sexta-feira, 31 de julho de 2015

O Brasil Vai Se Imbecilizando

Mas todos os direitopa(te)tas do Grupo de engalfinham para adquirir a óia nos fins de semana, para ficarem cada vez mais desinformados e perderem, de vez, o senso crítico. Se é que um dia o tiveram!!!  KKKKKKKK  LMontezuma

Como o Brasil vai se imbecilizando com uma mídia imbecil

Autor: Fernando Brito

“Os principais veículos da imprensa se transformaram em panfletos políticos e vasculhar o noticiário em busca de jornalismo que valha uma referência tem sido como buscar um fio de cabelo no palheiro”.

A frase, parte da despedida do excepcional comentário radiofônico de Luciano Martins Costa, do Observatório da Imprensa, é um triste retrato do que restou a nós que, sem estruturas profissionais suficientes para produzir apuração própria de informações no dia-a-dia, queimamos a nossa escassa mufa comentando o que se passa na imprensa brasileira.

A coisa ficou tão rastaquera que, só de sexta-feira para cá, há uma coleção de bobagens nos jornais brasileiros que deixaria exausta uma reencarnação de Sérgio Porto e seu Stanislau Ponte Preta, com o Festival de Besteiras que Assola o País.

Fernando Rodrigues, por exemplo,  encontra o desenho de uma metralhadora na planta do prédio do presídio para o qual foram transferidos os presos da Operação Lava Jato. Tome de imaginação… O resto é um “tour” por celas e corredores, numa edificante versão cult dos programas “mundo cão” que infestam a TV brasileira nas tardes desocupadas…

A Veja dá capa sobre a iminente “delação premiada” de um dirigente de empreiteira que a defesa do dito cujo diz nem estar em cogitação e que, se estiver sendo negociada por terceiros, seria motivo para o abandono do processo…

Mentiu-se e desmentiu-se um suposto encontro entre Lula, Dilma e FHC, episódio encerrado com uma nota desprovida de ferraduras deste último.

Transformaram-se simples gravuras em “pinturas de alto valor” doadas a  José Sergio Gabrielli e Graça Foster na Petrobras.

Ah, sim, esqueci de citar que a Polícia Federal, o Ministério Público e o Dr. Sérgio Moro desconfiam que Marcelo Odebrecht, depois de um ano dedicado a escrever mensagens e bilhetes que seriam comprometedores, iria fugir para o exterior…

Não sei se a Operação Lava Jato produziu uma queda de 1% no PIB, como disse hoje a presidenta Dilma Rousseff, mas certamente isso não foi um décimo o que ela derrubou da inteligência nacional, se é que ainda é possível incluir nela a imprensa brasileira.

O império do ódio, do maniqueísmo, da intolerância e da imbecilidade tomou conta de uma parcela da elite brasileira e da parcela que a orbita nos meios de comunicação, inclusive hoje.

De tal modo e com tanta força que é preciso buscar nas profundezas do povo o remédio para enfrentar o lixo tóxico que formou uma multidão de zumbis.

Os Nossos "YES, BWANA!"

Mauro Santayana arrasa com o Financial Times.  Tarcílio

OS NOSSOS "YES, BWANA!" E OS NOVOS "HAI, BWANA!" DO FINANCIAL TIMES.

(Jornal do Brasil) - A imprensa brasileira destacou amplamente na semana passada o "duro" editorial da última quinta-feira do jornal inglês Financial Times sobre a crise política e econômica no Brasil. Com o título “Recessão e politicagem: a crescente podridão no Brasil”, o texto conclui que a “incompetência, arrogância e corrupção abalaram a magia” do nosso país.

Assim como há quem se pergunte, nos moldes da sabedoria popular, de que se riem as hienas, seria o caso de se perguntar de que estava falando o Financial Times, quando chamou o Brasil de "um filme de terror sem fim", em seu editorial, prontamente reproduzido e incensado, com estardalhaço, por uma multidão de "Yes, Bwana!" nativos, prostrados - como os antigos criados negros na frente de seus mestres estrangeiros nos filmes de Tarzan - diante do trovejar do Grande Totem Branco do Reino Unido de Sua Majestade Elizabeth, quando ele se digna a contemplar com sua atenção este “pobre” e “subdesenvolvido” país.

Diante de tão poderoso édito e tão diligentes arautos, não há, no entanto, como deixar, também, de se perguntar:

Afinal, na economia, de que estava falando - ou rindo, como hiena - o Financial Times?

Se a Inglaterra, com uma economia do mesmo tamanho da nossa, tem uma dívida externa 20 vezes maior que a do Brasil, de 430% contra menos de 25% do PIB ?

Se as reservas internacionais britânicas são, também segundo o Banco Mundial, quase quatro vezes menores (107 bilhões contra 370 bilhões de dólares) que as do Brasil? Se o déficit inglês no ano passado, foi de 5,5%, o maior desde que os registros começaram em 1948, e a renda per capita ainda está 1.2% abaixo da que era no início de 2008, antes da eclosão da Crise da Subprime?

Quanto à corrupção, também seria o caso de se perguntar: de que estava falando - ou rindo, como uma hiena - o Financial Times? Se a Inglaterra é tão corrupta, que deputados falsificam notas para receber ressarcimento e aplicam a verba de gabinete até para a assinatura de canais pornográficos?

Se a Inglaterra é tão corrupta, que o político conservador e ex-presidente do Comitê de Inteligência do Parlamento Malcolm Rifkind, que trabalhou por mais de uma década nos gabinetes da famigerada Margaret Tthatcher e do ex-primeiro-ministro John Major, e o político trabalhista Jack Straw, ex-secretário de Justiça, Ministro do Interior, Ministro de Relações Exteriores e ex-líder da Câmara dos Comuns, caíram em uma arapuca criada por um jornal e um canal de televisão, no início deste ano, e foram filmados sendo contratados para vender serviços de "consultoria" para pressionar embaixadores britânicos e líderes de pequenos países europeus para favorecer os negócios de uma empresa chinesa (fictícia), por quantias que variavam de 5.000 a 8.000 libras por dia?

Se em 2010, o mesmo tipo de reportagem, feita também pelo Channel 4, revelou que deputados e Lordes britânicos, como os ex-ministros trabalhistas Stephen Byers, a ex-secretária (ministra) de Transportes, Governo Local e das Regiões, Patricia Hewitt o ex-secretário (ministro) de Saúde, Geoff Hoon, e o ex-secretário (ministro) dos Transportes e ex-secretário (ministro) da Defesa Richard Caborn estavam dispostos a fazer lobby em favor de empresas privadas em troca de grandes somas de dinheiro, em um esquema que foi totalmente e convenientemente blindado pelo governo do Primeiro-Ministro Gordon Brown?

Se, dois anos mais tarde, em maio de 2012, foram revelados que teriam sido oferecidos pelo tesoureiro do Partido Conservador, Peter Cruddas, jantares "íntimos" com o Primeiro-Ministro David Cameron - que está atualmente no poder - pela módica quantia de 250.000 libras, quase um milhão de reais, em "doação" para seu partido, e o gabinete do Primeiro-Ministro se recusou a revelar qualquer detalhe sobre esses jantares, nome dos "convidados", etc, alegando que eles eram "privados"?

Já imaginaram se fosse o Lula no lugar do Cameron? O que não iria dizer do Brasil o Financial Times em seus editoriais?

Finalmente, quanto à questão política, de que fala, como uma hiena - o Financial Times, com relação à popularidade da Presidente Dilma Roussef, se a DESAPROVAÇÃO do Primeiro-Ministro James Cameron, segundo a empresa de monitoramento de redes sociais Talkwalker, subiu de 25% para 65%, e o número de cidadãos que o aprova caiu de 9 para 7 % nos últimos meses?

Não seria o caso - se nos preocupássemos com eles da mesma maneira que eles insistem em se meter em nossos assuntos - de escrever um editorial sobre a "permanente podridão da Grã Bretanha" ?

É por isso, por sua mania de dar lições aos outros, que os ingleses acabam tomando as suas. Quando a empáfia é muita, ela incomoda os deuses, e o castigo vem a cavalo.

Na mesma quinta-feira passada, do seu arrogante editorial sobre a situação brasileira, em suave vingança poética, depois de 153 anos servindo de escudo e biombo para a hipocrisia de um império decadente, erguido por corsários, bandidos e traficantes de drogas - vide a Guerra do Ópio - o Grupo Financial Times - por incompetência e risco de quebra - incluído o próprio jornal e todas as suas outras publicações - foi vendido para o grupo japonês Nikkei.Inc, por 1.3 bilhões de dólares.


A partir de agora, os jornalistas, editores e "analistas" do FT, famosos pela visão colonialista que tem do resto do mundo, vão ter que se acostumar - os que sobrarem, depois das demissões - a trabalhar, debaixo de chibata - em sentido figurado, mas não menos doloroso - para o Império do Sol Nascente, como os figurantes do clássico filme de guerra a Ponte do Rio Kwai, e a pronunciar "Hai, Bwana-San!", para seus novos donos nipônicos, expressão que deveria ser aprendida, por osmose - para que possam reconhecer quem são, a partir de agora, seus novos mestres - pelos "Yes, Bwana!" - nacionais.

Postado por Mauro Santayana às 03:14

Santayana deixou de mencionar o enredo, verídico, do filme Efeito Dominó.  Ali se desenrolam as peripécias  do assalto ao caixa-forte de uma agência do Lloyd Bank, em Londres, para o "resgate" das fotos da princesa Margareth em plena farra sexual com dois homens nos mares do Caribe.
O roubo dos cofres de aluguel do banco foi executado por marginais sob coação do serviço secreto inglês, que os monitorou por todo o tempo.
Tudo, até arrombamento de banco, para manter limpo o  nome da "imaculada" família real britânica.  Martinho

Desenvolvimento de um Embrião Fascista no Brasil

“Estamos vendo o desenvolvimento de um embrião fascista no Brasil”, diz Roberto Amaral
Roberto Amaral esteve em Porto Alegre na última sexta-feira para lançar e debater seu mais recente livro, “A serpente sem casca. Da crise à Frente Popular”.
Roberto Amaral esteve em Porto Alegre na última sexta-feira para lançar e debater seu mais recente livro, “A serpente sem casca. Da crise à Frente Popular”.

Marco Weissheimer

O Brasil está assistindo ao crescimento de uma onda conservadora e autoritária, de cunho fascista, que pode lançar o País em um grave retrocesso político, econômico e social nos próximos anos. Toda vez que o país se deixou dominar pelo pensamento de direita, acabou sendo tomado pelos valores do autoritarismo, que vem das raízes escravocratas das nossas chamadas elites, preguiçosas, incultas e profundamente perversas. A advertência é do cientista político, escritor e um dos fundadores do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Roberto Amaral, que esteve em Porto Alegre na última sexta-feira para lançar e debater seu mais recente livro, “A serpente sem casca. Da crise à Frente Popular” (Altadena Editorial) . O lançamento ocorreu no início da noite de sexta-feira, no auditório do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e região, reunindo lideranças políticas e sindicais, jornalistas, estudantes e professores universitários.

O fio condutor do livro de Roberto Amaral tem a forma de um alerta. A escolha do ovo da serpente como metáfora para falar da atualidade brasileira, enfatizou, é pela possibilidade de enxergamos a gestação de um embrião fascista no Brasil. “O fascismo não começa pela sua exasperação, ele começa lento, com ofensas verbais, e depois evolui para agressões físicas e coletivas. Esse conservadorismo é tão mais perigoso na medida em que ele está presente em todos os meios de comunicação e é destilado dia e noite junto à população”.

Para Amaral, a sociedade brasileira está sendo preparada diariamente para a interrupção do governo Dilma. “Já estamos vivendo uma série de golpes. Essa eleição vai se resolver em cinco ou seis turnos”. Neste contexto, ele defende a necessidade de formar uma frente popular, de caráter amplo e democrático, capaz de erguer uma barragem ao avanço do pensamento de direita no País.

Ao final do encontro no Sindicato dos Bancários, Tarso Genro leu um manifesto em defesa da construção de uma frente democrática e popular e colocou-o aberto para receber assinaturas de apoio.

