quinta-feira, 30 de abril de 2015

Aos Canalhas Que Querem Destruir a Petrobrás

O jornalista Mauro Santayanna, um dos mais experientes do País, publicou um importante artigo sobre a campanha de desmoralização da Petrobras; "É preciso tomar cuidado com a desconstrução artificial, rasteira, e odiosa, da Petrobras e com a especulação com suas potenciais perdas no âmbito da corrupção, especulação esta que não é apenas econômica, mas também política", alerta; "A Petrobras não é apenas uma empresa. Ela é uma Nação. Um conceito. Uma bandeira. E por isso, seu valor é tão grande, incomensurável, insubstituível", afirma; "Esta é a crença que impulsiona os que a defendem. E, sem dúvida alguma, também, a abjeta motivação que está por trás dos canalhas que pretendem destruí-la"; leia a íntegra de um texto antológico
POR MAURO SANTAYANNA
O adiamento do balanço da Petrobras do terceiro trimestre do ano passado foi um equívoco estratégico da direção da companhia, cada vez mais vulnerável à pressão que vem recebendo de todos os lados, que deveria, desde o início do processo, ter afirmado que só faria a baixa contábil dos eventuais prejuízos com a corrupção, depois que eles tivessem, um a um, sua apuração concluída, com o avanço das investigações.
A divulgação do balanço há poucos dias, sem números que não deveriam ter sido prometidos, levou a nova queda no preço das ações.
E, naturalmente, a novas reações iradas e estapafúrdias, com mais especulação sobre qual seria o valor — subjetivo, sujeito a flutuação, como o de toda empresa de capital aberto presente em bolsa — da Petrobras, e o aumento dos ataques por parte dos que pretendem aproveitar o que está ocorrendo para destruir a empresa — incluindo hienas de outros países, vide as últimas idiotices do Financial Times – que adorariam estraçalhar e dividir, entre baba e dentes, os eventuais despojos de uma das maiores empresas petrolíferas do mundo.
O que importa mais na Petrobras?
O valor das ações, espremido também por uma campanha que vai muito além da intenção de sanear a empresa e combater eventuais casos de corrupção e que inclui de apelos, nas redes sociais, para que consumidores deixem de abastecer seus carros nos postos BR; à aberta torcida para que “ela quebre, para acabar com o governo”; ou para que seja privatizada, de preferência, com a entrega de seu controle para estrangeiros, para que se possa — como afirmou um internauta — “pagar um real por litro de gasolina, como nos EUA”?
Para quem investe em bolsa, o valor da Petrobras se mede em dólares, ou em reais, pela cotação do momento, e muitos especuladores estão fazendo fortunas, dentro e fora do Brasil, da noite para o dia, com a flutuação dos títulos derivada, também, da campanha antinacional em curso, refletida no clima de “terrorismo” e no desejo de “jogar gasolina na fogueira”, que tomou conta dos espaços mais conservadores — para não dizer golpistas, fascistas, até mesmo por conivência — da internet.
Para os patriotas, e ainda os há, graças a Deus, o que importa mais, na Petrobras, é seu valor intrínseco, simbólico, permanente, e intangível, e o seu papel estratégico para o desenvolvimento e o fortalecimento do Brasil.
Quanto vale a luta, a coragem, a determinação, daqueles que, em nossa geração, foram para as ruas e para a prisão, e apanharam de cassetete e bombas de gás, para exigir a criação de uma empresa nacional voltada para a exploração de uma das maiores riquezas econômicas e estratégicas da época, em um momento em que todos diziam que não havia petróleo no Brasil, e que, se houvesse, não teríamos, atrasados e subdesenvolvidos que “somos”, condições técnicas de explorá-lo?
Quanto vale a formação, ao longo de décadas, de uma equipe de 86.000 funcionários, trabalhadores, técnicos e engenheiros, em um dos segmentos mais complexos da atuação humana?
Quanto vale a luta, o trabalho, a coragem, a determinação daqueles, que, não tendo achado petróleo em grande quantidade em terra, foram buscá-lo no mar, batendo sucessivos recordes de poços mais profundos do planeta; criaram soluções, “know-how”, conhecimento; transformaram a Petrobras na primeira referência no campo da exploração de petróleo a centenas, milhares de metros de profundidade; a dezenas, centenas de quilômetros da costa; e na mais premiada empresa da história da OTC – Offshore Technology Conferences, o “Oscar” tecnológico da exploração de petróleo em alto mar, que se realiza a cada dois anos, na cidade de Houston, no Texas, nos Estados Unidos?
Quanto vale a luta, a coragem, a determinação, daqueles que, ao longo da história da maior empresa brasileira — condição que ultrapassa em muito, seu eventual valor de “mercado” — enfrentaram todas as ameaças à sua desnacionalização, incluindo a ignominiosa tentativa de alterar seu nome, retirando-lhe a condição de brasileira, mudando-o para “Petrobrax”, durante a tragédia privatista e “entreguista” dos anos 1990?
Quanto vale uma companhia presente em 17 países, que provou o seu valor, na descoberta e exploração de óleo e gás, dos campos do Oriente Médio ao Mar Cáspio, da costa africana às águas norte-americanas do Golfo do México?
Quanto vale uma empresa que reuniu à sua volta, no Brasil, uma das maiores estruturas do mundo em Pesquisa e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, trazendo para cá os principais laboratórios, fora de seus países de origem, de algumas das mais avançadas empresas do planeta?
Por que enquanto virou moda — nas redes sociais e fora da internet — mostrar desprezo, ódio e descrédito pela Petrobras, as mais importantes empresas mundiais de tecnologia seguem acreditando nela, e querem desenvolver e desbravar, junto com a maior empresa brasileira, as novas fronteiras da tecnologia de exploração de óleo e gás em águas profundas?
Por que em novembro de 2014, há apenas pouco mais de três meses, portanto, a General Electric inaugurou, no Rio de Janeiro, com um investimento de 1 bilhão de reais, o seu Centro Global de Inovação, junto a outras empresas que já trouxeram seus principais laboratórios para perto da Petrobras, como a BG, a Schlumberger, a Halliburton, a FMC, aSiemens, a Baker Hughes, a Tenaris Confab, a EMC2 a V&M e a Statoil?
Quanto vale o fato de a Petrobras ser a maior empresa da América Latina, e a de maior lucro em 2013 — mais de 10 bilhões de dólares — enquanto a PEMEX mexicana, por exemplo, teve um prejuízo de mais de 12 bilhões de dólares no mesmo período?
Quanto vale o fato de a Petrobras ter ultrapassado, no terceiro trimestre de 2014, a EXXON norte-americana como a maior produtora de petróleo do mundo, entre as maiores companhias petrolíferas mundiais de capital aberto?
É preciso tomar cuidado com a desconstrução artificial, rasteira, e odiosa, da Petrobras e com a especulação com suas potenciais perdas no âmbito da corrupção, especulação esta que não é apenas econômica, mas também política.
A PETROBRAS teve um faturamento de 305 bilhões de reais em 2013, investe mais de 100 bilhões de reais por ano, opera uma frota de 326 navios, tem 35.000 quilômetros de dutos, mais de 17 bilhões de barris em reservas, 15 refinarias e 134 plataformas de produção de gás e de petróleo.
É óbvio que uma empresa de energia com essa dimensão e complexidade, que, além dessas áreas, atua também com termoeletricidade, biodiesel, fertilizantes e etanol, só poderia lançar em balanço eventuais prejuízos com o desvio de recursos por corrupção, à medida que esses desvios ou prejuízos fossem “quantificados” sem sombra de dúvida, para depois ser — como diz o “mercado” — “precificados”, um por um, e não por atacado, com números aleatórios, multiplicados até quase o infinito, como tem ocorrido até agora.
As cifras estratosféricas (de 10 a dezenas de bilhões de reais), que contrastam com o dinheiro efetivamente descoberto e desviado para o exterior até agora, e enchem a boca de “analistas”, ao falar dos prejuízos, sem citar fatos ou documentos que as justifiquem, lembram o caso do “Mensalão”.
Naquela época, adversários dos envolvidos cansaram-se de repetir, na imprensa e fora dela, ao longo de meses a fio, tratar-se a denúncia de Roberto Jefferson, depois de ter um apaniguado filmado roubando nos Correios, de o “maior escândalo da história da República”, bordão esse que voltou a ser utilizado maciçamente, agora, no caso da Petrobras.
Em dezembro de 2014, um estudo feito pelo instituto Avante Brasil, que, com certeza não defende a “situação”, levantou os 31 maiores escândalos de corrupção dos últimos 20 anos.
Nesse estudo, o “mensalão” — o nacional, não o “mineiro” — acabou ficando em décimo-oitavo lugar no ranking, tendo envolvido menos da metade dos recursos do “trensalão” tucano de São Paulo e uma parcela duzentas menor que a cifra relacionada ao escândalo do Banestado, ocorrido durante o mandato de Fernando Henrique Cardoso, que, em primeiríssimo lugar, envolveu, segundo o levantamento, em valores atualizados, aproximadamente 60 bilhões de reais.
E ninguém, absolutamente ninguém, que dizia ser o mensalão o maior dos escândalos da história do Brasil, tomou a iniciativa de tocar, sequer, no tema — apesar do “doleiro” do caso Petrobras, Alberto Youssef, ser o mesmo do caso Banestado — até agora.
Os problemas derivados da queda da cotação do preço internacional do petróleo não são de responsabilidade da Petrobras e afetam igualmente suas principais concorrentes.
Eles advém da decisão tomada pela Arábia Saudita de tentar quebrar a indústria de extração de óleo de xisto nos Estados Unidos, aumentando a oferta saudita e diminuindo a cotação do produto no mercado global.
Como o petróleo extraído pela Petrobras destina-se à produção de combustíveis para o próprio mercado brasileiro, que deve aumentar com a entrada em produção de novas refinarias, como a Abreu e Lima; ou para a “troca” por petróleo de outra graduação, com outros países, a empresa deverá ser menos prejudicada por esse processo.
A produção de petróleo da companhia está aumentando, e também as descobertas, que já somam várias depois da eclosão do escândalo.
E, mesmo que houvesse prejuízo — e não há — na extração de petróleo do pré-sal, que já passa de 500.000 barris por dia, ainda assim valeria a pena para o país, pelo efeito multiplicador das atividades da empresa, que garante, com a política de conteúdo nacional mínimo, milhares de empregos qualificados na construção naval, na indústria de equipamentos, na siderurgia, na metalurgia, na tecnologia.
A Petrobras foi, é e será, com todos os seus problemas, um instrumento de fundamental importância estratégica para o desenvolvimento nacional, e especialmente para os estados onde tem maior atuação, como é o caso do Rio de Janeiro.
Em vez de acabar com ela, como muitos gostariam, o que o Brasil precisaria é ter duas, três, quatro, cinco Petrobras.
É necessário punir os ladrões que a assaltaram?
Ninguém duvida disso.
Mas é preciso lembrar, também, uma verdade cristalina.
A Petrobras não é apenas uma empresa.
Ela é uma Nação.
Um conceito.
Uma bandeira.
E por isso, seu valor é tão grande, incomensurável, insubstituível.
Esta é a crença que impulsiona os que a defendem.
E, sem dúvida alguma, também, a abjeta motivação que está por trás dos canalhas que pretendem destruí-la.

