua tramitação.”
É disso que se trata. O despacho de Janot não encerra as batalhas de Dilma na Justiça Eleitoral, nem no Congresso, nem no TCU. Mas ajuda a colocar racionalidade e bom senso numa situação de conflito que ameaça não ter fim.

domingo, 30 de agosto de 2015

FHC É Um Oportunista De Elite!

Aldir Blanc

“Não quero um Brasil no qual o missinistro Gilmar legisle pra um lado só”.

O Conversa Afiada reproduz do Globo inspirado artigo do Mestre Aldir Blanc:

O BRASIL DE GÓGOL

Não quero um país onde uma bruaca ateromatosa lamente que Dilma não tenha sido enforcada

Meu querido Arnaldo Bloch:

Crise, seja emocional, política, econômica ou, o que é mais frequente, a terrível mistura das três, dá uma solidão danada. Por isso, qualquer indicação de que estou no caminho da justiça e do bom senso provoca um grande alívio, semelhante ao que meu mordomo, Jack, me proporcionava. Hoje, como Herrera, não estou nem no banco. Uma adorada Original provoca sintomas estranhos. Me iludo: é a diab-2, embora saiba que, parecido com meu saudoso pai, o conjunto da obra é que está na porta apresentando a conta. Obrigado pelo texto “Pra não dizer que não falei de política”: FHC não é príncipe coisa nenhuma. Trata-se de um oportunista de elite, com o demagógico pé na cozinha. Duda Cucunha é mais do que o bandido-mor do país.

Leio obsessivamente História. Muitas dessas leituras são sobre a Segunda Guerra Mundial. Nosso amigo Dapieve pode atestar minha busca em conhecer melhor a hecatombe. Nessas leituras, saquei o seguinte: o Mal que faz um homenzinho reles, antissemita, pedófilo, coprófago, chegado a seitas, entre outras taras, que deixava os asseclas loucos por recuar em um dia, atacar babando na tarde seguinte, um assassino morde-assopra, presas de vampiro e péssimo hálito. Seu nome era Adolf Hitler. Os tais duzentos “domínios” na internet, jesus.org, ovelhas.com etc., não me enganam. Cucunha é praga propinada devastando o país, como provam suas ações contra o ajuste fiscal, para depois “orar”, e ganhar mais dinheiro. Como um lacaio de PC Farias, que poderia, no máximo, fazer comercial tipo “antes eu era assim” contra caspa, preside aquela casa de tolerância, cacetada, é fenômeno putulítico, sendo o “lítico” aí significando Idade da Pedra. As duas primeiras sílabas não preciso explicar.

Anote o que esse cronista, entrando no hospício dos 69 outonos, prevê: quando os coxinhas e os neofascistas rosconarianos se unirem, os perseguidos lavarão com a língua calçadas, como aconteceu na Alemanha nazista. Temos sinais: pedreiro torturado e desaparecido (não teve passeata pra ele), dezenas de chacinados por vingança policial, milicianos de salário ínfimo com BMW e, o mais grave, um secretário de Segurança, antes confiável, apoiando a retirada dos ônibus de jovens “pardos” e negros, sem ficha policial, sem armas, sem drogas. O crime deles foi a cor e a pobreza.

É isso, meu querido. Não quero um Brasil no qual o missinistro Gilmar legisle pra um lado só. Não quero um país onde uma bruaca ateromatosa lamente que Dilma não tenha sido enforcada no DOI-Codi. Não suporto anomalias esperneando porque não mataram todos em 64. E onde o protótipo do corno pergunte ao filho no colo: “O que Dilma é?”. A criança: “p(*)ta”. Desejo um país onde haja clamor nacional contra essa barbárie.

Se Paulo Mamaluf, Fernão “MaseratiLanborghini” Collor e Eduardo Cucunha, entre outros pilantras, não forem presos, fico com o imortal Gógol:

“Encontrem o juiz, encontrem o criminoso, e depois prendam os dois.”

sábado, 29 de agosto de 2015

O TSE Me Deve Um Direito De Resposta

por Luis Nassif, no GGN

O que vou propor aqui não tem precedentes. Ou, como dizem os juristas, não tem jurisprudência formada. Mas acredito que seria oportuno os juristas se debruçarem sobre o tema, porque os ingredientes nele existentes poderão se repetir em outros episódios.
O que sugiro é uma ação de direito de resposta junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), tribuna da qual Gilmar se valeu para me difamar.
Vamos por partes.
Ponto 1 – O direito de resposta existe para assegurar ao ofendido o mesmo espaço dedicado às ofensas.
Parte do pressuposto que o ofendido dispõe de menos espaço que o ofensor para se defender. É por isso que se aplica, até agora, para a imprensa – que tem mais capacidade de disseminação de fatos do que suas vítimas. Ultimamente tem se aplicado também a blogs.
A Rede Globo jamais exigiria direito de resposta, porque tem um canhão imensamente superior ao de qualquer crítico. Contra os críticos, seus profissionais têm recorrido a ações cíveis de indenização.
Ponto 2 - um Tribunal – especialmente os superiores, em algumas sessões que atraiam interesse geral – dispõe de um poder de disseminação de fatos imensamente superior ao de um cidadão comum e, muitas vezes, superior ao de um único veículo .
É o caso do do julgamento final das contas de Dilma Rousseff, ocasião utilizada por Gilmar para me difamar -, com transmissão ao vivo por inúmeros veículos de mídia, incluindo a TV Justiça, portais e o conteúdo da sessão disponibilizado no canal Youtube do TSE, sendo assistido e posteriormente acompanhado por um público especializado.
Ponto 3 – Gilmar valeu-se do poder de disseminação de informação de uma sessão relevante do TSE para me imputar acusações difamatórias.
Há uma questão jurídica aí, na classificação do crime ou falta que Gilmar cometeu apropriando-se de um espaço público para ataques difamatórios. Mas aí é entre o Ministério Público Federal e ele – provavelmente nenhum procurador ou Procurador Geral da República ousará entrar com uma representação.
As circunstâncias em que o provável crime foi cometido remete ao ponto seguinte.
Ponto 4 – O crime não foi cometido por nenhuma veículo em especial, mas por um membro do TSE valendo-se de um conjunto de circunstâncias criadas pelo próprio TSE – obviamente, sem a intenção de propalar difamações.
Ora, independente de quem cometa o crime, um veículo é obrigado a publicar o direito de resposta do atingido no mesmo espaço. Por equivalência. caberia ao TSE providenciar o direito de resposta no mesmo espaço.
Aí se entra em outro problema: o TSE não teria como obrigar os veículos que transmitiram as injúrias de Gilmar a veicular minha resposta. Teria que ser, então, em uma sessão com o mesmo peso da anterior. Ou então caberia um levantamento dos veículos que veicularam a difamação de Gilmar e a compra de espaço, por parte do TSE, para assegurar o direito de resposta.
Desafio – Meu desafio aos juristas de boa vontade é ajudar a desenvolver – em linguagem e raciocínio jurídicos – esta tese. Não adianta argumentar que essa questão é inédita. É inédita porque comportamento como o de Gilmar Mendes também é inédito.
No mínimo, essa discussão ajudará a abrir algumas picadas para se começar a pensar em antídotos contra autoridades que não respeitam o próprio poder que representam.

O Novo Normal e o Cemitério das Nações

Por  Saul Leblon, extraído da Carta Maior:

A ideia de que o Brasil não tem mais jeito é poderosa, conta com avalistas de peso.

Interesses antipopulares, em qualquer época, acalentam esse horizonte sem ponto de fuga, onde se possa acuar qualquer iniciativa que desafie a lógica conservadora.

Essa por exemplo: dar a Moro o que é de Moro; e devolver à sociedade brasileira a prerrogativa de organizar o seu desenvolvimento, recapacitar suas empreiteiras, resgatar projetos estratégicos, descongestionar o  futuro, o investimento, o emprego e a renda.

‘Não, não, não , isso não pode, é pênalti’, apita o bandeirinha José Serra.

Do camarote cativo que lhe concede o jornalismo isento, o tucano crocita como se fora ave de outra cepa.

Não há esperança, insiste, os dedos longos estendidos como bisturis a lancetar o futuro.

‘No governo Jango, o Brasil ao menos estava dividido’, recorda, testemunha ocular daquele golpe.

‘Hoje a rejeição é total’, constata agora do outro lado da mesa, onde passou a ocupar o papel de embaixador da Chevron nesse tratado de Viena em gestação, no qual preconiza transformar  poços do pré-sal em reparações de guerra servidas aos mercados.

Quando? Assim que a saturação do ‘consenso’ virar outra coisa.

Talvez aquela que os editoriais de março de 1964 exprimiam em garrafais exclamativas, do tipo ’Basta!’; ‘Fora!’

Serra viveu aquilo; ele sabe que consensos são construções transitórias.

Não raro postiças.

Caso da rendição incondicional que se exige hoje da sociedade, em agendas que magnificam os desafios da nação para desmantelá-la.

Os imperativos de ontem, assim como os ajustes e hoje,  viram fumaça porém quando o futuro ganha a largueza de uma outra lógica, que redefine a correlação de forças e a alocação dos recursos, pavimenta pactos e linhas de passagem para destravar o desenvolvimento.

O economicismo veta (‘não, não há saída antes de piorar’).

Mas o economicismo é a soberba da razão e não o motor da história.

Política é economia concentrada.

Os exclamativos alardeados em 1964 demonizavam os conflitos do desenvolvimento como ameaças à democracia.

Dados coletados pelo Ibope então mas não divulgados (e hoje armazenados na Unicamp), mostravam uma realidade distinta da ira  consensual sentenciada pelas aves de agouro da época.

Nos dias 20 e 30 de março de 1964, quando a democracia já era tangida ao matadouro pelos seus paladinos, pesquisadores constatavam nas ruas que 59%  dos brasileiros apoiavam as medidas anunciadas pelo Presidente João Goulart para enfrentar a crise.

Uma parte delas seria oficializada na famosa sexta-feira, 13 de março.

Em comício na Central do Brasil,  ‘Jango’ assinaria então vários decretos que expropriavam terras às margens das rodovias para a reforma agrária,  nacionalizavam  refinarias, sinalizavam a reforma urbana, fiscal e educacional.

