domingo, 30 de novembro de 2014

Gravíssima Sabotagem dos EUA Contra Brasil

Redação Pragmatismo

Wikileaks revela gravíssima sabotagem dos EUA contra Brasil com aval de FHC. Telegramas revelam intenções de veto e ações dos EUA contra o desenvolvimento tecnológico brasileiro com interesses de diversos agentes que ocupam ou ocuparam o poder em ambos os países

Os telegramas da diplomacia dos EUA revelados pelo Wikileaks revelaram que a Casa Branca toma ações concretas para impedir, dificultar e sabotar o desenvolvimento tecnológico brasileiro em duas áreas estratégicas: energia nuclear e tecnologia espacial. Em ambos os casos, observa-se o papel anti-nacional da grande mídia brasileira, bem como escancara-se, também sem surpresa, a função desempenhada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, colhido em uma exuberante sintonia com os interesses estratégicos do Departamento de Estado dos EUA, ao tempo em que exibe problemática posição em relação à independência tecnológica brasileira. Segue o artigo do jornalista Beto Almeida.

O primeiro dos telegramas divulgados, datado de 2009, conta que o governo dos EUA pressionou autoridades ucranianas para emperrar o desenvolvimento do projeto conjunto Brasil-Ucrânia de implantação da plataforma de lançamento dos foguetes Cyclone-4 – de fabricação ucraniana – no Centro de Lançamentos de Alcântara , no Maranhão.

O telegrama do diplomata americano no Brasil, Clifford Sobel, enviado aos EUA em fevereiro daquele ano, relata que os representantes ucranianos, através de sua embaixada no Brasil, fizeram gestões para que o governo americano revisse a posição de boicote ao uso de Alcântara para o lançamento de qualquer satélite fabricado nos EUA. A resposta americana foi clara. A missão em Brasília deveria comunicar ao embaixador ucraniano, Volodymyr Lakomov, que os EUA “não quer” nenhuma transferência de tecnologia espacial para o Brasil.

Wikileaks tira máscara da mídia brasileira e comprova: estão a serviço dos EUA

“Queremos lembrar às autoridades ucranianas que os EUA não se opõem ao estabelecimento de uma plataforma de lançamentos em Alcântara, contanto que tal atividade não resulte na transferência de tecnologias de foguetes ao Brasil”, diz um trecho do telegrama.
Em outra parte do documento, o representante americano é ainda mais explícito com Lokomov: “Embora os EUA estejam preparados para apoiar o projeto conjunto ucraniano-brasileiro, uma vez que o TSA (acordo de salvaguardas Brasil-EUA) entre em vigor, não apoiamos o programa nativo dos veículos de lançamento espacial do Brasil”.

Guinada na política externa

O Acordo de Salvaguardas Brasil-EUA (TSA) foi firmado em 2000 por Fernando Henrique Cardoso, mas foi rejeitado pelo Senado Brasileiro após a chegada de Lula ao Planalto e a guinada registrada na política externa brasileira, a mesma que muito contribuiu para enterrar a ALCA. Na sua rejeição o parlamento brasileiro considerou que seus termos constituíam uma “afronta à Soberania Nacional”. Pelo documento, o Brasil cederia áreas de Alcântara para uso exclusivo dos EUA sem permitir nenhum acesso de brasileiros. Além da ocupação da área e da proibição de qualquer engenheiro ou técnico brasileiro nas áreas de lançamento, o tratado previa inspeções americanas à base sem aviso prévio.
Os telegramas diplomáticos divulgados pelo Wikileaks falam do veto norte-americano ao desenvolvimento de tecnologia brasileira para foguetes, bem como indicam a cândida esperança mantida ainda pela Casa Branca, de que o TSA seja, finalmente, implementado como pretendia o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas, não apenas a Casa Branca e o antigo mandatário esforçaram-se pela grave limitação do Programa Espacial Brasileiro, pois neste esforço algumas ONGs, normalmente financiadas por programas internacionais dirigidos por mentalidade colonizadora, atuaram para travar o indispensável salto tecnológico brasileiro para entrar no seleto e fechadíssimo clube dos países com capacidade para a exploração econômica do espaço sideral e para o lançamento de satélites. Junte-se a eles, a mídia nacional que não destacou a gravíssima confissão de sabotagem norte-americana contra o Brasil, provavelmente porque tal atitude contraria sua linha editorial historicamente refratária aos esforços nacionais para a conquista de independência tecnológica, em qualquer área que seja. Especialmente naquelas em que mais desagradam as metrópoles.

Bomba! Bomba!

O outro telegrama da diplomacia norte-americana divulgado pelo Wikileaks e que também revela intenções de veto e ações contra o desenvolvimento tecnológico brasileiro veio a tona de forma torta pela Revista Veja, e fala da preocupação gringa sobre o trabalho de um físico brasileiro, o cearense Dalton Girão Barroso, do Instituto Militar de Engenharia, do Exército. Giráo publicou um livro com simulações por ele mesmo desenvolvidas, que teriam decifrado os mecanismos da mais potente bomba nuclear dos EUA, a W87, cuja tecnologia é guardada a 7 chaves.
A primeira suspeita revelada nos telegramas diplomáticos era de espionagem. E também, face à precisão dos cálculos de Girão, de que haveria no Brasil um programa nuclear secreto, contrariando, segundo a ótica dos EUA, endossada pela revista, o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, firmado pelo Brasil em 1998, Tal como o Acordo de Salvaguardas Brasil-EUA, sobre o uso da Base de Alcântara, o TNP foi firmado por Fernando Henrique. Baseado apenas em uma imperial desconfiança de que as fórmulas usadas pelo cientista brasileiro poderiam ser utilizadas por terroristas, os EUA, pressionaram a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que exigiu explicações do governo do Brasil, chegando mesmo a propor o recolhimento-censura do livro “A física dos explosivos nucleares”. Exigência considerada pelas autoridades militares brasileiras como “intromissão indevida da AIEA em atividades acadêmicas de uma instituição subordinada ao Exército Brasileiro”.
Como é conhecido, o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, vocalizando posição do setor militar contrária a ingerências indevidas, opõe-se a assinatura do protocolo adicional do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, que daria à AIEA, controlada pelas potências nucleares, o direito de acesso irrestrito às instalações nucleares brasileiras. Acesso que não permitem às suas próprias instalações, mesmo sendo claro o descumprimento, há anos, de uma meta central do TNP, que não determina apenas a não proliferação, mas também o desarmamento nuclear dos países que estão armados, o que não está ocorrendo.

Desarmamento unilateral

A revista publica providencial declaração do físico José Goldemberg, obviamente, em sustentação à sua linha editorial de desarmamento unilateral e de renúncia ao desenvolvimento tecnológico nuclear soberano, tal como vem sendo alcançado por outros países, entre eles Israel, jamais alvo de sanções por parte da AIEA ou da ONU, como se faz contra o Irã. Segundo Goldemberg, que já foi secretário de ciência e tecnologia, é quase impossível que o Brasil não tenha em andamento algum projeto que poderia ser facilmente direcionado para a produção de uma bomba atômica. Tudo o que os EUA querem ouvir para reforçar a linha de vetos e constrangimentos tecnológicos ao Brasil, como mostram os telegramas divulgados pelo Wikileaks. Por outro lado, tudo o que os EUA querem esconder do mundo é a proposta que Mahmud Ajmadinejad, presidente do Irà, apresentou à Assembléia Geral da ONU, para que fosse levada a debate e implementação: “Energia nuclear para todos, armas nucleares para ninguém”. Até agora, rigorosamente sonegada à opinião pública mundial.

Intervencionismo crescente

O semanário também publica franca e reveladora declaração do ex-presidente Cardoso : “Não havendo inimigos externos nuclearizados, nem o Brasil pretendendo assumir uma política regional belicosa, para que a bomba?” Com o tesouro energético que possui no fundo do mar, ou na biodiversidade, com os minerais estratégicos abundantes que possui no subsolo e diante do crescimento dos orçamentos bélicos das grandes potências, seguido do intervencionismo imperial em várias partes do mundo, desconhecendo leis ou fronteiras, a declaração do ex-presidente é, digamos, de um candura formidável.
São conhecidas as sintonias entre a política externa da década anterior e a linha editorial da grande mídia em sustentação às diretrizes emanadas pela Casa Branca. Por isso esses pólos midiáticos do unilateralismo em processo de desencanto e crise se encontram tão embaraçados diante da nova política externa brasileira que adquire, a cada dia, forte dose de justeza e razoabilidade quanto mais telegramas da diplomacia imperial como os acima mencionados são divulgados pelo Wikileaks.

