sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Carta de Satanás a Lobão

Autor: Reácio Onário


Inferno, corte das trevas

Meu caro amigo Lobão

Lhe escrevo essa missiva

Como muita satisfação

Pois já soube dos seus planos

Que pros próximos quatro anos

Queres mudar de nação.


No inferno, caro amigo

Eu entendo o seu protesto

Venha que estou lhe esperando

Não se preocupe com resto

Que rancho e boia eu garanto

E você vai ver o quanto

Ao PT também, detesto.


Eu não gosto de Petralhas

Pois deu direito a pobreza

De comer todos os dias

De ter fartura na mesa

E igualmente a você

Sou fã de FHC

Esse sim é uma beleza!


Vendeu a Vale de graça

Traiu a sua nação

Deixou o pobre com fome

Cumpriu bem sua missão

Enganou o operário

Deu arrocho de salário

Pra toda a população.


E xingou de vagabundo

A quem era aposentado

Com a ação de FHC

Me senti realizado

Achei seu plano engenhoso

Pois quem maltrata o idoso

Merece ser apoiado.


Esse governo de pobre

É pior do que saúva

FHC era bom

Igual ki-suco de uva

Comprou porque era vivo

Com o cartão corporativo

Um consolo de viúva.

Com esse governo a elite

Perdeu a satisfação

De arrotar sua soberba

Com a mais cara profissão

Luiz Inácio é um bicho

Pois fez catador de lixo

Ter direito a educação.


Tenho nojo desse cara

Que deu a pobre o direito

De andar de carro novo

Comprar casa, ter respeito

Coisas que a Deus agrada

Deus me livre, camarada

Eu morro, mas não aceito.


Esse tal Bolsa Família

Eu odeio esse projeto

Pobre é pra morrer de fome

Viver na rua, sem teto

Quem ajuda essa gentalha

Para mim é um canalha

Ou o ser mais abjeto.


Esse Lula deu direito

Ao pobre sem instrução

Se educar, crescer na vida

E andar de avião

Aeroportos lotados

De pobre e de favelados

Isso sim é um mundo cão.


Um rico não pode mais

Ir ao shopping com a família

Que tem que topar com pobre

Comprando roupa e mobília

Seu partido errou o plano

E a culpa é do povo insano

Que pôs PT em Brasília.


Dilma é uma mulher honesta

E eu detesto honestidade

Aécio sim era o quente

Um político de verdade

Desde pequeno que é torto

Fez até aeroporto

Na sua propriedade.


Que negócio de carinho

Mulher trata é na porrada

Já quebrou até as fuças

De uma linda namorada

E com Dilma no debate

Lutando pra dá empate

Armava ardil e cilada.


Eu que sou sócio da Veja

Sempre procuro ajudar

O Mensalão dos Tucanos

Não deixei ninguém julgar

Nisso garanto a você

Ponho a culpa no PT

Antes de investigar.


Se por acaso os tucanos

Fizer um propinoduto

Eu apoio, pois eu acho

Que o poder absoluto

Só o rico é quem merece

Toda vez que um pobre cresce

O inferno fica de luto.


Meu nobre amigo Lobão

Sei que está no ostracismo

Pois esse povo canalha

Quer lhe jogar no abismo

Não curtem suas canções

Não solfeja seus refrões

Isso sim é um comunismo!!!


Venha aqui para o inferno

Que eu garanto a você

Que todo ano produzo

Uma bonita turnê

Nossa turma é da pesada

E até diaba recatada

Também curte um fuzuê.


Nessa Vida louca vida

Verá o quanto aqui ferve

E se eu não vou nessa porra

Quero que você me leve

No helicóptero dos Perrela

Cheire pó numa tigela

Mostre o quanto e vida é breve.


Eu detesto socialistas

Pois sou um velho reaça

Criança morrendo a míngua

Eu aprecio, acho graça

Polícia batendo em pobre

É a atitude mais nobre

Que eu vejo numa praça.


FHC é meu ídolo

Lógico, depois de você.

Pobre só comia calango

Quando o nosso FHC

Governava esse Brasil

Mas rico entra no funil

Com esse tal de PT.


Odeio esse tal de Lula

Frei Boff, e esse tal Frei Beto

Que mostra a força do povo

Deixando a povo inquieto

Se o filho de pobre estuda

No Brasil a coisa muda

E não terá analfabeto.


Se coisa seguir assim

Escravos e serviçais

Será coisa do passado

E o rico não goza mais

Até Aécio sem ama

Terá que fazer a cama

Entre suspiros e ais.


Aliás do nome Aécio

Eu sei o significado

É uma Ave de Rapina

Li no grego estou lembrado

Tenho anel e formatura

O nosso inferno é cultura

Tá pensando o que, barbado?