Tudo o que era demonizado pelo jogral golpista como se fora a voz da sociedade era apoiado pela parcela majoritária da população.

Estamos falando de 1964 ou de 2015?

Dos dois.

Um aparato midiático interliga os calendários com a mesma determinação de ocultar elementos da encruzilhada econômica, exacerbar adversidades, manipular o debate e interditar  as reformas requeridas nas transições de ciclo de desenvolvimento.

Foi assim que se modelou a opinião pública para o golpe em 64, mesmo contra o discernimento majoritário da população sobre as ‘reformas de base’.

O martelete da corrupção e do comunismo imobilizou esse discernimento.

Em grande medida foi assim também que se logrou convencer o governo reeleito em 2014 de que nada mais restava do que renunciar ao seu programa para adotar o do adversário.

Caso contrário, um meteoro atingiria o país para desintegrá-lo.

Um pouco como a fatalidade crocitada por Serra, que não informa o que nos reserva o day after de seu vaticínio.

Mas há pistas.

Siga o dinheiro.

Ou as entrevistas do ex-presidente do BC, no governo Fernando Henrique Cardoso, Armínio Fraga

Cogitado para comandar a economia em qualquer governo conservador, sua receita –reiterada no Valor, na semana passada, é tão peremptória quanto os imperativos de 64.

O país precisa de uma faxina econômica – ‘como a que fizemos em 1999’, diz ele.

O que eles fizeram em 1999?

Lançaram as fundações daquilo que debitam agora exclusivamente à lista de pecados de Lula e Dilma.

Valorizaram a moeda artificialmente para criar a pretensa bonança do Real forte, com base em importações baratas.

Essa foi a pré-compra da reeleição.

Perto disso, os R$ 200 mil  do deputado Ronivon foi troco de pinga.

A desindustrialização alçou voo aí para não mais aterrissar.

A decolagem abriu  um buraco nas contas externas equivalente a 4,3% do PIB no ano seguinte ao da reeleição.

A purga veio na forma de uma maxidesvalorização que se pretendia  ‘controlada´ em 8%.

Isso era o que se dizia em 1º de janeiro de 1999.

No dia 29  ela já havia batido em 60%  (fatiando assim o poder de compra da  famílias assalariadas).

A taxa de juro foi calibrada então para segurar o rebote dos preços desprovidos da âncora dos importados.

Armínio deu ao mercado financeiro local e global uma Selic real (acima da inflação) de 22% . Hoje está perto de 8% e Serra, distraído, diz que isso é uma calamidade.

É  mesmo, mas o passado a relativiza.

O salário mínimo (ajustado p/ efeito de comparação aos preços de 2011)  despencaria de R$ 414 reais em 1990  para R$ 287 reais após a purga.

Juros em alta, dívida pública em escalada sideral, salários pelo ralo.

Foi isso que ‘fizemos’ em 1999.

O país só escapou do precipício porque havia um vento à favor no mercado mundial.

O dólar forte levaria os EUA às compras; a fome chinesa por commodities ganhava corpo; os saldos comerciais incentivariam a América Latina a importar manufaturados do Brasil.

Esse mundo acabou.

E o que começou será fortemente modelado por aquilo que a China anuncia como sendo o seu ‘novo normal’.

A saber: esgotamento do ciclo puxado por taxas de investimento de 45% do PIB (Brasil, 17,5%) e menor demanda por matérias primas.

Não só.

A transição chinesa vem se fundir à longa convalescença da desordem neoliberal inaugurada em  2008  e sem prazo para acabar.

Os impactos já são palpáveis.

A anemia do comércio mundial  emparedou as economias emergentes, tirou o canal de recuperação da Europa e rebateu nas vendas da China.

A resposta de Pequim  adicionou lava vulcânica à fervura com uma desvalorização cambial que pode contagiar o mundo.

Só na semana passada, o rublo sofreu uma depreciação de 5,3%; o peso colombiano, de 4,1%,  o peso mexicano,  3,2% e a  lira turca, quase 3%.

Em contrapartida, o dólar valorizado   derrubou as exportações norte-americanas em quase 3% no 1ºsemestre.

E as importações não escaparam de uma retração de 2,2% evidenciando (ademais do fator petróleo) o calcanhar de Aquiles que impede  Obama de ser um Roosevelt :  a corrosão estrutural do poder de compra das famílias assalariadas e da classe média antes afluente.

O maior mercado capitalista do planeta arfa com os pulmões do consumo comprometidos.

Obama paga a fatura de quatro décadas de ventos neoliberais em que a pujança econômica se dissociou da oferta de empregos de qualidade, realocados com a indústria para o desfrute dos custos asiáticos.

No momento em que o dínamo chinês patina, o mundo percebe as estreitas interações  do metabolismo capitalista,  agora desprovido de  qualquer ponto de apoio dinâmico.

Tudo o que é sólido se desmancha no ar.

Na semana passada, a indústria chinesa crescia ao  ritmo mais baixo desde 2009; a dos EUA, no mais baixo dos últimos dois anos.

A correia sino-americana que puxava o mundo travou.

Entre 15% e 20% do faturamento global das múltis dos EUA ocorrem na China (e Japão). Se essa endogamia entra em litígio, o que sobra?

O ‘novo normal’.

A China cresce menos, o comércio global encolhe, os EUA patinam , a Europa desidrata, o mundo emergente regride e a guerra cambial se impõe.

Pergunta aos Armínios e Levys:

–Esse miserável mundo novo recomenda a adoção de uma ajuste baseado em arrocho fiscal, esfarelamento do poder de compra interno, desemprego,  juros recessivos e retração do investimento público?

Como ‘fizemos’ em 1999?

E se não der certo agora no mundo contraído de 2015?

Como de fato já não deu o lacto purga de  Levy. Esse que acentuou a recessão, elevou a inflação, derrubou a receita fiscal e vitaminou o déficit público que se pretendia reduzir.

Arroche-se ainda mais –‘como fizemos em 1999’, insiste o perseverante Armínio no seu parlatório no Valor.

Até?

Até emergir o milagre da contração expansiva. Essa fé ortodoxa na ressurreição que sanciona catástrofes sociais e humanas em nome de um equilíbrio endógeno que o capitalismo simplesmente não pode satisfazer.

Há oito anos a população grega espera pelo milagre. Seu metabolismo econômico e social em carne viva suporta a salmoura de ajustes sucessivos.

Igual terapêutica prescreve-se  agora para uma economia brasileira pecadora, ‘envenenada’ pela criação ‘voluntarista’ –dizem FHC, Armínio, Aécio e assemelhados…–  de 20 milhões de empregos em 12 anos, ademais das pressões de um mercado de massa de 100 milhões de pessoas.

Esse Brasil não cabe no orçamento.

É o que sibila o cerco à Constituição de 1988.

O recado que unifica as redações mostra que o tanquinho de areia de Kim Catupiry é coisa séria:  despesas obrigatórias consagradas pela Carta Cidadã proclamada pelo digno brasileiro Ulysses Guimarães  estão na alça de mira de uma curetagem conservadora

Com que finalidade?

‘Transformar direitos universais em serviços pagos’, adverte a professora Marilena Chauí em suas aulas públicas.

Ou para dizer a mesma coisa em uma chave política:  abortar exemplarmente a ousadia de se construir uma democracia social na sétima maior economia do planeta e principal referência da luta pelo desenvolvimento, depois da China.

Passados seis meses da festejada terapia, impôs-se ao governo, felizmente, a constatação de que o aperto no crédito e no investimento –com corte de gastos e elevação de juros, jogou a economia num buraco mais fundo do que já se encontrava.

O fracasso favorece a retificação de curso?

Em parte sim

Mas o país só se libertará da lógica conservadora, de fato, se as fileiras progressistas conseguirem superar sectarismos e hesitações para promover uma  verdadeira repactuação democrática do futuro brasileiro.

Não se trata de um jogo do tipo o vencedor leva tudo.

É uma negociação.

Implica desenhar linhas de passagem ordenadas por metas, concessões, salvaguardas e escalonamentos de perdas e ganhos.

As opções são duas: crise permanente à moda grega; ou o desassombro de politizar as escolhas do desenvolvimento.

A pá de cal jogada por Serra não é uma fatalidade, mas um ingrediente do acirramento da luta de classes.

Na margem do rio em que ele se encontra interessa dizer, à moda Thatcher,  ‘there is no alternative’.

Há. Mas precisa ser pavimentada com a construção dos sujeitos dotados de força e consentimento para renegociar alternativas.

Erra  o tucano ao não conceder à Presidenta Dilma uma base de apoio histórica.

Ela existe, objetivamente; mas aguarda a agenda que lhe dará a identidade subjetiva que a ação política requer.

O colapso da receita ortodoxa  abre a oportunidade para esse resgate.

Precisa  ser acionado, porém, antes que o país, seu povo e o desenvolvimento sejam mastigados pelo miserável mundo novo esboçado  no novo normal do capitalismo.

Passa da hora de uma agenda que fale ao futuro de toda a sociedade.

Que dê a Moro o que é de Moro.

E à democracia a prerrogativa de contrapor o investimento à ruína.

Devolver à sociedade o comando do seu destino era como Celso Furtado definia a essência do desenvolvimento.

É preciso ir à essência para escapar aos coveiros que recusam ao Brasil  outro destino que não o cemitério das nações.

Mino: E Se A Política Econômica Não Muda…

O PSDB é o clube recreativo da Casa Grande

O Conversa Afiada reproduz editorial de Mino Carta, de CartaCapital:

Mas se a política econômica não muda…

Mesmo sem Angela por perto, Dilma não quer que imitemos a Grécia. Podemos, porém, ficar pior

Dilma Rousseff perguntou aos entrevistadores dos jornalões nativos na segunda 24: “Nós não queremos a Grécia, queremos?” Acabava de anunciar que uma reforma da Previdência Social se faz necessária, para o bem do povo brasileiro, excluídos, suponho, os possuidores de caríssimos planos de saúde, integrantes de uma categoria especial, embora também façam parte da nação. Ao menos teoricamente.