Reflexões de Nova York

Por 

Às vezes eu me pergunto se ainda há alguém que realmente lê as reportagens sensacionalistas sobre a corrupção na Petrobrás.
A agenda política da imprensa ficou tenebrosamente chata, deprimente e tendenciosa.
A oposição e a mídia bem que tentaram jogar o peso das denúncias apenas nas costas do PT, mas a operação não deu certo.
Pode não ser agora, mas em algum momento, a presidenta Dilma e o PT serão vistos como os mocinhos nesta história: foram eles que deram autonomia e condições à Polícia Federal para investigar.
O fato da PF pegar diretores da Petrobrás e servidores ligados à base aliada apenas reforça o republicanismo heroico, às vezes quase suicida, do governo.
Ao que parece, a PF desbaratou outra quadrilha com conexões dentro do governo: os procurados tinham ligações familiares com o ministro da agricultura.
Ponto para a PF e para o governo.

Passei uma semana em Nova York – por isso o título – e aproveitei para comprar jornais e revistas, por lá.
No New York Times, li uma extensa reportagem sobre o sistemático desvio de recursos e armas fornecidos pelo governo americano ao exército do Iraque.
Os generais iraquianos recebem as armas doadas pelo Pentágono, dão metade para seus soldados, e vendem o resto.  Fazem isso com recursos, alimentos, roupas.
Inflam as folhas de pagamento com soldados-fantasma, para ficarem com os salários.
Fazem tudo isso num país devastado pela miséria, fome, guerra, doenças, fanatismo e terrorismo.
Enquanto os soldados morrem em emboscadas organizadas por grupos terroristas cada vez mais presentes e perigosos, os oficiais enriquecem à custa do sangue de seus próprios compatriotas.
É uma lógica macabra: quanto mais terrorismo, mortes e caos, mais os EUA mandam recursos e armas, e mais os corruptos ganham dinheiro.
Nos últimos 10 anos, as cifras desviadas montam a dezenas de bilhões de dólares.
O nervosismo dos americanos cresce junto com a expansão do Estado Islâmico e outras organizações no Iraque. Alguns falam em repassar dinheiro diretamente às tribos sunitas dispostas a combater o terrorismo, mas o governo iraquiano rejeita duramente essa possibilidade, alegando que iria violar a soberania do país e acirrar as rivalidades étnicas internas (o governo é dominado por xiitas, adversários dos sunitas).
Todos os analistas entrevistados, do governo, do exército e da iniciativa privada, concordam que há um problema ainda maior que a corrupção do oficialato e do governo iraquianos: a total impossibilidade de investigar e punir oficiais ligados ao governo.
Os únicos punidos são oficiais ligados aos adversários do atual presidente do Iraque.
Ainda no Times, topo com uma matéria curta, sem destaque na primeira página, sobre um dos mais sangrentos atentados ocorridos este ano no Afeganistão. Um homem bomba explodiu numa partida de volei numa cidade do interior do país, matando mais de 50 pessoas e deixando centenas de feridos.
Há alguns anos, uma coisa assim ganharia destaque na capa de todos os jornais. Hoje, é notinha sem importância.
Na Síria, a guerra civil já matou centenas de milhares de pessoas, e desalojou outras milhões. Igualmente, há muita corrupção envolvida. Os recursos e armas doados pelo Ocidente aos “rebeldes” que lutavam contra o governo sírio, acabaram, ó cruel ironia, em mãos de terroristas do Estado Islâmico.
Todo o oriente médio parece viver um pesadelo. A primavera árabe se tornou um circo de horrores.
O Egito, agora novamente governado por um militar, voltou a ser uma ditadura. Na área do Monte Sinai, próximo à fronteira com Israel, o governo bombardeia civis e destrói casas, num esforço nada humanitário para encerrar o contrabando.
Segundo a Economist, os reinos árabes descobriram uma nova e cruel maneira de lidar com opositores: tirar suas cidadanias. No Kwait, um empresário dono de um canal de TV que fazia oposição ao governo, perdeu a cidadania. Sua TV foi fechada. E ele está prestes a ser deportado, não se sabe para onde, já que não tem pátria.
A Ucrânia, que também viveu uma revolta do tipo “árabe”, com o povo nas ruas pedindo (e obtendo) a renúncia de um presidente eleito, vive uma terrível crise econômica. O PIB deve fechar o ano com uma queda superior a 10%, e a dívida externa do país explodiu. A Economist pede ao FMI e aos países ricos que emprestem mais alguns bilhões para a Ucrânia, em troca, é claro, de mais interferência em sua política econômica.
Todos os países que viveram “revoluções” ou mudanças violentas de governo nos últimos anos – Egito, Líbia, Síria, Iraque, Ucrânia – estavam muito melhor antes do que hoje.
Os EUA têm responsabilidade fundamental diante do sofrimento de milhões e milhões de pessoas. Esse tipo de crítica, contudo, não aparece na mídia norte-americana.
O México vive uma crise política bastante séria, após o assassinato covarde de 43 estudantes numa cidade do interior.
A Economist tenta uma defesa canhestra de Henrique Peña Neto, presidente do México, dizendo que ele foi eleito com grandes expectativas e elogiando as suas medidas neoliberais, como entregar o petróleo do país a estrangeiros. A revista é obrigada a admitir, porém, que os mexicanos já não gostam de seu presidente.
Recentemente, descobriu-se que Neto mora numa casa de 7 milhões de dólares pertencente a um empreiteiro da região natal do presidente, e que por pouco não ganhou um contrato bilionário para construir um trem de alta velocidade, num projeto do governo.
Assim como no Iraque, o problema da corrupção mexicana é que não há investigação de membros do governo; quando há, é rapidamente abafada.
No Brasil, é tudo ao contrário. Só há investigação de membros do governo. A oposição é sempre poupada.
Enquanto isso, a nossa imprensa vende ao distinto público que o problema é o “bolivarianismo”.

Entretanto, há um lado saudável nessa cruzada da imprensa comercial contra o governo.  Já ouvi diversos comentários sobre isso de gente bastante antipática ao PT. É a noção de que, com o PT, a imprensa não abafa.
Isso também ajuda a explicar a vitória de Dilma Rousseff.
Em se tratando de corrupção, havia o temor de que a vitória do PSDB desencadeasse, na imprensa e nos órgãos de investigação, uma gigantesca reviravolta.
A grande mídia deixaria de ser de oposição, e se tornaria despudoradamente chapa-branca.
O Ministério Público, o Judiciário e a Polícia Federal perderiam subitamente o furioso entusiasmo investigatório antigoverno que mostram hoje.
A corrupção voltaria a ser varrida, alegremente, para debaixo do tapete.

Estou devendo a continuação do post sobre Enzo Tortora, o maior escândalo judiciário da Itália em várias décadas. Fá-lo-ei em breve, talvez amanhã, se não houver nenhum golpe a ser debelado.