BNDES Acelerou Reatamento dos EUA e Cuba


by bloglimpinhoecheiroso
Via Independência Sul-Americana em 12/4/2015
Os Estados Unidos caíram na real: o bloqueio a Cuba acabou por se transformar em péssimo negócio para os norte-americanos. Abriu possibilidades de novas correlações de forças, especialmente, com a chegada da China, para financiar grandes negócios na América do Sul. O exemplo recente é o empréstimo chinês de US$3,5 bilhões à Petrobras. Enquanto as forças internas, associadas como sócias menores das grandes potências ocidentais, tentaram e tentam destruir a grande empresa de petróleo nacional, com amplo apoio dos sobrinhos de Tio Sam, os chineses optaram pela ação contrária, apoiar a estatal toda poderosa, cuja influência no continente sul-americano é total, ao lado do BNDES, para atuar na integração econômica das Américas Sul e Centro Americana. Washington aprendeu, enfim, que se seguisse o caminho do bloqueio perderia completamente o mercado sul-americano para os chineses, que, inclusive, utilizando o Porto de Mariel, construído com apoio do BNDES, financiador de empresas brasileiras, para tocar a obra, anseiam ganhar, mais facilmente, o mercado de Tio Sam. A supressão do bloqueio norte-americano a Cuba é o reconhecimento do fracasso do bloqueio para os interesses dos próprios norte-americanos.
A direita burra brasileira, sempre apoiada pelos editoriais da grande mídia – O GloboO Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo –, símbolo do entreguismo nacional, não conseguiu, ainda, perceber que foi a ação do governo nacionalista lulista-dilmista, por meio do maior banco de desenvolvimento da América Latina, o BNDES, que acelerou o reatamento das relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba.
Evidentemente, tudo caminhou mais rápido, depois que o BNDES irrigou empresas nacionais para construir, em Cuba, o Porto de Mariel, sob encomenda do governo cubano.
Pronto o porto, apareceu o quadro maior que a obra descortinou em termos de integração econômica continental, acelerando a aproximação da China com Cuba, com a América Central e América do Sul.
Os chineses, abarrotados de dólares, com suas reservas cambiais trilhonárias, acumuladas ao longo dos últimos trinta anos de prática de economia de mercado sob governo intervencionista, direcionando o rumo dos acontecimentos – taxa de juro baixa, taxa cambial competitiva e abertura às multinacionais no mercado chinês com compromisso de exportação –, assustaram Washington, levando-a acabar com o bloqueio à Cuba.
Do contrário, as mercadorias norte-americanas perderiam mercado para a invasão das concorrentes chinesas, favorecidas pelo financiamento do banco chinês de investimento, com o qual se associam potências econômicas europeias – Alemanha, França, Inglaterra, Itália –, levantando preocupações generalizadas na terra de Tio Sam.
O governo brasileiro, na América Central e na América do Sul, está fazendo o que os governos capitalistas sempre fizeram: financiar empresas para exportar serviços de engenharia, empreitando em larga escala, acoplando exportação de serviços às exportações de bens gerais: máquinas, equipamentos, partes, peças e componentes etc.
Copiou o Brasil o esquema financeiro largamente desenvolvido pelos Eximbanks, amarrando financiamento à exportação de bens e serviços.
Quando o governo petista passou a fazer isso, usando o BNDES, emergiu pressões internacionais intensas, porque, certamente, viram nas empresas brasileiras de engenharia, altamente qualificadas, concorrentes fortes.
Ninguém chuta cachorro morto.
O que fez a grande mídia tupiniquim?
Começou a dizer que essa exportação de capital, bens e serviços, era ruim para o País, pois estava tirando pão da boca dos brasileiros para colocá-lo na mesa dos outros, dos cubanos etc., argumento completamente burro, preconceituoso e colonizado.
Jamais a grande mídia criticou tal comportamento dos governos capitalistas desenvolvidos, revelando-se, assim, a cabeça colonizada das elites econômicas brasileiras, sócias menores do capital internacional, empenhadas em barrar o desenvolvimentismo nacionalista, favorecido por bancos públicos
Obama, logo depois da bancarrota financeira de 2008-2009, lamentou que os Estados Unidos não possuíssem banco nacional de desenvolvimento, tipo BNDES, para apoiar o setor produtivo, a fim de enfrentar a crise global.
Lula e, em seguida, Dilma tiveram o BNDES, bem como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, para garantirem investimentos, apoiarem o mercado interno e melhorarem distribuição da renda, valorizando salários, como estratégia econômica anticíclica.
A indústria nacional teria quebrado, se essa estratégia nacionalista – apoio ao mercado interno, valorização do poder de compra dos trabalhadores e expansão de programas sociais distributivistas – não tivesse sido colocada em prática.
A classe média, que, com ódio, agora, vai às ruas contra Dilma, não percebeu nada e não tem consciência de que estaria arruinada sem a melhor distribuição da renda nacional sob governo nacionalista.
O Porto de Mariel, em Cuba, é fruto de estratégia desenvolvimentista nacionalista.
A palavra de ordem de Obama, no Panamá, em seminário empresarial, na companhia de 34 chefes de Estado, foi de reconhecimento de que o império de Tio Sam não tem mais pretensão de interferência indevida na vida das nações latino-americanas para impor sua vontade.
Isso é uma meia verdade.
A verdade inteira é a de que as estratégias econômicas nacionalistas estão comprovando capacidade para abrir espaço ao desenvolvimento sul-americano e centro-americano sem apoio dos Estados Unidos, na linha da interferência histórica que Obama diz pretender remover.
Cerca Washington Cuba para entrar no jogo comercial que o início de atividades do Porto de Mariel abre no plano global no momento em que a concorrência capitalista se acirra sob impulso de guerras monetárias entre as potências em crise.
Mantida retórica do bloqueio comercial, como ocorreu nos últimos 53 anos, por parte de Tio Sam, de forma arrogante e prepotente, o prejuízo para as empresas norte-americanas se torna inevitável.
E o sistema monetário internacional, sob comando do dólar, tende a ir para o sal.
Washington se revela cada vez mais ansiosa e preocupada com as ações dos Brics, cujo banco Brics caminha para fazer o papel do Banco Mundial, este sob domínio norte-americano.
A China, que deverá ser atuante, de forma decisiva, nas relações comerciais com as Américas do Sul e Central, intensificará concorrência com os Estados Unidos a partir de maior aproximação com as economias sul e centro-americanas.
Por sua vez, a América do Sul, aproximando-se dos chineses, no compasso de nacionalismo desenvolvimentista, vai se livrando do hegemonismo de Washington no continente.
Com apoio de bancos de desenvolvimento, como o BNDES, os sul-americanos disporão de maior força financeira e econômica para criar nova realidade nas relações comerciais com os Estados Unidos.
O Porto de Mariel é a prova concreta desse novo tempo.