Na terça 25, tivemos ciência de que ninguém se surpreendeu entre os entrevistadores com a pergunta da entrevistada, a qual implica, obviamente, um não peremptório, ao admitir a incumbência de um risco grego a ameaçar o Brasil. Por que, dona Dilma? O País não figura na União Europeia, não tem Angela Merkel e seu ministro das Finanças nos calcanhares e, bem ao contrário da Grécia, é potencialmente um dos mais ricos do mundo, graças, antes de mais nada, a extraordinários favores da natureza.

O risco é outro. A prosseguir a política econômica em curso, caminhamos para o suicídio de uma nação, evento de dimensões históricas nunca dantes navegadas. Emerge da memória um episódio a que já me referi tempos atrás. Faz 37 anos um místico americano do fanatismo do Apocalipse doutrinou 917 crentes até levá-los ao suicídio para lhe seguirem o exemplo, fiéis na vida e na morte.

Dilma não é Jim Jones, mas quem quiser reparar no gráfico que ilustra estas páginas, perceberá que o caminho está traçado. Que um país de 8,5 milhões de quilômetros quadrados e apenas 200 milhões de habitantes, pouquíssimos para tanto espaço, dono de terras férteis e riquezas imensas nas suas entranhas, sofra a crise atual, avassaladora, é desplante inominável.

Imaginar que a culpa é de Dilma Rousseff e dela somente, como milhões acreditam, é prova de uma insensatez sem limites, nascida da ignorância e da parvoíce, e também da credulidade e da despolitização, quando não do ódio de classe no caso de quantos não sofrerão com a reforma da Previdência Social.

A história conta, em proveito de quem ainda sabe ler, que a culpa abarca uma porção maior da sociedade brasileira, muito maior do que governantes contingentes. Refiro-me às chamadas elites, moradoras da casa-grande, e dos aspirantes a inquilinos, uns e outros empenhados até hoje em manter de pé a vivenda senhorial a par da senzala.

A origem do mal está na permanência de um sistema inalcançado pelo Iluminismo e seus efeitos, embora convivamos com computadores e celulares (que no Brasil funcionam pessimamente). Em primeiro lugar, a insensatez reinante resulta do desconhecimento da Razão, com R grande mesmo, imposta para a modernidade pelo século das luzes.

Aquele século XVIII concentra os ideais de três revoluções, a francesa, a inglesa e a americana, é o século de Montesquieu e de Adam Smith, dos Founding Fathers e da Tomada da Bastilha. O pensamento então revolucionário moldou o mundo, mas não aportou no Brasil até hoje. Parece que, por obra e desgraça do neoliberalismo, há décadas o mundo se distancia do pensamento iluminista, mas esta é outra conversa.

Fiquemos no Brasil. Houve alguns, raros, momentos a justificar esperança. A eleição de Getúlio em 50. No final dos anos 50 e começo dos 60. A eleição de Lula. Sempre damos para trás, de sorte a recompor a situação que parecia superada. É por isso que somente a conciliação das elites, vetusto instrumento dos autênticos donos do poder, manterá Dilma na Presidência, sem detrimento das pressões destinadas a cercá-la e a acuá-la até o fim do segundo mandato.

Não é descartável, em todo caso, a probabilidade de turbulências de intensidade variável em meio à monumental crise de duração prevista (talvez pelos otimistas) em dois anos. A incógnita diz respeito à situação social precipitada pelo aperto econômico que devolve à miséria aqueles que haviam saído dela durante o governo Lula.

ROIC-das-companhias

Justa apreensão suscita a disseminação das favelas, a começar por São Paulo. Prever que os índices de criminalidade irão in crescendo é de praxe em um país cada vez mais desigual, onde no ano passado mais de 60 mil cidadãos morreram assassinados. Temos a chance de dilatar o número dos tombados. Haverá excelentes ocasiões para uma contribuição à chacina por parte dos fuzileiros da polícia.

Se a senzala se espalha, há inquilinos da casa-grande entregues a outro gênero de vicissitude. Volto a chamar a atenção para o gráfico: explica também os tormentos de inúmeros empresários. A desvalorização das indústrias abandonadas ao seu destino fermenta inexoravelmente. A do aço, para citar um exemplo, já perdeu 70% a 80% do seu valor. Ao comparar as trajetórias do gráfico, anotem o tamanho do desastre.

Dilma convoca os jornalões e faz seu mea-culpa, muito sui generis, bom que se diga. Erramos, sim, admite. No entanto, a política econômica não muda, donde as linhas do gráfico prosseguirão no rumo já definido, estacionária a azul, para baixo a vermelha. Jamais seremos iguais à Grécia de Tsipras, nem por isso viveremos melhor. Não resisto, porém, à tentação de perguntar aos meus intrigados botões: até onde vai a sinceridade do mea-culpa? Na zona situada entre o fígado e a alma, Dilma acredita mesmo ter errado? Não respondem, mas percebo neles uma expressão de dúvida aguda.

Na moldura dos eventos, a Operação Lava Jato é, de certa forma, muito menor do que a corrupção. Não esta de que se cogita, a de sempre. Nascida há cinco séculos da impunidade, reforçada pela construção da casa-grande e da senzala, ou, se quiserem, de sobrados e mocambos, a corrupção à brasileira é mal endêmico.

Própria do jogo do poder, já vimos navegar neste mar icebergs mais imponentes que o petrolão, e nem se fale do chamado “mensalão” petista. Neste domínio, os tucanos são imbatíveis, mas a impunidade os bafeja automaticamente, digamos assim. De fato, o PSDB é o clube recreativo da casa-grande.

A indignação, estimulada em todas as camadas da população pela campanha midiática e por seus ecos difusos, transcende a percepção de que o mau costume viceja largamente também entre os indignados. O cartaz da foto ao lado, a prometer a solução para quem sofreu a suspensão da habilitação a dirigir, anuncia descaradamente a tramoia, garantida obviamente pela compra da complacência da repartição competente.

A 100 metros da Avenida Paulista, em uma esquina paulistana frequentadíssima, altamente credenciada à sedução. É um estandarte da amoralidade coletiva. Quem entende como e por que o sistema está podre e se vale dele, ou é hipócrita ou covarde, salvo a minoria que reage contra o alvo certo.  Quem não se dá conta, é porque vive no limbo e aceita qualquer vexame, como as chibatadas de antanho.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Herança Maldita no Maranhão:

Família Sarney abre fogo midiático contra Flávio Dino

by bloglimpinhoecheiroso

A unidade escolar Centro do Milton, em Brejo de Areia, Maranhão. A família Sarney deixou mil escolas dessa forma no estado.

Depois de deixar herança maldita no Maranhão, família Sarney abre artilharia midiática contra Flávio Dino.

Luiz Carlos Azenha, via Viomundo em 24/8/2015

O bombardeio é diário, sem trégua. Com “denúncias” como esta:

Isso mesmo. O governador Flávio Dino é “acusado” de sentar-se ao lado do motorista pelo jornal O Estado do Maranhão, que integra o império midiático da família Sarney.

Nem a Veja faria melhor. Ou faria?

As críticas, especialmente na coluna Estado Maior, por onde fala o dono, são absolutamente gratuitas.

Por exemplo, na edição de 19/5/2015:

“Flávio Dino não tem conseguido reagir às numerosas crises que se instalaram no governo do Estado”.

Na mesma coluna:

“Gozações – Os escândalos e constrangimentos em todas as áreas do governo Flávio Dino (PCdoB) têm feito a alegria de piadistas e gaiatos da internet. Todo dia surgem memes e banners fazendo troça do governo, que mete os pés pelas mãos quase diariamente. O que ajuda os provocadores é a postura do próprio governo de não reconhecer os erros e querer impor seu ponto de vista”.

Na mesma página, ao acusar Dino de desperdiçar dinheiro com o aluguel de um prédio, o jornal promove os dois herdeiros políticos da família: os deputados Adriano Sarney (PV) e Andrea Murad (PMDB). Eles são chamados a opinar sempre que há “denúncias” contra Dino. Propaganda política disfarçada de jornalismo.

A ênfase da cobertura é na violência, que realmente é grave em São Luís. Segundo Dino, a taxa de homicídios caiu, mas o colunismo sarneyzista cria um clima de pânico a ponto de invocar o holocausto – como se o problema não fosse parte integral da herança maldita deixada pelos Sarney. De Pergentino Holanda, colunista:

Como a família Sarney controla a TV Mirante, afiliada da Globo no Estado, acaba definindo a agenda do que aparece sobre o Maranhão nos jornais em rede nacional da emissora. “Toda semana tem pelo menos uma reportagem negativa”, diz um assessor de Dino.

O curioso é que os ataques partem da família que controlou o estado politicamente por mais de meio século.

Que, mais recentemente, “privatizou” a segurança do complexo penitenciário de Pedrinhas, o que ajudou a provocar um escândalo de dimensões nacionais com a matança entre facções.

De um grupo político que, segundo Dino, chegou a pagar R$11,00 por um copo de leite servido numa refeição hospitalar.

Isso sem falar nas mil escolas como a da foto que encabeça este texto.

Viomundo: Governador, quem olha para essa foto é difícil acreditar…
Flávio Dino: Nós encontramos mil escolas dessas, na qual existem professores de enorme capacidade de se dedicar a uma causa, que eu respeito muito, mas na qual obviamente os alunos pouco conseguem apreender. Por isso nós estamos com um programa voltado para superar isso. Realmente é inacreditável que em um país como o nosso, sexta ou sétima maior economia do planeta, essa condição social seja tão difícil. O Estado que tem o décimo sexto PIB do Brasil, que tem um porto promissor e importante, tem a base de Alcântara… agora nós precisamos fazer com que essas ilhas de modernização, de século 21, consigam chegar ao Maranhão profundo, que ainda vive em muitos casos no século 19.

Viomundo: Qual a importância do porto de Itaqui, considerando que 10% da soja exportada pelo Brasil saem de Matopiba, a região fronteiriça entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia?
Flávio Dino: Para quem chega, é o porto melhor situado do Arco Norte, do ponto-de-vista do mercado brasileiro, porque ele se situa exatamente na zona de transição entre a Amazônia e o Nordeste, com amplo acesso ao Centro-Oeste do país. E ao mesmo tempo no sentido de saída. Uma empresa que vai exportar soja para a costa Leste dos Estados Unidos vai economizar três ou quatro dias de frete usando Itaqui em relação a Paranaguá (Paraná).