A leitura de reportagens sobre a situação no Iraque, Afeganistão, Síria, Ucrânia, me fez refletir que devemos agradecer pelos problemas que temos.
Nossa mais atual crise política, por exemplo, tem como pano de fundo uma grande investigação feita pelo próprio Estado contra membros do próprio governo, e contra alguns dos homens mais ricos do país. Isso é muito raro em qualquer parte do mundo.
Na China, de vez em quando há processos amplos contra a corrupção dentro do governo, mas sempre são direcionados a personagens ligados aos adversários do comitê central.
As democracias ocidentais, todavia, não são nenhum paraíso anti-corrupção. Nem a corrupção jamais foi monopólio de estatais. Ao contrário, as crises financeiras vividas pelos países ricos nos últimos 15 ou 20 anos tiveram, todas, como epicentro, a corrupção de grandes corporações totalmente privadas. Os governos dos EUA e da União Europeia, tiveram que despejar trilhões de dólares, sacados da conta-imposto dos contribuintes de cada país, para pagar os estragos causados pelo jogo sujo de algumas gigantes do mercado financeiro, que sempre operaram em conluio com a mídia.
As investigações contra os responsáveis por essas crises deixam sempre a desejar, mesmo nas democracias mais sólidas.
Por isso, é importante considerarmos que, em meio a tantas crises políticas, estamos aos poucos forjando uma cultura de investigação e republicanismo que merece a nossa admiração.
Claro, sabemos que, por trás das investigações, há interesses políticos e pressões midiáticas, ambos nada republicanos, mas isso é inevitável.  Faz parte do jogo.
Desde que não se queira violar a soberania do povo e derrubar um presidente eleito, sem que haja uma evidência bastante concreta de seu envolvimento pessoal, a disposição do Estado de investigar a si mesmo é digna de mérito.
*
Diante dos massacres cotidianos vistos na Síria, no Iraque e no Afeganistão; do ebola na África; das guerras civis sanguinárias se alastrando; do assustador avanço do fanatismo, de um lado, e da tirania, de outro, no oriente médio; diante de tudo isso dá até vontade de rir da nossa irritação contra a… Katia Abreu.
No entanto, continuo com a mesma opinião.
A maneira como o nome dela foi divulgado, num contexto de total apagão político e comunicacional do governo, me pareceu um grande erro.
A mesma coisa vale para o novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
Em minha estada em NY, percebi uma coisa. Tanto o presidente dos EUA, Barack Obama, como seus secretários, se pronunciam quase diariamente sobre os principais problemas do país.
Claro, a imprensa de lá é infinitamente mais plural.
Mesmo assim, há um esforço, por parte dos políticos, de falarem diretamente a seus eleitores. Isso não é considerado bolivarianismo.
O presidente Obama divulga vídeos de suas falas. As TVs reproduzem porque lhes dá audiência.
É sempre tranquilizante ouvir a opinião do presidente, mesmo que não se concorde com ele.
Por que Dilma não explica, em vídeo, as razões que a levaram a escolher um ministro da Fazenda com perfil mais conservador?
Os movimentos sociais e os intelectuais de esquerda continuariam não aprovando, mas o diálogo ficaria mais aberto, mais transparente.
Além disso, o governo parece agir sempre como se fosse ilegal fazer política.
A mídia é a principal responsável por essa estranha jurisprudência. Que só vale para o PT, aliás.
Se Dilma não quer fazer isso, se quiser preservar sua imagem, então arrume um porta-voz, que possa falar diariamente à população, desfazendo boatos, explicando diretrizes.
No caso da Katia Abreu, por exemplo, seria importante o governo vir à público falar que, independente do nome indicado para a pasta da Agricultura, terá esta e aquela diretriz no setor agrícola.

A Globo está fazendo um jogo esperto: posando de defensora do governo contra a militância do PT, tratada como um bando de idiotas radicais.
O editorial de hoje consegue uma proeza linguística: elogia as opções conservadoras do governo para a agricultura e fazenda ao mesmo tempo em que detona o governo e, sobretudo, a esquerda e a militância, que ousam protestar.
O governo tem de tomar cuidado para não entrar nesse jogo, que é uma armadilha. A militância é seu único aliado verdadeiro contra a mídia, que forma o principal e mais perigoso partido de oposição.
Se há divergências entre a militância e o governo, não devem jamais ser dirimidas por notinhas plantadas na imprensa, e sim através de um diálogo franco, aberto e transparente.

O governo Dilma não pode esquecer a lição de junho de 2013.
Popularidade de Ibope e Datafolha não vale nada sem base social.
Na primeira crise, evapora.
Ouvir a base social, além disso, é respeitar a democracia; e ajuda o governo a melhorar sua gestão.
Foi uma excelente notícia, por isso mesmo, que Dilma tenha recebido, ontem, Frei Beto e Leonardo Boff, e declarado que haverá “um diálogo permanente, orgânico, contínuo, com os movimentos sociais e com a sociedade em geral”.
Sem esse diálogo, o governo apenas ouve a sociedade através da grande mídia, e por isso ouve mal, ouve errado e ouve mentiras.
Outra frase de Dilma serve de lição à militância, de que deve permanecer sempre crítica e rebelde: “Eu prefiro escutar críticas, do que apenas escutar as coisas boas que eu faço. Porque aí eu aprendo”.
Não se ajudará o governo com elogios.
O governo não é perfeito. Dilma não é perfeita. Ambos tem defeitos, vícios e limitações. Seguramente irão errar muito nos próximos quatro anos.
É importante que todos os setores, em especial as correntes progressistas, que apoiaram a eleição da presidenta, expressem suas críticas, com franqueza, para que as correções de rumo sejam feitas para o lado certo, para o lado do povo.
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Para 'Desmamar' Oligarquias

Levy funciona melhor fazendo o mesmo que Mantega faria

Mídia tradicional insufla reação inicial das bases populares que apoiam Dilma, insinuando que ela faria um governo parecido com o prometido por Aécio na área econômica. Mas esta visão é falsa

por Helena Sthephanowitz

Mercado 'se acalma' com anúncio de novo ministro, mas política econômica segue sendo a do governo Dilma

É curioso como política às vezes é feita com sinais trocados. Se fosse para adotar "medidas amargas" contra o trabalhador, um nome para o ministério da Fazenda mais ligado ao petismo enfrentaria menos resistência popular para implementá-las. Se for para adotar medidas que contrariem alguns interesses empresariais e do mercado financeiro, como "desmamar" das tetas do Estado setores que recebem incentivos e já não dão o retorno socioeconômico esperado, enquanto preservam-se conquistas sociais, nada melhor do que um ministro da Fazenda com fama e perfil de técnico austero e ortodoxo.

Fica mais difícil dos grandes grupos econômicos "desmamados" reclamarem de decisões "técnicas" que eles mesmos pregaram.

Houve reação inicial das bases políticas mais populares que apoiam Dilma Rousseff, insufladas pela mídia oposicionista, insinuando que ela faria o governo prometido por Aécio Neves (PSDB). É uma visão falsa.

No caso tucano, Armínio Fraga, seria "o" formulador econômico de Aécio, seu eventual ministro da Fazenda seria uma espécie de czar na economia – redução dos bancos públicos, achatamento salarial e privatizações estiveram em sua agenda desde sempre.

Dilma, que sempre exerceu de fato a profissão de economista é ela mesma a formuladora da política econômica que, ressalte-se, foi debatida com a sociedade durante a campanha eleitoral. O futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, assim como os outros ministros da área, serão os que porão as medidas em prática.

Pelas primeiras declarações de Levy – admitindo preservar conquistas sociais, negando haver a crise que o noticiário oposicionista vem insistindo em manter nas manchetes, e afirmando que os ajustes serão suaves – presume-se sem muita dificuldade que ele não fará nada substancialmente diferente do que o atual ministro Guido Mantega faria se continuasse no cargo.

A diferença é que, fazendo a mesma coisa, será elogiado por uns e menos criticado por outros, enquanto Mantega seria massacrado por qualquer coisa que fizesse – por conta da campanha contra encampada pela mídia, a gosto do mercado.

Ações econômicas que precisam ser tomadas estão mais do que mapeadas, tanto pelo monitoramento constante do dia a dia de quem está dirigindo a economia do país, como pelo pacto formado na campanha eleitoral com os anseios populares.

São medidas econômicas necessárias: preservar e gerar empregos, renda, programas sociais, investimentos, aumentar o crescimento econômico, reduzir juros e a inflação. Os instrumentos para isso também são conhecidos e Guido Mantega já os usou em vários anos em que esteve à frente da Fazenda.

Tido como austero nos cortes quando foi Secretário do Tesouro Nacional no primeiro governo Lula, Levy adiantou ter como meta um superávit primário de 1,2% do PIB em 2015, e 2% em 2016 e 2017, anos em que há previsão de maior crescimento econômico, com consequente aumento da arrecadação.

São números relativamente tranquilos de se cumprir sem comprometer conquistas sociais, e suficientes para criar ambiente econômico favorável à queda de juros, ao investimento privado e ao crescimento econômico, com consequente aumento de arrecadação, levando recursos para a área social. Mantega já fez superávits bem superiores na maioria dos anos que esteve à frente da Fazenda.

Outra meta que o novo ministro terá é aumentar a arrecadação. Em 2014, com a desaceleração das atividades econômicas, com desonerações fiscais, e com uma quase "greve" de investimentos por empresários brasileiros, a arrecadação ficou aquém da esperada. Como se não bastasse, até decisões judiciais desfavoráveis no Supremo Tribunal Federal, em ações contestatórias sobre normas de cobrança de impostos, prejudicaram a arrecadação.

O ex-governador de São Paulo Claudio Lembo, um liberal convicto disse anos atrás: "Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca. A bolsa da burguesia vai ter que ser aberta para poder sustentar a miséria social brasileira no sentido de haver mais empregos, mais educação, mais solidariedade, mais diálogo e reciprocidade de situações."