Reinaldo Azedo É Tolo E Repugnante

Embora reconheça alguma dificuldade, estou tentando seguir a assertiva de que não se deve responder aos tolos.  Tarcílio Mesquita

Autor de livro usado por Reinaldo Azevedo para atacar Fachin chama blogueiro de tolo e repugnante

Do advogado Marcos Alves da Silva, de quem Azevedo usou um livro para atacar a indicação de Luiz Edson Fachin ao STF:
“A RAZÃO NÃO ADERE AO ERRO TOTAL”
(CARTA ABERTA DE DESAGRAVO FACE AO REPUGNANTE TEXTO DE REINALDO AZEVEDO PUBLICADO NO BLOG DA VEJA, EM 28/04/2015)
“Não respondas ao tolo segundo a sua estultícia; para que também não te faças semelhante a ele. Responde ao tolo segundo a sua estultícia, para que não seja sábio aos seus próprios olhos.”
Provérbios 26:4-5
O sábio poeta hebreu dá um conselho ambíguo. Devemos ou não responder ao tolo? Há na resposta um risco intrínseco. A arena de debate do tolo situa-se no campo da irracionalidade, da ignorância, da vaidade e, por vezes, do ódio. Posta-se o tolo em sítio distante da razoabilidade, do bom senso, da ponderação. Então, o conselho: não desça a essa arena jamais. Logo, não responda ao tolo segundo a sua estultícia. Mas, em aparente contradição, ensina o sábio: não deixe o tolo sem resposta para que não passe por sábio.
Considerado esse paradoxo, é que externo publicamente meu mais veemente repúdio ao que o Sr. Reinaldo Azevedo escreveu em sua lastimável coluna, no blog da Revista Veja, intitulado “Esta vai para o Senado”.
O senhor Reinaldo Azevedo que, nada lê muito além de orelhas de livros, busca ávido entre escritos jurídicos algum texto que lhe sirva de pretexto para atacar a indicação do professor Luiz Edson Fachin ao Supremo Tribunal Federal.
Este pretenso jornalista valeu-se de um livro de minha autoria, resultado de tese de doutorado defendida no Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, para tentar agredir e infamar a imagem do professor Fachin.
Somente quem não leu o livro, como Reinaldo Azevedo, é que pode fazer a absurda assertiva de que há, na tese, uma defesa da poligamia e, concomitantemente, um ataque à família formada pelo casamento. O autor não subscreve esse disparate e, muito menos, o ilustre professor que prefaciou o livro.
O “blogueiro” da revista Veja promoveu distorção rasteira e fraudulenta de um complexo tema, que remonta às raízes da formação do Brasil e guarda estreita relação com a dominação masculina.
Trata-se de um ataque desleal, covarde, oportunista. O que lastimo profundamente é que uma pessoa como essa, que tem coragem de lançar mão de tão sórdida mentira, seja albergado por uma Revista que se pretende formadora de opinião. Lamento que tantos desavisados leiam estas postagens de textos desqualificados, tomando-os como expressão de verdade.
Ah! Se conhecessem quem é Luiz Edson Fachin e o que a sua obra e atuação jurídica significam para o Direito, no Brasil. É lamentável que sua indicação ao Supremo Tribunal Federal tenha ocorrido neste momento em que a irracionalidade, patrocinada por alguns veículos de comunicação de massa, vem tomando vulto e se verifica um notável esvaziamento do verdadeiro debate político.
Evoco, contudo, as sábias palavras de Dom Hélder Câmara, que sempre me serviram de alento quando vejo avolumar a barbárie, a brutalidade e, às vezes, a bestialidade. Ensinava o sábio Bispo de Olinda: “A razão não adere ao erro total”. Tenho viva esperança de que o Senado Federal não há de deixar-se conduzir pela fúria dos tolos. A luz da razão há de prevalecer.
Marcos Alves da Silva,   Professor de Direito Civil,  Advogado, Pastor Presbiteriano

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Como Alguém Tão Tolo Quanto Joaquim Barbosa Pode Ter Chegado ao STF?

E, PIOR, COMO É QUE PODE EXISTIR ALGUÉM TÃO TOLO QUE O CONSIDERA COMO UM ÍDOLO. Franklin

Por : 

Como alguém tão tolo quanto Joaquim Barbosa pode ter chegado ao STF?
Os tuítes que ele coloca esporadicamente em sua conta no twitter são um clássico da obtusidade desinformada.
Aqueles com os quais ele entusiasmadamente felicitou a Globo pelos 50 anos merecem ser embalsamados, como Lênin, para ser desfrutados eternamente pela humanidade quando as pessoas quiserem rir.
JB enxergou “avanços consistentes” na integração de negros no jornalismo na Globo.
Vejamos os negros e as negras da inclusão à Globo. São mesmo muitos, e confirmam a tese clássica de Ali Kamel – alguém aí falou em Nobel da Antropologia? —  de que não somos racistas.
Ei-los.
Carlos Schroeder, Merval, Ali Kamel, Míriam Leitão, Renata Vasconcellos, William Wack, Leilane Neibarth, Mônica Waldwogel, Jabor.
Etc etc.
Se você acrescentar os negros da CBN ficará impressionado. Max Gehringer, por exemplo. Sardenberg, também. Ou Mauro Halfeld.
É que como é rádio não vemos, só ouvimos as vozes. Mas a inclusão racial é formidável na CBN.
Se você for a uma redação da Globo terá a sensação de que está no vestiário de uma seleção de futebol africana.
Joaquim Barbosa enxergou também um formidável traço de união que a Globo trouxe ao Brasil ao chegar com seu sinal a todo o país.
Quer dizer: não foi uma rapinagem serial com concessões Brasil afora. Foi uma política generosa da Globo de nos unir sob o sotaque carioca dos Marinhos.
Obrigado, Globo amiga!
Joaquim Barbosa agradeceu a Globo por ter ouvido, quando moço, com “absoluto espanto”, o sotaque baiano de Caetano Veloso.
Quer dizer: sem a Globo não conheceríamos Caetano Veloso, e nem saberíamos que existe uma coisa chamada sotaque baiano no Brasil.
Talvez ele pudesse agradecer a Globo por apresentá-lo também ao sotaque de Liverpool dos Beatles.
Durante muitos anos a Globo veiculou essa lengalenga de que aproximou brasileiros. Mas nem ela mesma ousa repetir essa falácia mais.
Mas JB faz o serviço.
Em sua efusão global, JB terá alguma noção dos mortos e torturados graças à ação de pessoas como Roberto Marinho?
JB já leu algum livro sobre o assunto?
O que vi de JB no Mensalão me fez saber que jamais deveria esperar algo de interessante e inteligente dele.
Mas desta vez ele se superou. Ao se juntar ao carnaval autocongratulatório da Globo, ele mostrou que boçalidade e bajulação não conhecem limites.
Os Estados Unidos tiveram Muhammad Ali. Nós temos Pelé.
Os Estados Unidos tiveram Malcom X. Nós temos JB.
Fica aqui a sugestão para que num dos próximos episódios dos 50 anos da Globo todos usem as máscaras de carnaval encalhadas de JB.