Viomundo: O senhor diz que pretende casar esta vantagem logística com energia para desenvolver um parque industrial e processar os produtos agrícolas do Maranhão no entorno de Itaqui. Qual energia?
Flávio Dino: Na verdade, nós já temos uma grande produção de gás, de cerca de 5 milhões de metros cúbicos. Já foi feita a prospecção e foi formalmente declarado pela Agência Nacional de Petróleo que esses campos estão aptos a serem comercialmente explorados. Na décima terceira rodada do leilão da ANP teremos mais 22 blocos na chamada bacia do Parnaíba, que fica quase toda no Maranhão, de modo que nós esperamos que no futuro essa abundância de fonte de energia de nosso Estado se consolide. Nós temos uma economia baseada na agricultura, na pecuária, na pesca, no extrativismo, na avicultura, tudo isso é fundamental. Mas ao mesmo tempo é importante industrializar o estado, substituir importações.

Viomundo: O senhor já lidou com a herança maldita do governo de Roseana Sarney?
Flávio Dino: Nós encontramos aqui muitos absurdos, infelizmente. Havia, por exemplo, uma Universidade Virtual do Maranhão. A universidade era virtual, mas o roubo era real, porque lá houve desvio de mais de R$30 milhões. No que se refere à saúde encontramos situações absolutamente injustificáveis do ponto de vista do custo, como o copo de leite que custava R$11,00.

Viomundo: O senhor disse que conseguiu R$100 milhões em função de mudanças administrativas?
Flávio Dino: Essas mudanças em cinco meses geraram R$100 milhões, porque nós combatemos problemas que havia no Detran, no sistema penitenciário, no sistema de saúde, na educação. A escola que aparece na foto, para substituir, pode custar em média R$500 mil; R$10 milhões dá para fazer 20 escolas. Dá para fazer uma escola técnica estadual, que o Maranhão não tem nenhuma. Com a Universidade Virtual do Maranhão dá para dizer que essas pessoas desviaram 70 escolas.

Viomundo: Por que os ataques diários na mídia?
Flávio Dino: Na verdade, uma fração da elite brasileira, acostumada a um modelo coronelista e oligárquico, tem o hábito de gerar acúmulo de fortunas pessoais a partir do desvio daquilo que pertence a todos. É o velho patrimonialismo, que aqui no Maranhão está em cada esquina. Nós estamos desmontando isso e desmontando em um processo conflituoso. Todas as vezes que a gente tira um privilégio pendurado na árvore do patrimonialismo maranhense, o dono do privilégio reclama, reclama e luta. Luta, entra na Justiça, coloca seu sistema de mídia contra, porque ele quer manter o privilégio. Passou anos indo lá colher essa fruta madura e alimentando os seus às custas de milhares de maranhenses.

Viomundo: O que é o programa emergencial do IDH, o Índice de Desenvolvimento Humano?
Flávio Dino: É uma política focalizada nos 30 municípios de pior IDH do Maranhão, que estão entre os 100 piores do Brasil. Ação de substituição de escolas, restaurantes populares, força estadual de saúde, construir casas, apoio à agricultura familiar, fornecer documento, um enxoval de direitos. Eu, quando estudei, quando dava aula de Direito, falávamos em direitos de primeira, segunda e terceira gerações. Século 18, direitos civis. Século 19, direitos políticos. Século 20, direitos sociais. Nós temos de fazer três séculos em quatro anos. Pretendemos mostrar que apesar das dificuldades nacionais é possível mobilizar investimentos públicos e privados capazes de elevar a qualidade de vida de populações antes submetidas a patamares de negação de direitos realmente inacreditáveis.

Viomundo: Mostrar que governo faz diferença?
Flávio Dino: Que é imprescindível para superar os problemas da população mais pobre. Durante décadas no Brasil se estabeleceu uma espécie de dualidade: o Brasil moderno era privado, o Brasil arcaico público. Isso na verdade é uma falácia ideológica. Todos nós sabemos que sem serviços públicos é impossível nós termos um Brasil verdadeiramente moderno.

Porque Decidi Processar Gilmar Mendes

O Ministro Gilmar Mendes me processou, um daqueles processos montados apenas para roubar tempo e recursos do denunciado. Eu poderia ter ficado na resposta bem elaborada do meu competente advogado Percival Maricatto.
Mas resolvi ir além.
Recorri ao que em Direito se chama de "reconvenção", o direito de processar quem me processa.
A razão foram ofensas graves feitas por ele na sessão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na qual não conseguiu levar adiante a tentativa canhestra de golpe paraguaio, através da rejeição das contas de campanha de Dilma Rousseff.
Todo o percurso anterior foi na direção da rejeição, inclusive os pareceres absurdos dos técnicos do TSE tratando como falta grave até a inclusão de trituradores de papel na categoria de bens não duráveis.
Não conseguiu atingir seu propósito graças ao recuo do Ministro Luiz Fux, que não aceitou avalizar sua manobra. Ele despejou sua ira impotente sobre mim, valendo-se de um espaço público nobre: a tribuna do TSE.
 Certamente quem lucrou foram os blogs sujos, que ficaram prestando um tamanho desserviço. Há um caso que foi demitido da Folha de S. Paulo, em um caso conhecido porque era esperto demais, que criou uma coluna 'dinheiro vivo', certamente movida a dinheiro (...) Profissional da chantagem, da locupletação financiado por dinheiro público, meu, seu e nosso! Precisa ser contado isso para que se envergonhe. Um blog criado para atacar adversários e inimigos políticos! Mereceria do Ministério Público uma ação de improbidade, não solidariedade”.
O que mereceria uma ação de improbidade é o fato de um Ministro do STF ser dono de um Instituto que é patrocinado por empresas com interesses amplos no STF em ações que estão sujeitas a serem julgadas por ele. Dentre elas, a Ambev, Light, Febraban, Bunge, Cetip, empresas e entidades com interesses no STF.
Não foi o primeiro ato condenável na carreira de Gilmar. Seu facciosismo, a maneira como participou de alguns dos mais deploráveis factoides jornalísticos, a sem-cerimônia com que senta em processos, deveriam ser motivo de vergonha para todos os que apostam na construção de um Brasil moderno. Gilmar é uma ofensa à noção de país civilizado, tanto quanto Eduardo Cunha na presidência da Câmara Federal.
A intenção do processo foi responder às suas ofensas. Mais que isso: colocar à prova a crença de que não existem mais intocáveis no país. É um cidadão acreditando na independência de um poder, apostando ser possível a um juiz de primeira instância em plena capital federal não se curvar à influência de um Ministro do STF vingativo e sem limites.
Na resposta, Gilmar nega ter se referido a mim. Recua de forma pusilânime.
“o Reconvindo sequer faz referência ao nome do Reconvinte, sendo certo que as declarações foram direcionadas contra informações difamatórias usualmente disseminadas por setores da mídia, dentro dos quais o Reconvinte espontaneamente se inclui”.
Como se houvesse outro blog de um jornalista que trabalhou na Folha, tem uma empresa de nome Agência Dinheiro Vivo e denunciou o golpe paraguaio que pretendeu aplicar na democracia brasileira.
A avaliação do dano não depende apenas da dimensão da vítima, mas também do agressor. E quando o agressor é um Ministro do Supremo Tribunal Federal, que pratica a agressão em uma tribuna pública - o Tribunal Superior Eleitoral - em uma cerimônia transmitida para todo o país por emissoras de televisão, na verdade, ele deveria ser alvo de um processo maior, do servidor que utiliza a esfera pública para benefício pessoal.

Lista de Furnas É Real

Lista de Furnas é real: A máscara tucana caiu
by bloglimpinhoecheiroso

Chico Vigilante, via Brasil 247 em 23/8/2015

Basta de cinismo e hipocrisia. A questão da corrupção, que no Brasil vem desde o Império, deve ser tratada com seriedade. Nos últimos 12 anos, cada vez que surge uma denúncia de corrupção, a direita vem como paladina da moralidade insistir em seu discurso de que o PT é o partido mais ladrão e mais corrupto do país.

Na verdade, se tem alguém que tem autoridade para falar de combate à corrupção neste país, somos exatamente nós da esquerda brasileira. Falo isso de cátedra porque conheço profundamente como funcionam as instituições no Brasil. A raiz da corrupção está no sistema eleitoral brasileiro.

É impressionante ver a direita tentar provar que só as doações para o PT são criminosas. O dinheiro que saiu do mesmo buraco, do mesmo caixa, da mesma empresa é crime quando doado para o PT, mas não é crime quando vai para o PSDB; não é crime quando é para o Democratas; não é crime o do PP; o do PMDB também não; do Solidariedade não.

A máscara tucana agora caiu de vez para o grande público. O doleiro Alberto Youssef entregou Aécio Neves e o vídeo da gravação está na internet para quem quiser ver. Aécio Neves recebia de US$100 mil a US$120 mil por mês num esquema que durou quase todo o governo FHC, por meio da empresa Bauruense, que prestava serviços para a estatal Furnas.

Youssef informou que o deputado José Janene, PP/PR, lhe disse mais de uma vez que “dividia” com Aécio uma diretoria de Furnas, e que o dinheiro da corrupção era entregue em duas frentes, uma para Janene, outra para a irmã de Aécio.

O importante desta denúncia contra Aécio é que agora o cerco está se fechando. Estes dados passados agora por Youssef confirmam outras denúncias constantes de outro inquérito do Ministério Público sobre corrupção envolvendo Furnas e a empresa Bauruense.

As constantes negativas de Aécio sobre o escândalo de Furnas agora não colam mais. Sua desculpa mais rotineira sempre foi a de que a Lista de Furnas é fraude política, invenção do PT.

Um laudo de exame documentoscópico (mecânico e grafotécnico) 1097/2006 do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Policia Federal concluiu que a lista é autêntica e não houve nenhum tipo de montagem, fraude ou manipulação no documento.

Em janeiro de 2012, Andrea Bayão, procuradora federal do MP/RJ, ofereceu denúncia contra operadores do esquema de Furnas, no governo FHC. E quem estava citado lá? Obviamente não por acaso, a Bauruense e a Toshiba, mencionadas também agora por Youssef, junto com o nome de Andrea Neves, no esquema de propinas para beneficiamento a Aécio Neves e outros políticos.

