sábado, 31 de janeiro de 2015

Como Funcionava a Empresa de Fachada da Globo

EXCLUSIVO: Nas Ilhas Virgens, nosso enviado conta como funcionava a empresa de fachada da Globo
Por : Joaquim de Carvalho

O “endereço” da “Empire” nas Ilhas Virgens: empresa “era só no papel”, diz advogado

Em uma nova reportagem da série sobre a COMPRA dos direitos da Copa do Mundo de 2002 pela Globo, o jornalista Joaquim de Carvalho foi às Ilhas Virgens contar in loco como funcionava a empresa de fachada. Joaquim esteve no paraíso fiscal e visitou a suposta sede. As demais matérias podem ser encontradas aqui.

O dia amanhece com galos cantando em pleno centro de Road Town, capital das Ilhas Virgens Britânicas, no Caribe, onde, em 2001, a Rede Globo comprou uma empresa por cerca de 220 milhões de dólares. O que poderia haver de tão valioso no Caribe para que a Rede Globo fizesse um investimento deste porte?

O esconderijo para um tesouro é a resposta mais apropriada. Exatamente como no tempo dos piratas, que por sinal fizeram história por aqui, como o lendário Barba Negra. E para piratas no passado, assim como para sonegadores de impostos, corruptos, traficantes de drogas e de armas no presente, o melhor lugar do mundo é onde se pode guardar a riqueza ilícita longe dos olhos das autoridades. Um paraíso. Isso é Ilhas Virgens.

Quem conhece bem os meandros deste paraíso fiscal é o advogado brasileiro Marcelo Ruiz, que desde 2011 trabalha para um escritório de recuperação de ativos instalado no centro financeiro de Road Town. Seu trabalho é descobrir quem está por trás das empresas abertas no país, que integra a Coroa Britânica, e repassar os dados para os escritórios das nações onde correm processos — Cayman, Suíça ou Brasil, por exemplo.

Ele, evidentemente, não trabalha sozinho. Além dos advogados de todos os continentes que dividem com ele um andar inteiro no edifício Fleming House, onde está uma das maiores empresas de telefonia móvel do país, a Lime, ele trabalha com a Kroll e outras empresas de investigação formada por ex-agentes da CIA, Scotland Yard e FBI.

“Essas empresas trabalham para a gente como suporte. Mas quem repatria são os advogados”, diz. Tudo com base na lei. No passado, era quase impossível chegar aos crimiminosos. Mas a justiça no mundo inteiro tem reconhecido o direito da vítima de identificar seus algozes e reparar o dano, inclusive o financeiro – caso de acionista lesado, ex-esposa passada para trás na partilha e nós, o povo, no caso da sonegação ou da corrupção.

“Havendo um processo judicial, mesmo que em outro país, a justiça reconhece o direito de quebrar o sigilo da empresa sob sua jurisdição”, explica Marcelo.

Foi assim que escritórios parceiros da banca onde Marcelo trabalha repatriaram o dinheiro da corrupção no caso do juiz Nicolau dos Santos Neto, o Lalau, e do ex-prefeito Paulo Maluf, de São Paulo.

Marcelo não entra em detalhes por conta de cláusulas de confidencialidade, mas admite que seu escritório trabalhou no caso em que Ricardo Teixeira foi acusado de receber propina para favorecer emissoras de telvisão na venda dos direitos de transmissão da Copa do Mundo. O suborno foi depositado numa conta de empresa aberta nas Ilhas Virgens Britânicas. Ricardo Teixeira fez acordo com a Justiça na Suíça, sede da Fifa, pagou multa milionária e se safou de uma condenação. Mas teve que se afastar do futebol profissional, e vive num autoexílio na Flórida, Estados Unidos.

Road Town não é a única coincidência que une a Globo a Ricardo Teixeira. Assim como o ex-presidente da CBF e dirigente da Fifa, a Globo também buscou refúgio naquele paraíso fiscal. Em junho de 1999, através de outra empresa offshore, a Globo abriu a Empire Investment Group Ltd., com capital de aproximadamente 220 milhões de dólares.

Em 2001, a Globo comprou, através de sua matriz brasileira, a mesma empresa. Informou ao Fisco que buscava expansão no mercado internacional de TV, e omitiu o fato de que a empresa já era dela. Mais tarde, quando investigou a Globo, a Receita Federal descobriu a fraude.

O auditor fiscal Alberto Zile escreveu: “As operações arroladas dão a clara ideia de que vários atos praticados pela fiscalizada estavam completamente dissociados de uma racional organização empresarial e, consequentemente, de que a aquisição da sociedade empresarial nas Ilhas Virgens Britânicas foi apenas um disfarce de uma aquisição dos direitos de transmissão,  por meio de televisão, da competição desportiva de futebol internacional, com intuito de fugir da tributação”.

A Empire era titular dos direitos de transmissão, comprados por outra offshore da Globo junto a uma intemediária da Fifa, a ISL. A Empire, apesar de possuir um bem tão valioso como o direito de transmissão da Copa do Mundo, funcionava sem sede própria nas Ilhas Virgens.

A Empire dividia o mesmo endereço da Ernst & Young Trust Corporation, com a qual compartilhava também a caixa postal. “Com essas informações, não resta dúvida, a Empire era só papel, não tinha atividade nenhuma”, diz o advogado brasileiro que trabalha em Road Town desvendando o que há por trás das offshores.

Quando cheguei a Road Town, através de um barco que faz a travessia de Saint Thomas, nas Ilhas Virgens Americanas, onde tem um aeroporto maior, fui procurar a Empire. “Nunca ouvi falar”, disse o funcionário de uma empresa de informática no térreo do prédio onde funcionava a Ernst & Young.

“Já prestei serviço para muitas empresas daqui, mas nunca soube que existisse essa empresa Empire. Duzentos e vinte milhões de dólares? É muito dinheiro…”, comenta o taxista Roy George, um dos poucos que aceitam se identificar num assunto “muito delicado”, como observa o dono de uma empresa vizinha da Empire.

Os documentos de fundação da Empire trazem apenas a assinatura de uma procuradora autorizada, Nancy E. A. Grant, e de uma testemunha, Hellen Gunn Sullivan. Eu procurei as duas, primeiro no antigo escritório da Ernst & Young, no Jayla Place. “Eles se mudaram”, informou a gerente da Appleby, empresa que também administra offshore (legal, como informa em seu site), que agora ocupa a metade do terceiro andar do edifício antes sede da EY.

A Ernest & Young foi para outro endereço, mais distante do centro, no luxuoso prédio Ritter House, ao lado da marina The Moorings. “Não conheço nenhuma delas”, diz a advogada que nasceu em Santo Domingo, República Dominicana, que me atendeu em pé, na recepção do escritório. Ao ser informada do assunto, fez questão de esclarecer: «Em Road Town, não administramos mais offshore. Somos uma empresa de contabilidade.»

É um fato. A EY transferiu todas as suas atividades de trust (administração por relação de confiança) para as Bahamas, e vendeu seus ativos (as empresas de papel) para a Tricor, que funciona no prédio do First Caribbean Bank. Carol, a gerente inglesa da Tricor,  demonstrou incômodo quando me apresentei como jornalista brsileiro.

“O que você faz aqui?”, questionou, para em seguida dizer que Nancy, a procuradora da Empire (leia-se Globo), era sua antecessora na gerência da empresa. “Ela voltou para a Inglaterra, mas mesmo que estivesse aqui não poderia dar informação. Essas informações são fechadas”, disse.

Certamente, ela não sabe que a propriedade da Empire deixou de ser segredo quando o auditor Alberto Zile, a partir de uma denúncia vinda do exterior, vasculhou os documentos da Globo e descobriu que a Empire foi criada pela própria empresa brasileira. Segundo a Receita, o objetivo era sonegar impostos, o mesmo objetivo de milhares de empresas que se instalam por aqui.

Nas Ilhas Virgens Britânicas, os agentes fiduciários silenciam, mas o galo canta por toda parte, e é comum ver galinhas e pintinhos pelas praças e ao redor das mesas dos restaurantes à espera de que alguém jogue comida. É que a ave vive livre como os pombos no Brasil, embora os moradores gostem da carne no prato. Mas comem apenas o que compram no SUPERMERCADO.

“Muitos séculos atrás, os espanhóis trouxeram as galinhas, e elas foram crescendo, crescendo, e nós gostamos de vê-las por aí”, conta o taxista Roy George, que tem curso superior. O filipino Gilberto Fabian se surpreendeu quando chegou ao país para trabalhar um ano atrás e viu tantas galinhas pela rua. “Em Manila, não ficava uma viva. O povo lá tem fome”, afirma

As Ilhas Virgens Britânicas têm uma das rendas per capita mais altas do mundo — quase 40 mil dólares por ano, salário mínimo de 2 500 dólares –, graças a uma economia impulsionada pela natureza bela e exuberante e ao suporte nos negócios financeiros. O segredo é a razão do sucesso do mercado financeiro.

Empresas instaladas aqui pagam taxas anuais, que garantem boa receita ao governo, mas não são nada se comparado ao que pagariam de impostos em seus países de origem. Este é um dos motivos da instalação de mais de quinhentas mil empresas, o dobro do número de habitantes.

Existem empresas que se instalam em Road Town, ainda que só existam no papel, e agem dentro da lei em seus países de origens, mas para a Receita Federal não foi este o caso da Globo. Não foram também as praias de água cristalina nem a floresta verde esmeralda que a fizeram aportar por aqui. Ilhas Virgens Britânicas se apresentam como Nature’s Little Secrets. Ou Segredinhos da Natureza. É um slogan que explica alguma coisa.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Gilmar Segura Voto Há 300 Dias!

Parabéns pra você, nessa data querida, Eduardo Cunha!

Como se sabe, Eduardo Cunha, já sentado na cadeira de Presidente da República, prometeu: não vai ter Ley de Medios e vai continuar a ter financiamento de empreiteira a político.

Parabéns, Presidente!