Autor da apresentação do livro, o ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, destacou a existência hoje no Brasil de um conjunto de movimentos frentistas que partem de uma mesma constatação: a forma pela qual se estabeleceram as coalizões políticas no País nos últimos anos está esgotada, o que exige pensar uma nova forma de organização, mais programática e que tenha uma estrutura frentista clara. Na mesma linha, Raul Carrion, da direção estadual do Partido Comunista do Brasil, assinalou que o momento é para avançar na direção da construção de uma frente popular e democrática ampla no Brasil, em torno de objetivos programáticos e não meramente eleitorais.

Céli Pinto: “Não podemos mais ficar dizendo que somos de esquerda porque estamos à esquerda da direita. Precisamos retomar algum conteúdo importante.”

A coisa mais importante dessa frente, disse a cientista política Céli Pinto, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), é que ela precisa dar conteúdo à palavra “esquerda”. “Não podemos mais ficar dizendo que somos de esquerda porque estamos à esquerda da direita. Precisamos retomar algum conteúdo importante. Nós perdemos a nossa condição de esquerda e precisamos reconstruir isso”.

Ao final do encontro no Sindicato dos Bancários, Céli Pinto leu um manifesto em defesa da construção de uma frente dessa natureza e colocou-o aberto para receber assinaturas de apoio.

Roberto Amaral conversou com o Sul21 sobre o seu novo livro e sobre o atual momento político do País. A seguir, um resumo dessa conversa e de alguns dos principais pontos apresentados pelo autor durante sua fala no SindBancários:

O ovo da serpente e o embrião fascista

“O ovo da serpente tem uma característica especial: ele não tem casca, mas sim uma película muito fina e transparente que permita que se veja o embrião se desenvolvendo. O que quero dizer com essa metáfora é que nós estamos vendo o desenvolvimento de um embrião fascista no Brasil. Está em nossas mãos a decisão. Podemos deixar esse embrião crescer, sair desse ovo e amanhã picar o nosso calcanhar, ou podemos esmagá-lo agora. O ovo da serpente permite que vejamos à frente. Estou tentando chamar a atenção, não só da esquerda, mas das forças progressistas e democráticas em geral, para a ameaça de um grave retrocesso político e ideológico no País. Esse retrocesso não se mede apenas pela crise dos partidos, em particular pela crise dos partidos de esquerda e, de modo mais particular ainda, pela crise do PT. Tampouco se mede apenas pela crise do governo Dilma. Ele se mede, fundamentalmente, pela ascensão de uma opinião, que já está se tornando orgânica, de retrocesso conservador.”

“Já há um baluarte institucional perigosíssimo desse processo, que é a Câmara dos Deputados. Eduardo Cunha não foi colocado ali pelo acaso, ele representa um núcleo pensante conservador brasileiro. Esse núcleo, na Câmara, está representado pela chamada bancada BBB, ou seja, os grupos do boi, do agronegócio atrasado, da bala e da Bíblia, que reúne os evangélicos primitivos e midiáticos. Isso tudo se juntou”.

Roberto Amaral: “Nós metemos na cabeça que essa gente não formava mais opinião. Nos descuidamos e ficamos assistindo à construção de um monopólio ideológico, destilando conservadorismo de manhã, de tarde e de noite.” 

Esquerda não levou a sério o tema da comunicação

“Mas é preciso dizer que a grande responsabilidade por isso é da esquerda e dos nossos governos de centro-esquerda. Há mais de 40 anos, eu e outras pessoas – aqui no Rio Grande do Sul havia uma pessoa que lutava muito por isso, o Daniel Herz – viemos alertando sobre o poder dos meios de comunicação de massa no Brasil, sobre o monopólio da informação e a cartelização das empresas. A esquerda nunca acreditou nisso.”

“A primeira eleição do Lula serviu para mascarar esse problema. Nós metemos na cabeça que essa gente não formava mais opinião. Nos descuidamos e ficamos assistindo à construção de um monopólio ideológico, destilando conservadorismo de manhã, de tarde e de noite. Aqui, não estou me referindo apenas à Rede Globo, ao Globo, Estadão e Folha de São Paulo. Pior do que isso talvez sejam as rádios evangélicas, as rádios AM e FM, despejando diariamente xenofobia, racismo, machismo, homofobia e tudo o que é atrasado. Paralelamente a isso, nós não construímos uma imprensa nossa. E nem estou falando de uma imprensa nossa para falar com a sociedade. Não construímos uma imprensa nossa sequer para falar conosco mesmo. Os militantes do movimento sindical e dos partidos se informam das teses de suas lideranças pela grande imprensa. Nem criamos uma imprensa de massa, nem criamos uma imprensa própria.”

“Nos anos 50 e 60, nós tínhamos O Semanário, que circulava no Brasil inteiro defendendo as teses do Petróleo é Nosso e da Petrobras, tínhamos Novos Rumos, do Partido Comunista, a imprensa sindical e circulava também a Última Hora. Havia, então, um esforço para garantir um mínimo de debate. Isso tudo desapareceu e nada foi colocado no seu lugar. Com a chegada de Lula ao governo, os principais quadros do PT foram transferidos da burocracia partidária para a burocracia estatal e o partido acabou se esfacelando. Os principais quadros do movimento sindical também foram transferidos para os gabinetes da Esplanada”.

“A grande dificuldade que temos hoje para promover a defesa do governo Dilma é que perdemos o diálogo com a massa. Eu conversava dias atrás com uma ex-presidente da UNE e ela me dizia: ‘Professor, como é que eu posso entrar em sala e chamar os estudantes para uma passeata quando o governo está reduzindo as verbas para as bolsas de estudo’. Há um paradoxo entre a nossa política e a nossa base social. A Dilma não foi eleita pela base com a qual está governando. Ela atende os interesses dessa base com a qual está governando e não tem o apoio dela. Por outro lado, ela contraria os interesses da base progressista, a qual nós temos dificuldade de mobilizar para defendê-la. Esse paradoxo precisa ser enfrentado.”

Ex-governador Olívio Dutra também participou do lançamento do livro de Roberto Amaral que o apontou como uma referência ética e política para o presente do país.

“Não devemos nos iludir com os compromissos democráticos da direita”

“Ninguém deve se iludir com os compromissos democráticos e legalistas da direita brasileira. É uma direita que sempre apelou para o golpe e para o desvio democrático. Está aí a história dos anos 50 e 60 repleta de exemplos disso. Ela não tem compromisso com a democracia. Seu único compromisso é com seus interesses de classe. E, lamentavelmente, parece que a burguesia no Brasil tem mais consciência de classe do que muitos setores proletários.”

“Há um segundo paradoxo, que é difícil explicar a não ser que você use aparelhos ideológicos. Nós já sofremos, de fato, dois golpes nos últimos meses. A direita perdeu as eleições, mas ganhou a política. Esta política econômica que está sendo aplicada é a política da direita. O segundo golpe foi a implantação de uma nova forma de parlamentarismo, que vive de subtrair poderes do Executivo. E há ainda um terceiro golpe em curso que consiste em refazer a Constituição sem ter poder originário para tanto, retirando da Carta de 88 conquistas que levamos décadas para aprovar e consolidar”.

Sobre a construção de uma frente ampla, popular e democrática

“Diante deste cenário, precisamos articular a formação de uma frente ampla, de uma frente popular que reúna os setores progressistas e democráticos do País. Eu não estou falando de uma frente de esquerda, pois com isso estaríamos nos encerrando em um casulo, voltando a ser ostra. Precisamos retomar um discurso para a classe média, que perdemos em função dos desvios éticos do PT. Nós não estamos pagando o preço de erros de governo, mas sim dos desvios éticos. Precisamos retomar um discurso que fale para os trabalhadores, para os setores médios, para as forças progressistas, que não são necessariamente de esquerda, falar com a empresa nacional que, neste momento, está sendo destruída neste País. Há uma tentativa de acabar com as principais empresas brasileiras, detentoras de know how, não por uma questão moral, mas para colocar no lugar delas empresas espanholas, chinesas e americanas.”

“Não estou pensando a constituição desta frente com objetivos imediatos e de caráter eleitoral, mas sim na perspectiva da reconstituição das forças progressistas. O ponto de partida para essas forças é construir uma barragem para conter o avanço do pensamento e da ação da direita. Para isso, precisamos voltar às ruas e voltar a debater com a população. Na minha opinião, o modelo no qual devemos nos inspirar não é o da Frente Ampla uruguaia. Esta tem algo que nós temos, partidos. É uma frente de partidos. Nós temos que construir uma frente de movimentos, da sociedade, preparada para receber os partidos e oferecer a eles um novo discurso, uma nova alternativa. Mas não trabalho com a ideia de um modelo pronto e acabado. O que vai decidir isso, como sempre, é o processo histórico”.

“A direita vem avançando e preparando ideologicamente a ideia do impeachment”.

A ameaça do impeachment

“Irrita-me o fato de nossas forças estarem acuadas por fantasmas. O nosso governo está acuado, enquanto ele tem o que dizer. Em face disso, como não há espaço vazio, a direita vem avançando e preparando ideologicamente a ideia do impeachment. Precisamos por isso a nu e exigir que a direita assuma publicamente se é golpista ou não. O senhor Fernando Henrique Cardoso tem que ser chamado às favas. O PSB e o PMDB têm que ser questionados a assumir se são golpistas ou não. Creio que a melhor forma de enfrentar a ameaça do impeachment, seja ela pequena ou grande, é dizer que ela existe. Dizer que ela não existe é perigoso. E o objetivo principal nem é mais a Dilma, é o Lula. Querem liquidar o Lula e o PT. Não se iludam. Se isso acontecer, não atingirá só o PT, mas toda a esquerda brasileira. Temos responsabilidades distintas pelo que está acontecendo, mas estamos todos no mesmo barco”.

Mais Um Prego No Caixão De Cunha

A entrevista de Beatriz Catta Preta é mais um prego no caixão de Cunha.

Por Kiko Nogueira

O depoimento da advogada Beatriz Catta Preta ao Jornal Nacional é mais um prego no caixão de Eduardo Cunha.

Ao Jornal Nacional, Beatriz revelou que sua decisão de abandonar a defesa de seus clientes na Lava Jato se deveu a ameaças “veladas”, “cifradas”. Diante delas, foi preciso zelar pela segurança “da família, dos filhos”.

Não especificou nada.

Mas a pressão, contou, partiu dos integrantes da CPI da Petrobras, que querem que ela explique, por exemplo, de onde vêm seus honorários — o que a OAB considera uma ameaça para o direito de defesa no país.

Aparentando segurança, afirmou que está deixando a carreira. A mudança para Miami era um boato. Estava de férias, na verdade. O repórter César Tralli passeou por um escritório vazio.

A “retaliação” começou depois do depoimento do empresário Júlio Camargo, tido como operador do PMDB. Camargo, como se sabe, acusou Cunha de receber propina de 5 milhões de dólares.

O autor do requerimento para Beatriz falar na CPI é o deputado Celso Pansera, que o doleiro Alberto Yousseff chamou de “pau mandado” do presidente da Câmara.

“Sim, venho sofrendo intimidação pelas minhas filhas, minha ex-esposa, pela CPI coordenada por alguns políticos e eu acho isso um absurdo”, disse Yousseff.

Pansera e outros colegas da comissão parlamentar de inquérito teriam solicitado uma investigação de Julio Camargo para desqualificá-lo. A Kroll teria sido contratada para o serviço. Tudo sob a orientação do chefe EC.

“Está em vigor a ‘moral da gangue’, que acredita triunfar pela vingança, intimidação e corrupção”, escreveram os advogados de Camargo que substituíram a Catta Preta.

Beatriz Catta Preta é a maior especialista do Brasil em delação premiada. Orientou nove dos 23 delatores da Lava Jato. Declarou que Camargo tem provas do suborno de Cunha.

Arriscaria tudo numa farsa desta monta? All in?

Ela não é a primeira e não será a última pessoa que se diz achacada por Eduardo Cunha, que aparelhou a CPI, transformando-a em seu instrumento de chantagem.

