terça-feira, 30 de junho de 2015

Dilma Enfim Enfrenta o Golpe Paraguaio

A Lava Jato deveria se chamar “Operaçao FHC voltará !”

Do Globo:

“Eu não respeito delator”, disse a presidente Dilma Rousseff na tarde desta segunda-feira, em sua primeira reação pública ao depoimento do dono da construtora UTC, Ricardo Pessoa. Em breve conversa com a imprensa após encerrar, em Nova York, um seminário sobre oportunidades de investimento em infraestrutura no Brasil (…):

– Não aceito e jamais aceitarei que insinuem sobre mim ou a minha campanha qualquer irregularidade. Primeiro porque não houve. Segundo porque, se insinuam, alguns têm interesses políticos – declarou.

Dilma citou o tucano Aécio Neves, argumentando que se ela recebeu R$ 7,5 milhões da UTC no segundo turno da campanha presidencial de 2014, o candidato do PSDB também foi agraciado “com uma diferença muito pequena de valores”.

- A minha campanha recebeu dinheiro legal, registrado, de R$ 7 milhões, R$ 7,5 milhões. Na mesma época que eu recebi os recursos, pelo menos uma das vezes, o candidato que concorreu comigo recebeu também, com uma diferença muito pequena de valores – dissse Dilma para depois acrescentar ao ser perguntada se estava falando de Aécio Neves: – Eu estou falando do Aécio Neves, só tinha um candidato que concorreu comigo, não tinham dois.

A presidente lembrou que aprendeu cedo a não gostar de Joaquim Silvério dos Reis, o traidor da Inconfidência Mineira:

– Tem uma coisa que me acompanhou ao longo da vida. Em Minas, na escola, quando você aprende sobre a Inconfidência Mineira, tem um personagem que a gente não gosta porque as professoras nos ensinam a não gostar dele. Ele se chama Joaquim Silvério dos Reis, o delator. Eu não respeito delator.

Joaquim Silvério dos Reis foi responsável por delatar à Coroa portuguesa a Inconfidência Mineira, movimento pela proclamação da República em Vila Rica, hoje Ouro Preto (MG).


(…)

E recorreu, mais uma vez, à sua experiência durante a ditadura (que a Globo apoiou com entusiasmo – PHA):

– Até porque eu estive presa na ditadura e sei o que é. Tentaram me transformar em uma delatora; a ditadura fazia isso com as pessoas presas. E eu garanto para vocês que eu resisti bravamente, até em alguns momentos fui mal interpretada, quando eu disse que, em tortura, a gente tem de resistir, porque senão você entrega seus presos. Então, não respeito nenhum. Agora, acho que a Justiça de pegar tudo o que ele disse e investigar. Tudo, sem exceção. A Justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal.

Quando a perguntaram se pretende tomar alguma providência, ela foi categórica:

– Se ele falar sobre mim, eu tomo.

Navalha

Desde o mensalão (o do PT, porque o do PSDB sumiu com a cocaína do helicóptero do Senador Perella), sabia-se que o Golpe paraguaio – na Justiça – seguiria uma sequencia.

Pegar o Dirceu, através do Dirceu pegar o Lula e, depois do Lula, derrubar a Dilma.

Estava escrito lá atrás, desde o furo da “reportagem” da Renata Lo Prêt, na Fel-lha , com o grande estadista da Casa Grande, o Bob Jefferson.

A presidenta Dilma não disse nada sobre o mensalão.

Ao contrário, seu Ministro da Justiça (sic), o omisso zé Cardozo, deu declarações para coonestar a condenação do Dirceu: quem faz paga !

Como se sabe, o Dirceu foi condenado sem uma única, misera prova.

Foi vítima da tropicalização da teoria do “domínio do Fato”, uma excrescência que, agora, se instalou na Lava Jato.

Enquanto a cúpula do PT era dizimada sem provas, a Presidenta… quieta.

(Aliás, aqui pra nós, até hoje se espera uma palavrinha do Presidente Lula sobre a condenação – sem provas – do Dirceu, do plutocrata José Genoino, que comprou o duplex do Donald Trump na Quinta Avenida, com o dinheiro do Ban-co-do-Bra-sil-se-nho-res !, e do João Paulo Cunha … Mas, um dia, o ex-presidente, com certeza, falará deles …)

O Golpe se armava nas teias da “Justiça”, e a Presidenta, quieta.

Aí veio a segunda etapa do Golpe Paraguaio.

Com a valiosa colaboração do Eduardo Cunha e do Renan – enquanto aguardam a tornozeleira eletrônica -, do TCU pefelista/arenista, do Ministerio Publico de procuradores fanfarroes, da Policia Federal dos aecistas confessos , dos que usam a Presidenta como alvo de exercício de tiro, e que escarnecem, diuturnamente do chefe (sic), o zé da Justiça.

Montou-se o cerco do Golpe.

O Governo parecia sitiado.

Quem fornece os arcabuzes é o PiG.

Porque, não fosse o PiG, o Moro não passava de um rabula de Provincia.

Mas, foi a Globo que o transformou num semi-Deus, extraído da costela do Joaquim Barbosa – o campeão mundial da dominação dos fatos.

O ansioso blogueiro chegou para um Ministro de Estado e disse:

- Ministro, o cerco vai se fechando. E a sua chefe ?

- Parece chapada, foi a resposta.

Quando a delação bateu no Palácio, aí a Presidenta veio pra cima.

Lamentavelmente, ela diz que tomará providencias quando os delatores falarem dela, do Governo dela.

Mas, a questão não é pessoal, não é contra ela.

A questão é institucional.

É um Golpe de Estado !

É a tentativa de reverter a vitoria de 2014.

Já que a Direita já sabe que não chega ao poder pelo voto.

Nem em 2018.

Então, é preciso ocupar o Poder.

Apossar-se da Petrobras, como querem o Padim Pade Cerra, Aloysio 300 mil Nunes, e o Renan.

E desfazer o presidencialismo, como querem o Cunha e, sempre, o Cerra.

E Parlamentarismo, na estrutura política do Brasil, significa exercer o poder sem voto.

Por isso o Cerra tem a obsessão do Parlamentarismo, porque, pelo voto …

Mas, de qualquer forma, Dilma reagiu.

E reagiu muito bem.

Reagiu de uma forma política, cultural, institucional.

Delator é, por definição, traidor.

Inconfiável.

Delator, como o traidor, diz qualquer coisa.

O delator está no circulo IX do Inferno de Dante, é o ser mais execrável, o que mais sofre o calor do eterno fogo!

Para livrar a cara, o delator entrega a mãe.

Ainda mais 1001 delatores, como na coleção da Vara de Guantánamo.

Quem fabrica delatores em série é ditadura.

Quem encarcera para arrancar delação é o Coronel Ustra.

A profusão de delatores é o que aproxima o Coronel Ustra do Juiz Moro.

E foi isso o que a guerrilheira Dilma disse ao senador Agripino, outro que, se bobear, ganha uma tornozeleira eletrônica.

Num memorável debate no Senado, ela disse que, na ditadura, mentiu sob tortura.

Porque aos ditadores se mente.

Quiseram fazer da Dilma uma delatora, e ela não quis.

Resistiu.

Não traiu.

Não entregou ninguém.

Esse é o debate que precisa ser travado.

A quem interessa a delação ?

Por que o delator delata ?

Quem atinge ?

É o debate político.

Porque a Lava Jato não tem nada a ver com Justiça.

É um acerto de contas eleitoral.

Vamos combinar.

É para derrubar a Dilma e apear o PT do poder.

O resto é o Luar de Paquetá, como diria o Nelson Rodrogues, que visitava os intestinos morais da Direita.

O Juiz Moro quer é quebrar a Petrobras e as empresas que servem a ela.

(Veja como o Fernando Brito analisou o Plano de Negócios da Petrobras – o Bendine deve morrer de rir do Moro.)

O Moro e seus procuradores fanfarrões não querem os acordos de leniência.

Por que ?

Porque querem fechar o Brasil, congelar a economia brasileira.

Trancar o PIB a cadeia !

E dar a chave ao Cardozo !

Agora, que o Silverio dos Reis e o Calabar tocaram a campainha do Palácio, a Presidenta reagiu.

Foi tarde, mas foi em tempo.

Tem que enfrentar o Moro na Politica, na discussão institucional.

Porque, como o mensalão (o do PT) essa Lava Jato tem a ver é com Política !

É com Poder.

Não tem nada a ver com Justiça

Porque se tivesse a ver com Justiça, o ministro Marco Aurélio, que tirou a escada do Moro, voltaria a ser endeusado pelo PiG, como foi no mensalão do PT.

E, no entanto, a entrevista dele não mereceu nem uma virgula do Ataulpho.

Porque a Justiça da Casa Grande a gente sabe como é.

É no açoite.

Nas costas do pobre.

Do negro.

Dessa gentalha – como diria o grande Senador Heil Bornhausen.

E, por isso, a Dilma e o Lula precisam ir para cadeia.

Não adianta invocar a Constituição ou a Declaração Universal dos Direitos do Homem, como fez a competente advogada da Odebrecht.

Não é disso o que trata a Lava Jato.

Muito menos combater a corrupção, porque ali só tucano morto é suspeito.

A Lava Jato é uma Operação Política.

A Lava Jato deveria se chamar “Operação o FHC voltará !”

Só.

Está mais para a eleição de Eduardo Cunha à Presidência da Câmara do que para a Presidência da Corte Internacional de Haia.

Agora, porém, a coisa vai ficar mais animada.

A água bateu nos tornozelos da Presidenta.

E quando isso acontece, pergunta ao Agripino…

Antes tarde do que nunca !

Paulo Henrique Amorim

Tucano É Bicho Inimputável

Não foi delação e sim o MPF que disse: Aécio e Anastasia desviaram R$14 bi da Saúde em MG

by bloglimpinhoecheiroso

Miguel do Rosário, via Tijolaço em 28/6/2015

Tucano é mesmo um bicho inimputável. Inimputável e cínico. O Ministério Público Federal acusa o ex-governador Aécio Neves de ter desviado R$14 bilhões, que deveriam ter ido para a saúde pública do estado, para outros fins.