domingo, 26 de abril de 2015

Dória Jr. Recebe Grossa Grana Pública

Além do blogueiro dos R$70 mil, João Dória Jr. recebe mais de R$500 mil por mês do governo Alckmin

by bloglimpinhoecheiroso

Miguel do Rosário, via O Cafezinho em 21/4/2015

Não é só o garoto do Implicante. Todos esses tucanos “civis”, que vivem de fazer campanha contra o PT, ganham verba pública.

Na verdade, o tucanato inventou um novo tipo de liberalismo. O liberalismo com dinheiro público!

Sabe o João Dória Jr., que, além de desfiles de cãozinhos de luxo, também organiza um encontro de empresários de Comandatuba, onde lançou ofensas contra os petistas que não compareceram (a troco de que eles iriam)? Aliás, leia a matéria do El País sobre o evento, para você ver como é uma coisa ridícula – e hipócrita.

Nesse evento de Comandatuba, João Dória era o mais histérico em favor do impeachment.

No Roda Viva com Eduardo Cunha, João Dória era o entrevistador que mais insistia sobre impeachment.

Dória é um ultra-tucano. Até aí tudo bem.

Como todo tucano neoliberal, ele gosta de falar mal do governo e do Estado. Mas, como todo tucano neoliberal, vive de verbaAlém do blogueiro dos R$70 mil, João Dória Jr. recebe mais de R$500 mil por mês do governo Alckmin

by bloglimpinhoecheiroso

Miguel do Rosário, via O Cafezinho em 21/4/2015

Não é só o garoto do Implicante. Todos esses tucanos “civis”, que vivem de fazer campanha contra o PT, ganham verba pública.

Na verdade, o tucanato inventou um novo tipo de liberalismo. O liberalismo com dinheiro público!

Sabe o João Dória Jr., que, além de desfiles de cãozinhos de luxo, também organiza um encontro de empresários de Comandatuba, onde lançou ofensas contra os petistas que não compareceram (a troco de que eles iriam)? Aliás, leia a matéria do El País sobre o evento, para você ver como é uma coisa ridícula – e hipócrita.

Nesse evento de Comandatuba, João Dória era o mais histérico em favor do impeachment.

No Roda Viva com Eduardo Cunha, João Dória era o entrevistador que mais insistia sobre impeachment.

Dória é um ultra-tucano. Até aí tudo bem.

Como todo tucano neoliberal, ele gosta de falar mal do governo e do Estado. Mas, como todo tucano neoliberal, vive de verbas públicas.

Parafraseando Sartre, um tucano neoliberal poderia dizer: “O estado mínimo são os outros!”

O último relatório da Subsecretaria de Comunicação do governo de São Paulo mostra a empresa dele, Dória Editora, em quase todos os contratos.

O relatório é confuso, em alguns casos não discrimina o que cada um ganhou. A empresa Appendix, que edita o blog Implicante, também aparece várias vezes no documento.

Mas um contrato nos permite ter uma ideia de quanto João Dória ganha do governo de São Paulo.

É um contrato válido para o período de março a setembro de 2014, e que lista como único recebedor a empresa de João Dória: R$595.175,00.

E isso para patrocinar revistas que ninguém lê ou ouviu falar (suponho devem circular em algum consultório médico de bacana).

Com dinheiro público, é fácil ser liberal, né!

Enquanto isso, o professor paulista…
s públicas.

Parafraseando Sartre, um tucano neoliberal poderia dizer: “O estado mínimo são os outros!”

O último relatório da Subsecretaria de Comunicação do governo de São Paulo mostra a empresa dele, Dória Editora, em quase todos os contratos.

O relatório é confuso, em alguns casos não discrimina o que cada um ganhou. A empresa Appendix, que edita o blog Implicante, também aparece várias vezes no documento.

Mas um contrato nos permite ter uma ideia de quanto João Dória ganha do governo de São Paulo.

É um contrato válido para o período de março a setembro de 2014, e que lista como único recebedor a empresa de João Dória: R$595.175,00.

E isso para patrocinar revistas que ninguém lê ou ouviu falar (suponho devem circular em algum consultório médico de bacana).

Com dinheiro público, é fácil ser liberal, né!

Enquanto isso, o professor paulista…

sábado, 25 de abril de 2015

Bastou Zelotes Chegar Para a Zelite Achar Ideias de Moro “Perigosas”

by bloglimpinhoecheiroso

Logo quando a operação Zelotes flagrou grandes figurões da elite brasileira em práticas criminosas, a presunção de inocência resolveu dar o ar da graça.

Antonio Lassance, via Carta Maior em 7/4/2015

Nada como um dia após o outro. De repente, não mais que de repente, um editorial de O Globo considera o padrão Moro de “justiça” muito perigoso.

No texto “Lava-Jato inspira proposta de mudança na Justiça”, o jornal relata que juízes, “Sérgio Moro um deles, defendem que penas sejam cumpridas a partir da sentença de primeira instância, ideia perigosa, mas que Congresso precisa debater”.

Ideia perigosa? Como assim? Desde quando? Que curioso, não? Se prender suspeitos e mantê-los trancafiados até que confessem o que sabem e o que não sabem foi saudado até agora como um bom padrão de execução judiciária, que medo é esse de uma sentença condenatória em primeira instância?

Manter o réu preso sem julgamento pode, mas prendê-lo depois do julgamento não pode? Estranho raciocínio. Muito estranho mesmo.

É muita coincidência que essa… tomada de consciência – chamemos assim – tenha acontecido quando um escândalo de proporções muito maiores do que qualquer petrolão evidenciou algo banal, trivial, óbvio: o maior escândalo de corrupção de todos os tempos, em qualquer época, em qualquer país, é a sonegação dos ricos, estejam eles ligados a que esquema for – do petrolão ao suiçalão do HSBC e, agora, ao esquema desbaratado pela operação Zelotes, da Polícia Federal.

Logo quando a Zelotes flagrou grandes figurões da elite brasileira em práticas criminosas, vis, tão dignas de escárnio quanto qualquer propina intermediada por doleiros, a presunção de inocência resolveu dar o ar da graça. Justo ela que andava tão sumida.

Justo agora que, entre outros, uma afiliada das organizações Globo (a gaúcha RBS) aparece na mira das investigações, se resolve falar novamente, alto e bom som, em presunção de inocência.

Esperemos para ver que juiz vai ter a coragem – não é assim que se chama? – de prender tais figurões e fazê-los ver o sol nascer quadrado até que confessem seus crimes já expostos e supliquem por delações premiadas. Se tem dinheiro público, se tem propina, se tem lavagem de dinheiro, não vai ter prisão? Agora não vai ter? Por quê?

Afinal, O Globo está com medo de quê? Esse editorial terá sido feito por gente que nasceu ontem? Quem o escreveu não sabe que o padrão Moro de qualidade judicial já é corriqueiramente aplicado em nossa Justiça?

Em média, mais de 40% da população carcerária brasileira é formada por presos em situação provisória, ou seja, não têm condenação definitiva. Em alguns presídios, o número de presos provisórios ultrapassa 60%.

Depois de ter premiado Moro com o prêmio “Faz Diferença” de personalidade do ano, quem sabe o jornal não se disporia a conferir um troféu “Sérgio Moro” a presídios com as estatísticas mais altas de gente presa sem condenação, aguardando delações premiadas e julgamento a perder de vista?