Cunha dirá que quem está por trás de tudo é o governo federal, mas seus métodos são cada vez mais expostos. A questão é quanto tempo ele — e o Brasil — suporta até jogar a toalha.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Finalmente Descoberta A Maracutaia Do PT

Como esse PT é perigoso!!!   KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK  Tarcílio

Finalmente descoberta a maracutaia do PT
O desfecho do PT, por Willian Novaes

Enviado por Fernando J. Por Willian Novaes, via Facebook

O juiz federal de primeira instância do Paraná descobriu enfim a prova final contra o Partido dos Trabalhadores. Com essa revelação, o magistrado em off, garante que é o partido mais corrupto da democracia brasileira. Ele desvendou um mistério que tem tudo para acelerar a queda da presidenta. A prova é irrefutável. Devastadora. Os policiais envolvidos na investigação garantem que não sobrará nada. A provação petista foi absurda. “Isso mostra que eles (os petistas) acham que todos somos idiotas”, revelou o coordenador da operação. A oposição já foi comunicada e garante que agora chegou a sua vez de colocar o país novamente nos trilhos e afastar de vez essa praga que comandou o Brasil nos últimos 13 anos.
O caso começou a partir de um grampo na irmã da sogra do filho do ex-presidente. A dona Nancy do Jardim Rubro, extremo da Zona Leste, de São Paulo. A senhora de 76 anos foi seguida por cinco meses. No último mês, a dona Nancy ganhou uma viagem de presente dos seis filhos e ainda contou com a ajuda dos netos, genros e noras, para conhecer Nova Iorque, nos EUA.
Os agentes da PF acompanharam toda a movimentação. Desde mensagens no Facebook até o grupo no WhatsApp. Ela embarcou com US$ 2 mil e gastou US$ 825,32 na Macy’s. Os policiais quase não perceberam a fraude milionária. A lavagem do dinheiro sujo da corrupção. Os técnicos indicam que o desvio pode chegar a bilhões. Apenas na terceira ida de dona Nancy na Megastore americana, que a dupla de investigadores percebeu a semelhança da logomarca do estabelecimento com a bandeira do PT. Depois desta conclusão entenderam todo o significado daquela viagem suspeita.
A dona Nancy seria uma das donas ocultas da Macy’s e estava indo acertar as dívidas da campanha de 2014 e aplicar o restante na bolsa americana e em offshores caribenhas. Os agentes federais acreditam piamente que o movimento diário da loja seja fraudado para esquentar a verba desviada da Petrobras e também do programa Bolsa-Família.
A própria PF informou em off para as fontes primárias que o ex-tesoureiro, nos últimos dias, estava ansioso na prisão do Paraná para saber o resultado da viagem da antiga aliada.
Essa informação está sendo trabalhada para ser a próxima capa da revista Veja. Os jornalistas estão boquiabertos com a capacidade cognitiva do juiz federal de primeira instância. Após essa capa ele será um dos candidatos à sucessão da presidenta que será arrastada do cargo com essa nova etapa da operação. Aguardar cenas do próximo capítulo.
Editoras cariocas já estão disputando o contrato para elaboração da biografia do magistrado galã. Bastidores falam em adiantamento de R$ 500 mil. Outros dizem algo em torno de R$ 2 milhões.

Romário Dar "Carreira" Em "Repórteres"

O detrito de maré baixa quebrou a cara mais uma vez.  Tarcílio

ROMÁRIO FAZ REPÓRTERES DA VEJA SAÍREM DO FACEBOOK

Senador divulgou ontem os links das páginas dos repórteres de Veja na rede social responsáveis pela reportagem que o acusou de ter uma conta na Suíça; "Alguém aí tem notícias dos repórteres da revista Veja Thiago Prado e Leslie Leitão, que assinaram a matéria afirmando que tenho R$ 7,5 milhões não declarados na Suíça? E do diretor de redação Eurípedes Alcântara? Dos redatores-chefes Lauro Jardim, Fábio Altman, Policarpo Junior e Thaís Oyama?"; não demorou para que os internautas disparassem críticas e perguntas a eles; Thiago e Leslie excluíram suas contas

POR FERNANDO BRITO, DO TIJOLAÇO

O senador e eternamente marrento Romário tocou de lado para que seus eleitores chutassem.

Ontem, publicou no Facebook a pergunta “inocente”:

Alguém aí tem notícias dos repórteres da revista Veja Thiago Prado e Leslie Leitão, que assinaram a matéria afirmando que tenho R$ 7,5 milhões não declarados na Suíça? E do diretor de redação Eurípedes Alcântara? Dos redatores-chefes Lauro Jardim, Fábio Altman, Policarpo Junior e Thaís Oyama?

Gostaria que eles explicassem como conseguiram este documento falso.

E tascou os links para as páginas de Facebook dos indigitados, sem sugerir nada, porque era desnecessário.

Foi uma avalanche de críticas e ironias nas páginas cujos endereços eletrônicos foram fornecidos pelo “baixinho”.

As de Thiago Prado e Leslie Leitão saíram do ar. A página de Lauro Jardim, que ainda funcionava hoje de manhã, tinha centenas de comentários que o ridicularizavam.

Certo que alguns exageradamente agressivos, mas a maioria indignados e irônicos:

E sobre o Romário Faria não vai falar nada ou vai desativar o Facebook também?
Amigo, explica como arranjaram o documento falso do Romário por gentileza? Abraço!
Quem foi o estelionatário que falsificou o documento da sua matéria contra o Romário ? Algum parceiro seu? Peixe!
 É sobre o documento do Romário Faria? Sendo falso pode citar a fonte, ou será que é falsa a noticia?

E um dos mais engraçados:

Tem um vizinho meu aqui que tá me incomodando muito, já tivemos até algumas rusgas. Gostaria de saber quanto a Veja cobra para publicar uma matéria dizendo que ele tá enriquecendo urânio na casa dele?
A revista mantém o mais sepulcral silêncio desde que Romário contestou a informação publicada.

Nada, nem uma palavra ou explicação.

Se a revista confia no trabalho dos seus repórteres e na autenticidade do que publica, é obvio que teria respondido.

Eles próprios deveriam exigi-lo. A redação inteira, aliás.

Se não descambar para a agressão, o método “cobrança direta” estimulado por Romário talvez seja uma boa lição.

Somos responsáveis pelo que escrevemos e, se erramos, temos de reconhecer que erramos e porque o fizemos.

Disse ontem aqui que não há “sigilo de fonte” quando se trata de uma falsificação para atingir a honra alheia.

E mais: se temos o direito e o dever de em nome da apuração jornalística publicar o que temos segurança de que é verdadeiro, também temos o dever de suportar as consequências disso.

Romário tem o direito de reagir e um argumento irrespondível para os que vierem com “punhos de renda” politicamente corretos contra sua iniciativa de publicar os endereços onde seus detratores tem de ler o que se leu acima.

Afinal, eles tem um império de comunicação para responder e, 24 horas depois de apontada a farsa, não o fizeram

A PF Vai Fechar O Submarino Nuclear!

Não acredito que consigam. Seria o cúmulo. O fim de tudo mesmo. Uma vergonha para o Brasil. O ápice do entreguismo. A conclusão, com sucesso, do golpe.  Tarcílio

Bingo ! PF vai fechar o submarino nuclear !

É melhor chamar almirante americano para comandar a Marinha brasileira !

Iperó. Brevemente aqui, a bandeira americana vai tremular !

Da Fel-lha, “reportagem” de Natuza Nery (essa moça vai longe – vai para a GloboNews !):

“Petrolão (sic!):

Polícia Federal investiga programa de submarino”

“Suspeitas surgiram quando a empreiteira Odebrecht, que faz obras de base naval e estaleiro, foi alvo de operação”

“Acordo para a compra de modelos franceses, em 2009, foi estrela do segundo mandato de Lula”.

Será, enfim, realizada a obra magnífica do Príncipe da Privataria.

Uma das primeiras visitas que fez o Presidente Lula, assim que tomou posse em 2003, foi a Iperó, onde a Marinha Brasileira desenvolvia o projeto de beneficiamento do urânio, com tecnologia do grande brasileiro Othon Silva, agora submetido a grampo de mictório.
Oficiais de Marinha expuseram ao Presidente eleito pelo POVO que o programa ia fechar.
Porque o traíra do Fernando Henrique não mandava dinheiro pra lá.
O Brasil não ia desenvolver o projeto do Almirante Othon e não ia poder concretizar um programa nuclear completo: da energia ao submarino.
Lula chamou o ministro da Marinha e disse: vamos botar dinheiro aqui.
É por isso, que, neste momento, cinco mil homens da Odebrecht, essa grande empresa BRASILEIRA !, estão em Itaguaí.
Ao lado de oficiais da Marinha brasileira, constroem dois submarinos a diesel elétrica e se preparam para fazer primeiro a propulsão nuclear, com COMBUSTÍVEL BRASILEIRO !
Para defender a Amazônia Azul e o pré-sal !
É isso o que a PF do zé vai desconstruir !
Por obra de seus delegados aecistas, dos valentões que atiram no rosto da Presidenta da República para treinar tiro ao ao alvo e chamam presidente de “aquela anta!”.

Wagner: PF não vai meter a mão na tecnologia nuclear !
“Tenho uma grande admiração pelo Almirante Othon, como um intelectual !”

Ministro da Defesa: ninguém vai desmontar um programa nuclear de 35 anos !

O Conversa Afiada falou por telefone com o Ministro da Defesa, Jaques Wagner, nessa manhã trevosa de quarta-feira 29/07), quando a Fel-lha e a PF anunciaram o propósito de afundar

Finalmente, a Operação Brother Sam realiza seu objetivo final.
Ocupar o Brasil.
Fazer dessa esculhambação um grande Porto Rico.
Um imenso Panamá.
Realizar, enfim, o sonho dos tucanos!

o programa nuclear brasileiro.

Disse o Ministro (a reprodução não é literal):

- O programa nuclear brasileiro, que levou 35 anos para SER construído, é intocável !

- Não vai ser aberto !

- Isso é um segredo guardado a sete chaves !

- Ninguém no mundo abre a tecnologia nuclear.

- E essa tecnologia própria, nacional, deve em boa parte ao valioso trabalho intelectual do Almirante Othon !

- Por quem tenho profunda admiração intelectual.

- O trabalho do Almirante Othon é uma referencia nossa e mundial !

- Agora, se a CGU, o Tribunal de Contas qualquer instituição devidamente credenciada quiser analisar os contratos comerciais, OK !

- Eles são transparentes.

- Mas, só os contratos comerciais !

- Na tecnologia nuclear, nunca ! Ninguém entra !

Paulo Henrique Amorim

A Farsa Se Ergue Contra Uma Lenda

Almirante Othon: a farsa se ergue contra uma lenda

Nilson Lage: quem mira no Almirante

A conspiração atinge a mais alta patente da carreira científica naval

O Conversa Afiada reproduz, do Tijolaço, texto do professor Nilson Lage:

Quem mira no Almirante, por Nílson Lage

A farsa se ergue contra um homem que é uma lenda.

Soube dele – e dos projetos tecnológicos da Marinha na década de 1970.

Eu editava política e nacional no Globo e recebi ordem da direção para não publicar uma entrevista sobre o assunto com um oficial da Armada. Disseram-me que era ordem da censura.

No entanto, quem recebia comunicados da censura – pelo telefone ou em tiras de papel fino – era eu. Desconfiei da história.

Quando o censor de verdade me telefonou – era frequentemente a fonte das notícias “que eu não podia publicar” – fiz-me de desentendido:

– Quem recebe sempre instruções de vocês sou eu. Por que diabos resolveram proibir por via da direção do jornal a publicação da matéria tal, sobre pesquisa nuclear da Marinha?

– Não mandamos. Há um erro.

Dois dias depois, a matéria saiu, ocupando quase a página toda, com uma estranha foto em três colunas do entrevistado – tratamento digno dos mais nobres “recomendados do nosso companheiro” (Roberto Marinho).

Voltei a ter contato com o assunto, anos depois, já no ocaso do regime militar, quando me encomendaram – eu trabalhava na Universidade Federal do Rio de Janeiro – um estudo sobre a implantação de uma rede nacional de televisão regionalizada mais inspirada no modelo da antiga Rádio Nacional, que operava comercialmente.

Meu interlocutor na Subsecretaria de Assuntos Estratégicos do Conselho de Segurança Nacional era um doutor em Física, oficial de Marinha.