Da Agência PT de Noticias:

300 dias com Gilmar

Ministro do Supremo segura ação que pode impedir o financiamento empresarial de campanha

Completam, nesta terça-feira (27), 300 dias do pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), da ação que pede o fim de doações de empresas para candidatos, comitês eleitorais ou partidos políticos. O julgamento, iniciado no dia 2 de abril de 2014, foi suspenso quando contava com 6 votos a favor e um contra.

A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4650), movida pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados no Brasil (OAB), pede mudanças nas Leis 9.096/1995 e 9.504/1997, que disciplinam o financiamento de partidos políticos e campanhas eleitorais. A entidade integra, juntamente com outras 102 organizações da sociedade civil, o projeto da coalização pela reforma política.

De acordo com o regimento da Corte, os autos do processo deveriam ter sido devolvidos há 270 dias. O pedido de vista é um recurso usado por magistrados para estender o prazo de análise do processo antes de manifestar seu voto, estipulado em até 30 dias.

Até a interrupção do julgamento, haviam votado a favor os ministros Luiz Fux, relator do processo, Dias Toffolli, Luís Roberto Barroso, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa, na época presidente do Supremo, e Marco Aurélio Mello. O ministro Teori Zavascki foi o único até o momento a votar contra a proposta.

Além de Gilmar Mendes, faltam ainda os votos das ministras Rosa Weber e Cármen Lúcia e do ministro Celso de Mello.

Campanha – Criticado pela morosidade em dar continuidade ao julgamento da ação, o ministro Gilmar Mendes é alvo de campanha na internet que pede a imediata conclusão do processo. Até mesmo um evento no Facebook, com 7,4 mil pessoas confirmadas, foi criado para lembrar dos documentos engavetados.

Atualmente, empresas são autorizadas a doar para candidatos, partidos ou campanhas até 2% do faturamento bruto no ano anterior. As doações podem ser feitas dentro ou fora de períodos eleitorais. Em 2014, 70,6% dos R$ 4,3 bilhões arrecadados pelos candidatos partiu de empresas.

Assim que o julgamento for concluído, os ministros do Supremo terão de definir a data que a nova regra passará a valer. Entretanto, a demora de Gilmar Mendes em devolver o processo para voto dos demais ministros poderá invalidar a mudança para as eleições para prefeitos, em 2016.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

FAB Não Diz Quem É O Dono do Jatinho

Quero que apurem tudo, de pessoas de todas as cores e enviar os bandidos para a cadeia. Mas o responsável por isso não é a governamental PF?  Omar

Só que a "governamental" PF está sob o comando do "Zé da Justiça" que, conforme PHA, é mais oposição do que os tucanos. E o pior é que Dilma não substitui esse zezinho.  Franklin

A Polícia Federal é uma das instituições responsáveis, mas não é a única e nem a mais importante. Sua responsabilidade está restrita às investigações, sob supervisão do Ministério Público, este sim, a mais importante das instituições responsáveis pela apuração dos crimes. Os inquéritos policiais indiciam criminosos, mas quem os denuncia é o Ministério Público. A segunda mais importante instituição nesse mister é a justiça, a quem cabe julgar, condenar ou inocentar os denunciados, podendo até simplesmente desprezar os inquéritos policiais, como, aliás, fez o Joaquim Barbosa na AP 470, quando escondeu e não levou em consideração o inquérito policial 2474, subscrito pelo Delegado Federal Luiz Carlos Zampronha, no qual o citado profissional comprovava, documentalmente, que os recursos do Fundo Visanet não eram públicos e, tampouco, haviam sido desviados. Coloco a justiça em segundo plano em virtude do princípio da inércia do juiz, significando que ele só pode agir por provocação das partes. Atualmente, alguns juízes arvoram-se na condição de investigadores, o que é uma excrescência em termos jurídicos, pois é inadmissível o acúmulo de funções em um só ente dentro de um processo. Quem investiga não denuncia, quem denuncia não julga e quem julga não pode interferir nas etapas anteriores do processo.  Tarcílio

Por que diabos não se tem um aprofundamento dessas duas questões: os donos do jatinho e  dos 450kg de coca?

Esqueçamos a PF. Onde está o pig, o investigativo pig, que, segundo os direitopatas, não é o pig?

Entra assunto, sai assunto; surgem fatos e versões; o pig trabalha feito o cão, mas nada sobre esses casos.

Omar, Acelino e os demais vigias: por que só se fala de bandidagem dos inimigos esquerdopatas? Antônio Aureliano

FAB não diz quem é o dono do jatinho

E agora, zé da Justiça?

A Aeronáutica descartou algumas hipóteses sobre a causa do acidente aéreo que matou sete pessoas em Santos (SP) em agosto do ano passado, entre elas o candidato a presidente e ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

Segundo a Aeronáutica, não motivaram o acidente:

- uma colisão com animais;

- um choque com um veículo aéreo não tripulado (Vant) que estava a 20 km do local;

- aeronave no dorso, ou seja, de cabeça para baixo;

- fogo em voo;

- colisão com obstáculo em voo.

De acordo o chefe do Cenipa, brigadeiro Dilton José Schuck, a primeira fase da investigação está praticamente encerrada e os técnicos estão começando a fazer as análises. Por isso, ainda não se  investiga qual a hipótese mais provável da causa do acidente.

“Estamos entrando na fase de análise de dados. Não há ainda qualquer conclusão factível em cima do que coletamos. Nenhuma hipótese foi desenvolvida ou criada”, disse.

Para o tenente-coronel Raul de Souza, o comandante da aeronave precisava de um treinamento de diferença e que o copiloto precisava ter feito um curso completo para pilotarem o avião. Ele disse que a falta de habilitação ainda será investigada para determinar como e se contribuiu para o acidente.

“A gente não pode afirmar que houve falha humana, ainda”, afirmou o tenente-coronel.

As  investigações são divididas em três fases: coleta de dados, análise dos dados e conclusões.

Portanto, a bola volta ao campo do incomparável ministro da Justica, o zé, chefe da Policia Federal (ex-Republicana): quem é o dono do jatinho?

Sim, porque não há esperança de o Juiz Moro, agora um héroi da Globo Overseas, vir a elucidar o misterio.

E será uma conquista da “Civilização Brasileira”.

Criar no Direito Comercial – ou no Criminal – a figura do “jatinho sem dono”.

Carro tem dono. Cesto de frutas tem dono. Tubo de pasta de dentes tem dono.

Mas, no “Brasil zé”, jatinho pode não ter dono …

Paulo Henrique Amorim

domingo, 25 de janeiro de 2015

O Estrondoso Silêncio do Aécio

E DO PSDB NO CASO DO BRASILEIRO EXECUTADO NA INDONÉSIA

Um silêncio estrondoso foi o que Aécio Neves e o PSDB ofereceram no caso da execução do brasileiro Marco Archer na Indonésia, apanhado com 13 quilos de cocaína. Nenhum pio sobre Archer e nem sobre a atuação de Dilma.

É uma mudança de paradigma inédita para uma oposição acostumada a criticar qualquer coisa, especialmente em relação à diplomacia.
Dilma divulgou uma nota se dizendo “consternada e indignada”. O embaixador brasileiro foi chamado para consultas, o que representa um agravo. Na sexta, fez um apelo ao presidente Joko Widodo pelo telefone — rechaçado.
O secretário geral do Itamaraty reuniu-se com o embaixador indonésio e manifestou sua “profunda inconformidade”, afirmando que a pena de morte representava “uma sombra” nas relações.
Nesse período, Aécio, Aloysio, Serra e seu governo paralelo no eixo Leblon-Higienópolis-Transilvânia não abriram a boca. Por quê? Férias?
Quando o Brasil foi chamado de “anão diplomático” por um estafeta de Israel, Aécio se locupletou. O país não deveria ter dado “palavra mais clara de convocação ao cessar-fogo” entre israelenses e palestinos.
“Temos que condenar o uso excessivo de força de Israel, mas também temos que condenar as ações do Hamas com lançamento excessivo de foguetes. O Brasil se precipitou, ao meu ver”, declarou.
Sobre o Estado Islâmico, ele foi mais duro. “Fiquei estarrecido com as declarações da presidente da República na ONU”, falou. “A presidente propõe diálogo com um grupo que está decapitando pessoas”.
O que teria feito Aécio Neves se acoelhar? Ainda que Dilma tenha acertado no episódio, há sempre um flanco a ser atacado para quem vive disso. Comparar a indignação com a Indonésia à complacência com Cuba nos direitos humanos, por exemplo?
Ou, como fez Rachel Sheherazade, avisar que Dilma Rousseff pode “bater o pé, mandar voltar o embaixador, mas não tem poder de interferir na decisão judicial de um outro país”. Para Rachel, Archer “deu azar de ser flagrado num país sério, onde a Justiça dá o exemplo: aqui se faz, aqui se paga.” (Essa tara por justiceiros ainda vai dar muita alegria à cada vez mais aloprada Sheherazade).
Aécio Neves e seu partido ficam devendo a seus eleitores uma resposta sobre por que ficaram na moita e deixaram Dilma solar num capítulo de gigantesca comoção nacional.

Depois de Aécio, Agora o Tesoureiro do PSDB é Acusado de Envolvimento Com Tráfico

Por Maria Frô

Depois de Aécio, agora o tesoureiro do PSDB é acusado de envolvimento com tráfico

Senador Paraguaio denúncia Tesoureiro Nacional do PSDB por envolvimento com o tráfico internacional de drogas

Tesoureiro Nacional do PSDB e Governador Eleito pelo MS, Reinaldo Azambuja e o atual Presidente do PSDB, Aécio Neves

Depois da repercussão nacional e internacional envolvendo o nome do Presidente do PSDB, Aécio Neves com helicóptero pertencente, a Agropecuária Limeira, preenchido com 450 quilos de cocaína, no qual foi divulgado amplamente pelo canal Telesur e um dos sites mais famosos dos EUA, o TMZ.

Agora é a vez do Tesoureiro Nacional do PSDB estar envolvido com o Narcotráfico Internacional de Drogas. A denúncia partiu do Senador Paraguaio Arnoldo Wiens, membro da comissão que investiga o assassinato do jornalista Pablo Medina e de sua assistente, Antônia Almada. Ele apontou o Tesoureiro Nacional do PSDB, e Governador eleito de Mato Grosso do Sul Reinaldo Azambuja como alguém que tem muita amizade com clã liderado pelo ex-prefeito de Ypejhú , Vilmar “Neneco” Acosta Marques, fugitivo da Justiça.