Enquanto isso, o mesmo Aécio quer pedir o “impeachment” da presidenta Dilma por conta de “pedaladas fiscais” que nada mais são que operações que todos os governos faziam, com objetivo oposto do que Aécio fez em Minas: para não interromper programas sociais.

Ou seja, Aécio pode desviar dinheiro da saúde e continuar impune.

Dilma faz uma operação legal, para não interromper pagamento de assistência social a milhões de brasileiros, e a oposição usa o fato para tentar derrubá-la.

A fiadora desse processo esquizofrênico em que os valores são invertidos, claro, é a mídia. Ela é que mantém e alimenta um exército crescente de lobotomizados e fascistas, que ameaçam apresentadores de tevê, blogueiros e políticos que não comem no prato do golpismo midiático-judicial.

Leia a seguir notícia do Estadão online, que não deu destaque, claro!

Ação diz que Aécio e Anastasia não repassaram R$14 bilhões à Saúde em Minas
Procuradoria da República em Minas afirma que montante deixou de ser investido entre 2003 e 2012 nas gestões tucanas.
Leonardo Augusto, via Estadão online em 25/6/2015

O Ministério Público Federal entrou com ação civil pública na Justiça cobrando do governo do Estado o repasse de R$14,2 bilhões para a área de saúde. Segundo a Procuradoria da República em Minas, esse é o montante que deixou de ser investido entre 2003 e 2012 nos governos dos tucanos Aécio Neves e Antônio Anastasia – atualmente senadores – em descumprimento à Emenda Constitucional 29, que obriga aplicação mínima de 12% do orçamento na área.

Os procuradores afirmam na ação que no período de 10 anos ocorreram também manobras contábeis para aparentar o cumprimento da emenda “em total e absurda indiferença ao Estado de Direito”. Segundo os autores, “R$9,5 bilhões deixaram de ser aplicados no Sistema Único de Saúde (SUS) pelo governo mineiro, quantia que, em valores atualizados, corresponde a um desfalque de R$14,2 bilhões.

A ação diz que os governos tucanos, com o objetivo de inflar dados, incluíram gastos estranhos à saúde para simular o cumprimento da obrigação de investir o mínimo constitucional. Os procuradores afirmam que foram computados como gastos para cumprir a Emenda 29 “despesas com animais e vegetais”, pois o Estado incluiu na rubrica verbas direcionadas ao Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e à Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam).

“Serviços veterinários”
Conforme a ação, o governo mineiro “chegou ao absurdo de incluir” como se fossem aplicações em saúde serviços veterinários prestados a um canil da Polícia Militar, além de ter colocado na rubrica gastos com aquisição de medicamentos para uso veterinário.

Os governos também lançaram como gastos em saúde investimentos da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Conforme os procuradores, isso não poderia ocorrer, já que a própria empresa informou que os gastos eram feitos com recursos das tarifas pagas pelos consumidores. “Além disso, a Copasa sequer integra o orçamento fiscal do Estado, pois se trata de uma pessoa jurídica de direito privado”, diz a ação.

O Ministério Público Estadual chegou a ajuizar, em 16 de dezembro de 2010, ação civil pública por ato de improbidade administrativa contra o ex-governador Aécio e Maria da Conceição Barros de Rezende, então contadora-geral do Estado, por causa das inclusões de despesas da Copasa no cálculo do mínimo constitucional.

Em grau de recurso, porém, o Tribunal de Justiça de Minas determinou a intimação pessoal do então procurador-geral de Justiça, Alceu Torres Marques, para endossar a ação inicial – proposta por promotores, que, na avaliação dos desembargadores não poderiam investigar o governador. Segundo eles, a apuração, no caso, caberia exclusivamente ao procurador-geral, que tem prerrogativa para atuar no caso. Torres, no entanto, se negou a assinar o texto sob a alegação de que não vislumbrava lesão ao patrimônio público.

Os promotores recorreram alegando que Aécio não era mais governador – ele havia deixado o cargo para se candidatar nas eleições de 2010. Mesmo assim, o processo foi extinto. Em 2014, Torres assumiu a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do governo de Alberto Pinto Coelho (PP), vice de Anastasia que assumiu o governo quando o tucano deixou o cargo.

Tribunal de Contas
Procurados, Aécio e Anastasia não se posicionaram sobre a ação. Em nota, o PSDB de Minas afirmou que os cálculos feitos pelos governos tucanos sãos os mesmos adotados pelo governo federal. O texto diz ainda que os números foram aprovados pelo Tribunal de Contas do Estado. Para o partido, a ação “tem o mesmo fundamento de iniciativas anteriores, já amplamente divulgadas e nitidamente renova iguais questionamentos já esclarecidos pelo governo de Minas e pelo PSDB ao longo dos últimos dez anos”.

O governo de Fernando Pimentel (PT) não se posicionou sobre o assunto.