Finalmente, no início da década de 2000, na última etapa de minha vida profissional, dirigindo um órgão público, tive a honra de conviver com cientistas da Marinha brasileira, responsáveis pelo desenvolvimento das pesquisas nucleares desde que Álvaro Alberto – que atingiu o almirantado por decisão do Congresso Nacional – trouxe ao Brasil, no segundo governo Getúlio Vargas, as primeiras instalações nucleares.

A conspiração atinge a mais alta patente da carreira científica naval, exatamente no núcleo pensante que mais compromissos tem com a Pátria e que se empenha, no momento, em construir as bases para a defesa da Amazônia Azul, onde mora a esperança de um futuro independente para o Brasil.

Obviamente, não é um juiz de primeira instância do Norte do Paraná, um procurador movido pela ira do deus enfezado dos evangélicos radicais ou meia dúzia de covers do FBI que têm tal motivação e poder.

OS SEGREDOS DO ALMIRANTE OTHON DEVEM SER GUARDADOS PELO STM

J. Carlos de Assis*

A prisão decretada pelo juiz Aldo Moro contra o vice-almirante Othon Luís Pinheiro da Silva, presidente licenciado da Eletronuclear – descrito por um jornal carioca como “ícone” da tecnologia nuclear brasileira -, pode ser um ato duplo de sabotagem do mais importante projeto de Defesa do Brasil, o submarino nuclear, assim como da tecnologia das centrífugas, a produção barata de urânio enriquecido que enche de inveja as próprias potências nucleares. Se ficar por isso mesmo, em mais uma normalidade anormal introduzida pela Lava Jato na vida política brasileira, é mais vantajoso e mais barato entregar o poder total aos procuradores.

O almirante Othon é um arquivo vivo de tecnologia. Metê-lo na cadeia como um prisioneiro comum, sujeito às torturas psicológicas do juiz Moro que se especializou em delações premiadas arrancadas pelo stress da cadeia, é um risco para a segurança nacional e para a Defesa. Não tenho nenhuma confiança em que algum desses promotores ansiosos por fama não caiam na sua própria armadilha de comprar informações pela humilhação, passando a vendê-las pelo dinheiro e pela fama de desnuclearizar o Brasil. Um presidente muito afoito já fez isso em Cachimbo, sem nenhuma contrapartida das potências nucleares!

Os órgãos do Estado responsáveis pela Segurança e Defesa tem a obrigação de agir imediatamente. Primeiro, exigindo que se coloque o inquérito em segredo de Justiça. De uma maneira mais eficaz, exigindo a transferência das investigações para órgãos militares sob controle das Forças Armadas e do STM. Na verdade, se a Marinha, que está fazendo o submarino nuclear e fez as centrífugas, guardou tão bem os segredos relativos a esses desenvolvimentos tecnológicos vitais para o Brasil, é claro que se confia mais em sua discrição do que na do juiz Moro e de seus promotores midiáticos que vivem vazando informações para a mídia internacionalizada.

Fora dos blogs e de raríssimos comentaristas da grande mídia, não tem havido informação honesta sobre a acusação contra o almirante. Fala-se que recebeu em sua conta 4,5 milhões de reais em mais de quatro anos. Pergunto: Qual alto executivo de grande empresa, com menos qualificações que ele, ganhou menos do que isso em período equivalente?  Acha-se na fila de emprego, com salário de iniciante, algum engenheiro com as qualificações dele? E por que chamar de propina, e não de remuneração normal? Em qualquer hipótese, o Brasil deve muito a esse engenheiro nuclear e almirante. Ele merece respeito, e não suspeita.

Mas temos uma questão imediata de Defesa e de Segurança Nacional pela frente. A Lei de Segurança Nacional da Ditadura acabou em boa hora; eu próprio fui vítima dela. Mas há uma lei anterior que está em plena vigência. É a Lei 1802, de 5 de janeiro de 1953, em plena democracia. Vale a pena ver alguns de seus termos, literalmente. Isso ajuda a concluir que, se houver uma providência simples do Governo, será possível proteger nossos segredos nucleares e aqueles que foram responsáveis por seu desenvolvimento a partir da avocação do processo correspondente para a Justiça Militar. Eis alguns de seus artigos pertinentes ao caso:

Art. 29. Conseguir, transmitir ou revelar, para o fim de espionagem política ou militar, documento, notícia ou informação que em defesa da segurança do Estado, ou no seu interesse político, interno ou internacional, deva permanecer secreto.

Pena:- reclusão de 6 a 15 anos.

Parágrafo único. Se se tratar de notícia, documento ou informação cuja divulgação tenha sido proibida pela autoridade competente, a pena será aumentada da metade.

Art. 30. A pena restritiva de liberdade, estabelecida no art. 202 do Decreto-lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940, será aplicada, sem prejuízo de sanções outras que couberem com aumento de um terço, se a sabotagem for praticada:

a) em atividades fundamentais à vida coletiva;

b) em indústria básica ou essencial à defesa nacional;

c) no curso de grave crise econômica.

A pena será aplicada com agravação da metade:

d) em tempo de guerra;

e) por ocasião de comoção intestina grave, com caráter de guerra civil;

f) com emprego de explosivo;

g) resultando morte, ou lesão corporal de natureza grave.

Parágrafo único. Constituem, também, sabotagem os atos, irregulares reiterados e comprovadamente destinados a prejudicar o curso normal do trabalho ou a diminuir a sua produção.

Paralelamente à questão do Almirante Othon, não seria a destruição da Engenharia Nacional pela Lava Jato também um caso de “prejudicar o curso normal do trabalho ou a diminuir a sua produção?”

*Economista, professor, doutor pela Coppe/UFRJ, autor de cerca de 20 livros sobre a economia política brasileira.


A estranha história do almirante Othon, que dedicou a vida à soberania do Brasil
by bloglimpinhoecheiroso

Fernando Brito, via Tijolaço em 29/7/2015

O vice-almirante Othon Pinheiro da Silva, mandado prender hoje [28/7] por Sérgio Moro, é o mais legítimo sucessor do também almirante Álvaro Alberto, que pôs em risco a própria carreira para desenvolver o conhecimento brasileiro sobre a energia nuclear e sua aplicação prática.

Othon – como fizera Alberto em 1953, quando conseguiu o apoio de Getulio Vargas para que o Brasil importasse secretamente centrífugas para enriquecimento de urânio, bloqueadas pelos EUA à última hora – também recorreu a expedientes bem pouco ortodoxos para superar os boicotes, as dificuldades e a incredulidade e fazer o Brasil dominar o ciclo de enriquecimento do urânio.

Obter para o nosso país o domínio do ciclo da energia nuclear é semelhante ao que fez Prometeu fazendo o fogo deixar de ser privilégio dos deuses do Olimpo.

Desta história, porém, saltam situações muito estranhas. Othon, hoje com 76 anos, já tocou projetos milionários e até bilionários: além do enriquecimento de combustível nuclear, o projeto brasileiro de submarino, construção de navios, obras de infraestrutura e muitos outros.

Tem um currículo técnico e operacional invejável, que inclui pós-graduações em engenharia mecânica e nuclear no famosíssimo Massachusetts Institute of Technology, nos EUA.

Enfrentou, ao longo da carreira, indizíveis pressões norte-americanas contra a absorção de tecnologia nuclear por países de sua zona de influência e resguardou segredos pelos quais, com facilidade, alguém que estivesse disposto a lesar seu país poderia ter vendido por uma pequena fortuna.

Agora, o MP diz que Othon teria recebido R$4,5 milhões como vantagens por um contrato aditivo de R$1,24 bilhão para a construção de Angra 3. Ou 0,36% do valor.

A Folha publica que sua empresa de consultoria teria recebido, em sete anos, R$6,1 milhões. Isso dá R$870 mil por ano. De faturamento bruto, é menos do que está sendo proposto para a fixação de limite para a classificação como microempresa, segundo o Sebrae.

Muito menos do que alguém com sua história profissional poderia ganhar com consultoria empresarial no mercado. Bem menos do que muitos oficiais militares e policiais, depois de aposentados, obtém com empresas de segurança privada.

Ninguém, militar ou civil, está imune a deslizes e se os praticaram devem ser punidos. Como todos devem ter a presunção de que são inocentes e o almirante Othon sequer foi chamado a explicar os valores faturados por sua empresa de consultoria.

Esta história, construída a partir de um delator de fundilhos sujos que quer livrar sua pele dizendo o que lhe for mandado dizer não pode ser suficiente para enjaular um homem, muito menos um que tem uma extensa folha de serviços ao país.

As coisas na Operação Lava-jato são assim, obscuras e unilaterais, com um juiz mandando prender como alguns militares mandavam prender na ditadura.

É indispensável que o país ouça, como o Dr. Moro não se interessou em ouvir, a versão do almirante Othon sobre os fatos – se é que existiram – que a Polícia Federal e o MP dizem ter ocorrido.

E é estranho que se tenha escolhido justamente uma área tão sensível como a da energia nuclear para que o Dr. Moro detonasse suas bombas de fragmentação, que ferem e destroem honra e empresas nas áreas mais estratégicas para este pobre Brasil.

Lula Processa a Veja. E a Dilma?

Veja é “repugnante”, diz Lula!

O Conversa Afiada reproduz nota emitida pelo Instituto Lula:
Lula aciona a Justiça contra mentiras de VEJA

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou nesta quarta-feira (29) com ação judicial por reparação de danos morais contra os responsáveis pela matéria de capa da revista VEJA desta semana.

São alvos da ação Robson Bonin, Adriano Ceolin e Daniel Pereira, que assinam as reportagens de capa da edição 2.436, que chegou às bancas em 25 de julho passado, além do diretor de redação Eurípedes Alcântara.

“O texto é repugnante, pela forma como foi escrito e pela absoluta ausência de elementos que possam lhe dar suporte”, destacam os advogados de Lula na ação. A peça reafirma também que, de acordo com jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, “a liberdade de comunicação e de imprensa pressupõe a necessidade de o jornalista e/ou o veículo pautar-se pela verdade”.

A reportagem repete práticas comuns a VEJA: mente, faz acusações infundadas e sem provas, apresenta ilações como se fossem fatos, atribui falas e atos, não tem fontes e busca atacar, de todas as formas, a honra e a imagem do ex-presidente Lula.

E a Dilma?

Se esqueceu de processar a Veja?
Lembra, amigo navegante, daquela capa sórdida da Veja na ante-véspera do segundo turno, que foi multiplicada pelo sórdido jornal nacional e só em São Paulo tirou oito pontos da Dilma?
A Dilma reagiu no horário eleitoral e prometeu processar a Veja. Cumpriu?
Ou chamou o diretor da redação (sic) da Veja para almoçar?

Paulo Henrique Amorim

terça-feira, 28 de julho de 2015

Lava Jato É Um Reality Show

Os defensores de Marcelo Odebrecht apresentam, em defesa deste, um forte e extenso libelo acusatório contra os procedimentos contraditórios dos responsáveis pela Lava Jato.  Um exemplo:  "... os processos da Lava Jato (tornaram-se) uma espécie de reality show judiciário..."

O reality show e a seletividade com que os "vazamentos" de informações são propositalmente  conduzidos, de forma a atingir negativamente a Petrobras, o governo, o ex-presidente Lula e certos petistas,  têm causado um imenso prejuízo financeiro e de estabilidade à citada empresa e ao País.
Do mesmo modo,  não é pequeno o desgaste da credibilidade pública da presidenta, de Lula e dos seus correligionários atingidos por essa Operação.
Só mais à frente é que se poderá avaliar o tamanho dos danos causados pelo tratamento político dado a uma operação que, em princípio, deveria provocar um grande impacto positivo no combate à corrupção.

Os executivos e empresários indiciados e presos, apesar de poderosos, estão sendo forçados a se comportar, dentro de uma bitola que aparentemente tenta levá-los a atingir os alvos já mencionados, como se fossem peões num tabuleiro de xadrez.
A Operação Lava Jato, que deveria ter por norma seguir intrinsecamente o seu nobre objetivo de combater a corrupção, punindo sem exceções e de modo justo a todos os culpados, está sendo seguidamente deturpada por "vazamentos" seletivos, contorcionismos visando atingir Lula, desestabilizar o governo etc.  E o STF dormindo no seu berço esplêndido...   Martinho

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2015/07/28/brito-odebrecht-denuncia-a-farsa-da-lava-jato/#.VbeFSuyuEoI.gmail

Brito: Odebrecht denuncia a farsa da Lava Jato !
O Moro pergunta o que já julgou! E a PF? Tá no Golpe!