Não diga que desistiu

Não fique me embromando

Pois um diabo me informou

Que você tava chegando

Vindo acompanhado ou só

Vais dormir com minha avó

Ela já tá lhe esperando.


Minha vó é uma gata

De 10 mil anos de idade

E me disse que você

É um reaça de verdade

Só digo o que é exato

Quando ela viu seu retrato

Relembrou da mocidade.


Já comprou uma camisola

Transparente nesse ano

Você vai dormir na frente

E ela vai cuTUCANO

Na sua cauda de lobo

Você como não é bobo

Verá que foi um bom plano.


No aeroporto de Claudio

Mando amanhã lhe buscar

Num confortável urubu

Meu astro vai decolar

Anote no seu caderno

Hora do voou pra o inferno

E a hora de chegar.


Eu agora me despeço

Mas deixo Aqui um abraço

Ao Roger do Ultrage

Que nunca mostrou cansaço

Pra falar mal do PT

É igualzinho a você

Tem a alma de ricaço.


Gentilli é gente da gente

Reacionário demais

Muito preconceituoso

Não deixa o Nordeste em paz

Mora no meu coração

Golpe é revolução

Na boca desse rapaz.


E a galera da Veja

É toda avessa a verdade

Jornalismo criminoso

É sua especialidade

Para acusar um sem prova

Sempre sai edição nova

Recheada de maldade.


Tem o Arnaldo Jabor,

William Bonner em ação

Lá na Venus Prateada

Tem também Míriam Leitão

Pra derrubar o Brasil

Cada um é mais sutil

Com garra e disposição.


Quando morrerem o inferno

Estará escancarado

Pra essa gente bacana

Que transmite o meu recado

Vamos vender o Brasil

Petrobrax, que sutil

Fico até arrepiado.


Lembrança a FHC,

Pense num velho profundo!

No tempo de seu governo

Vivia cheirando o fundo

No FMI falado

Deixou até penhorado

O Brasil no terceiro mundo.


Mas o PT tranformou

O Brasil numa potência

Pagou a tal Dívida Externa

Isso sim é incompetência

Do Fundo não são fregueses

Mas FHC três vezes

Quebrou o Brasil, que ciência!


O inferno te espera

Meu coleguinha Lobão

Judas lhe quer num amplexo

Caim lhe chama de irmão

Hitler manda um abraço amigo

E da mãe do Calor de Figo

Um beijo no coração.


FIM

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A História Se Repete

Abaixo segue artigo do nosso amigo benebeano, economista Cláudio Ferreira Lima, publicado no jornal O Povo, de hoje, 30/10/2014.  Ele aborda o papel desagregador do sentimento e da unidade nacional exercido pelo jornal o Globo. 

Cláudio chama a atenção para o perigo que isso pode representar para a unidade nacional, caso os brasileiros se deixem envolver pela pregação anti-nacional daquele diário. 

Esse papel de quinta-coluna eu estendo a toda a grande mídia nacional, sem medo de errar.

A propósito, há poucos anos foi lançada na Bolívia uma campanha de divisão nacional, encabeçada pela elite dominante da região mais rica daquele país, a de Santa Cruz de la Sierra, que a queria separada e formando um novo país.  Evo Morales, contando com a importante participação de Lula, conseguiu reverter a situação.

Se algumas tentativas de golpes brandos (dois até já se realizaram) e de separatismo, pingam com insistência aqui e ali, em países latino-americanos, isso não acontece por coincidência.  Há uma "inspiração" de cima, vinda do imperialismo do hemisfério Norte. 
Martinho Nunes


De: Antônio Cláudio Ferreira Lima

Martinho,

Para seu conhecimento.

Estou certo de que, nessa querela, está por trás uma manobra para desunir o país. Nesse caso,
é preciso ter cuidado para não morder a isca e entrar nesse bate-boca Nordeste X São Paulo. É tudo que os manipuladores tipo O GLOBO e outras organizações anti-Brasil estão querendo. A eles o que interessa é semear o ódio e a discórdia, para dividir o país, como, aliás, têm feito ao longo da história.. 