O senador disse ainda que a Interpol está investigando o caso e analisou ser muito importante que a classe política brasileira também investigue. “E eu acho que seria muito interessante também para ver qual a reação da classe política brasileira, no sentido de que eles também querem que investiguem sua classe política , como estamos fazendo no Paraguai. Porque estamos diante de uma situação em que a sociedade , cidadãos , a mídia vai dizer: não quero um estado governado por traficantes de drogas”, justificou. O senador disse que já tem reunião marcada com o procurador-geral do Brasil.

Vilmar “Neneco” Acosta Marques é apontado como o maior contrabandista de maconha e cocaína para o Brasil, principalmente para as regiões Sul e Sudeste do País. “Neneco” também é acusado por diversos homicídios e chacinas no Paraguay.

DEA veio ao Brasil, após mídia internacional envolver Aécio Neves com tráfico internacional de drogas

Depois das denúncias a respeito das irregularidades em relação ao aeroporto de Cláudio (MG) envolvendo a polêmica pista de pouso com o tráfico de drogas, a Drug Enforcement Administration (DEA) esteve no Brasil no mês de novembro.

O juiz federal Marcus Vinícius Figueiredo de Oliveira Costa do Espirito Santo, recebeu em seu gabinete o agente da Polícia Federal Rafael Pacheco. Ele estava acompanhado de dois homens que falavam português com sotaque.

Apresentaram-se ao juiz como agentes da DEA – a agência antidrogas americana. Os investigadores estrangeiros queriam saber o local do pouso do helicóptero que trouxe de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, pelo menos 445 quilos de pasta base de cocaína. O local do pouso estava registrado no GPS da aeronave.

A conversa era informal e se alongou. Os agentes da DEA contaram ao juiz que, assim como o México é a rota da droga para os Estados Unidos, o Brasil se transformou no principal corredor da cocaína exportada para a Europa, e assim como no México o tráfico de drogas alimenta a política, no Brasil não seria diferente, e essa especulação que envolve o nome do Senador Aécio Neves, “os interessa e muito”!

Os Estados de São Paulo (Alckimin), Paraná (Beto Richa), Minas (Aécio) e Mato Grosso do Sul (Azambuja), todos do PSDB, fazem parte da rota do tráfico internacional de drogas, acompanhe…

O Piloto Alexandres do conhecido “Helicoca de Minas” dá detalhes. Diz que o voo do helicoca saiu de São Paulo dia 19 de Novembro de 2013, foi para o aeroporto de Avaré, onde pernoitou.

Estive neste aeroporto, que é administrado pelo governo do Estado de São Paulo. Soube que o avião chegou perto do por do sol, ficou ali, enquanto os dois tripulantes foram levados de táxi para o hotel Vila Verde.

Na manhã seguinte, reabastecido, saíram. Num aeroporto privado, em Porecatu, no Paraná, fizeram escala para reabastecimento e partiram para a região da fronteira.

O GPS indica que pousaram em Pedro Juan Caballero, do lado paraguaio. Alexandre diz que foi em Ponta Porã, do lado brasileiro. Não é apenas um detalhe.

Se assumir que esteve no Paraguai, Alexandre estará confessando participação no tráfico internacional de entorpecentes, com pena mais severa.

Da fronteira, os dois voltaram para São Paulo, com duas paradas, uma em Porecatu e outra em Avaré, onde permitiram que um funcionário fizesse o reabastecimento, apesar do helicóptero estar abarrotado de sacolas com cocaína.

De Avaré, foram para Jarinu, na Grande São Paulo, num pouso que, apesar de muito importante, ainda não teve a investigação aprofundada pela Polícia Federal.

“Deixamos a droga num hotel fazenda, com três homens num jipe verde”. O hotel fazenda é o Parque Danape, um dos maiores da região, e um dos proprietários tem de fato um jipe verde.

Com o helicóptero vazio, foram para o Campo de Marte, onde o helicóptero pernoitou. Os dois foram para o apartamento de Alexandre.

Neste apartamento, Rogério trocou mensagem com um primo e contou que transportava “coca”.

No dia seguinte, Alexandre diz que voltou ao hotel fazenda, onde a droga foi novamente colocada no helicóptero. Ele conta que havia três sacolas a menos, coisa de 50 quilos de cocaína que teriam ficado nesta escala.

Numa investigação preliminar, agentes da Polícia Federal estiveram nas imediações do hotel sem se identificar e produziram uma informação técnica que foi juntada ao inquérito.

No relatório da investigação, a Polícia Federal recomenda outras diligências e, entre parênteses, registra que ali podem estar os proprietários da droga. É um registro curto, até agora sem desdobramento.

Do hotel em Jarinu, o helicóptero foi para Divinópolis, em Minas Gerais, onde houve novo reabastecimento, com a droga no bagageiro e no banco traseiro da aeronave. Em seguida, para Afonso Cláudio (MG), onde aconteceu a apreensão.

Rota do Pó

Está Reaberta a Temporada de Caça a Dirceu

Desta feita PHA falou de modo claro e consistente.  Mas ainda deixou de lado o cuidado de esclarecer que os pagamentos por consultoria foram feitos à firma pertencente a Dirceu e não a este diretamente.  O que ele recebe disso devem ser os honorários de dirigente e a sua parte na distribuição dos lucros por ocasião dos balanços.  A Globo tentou passar a ideia de que os valores, que divulgou no seu noticiário, teriam sido pagos de modo direto a Dirceu.

Onde e como, por exemplo, ganham dinheiro Mailson da Nóbrega e a turma da área econômica do governo FHC?  Alguém já teve a curiosidade jornalística de investigar onde André Lara Resende obteve os recursos financeiros para montar o seu haras em Portugal?  Martinho

A covardia do PT diante da mídia lubrifica a perseguição a seus líderes.

Querem que o Dirceu viva de que ? De BV ? - PHA

Conversa Afiada reproduz excelente artigo de Paulo Nogueira, no DCM:

Lembro uma vez em que o atacante Mario Balotelli, então no Manchester City, exibiu sob a camisa de seu clube uma camiseta que dizia o seguinte: “Por que sempre eu?”

Balotelli, um dos melhores atacantes do time, era sempre objeto de intensas críticas e futricas, a despeito do grande futebol que jogava.

Era como se ele tivesse sido escalado para ser o cara mau.

De certa forma, Zé Dirceu poderia também mostrar uma camiseta com as mesmas palavras: “Por que sempre eu?”

É impressionante a caça a Dirceu. Quando a mídia deseja fazer uma nova rodada de ataque ao PT, você pode esperar. Lá vem “denúncias” sobre Dirceu.

Foram tantos anos de construção pela imprensa de uma imagem de símbolo da corrupção que os donos das empresas de jornalismo sabem que publicar alguma nova história sobre ele vai acender chamas num certo público de estridente e insuperável anafalbetismo político.

A perseguição a Dirceu é feroz. O que você pode ponderar é que o PT jamais teve coragem de enfrentar a mídia, mesmo no tempo de Dirceu.

Numa extraordinária aberração, o PT no poder continuou a abastecer de mensalões os barões da imprensa por meio de mamatas como anúncios, financiamentos, compras de livros e por aí vai.

Em nenhum momento Lula e Dilma disseram: “Bem, chega de farra. 500 milhões por ano para a Globo me bater dia e noite? Chega. Mais 150 milhões por ano para o Silvio Santos encher a emissora de pessoas como Sheherazade e Gentili? Chega.”

E daí sucessivamente. Ah, baixar a zero é muita coisa? Discordo, mas aceito. Então, divida-se o mensalão dos barões por dois imediatamente.

Leio, nos porta-vozes dos patrões, que Dirceu não pode ter consultoria. Quer dizer, então: ele não pode trabalhar.

Vamos tentar entender. Dirceu não pode ser consultor. Mas pessoas saídas de governos do PSDB podem.

FHC colocou na estratégica agência reguladora de petróleo o genro, David Zylbersztayn. Claro que Zylbersztayn era um gênio, e portanto a imprensa não tinha razões para discutir se havia aí nepotismo.

Mas, terminado o casamento, acabou a carreira de Zylbersztayn na cúpula da administração do sogro camarada.

O que ele foi fazer? Foi ser consultor. De petróleo.

Isso pode.

A injustiça no caso de Dirceu é a diferença de tratamento que ele recebe. O que para outros não é notícia nem de rodapé para Dirceu vira manchete.

E vamos entender: para alguém como ele, ou a opção é ser consultor ou, simplesmente, nada.

Altos funcionários de administrações amigas da plutocracia sempre encontram propostas de emprego nas grandes empresas. A plutocracia se protege.

A Globo arrumou ocupação até para o filho de Joaquim Barbosa.

No circuito das palestras, as grandes corporações pagam cachês milionários para seus amigos. (Barbosa está vivendo disso, agora.)

Há uma rede de proteção formidável para os que ajudam o Brasil a ser o que é, um campeão de desigualdade.

Dirceu está do outro lado.

Por que quebrar o sigilo bancário dele? Para reforçar a caricata imagem que se fez dele.

É um crime jornalístico divulgar valores de consultorias antes de investigá-las. Qual seria o valor certo para os serviços prestados por Dirceu? Ou queriam que ele prestasse consultoria de graça?

Mais uma vez, está aberta a temporada de caça a Dirceu, e vale tudo.

Ele poderia repetir Balotelli, repito: “Por que sempre eu?”

Moro é o Ustra da Democracia

A nova Cadeira do Dragão é o PiG


O que o Moro quer ?

Tudo.

O que é tudo ?

Ele quer concluir o trabalho que a AP 470 – o mensalão, o do PT – não fez.

O que a AP 470 deixou de fazer ?

Fechar o PT de vez, imobilizar o PAC, ferrar o Lula (Ali Babá) e a Dilma, e entregar o Brasil ao PSDB e às empreiteiras americanas.

Tão simples quanto isso.

Como ?