O Conversa Afiada reproduz artigo de Fernando Brito, extraído do Tijolaço:

ODEBRECHT “PEITA” MORO: LAVA JATO É UM “REALITY SHOW”

É impressionante a peça oferecida pela defesa de Marcelo Odebrecht em resposta ao “pedido de explicações” dirigido ao acusado pelo Juiz Sérgio Moro.

Claro que a imprensa, como fazem a Folha, Estadão e O Globo “puxam” para o fato de que não se “apresentou explicações” sobre as anotações do executivo.

A pergunta obvia é sobre qual o dever de apresentar explicações sobre fatos que não se constituem, em princípio, em ilícitos e nem mesmo em indícios de que possam ser ou ter relação com outros dos que o pretendem acusar.

É nenhum, em qualquer sistema de Justiça que não tenha como regras as da fábula do lobo.

Mas a dureza da peça vai além.

A comparação da Lava Jato com um “reality show faz uma evidente comparação com a “Casa do Big Moro Brasil”, onde os participantes ficam enclausurados, pressionados e monitorados enquanto são preparados para a ida ao “paredão”, onde disputarão entre si aqueles que  serão eliminados ou os que cairão nas boas graças do público.

A defesa – exercida pelos advogados Dora Cavalcanti Cordani, Augusto de Arruda Botelho e Rafael Tucherman – aliás, só comenta uma das especulações servidas para a imprensa: as sobre uma menção a “LJ” e a “ações B”, como se fossem referências à Lava Jato e a iniciativas extra-legais, afirmando que se tratam, na verdade, das iniciais do colunista da Veja, Lauro Jardim e das ações da Braskem, gigante petroquímica controlada pela Odebrecht em sociedade com a própria Petrobras.

Mas, de fato, importa menos a defesa técnica e pontual, porque as acusações não são, em geral, também técnicas.

O texto da Odebrecht é político.

Ao questionar abertamente não apenas as acusações, mas os métodos empregados para formulá-la e a parcialidade do Dr. Sérgio Moro –  afirmando que “parece fazer ouvidos de mercador” a qualquer argumento da defesa, aos agentes da Polícia Federal e à Força Tarefa do Ministério Público no caso,  fica claro que a decisão de Marcelo Odebrecht e sua empresa é a de enfrentamento  e não a de se amoldar, via “delação”, à acusação que recebe.

O que era, aliás, a regra, antes que quatro meses de prisão “provisória” transformassem a operação num amontoado de delações de parte a parte, onde uma dúzia e meia de pessoas dizem o que a polícia e o MP querem que digam.

É claro que nem Marcelo nem sua defesa esperam que argumentos e questionamentos vão impressionar Moro.

São apenas preparatórios para outras instancias judiciais.

Se nelas vão ter algum sucesso, diante do chantageamento que sobre todas exerce a pressão midiática é outra história.

Leia a petição da defesa de Marcelo Odebrecht, publicada na íntegra pelo site Jota, especializado em cobertura de tribunais e veja se não é mais uma peça de ataque que defesa:

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA 13ª VARA DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO PARANÁ

Pedido de Busca e Apreensão Criminal no 5024251-72.2015.4.04.7000

MARCELO BAHIA ODEBRECHT, nos autos do Pedido de Busca e Apreensão em epígrafe, vem, por seus advogados, respeitosamente à presença de Vossa Excelência, em atenção ao r. despacho lançado no Evento 437, expor o quanto segue:

Desde a prisão do peticionário, há mais de um mês, teve início a caça a alguma centelha de prova que pudesse, enfim, legitimar uma segregação baseada no nada.

Depois do emprego deturpado da teoria do domínio do fato, da utilização de uma mensagem eletrônica de quatro anos atrás (que nem foi o paciente quem mandou e que Vossa Excelência mesmo reconheceu que precisa ser mais bem investigada), e da transformação da presunção de inocência e do exercício do direito de defesa em causas de encarceramento, era mesmo de se imaginar que houvesse uma busca por algo que disfarçasse a colossal ilegalidade da custódia de MARCELO.

Polícia e Ministério Público Federal engajaram-se na missão com afinco, e para tanto deixaram a razoabilidade de lado.

O Parquet adotou estratégia tão clara quanto intolerável: tudo que surgisse relacionado a qualquer executivo de empresas do grupo Odebrecht seria, automaticamente, imputado também ao requerente. Por tudo, leia-se tudo mesmo – desde documentos velhos de autenticidade duvidosíssima, engavetados para serem usados a conta-gotas, até uma artificiosa correlação entre telefonemas e depósitos bancários lógica e cronologicamente estapafúrdia, e sempre sem qualquer liame com MARCELO.

A Polícia Federal não ficou atrás. Chegou mesmo a violar o sigilo da comunicação entre o preso e seus advogados, transformando um bilhete com tópicos para a discussão de Habeas Corpus – entregues aos defensores por um agente penitenciário, depois de ter sido a ele passado pelo requerente! – em uma esdrúxula ordem voltada ao cometimento do que seria o mais impossível dos crimes: destruir fisicamente aquela mesma mensagem eletrônica, há muito estampada no relatório policial, no decreto prisional e em dezenas de páginas de internet Brasil afora.

Já em despacho do último dia 21, Vossa Excelência instou a defesa a se pronunciar sobre o novo capítulo da tentativa de coonestar a prisão do peticionário. Dessa feita, a autoridade policial apresentou, em anexo ao Relatório Parcial do Inquérito 5071379-25.2014.4.04.7000, um relatório de análise de notas contidas em telefone celular apreendido na residência do requerente.

Em seu afã de incriminar MARCELO a todo custo, a Polícia Federal nem se deu ao trabalho de tentar esclarecer as anotações com a única pessoa que poderia interpretá-las com propriedade – seu próprio autor. Ao reverso, tomou desejo por realidade e precipitou-se a cravar significados que gostaria que certos termos e siglas tivessem.

E, mais uma vez, transformou as peculiaridades do processo eletrônico em sua aliada na tática de atirar primeiro e perguntar depois. Sabedora de que a livre distribuição de chaves eletrônicas tornou os processos da Lava Jato uma espécie de reality show judiciário, a polícia lançou no mundo as anotações pessoais de MARCELO e as tortas interpretações que deu a elas, e aguardou que fossem quase instantaneamente noticiadas como verdades absolutas.

Houvesse tido a cautela que sua função exige, e a Polícia Federal teria evitado a barbaridade que, conscientemente ou não, acabou por cometer: levou a público segredos comerciais de alta sensibilidade em nada relacionados aos pretensos fatos sob apuração, expôs terceiros sem relação alguma com a investigação e devassou mensagens particulares trocadas entre familiares do peticionário, que logo caíram no gosto de blogs sensacionalistas.

Lamentavelmente, a obstinação investigativa e persecutória de autoridades que atuam na Lava Jato parece ter turvado sua compreensão de que o país não se resume a um caso criminal. Há indivíduos, famílias, empresas, finanças, obras e empregos em jogo – no caso das empresas do grupo Odebrecht, são mais de 160.000! –, que deveriam impor um mínimo de cuidado na análise e divulgação de documentos e informações por parte dos agentes públicos, ao menos até que bem esclarecidos seu conteúdo e eventual pertinência com as apurações.

Com a intimação lançada no Evento 437, a defesa até imaginou que esse MM. Juízo decidira impor alguma ordem às coisas. Não obstante já então houvesse sinalizado que estava tendente a encampar as desatinadas interpretações da autoridade policial, ao menos optara por ouvir previamente a defesa sobre as anotações que, conforme vossas palavras, estavam todas sujeitas a interpretação.

Todavia, a inobservância injustificada da contagem de prazo do processo eletrônico para a defesa se manifestar, bem como a iniciativa de Vossa Excelência – estranha ao sistema acusatório que vigora em nosso país – de dragar documentos de inquérito que estava com vista ao Ministério Público Federal para oferecimento de denúncia já faziam prever o que viria.

Um dia depois de conceder o prazo que se esgota na data de hoje, Vossa Excelência não esperou os esclarecimentos da defesa para decretar de novo a prisão do peticionário, com fundamento exatamente naquelas anotações sujeitas à interpretação!

Escancarado, desse modo, que a busca da verdade não era nem de longe a finalidade da intimação, a defesa não tem motivos para esclarecer palavras cujo pretenso sentido Vossa Excelência já arbitrou.

Inútil falar para quem parece só fazer ouvidos de mercador.

O peticionário deplora, isso sim, o rematado absurdo de se considerar anotações pessoais a si mesmo dirigidas, meras manifestações unilaterais de seu pensamento, como atos efetivamente executados ou ordens de fato passadas. Ainda que o conteúdo dos registros fosse aquele nascido das criativas mentes policiais, rematado absurdo, nada indica que eles de algum modo tiveram repercussão prática, ou seja, que foram de fato implementados ou determinados a terceiros.

De mais a mais, o relatório de análise condensa anotações inseridas no campo “tarefas” do programa Outlook ao longo do tempo, umas em sobreposição a outras, sem qualquer ordem cronológica, muitas delas inclusive com seu conteúdo cortado automaticamente pelo programa por limitações de espaço no campo em que digitadas.

Impressiona, igualmente, a dubiedade do discurso de Vossa Excelência. De um lado, quando intima a defesa, assevera que “tudo está sujeito à interpretação”. De outro, porém, antes mesmo de ouvir explicações, prende novamente quem já está preso dando por certo aquilo tudo que estava sujeito a interpretação!

Isto é: mesmo sem poder assegurar o sentido das anotações, e muito menos se elas surtiram efeito prático, Vossa Excelência não hesitou em empregá-las para o mais drástico propósito.

Ademais, esse ínclito Magistrado acabou por encampar o indecoroso uso que a Polícia Federal fez daquilo que a r. decisão tachou de “o trecho mais perturbador” das anotações.

Nos dizeres do relatório policial, quando o requerente escreveu “dissidentes PF”, ele estaria se referindo à Polícia Federal, e teria “a intenção de usar os ‘dissidentes’ para de alguma forma atrapalhar o andamento das investigações”. E mais: “se levarmos em consideração as matérias (grampos na cela, descoberta de escuta, vazamento de gás, dossiês) veiculadas nos vários meios de comunicação, nos últimos meses, que versam sobre uma possível crise dentro do Departamento de Polícia Federal, poder-se-ia, hipoteticamente, concluir que tal plano já estaria em andamento”.

A perfídia é inominável.

Às voltas com denúncias reportadas por seus próprios integrantes de que membros da Força-Tarefa teriam plantado uma escuta ilegal na cela de presos, e depois tentado acobertar fraudulentamente esse gravíssimo fato, o Delegado de Polícia Federal que assina o relatório do inquérito insinua que por trás disso estaria…o peticionário! E não só desse fato, como também de um “vazamento de gás” nas dependências daquele Departamento!

Ao que parece, quem tem um “plano em andamento” é uma parcela da própria Polícia Federal: expiar seus aparentes pecados à custa de MARCELO, para tanto subvertendo o sentido de palavras e adivinhando o significado de siglas na forma que lhe convém.

Aliás, será que Alberto Youssef, que desfruta de infinita credibilidade perante a Polícia, Ministério Público e esse MM. Juízo Federal, também faz parte do “plano em andamento” levianamente atribuído ao requerente?

Afinal, não custa lembrar que foi o eterno delator quem revelou a existência da escuta em sua cela, e afirmou categoricamente que sabia estar sendo monitorado desde o primeiro dia de prisão pela escuta que a Polícia Federal, até hoje, afirma que se encontrava desativada àquele tempo…

Ora, uma leitura minimamente neutra das anotações selecionadas pelo agente policial que figurou como analista destacaria também as inúmeras passagens que revelam a preocupação do peticionário em esclarecer sociedade e mercado, além de dar guarida a medidas de investigação independente e de apuração interna (Evento 124, Anexo 11, pp. 3, 4 e 8, por exemplo).

Preferiu-se, entretanto, tomar “LJ” por Lava Jato ao invés de Lauro Jardim, e “ações B” como providências do submundo, e não como alusões justamente à nota sobre a auditoria interna da Braskem publicada na mesma coluna:

Economia – Nova postura

Desde que as investigações, grampos, depoimentos de presos e delações premiadas foram envolvendo a Odebrecht na roubalheira da Petrobras, a empresa manteve uma postura imutável: negava tudo em comunicados escritos em tom peremptório, beirando o raivoso. Foram dezenas de textos escritos neste diapasão.