O Instituto Sacrossanto de fhc

by bloglimpinhoecheiroso
Altamiro Borges em seu blog em 27/6/2015
O ex-presidente FHC deve se achar mesmo um santo e com presença garantida no céu – ao lado ou no próprio lugar do senhor todo poderoso. Nesta semana, ao ser questionado sobre as doações feitas por empreiteiras denunciadas na midiática Operação Lava-Jato para o seu instituto (iFHC), ele garantiu que não há nada de anormal. “O instituto não tem relação com política e partidos”, afirmou na maior caradura. A mídia tucana, que fez escarcéu com os recursos destas empresas destinados ao Instituto Lula, encarou a resposta como definitiva e não incomodou mais o tucano. Tratou o iFHC como um local sacrossanto e o ex-presidente como um político intocável, acima de qualquer suspeita!
Numa pequena nota, a Folha apenas registrou: “O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou nesta terça (23) que os recursos recebidos por seu instituto, o iFHC, não têm ‘relação com política e partidos’. Ele admitiu que a entidade pode ter recebido dinheiro de empreiteiras investigadas na Lava-Jato, mas disse não ver problema nisso. Indagado sobre a diferença entre ele receber dinheiro para fazer palestras e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhar recursos destas empresas para fazer o mesmo, Fernando Henrique afirmou: ‘A minha palestra eu dou e vocês assistem’”. Pronto! Acabou! O assunto simplesmente sumiu da mídia tucana. Não ganhou manchetes nem comentários hidrófobos.
Tratamento bem diferente foi dispensado ao Instituto Lula. Na semana retrasada, a imprensa fez um baita escândalo com mais um vazamento seletivo da Polícia Federal, que apontou que a entidade recebeu R$3 milhões da construtora Camargo Corrêa. De imediato, a oposição direitista – pautada e agendada pela mídia – convocou o presidente do instituto, Paulo Okamotto, para explicar as doações na CPI da Petrobras. Na segunda-feira, dia 22/6, diante dos carniceiros tucanos e demos, ele afirmou que os recursos recebidos pela entidade são semelhantes às doações feitas às instituições de outros ex-presidentes. A explicação não teve repercussão na mídia, que seguiu com os seus ataques seletivos e partidarizados.
Para desespero da imprensa tucana, porém, não dá mais para apagar o passado nesta era da internet. Consultando a rede é possível descobrir que o iFHC sempre recebeu grana das empreiteiras e sempre em valores bem maiores. A revista Época até retirou do seu site oficial uma reportagem, de novembro de 2002, que revela as milionárias doações para o sacrossanto instituto do ex-presidente, mas ela não desapareceu do Google – para desespero da golpista famiglia Marinho. Vale conferir a matéria de Gerson Camarotti intitulada FHC passa o chapéu. Ou leia-o abaixo.
« Recordar é viver: Houve golpe eleitoral contra Dilma, confirma JanotCristofobia: Um sacrilégio hediondo? »
Instituto FHC: As doações, a revista Época e o amigão Jovelino
A Globo retirou do ar a reportagem da revista Época que mostrava como FHC, no final de seu mandato, ‘passou o chapéu’ e recolheu milhões em recursos para montar seu instituto.
O serviço de queima de arquivo, no entanto, não foi bem feito.
O Google guardou uma foto do texto. Quem procura a matéria no Google encontra essa cópia fotográfica.
O Google explica que o dono do conteúdo pode pedir para remover o texto caso queira, mas até aqui a Épocanão se mexeu. Abaixo segue a reportagem, copiada e colada:
FHC passa o chapéu
Presidente reúne empresários e levanta R$7 milhões para ONG que bancará palestras e viagens ao Exterior em sua aposentadoria.
Gerson Camarotti
Foi uma noite de gala. Na segunda-feira, o presidente Fernando Henrique Cardoso reuniu 12 dos maiores empresários do país para um jantar no Palácio da Alvorada, regado a vinho francês Château Pavie, de Saint Émilion (US$150 a garrafa, nos restaurantes de Brasília). Durante as quase três horas em que saborearam o cardápio preparado pela chef Roberta Sudbrack – ravióli de aspargos, seguido de foie gras, perdiz acompanhada de penne e alcachofra e rabanada de frutas vermelhas –, FHC aproveitou para passar o chapéu. Após uma rápida discussão sobre valores, os 12 comensais do presidente se comprometeram a fazer uma doação conjunta de R$7 milhões à ONG que Fernando Henrique Cardoso passará a presidir assim que deixar o Planalto em janeiro e levará seu nome: Instituto Fernando Henrique Cardoso (IFHC).
O dinheiro fará parte de um fundo que financiará palestras, cursos, viagens ao Exterior do futuro ex-presidente e servirá também para trazer ao Brasil convidados estrangeiros ilustres. O instituto seguirá o modelo da ONG criada pelo ex-presidente americano Bill Clinton. Os empresários foram selecionados pelo velho e leal amigo, Jovelino Mineiro, sócio dos filhos do presidente na fazenda de Buritis, em Minas Gerais, e boa parte deles termina a era FHC melhor do que começou. Entre outros, estavam lá Jorge Gerdau (Grupo Gerdau), David Feffer (Suzano), Emílio Odebrecht (Odebrecht), Luiz Nascimento (Camargo Corrêa), Pedro Piva (Klabin), Lázaro Brandão e Márcio Cypriano (Bradesco), Benjamin Steinbruch (CSN), Kati de Almeida Braga (Icatu), Ricardo do Espírito Santo (grupo Espírito Santo). Em troca da doação, cada um dos convidados terá o título de co-fundador do IFHC.
Antes do jantar, as doações foram tratadas de forma tão sigilosa que vários dos empresários presentes só ficaram conhecendo todos os integrantes do seleto grupo de co-fundadores do IFHC naquela noite. Juntos, eles já haviam colaborado antes com R$1,2 milhão para a aquisição do imóvel onde será instalada a sede da ONG, um andar inteiro do Edifício Esplanada, no Centro de São Paulo. Com área de 1.600 metros quadrados, o local abriga há cinco décadas a sede do Automóvel Clube de São Paulo.
O jantar, iniciado às 20 horas, foi dividido em dois momentos. Um mais descontraído, em que Fernando Henrique relatou aos convidados detalhes da transição com o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva. Na segunda parte, o assunto foi mais privado. Fernando Henrique fez questão de explicar como funcionará seu instituto. Segundo o presidente, o IFHC terá um conselho deliberativo e o fundo servirá para a administração das finanças. Além das atividades como palestras e eventos, o presidente explicou que o instituto vai abrigar todo o arquivo e a memória dos oito anos de sua passagem pela Presidência.
A iniciativa de propor a doação partiu do fazendeiro Jovelino Mineiro. Ele sugeriu a criação de um fundo de R$5 milhões. Só para a reforma do local, explicou Jovelino, será necessário pelo menos R$1,5 milhão. A concordância com o valor foi quase unânime. A exceção foi Kati de Almeida Braga, conhecida como a mais tucana dos banqueiros quando era dona do Icatu. Ela queria aumentar o valor da ajuda a FHC. Amiga do marqueiteiro Nizan Guanaes, Kati participou da coleta de fundos para a campanha da reeleição de FHC em 1998 – ela própria contribuiu com R$518 mil. “Esse valor é baixo. O fundo poderia ser de R$10 milhões”, propôs Kati, para espanto de alguns dos presentes. Depois de uma discreta reação, os convidados bateram o martelo na criação de fundo de R$7 milhões, o que levará cada empresário a desembolsar R$500 mil. Para aliviar as despesas, Jovelino ainda sugeriu que cada um dos 12 presentes convidasse mais dois parceiros para a divisão dos custos, o que pode elevar para 36 empresários o número total de empreendedores no IFHC.
Diante de uma plateia tão requintada, FHC tratou de exercitar seus melhores dotes de encantador de serpentes. “O presidente estava numa noite inspirada. Extremamente sedutor”, observou um dos presentes. Outro empresário percebeu a euforia com que Fernando Henrique se referia ao presidente eleito, Lula da Silva. “Só citou Serra uma única vez. Mas falou tanto em Lula que deu a impressão de que votou no petista”, comentou o convidado. O presidente exagerou nos elogios a Lula da Silva. Revelou que deixaria a Granja do Torto à disposição do presidente eleito. “Ele merece”, justificou. “A transição no Brasil é um exemplo para o mundo.” Em seguida, contou um episódio ocorrido há quatro anos, quando recebeu Lula no Alvorada, depois de derrotá-lo na eleição de 1998. O presidente disse que na ocasião levou Lula para uma visita aos aposentos presidenciais, inclusive ao banheiro, e comentou com o petista: “Um dia você ainda vai morar aqui”.
Na conversa, Fernando Henrique ainda relatou que vai tentar influir na nomeação de alguns embaixadores, em especial na do ministro do Desenvolvimento, Sérgio Amaral, para a ONU. Antes de terminar o jantar, o presidente disse que passaria três meses no Exterior e só voltaria para o Brasil em abril. Também revelou que pretende ter uma base em Paris. “Nada mal!”, exclamou. Ao acabar a sobremesa, um dos convidados perguntou se ele seria candidato em 2006. FHC não respondeu. Mas deu boas risadas. Para todos os presentes, ficou a certeza de que o tucano deseja voltar a morar no Alvorada, projeto que FHC desmente em conversas mais formais.
Embora a convocação de empresários para doar dinheiro a uma ONG pessoal possa levantar dúvidas do ponto de vista ético, a iniciativa do presidente não caracteriza uma infração legal. “Fernando Henrique está tratando de seu futuro, e não de seu presente”, diz o procurador da República Rodrigo Janot. “O problema seria se o presidente tivesse chamado empresários ao Palácio da Alvorada para pedir doações em troca de favores e benefícios concedidos pelo atual governo.”
O IFHC não será o primeiro no país a se dedicar à memória de um ex-presidente. O senador José Sarney (PMDB/AP) criou a Fundação Memória Republicana para abrigar os arquivos dos cinco anos de seu governo. Conhecida hoje como Memorial José Sarney, a entidade está sediada no Convento das Mercês, um edifício do século 17, em São Luís, no Maranhão. Pelo estatuto, é uma fundação cultural, sem fins lucrativos. Mas também já foi alvo de muita polêmica. Em 1992, Sarney aprovou no Congresso uma emenda ao Orçamento que destinou o equivalente a US$153 mil para seu memorial. Do total, o ex-presidente conseguiu liberar cerca de US$55 mil.
Nota de FHC sobre Paris revela o polêmico Jovelino
Via Brasil 247 em 10/6/2015
“É mentira que detenho um apartamento em Paris. Nem lá nem em qualquer outro lugar fora do Brasil. Esta vilania surgiu em 2003, tendo sido repudiada pela dona Maria Sodré, sogra do Jovelino Mineiro, verdadeira dona do imóvel que maliciosamente dizem ser meu”, afirmou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, numa polêmica nota publicada ontem [9/6] em seu Facebook (leia mais aqui).
Por que, afinal, FHC teria esperado 12 anos para se pronunciar sobre uma notícia publicada originalmente pelo jornalista Janio de Freitas, na Folha de S.Paulo, que atribuía a ele a posse de um apartamento na Avenue Foch, uma das mais caras de Paris? E mais: por que FHC teria citado o nome do empresário Jovelino Mineiro, citado, em posts na internet, como bem mais do que amigo do ex-presidente?
Uma rápida pesquisa na internet revela que Jovelino, além de sócio, foi também um arrecadador informal de recursos para o ex-presidente, como aponta uma reportagem da revista Época, da Globo, publicada no fim de 2002, quando FHC ainda era presidente da República.
Assinada por Gerson Camarotti, o texto fala da noite em que FHC, ainda no exercício do mandato, decidiu “passar o chapéu” entre empresários para levantar recursos para seu futuro Instituto FHC. Quem estava lá, como homem de confiança de FHC para receber o dinheiro de empresas como Odebrecht, Camargo e Suzano? Ele mesmo, Jovelino Mineiro.
Época, no entanto, não se escandalizou com o evento promovido por FHC e Jovelino em pleno Palácio do Alvorada – o que revela o grau de blindagem que havia na é(É)poca. “Foi uma noite de gala. Na segunda-feira, o presidente Fernando Henrique Cardoso reuniu 12 dos maiores empresários do país para um jantar no Palácio da Alvorada, regado a vinho francês Château Pavie, de Saint Émilion (US$150,00 a garrafa, nos restaurantes de Brasília). Durante as quase três horas em que saborearam o cardápio preparado pela chef Roberta Sudbrack – ravióli de aspargos, seguido de foie gras, perdiz acompanhada de penne e alcachofra e rabanada de frutas vermelhas –, FHC aproveitou para passar o chapéu. Após uma rápida discussão sobre valores, os 12 comensais do presidente se comprometeram a fazer uma doação conjunta de R$7 milhões à ONG que Fernando Henrique Cardoso passará a presidir assim que deixar o Planalto em janeiro e levará seu nome: Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC)”, dizia o texto de Camarotti.
“O dinheiro fará parte de um fundo que financiará palestras, cursos, viagens ao Exterior do futuro ex-presidente e servirá também para trazer ao Brasil convidados estrangeiros ilustres. O instituto seguirá o modelo da ONG criada pelo ex-presidente americano Bill Clinton. Os empresários foram selecionados pelo velho e leal amigo, Jovelino Mineiro, sócio dos filhos do presidente na fazenda de Buritis, em Minas Gerais.”
A fazenda de US$20,00
Assim como a noite em que se rodou a sacolinha no Alvorada não escandalizou a Globo, o mesmo pode ser dito da fazenda em Buritis (MG), que pertenceu a FHC e Sérgio Motta e depois foi repassada a Jovelino Mineiro, que, em seguida, cedeu cotas do empreendimento a filhos do ex-presidente, como Paulo Henrique Cardoso.
Em setembro de 2000, o portal Consultor Jurídico publicou reportagem informando que a fazenda de FHC chegou a ser escriturada por inacreditáveis US$20,00. “A fazenda Córrego da Ponte, cenário do confronto entre o presidente da República e o governador de Minas, já custou US$20,00. Pelo menos é o que consta do Registro Geral de Imóveis de Unaí (MG), onde se informa que o imóvel pertence à Agropecuária Córrego da Ponte Ltda., cujos sócios são Jovelino Carvalho Mineiro Filho, Luciana e Beatriz Cardoso. A fazenda, que está sendo protegida pelo Exército, foi comprada por FHC e seu sócio, Sérgio Motta (ex-ministro das Comunicações), segundo o cartório, por US$2 mil, e, em seguida, foi vendida para uma empresa deles por US$20,00”, dizia o texto.
Mais um detalhe apontado pelo Conjur: “O proprietário anterior a FHC adquiriu as terras, em 1981, por US$140 mil.”
O caso havia chamado atenção da revista IstoÉ, mas FHC atribuiu a denúncia a intrigas da oposição. “Diante da curiosa transação, FHC alegou que a fazenda havia sido comprada, na realidade, por US$50 mil e que o negócio havia sido registrado em um ‘contrato particular’. Em 1994, os dois sócios afirmaram que o valor atualizado da fazenda era US$400 mil. Na época, a revista IstoÉ publicou reportagem informando que FHC havia driblado a Receita Federal e utilizado receitas não declaradas. Ele negou as acusações, alegando que eram acusações infundadas produzidas pela oposição”, dizia a reportagem do Conjur.
A pista de pouso da Camargo
Além da polêmica transação imobiliária, da fazenda vendida a FHC por US$20,00, o imóvel tinha outra particularidade. Desfrutava de uma pista de pouso particular, da fazenda ao lado, que pertencia à empreiteira Camargo Corrêa.
“O presidente Fernando Henrique Cardoso tem um vizinho no município mineiro de Buritis que todo fazendeiro gostaria de ter. Em vez de avançar a cerca sobre a propriedade alheia, como de hábito no meio rural, a construtora Camargo Corrêa mantém sempre aberta a porteira que separa sua fazenda da gleba presidencial. Quem também mora por ali está acostumado a ver um intenso movimento entre as duas propriedades: pessoas saindo da fazenda Córrego da Ponte, de FHC, entrando na Pontezinha, da Camargo Corrêa, e voltando à Córrego da Ponte. A atração na Pontezinha é uma ampla pista de pouso que costuma receber mais aviões tripulados pela corte do presidente do que jatinhos de uma das maiores empresas do País. ‘Nunca vi avião nenhum da Camargo Corrêa pousando ali. Mas da família de Fernando Henrique não para de descer gente’, conta o fazendeiro Celito Kock, vizinho de ambos e atento observador do trânsito aéreo na região. A pista particular tem 1.300 metros de comprimento e 20 metros de largura, asfaltados numa grande área descampada. Um estacionamento com capacidade para 20 pequenas aeronaves completa o aeródromo”, diz texto publicado pela revista IstoÉ, em 1995.
Depois de ter sido invadida por integrantes do MST, a fazenda foi vendida por FHC ao amigo Jovelino Mineiro, que, em seguida, cedeu cotas do imóvel aos próprios filhos de FHC. Ou seja: o dono do imóvel em Paris, que Janio de Freitas atribuiu ao ex-presidente, é também dono da fazenda dos filhos do ex-presidente.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Uma Breve Análise Psicológica do Fanático Que Gritou Insultos Para Mantega.