Segundo o site caixadoistucanodefurnas.blogspot.com.br, feito para esclarecer o caso caixa dois de Furnas, os candidatos do PSDB teriam ficado com mais de dois terços (68,3%) dos R$39,9 milhões que teriam sido distribuídos a 156 políticos.

De acordo com a lista publicada pelo site e seus anexos, inclusive os confidenciais, a divisão do dinheiro não foi feita de forma equânime, mas sim repassada em maior quantidade para os candidatos José Serra (para presidente da República) que recebeu R$7 milhões; José Alckmin (para o governo de São Paulo) que recebeu R$9,5 milhões; e Aécio Neves (para o Senado) que recebeu R$5,5 milhões. A lista completa dos nomes de deputados, senadores e empresas envolvidas e quantias recebidas está no site para quem quiser ver.

As denúncias contra o PSDB não param por aí. Um vídeo foi divulgado na quinta-feira, dia 19/3, onde o ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, um dos principais delatores da Operação Lava-Jato, aparece dizendo que em 2010 o falecido ex-senador e presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, pediu pessoalmente R$10 milhões para abafar uma CPI que tinha como alvo a Petrobras. O dinheiro foi entregue e Costa declara: serviço realizado. E a CPI não foi feita.

Quando se fala de financiamento público para campanha qual é o discurso da direita? Não, tem que haver financiamento privado porque o dinheiro público tem que ficar para saúde, educação e segurança. Mas de onde sai o financiamento privado? Exatamente das empresas que prestam serviço para o Estado brasileiro. Termina saindo mais caro porque aí não ocorre fiscalização nenhuma.

Na década de 90 quando eu era deputado federal, o escândalo que ficou conhecido como Anões do Orçamento, mostrou que na ocasião eram usadas exatamente as mesmas práticas da atualidade. Emendas apresentadas por deputados, em conluio com empreiteiras, prefeituras e governos de estados que neste processo desviava uma parte para parlamentares.

Naquela época cassamos 15 deputados federais. No entanto, se fosse para fazer a limpa necessária deveríamos ter cassado 100, mas o Congresso não teve estrutura para tomar uma medida desta monta.

Muitos deputados tiraram licença médica e não apareceram na Câmara por semanas com medo de que seus nomes viessem a público como envolvidos no desvio de cerca de R$800 milhões.

Houve até casos de injustiça como a cassação de Ibsen Pinheiro – apresentado para a sociedade como bandido e depois provou-se o contrário – mas a maioria dos verdadeiros bandidos ficou livre.

Já naquela época se falava de um deputado criador de cavalos de Pernambuco, que estava no meio dos Anões do Orçamento e não foi cassado, assumindo mais tarde a presidência do PSDB. Hoje sabemos que é Sergio Guerra.

O Congresso não teve a coragem de fazer as reformas que precisava ter feito para extirpar este câncer que corrói os organismos da sociedade brasileira. Se tivesse feito isso, talvez não estivesse acontecendo o que vemos hoje.

Depois veio o escândalo da pasta Cor de Rosa, de compras de votos, e ninguém fez nada. Me lembro que eu, com a ajuda da imprensa, consegui derrubar o candidato a vice-presidente da República de FHC, Guilherme Palmeira, ao denunciar a existência do esquema de compra de emendas parlamentares – que me foi relatado por seu motorista e sua secretária - pagas por empreiteiros em dólares por meio de uma casa de câmbio situada no Gilberto Salomão, Lago Sul.

Só não vê quem não quer. Podemos perceber que desde aquela época já havia o envolvimento de doleiros, dos mesmos políticos fazendo falcatruas. Depois que derrubei a possibilidade de Guilherme Palmeira ir para a vice-presidência por 8 anos, ele virou santo, ganhou um belo prêmio por sua honestidade: o de ministro conselheiro do Tribunal de Contas da União.

Dizer que a Justiça é apartidária é piada. Deveria ser, mas não é. Não venha me dizer que só porque um cidadão foi nomeado ministro do Tribunal de Contas ele deixou sua ideologia de lado, que não é mais tucano, democratas ou peemedebista. Isso não existe.

Aconselho a todos que antes de ficar repetindo que o PT é o partido mais corrupto do Brasil leia e se atualize sobre os maiores escândalos de corrupção do país, envolvendo o PSDB e o DEM: a privataria tucana (R$100 bilhões); do Banestado (R$42 bilhões); vampiros da saúde (R$2,4 bilhões; Banco Marka R$1,8 bilhão; TRT de São Paulo (R$923 milhões); navalha da carne (R$610 milhões); trensalão tucano (R$570 milhões); Sudam (R$214 milhões); Máfia dos Sanguessugas (R$140 milhões).

Espero que as pessoas passem a entender isso e comecem a defender o fim do financiamento privado e lutem pelo financiamento público das campanhas eleitorais.

Esse é um grande momento que temos para passar esse país a limpo. Com as medidas enviadas por Dilma ao Congresso, principalmente o pacote anticorrupção, quero conclamar a sociedade brasileira para que efetivamente se manifeste nas ruas para vê-las aprovadas no Congresso Nacional.

Devemos reconstruir o brasil e deixar no passado este país onde só ficam na cadeia pobres, prostitutas, negros e petistas. Ladrão do Solidariedade, do PSDB, do PSB, do Democratas e de outros partidos são bons ladrões, ladrão ruim é do PT.

Nassif Faz Bem Em Processar o Gilmar Mendes

Por que Nassif faz bem em processar um ministro do Supremo.

Por Paulo Nogueira

Luís Nassif merece aplausos por processar Gilmar Mendes.

Sem citar seu nome, um gesto que revela maldade e covardia simultaneamente, GM caluniou Nassif em sua linguagem pomposa, solene e ridícula.

Não vale a pena reproduzir aqui os insultos de GM.

Basta dizer que Nassif fez o que deve fazer.

Você pode dizer: “Perda de tempo e de dinheiro. Ninguém é mais blindado que Gilmar na Justiça.”

Não faz mal.

O importante, no caso, é que Nassif lute pelo que é justo.

Citei algumas vezes, recentemente, o alemão Rudolf von Ihering, um jurista inovador do século 19.

Ihering demonstrou que a justiça não é algo estático e imobilizado. Ela é um organismo vivo, e só se modifica mediante a luta dos que buscam o seu direito.

Segundo a tese sábia de Ihering, você não tem apenas o direito de buscar justiça quando é injustiçado, como foi o caso de Nassif diante de GM.

Tem a obrigação, perante a sociedade.

Ainda que tudo termine bem para o ofensor, ele vai ser exposto e terá dor de cabeça.

É presumível que, se não agora, com o correr do tempo insultos como os proferidos por GM não mais serão tolerados pela justiça que hoje o protege.

Daí o dever.

Lula tem feito o que Ihering recomenda, e isso é inspirador. Em vez de simplesmente engolir calúnias, passou a acionar a justiça.

O caminho é pedregoso.

Recentemente, um juiz decretou que a calúnia proferida por Danilo Gentili sobre o atentado ao Instituto Lula era uma piada.

Wellington poderia dizer ao juiz: quem acredita nisso acredita em tudo.

Mesmo assim, mesmo protegido, dificilmente Gentili voltará a fazer piadas daquele gênero, nem com Lula e nem com ninguém.

É a sociedade que ganha.

Falta Dilma se movimentar. Ela tem uma excelente oportunidade agora com o depoimento de Youssef.

Na véspera da eleição, a Veja afirmou terminantemente, numa capa criminosa, que Youssef dissera que Dilma e Lula sabiam de tudo no chamado Petrolão.

Agora, essa farsa foi espetacularmente desmascarada na CPI da Petrobras, em que Youssef foi ouvido.

Youssef não afirmou nada. Disse que não pode afirmar se Dilma e Lula sabiam de alguma coisa. Declarou que jamais conversou com Lula sobre o assunto.

Foi tudo, vê-se, uma mentira monstruosa da Veja.

Se o golpe desse certo, Aécio ganharia e a Veja nunca seria cobrada. Ao contrário, com certeza receberia de Aécio dezenas de milhões em dinheiro público.

Dilma tem a obrigação, perante a sociedade, de processar a Veja. Basta comparar o conteúdo fictício da capa da eleição com a realidade crua das declarações de Youssef.

Os tribunais não vão mudar na inércia, mas sob pressão dos injustiçados.

No texto em que Nassif anunciou o processo, disse que ia testar a tese de que agora ninguém mais é favorecido.

Vejo as coisas sob outro ângulo.

O que ele vai fazer é ajudar a tornar realidade uma coisa – a igualdade perante a justiça – que hoje infelizmente não existe no Brasil.

Acordo Dom Eduardo Cunha É Novo Mensalão PSDB/MG

Paulo Moreira Leite

by bloglimpinhoecheiroso

Paulo Moreira Leite em 25/8/2015

A indignação diante da generosidade exibida pelo PSDB em função da denúncia de que Eduardo Cunha recebeu uma propina de US$5 milhões não deve iludir ninguém. Apenas demonstra que, mesmo celebrada com trombetas quando ajuda a atacar o adversário, a ética é uma planta destinada a subordinar-se às necessidades da política.

Creio que ninguém esqueceu o que se passou com o mensalão do PSDB/MG. Mais antigo do que o esquema de financiamento do PT, o esquema tucano começou a ser apurado mais tarde, permitindo que a impunidade geral dos acusados fosse garantida em duas etapas. Primeiro, os réus foram separados em dois grupos – aqueles que tinham direito a foro privilegiado, e seriam, em tese, julgados pelo STF. O segundo grupo, formado por réus sem mandato, seria julgado numa vara de primeira instância da Justiça comum. Na segunda etapa, os réus com direito a foro puderam renunciar a seus cargos e, com autorização do STF, conseguiram que o caso fosse examinado em primeira instância. Até hoje, o julgamento sequer terminou – a juíza encarregada até se aposentou, veja só. Ninguém recebeu sentença definitiva.

No julgamento dos réus do PT, o advogado Márcio Thomaz Bastos pediu que fosse feito o desmembramento, também. Perdeu por 9 votos a 2, no mesmo plenário que fizera a separação de acusados do PSDB.