O Globo assustou-se e alerta: o “Congresso precisa debater”. Claro! Os leitores de O Globo, pelo menos aqueles que não nasceram ontem, entenderam bem que a sugestão do jornal é para que a proposta encontre o caminho certo para ser imediata e solenemente sepultada, com o sinal verde de aplausos em futuros editoriais.

A defesa da presunção de inocência por parte de uma mídia que se vende, diariamente, atropelando essa mesma presunção de inocência mostra o quanto muitos de seus editoriais são meros exercícios de hipocrisia, assim como os pedidos de desculpas por seu golpismo entranhado.

A presunção de inocência de muitos veículos é ditada por um cálculo de conveniência. Tem dia em que ela está valendo, tem dia que não está.

Justiça seja feita, há momentos em que a grande e tradicionalíssima imprensa esforça-se muito e dedica todo amor e carinho a proteger a reputação de seus políticos prediletos, a ponto de até mesmo parentes envolvidos em escândalos serem chamados de “supostos parentes” – uma expressão que já deveria estar nos manuais de redação desses luminares.

Precisou da Zelotes para a turma de O Globo se lembrar que a Justiça, em qualquer lugar, é feita não apenas de leis, mas de juízes e de precedentes.

Juízes tratados como astros de rock se engraçam a dar seu show à parte e rasgam a lei como quem quebra a guitarra em pleno palco. Quem precisa delas – da lei, da guitarra? Os precedentes que alguns juízes criam podem ser ainda mais graves, pois tornam-se regras que, longe de serem uma homenagem às leis, espezinham-nas.

Que tipos de juízes preferimos? O Globo prefere um que atenda aos seus caprichos e proteja seus amigos diletos – convenhamos, um “princípio” que é o fim de qualquer noção razoável e responsável de justiça.

Fim das Mídias Tradicionais

AVANÇO DA INTERNET NO BRASIL DECRETA O FIM DAS MÍDIAS TRADICIONAIS. O FIM DO PIG ESTÁ PRÓXIMO!

A decadência dos grandes grupos atingiu também o jornalismo ficcionista, a manipulação da informação, hoje frequentemente desmentida na internet

(texto publicado no Brasil247) /  Laurez Cerqueira

A escalada de demissões de profissionais da imprensa nos últimos anos e nos últimos dias, 50 jornalistas da Folha, 100 do Estadão, Jornal Nacional e outros telejornais despencando as audiências, mostra que o setor está arruinando numa velocidade inimaginável.

Grandes grupos como Estado, Abril, SBT e outros estão colocando à venda patrimônios, maquinários, antenas, rotativas gigantescas, e não conseguem compradores. O destino delas pode ser os museus.

O Grupo Abril, por exemplo, fechou várias revistas, demitiu 150 funcionários, desocupou metade do prédio, sede da empresa. O jornal O Sul deixou de circular a edição impressa recentemente, editores de revistas semanais já discutem manter apenas a edição eletrônica.

O Brasil, segundo o IBGE, é o país onde mais cresce o acesso à internet no mundo. No final de 2014 chegou a 108 milhões de internautas. Superou o Japão.

É também o 6º país com o maior número de smartphones. Isso quer dizer que os conteúdos estão na palma da mão e não mais na banca de revista ou na tv da sala.

Grandes grupos de comunicação estão agora disputando espaço na rede em condições iguais com qualquer outro estabelecido ou que queira se estabelecer

A questão é a capacidade instalada de produzir conteúdo. Pequenas equipes podem gerar grandes negócios.

A queda de audiência e das tiragens dos impressos fizeram com que os anunciantes buscassem outros meios para veiculação da propaganda de seus produtos, migraram na internet ou criaram seus próprios sites.

Com isso as receitas dos meios tradicionais, TVs, jornais, revistas e rádio despencaram. Começou a ganhar força a desconcentração da publicidade e a pulverização para alcance de maior número de internautas.

Um importante jornal de Brasília, em 2010, tinha uma tiragem de 70 mil exemplares no domingo, numa população de mais de dois milhões de habitantes. Hoje não passa de 30 mil.

Isso por que a internet chegou para ficar e está colocando em xeque um modelo, principalmente de imprensa, que sofre como nunca a perda de credibilidade, conforme apontam pesquisas de opinião.

A internet deu voz a todo mundo, criou verdadeiras praças, que são as redes sociais, tribunas eletrônicas com liberdade de expressão quase absoluta e a possibilidade de checar informações instantaneamente, caso haja dúvida da publicação.

Cada um pode montar  seu canal de comunicação. Tamanho agora não é documento. No Congresso Nacional, por exemplo, a onda agora são os parlamentares chamarem seus eleitores nas redes sociais para vê-los falar no Plenário ou nas comissões.

Os mais versados no uso do WhatsApp e em outras redes, são acompahados de um assessor de imprensa munido de celular que filma, edita e posta os pronunciamentos ou entrevistas curtas de opinião deles sobre qualquer assunto.

Além das redes sociais, eles têm seus sites onde postam todas as informações que consideram importantes para seus eleitores.

A chamada grande imprensa, guardadas devidas excessões, anda desmoralizada e, nesse vácuo, surge com força um novo modelo de imprensa, ainda tentando se equilibrar.

As redações tradicionalmente centralizadas estão sendo fragmentadas, dando lugar às assessorias de imprensa, que crescem nos órgãos públicos e nas empresas.

Sem falar na imensa diversidade de sites especializados, cresce o número de blogs de analistas dos mais variados assuntos: de política, economia, artes, a comportamento de cães.

O que está se desenhando é que sobreviverá nessa selva eletrônica quem produzir informações confiáveis, um jornalismo honesto, com bons intérpretes da realidade, para ajudar a sociedade a entender as transformações do mundo e poder avançar na afirmação da cidadania e na democracia.

Afinal, a credibilidade é a essência do jornalismo.

O fato é que ainda estamos sob impacto do surgimento das novas mídias. A revolução tecnológica nos meios de comunicação ainda é muito recente. Tudo isso está se decantando.

O setor de comunicação é tão importante para o desenvolvimento do país quanto os setores de transporte, indústria, agricultura. Mas não costuma ser tratado com a devida consideração.

Os estudos para verificar o que representa  esse setor na composição do PIB ainda são insuficientes, pelo fato de estar passando por intensa transformação.

O governo Dilma vai anunciar em breve um projeto, que está sendo finalizado no Ministério das Comunicações, chamado de Banda Larga para Todos, de universalização da internet para 98% dos domicílios até 2018, com velocidade de 25 Mbps. Hoje a média é de 2,9 Mbps.

Com isso o Brasil se equipara aos países mais desenvolvidos do mundo em oferta de internet de alta velocidade.

Serão investidos R$ 50 bilhões. O governo entra com R$ 15 bilhões e as operadoras com R$ 35 bilhões. Os recursos são do FISTEL – Fundo de Fiscalização das Telecomunicações que tem hoje em caixa R$ 47 bilhões.

É um setor que precisa de um marco regulatório para organizá-lo do ponto de vista econômico, social, cultural e político, pela importância estratégica que representa  para a construção da nação democrática e soberana que desejamos.

Creio que seremos capazes de criar meios comprometidos com a civilização para que possamos superar a barbárie.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Economista Condena Juiz Moro


MAGISTRAL

"Nas complexas sociedades modernas, a punição executada ao arrepio da lei e com desrespeito às incontornáveis instâncias de recurso garantidoras da presunção de inocência é tão grave e devastadora quanto a impunidade", diz o economista Luiz Gonzaga Belluzzo; ele contestou artigo do juiz Sergio Moro, que defendeu que réus condenados em primeira instância por corrupção não possam recorrer em liberdade

O economista Luiz Gonzaga Belluzzo contestou a ideia defendida pelo juiz Sergio Moro de que réus condenados em primeira instância sejam impedidos de recorrer em liberdade.

Segundo Belluzzo, a tese fere a presunção de inocência. Leia abaixo seu artigo, publicado em Carta Capital:

A proposta de Moro (ou iMorol)

A punição com desrespeito à lei e às instâncias de recurso garantidoras da presunção de inocência é tão grave quanto a impunidade 

por Luiz Gonzaga Belluzzo 

Em artigo publicado nos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo, o magistrado da moda, Sergio Moro, e o presidente da Associação de Juízes Federais defenderam a necessidade de mandar às enxovias os réus condenados em primeira instância. É o mais recente episódio da novela “A Derrocada das Instituições”.