Agora, há algo de novo no ar. A Braskem, sociedade entre a Odebrecht e Petrobras, mandou à CVM um comunicado em que “à luz das alegações de supostos pagamentos indevidos para seu favorecimento em contratos celebrados com a Petrobras “, admite que “deu início a um procedimento de investigação interna”.

Certamente, não por vontade própria, mas por uma obrigação com o mercado de ações – não só brasileiro, pois a Braskem tem também ADRs negociadas na Bolsa de Nova York.

Informou também que contratou “escritórios de advocacia no Brasil e nos EUA com reconhecida experiência em casos similares para conduzir a investigação”. Não disse, porém, que escritórios são esses.

Por Lauro Jardim

Tags: Braskem, Lava-Jato, Odebrecht

Braskem: investigação interna

Enfim, uma vez oferecida a denúncia, e porventura recebida em parte ou na sua integralidade, cumpre respeitar-se daqui em diante o rito do Código de Processo Penal, reservando-se o interrogatório do acusado para o final da instrução.

Esse o contexto, além de lamentar que o empenho em se lhe aplicar pena sem processo tenha chegado a esse ponto, o peticionário requer o imediato desentranhamento dos autos do inquérito policial de informações, notas ou conversas privadas que não possuam relação com o caso, de modo a evitar a indevida exposição de terceiros alheios à apuração.

Requer ainda seja prontamente determinado à Polícia Federal que se abstenha de lançar, neste ou em quaisquer outros autos do sistema e-proc, documentos físicos ou eletrônicos sem prévia definição de pertinência com o objeto dos autos. Na eventual impossibilidade de assim se proceder, de rigor sejam gravados daqui em diante com grau mais elevado de sigilo os documentos carreados para os autos, na medida em que o nível atual de sigilo do processo eletrônico em tela não tem logrado impedir reiterados vazamentos na imprensa.

Termos em que,  Pede deferimento.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Sabe Aquela Revista Inglesa Que Vive Dando Aula Para o Brasil?

Está à venda.

Por Paulo Nogueira

Sabe aquela revista que vive dando lições para o Brasil? Façam isso, façam aquilo, sempre pontificando, sempre doutoral.

A inglesa Economist.

Ela está à venda. Não está conseguindo sobreviver à Era Digital. Tão boa para oferecer soluções para o Brasil e para o mundo, a Economist não encontra saída para si própria.

E não está também encontrando comprador.

A Economist é 50% da Pearson, que acaba de vender para um grupo japonês o também professoral diário Financial Times.

Algumas grandes editoras — Bloomberg, Thomson Reuters e Axel Springer — foram procuradas para ver se se interessavam pela Economist.

Nenhuma topou.

Calcula-se que a fatia da Pearson valha 400 milhões de libras, quase 2 bilhões de reais.

A Pearson, aparentemente, quer se encontrar apenas em seus negócios no campo da educação.

Mas quem quer comprar jornal e revista em pleno ano de 2015?

Talvez em países emergentes, por razões específicas. Chineses, no ano passado, arrebataram a Forbes, que foi símbolo de publicação de negócios nos Estados Unidos durante décadas.

No caso do FT, o comprador é também asiático — japonês.

Pode ser importante para países emergentes, em sua escalada internacional, ter a posse de companhias respeitadas de mídia.

E aí chegamos a uma situação anedótica.

Os donos das grandes empresas de jornalismo do Brasil não podem vendê-las para compradores de fora.

Isso por causa da reserva de mercado.

Foi uma forma de protegê-las da competição externa. Quando quase todos os setores da economia brasileira já tinham sido abertos ao mundo, a proteção – algo que vai contra o espírito puro do capitalismo — continuou a vigorar para a mídia, tamanha a força do lobby da mídia.

Era mais uma mamata, até virar uma desvantagem.

Presumivelmente, a China gostaria de comprar alguma empresa relevante de mídia brasileira, dada a importância do Brasil em sua geopolítica.

Digamos a Abril, ou o Estadão, as duas grandes empresas familiares em situação mais dramática.

Mas isso não vai acontecer.

Pela lei, apenas 30% das ações das empresas de mídia podem estar em mãos estrangeiras.

Privilégios, depois de algum tempo, podem virar o oposto: esta é a lição da reserva de mercado para a mídia.

Quanto à Economist, que salva a humanidade toda semana mas não a si própria, convém ler com cuidado cada vez que ela disser o que o governo brasileiro deve fazer ou não fazer.

Havana em Washington e os EUA nos Brics

Mauro Santayana

Os hitlernautas que infestam a internet brasileira desenvolveram a retorcida tese de que Cuba estaria se rendendo aos EUA.

Mauro Santayana, via Carta Maior em 23/7/2015

Membros das forças armadas da Ilha caribenha, hastearam, na segunda-feira, dia 20/7, orgulhosamente, pela primeira vez em quase 60 anos, a bandeira da República de Cuba, no mastro frontal de sua nova embaixada em Washington, a capital dos Estados Unidos.

Sem ter o que dizer diante da transcendência – histórica – do fato, os hitlernautas que infestam a internet brasileira, com sua deslustrosa ignorância e seu anticomunismo tosco – tão sutil e tresloucado quanto um paquiderme, ensandecido, solto em um salão de chá – desenvolveram, como fizeram há alguns anos a respeito de Pequim com relação ao capitalismo, a retorcida tese de que Cuba estaria se rendendo aos EUA.

Nem Cuba se rendeu aos EUA, nem a China ao capitalismo.

Tanto é que, hoje, os quatro maiores bancos do mundo, segundo a lista da Forbes deste ano, não são privados, mas sim, estatais, – e chineses – e o milenar “Império do Meio”, sem deixar de ser oficialmente um país socialista, se transformou na maior plataforma industrial do mundo e está prestes a arrebatar dos próprios EUA o posto de primeira economia do planeta.

Outra linha de ação da florescente frente antinacional cibernética, é a de dizer que, ao construir o novo Porto de Mariel e sua Zona Especial de Desenvolvimento, em Cuba, o Brasil deixou de investir aqui dentro e fez a cama para que os EUA nela se deitassem.

Em primeiro lugar, em benefício, principalmente, da verdade, é preciso dizer que se o BNDES financia obras no exterior – minoritariamente, lembremos, como é o caso do conjunto de contratos internacionais da Odebrecht – para apoiar a exportação de serviços e produtos nacionais – inclusive para os EUA – ele também o faz no Brasil.

E tanto o faz por aqui, que, por mais que se tente ocultar, já foram ou estão sendo construídos – entre obras de “pequeno” porte, como milhões de casas populares – superportos como o de Açu, gigantescas usinas hidrelétricas, como Santo Antônio, Jirau e Belo Monte – a terceira maior do mundo – bases de submarinos – grandes – depois de décadas sem fazê-lo – refinarias de petróleo, pontes incríveis, em sua engenharia e arquitetura, como a recentemente inaugurada Anita Garibaldi, em Laguna, Santa Catarina, ou a que se estende, majestosa, sobre o Rio Negro, em Manaus, no Amazonas, a Transposição do São Francisco, que em alguns trechos já está passando por testes, além de milhares de quilômetros de rodovias que estão sendo duplicadas, “novos” aeroportos, como o de Brasília, acessos e entroncamentos ferroviários – ampliados e duplicados – como o que a Vale inaugurou na Grande Belo Horizonte na última semana.

E em segundo lugar, porque quem vai comandar Mariel – por força de licitação internacional – não é uma empresa brasileira – e nem poderia, já que com certeza qualquer empresa nacional que o fizesse estaria sendo vilipendiada e acusada de todo tipo de crime agora – nem muito menos norte-americana, mas, em um exemplo a mais de que a internacionalização da economia cubana vem de muito antes da reaproximação com os Estados Unidos, do distante arquipélago de Singapura.

Na verdade – e não há, como vemos, nenhuma contradição econômica ou estratégica nisso, o Brasil está sendo muito mais relevante para Cuba para a revitalização de sua agricultura, com a introdução da soja – e os cultivares da Embrapa – e da mecanização (exportação de implementos) e da sua indústria açucareira e o do tabaco.

E, se formos dar ouvidos aos comentários que enchem as páginas da internet, parece que está fazendo isso por meio de empresas famosas por seu “marxismo-leninismo” como a Souza Cruz, uma companhia controlada – pelos padrões dos fascistas brasileiros de ocasião – pela “bolivarianíssima” e “comunistíssima” British American Tobacco Company, a maior multinacional tabaqueira do mundo, que fabrica um em cada oito cigarros fumados no planeta, dona de 50% da Brascuba, uma empresa binacional, teoricamente cubano-brasileira, que produz a maioria dos cigarros consumidos na Ilha e os famosos charutos Cohiba.

Cuba não precisa se aproximar dos EUA para “abrir” sua economia, embora possa, com certeza, expandir suas possibilidades, se vier a ter acesso ao maior mercado do mundo, localizado a escassas milhas de distância.

A Ilha já recebe – sem mudar o seu sistema de governo – mais de 3 milhões de turistas estrangeiros por ano. Há dezenas de cadeias hoteleiras de capital espanhol e italiano em Cuba, e a presença parcial – e o interesse – do capital estrangeiro, não necessariamente dos EUA – que deve estabelecer parcerias com o governo para se estabelecer na Ilha – é tão importante, que na 23ª Edição da Fihav, a Feira Internacional de Havana, do ano passado, compareceram 4.500 expositores de mais de 60 países – aproximadamente 90% deles ocidentais – para a exposição, pelo governo cubano a grandes investidores, de 271 diferentes projetos de infraestrutura, com investimento previsto de mais de US$8 bilhões.

Isso, poucas semanas depois que 188 países tivessem condenado, em votação na ONU, o bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba, exigindo pela enésima vez o fim do embargo.

Foi essa pressão diplomática, a crescente presença dos Brics – especialmente do Brasil, da Rússia e da China – em Cuba, e a evidência de que se não tomassem a mesma atitude da grande maioria das nações, estariam se tornando cada vez mais ridículos aos olhos do mundo, que fez com que os EUA reatassem as relações diplomáticas com a Ilha, e que a bandeira cubana tenha sido orgulhosamente hasteada, esta semana, em sua nova embaixada na capital norte-americana.

Da mesma forma que o Brasil não construiu e financiou Mariel para ajudar o regime cubano, e nem mesmo porque acredita – até mesmo porque vem conversando há anos com os EUA sobre isso – que o fim do bloqueio está cada vez mais próximo.

Mas, principalmente, porque esse porto, beneficiado por uma localização geográfica única, e a profundidade de suas águas, será o mais importante e moderno entreposto de containers a funcionar na boca do novo Canal do Panamá e do futuro Canal da Nicarágua, em instalação pela China, funcionando como o principal, quase obrigatório, centro de transbordo e distribuição de produtos embarcados na Europa, no Extremo Oriente e nas costas atlânticas da África e das Américas, ou que estejam sendo transportados para esses destinos.

Uma localização que será, essencial, também, para a instalação de negócios brasileiros na Zona de Desenvolvimento de Mariel. Empresas que estão interessadas em “maquiar”, por meio do aproveitamento de um excelente – devido ao câmbio – custo de mão de obra cubana (extremamente bem formada graças ao ensino universal gratuito (do berço à universidade), produtos de consumo fabricados no Brasil. Levando para a Ilha insumos e peças feitos majoritariamente em nosso país, por trabalhadores brasileiros, que, depois de terminados e embalados em Cuba, serão distribuídas, com maior eficiência logística e melhores preços, por meio do porto de Mariel, para o mundo todo, melhorando a competitividade de nossa indústria não apenas frente à China, mas também ao México, também com relação – depois do fim do bloqueio – ao vizinho mercado dos EUA.

O reatamento das relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos é mais uma evidência da emergência, possível, de um novo mundo, no qual a hegemonia europeia e norte-americana terá, obrigatoriamente, que dar lugar a um multilateralismo pragmático, com mais respeito pela soberania de grandes países como a Rússia, a China, a Índia, e o próprio Brasil, que se situam, na maioria dos quesitos geoestratégicos, entre as principais nações do mundo.