Quando foi secretário de Fazenda do Rio de Janeiro, Levy aumentou bastante a arrecadação daquele estado, para contrariedade dos neoliberais, que só falam em cortar impostos, inclusive dos setores mais ricos e lucrativos com privilegiada capacidade contributiva.

Para abrir a bolsa da burguesia, como disse Lembo, hoje um nome como Levy no ministério da Fazenda funciona melhor do que alguém como Mantega, mesmo que os dois façam exatamente a mesma coisa.

Kátia Abreu Quer Um Ministério Ou Uma Crise?

Kátia Abreu, ao fazer elogios insustentáveis na defesa que fez de Gilmar Mendes, não feriu apenas a verdade, mas o mais ralo bom senso.  Ela não pode alegar desconhecer que  -   ao estar elogiando "o mais figadal inimigo do governo no Judiciário, Gilmar Mendes", conforme afirma corretamente Fernando Brito  -   está indo contra o governo.  Tal comportamento, no seio de um republicanismo que se preze como tal, inviabilizaria a sua comentada escolha para chefiar o ministério da Agricultura.  
Ou será que ela assim procedeu porque foi aconselhada a dizer que foi convidada mas não aceitou?   
Ou, por outra, a estória da sua ida para a Agricultura não teria sido plantada pelo PiG, para cria embaraços, para o governo, como esse que agora estamos vendo?  Martinho Nunes

Caro amigo Martinho, creio que as duas hipóteses aventadas por você são plenamente possíveis. Tarcílio Mesquita

Autor: Fernando Brito

Não  tenho idade para ser um “força cega” e já vivi governos demais para não  saber que se tem de formá-los com concessões políticas, mas também que não pode dar certo aquilo que contesta a autoridade legítima do governante eleito e agride frontalmente o partido pelo qual se elegeu.
Por isso, não considero, do ponto de vista da política agrária, um retrocesso a indicação de Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura, até porque é evidente que ela tem condições de trazer o agronegócio – que ninguém quer atirar ao mar – para próximo ao Governo e garantir-lhe as condições de produzir com respeito ao meio-ambiente e aos assalariados e pequenos produtores rurais, especialmente o de corte familiar.
Não é boa a política que ignora setores produtivos e não lhes oferece a oportunidade de participar do crescimento do país, sem que firam, ou firam menos, num ambiente de diálogo.
Mas diálogo pressupõe boa-vontade, jamais arrogância ou provocação.
Exatamente o que faz hoje, sem nenhum pudor, a senadora Kátia Abreu em seu artigo na Folha.
Não apenas erra, ao dizer que terra indígena é apenas aquela que, no momento da promulgação de 1988 estava ocupada por indígenas – que poderiam, por suposição, terem sido expulsos na véspera, com os métodos mais violentos –  embora não passe pela cabeça de ninguém devolver os terrenos do centro do Rio e de São Paulo à Confederação dos Tamoios, como ela sugere se pretenda.
Errar é humano, diz o bordão, e mesmo que se  considere possível e necessário dialogar sobre o conceito de terras indígenas, não se pode dialogar com provocação.
Porque  não merece outro nome senão o de provocação, ao escrever que é preciso “enfatizar que o ministro Gilmar Mendes é um dos mais sérios juristas deste país, cuja obra ultrapassa nossas fronteiras. No Tribunal, sempre pautou sua posição pela estrita aplicação da lei, não sucumbido a pressões como essas que hoje o acometem. Os que contra ele vociferam são os que não possuem o mínimo respeito pelo Estado Democrático de Direito”.
Quem está na iminência de ser indicada ministra de um governo sistemática e doentiamente combatido por Gilmar Mendes, com ações jurídicas e outras nem tanto,  só pode fazer isso se não tem ideia de quem governa e de quem elegeu este governo.
Do qual ela pretende fazer parte, mas certamente sabendo que não será, nele, a dona, nem a capataz.
Para participar dele, como se disse uma vez do próprio Ministro Gilmar Mendes, precisa antes saber que não está falando com seus capangas lá – no caso dela – do Tocantins.
E aprender a ter modos.
Ninguém lhe pediu que esbofetasse o mais figadal inimigo do governo no Judiciário, Gilmar Mendes.
Seria desnecessário pedir-lhe que não esbofeteasse o Governo com escancarados elogios a ele.
A menos que haja algo que não se sabe e possa explicar a manifestação  brutal e grosseira.
Ou alguém que lhe explique o velho ditado gaúcho de que a luta não quita a fidalguia.
E que é gado e não criador de gado quem dá coices sem razão.

Quem Vencerá a Luta de Ideias?

Autor: Miguel do Rosário

As eleições terminaram e, como era esperado, novos desafios surgem à frente, alguns bem mais complexos do que a disputa eleitoral em si.
Um dos desafios mais difíceis, naturalmente, é fazer a luta de ideias, num contexto onde o adversário, a direita, possui o monopólio dos meios de comunicação.
Neste sábado, por exemplo, os jornais amanheceram com um forte e eficiente ataque ao PT.
Chamada na primeira página: Vaccari é aplaudido em reunião do PT.
Título de matéria que ocupa a página 3 inteira: PT aplaude acusado de corrupção.
A matéria lembra que “o mesmo tipo de reação entre os petistas ocorreu na época do mensalão, que atingiu em cheio o então chefe da Casa Civil do governo Lula, José Dirceu”.
Na página de opinião, um artigo de Ana Maria Machado, famosa escritora de livros infantis, me fez lembrar demais os anos 60.
O artigo de Ana Maria Machado é 100% lacerdista, como pode se ver pela frase com que o encerra: dizendo que falta ao Brasil “vergonha na cara”.
E o que é lacerdismo?
É uma ideologia bastante pegajosa, porque todos concordam que há corrupção e que é preciso combatê-la, mas o lacerdista joga sempre a lama no outro, no adversário.
Nos anos 60, havia muitos escritores e intelectuais escrevendo exatamente a mesma coisa, nos mesmos jornais: Gustavo Corção, Alceu Amoroso Lima, etc.
Aliás, em 1964, e também em 1954.
Passada as eleições, onde a polarização mobiliza contingentes maiores da população, fortalecendo a esquerda, a mídia ganha força, porque ela tem a estrutura profissional e comercial para manter os ataques.
A mídia é uma máquina monstruosa, que opera 24 horas por dia, em rádio, TV, jornais, internet.
A blogosfera não é máquina. São blogs tocados por gente de carne e osso, ainda um pouco cansada de um processo eleitoral desgastante.
E que tateia, agora, em busca de um novo posicionamento, diante da nova conjuntura produzida pelas urnas.
A mídia não tem dúvidas. A blogosfera tem. A mídia é rápida, porque suas decisões vem de cima, numa estrutura extremamente verticalizada. A blogosfera, assim como a esquerda em geral, precisa de tempo para maturar a nova conjuntura e se posicionar. Não há hierarquia, e sim um horizontalismo democrático orgânico.
Qualquer eventual união política entre o público progressista nasce de um processo lento e duro de debates internos.
E a esquerda novamente está mergulhada num processo de profunda discussão interna.
Por isso, aliás, que lamento a comunicação da presidenta. Ela poderia participar desse debate, de maneira republicana e democrática, através dela mesma ou de um porta-voz ou secretário de imprensa.
Repare que a mídia jamais produz autocríticas. A direita, idem.
Aécio Neves é pintado apenas como um vencedor por seus seguidores, e pela mídia.
Dilma, por seu lado, parece engolfada no tradicional anti-clímax que se segue às eleições, quando todos os idealistas precisam despertar dos sonhos criados pelos debates, e cair na realidade triste e dura de um país ainda profundamente desigual, com uma política atrasada e truculenta.
Entretanto, se Dilma fizer os movimentos certos, se fizer o contraponto necessário aos ataques da mídia, por um lado, e estabelecer um diálogo construtivo com os próprios setores políticos que a apoiaram, ela poderá emergir muito mais forte.
O meu mantra tem sido: não acreditar mais em popularidade de Datafolha.
O governo tem de cultivar, democraticamente, uma base social sólida, orgânica.
No tocante ao problema de imagem, a esta tentativa da mídia de associar o PT a corrupção, e apenas o PT, blindando o PSDB, é preciso dar respostas imediatas.
O silêncio não é aconselhável.
É preciso responder de maneira rápida e inteligente todos os ataques da grande mídia ao governo.
Entretanto, nenhuma resposta verbal será eficiente por muito tempo se não forem tomadas, simultaneamente, iniciativas democratizantes, de impacto popular.
Aí não tem para ninguém.
A mídia vai espernear, vai gritar, mas vai perder o debate.

sábado, 29 de novembro de 2014

'Petrolão' do PSDB Será Investigado?