Não é de hoje que fenece o desassombro dos intérpretes da lei, acovardados diante da ferocidade dos homens-massa que pretendem resolver os conflitos com o exercício puro e simples das próprias razões. Nas complexas sociedades modernas, a punição executada ao arrepio da lei e com desrespeito às incontornáveis instâncias de recurso garantidoras da presunção de inocência é tão grave e devastadora quanto a impunidade.

Nada pode ser mais trágico para uma sociedade enredada na malha das relações mercantis e da diversidade de interesses do que a invasão da vingança particularista na prestação da justiça. No Brasil, essa forma deformada da aplicação da norma abstrata e impessoal denuncia a capitulação dos órgãos encarregados de vigiar e punir aos ditames da sociedade-espetáculo. Os brasileiros de todas as classes assistem – uns embevecidos, outros atônitos – ao espetáculo da Justiça ou às façanhas da Justiça-Espetáculo.

O protagonismo judiciário em exibição nos palcos brasileiros desmente a tese de Michel Foucault exposta no livro Vigiar e Punir. Ao examinar a execução das penas entre os fins do século XVIII e os inícios do século XIX, Foucault desvenda a passagem do suplício público para “um jogo de dores mais sutis, mais despojado de seu fausto visível”. Em poucas décadas, diz Foucault, “desapareceu o corpo supliciado, esquartejado, amputado, simbolicamente marcado no rosto ou nos ombros, exposto vivo ou morto, apresentado como espetáculo. Desapareceu o corpo como alvo principal da repressão penal... A sombria festa punitiva começa a extinguir-se”. 

A contaminação do aparelho judiciário tem avançado sem qualquer reação dos que percebem o fenômeno e o abominam, mas que preferem se recolher diante da contundência e da ousadia dos que buscam substituir a “disciplina” prisional pelos festivais de exibição midiática, encenados em um ambiente social entregue às farândolas do Pouco Pão e Muito Circo

Não há limites à ação pessoal e atrabiliária de autoridades atraídas pelos frêmitos e cintilações da “sociedade do espetáculo”, o brilhareco de 15 minutos de fama. São exemplos impecáveis de como os deveres republicanos se dissolvem diante dos esgares incontroláveis da subserviência ao exibicionismo das telas e das manchetes, coadjuvada pelo corporativismo mais escancarado.

As relações promíscuas entre as autoridades judiciais e a mídia colocam os cidadãos brasileiros diante da pior das incertezas: a absoluta imprecisão dos limites da legalidade. As garantias da publicidade do procedimento legal são, na verdade, uma defesa do cidadão acusado – e ainda inocente – contra os arcanos do poder, sobretudo das predações do poder não eleito. Pois essas conquistas da modernidade, das quais não se pode abrir mão, vêm sendo pisoteadas por quem deveria defendê-las. Ocultam à sociedade, em cujo nome dizem agir, a dedicação com que laboram para tecer a corda em que enforcarão as garantias individuais. É comum e corriqueira entre nós a transformação das prerrogativas funcionais em privilégios individuais e pessoais.

É a velha arrogância oligárquica nutrida por uma certeza: são todos da mesma turma, aquela que manda e desmanda. Há um trânsito contínuo de pessoas e de influência entre as esferas do poder: o big business, a grande política, as burocracias públicas e as corporações do mass media; e, muito mais que isso, há a formação de uma cultura comum.

Ao concluir, recordo, mais uma vez, as palavras de um magistrado de outros tempos proferidas em seu discurso de aposentadoria. “Preferi a tranquilidade do silêncio ao ruído das propagandas falazes; não suportei afetações; as cortesias rasteiras, sinuosas e insinuantes, jamais encontraram agasalho em mim; em lugar algum pretendi subjugar, mas ninguém me viu acorrentado a submissões; dentro de uma humildade que ganhei no berço, abominei a egomania e a idolatria; não me convenceram as aparências, e para as minhas convicções busquei sempre os escaninhos. Particularizando, no exercício das minhas funções de magistrado diuturnamente, dei o máximo dos meus esforços para bem desempenhá-las e, ainda que em meio de uma atmosfera serena e compreensiva, em nenhum momento transigi com a nobreza do cargo; escapei de juízos temerários, tomando cautelas para desembaraçar-me das influências e preferências determinantes de uma decisão; e, se alguma vez, inadvertidamente, pequei contra a lei, vai-me a certeza de que o fiz para distribuir bondade e benevolência.”

O PSDB Quer Destruir o Mais Médicos

PSDB QUER DESTRUIR O “MAIS MÉDICOS” E PREJUDICAR MAIS DE 60 MILHÕES DE PESSOAS (desculpem-me a linguagem mais esses bostas são uns filhos da puta. Não é à toa que seja conhecido como Partido dos Salafrários Do Brasil)


Os senadores tucanos Cássio Cunha Lima (PB) e Aloysio Nunes Ferreira (SP), salafrários.
O líder do PT na Câmara, deputado Sibá Machado (AC), e os deputados petistas e médicos Adelmo Leão (MG), Chico D’Ângelo (RJ) e Jorge Solla (BA) criticaram a tentativa do PSDB de acabar com o Programa Mais Médicos e respaldaram as críticas feitas ao partido tucano nesta sexta-feira (27) pelo ministro da Saúde, Arthur Chioro.

Em visita ao Rio de Janeiro para anúncio do programa Parto Adequado, o ministro disse que a tentativa de anular o convênio que permite a participação de 11.487 médicos cubanos no programa representa um “atentado contra a população” brasileira.

Nesta semana, os senadores tucanos Cássio Cunha Lima (PB) e Aloysio Nunes Ferreira (SP), líder e vice-líder do partido de oposição no Senado, apresentaram um projeto de decreto legislativo para anular o convênio entre o ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), braço da Organização Mundial de Saúde (OMS). Na prática, a ação impede a atuação dos 11. 487 médicos cubanos que participam do programa.

Apesar da tentativa tucana, o líder do PT na Câmara ressaltou que o partido vai lutar para derrubar a proposta e assegurar o direito à saúde para a população mais carente do País. “Vamos lutar para derrubar essa proposta elitista e preconceituosa do PSDB”.

É direito da população ter acesso à saúde, seja por meio do atendimento feito por médicos cubanos ou de qualquer outra nacionalidade que queiram trabalhar no Brasil, principalmente nas localidades mais distantes e carentes”, destacou. “É um preconceito hediondo do PSDB contra as camadas mais pobres da população brasileira”.

Na mesma linha, outros parlamentares petistas protestaram contra a ação do PSDB. O deputado Adelmo Leão disse que a atitude dos líderes tucanos “é um absurdo, e um contrassenso”. “Além de uma ofensa à população mais pobre atendida pelo programa, é uma atitude de desrespeito a um contrato internacional com uma entidade respeitada em todo mundo. Se isso viesse a ocorrer, o Brasil perderia credibilidade, e milhões de pessoas ficariam desassistidas”, explicou.

Também indignado com a proposta tucana, o deputado Chico D’Ângelo disse que a iniciativa demonstra a falta de conhecimento sobre os benefícios gerados pelo Mais Médicos.  “Antes de apresentar a proposta esses senadores deveriam ter visitado as localidades onde existe o programa. Assim teriam tido a oportunidade de observar a relação de proximidade entre os profissionais da saúde e a população, e verificar a melhora de todos os índices relacionados à atenção básica de saúde”, observou.