Por Paulo Nogueira

Vamos a uma breve análise psicológica do fanático que gritou insultos para Mantega num restaurante em São Paulo.

Primeiro, examinemos o conteúdo de suas palavras.

Ele disse que o PT está destruindo o Brasil. E citou a Petrobras, especificamente.

Falou com ódio.

De onde vem esse tipo de afirmação?

Não dos fatos, não das estatísticas frias. O Brasil, econômica e socialmente, avançou nos últimos anos.

Virou um dos objetos de cobiça das grandes empresas internacionais, e de potências globais como a China, como se viu recentemente.

E a Petrobras, a despeito dos recentes acontecimentos, é maior do que jamais foi antes. Seu valor em dólar multiplicou-se desde 2003, quando Lula assumiu, e o pré-sal é uma realidade que atrai corporações como a Shell.

Não encontra amparo nos dados, portanto, a explosão do homem que agrediu Mantega.

Pensemos nele próprio.

Se está comendo num restaurante como aquele em que cruzou Mantega, é porque sua situação pessoal é boa.

Em apuros financeiros, uma das primeiras coisas que você corta é a ida a restaurantes, sobretudo os mais caros.

Se não são as coisas reais que alimentam a distopia em que vive e sofre o agressor de Mantega, o que é?

É a mídia, naturalmente.

Aquele é um homem atormentado não pela situação em si, mas pelo que chega a ele pelas grandes empresas de jornalismo.

Uma coincidência notável se deu ontem.

Faustão disse a Marieta Severo que este é o “país da desesperança”. Ela cortou. Replicou que este é o país da “inclusão social”.

A mensagem de Faustão – a desesperança, o sofrimento – jamais sofreu antes a correção feita por Marieta Severo.

É um símbolo do que acontece no Brasil.

As corporações de mídia bombardeiam cidadãos como o do caso Mantega com um noticiário que distorce torrencialmente a realidade.

É o extremo oposto do que acontecia na ditadura militar, quando as notícias dessas mesmas empresas pintavam uma ilha de prosperidade num mundo convulso.

O alvo mais fácil dessa manipulação são pessoas como o homem que insultou Mantega.

Eles acreditam que jornais e revistas publicam verdades. Se saiu no jornal, é fato. É essa a lógica.

Disso tudo nasceu a cultura do ódio cego, obtuso que vai dar em cenas como a do restaurante.

As administrações petistas têm sido inoperantes em se contrapor a esse mar de lama jornalística.

O paradoxo maior é que as empresas de mídia vivem do dinheiro público, derivado de anúncios, financiamentos e outras mamatas.

Nunca o governo se debruçou, com coragem, sobre a forma como financia uma mídia que é fundamentalmente antipovo.

Como em tantas outras coisas, o PT no poder não reformou isso – a brutal quantidade de dinheiro público que vai dar nas empresas jornalísticas.

Sobrou esperança e faltou coragem.

A esperança era que, como aconteceu sempre, o dinheiro comprasse, se não simpatia, ao menos alguma objetividade.

A coragem não se apresentou diante do medo da retaliação dos barões da mídia.

Foi neste quadro que surgiram absurdos como a “mídia técnica”, um eufemismo para o Planalto continuar a privilegiar nas suas decisões publicitárias companhias que sabotam incessantemente tudo que fuja do interesse da plutocracia.

A melhor defesa das administrações petistas acabou vindo de algo que nada tem a ver com o partido: a internet. Ali, você tem contrapontos à intoxicação pseudonoticiosa das empresas jornalísticas.

Nem Getúlio e nem Jango tiveram isso, e caíram.

O fanático que assediou Mantega é filho da mídia. É um analfabeto político, um midiota que pensa saber muito quando, na verdade, se contorce histérico num espetáculo de marionetes.

Manobram-no quando ele imagina andar com as próprias pernas.

O rápido avanço da internet vai acabar minando o poder boicotador da imprensa. A manipulação será, a cada dia, mais difícil.

Mas, até lá, seremos obrigados a engolir cenas como a do restaurante em que Mantega foi insultado.

Escândalo: O Lobby das Petroleiras Que Se Transformou Em Projeto de Lei

Plano do lobby das petroleiras estrangeiras revelado pelo Wikileaks mostra o entreguismo de José Serra: senador quer dar de bandeja o pré-sal.


Antônio Lassance (*)

Entreguismo juramentado

O senador José Serra (PSDB-SP) transformou interesses do lobby das petroleiras estrangeiras em projeto de lei. Com o apoio de vários congressistas, conseguiu aprovar requerimento de urgência para que o projeto seja votado o quanto antes.

A proposta (Projeto de Lei do Senado 131/2015) permite excluir a Petrobrás do pré-sal e deixar a exploração do petróleo brasileiro exclusivamente por conta de empresas estrangeiras.

Na justificativa de seu projeto, ruge e urge o Senador:

“Torna-se imprescindível então a revogação da participação obrigatória da estatal no modelo de exploração de partilha de produção, bem como da condicionante de participação mínima da estatal de, ao menos, 30% da exploração e produção de petróleo do pré-sal em cada licitação.”

O entreguismo sequer nos poupou do sarcasmo. Bafeja que a permissão para excluir a Petrobras é para "ajudá-la" nesse momento difícil. O empurrãozinho é para tirá-la do jogo. Os campos podem vir a ser explorados com 100% de participação estrangeira e zero de presença da empresa brasileira.

Para os setores nacionalistas, a participação, mesmo que minoritária (30% da Petrobrás, no mínimo, e até 70% de outras empresas), é considerada essencial para se ter um mínimo controle sobre o real volume de Petróleo extraído, além do domínio fundamental que a Petrobrás exerce sobre a tecnologia de extração.

O regime de partilha também garante o conteúdo nacional que alimenta uma ampla rede de empresas brasileiras relacionadas direta ou indiretamente à economia do petróleo e gás. A mudança nas regras do jogo pode tirar de cena essas empresas e os respectivos empregos mantidos em nosso território.

É disso que se trata: manter ou entregar. É resgatar e fortalecer a Petrobras ou dela subtrair uma importante fonte de recursos.

Serra e as petroleiras estrangeiras: “nós”

Um vazamento feito pelo grupo Wikileaks (o Cable 09RIODEJANEIRO369) revelou que o lobby das empresas petrolíferas estrangeiras atuou pesadamente para, desde 2009, derrubar a proposta encaminhada pelo presidente Lula ao Congresso e aprovada sob muita polêmica, mas com uma correlação de forças, na época, mais favorável aos interesses nacionais. A correlação de forças agora mudou, e o lobby estrangeiro voltou à carga com toda força.

No Cable (a mensagem descoberta e vazada pelo grupo Wikileaks), José Serra aparece como interlocutor privilegiado do lobby petrolífero. O Cable tem origem no Consulado dos Estados Unidos, no Rio de Janeiro. É classificado como confidencial seguindo o código 1.4(B) das regras de classificação de documentos do Departamento de Estado. O código é usado em informações relacionadas a governos de outros países e cujo vazamento possa significar "dano aos interesses nacionais" - dos Estados Unidos, bem entendido.

O Cable revela detalhes de conversas tidas com Serra quando este era, pela segunda vez, pretendente à Presidência da República. Serra já anunciava o mesmo simulacro de seu projeto atual no Senado: não se colocar publicamente contra o regime de partilha, mas apresentar emendas que, na prática, significassem sua reversão.

A julgar pelas mensagens reveladas, Serra fez mais do que apenas expressar sua posição. Agiu quase como um consultor das petroleiras estrangeiras, ao sugerir que uma boa saída seria boicotar os leilões do pré-sal. Se elas não fizessem ofertas, o modelo de partilha se revelaria um fracasso e forçaria o retorno ao antigo modelo de exploração.

Diz o texto em inglês, atribuindo a Serra a estratégia: "There will be no bid rounds, and then we will show everyone that the old model worked… And we will change it back". Um detalhe importante que não pode passar desapercebido, estampado na mensagem do Cable atribuída a Serra: ele se refere às petroleiras e ao PSDB como "nós". "Não haverá ofertas" (obviamente, ofertas das petroleiras estrangeiras nos leilões) "e então nós mostraremos a todos que o velho modelo funcionava… e nós vamos fazê-lo voltar."

Os ventos mudaram e o lobby quer ir à forra

Ao contrário da aposta do tucano e da maioria das empresas associadas ao lobby petrolífero estrangeiro, quando se fez o leilão do Campo de Libra (2013), localizado no litoral do Rio de Janeiro - até então, o maior da camada pré-sal , o resultado foi considerado um sucesso.