Com a conclusão rápida da investigação e do julgamento.

Presos cumprem as penas.

E, para o contribuinte, seu dinheiro de volta.

Quer Justiça mais eficaz do que essa ?

E ainda por cima ferra o PT.

Sim, porque embora não haja um petista indiciado ou citado, o Moro já conseguiu que o PiG transformasse a Lava Jato no “Segundo Maior Escândalo da História” – do PT !

Paulo Moreira Leite já demonstrou como ele  “julga” com o PiG.

Por que ele age assim ?

Porque é vaidoso.

É frio.

É competente.

Ao se olhar no espelho ele deve dizer: eu sou maior que o Joaquim Barbosa !

E, logo, o advogado e a Defesa que se danem  !

A Defesa passa a ser um estorvo no processo criminal.

O “método Moro” significa que o Direito de Defesa vai sucumbir no Brasil.

Como ?

Porque ele é o Ustra da Democracia ! Assim como o Ministério Público é o DOI-CODI da Democracia.

O Moro refinou os princípios do Direito na Democracia corrente: só solta se delatar.

Funciona assim.

Ele prende, não solta, oferece a delação.

O preso pensa: se me defendo, não saio daqui de dentro tao cedo e o PiG lá fora me esculhamba e a minha família.

Se delato – delato qualquer coisa – pego uma mixaria e vou embora.

Se não delato, o Moro me dá 50 anos de cana.

Vou delatar.

O Youssef, por exemplo.

É a terceira “delação” dele.

A segunda com o Moro.

Foi lá, disse o que queria, e o Moro condenou ele a cinco anos, saindo da cadeia direto para uma “domiciliar”.

Não é uma moleza ?

Em bom português, trata-se de uma “extorsão legal”.

Uma extorsão promovida pelo Estado, sob a forma de Direito.

Porque o delator abre mão de qualquer prerrogativa de se defender.

Habeas corpus, recurso, nada !

Ou fala ou fica lá dentro.

O amigo navegante já viu como isso funciona.

No DOI-CODI.

O preso só saía se cuspisse os feijões.

E qual é a Cadeira do Dragão da Democracia Morinha?

O PiG.

Se não ferrar o PT, o PiG te ferra !

Dia 2 de fevereiro a cobra vai fumar.

Acaba o recesso do Judiciário e talvez a gente saiba quem são os detentores de foro privilegiado – políticos -  que caíram na Lava Jato.

Com foro, vai para o Ministro Teori, no Supremo.

Sem foro, cai na Força Tarefa que o Dr Janot criou para a Lava Jato – e se esqueceu  do helicoca e do jatinho sem dono.

E, depois, cai nas mãos suaves do Moro.

E, a conta gotas, o Moro administra o PiG e mantém a chama acessa.

O advogado diz para o cliente: não trabalho com delatores.

Sou pelo “princípio da Legalidade”.

Eu quero te defender.

Com os instrumentos que o Direito confere ao cidadão numa Democracia.

O preso pensa.

É, mas e se eu perder ?

Eu me ferro.

Vou delatar !

E o Moro vira Rei.

Ou o Obama.

Porque ele reproduz o “método Guantánamo”, como diz amigo navegante: ameaça, faz tudo em segredo e obtém a delação que quer.

Isso o Barbosa não conseguiu !

Ser o Obama de Guantánamo ou o Rei do Brasil !

Paulo Henrique Amorim

sábado, 24 de janeiro de 2015

E Se Graça Foster For Ladra?

Não acho que tenha sido a fragilidade dos controles que ensejou essa roubalheira na Petrobras. Acontece que para o crime de quadrilha, especialmente quando dela fazem parte ou a encabeçam elementos participantes da própria diretoria, não há controle, por mais rígido que seja, que impeça a prática das falcatruas. No caso da Petrobras, a quadrilha era dirigida por dois diretores, Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró, e dois gerentes, Pedro Barusco e Venina Velosa. Essas pessoas descumpriram normas, omitiram informações à própria diretoria da qual participavam e, também, do Conselho de Administração. Essas pessoas são todas empregadas da empresa há décadas e sempre gozaram de grande prestígio na empresa desde governos anteriores. Eram, por assim dizer, pessoas acima de qualquer suspeita. Somente no atual governo é que elas começaram a sofrer restrições e suas patifarias foram descobertas.  Tarcílio

Mário Magalhães

Tenho convicção de que não é, a julgar pelo testemunho de amigos e conhecidos que acompanham há muito tempo a trajetória da presidente da Petrobras.

A impressão é referendada pela investigação que devassa a empresa criada em 1953 e descobre uma falcatrua atrás da outra. Nenhuma com indício de participação de Maria das Graças Foster.

Até estourar o escândalo em curso, a imagem de competência da engenheira era praticamente unânime.

Graça Foster não é larápia. Mas se fosse?

Do noticiário recente, impressiona a autonomia que diretores e gerentes da Petrobras tinham ou têm para exercer de gatuno.

Existem conselhos e outros colegiados, mas está claro que suas funções são protocolares. Os mecanismos fiscalizadores não funcionam.

Noutras palavras, se executivos que não se tornaram cabeça da companhia roubaram tanto, confessadamente, imagina se um presidente quiser meter a mão no patrimônio alheio. O estrago será mais grave.

Depende-se da integridade do presidente, porque os controles são fragilíssimos.

A Petrobras foi criada contra interesses poderosos. Desde então foi sabotada pelos inimigos do monopólio estatal do petróleo. Nos anos 1990, eles lograram sucesso, e “o petróleo é nosso'' virou slogan do passado, pelo menos “é 'só' nosso''. Hoje e ontem um consórcio de empresários privados e servidores públicos corruptos, incluindo políticos, sangra  ainda mais a empresa que representou e representa uma conquista do povo brasileiro.

Falta Energia e Falta de Vergonha

Por Paulo Moreira Leite

Não dá para falar no perigo da falta de energia sem debater quem fez campanha permanente contra hidroelétricas
É inacreditável. Os cortes de energia ocorridos nos últimos dias têm sido usados por economistas e observadores ligados à oposição para sua revanche diante dos benefícios obtidos pela população mais pobre nos últimos anos e tentar desgastar o governo.

O argumento é sentimental: dizer que ocorreu uma grande ampliação do consumo, em particular de eletro-domésticos, mas lamentar em tom lacrimoso que não houve um aumento correspondente na oferta de  energia.

O truque é esconder o que ocorreu com nossa oferta de energia — e quem é responsável pelo que acontece agora. Não estamos falando de um episódio que aconteceu ontem ou na semana passada nem há dois anos, mas de uma política de décadas.

Qualquer que seja a causa real para os cortes de energia dos últimos dias, a verdade é que o país estaria em situação muito mais segura e confortável se não tivesse sido obrigado a enfrentar —  e ceder — diante de pressões poderosas, ocupadas  em atrasar os principais  investimentos no setor, com argumentos razoáveis, absurdos ou apenas estúpidos mas que, na prática, apenas contribuíram para enfraquecer o desenvolvimento do país. O governo Lula-Dilma encontrou o dinheiro, fez o projeto, definiu como seria feito — mas foi impedido de seguir em frente, por campanhas políticas, de marketing, ou através da judicialização do debate.

Segunda maior hidroelétrica do país, a terceira maior do mundo, Belo Monte é um projeto de três décadas, que sofre um massacre  sistemático e agressivo,  inclusive campanhas internacionais com estrelas de Hollywood, onde se multiplicaram  ações na Justiça e repentinas preocupações com o bem-estar dos trabalhadores dos canteiros de obras apenas para justificar o apoio a todo tipo de paralisação. Poderia estar pronta, contribuindo para acender lâmpadas no país inteiro, mas só vai entrar em funcionamento no ano que vem. Irá produzir menos da metade de seu potencial porque a pressão ecológica levou a uma reforma do projeto para agradar entidades ambientais.

Contra a usina de Madeira se insurgiram os amigos de um tipo especial de bagres que se reproduzem pelo rio — e poderiam ser ameaçados pelas turbinas.

Faça sua lista e não esqueça de incluir as usinas nucleares que, de uma forma ou de outra, asseguram energia para a maioria das sociedades desenvolvidas, inclusive aquelas que financiam milionárias entidades ecológicas abaixo da linha do Equador. Não pense em teorias da conspiração.

É disputa de interesses, pura e simplesmente, tão antiga como a história do capitalismo. Falando na forma de caricatura, apenas para tornar as questões mais claras: houve uma época na qual as potências mundiais usavam a religião para submeter os povos da América e da Ásia com a ameaça do inferno cristão. Hoje, a ameaça de destruição da Terra serve como argumento ideológico para manter tudo como está — e azar de quem ainda não possui aquilo que necessita e tem direito.

É claro que Marina Silva tem explicações a dar nesse debate, vamos combinar. Suas responsabilidades são óbvias, ainda mais como candidata presidencial, que se apresenta como porta-voz da natureza ameaçada. Emprestou um prestígio adquirido na luta popular para causas que nada têm a ver com a melhoria no bem-estar das maiorias. Ajudou a dividir a resistência brasileira para defender o direito ao desenvolvimento. Mas não só.

Esse discurso só tem ressonância porque expressa interesses muito maiores, que nada têm a ver com os brasileiros que lutam dia e noite por um destino melhor na floresta — mas às grandes forças que sempre governaram o mundo e trabalham diariamente para manter tudo como está. Não foi por acaso que o esforço do PSDB para ampliar nosso parque energético esteve perto da nulidade.

Não se trata de negar a importância de medidas preservacionistas. Elas podem e dever ser estimuladas. A questão é de prioridade: preservar a natureza ou o status quo? Para quem? Para beneficiar o que?

O debate é este.