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:


Agora que fomos informados de que “o esquema criminoso atuava há pelo menos 15 anos na Petrobras,” conforme ensinam três procuradores do Ministério Público, convém fazer uma pergunta sempre necessária: onde foi parar o petrolão-PSDB?

É uma pergunta pertinente, em particular depois que Fernando Henrique Cardoso considerou-se no direito de se dizer “envergonhado” pelo escândalo, afirmação que obrigou Ricardo Boechat a fazer uma correção em publico.

Note-se que os procuradores falaram “há pelo menos quinze anos” como se fosse uma verdade conhecida e bem estabelecida, um fato que ninguém ousa contestar - como dizer que falta água em São Paulo, ou que choveu ontem em Brasília. Eu acho que o esquema é ainda mais antigo. Explodiu um grande escândalo numa das subsidiárias da empresa durante o governo de José Sarney.

Durante a ditadura militar, os generais também eram assombrados pelo fantasma de uma direção corrupta instalada na cúpula da empresa, num caso que só não vinha a público pela censura - o que ajuda a lembrar o caráter 100% ridículo dos protestos que pedem a volta dos militares para combater a corrupção.

Foi no Brasil de quinze anos atrás, durante o o governo de Fernando Henrique Cardoso, que ocorreu o mais ruinoso negócio da história da empresa: uma troca de ações entre a estatal brasileira e a espanhola Repsol.

A Petrobrás entrou com bens avaliados em US$ 3 bilhões, recebeu US$ 750 milhões e até hoje, quatorze anos mais tarde, ninguém pagou pelo prejuízo que é quatro vezes maior do que a lendária usina de Pasadena e jamais poderá ser compensado - ao contrário da refinaria, que tem dado lucros crescentes.

Parado no STJ, um processo sobre a troca de 2000 não apontou responsáveis nem condenou ninguém. Claro que ninguém foi preso sob a condição de só deixar o regime incomunicável depois de uma boa delação premiada, aquela que arrebenta a estrutura psicológica da pessoa mas não deixa marca sobre a pele - apenas sob a pele.

Será que alguém terá de devolver o prejuízo? Ou tudo vai prescrever?

Dois anos depois da AP 470, era de se imaginar uma investigação menos seletiva e mais isenta, traços indispensáveis de qualquer esforço para combater a corrupção - comportamento que pode ser definido, essencialmente, como a venda de acesso privilegiado aos cofres do Estado.

Na AP 470, os réus ligados ao PT foram julgados, condenados e cumprem pena, enquanto os acusados do mensalão-PSDB-MG sequer foram a julgamento, embora seu caso seja até mais antigo - a primeira denúncia, assinada pelo PGR Claudio Fontelles, chegou ao STF meses antes de Roberto Jefferson dar sua célebre entrevista. Os acusados do PSDB terão direito ao segundo grau de jurisdição - se é que é razoável imaginar que receberão alguma condenação em primeira instância - o que foi negado aos réus da AP 470.

O curioso é que basta consultar o TSE para descobrir que, em 2014, as empreiteiras que beneficiaram campanhas do PT e da base aliada também distribuíram recursos para seus adversários. Será que o dinheiro para uns era “limpo” e aquele dos outros era “contaminado”?

Um levantamento das contribuições para deputado federal feito pelo Correio Braziliense mostra que a bancada do PT e do PSDB disputaram a primazia de receber as maiores contribuições. Nenhum parlamentar recebeu uma doação tão generosa da UTC como um tucano da Bahia. Algum problema?

Nenhum - desde que se encare as descobertas da Lava Jato como aquilo que são, uma demonstração do casamento nefasto e muitas vezes impossível de distinguir entre verbas de financiamento de campanha e a corrupção pura e simples, responsável pelas imensas fortunas que empresários e executivos mantinham em paraísos fiscais fora do país.

A postura anti-PT dos delegados que comandam as investigações ameaça toda perspectiva de um trabalho isento e equilibrado.

Apenas uma investigação que não poupa aliados nem amigos pode levar o país a realizar uma mudança necessária em seus costumes políticos - proibindo contribuições de empresas privadas destinadas a alugar o poder político para reservar as campanhas e candidaturas a quem vota, o eleitor, e aquela instituição que o representa, o Estado. Fingir que há bons e maus, limpos e contaminados, é a melhor forma de trabalhar para manter tudo como está e sempre esteve. Quem ganha com isso?

Aqueles que pagam propina.

Postado por Miro

Ofensiva Contra Petrobras É Disputa Pelo Pré-Sal

Gilberto Cervinski

O buraco é bem mais embaixo: 7000 metros de profundidade

Desgaste à Petrobras esconde intenção de privatizar estatal e o pré-sal

Integrante do MAB fala da articulação entre setores internos e empresas estadunidenses. Objetivo seria criar condições políticas para que se inicie processo de privatização e entrega das reservas de petróleo.

da Radioagência Brasil de Fato

A crise internacional do petróleo deve intensificar a ofensiva externa para que o Brasil privatize a Petrobrás e o pré-sal.

Segundo Gilberto Cervinski, integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), desgastar a imagem da estatal é uma forma de criar condições políticas para que isso ocorra.

A Petrobras é alvo de investigações da Polícia Federal, que apura esquema de corrupção envolvendo políticos e donos de empreiteiras.

Os desdobramentos levaram a prisão de mais de vinte pessoas.

Cervinski destaca a posição estratégica ocupada pelo país quando o assunto é a questão energética.

Ele alerta para a necessidade de as forças populares defenderem a empresa, que é essencial para a garantia do desenvolvimento do país.

“O ataque ao Brasil para privatizar a Petrobras e privatizar o pré-sal vai se intensificar. Nos Estados Unidos as reservas de petróleo são baixíssimas e é o maior consumidor mundial. E ele praticamente está fora do controle do pré-sal. Uma parcela dos setores da sociedade articulada com as empresas estadunidenses vai querer forçar a entrega do petróleo e a privatização da Petrobrás.”

Recente pesquisa do Ibope divulgada em setembro, mostrava que 59% dos brasileiros são contrários à privatização da Petrobras. O percentual aumenta entre os que têm ensino superior, chegando a 70%.

Em recente nota, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) apontou que as denúncias de corrupção na Petrobrás estão diretamente relacionadas com o intenso processo de terceirização em curso na estatal. Segundo a FUP, isso ocorre desde os anos 90.

De São Paulo, da Radioagência BdF, Leonardo Ferreira.

*****

Nota da FUP a que se refere a reportagem acima:

A prisão nesta sexta-feira, 14, de mais um ex-diretor da Petrobrás, acusado de corrupção em contratos de prestação de serviços firmados pela empresa, reforça as cobranças da Federação Única dos Petroleiros (FUP) de que haja a mais rigorosa apuração dos fatos e punição exemplar de todos os que forem responsabilizados pelos mal feitos.

Esta tem sido a postura da FUP desde o início da divulgação destas denúncias. No entanto, apesar da gravidade dos fatos, a direção da Petrobrás segue num silêncio profundo.

Os trabalhadores e suas famílias exigem um posicionamento da empresa.

Por isso, a FUP cobrou uma audiência com a presidenta da Petrobrás para que esclareça o teor das denúncias, bem como as medidas tomadas pela empresa para apuração e solução dos desvios de gestão que forem comprovados.

Não deve ficar pedra sobre pedra, como reiterou a presidenta Dilma Rousseff.

A reunião com Graça Foster será no próximo dia 21.

Em documento enviado à presidenta da Petrobrás, a FUP já havia ressaltado que as denúncias de corrupção estão diretamente relacionadas com o intenso processo de terceirização em curso na estatal desde os anos 90.

A Petrobrás tem um papel estratégico para o desenvolvimento do país e, portanto, todas as denúncias de desvios de gestão devem ser rigorosamente apuradas pelos órgãos competentes para que a Justiça possa julgar e punir os culpados.

O que não admitimos é que a empresa continue sendo desmoralizada por setores da sociedade que sempre tentaram enfraquece-la e seguem fazendo de tudo para se apropriarem de uma das maiores riquezas da nossa nação, que é o pré-sal.

Não aceitamos também que a Petrobrás continue sendo alvo de uma campanha de criminalização por setores da mídia que agem em consonância com a oposição para tentar arquitetar um golpe que vem sendo ensaiado desde o segundo turno da eleição presidencial.