Coincidentemente, a maioria das gigantes do petróleo, as norte-americanas Exxon Mobil e Chevron e as britânicas British Petroleum (BP) e British Gas Group (BG), cumpriram o combinado: não participaram. Seguiram a aposta de fazer o leilão fracassar.

Mas o lobby falhou e o consórcio vencedor teve a participação de uma das gigantes do petróleo, a Shell. Todo o plano arquitetado em 2010 tinha ido por água abaixo e uma das gigantes roeu a corda do lobby. A Chevron, que encabeça o lobby das petroleiras no Brasil, é a principal concorrente mundial da Shell. A Shell, por sua vez, comprou a BG e tornou-se a principal parceira da Petrobras.

Os ventos começaram a mudar desde que o Governo Dilma passou a sofrer fissuras em sua base de apoio; depois que o Congresso elegeu uma bancada ainda maior de parlamentares interessados em fazer negócios por meio da política; e a partir do exato momento em que José Serra retornou ao Senado.

A segunda empresa que mais gasta dinheiro em lobby do petróleo, nos Estados Unidos, a ultrareacionária Koch Industries, inclusive financia direitistas que estiveram à frente de protestos de 15 de março e 12 de abril deste ano, contra o governo Dilma.

A partir de agora, eles têm a faca e o queijo na mão - e não é para fazer a partilha com nenhum dos brasileiros, a não ser os que façam parte do seu lobby. A orgia do parlamentarismo de negócios testa a consciência dos brasileiros e sua disposição para reagir, antes que seja tarde demais.

(*) Antonio Lassance é cientista político.

A Ânsia de Atingir Lula

Na ânsia de atingir Lula, Folha esqueceu de ler o hilário Habeas Corpus que ataca Moro

Jornal GGN - Nesta quinta-feira (25), a Folha de S. Paulo precisou se retratar perante os leitores porque cravou, erroneamente, que o ex-presidente Lula havia entrado na Justiça com um pedido de Habeas Corpus preventivo para se antecipar a uma possível prisão decretada pelo juiz Sergio Moro, da Lava Jato. Se a equipe do jornal tivesse despendido alguns minutos de atenção ao documento, não teria dado margem à interpretação de que Lula está com medo de ser pego no esquema de corrupção da Petrobras. Ao contrário disso, descobriria que o HC, hilário de tão mal escrito, ataca, na verdade, os excessos de Moro.
No ofício, o consultor Maurício Ramos Thomaz usou a expressão "Sergio Futuro do Pretérito Moro" para criticar os métodos usados pelo magistrado para determinar prisões preventivas. "(...) A autoridade coatora decreta prisões preventivas ao seu gosto usando termos especulativos e o futuro do pretérito", explicou.
Em desacordo com as ações de Moro, e na tentativa de constrangê-lo em função disso, Thomaz afirmou que "ele não é um juiz e nem um justiceiro, é apenas um sujeito moralmente deficiente como Joaquim Barbosa, a quem ele auxiliou certamente naquela pornografia jurídica chamada AP 470 que a escória vil e vadia chama de mensalão." Moro, na verdade, auxiliou a ministra Rosa Weber.
O consultor ainda teceu críticas aos advogados dos réus da Lava Jato, afirmando que eles cobram caro e não fazem nada além de teatro, da mesma maneira que ocorreu no julgamento do mensalão. Naquele caso, Thomaz revelou que chegou a pensar em uma peça para pedir o impeachment de todos os ministros do Supremo Tribunal Federal que votaram a favor das condenações, e só não levou a campanha adiante porque "alguns imbecis do PT" acharam a ideia um "absurdo".
Thomaz sustentou que é por temer as decisões da Justiça desde o julgamento do mensalão que achou prudente apresentar um HC preventivo em nome de Lula. "(...) O ex-presidente poderia ser preso também porque talvez tenha jantado com alguém do Odebrecht ou dito bom dia para algum réu", ironizou.
O consultor ainda escreveu que "A sorte ajuda os audazes e as vezes os insensatos. A sorte é o que impede a história de ser uma ciência exata. Assim o perigo que o hitleriano Sergio Moro representa é grande. É aqui não existe nenhuma ofensa. Como Hitler ele quer uma lei para chamar de sua e ele não tem menor respeito para com esta coisa abstrata chamada justiça. Ele como Hitler apenas acredita em sua vontade como a maioria dos maus juízes especialmente os do Paraná cuja função parece sempre a de desobedecer a lei."
A íntegra do HC está NO LINK:   http://jornalggn.com.br/sites/default/files/documentos/hc-lula-mauricio-thomaz.pdf

domingo, 28 de junho de 2015

Só Um Idiota Para Acreditar no ‘Escândalo’ da UTC.

Por Paulo Nogueira

Somos todos idiotas.

É, pelo menos, o que a grande mídia pensa.

O ridículo estardalhaço em torno das alardeadas revelações do dono da UTC ultrapassa todos os limites do descaro, da hipocrisia e da desonestidade.

Colunistas – os suspeitos de sempre –parecem fingir que acreditam nos disparates que escrevem.

Mais uma, o coro é pelo impeachment de Dilma. Dia sim, dia não, aparecem supostas novidades que levam os colunistas das empresas de mídia a gritar, histéricos, pelo fim de um governo eleito há pouco tempo com 54 milhões de votos.

O caso particular do UTC é icônico.

Todos os holofotes vão, condenatórios, para Dilma e para o PT, pelo dinheiro dado para a campanha petista.

Foram, segundo cálculos de um site ligado à Transparência Brasil, 7,5 milhões de reais.

Não é doação: é achacamento, propina, roubo.

Ninguém diz que a campanha de Aécio levou ainda mais da UTC: 8,7 milhões.

Neste caso, não é propina, não é achaque, não é roubo. É demonstração de afeto e reconhecimento pelos dentes brancos do candidato Aécio.

E eles querem que a sociedade acredite nesse tipo de embuste.

A mídia presta mais um enorme desserviço ao Brasil com essa manipulação grosseira e farisaica.

Você foge do real problema: o financiamento privado de campanhas, a forma como a plutocracia tomou de assalto a democracia.

É um problema mundial, e não apenas brasileiro. Dezenas de países já trataram de evitar que doações de grandes empresas desvirtuem a voz rouca das ruas e das urnas.

No Brasil, a mídia não trata desse assunto, em conluio com políticos atrasados e guiados pelo dinheiro, porque se beneficia da situação.

Nem o mais rematado crédulo compra a história de que as doações empresariais são desinteressadas.

A conta vem depois do resultado, na forma de obras ou leis que beneficiam os doadores.

Veja os projetos de Eduardo Cunha, para ficar num caso clássico, e depois observe as companhias que o têm patrocinado.

Em alguma publicação, li até uma lição de moral na forma como o PT teria abordado o dono da UTC para pedir dinheiro para a campanha de Dilma.

A abordagem não teria sido “elegante”.

Imagina-se que quando o PSDB solicita dinheiro seja coisa de lorde inglês, pelo que pude entender: ninguém fala em dinheiro, ninguém toca em dinheiro. É como uma reunião social, entre amigos, em que o dinheiro é a última coisa que importa.

Como disse Wellington, quem acredita nisso acredita em tudo.

Outro crime jornalístico que é cometido é dar como verdadeiras quaisquer coisas ditas nas delações, como se elas estivessem acima de suspeita.

Quer dizer, esse tratamento só vale contra o PT. Quando se trata dos amigos da mídia, aí sim entram as ressalvas. Há que investigar, provar etc – coisas que absolutamente não valem para o PT.

Que a imprensa, movida pelo interesse de seus donos, aja assim, até que você pode entender.

O que não dá para aceitar é que a justiça faça a mesma coisa, e com ela a Polícia Federal.

Porque aí você subverte, por completo, o conceito de justiça, e retrocede aos tempos de João VI no Brasil.

Sua mulher, a rainha Carlota Joaquina, mandou matar uma rival no amor.

Dom João pediu investigação rigorosa.

Quando chegaram a ele os resultados do trabalho, com Carlota Joaquina comprovadamente culpada da morte, ele refletiu, refletiu – e queimou os documentos que a incriminavam.

Aquela era a justiça, e esta nossa não é muito diferente quando se trata da plutocracia.

A Folha Lança o “Habeas Catena”

A Folha lança o “habeas catena”, a versão cadeeira do “habeas corpus” do Paraná

Autor: Fernando Brito

Tem toda a “pinta” de matéria “plantada” por alguém da equipe policial ou do “esquadrão da morte promotorial ” a “pré-notícia” que sai agora à tarde na Folha.

“O mérito dos pedidos de libertação dos executivos da Odebrecht e da Andrade Gutierrez será relatado por um magistrado menos alinhado com o juiz Sergio Moro do que o titular até agora.A partir da próxima segunda (29), o juiz federal Nivaldo Brunoni substituirá o desembargador João Pedro Gebran Neto na 8ª turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região.”

E, a partir do fato, pressão: “menos alinhado” quer dizer o quê? Desde quando um desembargador é “alinhado” com as decisões de um juiz de primeira instância?

O Dr, Gebran, que só se tornou da amplo conhecimento público ontem com o patético (patético, de pateta) habeas corpus em favor de Lula tinha “alinhamento prévio” com o Dr. Sérgio Moro, tanto que não atendeu a nenhum pedido de habeas corpus impetrado contra suas dezenas de prisões?

É o que a Folha diz? É, digamos assim, um “habeas catena (tenha a sua corrente) preventivo” contra o remédio heróico do habeas corpus que qualquer cidadão tem o direito de impetrar ?

Porque “conceitualmente, Brunoni faz a defesa de um sistema garantista como regra de legalidade e barreira contra a subjetividade nas decisões judiciais”, ele seria “menos alinhado” com Moro que o o Dr. Gebran?

Ou porque ele escreve, num livro de 2008, “defende um Estado Democrático de Direito, “comprometido em humanizar o sistema penal e em assegurar as liberdades individuais perante o poder punitivo estatal”?

Não posso acreditar que o Dr. Moro não o defenda, só porque encarcera preventivamente pessoas por seis meses, sem sentença ou culpa formada, pois, neste caso, a Folha, campeã da liberdade, um jornal tão “a serviço do Brasil” que emprestava seus carros para a polícia, não estivesse escrevendo furiosos editoriais contra suas atitudes, e não deixando que isso fosse feito pelo liberal-esquerdista Reinaldo Azevedo.