A Marcha da Insensatez da Mídia com Eduardo Cunha

Luis Nassif

O ano não promete ser fácil.
Na política econômica, o pacote de maldades do Ministro da Fazenda Joaquim Levy impactará a atividade econômica e o emprego. O realinhamento de tarifas afetará os preços. Quando vier para valer, a falta de água em São Paulo, criará um clima insuportável. A Lava Jato manterá elevada a temperatura política e afetará a produção industrial e as obras de infraestrutura.
***
Por tudo isso, só pode se entender como marcha da insensatez o apoio incondicional dado pelos grupos de mídia à candidatura de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara. Para a mídia, Cunha tornou-se um novo sir Galahad, em substituição ao pio ex-senador Demóstenes Torres.
Por várias razões, é uma jogada de alto risco.
Do lado político, por ser um fator a mais de ingovernabilidade.
Do lado ético, por desnudar de forma implacável os chamados princípios morais da mídia. Veja aliou-se ao bicheiro Carlinhos Cachoeira; alçou o ex-senador Demóstenes Torres à condição de paladino da moral e dos bons costumes; blindou todas as estripulias do Ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal); escondeu todos os malfeitos de José Serra.
Mas todos esses episódios foram cometidos nos bastidores.
***
Mas, Eduardo Cunha?! Cunha começou sua vida pública aliado de PC Farias, e foi processado como tal. Depois, assumiu um cargo na companhia habitacional do Rio, no governo Garotinho, e foi acusado de desvios. Teve envolvimento direto com uma quadrilha que fraudava ICMS em distribuidoras de gasolina.
Na Câmara, seu trabalho diuturno foi articular lobbies de grandes grupos. Nas últimas eleições, financiou a candidatura de dezenas de deputados, com recursos repassados por grupos econômicos com a finalidade única de fazer negócios.
Cunha é a definição impura e acabada do parlamentar negocista – aquele contra quem o moralismo da mídia deblatera dia e noite.
***
E o que se pretende com esse apoio? Apenas o desgaste do governo. O governo Dilma não precisa de ajuda para se desgastar: sabe se desgastar sem a ajuda de ninguém.
No campo dos negócios, os grupos de mídia nada conseguirão, apenas piorar mais ainda o mercado publicitário.
O governo Dilma já mostrou que não retalia críticos com cortes de publicidade; mas também não cede a chantagens nem entra em negociatas.
Pode ser que pretendam, através do Congresso, barrar a entrada dos grandes competidores estrangeiros, aprovar leis que reduzam a obrigatoriedade de capital nacional na mídia, conquistar outra anistia fiscal para suas dívidas.
Não conseguirão. De um lado, porque a Câmara não faz política econômica. De outro, porque acumularam tal quantidade de inimigos com o estilo metralhadora giratória que jamais conseguirão montar uma frente pró-mídia.
Frente anti-PT e anti-governo é simples de montar. Pró-mídia, ainda mais em uma fase de crise econômica, impossível.
***
O que e conseguirá com o fator Eduardo Cunha será uma pitada a mais de desmoralização da mídia, mais insegurança econômica – revertendo em menos publicidade – e a confirmação de que jornais não foram feitos para pensar estrategicamente: eles sabem apenas “causar”.

Em 21 de janeiro de 2015 21:53, Delberg Ponce de Leon escreveu:

Publicado em 21/01/2015
Lava Jato é para destruir
Petrobras e empreiteiras

Benayon: Lava Jato manipulada para destruir Petrobras e empreiteiras nacionais

por Adriano Benayon,  via Desenvolvimentistas

1. Não é hipérbole dizer que o Brasil – consciente disto, ou não – vive momento decisivo de sua História. Se não quiser sucumbir, em definitivo, à condição de subdesenvolvido e (mal) colonizado, o povo brasileiro terá de desarmar a trama, o golpe em que está sendo envolvido.

2. Essa trama – que visa a aplicar o golpe de misericórdia em qualquer veleidade de autonomia nacional, no campo industrial, no tecnológico e no militar – é perpetrada, como foram as anteriores intervenções, armadas ou não, pelas oligarquias financeiras transnacionais e instrumentalizada por seus representantes locais e pelo oligopólio mediático, como sempre utilizando hipocritamente o pretexto de combater a corrupção.

3. Que isso significa? Pôr o País à mercê das imposições imperiais sem que os brasileiros tenham qualquer capacidade de sequer atenuá-las.

4. Implica subordinação e impotência ainda maiores que as que levaram o País, de 1955 ao final dos anos 70, a endividar-se, importando projetos de infra-estrutura, em pacotes fechados, e permitindo o crescimento da dívida externa, através dos déficits de comércio exterior decorrentes da desnacionalização da economia, e em função das taxas de juros arbitrariamente elevadas e das não menos extorsivas taxas e comissões bancárias para reestruturar essa dívida.

5. Ora, a cada patamar inferior a que o Brasil é arrastado, o império o constrange a afundar para degraus ainda mais baixos, tal como aconteceu nas décadas perdidas do final do Século XX.

6. Na dos anos 80 ocorreu a crise da dívida externa, após a qual o sistema financeiro mundial fez o Brasil ajoelhar-se diante de condições ainda mais draconianas dos bancos “credores”.

7. Na dos anos 90, mediante eleições diretas fraudadas em favor de ganhadores a serviço da oligarquia estrangeira, perpetraram-se as privatizações, nas quais se entregaram e desnacionalizaram, em troca de títulos podres de desprezível valor, estatais dotadas de patrimônios materiais de trilhões dólares e de patrimônios tecnológicos de valor incalculável.

8. A Operação Lava-jato está sendo manipulada com o objetivo de destruir simultaneamente a Petrobrás – último reduto de estatal produtiva com formidável acervo tecnológico – bem como as grandes empreiteiras, último reduto do setor privado, de capital nacional, capaz de competir mundialmente.

9. Quando do tsunami desnacionalizante dos 90, a Petrobrás foi das raras estatais não formalmente privatizadas. Mas não escapou ilesa: foi atingida pela famigerada Lei 9.478, de 1997, que a submeteu à ANP, infiltrada por “executivos” e “técnicos” ligados à oligarquia financeira e às petroleiras angloamericanas.

10. Essa Lei abriu a porta para a entrada de empresas estrangeiras na exploração de petróleo no Brasil, com direito a apropriar-se do óleo e exportá-lo, e propiciou a alienação da maior parte das ações preferenciais da Petrobrás, a preço ínfimo, na Bolsa de Nova York, para especuladores daquela oligarquia, como o notório George Soros.

11. Outros exemplos do trabalho dos tucanos de FHC agindo como cupins devoradores – no caso, a Petrobrás servindo de madeira – foram: extinguir unidades estratégicas, como o Departamento de Exploração (DEPEX); desestruturar a administração; e liquidar subsidiárias, como a INTERBRÁS e numerosas empresas da área petroquímica.

12. Como assinalam os engenheiros Araújo Bento e Paulo Moreno, com longa experiência na Petrobrás, a extinção do DEPEX fez que a empresa deixasse de investir na construção de sondas e passasse a alugá-las de empresas norte-americanas, como a Halliburton, a preços de 300 mil a 500 mil dólares diários por unidade.

13. Os próprios dados “secretos” da Petrobrás, inclusive os referentes às fabulosas descobertas de seus técnicos na plataforma continental e no pré-sal são administrados pela Halliburton. Em suma, a Petrobrás é uma empresa ocupada por interesses imperiais estrangeiros, do mesmo modo que o Brasil como um todo.

14. Além disso, a Petrobrás teve de endividar-se pesadamente para poder participar do excessivo número de leilões para explorar petróleo, determinados pela ANP, abertos a empresas estrangeiras.

15. Para obter apoio no Congresso, os governos têm usado, entre outras, as nomeações para diretorias da Petrobrás. Essa política corrupta e privilegiadora de incompetentes, já antiga, é bem-vinda para o império, e é adotada para “justificar” as privatizações: vai-se minando deliberadamente a empresa, e depois se atribui suas falhas à administração estatal.

16. Tal como agora, assim foi nos anos 80 e 90, com a grande mídia, incessantemente batendo nessa tecla, e fazendo grande parte da opinião pública acreditar nessa mentira.

17. Mas as notáveis realizações da Petrobrás são obras de técnicos de carreira, admitidos por concurso – funcionários públicos, como foram os da Alemanha, das épocas em que esse e outros países se desenvolveram. Entretanto, a mídia servil ao império demoniza tudo que é estatal e oculta a corrupção oriunda de empresas estrangeira, as quais, de resto, podem pagar as propinas diretamente no exterior.

18. Para tirar do mercado as empreiteiras brasileiras, as forças ocultas – presentes nos poderes públicos do Brasil – resolveram aplicar, contra essas empresas, a recente Lei nº 12.846, de 01.08.2013, que estabelece “a responsabilização objetiva administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira (sic).”

19. Seu art. 2o reza: As pessoas jurídicas serão responsabilizadas objetivamente, nos âmbitos administrativo e civil, pelos atos lesivos previstos nesta Lei praticados em seu interesse ou benefício, exclusivo ou não.”

20. Como as coisas fluem rapidamente, quando se trata de favorecer as empresas transnacionais, a Petrobrás já cuidou de convidar empresas estrangeiras para as novas licitações, em vez das empreiteiras nacionais.

21. A grande mídia, tradicionalmente antibrasileira, noticia, animada, a possibilidade de se facilitar, em futuro próximo, a abertura a grupos estrangeiros do mercado de engenharia e construção civil, mais uma consequência da decisão, contrária aos interesses do País, de considerar inidôneas as empreiteiras envolvidas na operação Lava Jato.

22. Recentemente, nos EUA, foi infligida multa recorde, por corrupção, a um grupo francês, a qual supera de longe os US$ 400 milhões impostos à alemã Siemens. Já das norte-americanas, por maiores que sejam seus delitos, são cobradas multas lenientes, e não está em questão alijá-las das compras de Estado.

23. Já no Brasil – país ocupado e dominado, mesmo sem tropas nem bases estrangeiras – somente são punidas empresas de capital nacional. Fica patente o contraste entre um dos centros do império e um país relegado à condição de colônia.

24. Abalar a Petrobrás e inviabilizar as empreiteiras nacionais implica acelerar o desemprego de engenheiros e técnicos brasileiros em atividades tecnológicas. As empreiteiras são importantes não só na engenharia civil, onde se têm mostrado competitivas em obras importantes no exterior, mas também por formar quadros e gerar de empregos de qualidade nos serviços e na indústria, inclusive a eletrônica e suas aplicações na defesa nacional.