Outro dia, o ministro Gilmar Mendes falou que era possível encontrar o DNA da Lava-Jato no mensalão. Um membro do Ministério Público concordou.

Estão certos, mas pelo motivo errado. O DNA é a seletividade.

Estabeleceu-se, em 2012, a jurisprudência bem definida por mestre Jânio de Freitas: dois pesos, dois mensalões.

Em 2015, PSDB e lideranças favoráveis ao impeachment querem aprovar o afastamento de Dilma Rousseff pelo mesmo caminho. Mas não podem dispensar os serviços de Eduardo Cunha, aliado fiel desde a campanha de 2014 – foi até capaz de enfrentar Michel Temer na tentativa de levar o partido para uma aliança com Aécio Neves. As esperanças dos aliados de Cunha eram tão grandes que conseguiram plantar entre jornalistas amigos a informação, errada, de que apoio do partido a Dilma estava em risco.

O agravante é que não há prova de crime contra a presidente e, contra Eduardo Cunha, há razões para imaginar que os US$5 milhões sejam apenas o começo.

Apesar dos apelos indignados pela moralidade, a questão não será resolvida nesse terreno, mas pelos interesses da política.

A autoridade de Eduardo Cunha fica obviamente abalada pela denúncia, mas ele está longe de ser um moribundo. Possui uma bancada que lhe deve o financiamento e o respaldo político que lhe permitiu a aquisição de seus mandatos – e este é um tipo de favor difícil de negar, sabemos todo.

Assegurando a Cunha todo oxigênio necessário à sobrevivência, a oposição revela a verdade sobre o projeto de impeachment: sem qualquer prova material, é um produto da baixíssima política.

Youssef No País Dos Adivinhos

Como é possível que um delator saiba antecipadamente o que outro delator vai dizer em seu depoimento? Aliás, os delatores não podem tomar conhecimento dos depoimentos uns dos outros, de forma alguma, tendo em vista evitar combinadinhos, que é o que está ocorrendo, a julgar pelo que disse Youssef na CPI da Petrobras.  Tarcílio

Santayana: Quem disse a Youssef que outro delator já estava falando sobre o repasse de recursos para a campanha de Dilma?

Youssef no país dos adivinhos

por Mauro Santayana, no JB

O principal fato da sessão desta terça-feira, da prevista “acareação” entre os “delatores premiados” Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa, na CPI da Petrobras, da Câmara dos Deputados, talvez não mereça muito espaço nas manchetes desta quarta.
Não bastando o constante vazamento, quase sempre seletivo, sobre suposições, ilações, delações “premiadas”, subjetivas, inaugurou-se ontem, no âmbito da Operação Lava-Jato – em mais um exemplo de que o uso do cachimbo faz a boca torta –  o instituto do “vazamento futuro” de delações, ilações, suposições, em um espetáculo onde quase tudo é suposto e subjetivo, menos o alvo final do processo.
Por isso, mesmo que com mais buracos que um queijo suíço, nessa operação já não espanta o enredo conhecido, caracterizado por  “revelações” feitas a conta-gotas, acompanhadas, na maioria dos casos, pela gritante ausência de provas inequívocas, que está voltado, como na fábula  do Lobo e do Cordeiro, para derrubar o governo a qualquer preço, seja qual for a justificativa.
O que mais surpreende, agora, é o descaramento com que surgem as  “revelações” dos “delatores”, a ponto do Sr. Alberto Youssef, por intervenção ao pé do ouvido de seu advogado, voltar à pergunta anteriormente feita pelo relator da CPI, sobre o repasse de recursos para a campanha presidencial da Presidente da República – o ponto nevrálgico que se pretendia esclarecer com a “acareação” de ontem – retomando a sua negativa de que esse repasse tenha ocorrido por meio de seu intermédio, para fazer o premonitório anúncio – como se quisesse se justificar por não estar acusando diretamente o governo – de que “tem outro réu colaborador que está falando sobre esse assunto e assim que essa colaboração for noticiada vocês vão saber realmente quem foi que pediu o recurso e quem repassou o recurso… Logo vai ser revelado e esclarecido esse assunto”.
Ora, ao fazer, com tom de porta-voz oficial, esse anúncio, o Sr. Alberto Youssef já antecipa o que irá ocorrer a seguir, no próximo capítulo desse ramal da Operação Lava-Jato, desfazendo o teatrinho da suposta contradição entre seus dois mais conhecidos  “bandidos-delatores”.
Ele sinaliza, convenientemente, aos presentes, à oposição, à imprensa, que alguém já estaria “falando”,  ou melhor, que alguém logo irá  dizer que foi feito o repasse e a pedido de quem ele teria sido feito.
E dá a entender que essa pessoa também irá confirmar, eventualmente, seu valor, retirando o ônus, a missão, o papel, de fazer ou comprovar essa acusação, dos ombros dos dois delatores presentes ontem na CPI, e, principalmente,  do próprio  Youssef, que não poderia fazê-lo sem o risco de desmentir suas declarações anteriores.
Ora, revelado, de forma pública e cristalina, no palco da CPI, qual será o próximo passo – Gilmar Mendes trabalha junto ao TSE e os adversários do governo também o fazem em outra frente, no contexto do TCU – o que importa não é saber o que foi dito, mas o que não foi dito pelo delator-doleiro – o que está por trás da orientação recebida de seu advogado, cochichada, naquele particular momento, diante das câmeras.
A pergunta para a qual se deveria esperar pronta resposta, é como um réu, já condenado, prestando depoimento, sabe – por meio de “vazamento interno”, que será feita – em suas próprias  palavras alguém “já estaria falando” – uma nova delação premiada, quem estaria   fazendo essa delação premiada e qual será o teor dessa declaração, a ponto de antecipá-la  descaradamente em plena Comissão Parlamentar de Inquérito.
Ao afirmar, olimpicamente, que “assim que a declaração for revelada vocês vão saber”,  Youssef provou que teoricamente tem acesso, atrás das grades, a um grau de informação muito maior do que têm, jamais tiveram, os membros da Comissão na qual estava sendo interrogado, e não apenas sobre o seu próprio processo, mas sobre a operação como um todo.
Mas, mesmo assim,  ele sequer foi inquirido, imediatamente, a propósito de como e por meio de quem teve conhecimento dessa suposta futura delação, que estaria prestes a ser revelada nas próximas semanas.
Quem disse ao advogado do Sr. Alberto Youssef que um outro “réu colaborador” já estaria “falando” sobre esse tema?
O advogado do Sr. Alberto Youssef é o mesmo desse suposto novo delator “premiado” que irá, segundo o próprio doleiro, confirmar que houve o “repasse”?
Nesse caso, o advogado estaria, eventualmente,  combinando com seus dois clientes (se  não estiver assistindo a mais réus, ainda, no âmbito do mesmo caso) quem deveria falar o quê e o que deveria ser dito?
Ou, não sendo o advogado do Sr. Alberto Youssef o mesmo advogado do réu que já estaria “falando” sobre esse assunto – principal “motivo” da acareação de ontem – de quem teria o advogado do Sr. Alberto Youssef obtido essa informação ?
Do advogado do outro?
Justificando, assim, a suspeita de que os depoimentos, “vazamentos”, “revelações”, e “delações premiadas” poderiam estar sendo combinadas, manipuladas, “coordenadas”, entre os diferentes acusados por meio de seus advogados?
Ou teria o advogado do Sr. Alberto Youssef obtido essa informação, prévia ou “premonitória”, do juiz Sérgio Moro?
O que, em caso afirmativo, poderia comprovar, eventualmente, a existência de inaceitável  grau de intimidade entre um e outro lado do processo, o juiz e alguns dos réus e seus advogados, de uma forma que poderia levar ao comprometimento da lisura da Operação Lava-Jato?
Salvo Alberto Youssef e seu advogado tenham desenvolvido poderes adivinhatórios, são essas perguntas que poderiam estar sendo feitas por membros do Conselho Nacional de Justiça e do próprio STF neste momento, a  propósito da sessão da CPI da Petrobras de ontem.
Mas além disso, há espaço também para uma outra indagação, que também merece resposta:
Por qual razão essa suposta futura “delação premiada”, que será, segundo Alberto Youssef, em breve, revelada, só está sendo feita agora, justamente neste momento, em que, nesse caso de suposto repasse de recursos para a campanha presidencial de Dilma Roussef, chegou-se, pela própria “contradição” dos dois principais delatores  “premiados” a um impasse ?
Outro que anda premonizando coisas – além do próprio juiz Sérgio Moro, que, mesmo sem contar com precorgs, andou adotando as táticas do filme Minority Report, ambientado em Washington, DC, do ano 2054, para prever e impedir antecipadamente crimes, prendendo  executivos para impedir que suas empresas participassem de licitações sequer ainda oficializadas – é o Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.
Reunido ontem, com aliados, ele afirmou que o Presidente do Senado, Renan Calheiros, “aparecerá em delações premiadas” nas “próximas semanas”, no que tem provavelmente razão, já que vivemos em uma República em que qualquer um pode acusar qualquer um, a qualquer momento, impunemente,  de qualquer coisa, independentemente de ser por moto próprio ou por estar ou não a serviço de terceiros, usando para isso pretextos paralelos (como transformar automaticamente uma coisa em outra, do tipo doação de campanha em propina) sem necessidade de provas que sustentem, inequivocamente, suas alegações.
Nessa sequência – que às vezes parece muito bem estruturada – de ilações, delações, “colaborações”, distorções, e, presentes e futuras, “adivinhações”, a única coisa verdadeiramente inequívoca, são os deletérios efeitos, diretos e indiretos – para gaudio dos que torcem pelo “quanto pior melhor” e contra o país, a atividade política e a democracia  – de uma “operação” que, ao que parece, pretende prolongar-se indefinidamente nos próximos anos, transformando-se, de fato,  em um “quinto poder”, dentro do Estado, cada vez mais independente e acima dos outros.
Uma “operação” que poderia estar sendo dirigida apenas contra os corruptos,  que no final, como no caso de Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa, estão sendo quase todos “premiados” – mas que, ao decidir castigar, punitivamente, com o látego dos deuses, algumas de nossas maiores empresas,  está desmantelando amplos e estratégicos setores da vida nacional.
Nas áreas de infra-estrutura e construção pesada, da industria de petróleo e gás, da indústria naval, e, principalmente, da indústria bélica, com a eliminação de milhares de empregos, a provável falência de empresas como a AVIBRAS e a paralisação de programas em que o país já investiu bilhões de dólares, e o precioso trabalho de toda uma geração de valorosos planejadores, engenheiros e técnicos de nossas forças armadas, a percepção, quase certeza, é uma só, sem a necessidade de dons premonitórios:
A Operação Lava-Jato – sem resolver definitivamente o problema da corrupção, que não poderá ser sanado sem uma reforma política de verdade – já está provocando um prejuízo dezenas de vezes maior do que o dinheiro que recuperou até agora,  e irá deixar como herança, direta e indireta,  um atraso que será nefasto, irrecuperável, nas próximas décadas, do ponto de vista do ingente esforço, realizado, a duras penas, por vastos setores da sociedade brasileira, para a inserção estratégica, tecnológica, soberana e competitiva do Brasil entre as maiores nações do mundo.