A Petrobrás é patrimônio do povo brasileiro e os petroleiros continuarão lutando para que ela seja fortalecida cada vez mais para investir no Brasil, gerando empregos e riquezas para o nosso país.

Apuração rigorosa dos fatos sim. Golpe não!

PS do Viomundo: O jornal O Globo, porta-voz estadunidense em terras brasileiras, já quebrou o tabu e disse que não se deve descartar a privatização da Petrobras. Como se sabe, esta é uma batalha de longo prazo, com torpedos diários da mídia corporativa para solapar as bases de uma Petrobras que sirva acima de tudo aos interesses do povo brasileiro. Em nome do controle da PDVSA, lembrem-se, os Estados Unidos apoiaram um locaute empresarial que quase derrubou o então presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Pela Regulação da Mídia

NINGUÉM PODE DEIXAR DE LER O GRANDE DISCURSO DO SENADOR ROBERTO REQUIÃO.  HÁ TEMPOS QUE ACHO QUE ESSE SENHOR DEVERIA FAZER PARTE DO MINISTÉRIO DA DILMA.   Franklin

Há nesta Casa senadoras e senadores que são radicalmente contra qualquer tipo de regulação da mídia.
A justificativa é sempre a mesma: a defesa da liberdade de imprensa. Mas, respondam-me. A propriedade cruzada de meios de comunicação, isto é, o fato de o mesmo grupo empresarial controlar jornais, revistas, rádios, televisões, internet não favorece a monopolização da informação e o consequente manejo de opinião?
Não terá sido por isso que países com instituições sólidas e uma longuíssima estabilidade democrática, como Estados Unidos e Inglaterra, proíbem a propriedade cruzada de meios de comunicação?
A inexistência de qualquer mecanismo que permita ao cidadão o direito de resposta, no caso de notícia mentirosa, injuriosa, ofensiva não significa uma grave ofensa à liberdade de informação e às liberdades individuais?
A unificação e centralização das programações, especialmente nas televisões e no rádio, impostas pelas emissoras que detém o monopólio dessas mídias, cerceando as manifestações culturais regionais, nesse Brasil tão imenso e diverso, não são, igualmente, formas de censura e discriminação e até mesmo preconceito?
A ideologização e partidarização das informações, e a autocensura, que tornam as notícias tendenciosas, cegas, enviesadas não são um gravíssimo atentado à liberdade de informação e ao direito do cidadão de conhecer a verdade dos fatos?
Os dois pesos e as duas medidas usados pelos veículos de comunicação das cinco famílias que monopolizam o setor, na campanha eleitoral deste ano, quer na campanha presidencial quer nas campanhas regionais, não são a prova mais barulhenta do propósito de manipular a opinião pública?
Os gráficos produzidos por observatórios de mídia independentes, durante as eleições presidenciais, avaliando os conteúdos veiculados pelas organizações Globo, Abril, Folha, Estadão, principalmente, não deixam a mais fugaz, fugidia dúvida da parcialidade da cobertura desses veículos.
Ninguém, nenhum jornalista, nenhum parlamentar, nenhum juiz, nenhum promotor, nenhum acadêmico, qualquer cidadão minimamente isento e honesto, confrontado com ao gráficos, deixará de atestar essa parcialidade.
Nada contra. Afinal o parti pris desses veículos é bem conhecido, o que os pressiona a assumir posições indisfarçadas.
O que não é honesto, o que soa cínico, zombeteiro, debochado e hipócrita são as profissões de fé de praticantes de um jornalismo isento, equilibrado e aquele truísmo todo.
Melhor fosse que assumissem limpidamente apoio às candidaturas conservadoras, pelas quais torcem e distorcem. Seria mais digno, mais decente, do que ficarem brandindo indevidamente a bandeira da liberdade de imprensa, cada vez que se aponte a sua nudez, as suas vergonhas expostas.
O caso da capa de “Veja”, a dois dias do segundo turno, é exemplar. E houve até estranhamento entre veículos da dita grande imprensa, com um acusando o outro de frouxo, pusilânime por não repercutir a intrujice.Mas todos, de uma forma ou outra ecoaram a mentira.
Vejam só o que disse o procurador geral Janot sobre o episódio à Folha de S. Paulo: “Estava visível que queriam interferir no processo eleitoral. O advogado do Alberto Youssef operava para o PSDB do Paraná, foi indicado pelo [governador] Beto Richa para a coisa de saneamento [Conselho de administração da Sanepar], tinha vinculação com partido. O advogado começou a vazar coisa seletivamente. Eu alertei que isso deveria parar, porque a cláusula contratual diz que nem o Youssef nem o advogado podem falar. Se isso seguisse, eu não teria compromisso de homologar a delação”.
A Folha, que gostaria que a Globo fosse a fundo na divulgação da mentira de “Veja”, nem ficou corada ao reproduzir, semanas depois, as declarações do procurador.
Já outros veículos, da sagrada e seleta família, não se deram à ocupação de repercutir a gravíssima acusação de Janot.
A prisão de empreiteiros, acusados de vínculos com os desvios na Petrobrás, deu azo a outras manifestações de parcialidade, de partidarismo de nossa mídia.
Mesmo que o ex-ministro tenha negado fortemente, a grande família mediática vinculou um dos diretores da Petrobrás preso a José Dirceu.
E classificou o indigitado de “engenheiro mediano”, para desqualificar ainda mais o suposto padrinho.
Ao noticiar o montante da contribuição das empreiteiras às campanhas eleitorais, porque a bufunfa, o capilé envolvia outros partidos, além dos dois enlameados de sempre, o PT e o PMDB, a mídia não citou qualquer partido. Foi isenta.
É assim, selecionando os fatos e a verdade dos fatos que organizações Globo, Abril, Folha e Estadão, com seus fortes parceiros regionais no Sul, em Minas, no Norte e no Nordeste moldam a opinião pública.
Os clássicos mapas, partindo o país em vermelho e azul, como se o Norte, o Nordeste, Minas e Rio houvessem votado em peso em Dilma e o restante do país houvesse votado cem por cento em Aécio estimularam o ódio, o preconceito, o separatismo, o racismo e uivos fascistas.
E vociferações de um lacerdismo serôdio, adjetivo tão fora de moda que uso em homenagem aos eternos vigilantes, sempre à espreita de um golpe que os redima do fracasso das urnas.
A desclassificação especialmente dos nordestinos, diminuindo-lhes o peso do voto, um ensaio patético de reinstituição do voto censitário, tem o mesmo sentido da campanha conservadora que pretendia anular a vitória de Juscelino Kubitschek, em 1955. Campanha, vê-se, a que aderiu a nossa mídia isenta, democrática e patriótica, sempre a serviço do Brasil.
Naquela eleição, Juscelino teve três milhões e setenta e sete mil votos; Juarez Távora, dois milhões e seiscentos mil votos. A diferença entre os dois foi de quatrocentos e sessenta mil votos. Foi essa diferença que animou Carlos Lacerda e a UDN a lançar a cruzada pela anulação da vitória de JK. Os udenistas argumentavam que os quase 500 mil votos que derrotaram Juarez Távora foram dados pelos comunistas, e como o Partido Comunista Brasileiro fora colocado na ilegalidade, os votos dos comunistas deveriam ser também cassados.
Mas como eles chegaram a esse cálculo se o voto era secreto? Como distinguir os votos dos comunistas de outros votantes?
Elementar, diziam os udenistas. Nas eleições presidenciais de 1945, dez anos antes, quando o PCB era legal, o candidato dos comunistas, o gaúcho Yedo Fiuza, tivera 569 mil votos.
Ora, dez anos depois, era de se crer que todos os quase 500 mil votos que deram a vitória a Juscelino eram votos comunistas, já que Prestes orientara o voto em JK.
Tão simples assim, diziam os golpistas democráticos. Da mesma forma, hoje, 59 anos depois, com os seus mapas dicotômicos e desonestos, de um primarismo monstruoso, a mídia e os conservadores colocam em xeque, questionam a legitimidade da reeleição da presidente Dilma, por causa dos votos dos nordestinos, dos mais pobres, dos menos instruídos.
Já que o Brasil desenvolvido e mais instruído teria votado majoritariamente em Aécio, como disseram por aí e por aqui também, a reeleição não valeu. Aliás, nem isso é verdadeiro, uma vez que Dilma teve mais votos no Sul e no Sudeste que no Norte e no Nordeste.
Logo, o mapa dicotômico da mídia é uma fraude.Temos, assim, agora, a reprodução farsesca da tentativa de golpe udeno-lacerdista de seis décadas passadas.
De um lado, a mídia ecoa fortemente toda manifestação de inconformidade com a reeleição da presidente. Basta que duas pessoas se reúnam para exibir cartazes pedindo o impedimento da presidente, para que essa massiva demonstração ganhe as cabeças dos noticiários.
Ao mesmo tempo, exige que a presidente escolha “nomes do mercado” para a Fazenda e o Banco Central.
Perderam a eleição, a mídia e a oposição perderam a eleição, mas cobram que a vencedora adote programa do derrotado. E nem ficam constrangidos com tamanha desfaçatez. Afinal, julgam-se donos do país, reservas morais da nacionalidade.
A regulação da mídia é imprescindível para a preservação, a consolidação e o avanço da democracia. Porque a grande mídia empresarial é intrinsecamente golpista, geneticamente antidemocrática, arraigadamente elitista.
A regulação da mídia é condição inescusável para se garantir a soberania nacional. Porque os grupos que monopolizam a mídia são entreguistas e, historicamente, se opõem aos interesses nacionais, servindo de cabeça de ponte para o avanço imperial sobre a nossa economia, sobre os nossos recursos naturais, sobre as nossas riquezas, sobre o mercado interno, sobre as nossas relações externas.
Os mais velhos devem se lembrar que, segundo a mídia, o Brasil não tinha petróleo.
Agora mesmo, em voz casada os setores mais dependentes e integrados aos interesses multinacionais de nossa burguesia industrial, financeira e agrária, a mídia ergue as bandeiras antiMercosul, anti-Brics, pró-acordos bilaterais com os Estados Unidos e União Européia, pela ressurreição da Alca, da Teoria da Dependência, da Doutrina Truman, sabe-se lá que passo atrás mais.
A regulação da mídia é vital como a água à terra, como o oxigênio à vida. Porque a mídia monopolista é parte integrante de nossas elites econômicas, políticas, sociais, culturais. E as nossas elites fracassaram miseravelmente na construção de um país desenvolvido, pacífico, culto, justo e solidário.
Porque a mídia monopolista é conivente, quando não cúmplice, com o preconceito, o racismo, a discriminação, a violência contra os trabalhadores, contra os negros, os pardos, os pobres, contra os índios.
Porque a mídia monopolista é indiferente, quando não conluiada com a violência que abate, anualmente, mais de cem mil brasileiros, vítimas da repressão policial, da insegurança urbana e rural, do tráfico de drogas e do crime organizado. Dos acidentes de trabalho, dos atropelamentos no trânsito.
Porque as policias brasileiras estão entre as mais letais do mundo, e a mídia empresarial e monopolista estimula e afiança essa violência à medida que não a investiga, não a denuncia e não a combata. E, com frequência, a enalteça, contribuindo para apertar o gatilho dos executores.
A regulação da mídia é urgente e obrigatória porque a mídia monopolista e empresarial colabora e associa-se com a política de concentração de rendas que faz do Brasil um dos países mais desiguais e injustos do Planeta Terra.
Porque o imposto sobre fortunas, corriqueiro nos países mais desenvolvidos, tem da parte da mídia uma oposição fundamentalista e até mesmo rancorosa. Porque a inexistência desse imposto favorece ainda mais a concentração de rendas e o acúmulo de fortunas fantásticas, e relaciona alguns detentores de concessões públicas de televisão e rádio, como os irmãos Marinho, entre os bilionários mundiais.
A regulação da mídia é uma medida sanitária, de emergência pública.
Porque a mídia é omissa em relação à sonegação e às fraudes fiscais – quando não a pratica – e acoberta que os super-ricos brasileiros têm a quarta maior fortuna do mundo em paraísos fiscais. São mais de um trilhão de reais, cerca um terço de nosso PIB, esse mesmo PIB cuja anemia nos últimos anos a mídia, a oposição e a nossa indignada burguesia tanto tem criticado.
O país campeão em concentração de rendas, onde se alarga cada vez mais a distância entre ricos e pobres, é o país que está no G4 das maiores fortunas depositadas em paraísos fiscais. A regulação da mídia é uma medida anticorrupção, porque as denúncias de corrupção que a mídia monopolista faz são seletivas, parciais, incompletas, dirigidas.
Ou não é corrupção as manobras de que a mídia e os bancos se utilizam para sonegar impostos, fraudar o fisco, não pagar imposto sobre a renda ou pagar menos imposto de renda que os assalariados?
Tão ciosa em escarafunchar as fichas sujas de pequenos e médios delinquentes políticos, a mídia não se ocupa em escarafunchar a origem e a propriedade desse mais de um trilhão de reais refugiados em paraísos fiscais. Difícil investigar?
Não. Incômodo? Certamente. À moda norte-americana, alguns veículos passaram a divulgar o tal do “impostômetro”, uma medição presumida de quanto o Estado arrecada. Mas nenhum espaço para a medição, também suposta, da sonegação.
E já que adotamos a moda ianque, deveríamos também adotar a rigorosíssima a legislação norte-americana contra a sonegação.
A regulação da mídia é um ato de defesa do trabalho, do emprego e do salário. Porque a mídia monopolista defende, com radicalismo cada vez maior, o ponto de vista do mercado, do capital financeiro, da elite econômica que prega a adoção de medidas contracionistas que levarão ao desemprego, ao arrocho salarial, ao corte de gastos sociais, à diminuição dos investimentos em saúde, educação, segurança e infraestrutura.
A fúria com que a mídia monopolista reagiu à decisão do governo de reduzir os gastos com juros da dívida pública, redimensionando essa excrescência liberal chamada de superávit primário, é reveladora de seu compromisso com o capital financeiro, com os rentistas, e não com os brasileiros.
Senhoras e senhores senadores, a mídia monopolista é a quinta coluna dos interesses antinacionais, antidemocráticos, antipopulares. Regular a mídia é salvar o país do atraso, da pobreza, da violência, da desindustrialização, da dependência da exportação de produtos primários, do sangramento da remessa de lucros para o exterior, do esgotamento de seus recursos naturais, da destruição do Estado que zele pelo bem-estar social. Porque a mídia monopolista não está a serviço do Brasil.