25. Elas estão presentes em: agroindústria; serviços de telefonia e comunicações; geração e distribuição de energia; petróleo; indústria química e petroquímica; construção naval. E – muito importante – estão formando a nascente Base Industrial da Defesa.

26. A desnacionalização da indústria já era muito grande no início dos anos 70 e, além disso, foi acelerada desde os anos 90, acarretando a desindustrialização. Paralelamente, avança, de forma avassaladora, a desnacionalização das empresas de serviços.

27. Este é o processo que culmina com o ataque mortal à Petrobrás e às empreiteiras nacionais, e está recebendo mais um impulso através da política fiscal – que vai cortar em 30% os investimentos públicos – e da política monetária que está elevando ainda mais os juros.

28. Isso implica favorecer ainda mais as transnacionais e eliminar maior número de empresas nacionais, sobre tudo pequenas e médias, provedoras mais de 80% dos empregos no País. De fato, só as transnacionais têm acesso aos recursos financeiros baratos do exterior e só elas têm dimensão para suportar os cortes nas compras governamentais.

29. Como lembra o Prof. David Kupfer, a Petrobrás e seus fornecedores respondem por 20% do total dos investimentos produtivos realizados no Brasil. Só a Odebrecht e Camargo Corrêa foram responsáveis por mais de 230 mil empregos, em 2013.

30. A área econômica do Executivo parece não ver problema em reduzir o assustador déficit de transações correntes (mais de US$ 90 bilhões de dólares em 2013), causando uma depressão econômica, cujo efeito, além de inviabilizar definitivamente o desenvolvimento do País, implica deteriorar a qualidade de vida da “classe média” e tornar ainda mais insuportáveis as condições de vida de mais da metade da população, criando condições para a convulsão social.

31. Por tudo isso, há necessidade de grande campanha para virar o jogo, com a participação de indivíduos, capazes de mobilizar expressivo número de compatriotas, e de entidades dispostas a agir coletivamente.

Adriano Benayon é doutor em economia, pela Universidade de Hamburgo, e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Eduardo Cunha se Complica

Após possível falso ‘grampo’ da PF

Por Redação - de Brasília

Naufraga a boia à qual o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) agarrou-se, na esperança de sair do foco de suspeitas em que foi lançado na Operação Lava Jato. Às vésperas das eleições para a Presidência da Mesa, na Câmara dos Deputados, a Polícia Federal reage ao factoide de uma gravação atribuída a delegados federais, na qual ele é citado como chefe de um esquema mafioso.
Segundo o jornalista Fernando Brito, editor do blog político Tijolaço – um dos mais acessados do país – “o deputado Eduardo Cunha anunciou que um áudio ‘grampeado’ estaria sendo preparado para incriminá-lo nos casos de corrupção da turma do Paulo Roberto Cunha e Alberto Yousseff”.
“Quem o escutar verá que tem toda a pinta de armação, mesmo, pois os personagens falam de forma inverossímil. De qualquer forma, será fácil identificar a origem, tanto da gravação quanto das vozes que ela registra, se o deputado informar quem lhe passou a ‘muamba’ policial. (…) A gravação parece seguir um roteiro ‘encomendado’ para se mostrar mesmo uma armação. O que existe contra o deputado é a confissão, com todas formalidades a legitimá-la, de um policial federal que admite que fazia entregas de dinheiro a políticos e empreiteiros. E a favor do deputado a declaração do advogado de Yousseff que sempre se apressa a negar qualquer detalhe que envolva políticos que fazem oposição ao Governo, mas que é esquivo e concorda, silenciosamente, com qualquer menção a governistas”, afirma o jornalista.
A possível peça de ficção estabeleceu a guerra entre os rivais Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Cunha. A campanha petista tratou de mostrar que o adversário se fazia de vítima e, segundo o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), trata-se de um fato “inaceitável” a armação supostamente orquestrada pela PF, a mando do governo, com o objetivo de constranger sua candidatura:
– É tanto quanto incompreensível a fala dele. Se essa gravação é falsa, ele deve colocar uma denúncia dizendo isso, mas não criar outra falsa acusação. Chamar a imprensa para acusar o governo e a Polícia Federal de estarem forjando para interferir no resultado da eleição é algo inaceitável – afirmou Fontana, a jornalistas.
O parlamentar gaúcho considerou “erro” de Cunha veicular o assunto em meio à disputa pela Presidência da Câmara, principalmente, porque o nome dele já havia surgido nas investigações do esquema de propina conduzido por Yousseff. Na antevéspera, Eduardo Cunha distribuiu à imprensa CDs com cópias do áudio que simula uma conversa entre uma pessoa que supostamente conhece o deputado com outra se passava por um policial.
O deputado Paulo Teixeira (PT-SP), um dos coordenadores da campanha de Chinaglia, escreveu em sua página no Twitter que foi uma tentativa de Cunha de criar um factoide. Da outra parte, a campanha de Cunha diz que tudo não passa de uma armação de grupos que querem eleger o petista e atribui os atos aos mesmos “aloprados” que agiram durante o governo Lula.
– Eduardo Cunha, sentindo a derrota para a Presidência da Câmara, inventa um factoide, e atira-se na área para cavar um pênalti – compara Teixeira.
O deputado Eduardo Cunha, na sequencia dos fatos, relata que conversou por telefone, na véspera, com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que estava em Madrid, a convite do governo Espanhol. Ele garantiu que o irá encontrar, na próxima terça-feira, para tratar da gravação.
– Quero essa investigação, mesmo que ela somente seja concluída depois da eleição da Mesa Diretora – diz o peemedebista.
Cunha, segundo afirmaram coordenadores da campanha petista, tenta se adiantar a possíveis denúncias deverão surgir nos próximos dias, por parte do Ministério Público, dentro da Operação Lava-Jato.
Segundo o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), o que ainda sustenta a campanha de Cunha “é o dinheiro”.
– Politicamente, a campanha de Eduardo Cunha não se sustenta. O que o mantém no páreo é o pagamento das despesas de campanha de muitos deputados, em troca do apoio deles à sua candidatura – concluiu.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Caixa 2 Milionário

MP denuncia caixa 2 milionário de deputados que fizeram campanha para Aécio no Rio


O grosso da denúncia envolve caciques do PMDB dissidente que apoiaram o voto “Aezão”, ou seja, Luiz Fernando Pezão (PMDB) para governador e Aécio Neves (PSDB) para presidente.
Helena Sthephanowitz, via RBA
A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) do Rio de Janeiro representou contra oito deputados eleitos, sendo quatro federais e quatro estaduais, por fazerem material gráfico da campanha de 2014 “por fora” do que consta das notas fiscais, segundo os procuradores, caracterizando caixa 2.
O grosso da denúncia envolve caciques do PMDB dissidente que apoiaram o voto “Aezão”, ou seja, Luiz Fernando Pezão (PMDB) para governador e Aécio Neves (PSDB) para presidente. O deputado estadual e presidente do PMDB fluminense, Jorge Picciani, e seus dois filhos, o deputado federal Leonardo Picciani e o estadual Rafael Picciani, gastaram mais de R$1 milhão cada um em material gráfico “por fora”, sempre segundo a PRE/RJ.
O deputado estadual André Lazaroni, do PMDB e do Aezão, também teve mais de R$1 milhão em material gráfico “por fora”. O deputado federal Otávio Leite (PSDB) teve mais de R$500 mil “por fora”. O deputado federal Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, R$100 mil. Assim, os apoiadores de Aécio Neves usaram mais de R$4,6 milhões em material de campanha não contabilizado, vulgo caixa 2.
Completam a representação da PRE, mais de R$100 mil do deputado federal Pedro Paulo (PMDB), principal aliado do prefeito Eduardo Paes (PMDB), que não aderiu ao “Aezão”, e R$90 mil do deputado André Ceciliano, do PT.
O esquema era feito com a empresa de comunicação visual High Levels e uma rede de gráficas, onde a quantidade de impressos declarados nas notas fiscais eram menores do que a produção real. Uma planilha “de gaveta” apreendida por fiscais do TRE discrimina os valores pagos “por dentro” e “por fora” de cada um dos deputados.
O governador Luiz Fernando Pezão também consta desta planilha e foi denunciado em outro processo à parte, junto ao vice Francisco Dornelles, presidente de honra do PP e primo de Aécio Neves. Foi quem nomeou o senador tucano diretor da Caixa Econômica Federal durante o governo Sarney, quando era recém-formado.
Como agravante, a High Levels prestava serviços de produção gráfica para a prefeitura do Rio e para o governo estadual, o que leva a outras linhas de investigação muito além das irregularidades de campanha eleitoral.
As investigações foram iniciadas quando a juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza, responsável pela fiscalização da propaganda, estranhou a pequena tiragem declarada diante da quantidade de placas espalhadas do deputado federal Pedro Paulo (PMDB) e da deputada estadual Lucinha (PSDB). A juíza determinou a verificação do endereço da gráfica e descobriu que no local funcionava apenas um salão de beleza. A poucos metros funcionava a High Levels Signs, que impressionou pelo parque gráfico e pelo volume de propaganda política.
Os fiscais do TRE/RJ simularam ser assessores de candidatos interessados na produção de material de campanha, desde que a gráfica concordasse em fazer constar das placas uma tiragem inferior à efetivamente entregue. “Claro que fazemos, essa é uma prática muito comum”, respondeu a recepcionista, que passou a elencar nomes de candidatos que encomendam material com tiragem adulterada, sem saber que tudo estava sendo gravado.
Uma operação conjunta da Justiça Eleitoral com a Polícia Federal em 8 de agosto de 2014 lacrou a empresa e apreendeu documentos e materiais que comprovariam fraudes e provável caixa 2, como ordens de serviço com tiragem de placas, banners e panfletos menor do que a quantidade realmente entregue aos candidatos.
Além dos oito denunciados, na operação foram encontrados material de campanha de Rodrigo Bethlem (PMDB), desistente ao ver sua candidatura abatida por um escândalo de propinas na prefeitura quando foi secretário municipal, e Sávio Neves (PEN), não eleito e, coincidentemente, também primo de Aécio Neves.
Nas ações, a PRE pede a perda dos mandatos. O procurador regional eleitoral Paulo Roberto Berenger disse: “Houve verdadeira prática de conduta ilícita pelos políticos, na medida em que a não declaração dos gastos em campanha se comprova pelos documentos alcançados pela Polícia Federal, pelo relatório do TRE que apurou a existência de diversas irregularidades, bem como pelas conclusões da Receita Federal, que constatou a omissão de receitas pelas empresas […]. A ausência de declaração de todas essas despesas na prestação de contas é uma omissão relevante na contabilização de gastos eleitorais, indicando que houve gastos ilícitos de recursos para fins eleitorais”.
Apesar dos deputados do Aezão terem feito campanha para Aécio em seus materiais impressos, o senador tucano não foi denunciado pois, a princípio, as irregularidades teriam sido cometidas à sua revelia e por campanhas de terceiros, mesmo o favorecendo.
A notícia enfraquece politicamente a candidatura do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB) à presidência da Câmara dos Deputados, pois mesmo sem seu nome estar envolvido, atinge seu entorno e sua base política no PMDB fluminense.