Muito além da ironia, a ideia de quem “plantou” a matéria é a de colocar pressão sobre o novo desembargador.

Em lugar de decidir com tranquilidade e por suas próprias convicções, “apertá-lo”, com um batalhão de repórteres à sua porta, pronto a apresentá-lo como “o juiz que soltou os empreiteiros” se for esta a decisão que sua consciência jurídica o aconselhe a tomar.

Vivemos a época da chantagem e da pressão.

Discorde dos métodos e do espalhafato e será um “defensor da corrupção”, da “impunidade”, um amigo de empreiteiros ou, até, quem sabe “um corrupto”.

A mídia brasileira parte do princípio que toda autoridade pública é um coelho assustado, ou pode se tornar com alguns rangeres de dentes.

Não se pode dizer, pela atitudes de muitos, que estejam tão errados assim.

Mas não com todos, não com todos.

A “Barriga” Intencional da Folha

by bloglimpinhoecheiroso

Luciano Martins Costa, via Observatório da Imprensa em 26/6/2015

Uma das grandes preocupações de teóricos do jornalismo após a criação da internet era o conflito potencial entre a ambição da notícia exclusiva e a nova realidade da mídia universal. Como conseguir um “furo” jornalístico se qualquer um que tiver acesso à rede mundial de computadores pode dar uma notícia em primeira mão?

Esse fantasma se materializou com o predomínio das redes sociais e o avanço dos telefones celulares.

O “furo” jornalístico é um troféu valioso demais para ser colocado em risco por um desmentido imediato na rede global de comunicação. Por outro lado, uma informação incorreta pode afetar a credibilidade de um veículo de comunicação, ainda com mais gravidade se ela se espalhar o suficiente para influenciar um grande número de pessoas antes de ser revelada como fraude.

Por isso, as redações dos melhores jornais do mundo investiram em três recursos para minimizar o risco das “barrigadas” – os “furos” falsos.

O primeiro recurso é contar sempre, entre os editores, com profissionais experientes, capazes de contextualizar qualquer notícia e questionar sua verossimilhança. Entre meados dos anos 1980 e o final dos 1990, por exemplo, O Estado de S.Paulo tinha uma equipe de editores executivos que praticavam nas reuniões da primeira página o que se chamou de “dessacralização da notícia” – ou seja, cada editor especialista era desafiado a fundamentar a pauta que oferecia como destaque, em linguagem que pudesse ser entendida por um leigo.

O segundo recurso, e igualmente eficaz, é contar com um planejamento da pauta e processos de seleção de prioridades que mantenham a equipe em alerta para pontos obscuros em informações primárias.

O terceiro, e mais importante, é a própria alma do jornalismo: a dúvida. Ela se resume na pergunta desconfiada: “E se…?”

Evidentemente, ninguém vai esperar, por exemplo, os atestados de óbito, para afirmar que os passageiros de um avião que explodiu estão todos mortos, mas ainda assim a praxe é esperar por uma informação oficial para fazer essa afirmação.

E se, contra todas as probabilidades, for encontrado um sobrevivente?

Sem querer, querendo
Nenhum desses cuidados primários foi tomado pela redação da Folha de S.Paulo, na quinta-feira, dia 25/6, ao noticiar, em sua edição digital, que o ex-presidente Lula da Silva havia ingressado com pedido de habeas corpus preventivo, na Justiça do Paraná, para não ser preso como acusado na Operação Lava-Jato.

A notícia original foi publicada às 11h25. Cinco minutos depois, uma nota colocada apressadamente dizia: “Erramos – Não foi Lula que pediu habeas corpus preventivo; ação foi de consultor sem ligação com o ex-presidente”.

A pequena nota corretiva foi substituída muito tempo depois, às 15h07, por outro “Erramos”, que informava: “Versão anterior da reportagem ‘Habeas corpus preventivo pede que Lula não seja preso na Lava-Jato’ informou incorretamente que o pedido de habeas corpus havia sido feito pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva” (ver aqui).

O título, o texto e a chamada na homepage do portal foram corrigidos, mas a versão original já corria pelas redes sociais, impulsionada por uma equipe a serviço do senador Ronaldo Caiado (DEM/GO).

Mesmo com os sucessivos atentados ao bom jornalismo que fazem a rotina da imprensa brasileira, difícil acreditar que a redação da Folha de S.Paulo tenha cometido um mero erro técnico, uma “barrigada”.

Foi mais do que incompetência: foi resultado de um empenho do jornal em criminalizar o ex-presidente da República, no rastro de um processo que começa a incomodar alguns dos mais renomados juristas do país, por uma sucessão de decisões tidas como arbitrárias.

O viés condenatório da Folha pode ser percebido na versão atualizada às 15h32 de quinta-feira, dia 25/6, na qual se lê que “segundo o Instituto Lula, qualquer cidadão pode impetrar o habeas corpus”. O correto e honesto seria dizer, simplesmente, que “o pedido de habeas corpus pode ser feito em nome de terceiros por qualquer cidadão”, como saiu na edição de papel na sexta-feira, dia 26/6 – porque essa é a norma legal, não a “opinião” do Instituto Lula.

As trapalhadas que se seguiram apenas aumentaram a repercussão da notícia – e para muitos cidadãos fica a impressão de que Lula da Silva está na iminência de ser colocado na cadeia – o que não é verdade, porque ele nem sequer é investigado.

Os outros jornais alimentam essa versão ao publicar textos ambíguos – por exemplo, O Estado de S.Paulo diz que Lula “nega que seja o autor do pedido” – frase que não se justifica depois que o impetrante do habeas corpus admitiu ter agido por conta própria.

O episódio dá razão aos impertinentes que chamam aquele jornal de “Falha de S.Paulo”.

Carone Fala do "Democrata" Aécio

Carone: “Aécio foi a Caracas visitar golpistas. Já eu nem a família nem a Comissão de Direitos Humanos puderam me visitar”

por Conceição Lemes
Na quinta-feira passada, 18 de junho, Aécio Neves (PDSB-MG) e outros seis senadores brasileiros protagonizaram uma irresponsabilidade sem limite. Com o objetivo de provocar politicamente o governo Nicolás Maduro e constranger o de Dilma Rousseff, eles foram à Venezuela visitar Leopoldo Lopez e Antonio Ledezma, que a mídia brasileira trata como “presos políticos”.
O partido de Lopez, o Vontade Popular, não tem um deputado na Assembleia Venezuelana. Ele pretendia extinguir todas as instituições democráticas do país. Foi o principal incitador das “guarimbas”, manifestações violentíssimas que ocorreram no país no início de 2014, e que resultaram nas mortes de 43 pessoas.
Um membro do governo venezuelano denunciou a Miguel do Rosário, de O Cafezinho, que esteve lá na semana passada:
“Em 23 de janeiro de 2014, Leopoldo Lopez, Maria Corina Machado [deputada cassada] e Antonio Ledezma [prefeito de Caracas, também preso] identificados como a ala radical da oposição, convocam a imprensa para anunciar o plano que eles chamaram ‘La Salida’. O objetivo do plano era a deposição do presidente Nicolás Maduro. Houve pequenas manifestações inicialmente. Mas em 12 de fevereiro, deste mesmo ano, eles convocaram uma manifestação até o Ministério Público. Era o “dia da juventude” e a convocação foi voltada principalmente para os estudantes universitários. A convocatória foi feita por Leopoldo, ele veio encabeçando a manifestação, e quando chegaram diante da Procuradoria, os líderes sumiram e começou a bagunça. Quebraram a sede do ministério público, tentaram incendiá-la.”.

“Vários agentes da ordem foram executados com tiros na cabeça. Eles (os “guarimbeiros”) colocavam fios de arame de poste a poste, atravessando a rua, que provocaram a degola de vários motociclistas”.

Desde o Brasil, uma pessoa acompanhou com especial atenção a esparrela dos tucanos e agregados e a caradura de Aécio: o jornalista  Marco Aurélio Carone.
Carone mantinha o site Novo Jornal, onde publicava denúncias contra os tucanos mineiros, especialmente Aécio, que governou Minas de 2003 a 2010.
Acabou preso. Ficou encarcerado de 20 de janeiro a 4 de novembro de 2014, no complexo penitenciário segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem, região metropolitana de BH.
O bloco parlamentar Minas Sem Censura (MSC) denunciou à época: a prisão de Carone foi  uma armação e teve a ver com o chamado “mensalão tucano” e a Lista de Furnas no contexto das eleições de 2014.
Viomundo — O que te passou pela cabeça quando leu a notícia de que Aécio Neves iria à Venezuela visitar dois golpistas?
Marco Aurélio Carone – Tive certeza absoluta de que o senador é uma pessoa desprovida de qualquer principio ético e moral. Ele continua imaginando que, através de uma cobertura midiática favorável,  pode manter uma imagem desassociada da truculência e da censura. Mas não pode. Jornalistas mineiros sabem muito bem disso. E o que aconteceu comigo é a maior prova.  Permaneci preso em um presídio de segurança máxima por 9 meses e 20 dias, em condições sub-humanas, sendo que nos últimos três últimos – justamente no período eleitoral –, em isolamento absoluto.
Tudo sem qualquer condenação. Meu crime: Publicar matérias que denunciavam o esquema criminoso e corrupto montado por ele em Minas Gerais
Viomundo – Qual foi fundamentação para prisão?
Marco Aurélio Carone – Manutenção da ordem pública e evitar que eu continuasse a publicar matérias que, na opinião do Ministério Público  de Minas e da juíza que determinou a minha prisão, poderiam interferir negativamente nas eleições de 2014.
Meu jornal foi literalmente saqueado: os bens e documentos apreendidos sequer foram relacionados. Cabe destacar que, três meses antes da minha prisão, eu tinha ganho uma ação por acusação idêntica no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que determinara que o Novojornal com terminação .br, fosse restabelecido. Eu tinha sido impedido de funcionar igualmente por uma medida cautelar indevida e absurda. Decisão esta que até hoje não foi cumprida pelo Poder Judiciário e Ministério Público mineiros.
Viomundo – Uma provocação: Aécio foi te visitar na prisão?
Marco Aurélio Carone — O ‘democrata’ foi a Caracas visitar golpistas. Já eu, em Minas, nem mesmo minha família pode me ver. Até a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais foi impedida de manter contato comigo.
Meu tratamento cardíaco e de diabetes foi interrompido. Estava recuperando de uma cirurgia de quadril devido um acidente automobilístico. Não tive qualquer atendimento fisioterápico. Minha perna direita agora, quase sete meses depois, começa a dar sinal de que vai voltar a movimentar, permitindo que eu largue as muletas… Praticamente todo o tempo de prisão permaneci deitado.
Viomundo – Como está o processo contra você?
Marco Aurélio Carone — Parado.
Viomundo – A Globo foi à Venezuela acompanhar a visita de Aécio aos dois golpistas. Só que ela, assim como a mídia em geral, ignorou totalmente o que aconteceu com você, que foi realmente preso político do governo tucano de Minas. O que acha disso?
Marco Aurélio Carone — São coisas da vida, meu bisavô e avô já passaram por isso, assim como meu pai em 1964. Ele era prefeito de Belo Horizonte e foi cassado pelo golpe miliar. Embora dono de duas usinas de açúcar, devido ao bloqueio de seus bens, entrou em tremenda dificuldade financeira.
Minha família composta por mim, minha mãe meu pai, dois irmãos e uma irmã, fomos morar em um quarto do Hotel Amazonas em Belo Horizonte. À noite, meu pai descia comprava uma pratada de macarrão e todos nos comíamos satisfeitos. Não poucas vezes, no dia seguinte, os jornais Estado de Minas e Diário da Tarde estampavam na capa manchetes dizendo que meu pai tinha sido cassado porque roubara. Respondeu 14 processos sem sair do Brasil. E em pleno regime de exceção foi absolvido.
Talvez daqui alguns anos quando fizerem uma nova comissão da verdade meu caso seja citado pela grande imprensa.