domingo, 23 de novembro de 2014

O ‘Saco de Gatos’ do Ministério de Dilma

Por : Paulo Nogueira
Kátia teme o bolivarianismo

Numa de suas melhores intervenções na campanha presidencial, Lula disse que os tucanos só se lembram dos pobres em época de eleição.

Visto o ministério que vai sendo montado por Dilma, talvez só possa dizer que hoje o PT só se lembra da militância em época de eleição.

Causou um estridente desagrado à maioria dos petistas a notícia – ainda por confirmar – de que o Ministério da Agricultura será entregue à senadora Kátia Abreu, uma das lideranças mais conspícuas entre os ruralistas.

Montar um gabinete com o quadro político atual, em que se governa com coalizão, é realmente complicado. Você acaba fazendo um “saco de gatos”, como o velho Frias se referia às diferentes ideologias dos colunistas do jornal no passado.

Mas Kátia Abreu?

Viralizou nas redes sociais, ressuscitado pelo DCM, um artigo que ela publicou na Folha em agosto passado.

Nele, Kátia acusava o governo de atrelar o Brasil ao “abismo bolivariano”.

Quando alguém usa a palavra “bolivarianismo” é porque enxerga o espectro de Simon Bolivar debaixo da cama.

“Bolivarianismo” é a versão moderna de “comunismo” na ditadura militar.

É uma expressão que você encontra frequentemente em Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino, Jabor, Gilmar Mendes – a essência, em suma, da direita radical brasileira.

Você pode, com boa vontade, alegar que o Ministério da Agricultura não vai ditar os rumos ideológicos do governo.

Mas há um alto custo simbólico em chamar para o ministério alguém tão claramente identificado como Kátia Abreu com tudo aquilo que, na reta final da campanha, Dilma disse ser contra.

No Ministério da Fazenda, as coisas não foram tão diferentes assim.

Com toda razão, Delfim Netto disse que algo está “muito errado” quando você “tem” que colocar na Fazenda alguém do mercado financeiro.

A notícia – também ainda não confirmada — de que o economista Joaquim Levy, do Bradesco, foi o escolhido foi comemorada pelo “mercado”. A Bolsa teve uma subida expressiva na sexta.

Levy, um economista ortodoxo, estudou em Chicago, berço do pensamento ultraconservador de Milton Friedman.

Para quem acha que o que é bom para o “mercado” é bom para a sociedade, Levy é o nome certo.

Mas quando a Bolsa subia a cada má notícia para Dilma na campanha não era este o entendimento do governo.