Neste novo mundo – mesmo mantendo suas rivalidades geopolíticas, econômicas e militares – deverá se perseguir, cada vez mais, o estabelecimento de um equilíbrio, também possível, no qual países com diferentes formas de governo e variadas abordagens ideológicas dos desafios que devem enfrentar, em benefício do desenvolvimento de seus respectivos povos, competirão em paz pela defesa de seus interesses, cooperando no lugar de apenas pressionar e respeitando – como o Brasil já faz há muito tempo, por força da Constituição – o princípio de não ingerência em assuntos internos de outras nações.

EUA no Brics
É isso que irrita os radicais antinacionais que pululam nas redes e portais da internet brasileira. Se, mais realistas que o rei, em sua patética subserviência aos Estados Unidos, e seu ridículo, anacrônico e baboso anticomunismo, eles estão indignados com o reatamento das relações diplomáticas entre Washington e Havana, chamando Barack Obama de comunista sujo e de “burro” em seus comentários, imaginem o que fariam se a Alemanha e os EUA viessem a aderir ao Brics, a aliança estratégica global dos países emergentes – com US$17 trilhões de PIB – que a direita mais rançosa e certos grupos de comunicação brasileiros não perdem a oportunidade de execrar sempre que possível.

Por mais absurda que pareça, essa hipótese – independentemente das atuais considerações estratégicas de Pequim, Moscou, Brasília, Pretória e Nova Delhi – já está sendo aventada por muita gente por aí.

O jornalista Greg Hunter, ex-ABC News, Good Morning America e CNN, do site USA Watchdog, diz que a Alemanha – levada, também, entre outros fatores, pela espionagem norte-americana da NSA – já estaria secretamente estudando a hipótese de entrar para o Brics, o que abriria caminho para uma aliança com a Rússia, país que representa, hoje, paradoxalmente, não apenas a maior ameaça militar contra Berlim – em resposta ao cerco da Otan contra Moscou patrocinado pelos EUA – mas também, a sua maior alternativa de expansão econômica rumo ao Leste, para além do espaço europeu. Esse é uma atitude que também levaria, segundo alguns comentaristas alemães, a uma maior independência do país mais importante da Europa com relação aos EUA, lembrando, o fato, cristalino, de que as únicas tropas estrangeiras que ainda estão ocupando o pais, desde 1945, já não são mais russas, mas made in USA.

EUA_Brics01Há algumas semanas circula, também, nos Estados Unidos, patrocinada pelo controvertido jornalista norte-americano Lyndon Laroche, uma petição internacional para que a União Europeia e os EUA – em benefício da paz – entrem para o Brics, com assinaturas que vão de conservadores britânicos a roteiristas premiados e cientistas e professores universitários, cujos principais nomes, a título de curiosidade, coloco logo depois do final deste texto.

Laroche lançou até mesmo um livro [foto] cujo título não é outro que: Porque os Estados Unidos devem entrar nos Brics – Uma nova ordem internacional para a humanidade.

Nada – ao menos por enquanto – mais improvável. Mas com relação à reação – no duplo sentido – dos hitlernautas brasileiros, seria algo – caso viesse a ocorrer – como mostra a sua atitude frente à reabertura da embaixada cubana em Washington – muito engraçado de se ver.

Editora Abril Está Agonizando

Pedido de recuperação judicial: Editora Abril está agonizando

by bloglimpinhoecheiroso
Luis Nassif, via Jornal GGN em 24/7/2015

Aumentam os rumores de que nos próximos dias a Editora Abril deverá entrar na Justiça com pedido de recuperação judicial. Ingressa, assim, na penúltima fase da agonia um grupo que dominou o mercado editorial brasileiro nas últimas décadas.

Ao lado das Organizações Globo, a Abril foi o primeiro grupo editorial brasileiro a adotar o modelo dos grupos de mídia norte-americanos. Começou no país representando os quadrinhos da Disney e da Marvel. Depois, seguiu o modelo Time-Life, tendo como carros-chefes revistas que seguiam padrão similar: Veja, seguindo o estilo Time; Placar emulando o Sports Illustrated, Exame copiando a Fortune e Quatro Rodas.

Defensora intransigente do modo de vida norte-americano, do primado da iniciativa privada, em várias fases de sua vida valeu-se da influência política para conquistar as benesses do poder.

Nos governos militares montou a Rede Quatro Rodas de Hotel contando com os benefícios fiscais criados por Delfim Netto. No governo Sarney, conseguiu concessões de tevê a cabo. No governo Collor, quase conseguiu o monopólio das Listas Telefônicas da Telerj, negociadas pelo então presidente Eduardo Cunha.

A Abril começou a se perder ainda nos anos 90, devido a sucessivos erros estratégicos. Liderada por Roberto Civita, montou um canal de tevê, a MTV, entrou na tevê a cabo, por meio da TVA, e saiu na frente com o segundo portal do país, o BOL.

O BOL acabou perdendo a iniciativa para a UOL devido a alguns erros estratégicos – a extrema lentidão em montar a rede de telefonia, na fase pré-banda larga e em pretender ser a única provedora de conteúdo. Mas, principalmente, pelo boicote conduzido pelos executivos da área de impressos, preocupados em não perder posição no grupo.

A BOL acabou fundida com a UOL e Roberto Civita passado para trás por Luiz Frias, da UOL. Houve a fusão e a gestão da empresa ficou com o grupo Folhas. Luiz acabou aliando-se aos portugueses da Portugal Telecom e montando um aumento de capital inesperado, avisando Civita só na véspera. Civita perdeu o controle compartilhado e, mais tarde, vendeu sua parte para a UOL, por uma fatia do valor que a empresa viria a ter no decorrer dos anos seguintes.

Junto com o velho Otávio Frias, ainda tentou juntar forças para adquirir metade da TV Bandeirantes. Acompanhei de perto essa história, pois fui incumbido por Frias de fazer a ponte com João Saad, com quem tinha boas relações.

O caso Naspers
De tentativa em tentativa, a Abril foi afundando. Ganhou algum fôlego quando aceitou a sociedade com o grupo sul-africano Naspers, em uma história mal contada. O grupo assumiu 30% do capital, máximo permitido pela legislação brasileira. Outros 20% foram adquiridos por duas holdings sediadas em Delaware, EUA, e representadas no Brasil pelo escritório Mattos-Filho. Mais tarde, quando a Abril vendeu a TVA para a Telefonica, as duas holdings desaparecem da sociedade.

Os anos 2000 marcam o início da decadência final do grupo. Globalmente, a internet vitimiza o segmento de revistas. Civita decide, então, importar o estilo Rupert Murdoch. Incorpora o linguajar agressivo da ultradireita, inaugurando o estilo com a campanha contra o desarmamento; passa a vender sua opinião de forma imprudente (como ocorreu com o banco Opportunity), alia-se à organização criminosa de Carlinhos Cachoeira, beneficiando-se da complacência do Ministério Público Federal; e tenta se valer do temor que infundia para se aventurar no mercado de livros didáticos e, mais à frente, de cursos didáticos.

A Abril da coleção Os Pensadores, da revista Realidade, da História da Música Popular e de outros feitos culturais, cede lugar ao mais pernicioso jornalismo de esgoto da história da imprensa brasileira.

Recorre ao discurso macarthista para tentar afastar concorrentes e impor suas publicações. Fecha contratos importantes tanto no MEC (Ministério da Educação) quanto com o governo de São Paulo.

Quando explode a bolha dos cursos universitários – no rastro do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) – sai imprudentemente à caça de cursos, com total falta de discernimento.

Liderado por um CEO megalomaníaco, a Abril se endivida, adquire cursos superavaliados que não lhe proporcionam retorno financeiro e acaba vendendo a Abril Educacional para um fundo de investimento. Não há indícios de que o dinheiro amealhado tenha sido utilizado para resgatar a Editora Abril do mar de dívidas em que se meteu.

Enquanto isto, o faturamento editorial despencava. Para preservar a publicidade de Veja, a editora recorre ao subterfúgio de turbinar a tiragem com promoções gratuitas, burlando as regras de auditoria do mercado publicitário.

Há quatro anos, o mercado trabalhava com uma hipótese de tiragem de 850 mil exemplares para a Veja, enquanto o IVC (Instituto Verificador de Circulação) apontava ainda mais inexistentes 1,2 milhão de exemplares. Esse fosso deve ter aumentado mais ainda, já que o IVC continua sustentando a tiragem de 1,2 milhão de exemplares. De lá para cá possivelmente a tiragem caiu mais ainda, tornando mais custosa a operação de turbiná-la com assinaturas gratuitas.

Gradativamente começa a se desfazer de seus principais títulos. A crise do mercado publicitário acelerou sua agonia.

Em 31 de dezembro de 2014, a Abril Comunicações apurou prejuízo de R$139 milhões no exercício. O patrimônio líquido negativo saltou de R$125 milhões em 2013 para R$265 milhões, mostrando o fracasso da estratégia implementada a partir de 2013 para salvar a empresa.

Toda a estratégia resumia-se ao enxugamento da empresa, com a venda de títulos, fechamento de revistas e dispensa de funcionários. Conseguiu reduzir um pouco o endividamento – de R$995 milhões para R$772 milhões com a venda da Abril Radiodifusão e da Elemidia. E renegociou prazos de debêntures com bancos. Conseguiu dois anos de carência, mas pagando CDI mais 2,6% ao ano.

Dos quatro grandes grupos de mídia tem-se o seguinte quadro:

1) Editora Abril, com escassa possibilidade de sobrevivência.

2) Estadão, tendo como único produto viável a Agência Estado.

3) Folha, sendo absorvida pela UOL, que se torna cada vez mais um grupo de datacenter, tendo de concorrer com os gigantes globais. E com o modelo de portal entrando em crise, com a audiência corroída pelas redes sociais, que se tornaram a porta de entrada principal dos usuários.

4) Globo, que permanecerá com seu enorme poder.

domingo, 26 de julho de 2015

Pacote de Maldades Anti-OAB

Eduardo Cunha prepara pacote de maldades anti-OAB para o 2º semestre

by bloglimpinhoecheiroso

Na lista de projetos contra a entidade estão seu controle externo, por parte do TCU, eleições diretas para diretoria e fim do exame obrigatório para bacharéis, entre outros. Líder do governo na Câmara e outros deputados prometem resistência

Fábio Góis, via Congresso em Foco em 20/7/2015

Desafeto declarado da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), tem à disposição um verdadeiro pacote de projetos que diminui a autonomia e mina as prerrogativas da entidade. E parece estar disposto a usá-lo. Em uma das iniciativas legislativas, o parlamentar fluminense aceitou, na sexta-feira, dia 17/7, em que rompeu com o governo, requerimento do deputado Jair Bolsonaro (PP/RJ) para fazer com que um projeto de lei (PL) que elimina a taxa de inscrição do exame da OAB tramite isoladamente na Casa – e, assim, seja aprovado mais rapidamente.

Na prática, Cunha determinou que o Projeto de Lei 8.220/2014 ande com as próprias pernas. Até a desvinculação, a proposta estava apensada a outro projeto de lei, o PL 5.054/2005, de autoria do ex-deputado Almir Moura (sem partido-RJ). Essa proposição torna obrigatória a prestação da prova para quem pretende exercer o ofício da advocacia, como já acontece hoje. O deputado Ricardo Barros (PP/PR), relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), já avisou que vai propor o fim da obrigatoriedade do exame, exatamente na contramão do texto. O parlamentar paranaense já incluiu essa demanda em medidas provisórias editadas neste ano.

Ou seja: ao invés de se preocupar apenas com o fim da prova de duas fases para o exercício da profissão, representantes da advocacia têm ainda de trabalhar para evitar que o Congresso torne o exame gratuito. A reportagem enviou questionamentos a Cunha sobre o assunto, mas o deputado não deu retorno ao contato até a publicação desta matéria.

“A OAB é uma instituição respeitadíssima. Temos com ela uma relação de altíssimo nível. Jamais ela pode ser penalizada por qualquer disputa aqui dentro. É uma entidade produto da luta democrática. Aliás, devemos muito à OAB o nível deste Parlamento”, disse ao Congresso em Foco o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT/CE), que é advogado por formação.