Aécio Pagou 269 Milhões de Dívidas da Rede Globo

http://www.jornali9.com/noticias/aecio-neves-pagou-us-269-milhoes-de-dividas-da-rede-globo-de-televisao

Aécio Neves, pagou US$ 269 milhões de dívidas da Rede Globo de Televisão

Fabiano Portilho

Aécio Neves (PSDB)
Enquanto o governo do PT autorizou os Auditores da Receita Federal, à fazerem uma apuração rigorosa contra a Rede Globo, aonde detectaram graves crimes contra o fisco, aplicando cobrança de multas e juros que, somados à dívida fiscal, totalizavam R$ 615 milhões em 2006. Hoje esse valor já ultrapassa R$ 1 bilhão. Aécio Neves (PSDB) quando foi Governador de Minas Gerais pagou US$ 269 milhões de dívidas da Rede Globo de Televisão.**

Segundo o site noticioso NovoJornal, de Belo Horizonte, **trouxe em 23/1/2007 a seguinte manchete "Governador de Minas, Aécio Neves, paga US$ 269 milhões de dívidas da Rede Globo de Televisão na compra da Light".*

Em investigação realizada pelo site, são revelados detalhes de um negócio em que o governo mineiro, com capital da Cemig, criou uma outra empresa, a RME – Rio Minas Energia Participações S/A, a qual comprou a Light "transferindo para os fundos credores da Rede Globo (...) um crédito em ações de US$ 269 milhões, através do pagamento feito a maior que a quantidade de ações adquiridas na Bovespa pela RME – Rio Minas Energia Participações S/A, na operação de compra".

Segundo o site, quando se analisa a compra da Light pela RME com documentos da Secretaria de Acompanhamento Econômico, do Ministério da Fazenda, percebe-se que, apesar de ter pago por 79,57% das ações da Light, a RME só adquiriu 75,40%. Tal operação, de acordo com o site, é utilizada por empresas particulares para esconder ou desviar lucros, tal como quando se compra nota fria. O saldo da operação seria o destinado à amortização da dívida da Globo para com credores estrangeiros.

Toda a negociação, aparentemente, envolveu a posse do ex-presidente da holding do Grupo Globo, Ronnie Vaz Moreira, como presidente da tal RME - Rio Minas Energia Participações S/A e como diretor-financeiro da Light. Em suma, o povo mineiro, sem saber, através de sua companhia elétrica estadual, financiou o salvamento do grupo Globo, para que este agisse em favor do governador mineiro Aécio Neves.

Nesse processo, a Cemig acabou por constituir sociedade com várias empresas particulares na RME, porém sua participação é de apenas 25%. Ainda de acordo com o site, "a irregularidade na constituição da empresa é tão grande e insanável que a Junta Comercial e a Receita Federal não conseguem explicar como isto ocorreu, prometendo pronunciar-se só depois de uma profunda e detalhada investigação".

Blindagem eficiente

Como os credores da Globo nos EUA já tinham entrado com pedido de falência contra a empresa em Nova York, o pagamento da dívida teve quer ser feito dentro da contabilidade da Globo, o que acabou "deixando rastro".

O site se alonga em detalhes exaustivos da operação e cita, inclusive, dados da Justiça norte-americana, a qual, embora busque explicações da origem do dinheiro da Globo para o pagamento do seu pedido de falência, deixa um vazio justamente ao não explicar qual o mecanismo de entrada desses recursos no caixa da Globo. Não explica o X da questão.

O site dá indícios e mostra evidências fortes que devem ser apuradas pelo poder público e pela mídia. A questão é: qual mídia? Se tal operação de salvamento da Globo através de artimanhas do mercado financeiro foi realmente articulada pelo governo de Minas, por dedução explica-se a eficiente blindagem e o quase apoio institucional que o governador Aécio Neves recebe da Globo.

A Globo, por meio de seus veículos, não noticiaria ou mobilizaria a opinião pública para uma irregularidade cometida para sanear suas dívidas. Ou noticiaria? Aparentemente, também não o fariam o Grupo Abril ou o Grupo Folha, pois, segundo matéria do mesmo site ("Aécio Neves entrega Copasa às multinacionais espanholas OHL, Agbar e Capital Group, para montar campanha à Presidência", ver aqui), em operação financeira dessa vez envolvendo a Copasa, o governo de Minas acabou cedendo capital da empresa para grupos econômicos com participação nos dois grupos de comunicação.

Cabe, no entanto, aos meios de comunicação não acusados e ao poder público apurarem as denúncias de uso de capital de empresas públicas e estratégicas para o financiamento de articulações e movimentações entre políticos e grupos de comunicação.

Sugiro a este Observatório e aos profissionais de mídia investirem na apuração dessas denúncias. Seria uma nova "Sociedade dos Amigos de Plutão"? Pode ser, mas deve ser investigado para se chegar a essa conclusão. Sendo as operações irregulares ou não, e tendo realmente ocorrido, poderia tratar-se de uma manobra para obter controle sobre o que é publicado nos meios de comunicação de maior alcance no país, sobre controle dos grupos Globo, Folha e Abril. Ao financiar com dinheiro público o saneamento das dívidas do Grupo Globo, Aécio Neves se tornaria parceiro. Sócio. Ao permitir que capital da Copasa se misture com capital de grupos estrangeiros dos quais fazem parte Folha e Abril, novamente Aécio se tornaria parceiro. Sócio. Em suma, se trataria de uso de dinheiro público para fins pessoais.

Projeto de poder

A crise financeira que assolou os veículos de comunicação, associada à atual transformação no mercado de capitais e à entrada no país de novos grupos investidores em telecomunicações e tecnologia, acabou por configurar um cenário em que o grupo com maior poder de barganha, leva. Não se trata de ideologia ou projeto político, mas pura e simples lógica de mercado. Quem paga mais, leva.

Como o atual governo não o fez através de financiamento oficial do BNDES, tão discutido alguns anos atrás, Aécio, segundo o NovoJornal, o teria feito através das ferramentas que tem à mão, dispondo de capital público, pertencente aos cidadãos mineiros, para, assim, aproximar-se daqueles que divulgam idéias e para levar a si próprio e a seu grupo político à presidência da República.

Desde o início de seu primeiro mandato ouve-se falar em cerceamento da imprensa pelo governo de Minas. Em todos os veículos. Mas, se confirmadas as denúncias apresentadas pelo site, a compra da "grande mídia" no país para o benefício, impulso da imagem e conseqüente chegada à presidência de Aécio Neves se mostrará não apenas como censura ou cerceamento de idéias, mas como um profundo e bem arquitetado projeto de chegada ao poder – não só do governador, mas de todo um complexo, poderoso e influente grupo político e econômico. Será?

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Cara de Cachorro Que Quebrou Panela

Aécio “ficou com cara de cachorro que quebrou panela” na sabatina do Janot

Pau que dá em Chico também dá em Francisco? Dá não, Dr. Janot…
POR  no TIJOLAÇO
Paulo Henrique Amorim fez a melhor observação de todas sobre a sabatina de Rodrigo Janot no Senado: o olhar baixo e perdido de Aécio Neves.
Uma intervenção vazia, sem conteúdo, da qual, como toda a gentileza, o Procurador tirou a citação, dos tempos da “Derrama” – o imposto cobrado sobre a produção de ouro em Minas Gerais.
Pau que dá em Chico também dá em Francisco.
Será?
Aécio talvez tenha baixado os olhos por medo de que, no Brasil, Chicos e Franciscos sejam tratados da mesma maneira.
Um aeroporto quase “privativo” ao lado de sua fazenda dá em nada.
Uma afirmação do bandido doleiro Youssef, que manda um monte de gente mofar na cadeia, para ele, arquiva-se.
Aparece na “Lista de Furnas”? Deixa que a lista desaparece.
As doações de campanha das mesmas empreiteiras da lava Jato, que no PT são corrupção (como afirma o Ministro Gilmar Mendes), para o tucano – e maiores – são “amor”.
Não, Dr. Janot, pau que dá  em Chico não dá em Francisco.
O senhor lembra que usou esta mesma frase, há dois anos, quando acabara de ser nomeado, prometendo ao Estadão “rigor no mensalão mineiro”, o dos tucanos, e não deu em nada?
Tomara que um dia dê.
Mesmo assim, sem ser punido, a culpa tira a altivez dos olhos de quem a tem.
Talvez a cena fosse mais bem descrita com outro ditado do interior:  Aécio ficou “ficou com cara de cachorro que quebrou panela”.