Era ingenuidade pensar que muita coisa mudaria com a permanência do mesmo sistema político, mas o choque de realidade foi demais para muitos petistas.

Está claro que uma reforma política genuína só será feita com movimentos sociais saindo às ruas, como em junho de 2013. A diferença é que não se lutará por vinte centavos. E é previsível que militantes petistas, ao contrário do que ocorreu em junho de 2013, adiram às manifestações.

A melhor tirada veio de Gilberto Maringoni, candidato do PSOL ao governo de São Paulo.

“Em nome da coesão nacional”, escreveu ele no Facebook, “Dilma monta o ministério de Aécio.”

Operação Abafa Está Varrendo Petrolão Tucano Para Debaixo do Tapete

ANTÕNIO   LASSANCE

As investigações da operação Lava Jato são só para petistas e, no máximo, para os peemedebistas. Para tucanos, impera a Operação Abafa.

Primeiro, foi o mensalão. Agora, é o "petrolão". Em ambos os casos, o esquema de desvio de dinheiro público foi inventado desde o governo tucano de FHC - pelo menos -, mas só descoberto quando vieram os petistas.

Estamos aguardando Aécio Neves, que além de Senador é agora comentarista político do Jornal Nacional, aparecer no estúdio para confessar que continua com a ideia fixa de que tudo o que o PT fez e ampliou começou com FHC.

Há gente muito otimista quanto ao desfecho do atual escândalo, na linha de que não sobrará pedra sobre pedra e que todos serão tratados igualmente pela Polícia Federal do Paraná, pelo Ministério Público e pela Justiça.

Poderíamos citar Dante e sua Divina Comédia para recomendar a todos que deixem a esperança na porta, ao entrar; mas a situação combina mais com o bordão do compadre Washington (aquele do "sabe de nada, inocente").

Pouco adianta a constatação do Ministério Público de que o esquema que assaltou a Petrobras existe há pelo menos 15 anos.

Se não houver a devida investigação para dar nome aos bois do período FHC, a constatação cai no vazio - ou melhor, na impunidade.

O problema não é se vai sobrar pedra sobre pedra, mas para onde serão dirigidas as pedradas, se é que alguém ainda tem alguma dúvida.

A apuração feita pela Operação Lava Jato não é neutra. Os investigadores da PF encarregados do caso não são neutros, muito pelo contrário.

A maioria é formada por um grupo de extremistas que foram flagrados em redes sociais vomitando comentários raivosos e confessando suas opções partidárias. 
Se dependermos dessa gente diferenciada, não teremos Estado de Direito, mas Estado de direita.

O Código de Ética da associação nacional dos delegados da PF proíbe a seus membros a manifestação de preconceitos de ordem política. Mas alguém acha que esses vão sofrer qualquer reprimenda?

Alguém imagina que os deslizes, considerados ao mesmo tempo graves e primários por gente séria da própria PF, terão a punição que foi aplicada ao ex-delegado Protógenes Queiroz, que cometeu o crime hediondo de prender um banqueiro?

O PSDB tem sido zelosamente preservado nessa "investigação" que deveria feita na base do doa em quem doer. Balela.

A operação Lava Jato é só para petistas e, no máximo, para os peemedebistas. Para tucanos, impera a Operação Abafa.

O senador Álvaro Dias e o deputado Luiz Carlos Hauly, ambos tucanos do Paraná, citados por delatores, até agora estão absolutamente preservados.

O nome de Sérgio Guerra, ex-presidente do PSDB, já falecido, apareceu menos como uma revelação do que como um "boi de piranha". Guerra já não pode confessar nada nem sob tortura.

PT e PMDB têm seus operadores. O PSDB também, mas onde estará o infeliz? Certamente, por aí, limpando sua conta e seus rastros.

Quase metade da lista de políticos citados pelos delatores é formada por apoiadores da campanha de Aécio Neves em 2014 (confira aqui).

A sina persecutória dos delegados paranaenses chegou ao ponto de incriminar o atual Diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, sem qualquer prova, sem sequer testemunho. O crime do diretor estava apenas na pergunta dos investigadores.

Até mesmo um ex-diretor da PF nomeado por FHC considerou o episódio contra Consenza o cúmulo do absurdo, conforme relatado pelo jornalista Ilimar Franco em sua coluna. 

Isso não se faz, a não ser com segundas e terceiras intenções. Não foi erro material", como os investigadores alegaram, nem mera trapalhada, foi obra do comitê eleitoral da campanha tucana de terceiro turno.

As tartarugas do ministro da Justiça

Das duas tartarugas que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, tinha que cuidar, uma já fugiu; a outra está escondida debaixo de seu nariz.

A defesa da autonomia da Polícia Federal, que é de uma obviedade gritante, não resolve uma dúvida crucial: a PF do Paraná tem autonomia para varrer a sujeira do PSDB para debaixo do tapete, ao sabor da preferência partidária de alguns investigadores?

Está claro que o comando da PF no Paraná tem autonomia suficiente para não ser aparelhada pelo PT, nem pelo PMDB, mas pode gozar de autonomia para ser aparelhada pelo PSDB?

Se depender do ministro Cardozo, claro que sim - é para isso que serve a autonomia - para que qualquer órgão público faça o que bem entender, com base nas conveniências de seus servidores.

Por sorte, ao alargarem o tamanho do escândalo, para que ganhasse ares superlativos - suficientes para serem aproveitados por uma oposição que, incapaz de ganhar eleições presidenciais, só vê saída no impeachment -, os investigadores cometeram um erro crasso. Comprometeram todo o sistema político. Excelente ideia.

A rigor, todo aquele que recebeu doações de qualquer dos envolvidos no escândalo deveria ter seu mandato cassado.

Considerando que a Polícia Federal paranaense chegou à conclusão de que não existe almoço grátis, de cada 10 parlamentares eleitos, pelo menos 4 deveriam ser impedidos de assumir o mandato. Agora, ou vai ou racha.

A investigação que Gilmar Mendes determinou que se faça contra as contas da campanha de Dilma, com uma força tarefa formada por TCU, Receita Federal e Banco Central, deve ter uma similar para Aécio e todos os demais candidatos, à exceção dos do PSOL, PSTU e PCO - os únicos que se livraram do pavoroso expediente de receber "doações" de empresas.

É uma pena que o anticomunismo dos investidores encarregados da operação os impeça de chegar à conclusão, em seu relatório, de quem ninguém presta na política nacional, salvo os comunistas. Todos os demais partidos, nessa lógica, estão infestados de ladrões.

Se negarem vinculação com o PSDB e continuarem a recusar simpatia aos comunistas, aos delegados paranaeses restará apenas o movimento Punk - se for essa a opção, contarão doravante com meu respeito.

Anedotário do Gilmar

Em qualquer escândalo, quem quer desviar para longe o faro da impensa precisa dar carne aos leões. Só assim se consegue conduzir o olhar para longe de quem se quer proteger e em direção a quem se quer atacar.

Pela milésima vez, uma operação-abafa é feita para esconder a sujeira da corrupção praticada pelo PSDB para debaixo do tapete, tal como foi feita com os mensalões do PSDB e do DEM, com o apoio do oligopólio midiático.

No STF, o ministro Gilmar Mendes vai na mesma linha. Mantém trancada há sete meses uma decisão que já conta com maioria do STF para abolir o financiamento empresarial de campanhas. Com Natal, Ano Novo e Carnaval, a decisão sequestrada por esse pedido de vistas fará aniversário em breve.

Não satisfeito, o ministro ainda se deu ao luxo de nos brindar com a piada, contada com sua voz de coveiro, de que o mensalão deveria ter ido para o juizado de pequenas causas.

A gracinha ocupou as manchetes como se fosse um desabafo, quando não passa de deboche com as instituições.
O anedótico Gilmar Mendes finge que o problema não é com ele, nem com o financiamento de privado, nem com empreiteiras, nem com corruptos que são sócios de políticos e partidos. O único problema - dele, pelo menos - é com o PT. O resto pouco importa.
  
No exato momento em que Gilmar fazia sua graça, a segunda tartaruga sob os cuidados de José Eduardo Cardozo fugia velozmente em plena Esplanada dos Ministérios.

Enquanto isso, tucanos e democratas continuam se fazendo de freiras castas pregando no bordel, mas sem dispensar as notas dobradas das empreiteiras, presas em suas apertadas calcinhas.

Mas que fique bem claro: não são calcinhas vermelhas, são pretas. Aí pode, sem problema.