Criminalizar a População

Luciano Martins Costa: A ordem é preservar Alckmin

by bloglimpinhoecheiroso

O apagão de São Paulo
Luciano Martins Costa, via Observatório da Imprensa

A gestão da comunicação em torno da crise de abastecimento de água na região metropolitana de São Paulo está sendo feita por um gabinete junto ao governador Geraldo Alckmin. A equipe de assessores da Sabesp ficou encarregada apenas de ações defensivas e pontuais, como o encaminhamento de declarações e dados para os consumidores e para jornais e emissoras cujo noticiário se desvia eventualmente do padrão estabelecido por praticamente toda a imprensa: a prioridade é preservar o governo paulista e criminalizar os cidadãos que ainda não aderiram ao racionamento dissimulado.

Na comunicação direta com o contribuinte, a Sabesp tem trabalhado com textos ambíguos até mesmo para informar cortes no fornecimento de água ou redução na pressão do bombeamento. Por exemplo, ao anunciar a suspensão do serviço na região da Avenida Paulista, no último fim de semana, a empresa informava que a medida era necessária “devido a falta de energia que afeta o abastecimento”. Ou seja: a culpa da falta de água agora é da Eletropaulo.

A principal preocupação do gabinete de crise não é apenas conscientizar o consumidor, mas evitar que a opinião pública faça associações que levem ao ponto de origem do problema: a incúria do governo do estado, que vem sendo prevenido há mais de uma década sobre a redução da oferta de água no sistema que abastece a capital paulista e as cidades vizinhas.

A mensagem da Sabesp tenta diluir as responsabilidades, criando outro foco na própria máquina do Estado – a empresa de energia – dentro da estratégia central, que consiste em manter o governador longe da cena, nem que para isso seja preciso, por exemplo, fomentar conflitos entre vizinhos.

A mídia tradicional, principalmente os grandes jornais paulistas, funciona como extensão do Palácio dos Bandeirantes: embora o noticiário registre diariamente a redução do nível dos mananciais que abastecem a maior concentração urbana do país, os jornalistas se contentam com as frases de efeito e as platitudes produzidas pelo governador. Omite-se o fato de que não apenas o sistema hídrico já entrou em colapso, mas esconde-se o quadro geral, que mostra a deterioração da infraestrutura de saneamento, energia, segurança e educação do estado nos últimos vinte anos.

Infraestrutura sucateada
Quando a Sabesp afirma, em comunicado oficial, que vai faltar água por problemas na rede de distribuição de energia, o cidadão atento enxerga o emaranhado de fios que pende perigosamente sobre as cabeças dos transeuntes. Os constantes cortes no fornecimento de eletricidade, que se tornaram rotina, são noticiados burocraticamente, sem referência ao contexto mais importante, que é o sucateamento do sistema em toda a região metropolitana. Comentaristas de emissoras de rádio tratam de misturar o assunto com as quedas de árvores, e muitos ouvintes ficam com a impressão de que a culpa é do prefeito petista da capital, Fernando Haddad.

Observe-se que nunca houve tanta oferta de financiamento para obras públicas como nas duas últimas décadas. Eventualmente, especialistas citam medidas que nunca foram tomadas, embora tenha havido dinheiro disponível, por falta de projetos executivos.

Há muito sinais de negligência na ação dos governantes que se sucederam nos últimos anos à frente do Executivo paulista, suficientes para autorizar pelo menos uma investigação sobre prevaricação. O antecedente criado pelo escândalo dos contratos para obras no metrô e no sistema de trens metropolitanos deveria suscitar ao menos a curiosidade dos jornalistas.

Nos meses que antecederam a Copa do Mundo, problemas pontuais em dois ou três aeroportos motivaram a imprensa a anunciar o apocalipse e a prever o “apagão” geral do país. “Imagine na Copa” – era a senha dos profetas do caos.

Nove entre dez consultores de comunicação, assim como administradores de empresas e políticos, são adeptos dos ensinamentos do general chinês Sun-Tzu, personagem improvável que teria vivido entre os séculos 6 e 5 antes da era cristã. Mas o noticiário sobre o problema hídrico de São Paulo ignora um dos principais aforismas atribuídos ao suposto estrategista: “Aquele que se empenha em resolver as dificuldades resolve-as antes que elas surjam”.

Especialistas afirmam que, se nada mudar, São Paulo vai conhecer uma crise social sem precedentes a partir de março, ou seja, daqui a dois meses, quando 6 milhões de pessoas poderão ficar sem água.

E a imprensa continua tratando como estadista um governador anódino, anestesiado, incapaz de enfrentar publicamente sua responsabilidade.

domingo, 18 de janeiro de 2015

A Falsa Face de Democracia

Os cidadãos ou sócios de uma sociedade numa democracia não têm só direitos, mas têm o dever de respeitar opinião de outros e ceder pela decisão da maioria.

Nagib Nassar

Em uma carta, Antonio Carlos Martins de Camargo, sócio da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC),pediu desligamento da sociedade, alegando defesa da democracia. Ele alegou que a Presidente da sociedade não atendeu seu pedido pessoal e não protestou contra a nomeação do ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo.

Ele entendeu mal e praticou mal a democracia. Todos princípios democráticos  entendem que uma das suas funções é proteger direitos de liberdade de expressão para uma comunidade; o direito a proteção legal é igual para todos. No caso dele, ignorou o direito de expressão de outros sócios que divergem dele.

As democracias conduzem regularmente eleições livres e justas, abertas a todos os cidadãos. As eleições numa democracia não podem ser fachadas atrás das quais se escondem uma opinião única ou uma voz só, mas envolvem, ao contrário, verdadeiras competições entre toda comunidade. Por que ele não se candidatou para presidente ou pelo menos membro do conselho diretor, para que pudesse assim participar de uma decisão de diretoria? Por que não tentou aproximar de colegas do conselho para conversar com eles e expor seu pensamento?

A democracia sujeita os presidentes a assegurarem que todos os sócios recebam a mesma proteção legal, o mesmo tratamento e que os seus direitos sejam protegidos. Mas o  sócio em questão negou este direito aos outros  que com ele divergem na opinião no novo ministro.

Os cidadãos ou sócios  de uma sociedade numa democracia não têm apenas direitos, mas têm o dever de respeitar a opinião de outros e ceder pela decisão da maioria, que é representada pela presidente e pelo conselho diretor da SBPC. Mas o nosso  sócio, em seu pedido de desligamento, não prestou e nem respeitou e muito menos pensou nos outros.

Todas  sociedades democráticas estão empenhadas nos valores da tolerância, da cooperação e do compromisso. As democracias reconhecem que chegar a um consenso requer compromisso e que isto nem sempre é realizável, e por isso há o principio de respeitar  decisão da maioria , este maioria que o sócio nem nela pensou, somente nele próprio.

Ele simplesmente não gostou do novo ministro da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI). Isso pode se dar por divergência ideológica ou por outro motivo qualquer. Ele decidiu pedir para a presidente protestar,  e, caso a presidente da SBPC não atendesse seu pedido, seria “puro oportunismo", razão que justificaria seu desligamento.

Independente de contrariedade de  todos os principio democráticos, é uma atitude e posicionamento infantil.  Isto me lembra uma criança  que chora por não ser atendida, ou por não receber um brinquedo. É como um menino voltando a uma etapa infantil da vida a fim de obter o afeto que lhe foi negado.

Se um sócio da sociedade teve seu pedido negado há instrumentos legais e democráticos para seu uso, se ele acha ter uma razão e uma lógica. Não será por choro ou por pedido de desligamento que conseguirá isso.

Ele poderia aguardar alguns poucos meses até a reunião anual da sociedade e projetar suas ideias e suas razões, mas ele sabe que não há razão nenhuma para sua reação e seu pedido de desligamento. Ele sabe bem que até lá o novo ministro será capaz de mostrar à comunidade cientifica sua competência,  auxiliado  por  um quadro de cientistas e dirigentes altamente qualificados para ajudá-lo e assessorá-lo.

Até lá a comunidade cientifica  perceberá os frutos da habilidade e experiência  do novo ministro que foi deputado, ministro e articulador por décadas. Será possível ver seu caminho e trâmite dentro dos círculos federais atraindo recursos para o ministério  e influindo na paisagem e no quadro cientifico no País.

(*) Professor Emérito da Universidade de Brasília (UnB)

sábado, 17 de janeiro de 2015

Petrobras: Querem Entregar um Negócio de R$ 20 bi Por Ano

Está no DNA

O Conversa Afiada reproduz texto de Fernando Brito, extraído do Tijolaço:

Não é só entregar o petróleo. Querem entregar o negócio de sondas de R$ 20 bi por ano

É duro conseguir quem queira fazer investimentos de longo prazo no Brasil e foi assim ao longo de toda a nossa história moderna.

Não apenas porque um país em perdas permanentes como o nosso não acumula capitais para isso, como há no Brasil uma elite servil, incapaz de pensar qualquer futuro para si senão o de gerente local do capital internacional.