A China Responde

A China responde ao presidente da Mercedes sobre quem quer investir no Brasil

Autor: Fernando Brito

Dias atrás, numa entrevista arrogante na Folha, o presidente da Mercedes no Brasil fez a pergunta provocativa: ‘Quem vai arriscar investir no Brasil?’, reclamando que a empresa experimenta uma  imensa queda em suas vendas de caminhões.

No dia, não pude lembrar que, três dias antes, outra multinacional alemã – a Basf –  tinha inaugurado, com a presença da presidenta Dilma, uma unidade de produção de acrílico em Camaçari, na Bahia, que exigiu investimentos de R$ 1,8 bilhão – 500 milhões de Euros.

O que Herr Phillipp Schiemer não falou é que sua empresa está há muito tempo encalacrada em seus próprios erros de planejamento e falta de eficiência, como se retrata numa reportagem da Exame há mais de um ano (março de 2014) da qual reproduzo um pequeno trecho:

O ano passado (2013) trouxe certo alívio para as fabricantes de caminhões no Brasil. Graças à expansão do agronegócio, as vendas aumentaram 11%, e a produção, 43%. Mas a Mercedes não conseguiu aproveitar o bom momento como os concorrentes. Por ter um índice de utilização de peças nacionais inferior a 60%, ficou impedida de financiar as vendas de seu modelo mais caro, o Actros, usando uma linha de crédito subsidiada do BNDES. Além disso, arcou com o aumento do preço das peças importadas em razão da desvalorização do real, o que elevou os custos de produção.Mesmo assim, suas­ vendas aumentaram 10%, mas concorrentes como Scania e Volvo cresceram de 30% a 80%.

A indústria de caminhões cresceu em larga escala com o dinheiro do BNDES  financiando as compras, mas a Mercedes não gerou a cadeia produtiva de autopeças que se exigia para isso, entenderam. Não foi o único erro e a matéria aborda outros, desde o fracasso do “Classe A”, modelo que resolveu montar aqui.

Pois é, deixei passar, mas logo surge outra oportunidade de responder.

Hoje, em encontro entre a Presidenta e o  Vice-Primeiro-Ministro da China, Wang Yang, anunciaram a criação de um fundo de investimentos de US$ 20 bilhões – 75% do valor aportado pelos chineses – para financiar infraestrutura no Brasil.

Ele vão ganhar dinheiro no Brasil? Vão, não. Já estão, mas não ficam de chororô: investem e trabalham.

A fabricante de escavadeiras chinesa Sany Heavy Industry, que chegou em 2007 para competir com alemães e japoneses na venda de escavadeiras e guindastes, prepara-se para fazer a segunda fábrica em Jacareí,  SP, bem perto da primeira, em São José dos Campos.

Numa reportagem (em inglês) no China News, um dos dirigentes da Sany, Xiao Hua, falou das dificuldades de entrar no mercado ( durante três anos tiveram só três clientes), de montar uma rede de revendas (levaram calote de oito dos seus dez primeiros representantes) e do desconhecimento dos equipamentos chineses”.

“A pergunta que eu mais ouvia era se a Sany era a Sony do Japão”.

Agora, com a segunda fábrica, se preparam para entrar na disputa pelas obras previstas nos pacotes de concessão, inclusive na demanda imensa da Ferrovia Bi-oceânica, mirando um faturamento anual de IS$ 3,2 bilhões.

Pois é, Herr Schiemer…E o senhor “chutando o país que o acolheu  – e acolhe há décadas a sua empresa – por causa de uma queda, de 2013 para 2014, de 5% na venda de caminhões, chassis de ônibus e comerciais leves de sua empresa. Apenas 5%, sim,  está nos números dos releases da Mercedes de 2013 e 2014

Tem uma frase atribuída a Leonardo da Vinci que, em alemão, é “Das Ende eines Dinges ist der Anfang eines anderen”

O fim de uma coisa é o começo de outra.

sábado, 27 de junho de 2015

Moro Passa Recibo de Que Não Tem Nada Contra Vaccari

Miguel do Rosário

Olha só que coisa absolutamente ridícula.

Reproduzo abaixo matéria da Folha sobre o novo arbítrio de Sergio Moro, o carrasco da Lava Jato.

Justiça dá prazo de cinco dias para Vaccari explicar depósitos
DE BRASÍLIA

O juiz Sergio Moro, responsável por processo da Operação Lava Jato na Justiça Federal no Paraná, estabeleceu prazo de cinco dias para o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto explicar os depósitos de R$ 583.400 feitos na conta de sua mulher.

O montante foi transferido em diferentes operações, em dinheiro, entre os anos de 2008 e 2014 para a conta em nome de Giselda Rouse Lima. Segundo Moro, o dinheiro, “aparentemente”, não tem origem comprovada.

O magistrado se pronunciou após o ex-tesoureiro pleitear a revogação de sua prisão preventiva. Vaccari está detido desde o dia 15 do mês passado.

Como a Folha revelou em março, a força-tarefa da Lava Jato apura se duas operações de recebimento e envio de R$ 400 mil em 2008 e 2009, usando a conta de Giselda, tiveram relação com o suposto pagamento de propina por parte da Toshiba no esquema de corrupção da Petrobras.

Vaccari, porém, argumentou na ocasião que as transações envolvendo os R$ 400 mil foram referentes a um empréstimo que ele fez a um amigo, o empresário João Cláudio Mente, para a compra de um imóvel.

Agora sou eu.

Como não achou nada nem nas contas bancárias, nem nas declarações fiscais do tesoureiro do PT, agora Moro quer que ele explique os R$ 583 mil movimentados por sua mulher, de 2008 a 2014.

A coisa é ridícula em vários níveis.

Em primeiro lugar, Moro passou recibo de que nem sabe porque prendeu Vaccari. Quer dizer, prendeu-o apenas para oferecer um espetáculo à Globo, pois se tivesse alguma acusação consistente contra ele não precisaria perguntar sobre a origem do dinheiro.

Aquela cena de Vaccari, um senhor gordinho e inofensivo, cercado de agentes federais armados de metralhadoras e fuzis posando para tvs e jornais, ficará na história como o retrato de uma era de violências midiáticas e judiciais.

Em segundo lugar, onde já se viu isso?

Manter um sujeito preso, sem prova, e depois dar cinco dias para ele explicar a movimentação bancária da… esposa!

Que eu saiba, a justiça nos condena separadamente. Eu sou eu, minha mulher é outra pessoa. Moro inovou. Condena a família em bloco. Talvez tenha se inspirado em algum ditador sanguinário. E ainda manteve encarcerada, por uma semana, a cunhada de Vaccari, “por engano”!

E agora quer que Vaccari explique a movimentação de R$ 580 mil da esposa, ao longo de 7 ou 8 anos? Pelo amor de Deus! O próprio Sergio Moro, os procuradores, os delegados, que nunca foram tesoureiros de partido ou sindicato, devem ter movimentado muito mais que isso no mesmo período!

Isso dá menos de R$ 7 mil por mês, o que é um valor irrisório para quem trabalha intensamente com política, e precisa viajar o tempo inteiro, e fazer infinitos pequenos gastos operacionais, próprios da atividade sindical, partidária, e política.

Ora, os médicos não acharam miserável o salário de R$ 10 mil que o governo oferecia no programa Mais Médicos?

Agora Sergio Moro, ídolo dos coxinhas, quer crucificar Vaccari porque a sua esposa movimentou menos de R$ 7 mil por mês nos últimos 7 anos?

Eu, a merda de um blogueiro duro, que não sou parente de tesoureiro nenhum, já devo ter movimentado metade disso, ou mais, no mesmo intervalo!

Moro não sabe que as pessoas compram e vendem coisas? Que fazem acordos, emprestam, pegam emprestado, emitem e recebem pagamentos, fazem trocas, negociações? Existem milhares de razões para movimentar dinheiro na conta bancária.

Nada disso é crime! É a vida privada de qualquer pessoa!

Moro tem a sua vidinha pacata de juiz federal, recebendo mensalmente o seu gordo salário, e acha que todo mundo tem de viver exatamente igual a ele?

A vida de um cidadão normal, que não é servidor público, que trabalha com política, é cheia de altos e baixos, de pequenas ou grandes desventuras financeiras.

Será que Moro nunca leu um romance, será que não tem imaginação?

A mulher de Vaccari deveria, no máximo, explicar à Receita, mas em liberdade, sem agressões da mídia, numa relação respeitosa e discreta entre ela e um auditor fiscal.