Dizendo não concordar com qualquer iniciativa que tire “poderes da OAB”, Guimarães criticou o fato de Eduardo Cunha, em plena crise político-institucional, tenha tomado decisões como as referentes à entidade da advocacia. “Acho que o que nós temos de discutir é o país. Discutir a retomada do crescimento, quais medidas a serem tomadas. A OAB é a OAB, uma entidade reconhecida nacionalmente. Deixa a OAB funcionar, que é bom para a democracia”, acrescentou o petista.

Outra proposição que Cunha tem às mãos contra a OAB é o Projeto de Lei 804/2007, que aguarda parecer na CCJ da Câmara. De autoria do vice-líder do PR, Lincoln Portela (MG), a matéria institui a eleição direta e o voto secreto para a diretoria do Conselho Federal da OAB, com a participação de todos os advogados registrados na entidade.

“Sem advogado não há democracia – este é um dos lemas da Ordem dos Advogados do Brasil. Entretanto, o que causa estranheza, principalmente ao cidadão comum, é o fato da [sic] OAB viver pregando eleições diretas para os cargos eletivos, em todos os níveis e instituições, e não fazê-las dentro da própria instituição”, diz trecho da justificação do projeto.

Parceria condicionada
Membro licenciado do Conselho Federal da OAB, o deputado Rodrigo Pacheco (PMDB/MG) deixou de lado a boa relação que diz ter Cunha para defender a classe. “No que toca a esse conflito de interesse havido com a OAB e com a própria classe dos advogados, eu vou ficar em defesa da OAB. Sou contra a extinção do exame de ordem e contra qualquer projeto que restrinja o trabalho da Ordem – seja o trabalho de defesa corporativa dos advogados, seja o trabalho desenvolvido em prol da sociedade brasileira”, disse Pacheco ao Congresso em Foco.

Dizendo alimentar “estima” por Cunha, por quem trabalhou na eleição para a Presidência da Câmara, em 1º de fevereiro, Pacheco diz não acreditar que haja relação entre as recentes decisões do correligionário e o fato de ele estar no foco das investigações da Operação Lava-Jato. “São coisas independentes, diferentes. Esse problema da Lava-Jato é algo que diz respeito a ele, pessoalmente, e ele fará a defesa no campo próprio. Ele não deixa de ser presidente da Casa por conta disso. E, como presidente da Casa, ele entende que, se há projetos de lei, eles têm de ser pautados”, acrescentou o parlamentar fluminense.

Pacheco disse ainda respeitar a posição do colega, mas promete resistência. “Vamos para o debate e para a votação na Câmara, cada um com seus próprios interesses. Não quero apontar uma causa para esse problema do presidente com a OAB. Eu prefiro acreditar que é uma convicção pessoal, política, ele querer extinguir o exame da Ordem. Há uma série de deputados que são contra a extinção”, arrematou.

“Cartel”
A rixa entre Cunha e OAB é antiga e promete novos desdobramentos. Como este site mostrou em outubro de 2012, Cunha recorreu ao expediente dos enxertos de texto em medidas provisórias para tentar emplacar emenda propondo o fim do exame. Então vice-líder do PMDB na Câmara, Cunha emendava toda e qualquer medida – sete das que foram protocoladas àquela época receberam o mesmo dispositivo (MP 576/2012; MP 577/2012; MP 578/2012; MP 579/2012; MP 580/2012; MP 581/2012; e MP 582/2012). Em abril deste ano, revelamos que o deputado ganhou reforço em sua ofensiva contra a entidade.

“Um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil é a ‘livre expressão da atividade intelectual’, do ‘livre exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão’. A exigência de aprovação em Exame da Ordem [...] é uma exigência absurda que cria uma avaliação das universidades de uma carreira, com poder de veto”, disse Cunha, na justificativa de sua emenda.

No último dia 06 de julho, Cunha classificou a OAB como “cartel” e como entidade “sem credibilidade”. Na ocasião, o peemedebista repercutia pesquisa de opinião encomendada pelo Conselho Federal da OAB apontando que a maioria do povo brasileiro é contra o financiamento empresarial de campanha. Cunha, favorável ao uso do dinheiro de empresas nos pleitos eleitorais, trabalhou para que o tema fosse aprovado na recente votação da reforma política.

Resistência
Três dias depois do bate-boca público, Cunha desarquivou o PL 5.062/2005, que submete a OAB ao controle do Tribunal de Contas da União (TCU). O procedimento foi executado de maneira célere e em meio ao calor das declarações de Cunha contra a entidade: em 7 de julho, dia seguinte à acusação de “cartel”, um deputado do Solidariedade, único partido a manifestar apoio ao rompimento de Cunha com o governo, apresentou o pedido de desarquivamento. Dois dias depois, em 9 de julho, o já estava formalizado o desarquivamento pedido por Wladimir Costa (SD/PA).

Segundo o projeto, movimentações financeiras “e demais procedimentos” da OAB passariam a ter controle externo. “As prestações de contas e demais procedimentos a serem adotados pela OAB, inclusive suas Seccionais, serão estabelecidos nas Resoluções e demais normas expedidas pelo TCU”, diz o artigo 3º da matéria. “[...] não parece razoável que a OAB pretenda fugir aos controles legais ou considerar-se de natureza diversa daquela de todas as entidades congêneres”, diz a justificação do texto.

“A OAB é uma entidade de natureza jurídica sui generis, não sei se é o caso de se submeter ao TCU. Preciso fazer um estudo a respeito da constitucionalidade, da pertinência de um projeto dessa natureza”, comentou Pacheco.

Veja Faz Armação Contra Lula

Revista Veja deste fim de semana fez mais uma armação contra o ex-presidente Lula, para inclui-la na coleção de dezenas de capas já produzidas contra o presidente que deixou o cargo com a maior popularidade da história do País; desta vez, Veja afirma que chegou "a vez dele", a respeito de uma suposta delação premiada de José Adelmário Pinheiro, executivo da OAS, que foi preso na Lava Jato; com a palavra, a defesa da OAS: “Sobre a reportagem da Veja deste final de semana, José Adelmário Pinheiro e seus defensores têm a dizer, respeitosamente, que ela não corresponde à verdade. Não há nenhuma conversa com o MPF sobre delação premiada, tampouco intenção nesse sentido”
247 – A REVISTA VEJA DESTE FIM DE SEMANA FEZ MAIS UMA ARMAÇÃO CONTRA O EX-PRESIDENTE LULA, PARA INCLUI-LA NA COLEÇÃO DE DEZENAS DE CAPAS JÁ PRODUZIDAS CONTRA O PRESIDENTE QUE DEIXOU O CARGO COM A MAIOR POPULARIDADE DA HISTÓRIA DO PAÍS.
Desta vez, Veja afirma que chegou "a vez dele", a respeito de uma suposta delação premiada de José Adelmário Pinheiro, executivo da OAS, que foi preso na Lava Jato.
No entanto, antes mesmo de chegar às bancas e à casa dos assinantes, a reportagem foi desmentida pela OAS. “Sobre a reportagem da Veja deste final de semana, José Adelmário Pinheiro e seus defensores têm a dizer, respeitosamente, que ela não corresponde à verdade. Não há nenhuma conversa com o MPF sobre delação premiada, tampouco intenção nesse sentido”, disse, em nota, a empresa.
Internamente, a reportagem falava em "segredos devastadores" contra o ex-presidente Lula: (1) a lista dos políticos que receberam propina, (2) os negócios milionários do filho de Lula, (3) despesas pessoais do ex-presidente foram pagas pelas empreiteiras e (4) Lula sabia do esquema de corrupção na Petrobras.
A reportagem de Robson Bonin também aponta Lula como o político "operado" pelo "operador" Léo Pinheiro, como José Adelmário Pinheiro é chamado. Sem a delação, negada na noite de sexta-feira pela OAS, no entanto, a reportagem não se sustenta.

Campanha da Mídia Para Destruir a Odebrecth.

http://www.ocafezinho.com/2015/07/25/a-campanha-da-midia-para-destruir-a-odebrecht/

Miguel do Rosário

Pode parecer irônico um blogueiro de esquerda defender a Odebrecht.

Mas eu defendo.

Quem olhar a conjuntura, entenderá perfeitamente que a defesa da nossa principal empresa de engenharia é uma questão estratégica.

É algo que vai muito além das disputas ideológicas.

Se perdermos a Odebrecht, perderemos boa parte do que investimos na África, por exemplo.

Se lembrarmos que a Odebrecht é a principal detentora nacional de tecnologias militares, através de sua participação em projetos como o submarino nuclear, satélites, projetos tecnológicos, balística, pode-se entender melhor quem são os patrocinadores interessados em sua destruição.

A Odebrecht não será defendida por EUA ou China, ambos com interesses em avançar sobre seus despojos, na África, nas Américas, na Ásia, em toda parte.

A grande mídia brasileira em peso, a começar pela Globo, iniciou uma grande campanha para destruir a Odebrecht.

Esses ataques internos já começaram a alimentar ataques lá fora, e agora ambos se retroalimentam.

A mídia brasileira quer destruir a Odebrecht para derrubar o governo. Se a Odebrecht for destruída, ela terá dificuldade para completar as obras em andamento e pagar os financiamentos contraídos junto ao BNDES.

Essa é a bomba que os golpistas querem explodir para aniquilar Lula.

Agem como terroristas da Al Qaeda: não se importam com a destruição promovida, até porque os seus patrocinadores pagam justamente na proporção do estrago. Quanto mais destruição, melhor o pagamento.

O jogo é pesado, brutal e a gente está cansado de saber que a mídia não joga ao lado do Brasil.

A destruição da Odebrecht faz parte da conspiração Lava Jato, na qual, além dos incontáveis arbítrios, violências, inovações processuais, existem elementos estranhíssimos.

Desde as revelações do Wikileaks e, em seguida, do Snowden, adquirimos o direito, quase a obrigação, de sermos paranoicos.

Quem está abastecendo a conspiração com a íntegra de emails, whatsapps, celulares, todo o tipo de informação sigilosa, necessária para promover a destruição da Odebrecht?

Tudo isso foi apreendido pela PF, ou foi repassado a ela por agências de espionagem?

Se o Estado sabe tudo, e se vaza seletivamente, então não estamos diante de uma busca pela justiça - e sim diante de uma operação de guerra que visa destruir a empresa, obviamente para beneficiar outros agentes.

Quem se beneficia da destruição da Petrobrás, do BNDES, da Odebrecht, do PT?

O interesse nacional tem de estar acima de tudo.

Não podemos permitir que a luta contra a corrupção seja manipulada para destruir nossas principais empresas, nem nossos principais partidos políticos.

Essas instituições fazem parte da nossa infraestrutura econômica, energética, financeira, política.

Atacar nossa infraestrutura é estratégia de guerra geopolítica. Quem se beneficia com isso são outros países.

E beneficia a mídia bandida.

A mídia brasileira, além de ser um braço do imperialismo em nosso país, é uma ave de rapina que se alimenta de destruição, morte e carniça.

A corrupção tem que ser combatida permanentemente, mas as instituições devem ser preservadas.

Os corruptos devem ser presos - após um processo, após uma sentença, após uma condenação, após terem o direito a todos os recursos.

É chato, mas é a democracia.

Aprendam com a Suécia, o país menos corrupto do mundo: a melhor maneira de combater a corrupção é aumentar a transparência e a vigilância.

Last, but not least, temos que tomar muito cuidado com pesquisas de popularidade.

Isso também é uma tentativa de burlar o sufrágio universal.

Isso também faz parte do golpe.

A mídia faz campanhas negativas pela manhã, e divulga pesquisa à noite.

Ora, se a mídia passasse duas semanas falando bem da Dilma, ajudando-a a governar, ajudando o governo a harmonizar os interesses conflitantes no Congresso e na sociedade, a popularidade de Dilma crescia uns dez ou vinte pontos.

Dilma e o governo cometem muitos erros. A incompetência oficial em matéria de política e comunicação já é algo lendário, mas a campanha negativa da mídia responde por boa parte de sua baixa popularidade.

Além disso, em seu afã para derrubar o governo e fazer o jogo imperialista, a mídia está criando uma sociedade fascista.

Temos que organizar a resistência.

Abaixo, os advogados da Odebrecht denunciam os arbítrios da Lava Jato.