A decisão da Petrobras de estimular, com garantias de compra (enquanto o Governo dava a garantia de financiamentos), a construção de sondas de perfuração de poços de petróleo em águas ultraprofundas é, guardadas as proporções e características, muito mais “capitalista” do que as que a ela podem se comparar, como a construção da siderúrgica de Volta Redonda ou das hidrelétricas que – apesar da seca – nos produzem energia numa das matrizes mais limpas do mundo.

Porque, embora com as carências tecnológicas que as quase quatro décadas de paralisia da indústria naval nos impuseram, ela traz para o país a construção de algo tão imprescindível à exploração do petróleo quanto são o aço e a energia para a atividade econômica.

Não se acha petróleo – nem se coloca o petróleo que é achado em condições de ser explorado – sem estas sondas.

E a alternativa a fazê-las aqui é alugar no mercado internacional.

Onde um navio-sonda com capacidade para operar em profundidades de lâmina d’água superiores a 4 mil pés ( pouco mais de 1.300 metros, a partir do qual se considera “águas profundas”) custa, por dia, em média, a bagatela de US$ 516 mil dólares.

Por dia, notem bem.

Como, no pico da atividade do pré-sal, a Petrobras terá de usar, por anos a fio, 40 destas sondas, é coisa de mais de US$ 20 milhões de dólares a cada vez que o sol nasce.

Ou quase US$ 8 bilhões a cada ano.

Em reais, uns R$ 20 bilhões cada vez que se trocar a folhinha.

Tratar isto como uma  irrelevância para o país, ou como se fosse destinado a negociatas um empréstimo de R$ 9 bilhões – empréstimo, não doação – para que não se comprometa o programa de construção da metade – só a metade – dos navios-sonda de que a Petrobras precisará, como faz hoje a Folha de S. Paulo, não pode ser só falta de noção de sua importância.

Ninguém pensou em inviabilizar a Siemens porque um – ou vários – de seus dirigentes se meteram em falcatruas. Nem os franceses a Alstom porque andou subornando e fazendo cartéis, um deles aqui pertinho, na Paulicéia.

Obama comprou as ações da GM, na crise de 2008 por US$ 49 bilhões de dólares e as vendeu, há menos de dois anos, por US$ 39 bilhões, um subsídio do Tesouro norte-americano de US$ 10 bilhões para que não quebrasse a maior montadora de veículos dos EUA.

E olhem que eram automóveis, que podem ser importados de qualquer baiúca, em qualquer parte do mundo, não um equipamento de altíssima tecnologia.

A imprensa brasileira divide-se em um sabujismo total aos interesses estrangeiros e uma lapidar ignorância.

Gênio mesmo é o Roger Agnelli, que pegou US$ 1,3 bilhão com os chineses, para comprar navios chineses, para levar minério para a China.

E, pior, que viraram “micos” navais, que a empresa agora tenta vender, com prejuízo.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Eu Não Sou Charlie

           Tenho evitado tecer comentários sobre o lamentável episódio terrorista, ocorrido na França, que ceifou a vida de 10 jornalistas e outros indivíduos...

            É um assunto incômodo, polêmico, controverso e que, certamente, gera opiniões e posicionamentos conflitantes. De um modo geral, a França, o mundo e todos os Órgaõs de comunicação, foram unânimes e coesos na condenação do atentado - o que está absolutamente correto!

            Contudo, vi poucas ou quase nenhuma manifestação sobre "o outro lado da moeda". Isto é : sobre o exercício RESPONSÁVEL da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, uma obrigação e um dever de todo cidadão que luta por esses ideais humanitários e que, inclusive, é coberto por rígidas determinações da Lei, em qualquer País livre!

            Com agradável surpresa, vi a manifestação abaixo, do ator Benvindo Siqueira, com a qual concordo totalmente e, assim, resolvi fazer a minha parte, comentando esse "outro lado da questão" que foi bastante esquecido, nesses dias!

            No mundo livre, a Liberdade não pode ser exercida sem a correspondente RESPONSABILIDADE e maturidade. Usar as prerrogativas da LIBERDADE para exaltar impiedosamente a homofobia, o preconceito, o desrespeito e a humilhação de quaisquer seres humanos, sem quaisquer limites, é ato condenável e que deveria ser adequadamente punido pela Lei!

            O que não aconteceu na França, com as recorrentes ofensas e destempérios sempre praticados pelo Charlie Hebdo!  Contra tudo e contra todos!

             A "Liberdade" de um, termina quando se depara com o "Direito" do outro. Que "Liberdade" é essa, quando um Órgão de Imprensa publica e dissemina ofensas formais às crenças religiosas de populações inteiras, como as abaixo  pinçadas à título de exemplo ?  Sem qualquer ação da autoridade competente ?

              Esperavam o quê ?

          A França, berço da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, tem igualmente um passado terrível de escravização e de humilhação de outros povos! Que o digam os argelinos e outras de suas  "colônias"!...
 
         Esquecem-se os franceses e os europeus, de um modo geral, que a reconstrução da Europa, depois de ser devastada por duas grandes guerras, se deveu, de um modo significativo, ao trabalho e à ajuda de milhares de imigrantes, especialmente na lida daquelas funções mais braçais e menos qualificadas!  E hoje, aqueles que viajam pelo mundo, já devem ter sentido na péle,  a má vontade, a superioridade e o incômodo que lhes é repassado, especialmente pelos franceses!...
 
         A xenofobia, o fascismo, os excessos da "direita"  estão em plena ascenção, em toda a Europa. São movimentos frontalmente opostos à tâo propalada "Liberdade"  que se defende nos discursos e na propaganda enganosa!

         Criminosos, terroristas, assassinos, torturadores e aproveitadores dos mais fracos, devem ser presos e condenados. Independente de sua cor, de sua origem, de suas crenças!

         Agora, a Lei deveria ter o mesmo rigor para aqueles que, sob a bandeira de uma "falsa liberdade", humilham e desrespeitam seus semelhantes, em suas crenças, em seus valores, naquilo que é mais sagrado para cada um, sob as mais diversas formas, inclusive, da através da "Liberdade de Expressão" !

         O mundo e, especialmente a França, estão igualmente nos devendo uma gigantesca passeata  em defesa dos excluídos, dos perseguidos, dos rejeitados, dos sem-pátria, dos refugiados expulsos pelas guerras assassinas alimentadas pelos donos do Poder...

          Je ne suis pas "ce homophobique" Charlie !....

Márcio Dayrell Batitucci

Je Ne Suis Pas Charlie!!!

Ator : Benvindo Siqueira

Uma das facetas do meu trabalho de ator é trabalhar com o humor.

Aprendi com os acadêmicos do humor que a graça deve ser sempre feita com elegância e respeito.

É coisa que vem de séculos da arte de ser palhaço.

Mesmo com o grosseiro e ofensivo humor  de Charlie não posso compactuar e não posso aceitar que terroristas assassinem pessoas, sejam jornalistas, ou não. Que semeiem a violência do terror entre os povos. Lamento profundamente a morte dos dez jornalistas e dois policiais  em Paris.

Mas se homens que trabalharam pela Paz e pelo Bem, como Gandhi e Martin Luther King, foram mortos a tiros pelo Mal, o que poderia acontecer a quem há décadas instiga o ódio religioso, racial, faturando grana em edições em troca da humilhação racistas, islamofóbica, anticristã, e anti-humanista? Ou será que  dá pra esquecer a política colonialista francesa esmagando com caminhões - para não gastar balas - milhares de prisioneiros árabes argelinos nas guerras de libertação?

Navegar no sentimento francês de xenofobia e islamofobia dá boa grana, Mas um dia a casa cai. Se o  Mal cobra do Bem, como no caso de Gandhi e Martin, imaginem, o que cobrará do Mal?

Vi no CHARLIE uma charge onde em uma orgia, Deus, Jesus e o Espírito Santo - Trindade sagrada para os cristãos, participavam,  os três, de um coito anal.

Não gostei, fiquei chocadíssimo. Não ao ponto é claro de explodir a redação do Charlie. Mas chocadaço. A minha cultura e formação é cristã ocidental. Eles não têm esse direito. Na Bahia temos um ditado: Respeito é bom e eu gosto. Isto foi o mais absoluto desrespeito e o mais ofensivo deboche.

Os ataques do Charlie não se localizavam apenas contra muçulmanos, mas contra todas as crenças, todas as "fés", contra os povos do terceiro mundo e contra todo o sagrado de povos que eles, a serviço do racismo e da intolerância, ajudavam a desmoralizar, usando a capa de uma ultra esquerda.

Para os cristão não há ofensa pior  que a blasfêmia ao Espírito Santo - Marcos 3. 28, 30. Então, quando uma charge destas é publicada, o objetivo qual é? Liberdade de expressão? Divertir os cristãos? Ou ofender seus valores e ridiculariza-los? Pelos frutos conhecereis a árvore.

Nesses anos Charlie chamou os negros de macacos, os árabes de fedorentos, os judeus de avarentos, os cristãos de sodomitas...esperavam o quê? Bênçãos?

Isto a meu ver não é liberdade de expressão, é libertinagem. (Vide o sentido em  Caldas Aulete). Por exemplo: temos a liberdade de ir e vir, mas se eu entrar numa propriedade sem autorização, passa a ser invasão de propriedade e não há "liberdade de ir e vir" que me defenda nisso.

Para completar, numa  França composta por 40% de ateus, em crise econômica,  com o avanço da extrema direita, e a queda de popularidade de François Hollande, o atentado sai do campo humanista e passa para a política eleitoral. Para recuperar a popularidade e a liderança abaladas, François Hollande toma a inciativa e convoca uma manifestação monstro para este domingo. Enquanto a fascista Marie Le Pen  busca com seu discurso antiislâmico, racista e antiemigrantes conquistar mais votos para seu Partido de Extrema Direita. Os doze mortos parecem virar massa de manobra  eleitoral.

Por tudo isso torno a condenar o ataque terrorista e a lamentar a perda de vidas. Posiciono-me com veemência pela liberdade de expressão, contra a censura. Repudio a estupidez terrorista, mas não consigo ser CHARLIE.

- Je ne suis pas Charlie!