Por que Vaccari tem de explicar alguma coisa à Sergio Moro?

Se Moro tem alguma acusação, que o faça!

E se tem alguma acusação contra a movimentação da mulher de Vaccari, que acuse ela, não Vaccari. Não seria o certo a fazer?

Que loucura é essa, de fazer um cidadão explicar a movimentação de outra pessoa?

Será que Moro faz isso apenas para manter o nome do tesoureiro do PT sob os holofotes agressivos da mídia?

É incrível.

Moro quebra sigilos bancários, fiscais, telefônicos, expõem na mídia a vida da família Vaccari sem o mínimo respeito à sua privacidade ou dignidade, e ainda vem com essa arrogância de dar “cinco dias” para ele se explicar?

Por que cinco dias?

Por que não cinco horas, ou cinquenta dias?

Joaquim Barbosa fez escola. Tornamo-nos uma ditadura judicial, numa república de bananas.

Se Moro não tem nenhuma prova contra Vaccari, se não tem sequer nenhuma acusação concreta, deveria deixá-lo solto, respondendo a este processo kafkiano em liberdade. Qual o perigo que ele oferece à sociedade?

Se não há prova ou indício nenhum de crime, porque Vaccari tem que dar satisfação de sua vida para Moro?

Onde já se viu isso?

Olha que coisa surreal. E se a mulher de Vaccari, por exemplo, tivesse um amante argentino, que lhe desse dinheiro?

Vaccari tem que explicar isso para Moro? Tem de expor sua vida?

É lamentável o ponto a que chegamos.

É triste, além disso, constatar a covardia dos desembargadores do STJ e dos membros do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que conhecem muito bem o histórico de violências judiciais de Sergio Moro contra cidadãos brasileiros, e não fazem nada para impedi-lo.

Nenhuma democracia é perfeita. Mas não existe nada pior do que esta sensação de impotência diante do arbítrio judicial, que aliás só se consuma por causa do apoio que recebe na mídia.

Com alguns programas na TV, a Globo derrubava facilmente as decisões de Sergio Moro.

Não, a Globo deu-lhe o prêmio Faz Diferença, mostrando que chancela este odioso golpe judicial, que manipula, com fins políticos escusos, uma investigação policial.

Nem o “Ministro’ Reinaldo Azevedo Aguenta o Sérgio Moro!

Autor: Fernando Brito


Imperdível a coluna de hoje do inefável Reinaldo Azevedo, jóia da coroa da inteligência nacional, na Folha.

Sapateia sobre a exegese “legal” do Juiz  Sérgio Moro, que diz não entender a “gramática da lei”:
“Transcrevo o Artigo 312 do Código de Processo Penal: “A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria”.
“Esse “quando” é uma conjunção subordinativa com cara de temporal, mas que é condicional, substituível por “caso” e por “se”. Quando houver (“se houver”, “caso haja”) a prova ou indício suficiente de autoria, então a preventiva pode ser decretada para assegurar uma que seja daquelas quatro exigências. Se soltos, Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo incidem em uma que seja das quatro causas? É claro que não! As prisões são insustentáveis, como eram as dos demais empreiteiros, que ficaram cinco meses em cana.”
E, de quebra, chama o Tribunal Regional Federal e o Supremo Tribunal Federal e a OAB de covardes:
“Se os tribunais se acovardaram, eu não.”
“Cadê a OAB? Está com medo?”
Moro, de arbitrário e mal-intencionado:
“Quero ser regido por legislação conhecida, mesmo que não goste dela, não pelo arbítrio, ainda que de bem-intencionados, se é que isso existe.”
E a nossa “imprensa livre” não escapa, no episódio ridículo do “bilhete-bomba” que ia destruir o e-mail da Odebrecht bem ali no meio dos autos do processo:
“A imprensa vai mal nessas horas. Deu curso à história do balacobaco de que Marcelo Odebrecht entregou nas mãos de um policial federal bilhete endereçado a seus advogados recomendando-lhes a destruição de provas. Você faria isso? Por que ele o faria? Mais: a acusação busca incriminar os advogados e agride o direito de defesa –que não pertence só a empreiteiros, mas também a pedreiros.”
Num linguajar de fazer jus ao seu tempo de Libelu, “Tio Rei” investe contra o comportamento de moro e da Justiça com uma fúria semelhante à do seu leitor/colaborador Maurício Thomaz, o autor do “habes corpus à revelia” de Lula.
Não quer dizer nada?
Ora, ora, Reinaldo Azevedo não está na Veja e na Folha como corneteiro da direita se não serve, ainda que da forma canino-caricata que ele próprio assume – “o rottweiler amoroso” – para interpretar pensamentos e estratégias que não são só seus.
Terça-feira, escrevi aqui que o Dr. Moro cogitava recuar por perceber que estava “passando do ponto” reservado a seu papel.
Lembro que, conversando por telefone, Paulo Henrique Amorim deu uma boa risada quando eu lembrei de um bordão antigo como eu:“assim, sim, mas assim também não!” 
Hoje, até o título da coluna de Reinaldo mostra isso: “Assim não, Moro!”.
Parece que teremos sextas-feiras mais calmas.

Instituto Lula Rebate Época: Última Vez Que Perderemos Tmpo

“Faz quase dois meses que a Época tem essa prática de mandar e-mails perto do fechamento em vez de fazer entrevistas cara a cara sobre as atividades do Instituto”

Resposta à revista Época sobre as viagens do ex-presidente Lula

Recebemos hoje (26), às 9h55, um e-mail da reportagem da revista Época com questionamentos a respeito das viagens do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.  Faz quase dois meses que a Época tem essa prática de mandar e-mails perto do fechamento em vez de fazer entrevistas cara a cara sobre as atividades do Instituto. É a última vez que perderemos tempo com a Época, que agora receberá o mesmo tratamento reservado à Veja pela assessoria de imprensa, após reiteiradas práticas de parcialidade e falta de isenção jornalística. Mediante os questionamentos da publicação, fazemos os seguinte esclarecimentos a respeito das viagens realizadas pelo ex-presidente:
Sim, o Instituto Lula tem como política divulgar as viagens do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao exterior.
Desde abril de 2011, quando se constituiu a assessoria de imprensa do então Instituto Cidadania, hoje Instituto Lula, todas as viagens do ex-presidente foram divulgadas à imprensa por e-mail, e desde o segundo semestre de 2011, quando o Instituto Lula criou seu site, também por esse canal. E desde 2012 também por Facebook. E também por Twitter. Embora o ex-presidente não ocupe cargo público e, por isso, não tenha nenhuma obrigação de divulgar viagens para o exterior, elas foram divulgadas.
As viagens anteriores a abril de 2011 também foram registradas no site do Instituto Lula. Bastaria aos jornalistas da revista pesquisarem no site para encontrar a relação de viagens.
As viagens do ex-presidente Lula ao exterior não foram a turismo ou passeio. Foram para dar palestras, falando bem do Brasil no exterior para investidores e autoridades estrangeiras, estimulando a participação de jovens na política e divulgando políticas sociais de combate à fome em eventos na África, América Latina, Estados Unidos, Europa e Ásia.
Os principais destinos do ex-presidente ao exterior não foram, como já publicou erroneamente Época, Cuba, República Dominicana e Gana. Como o Instituto já respondeu para a revista, no texto “As sete mentiras da capa de Época sobre Lula” (http://www.institutolula.org/as-sete-mentiras-da-capa-de-epoca-sobre-lula/), os principais destinos foram os Estados Unidos, com 6 viagens, e depois México e Espanha, cada um com 5 viagens.
Como já também foi respondido para a Época, quase dois meses atrás. “No caso de atividades profissionais, palestras promovidas por empresas nacionais ou estrangeiras, o ex-presidente é remunerado, como outros ex-presidentes que fazem palestras. O ex-presidente já fez palestras para empresas nacionais e estrangeiras dos mais diversos setores – tecnologia, financeiro, autopeças, consumo, comunicações – e de diversos países como Estados Unidos, México, Suécia, Coreia do Sul, Argentina, Espanha e Itália, entre outros. Como é de praxe, as entidades promotoras se responsabilizam pelos custos de deslocamento e hospedagem.”
Ao contrário do que já publicou Época, e já foi rebatido pelo Instituto Lula, a maioria das viagens do ex-presidente ao exterior não foram pagas pela Odebrecht, que contratou palestras para empresários e convidados em países onde a empresa já atua. Uma pergunta da revista contém um equívoco porque a LILS não recebe doações. A LILS é uma empresa de palestras. Ela recebe pagamentos por serviços prestados. O Instituto Lula é uma entidade sem fins lucrativos que recebe doações para a manutenção das suas atividades. O ex-presidente não recebe pagamentos do Instituto Lula. Dezenas de empresas, de diferentes setores, doaram para o Instituto Lula. Os institutos de ex-presidentes, não só o do ex-presidente Lula, vivem de doações privadas. Sobre esse assunto de doações e contratações, como já foi respondido para a Época semana passada:
“O Instituto é uma entidade sem fins lucrativos, e as doações de indivíduos, fundações e empresas privadas de vários setores, entre elas a Odebrecht, assim como as parcerias com organismos multilaterais são para a manutenção do Instituto e realização das suas atividades.
A Odebrecht já falou sobre o seu apoio às atividades do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e também de outros ex-presidentes, entre outras notas e declarações para a imprensa, no artigo ‘Viaje Mais, presidente’, de Marcelo Odebrecht, em 7 de abril de 2013, na Folha de S. Paulo. Ou seja, mais de dois anos atrás.
Todas as doações ao instituto estão contabilizadas e foram pagos todos os impostos correspondentes. Nem o apoio feito ao Instituto pela Odebrecht, nem as palestras profissionais do ex-presidente contratadas pela empresa são objetos de sigilo. O Instituto Lula nunca negou ter recebido doações da Odebrecht e a empresa nunca negou ter concedido este apoio. Aliás, como o próprio artigo de Marcelo Odebrecht mencionado acima deixa explícito.”
Temos em nosso site uma lista respondendo a dúvidas frequentes sobre o Instituto. http://www.institutolula.org/duvidas-frequentes-a-respeito-do-instituto-lula.