Já o deputado Jorge Solla destacou que a falta de compromisso do PSDB com a saúde dos brasileiros está por trás da motivação do projeto tucano. “Ao querer acabar com um programa que atende mais de 60 milhões de brasileiros apenas para criar um enfrentamento político, o PSDB mostra que não tem compromisso com as políticas públicas de saúde no País”, acusou.
Héber Carvalho

Sobre Um Artigo Mentiroso do Raivoso Azevedo

Tarcílio Mesquita
Montezuma,  li a matéria apenas para atender ao seu pedido, mas já sabendo, de antemão, tratar-se de mais uma das costumeiras porcarias com que os cretinos da direita tentam envenenar o nosso povo. Lançam uma porção de dados e números que sabem ser impossível confirmar em fontes oficiais. Mentem desbragadamente sem dar ao leitor a mínima chance de uma pesquisa séria que os desmintam. Assisti, recentemente, uma apresentação do Luciano Coutinho, Presidente do BNDES, numa comissão do Senado Federal, em que ele afirmou com todas as letras que a inadimplência naquela instituição é de bem menos que 1%, caso inédito em toda a história do sistema bancário brasileiro. Também afirmou que os empréstimos concedidos às empresas para a execução de obras no exterior não compromete em absolutamente nada a necessidade de investimentos no Brasil. É interesse do País a exportação, seja de bens ou de serviços. Os empréstimos concedidos pelo BNDES não o são para os países, mas para empresas BRASILEIRAS contratadas para executar obras nesses países, o que significa exportação de serviços, seja para Cuba, seja para a Venezuela ou para qualquer outro país, o que é, portanto, legal, correto e de interesse nacional, pois geram empregos no Brasil, além de beneficiar outras empresas na venda dos materiais a serem empregados nessas obras no exterior. O BNDES desembolsa em reais e as empreiteiras recebem seus pagamentos em moeda estrangeira, o que engorda a nossa reserva monetária. Eles falam em empréstimos por questões ideológicas, mas citam o Panamá e o Peru como dois países que tiveram obras realizadas por empresas brasileiras financiadas pelo BNDES. Ora, todos sabemos que esses dois países, especialmente o Panamá, são politicamente alinhados com os EEUU. Lembro que há muitos anos a Odebrecht recebeu financiamento do BNDES para executar grandes obras no Oriente Médio e na Ásia. Eles citam a obra de construção do metrô de Caracas como financiada pelo BNDES, o que é verdade, mas esquecem que esse financiamento foi contratado no período de governo do funesto FHC. O mesmo ocorreu com uma obra em Cuba, que não lembro exatamente o que foi. Essa juiza Advercí Mendes de Abreu, ao que parece, está seguindo os exemplos de Joaquim Barbosa e de Sérgio Moro, na perseguição ao governo de Dilma e aos petistas. Em menos de um mês, ela tomou duas decisões extremamente discutíveis. Na primeira, determinou a extradição do Cesare Battisti e, na segunda, determinou que o BNDES quebre o sigilo das empresas que contrataram empréstimos e financiamentos junto ao citado banco, alegando que, quando se trata de recursos públicos não existe sigilo a guardar. Ora, foi o próprio STF que, ao analisar o pedido de extradição de Battisti, determinou que cabia ao Presidente da República decidir sobre o caso e assim foi feito. Lula decidiu que Battisti não deveria ser extraditado e ponto final. A decisão da juíza, portanto, é um acintoso desrespeito à decisão do STF e uma afronta à CF. No caso da quebra do sigilo de empresas contratantes de empréstimos e financiamentos junto ao BNDES, a decisão da juíza também é extremamente estapafúrdia. No raciocínio dela o Banco do Brasil, o BNB, o BASA e a Caixa Econômica também estarão obrigados a quebrar o sigilo bancário de todos os seus clientes, o que é uma aberração. A verdade é que, no caso de Battisti, o que se pretende é que, ao extraditá-lo, a justiça italiana, em agradecimento e retribuição, extradite o Pizzollato para o Brasil, evitando o perigo deste desmontar a farsa da AP 470 perante a corte daquele país. Já no caso da quebra de sigilos pelo BNDES, a decisão é tão descaradamente dirigida contra o PT que, na sentença, a juíza determina essa quebra somente nos últimos 10 anos. Por que não nos últimos 15, 20, 30 anos ou mesmo desde a sua criação? Qual a razão desse corte no tempo? Poderia falar bem mais sobre o assunto, mas acho que já me alonguei demais.

O "Mico" do Moro É A Moral do Lobo

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Então o Dr. Moro mandou soltar a cunhada de João Vaccari, Marice Correa, que foi exposta em toda a mídia nacional por sua “imagem” fazendo depósitos num caixa automático para sua irmã, Giselda.

É que Marice não era Marice, mas era Giselda, depositando seu próprio dinheiro na sua própria conta.

Mas, o mesmo Dr. Moro não tinha hesitado em prorrogar a prisão de Marice, porque ela havia “mentido” ao dizer a verdade, que não tinha depositado nada.

Durante dois dias ouviu-se o douto Ministério Público dizer – prepare a risada – que grandes esquemas de lavagem de dinheiro se faziam com depósito “picadinhos” (máximo de R$ 2 mil) em caixas automáticos, aqueles do envelope.

E viu-se Sua Excelência manter a privação de liberdade de uma pessoa porque “conforme fotos que o MPF apresentou em juízo, a semelhança de fato é notável, o que levou este Juízo a afirmar que seria a mesma pessoa”.

Segundo a Folha, foi peremptório: “O juiz chegou a afirmar que os vídeos 'não deixavam qualquer margem para dúvida' e acusava Marice de 'faltar com a verdade flagrantemente”

Uma simples pergunta desmonta tudo: se os bancos gravam seus caixas automáticos para terem segurança de quem efetua a operação, desde quando fazem isso com as pessoas “de costas” ou lhes aparecendo apenas “o cocoruto”. Todos os caixas tem câmaras frontais, no próprio terminal, Dr. Moro, o senhor nunca usou um?

É só ter indagado dos promotores onde estavam estas imagens frontais.

Simples assim.

Mas o direito das pessoas que caiam sob a vara do Dr. Moro não merecem cuidados, a menos que queiram sair negociando para delatar.

Fora daí, todo mundo em cana.

Como deixam claras as palavras do juiz, é como na história do lobo: se não foi você, foi seu pai, seu tio, seu avô.

A Vida e o Direito: Breve Manual de Instruções

Luis Roberto Barroso

I. Introdução

Eu poderia gastar um longo tempo descrevendo todos os sentimentos bons que vieram ao meu espírito ao ser escolhido patrono de uma turma extraordinária como a de vocês. Mas nós somos – vocês e eu – militantes da revolução da brevidade. Acreditamos na utopia de que em algum lugar do futuro juristas falarão menos, escreverão menos e não serão tão apaixonados pela própria voz.

Por isso, em lugar de muitas palavras, basta que vejam o brilho dos meus olhos e sintam a emoção genuína da minha voz. E ninguém terá dúvida da felicidade imensa que me proporcionaram. Celebramos esta noite, nessa despedida provisória, o pacto que unirá nossas vidas para sempre, selado pelos valores que compartilhamos.

É lugar comum dizer-se que a vida vem sem manual de instruções. Porém, não resisti à tentação – mais que isso, à ilimitada pretensão – de sanar essa omissão. Relevem a insensatez. Ela é fruto do meu afeto. Por certo, ninguém vive a vida dos outros. Cada um descobre, ao longo do caminho, as suas próprias verdades. Vai aqui, ainda assim, no curto espaço de tempo que me impus, um guia breve com ideias essenciais ligadas à vida e ao Direito.

II. A regra nº 1

No nosso primeiro dia de aula eu lhes narrei o multicitado "caso do arremesso de anão". Como se lembrarão, em uma localidade próxima a Paris, uma casa noturna realizava um evento, um torneio no qual os participantes procuravam atirar um anão, um deficiente físico de baixa altura, à maior distância possível. O vencedor levava o grande prêmio da noite. Compreensivelmente horrorizado com a prática, o Prefeito Municipal interditou a atividade.

Após recursos, idas e vindas, o Conselho de Estado francês confirmou a proibição. Na ocasião, dizia-lhes eu, o Conselho afirmou que se aquele pobre homem abria mão de sua dignidade humana, deixando-se arremessar como se fora um objeto e não um sujeito de direitos, cabia ao Estado intervir para restabelecer a sua dignidade perdida. Em meio ao assentimento geral, eu observava que a história não havia terminado ainda.

E em seguida, contava que o anão recorrera em todas as instâncias possíveis, chegando até mesmo à Comissão de Direitos Humanos da ONU, procurando reverter a proibição. Sustentava ele que não se sentia – o trocadilho é inevitável – diminuído com aquela prática. Pelo contrário.