Cunha de Costas Para o Brasil

E o cunhinha dá as costas ao deputado que utiliza a tribuna. Que grande presidente tem a nossa Câmara Federal. Tarcílio

Cunha, de costas, ouve Chico Alencar acusá-lo de usar a Kroll contra delatores

Chico Alencar discursa no plenário e cobra afastamento de Cunha, que fica de costas para o líder do PSOL
da assessoria do deputado
“Em nome da dignidade do Parlamento, postura para enfrentar o problema sob pena de estarmos dando mais força à profunda crise de credibilidade que existe em relação às instituições políticas brasileiras”
Em sessão no plenário da Câmara, no início da noite desta terça-feira 25, o líder do PSOL, deputado Chico Alencar (RJ), cobrou, novamente, o afastamento imediato do deputado Eduardo Cunha das funções de presidente da Câmara. Chico Alencar repetiu o que havia dito na reunião de líderes horas antes e onde foi única voz entre os demais líderes partidários.
“Em qualquer Parlamento do mundo, em qualquer sociedade onde haja instituições democráticas, inclusive de controle, funcionando, é evidente que uma situação dessa mereceria de imediato um pronunciamento do próprio denunciado, agora, que não é mais só investigado; em segundo lugar, um afastamento da função até que tudo se esclarecesse. É isso que estaríamos cobrando aqui”, afirmou Chico Alencar.
“Em nome da dignidade do Parlamento, e não só o PSOL como partido, mas dezenas de Parlamentares querem uma postura, no mínimo, para enfrentar o problema sob pena de estarmos aqui dando mais força à profunda crise de credibilidade que existe em relação às instituições políticas brasileiras”.
Enquanto o líder do PSOL discursava, Eduardo Cunha, que presidia a sessão, permaneceu sentado, de costas para a tribuna onde estava Chico Alencar.
Leia abaixo a íntegra do discurso:
“Normose é uma doença psicológica que o terapeuta e filósofo francês Jean-Yves Leloup e o brasileiro Roberto Crema definem como um  comportamento apático que gera sofrimento e produz um grande alheamento da realidade.
Eu, infelizmente, constatei isso hoje na reunião do Colégio de Líderes e vejo neste plenário até agora. Parece que ninguém foi informado aqui que o Ministério Público Federal fez uma denúncia grave, robusta, encaminhada a um inquérito que corre no Supremo Tribunal Federal contra aquele que me dá as costas, como de hábito — em geral, contra quem fala algo que o incomode —, acusando, repito, com elementos muito robustos de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Ora, em qualquer Parlamento do mundo, em qualquer sociedade onde haja instituições democráticas, inclusive de controle, funcionando, é evidente que uma situação dessa mereceria de imediato um pronunciamento do próprio denunciado, agora, que não é mais só investigado; em segundo lugar, um afastamento da função até que tudo se esclarecesse.
É isso que estaríamos cobrando aqui. Creio que há unanimidade, se algum Ministro de Estado estivesse nessa condição de denunciado. E o faremos se isso acontecer com essas investigações crescentes e profundas da Operação Lava Jato, que parece não poupar quase ninguém.
Alguém pode alegar: mas e a presunção da inocência? Ora, a presunção da inocência está garantida, o que se tem que pensar é na dignidade do Parlamento.
Deixar uma função não significa ser condenado a nada, nem reconhecimento de culpa, é para se defender, e exige tempo e dedicação. E para não usar a função, como já foi feito, inclusive acusando todos os Deputados de terem seu sigilo violado, fazendo, até mesmo, o fechamento sobre as investigações da Kroll, que custaram ao povo brasileiro mais de1 milhão de reais para um trabalho pífio, que até já foi encerrado, mas lá, Alberto Youssef e Júlio Camargo, não por acaso, dois denunciantes do Presidente, foram devidamente perscrutados pela Kroll.
Isso é usar o cargo e a função na sua própria defesa. Isso é absolutamente equivocado.
Então, em nome da dignidade do Parlamento, e não só o PSOL como partido, mas dezenas de Parlamentares querem uma postura, no mínimo, para enfrentar o problema sob pena de estarmos aqui dando mais força à profunda crise de credibilidade que existe em relação às instituições políticas brasileiras.
Quando se critica, e com razão, Parlamentares de um partido ou de outro, o Governo da República, nós não podemos praticar a ética seletiva, ou a moralidade pública de ocasião. Não dá para poupar uns e atacar outros. É preciso ter coerência. É preciso ter independência. É preciso ter preocupação com este Parlamento, que é algo fundamental.
Nós temos mais de 80 páginas, sem contar, inclusive, com os documentos anexos, dessa denúncia. Espero que, embora ninguém tenha tocado neste assunto, as pessoas se deem ao trabalho de ler, porque, de alguma maneira, atinge não apenas uma figura do Presidente, mas o Parlamento como um todo.
Se nós nos envolvemos em tenebrosas transações, se nós somos acusados de alianças e consórcio com fins ilícitos para tirar vantagem, inclusive, derivada de um mandato parlamentar muito precioso que todos recebemos — todos sabem quanto custa fazer uma campanha com ideias e causas e não com dinheiro no bolso —, nós, nessa omissão, poderemos estar nos comparando à omertà, que é uma expressão muito comum no sul da Itália e que revela cumplicidade, acocoramento, silêncio negativo diante de uma situação real que temos que enfrentar.
Dignidade, Sr. Presidente.”

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Youssef e a Pluralidade da Imprensa

Por Geraldo Galindo


O jornal O Estado de Minas, porta voz do conservadorismo mineiro, reprodutor do discurso oposicionista ao governo federal e estadual, sempre esteve a serviço das elites reacionárias de nosso país. Na última campanha eleitoral, para quem acompanhou, mais parecia um panfleto de campanha do PSDB. O periódico, assim como seus similares em outras capitais, repete o surrado discurso da defesa da pluralidade e da chamada liberdade de imprensa, liberdade essa usada para proteger correligionários e atacar, achincalhar e desmoralizar aqueles que ousam pensar e expressar opiniões diferentes.

Neste exato momento, às 21h30, terminei de dar uma olhada no site do jornal e me deparei com as seguintes manchetes:

http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2015/08/25/interna_politica,681789/gilmar-mendes-pede-investigacao-de-empresa-contratada-pela-campanha-de.shtml

http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2015/08/25/interna_politica,681817/tenho-confianca-que-tse-aceitara-recurso-para-impugnacao-de-mandato-d.shtml

http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2015/08/25/interna_politica,681844/nao-estou-protegendo-lula-nao-tenho-por-que-protege-lo-diz-youssef.shtml

http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2015/08/25/interna_politica,681843/cpi-do-bndes-fecha-acordo-de-convocacoes-mas-poupa-lula-lulinha-e-pi.shtml

http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2015/08/25/interna_politica,681848/na-vespera-de-sabatina-no-senado-collor-volta-a-chamar-janot-de-menti.shtml

Todos sabem que hoje (25/08) foi o dia do depoimento de Youssef, o famoso doleiro/bandido na CPI da Petrobrás, que reafirmou ter o senador Aécio Neves recebido propinas do esquema de corrupção em Furnas, montado pelo PSDB e PP. Nos principais sites de nossa imprensa “plural”, à exceção do Portal UOL, não há uma linha sequer sobre o tema. O Globo, Estadão, Época, Veja e IstoÉ comentam sobre a acareação com Paulo Roberto da Costa, e ignoram solenemente a denúncia, como ignoraram o depoimento original de Youssef na justiça, que só circulou pelas redes sociais, pois as televisões pouparam a imagem do senador mineiro, enquanto divulgavam vazamentos ilegais contra o PT e o governo a todo momento.

Um fato curioso também é que a maioria dos sites que forma o consórcio oposicionista afirma em manchetes ou em títulos menores que o doleiro revela ter Dilma e Lula conhecimento do esquema de corrupção da Petrobrás. E quando se vai ouvir o depoimento, se constata que ele diz achar que Lula e Dilma sabiam. O que é um a suposição para um bandido declarado, vira uma afirmação e uma verdade para a mídia monopolista.

Voltando então ao Estado de Minas, ele nada se difere dos demais grandes jornais da mídia corrupta e venal, a não ser que teve a proeza e criatividade de produzir manchetes tão distintas sobre política, todas elas com a clara intenção de esconder a declaração bombástica de que o ex-candidato a presidente apoiado pelo jornal é acusado com todas a letras de receber propina num esquema de corrupção que pouco se fala e nada se investiga. E ao mesmo tempo, manter a linha de ataque contra o governo que tenta sair das cordas em meio a uma ininterrupta e cruel artilharia pesada.

É assim que funciona a sagrada liberdade de expressão no Brasil. E nos embaraça lembrar que em 12 anos de governos Lula e Dilma nada se fez para mudar esse cenário, onde a maioria esmagadora do nosso povo é vítima de um modelo perverso de manipulação da informação.

* Geraldo Galindo é secretário de Comunicação do Comitê Estadual do PCdoB-BA.

Aécio e Sua Cruzada Moral

Em nome de sua cruzada moral, Aécio vai explicar a acusação de Youssef sobre Furnas?

Por Kiko Nogueira

Em meio aos exercícios de futurologia sobre o mês de agosto, as magas patológicas apostaram na derrocada do governo Dilma e esqueceram de Aécio Neves.

Deu no que deu.
Aécio termina o mês numa situação, na melhor das hipóteses, constrangedora. Embarcou enlouquecido no golpismo, com direito a uma participação especial de 25 minutos num protesto.
Calou-se sobre o amigo de ocasião Eduardo Cunha. Ou melhor, deu uma de joão sem braço.
“Todos os homens públicos, independente da função que ocupam – isso serve para o presidente da Câmara, para a presidente da República, para todos os eleitos e outros que ocupam funções pública -, têm que estar sempre prontos a responder às acusações, e é isso que se espera do presidente da Câmara dos Deputados para, a partir do momento em que apresente sua defesa, ele possa ser julgado”, disse, subitamente acometido de sobriedade.
A respeito do afastamento de Cunha, respondeu: “Essa é uma questão interna da Câmara dos Deputados na qual eu não interfiro”. Ora, como assim? Em outras questões internas de outras áreas ele interfere?
Na terça-feira, finalmente, o doleiro Alberto Youssef reafirmou, agora à CPI da Petrobras, que Aécio recebeu dinheiro de corrupção envolvendo Furnas.
“Eu confirmo por conta do que eu escutava do deputado José Janene, que era meu compadre e eu era operador dele”, disse Youssef.
Em nome de toda a cobrança pela ética e pela transparência, em nome da acusação de que Dilma “estabeleceu a mentira como método”, em nome de sua cruzada pelo impeachment, em nome dos votos que recebeu — Aécio certamente vai dar uma explicação sobre o depoimento de Alberto Youssef.
Setembro será a primavera de Aécio Neves.
Risos.