Pela primeira vez em toda a sua vida ele se sentia realizado. Tinha um emprego, amigos, ganhava salário e gorjetas, e nunca fora tão feliz. A decisão do Conselho o obrigava a voltar para o mundo onde vivia esquecido e invisível.

Após eu narrar a segunda parte da história, todos nos sentíamos divididos em relação a qual seria a solução correta. E ali, naquele primeiro encontro, nós estabelecemos que para quem escolhia viver no mundo do Direito esta era a regra nº 1: nunca forme uma opinião sem antes ouvir os dois lados.

III. A regra nº 2

Nós vivemos em um mundo complexo e plural. Como bem ilustra o nosso exemplo anterior, cada um é feliz à sua maneira. A vida pode ser vista de múltiplos pontos de observação. Narro-lhes uma história que li recentemente e que considero uma boa alegoria. Dois amigos estão sentados em um bar no Alaska, tomando uma cerveja. Começam, como previsível, conversando sobre mulheres. Depois falam de esportes diversos. E na medida em que a cerveja acumulava, passam a falar sobre religião. Um deles é ateu. O outro é um homem religioso. Passam a discutir sobre a existência de Deus. O ateu fala: "Não é que eu nunca tenha tentado acreditar, não. Eu tentei. Ainda recentemente. Eu havia me perdido em uma tempestade de neve em um lugar ermo, comecei a congelar, percebi que ia morrer ali. Aí, me ajoelhei no chão e disse, bem alto: Deus, se você existe, me tire dessa situação, salve a minha vida". Diante de tal depoimento, o religioso disse: "Bom, mas você foi salvo, você está aqui, deveria ter passado a acreditar". E o ateu responde: "Nada disso! Deus não deu nem sinal. A sorte que eu tive é que vinha passando um casal de esquimós. Eles me resgataram, me aqueceram e me mostraram o caminho de volta. É a eles que eu devo a minha vida". Note-se que não há aqui qualquer dúvida quanto aos fatos, apenas sobre como interpretá-los.

Quem está certo? Onde está a verdade? Na frase feliz da escritora Anais Nin, "nós não vemos as coisas como elas são, nós as vemos como nós somos". Para viver uma vida boa, uma vida completa, cada um deve procurar o bem, o correto e o justo. Mas sem presunção ou arrogância. Sem desconsiderar o outro.

Aqui a nossa regra nº 2: a verdade não tem dono.

IV. A regra nº 3

Uma vez, um sultão poderoso sonhou que havia perdido todos os dentes. Intrigado, mandou chamar um sábio que o ajudasse a interpretar o sonho. O sábio fez um ar sombrio e exclamou: "Uma desgraça, Majestade. Os dentes perdidos significam que Vossa Alteza irá assistir a morte de todos os seus parentes". Extremamente contrariado, o Sultão mandou aplicar cem chibatadas no sábio agourento. Em seguida, mandou chamar outro sábio. Este, ao ouvir o sonho, falou com voz excitada: "Vejo uma grande felicidade, Majestade. Vossa Alteza irá viver mais do que todos os seus parentes". Exultante com a revelação, o Sultão mandou pagar ao sábio cem moedas de ouro. Um cortesão que assistira a ambas as cenas vira-se para o segundo sábio e lhe diz: "Não consigo entender. Sua resposta foi exatamente igual à do primeiro sábio. O outro foi castigado e você foi premiado". Ao que o segundo sábio respondeu: "a diferença não está no que eu falei, mas em como falei".

Pois assim é. Na vida, não basta ter razão: é preciso saber levar. É possível embrulhar os nossos pontos de vista em papel áspero e com espinhos, revelando indiferença aos sentimentos alheios. Mas, sem qualquer sacrifício do seu conteúdo, é possível, também, embalá-los em papel suave, que revele consideração pelo outro.

Esta a nossa regra nº 3: o modo como se fala faz toda a diferença.

V. A regra nº 4

Nós vivemos tempos difíceis. É impossível esconder a sensação de que há espaços na vida brasileira em que o mal venceu. Domínios em que não parecem fazer sentido noções como patriotismo, idealismo ou respeito ao próximo. Mas a história da humanidade demonstra o contrário. O processo civilizatório segue o seu curso como um rio subterrâneo, impulsionado pela energia positiva que vem desde o início dos tempos. Uma história que nos trouxe de um mundo primitivo de aspereza e brutalidade à era dos direitos humanos. É o bem que vence no final. Se não acabou bem, é porque não chegou ao fim. O fato de acontecerem tantas coisas tristes e erradas não nos dispensa de procurarmos agir com integridade e correção. Estes não são valores instrumentais, mas fins em si mesmos. São requisitos para uma vida boa. Portanto, independentemente do que estiver acontecendo à sua volta, faça o melhor papel que puder. A virtude não precisa de plateia, de aplauso ou de reconhecimento. A virtude é a sua própria recompensa.

Eis a nossa regra nº 4: seja bom e correto mesmo quando ninguém estiver olhando.

VI. A regra nº 5

Em uma de suas fábulas, Esopo conta a história de um galo que após intensa disputa derrotou o oponente, tornando-se o rei do galinheiro. O galo vencido, dignamente, preparou-se para deixar o terreiro. O vencedor, vaidoso, subiu ao ponto mais alto do telhado e pôs-se a cantar aos ventos a sua vitória. Chamou a atenção de uma águia, que arrebatou-o em vôo rasante, pondo fim ao seu triunfo e à sua vida. E, assim, o galo aparentemente vencido reinou discretamente, por muito tempo. A moral dessa história, como próprio das fábulas, é bem simples: devemos ser altivos na derrota e humildes na vitória. Humildade não significa pedir licença para viver a própria vida, mas tão-somente abster-se de se exibir e de ostentar. Ao lado da humildade, há outra virtude que eleva o espírito e traz felicidade: é a gratidão. Mas atenção, a gratidão é presa fácil do tempo: tem memória curta (Benjamin Constant) e envelhece depressa (Aristóteles). Portanto, nessa matéria, sejam rápidos no gatilho. Agradecer, de coração, enriquece quem oferece e quem recebe.

Em quase todos os meus discursos de formatura, desde que a vida começou a me oferecer este presente, eu incluo a passagem que se segue, e que é pertinente aqui. "As coisas não caem do céu. É preciso ir buscá-las. Correr atrás, mergulhar fundo, voar alto. Muitas vezes, será necessário voltar ao ponto de partida e começar tudo de novo. As coisas, eu repito, não caem do céu. Mas quando, após haverem empenhado cérebro, nervos e coração, chegarem à vitória final, saboreiem o sucesso gota a gota. Sem medo, sem culpa e em paz. É uma delícia. Sem esquecer, no entanto, que ninguém é bom demais. Que ninguém é bom sozinho. E que, no fundo no fundo, por paradoxal que pareça, as coisas caem mesmo é do céu, e é preciso agradecer".

Esta a nossa regra nº 5: ninguém é bom demais, ninguém é bom sozinho e é preciso agradecer.

VII. Conclusão

Eis então as cláusulas do nosso pacto, nosso pequeno manual de instruções:

1. Nunca forme uma opinião sem ouvir os dois lados;

2. A verdade não tem dono;

3. O modo como se fala faz toda a diferença;

4. Seja bom e correto mesmo quando ninguém estiver olhando;

5. Ninguém é bom demais, ninguém é bom sozinho e é preciso agradecer.

Aqui nos despedimos. Quando meu filho caçula tinha 15 anos e foi passar um semestre em um colégio interno fora, como parte do seu aprendizado de vida, eu dei a ele alguns conselhos. Pai gosta de dar conselho. E como vocês são meus filhos espirituais, peço licença aos pais de vocês para repassá-los textualmente, a cada um, com toda a energia positiva do meu afeto:

(i) Fique vivo;

(ii) Fique inteiro;

(iii) Seja bom-caráter;

(iv) Seja educado; e

(v) Aproveite a vida, com alegria e leveza.

Vão em paz. Sejam abençoados. Façam o mundo melhor. E lembrem-se da advertência inspirada de Disraeli: "A vida é muito curta para ser pequena".