Vamos então cantar a beleza da Aquarela do Brasil.
Abs
Cláudio Ferreira Lima

A história se repete
Cláudio Ferreira Lima, economista
O POVO, 30/10/2014
Ao ler o editorial de O Globo da última terça (“A mensagem das urnas”), não pude deixar de, num primeiro ímpeto, indignar-me ante a sordidez do seu conteúdo. Mas logo me recompus, e, louvado na história, vi que tal comportamento era próprio do caráter anti-Brasil que sempre marcou o jornal ao longo do tempo.
De fato, é bastante voltar algumas décadas para constatar com dados concretos que O Globo combateu exatamente os governos comprometidos com a construção nacional.
Pois bem, em 1952, tão logo Vargas tomou posse, o jornal iniciou feroz oposição contra ele; foi contra a lei de remessa de lucros, contra a Petrobras e a favor da tese de impeachment proposta pela UDN.
Adiante, contestou a vitória de Juscelino, defendendo a tese udenista da maioria absoluta. E, tão logo deflagrado o golpe civil-militar de 1964, tornou-se o seu fiel escudeiro.
Depois, deu o quanto pôde as costas para as “Diretas Já”, que já anunciava o fim da ditadura. E, nos últimos anos, tem usado e abusado dos mais baixos golpes para desqualificar os governos de Lula e Dilma.
Nestas eleições, a história se repete. Desta feita, com argumentos insustentáveis, insufla uma região contra outra, plantando a discórdia entre os brasileiros. A serviço de quê? Por que enfraquecer os laços que unem as regiões?
De início, é como se Dilma tivesse recebido votos de outro país. Ora, todos os que a elegeram são tão brasileiros quanto os que sufragaram o seu adversário, não importa o lugar do país onde nasceram. E pagam impostos como qualquer cidadão brasileiro.
A diferença é que, como a parcela maior incide sobre o consumo, a carga pesa mais nos ombros das classes de mais baixa renda, a maior parte, aliás, nordestinos. E mais: dado que o ICMS, de forma absurda, é cobrado majoritariamente na origem, e não no destino, isso prejudica os estados consumidores do Nordeste e beneficia, sobretudo, São Paulo, o principal estado produtor, que, em 2013, abocanhou 31% contra 16% do Nordeste.
O Bolsa Família, que se resumiria ao Nordeste, teria sido então o responsável pela derrota da oposição? Vejam só: São Paulo é o segundo estado mais bem servido com o programa; Minas Gerais, o terceiro.
E com que moral o jornal afirma que a situação semeou conflito? Que dizer da estranha e perfeita sincronia entre o calendário eleitoral e as denúncias seletivas de corrupção que pautaram o seu noticiário?
Para concluir, cito Durval Albuquerque Júnior: “O Nordeste é hoje um espaço diversificado do ponto de vista econômico, diverso do ponto de vista político, social e cultural, uma realidade complexa que não pode ser explicada lançando mão destes desgastados estereótipos construídos desde o princípio do século passado. O Nordeste nunca teve e não tem o monopólio da miséria e da exclusão social, marca de toda a sociedade brasileira”.

Com a Força do Povo

Que força do governo? A campanha da Dilma foi MUITO mais pobre que a do Aécio cheirador. Só da capa mentirosa da Veja da última sexta-feira foram feitos 100.000 panfletos, coloridos, espalhados pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Curitiba, o que tomou muitos votos da Dilma, pois pesquisa do Vox Populi da noite do mesmo dia, e do próprio Ibope, davam àquela altura UMA VANTAGEM PARA ELA DE 8% (oito por cento). E você pensa que a Veja fez aquilo de graça, Omar? Fala-se em R$ 1 bilhão que ela teria recebido de empresários para criar aquele factóide. Ademais, a sujeira espalhada pelos canalhas fascistas do psdb (porque ameba se escreve com minúsculas) na noite de sábado, dando conta de que o Youssef tinha sido envenenado a mando do PT, causou muito estrago entre os eleitores menos avisados da Dilma. Os que não tinham muita convicção no voto a ela, os que estavam em dúvida e os inocentes inúteis de todos os matizes que leram aquela canalhice certamente votaram em branco ou no safado do Aécio, sem se falar nas outras mentiras assacadas contra o PT durante a campanha, acusações essas recrudescidas após o 1º Turno das eleições. Não posso deixar de registrar, ainda, minha estranheza quanto ao fato de que você só fale no que chama de "diferença minúscula humilhante"(sic) favorável à Presidenta Dilma, QUE ASCENDEU A QUASE 3 MILHÕES E MEIO DE VOTOS, E OMITA, POR COMPLETO, A CAMPANHA ASQUEROSA ENCETADA PELO psdb OU A SERVIÇO DELE PELO PIG E SEUS "APOIADORES", COMO POR EXEMPLO O PSEUDO "ASSASSINATO" DO YOUSSEF, NA MANHÃ DO DIA DAS ELEIÇÕES, E QUANDO NÃO DAVA MAIS TEMPO DESMENTI-LA, COM ATRIBUIÇÃO DE CULPA AO PT. LEMBRO-ME DE QUE O BUSH, FILHO, FOI PRESIDENTE DO IMPÉRIO OBTENDO MENOS VOTOS DO QUE O SEU OPONENTE E SÓ FOI ELEITO GRAÇAS A REGRA LÁ VIGENTE DE ELEIÇÃO DO COLÉGIO ELEITORAL.  E NINGUÉM, INCLUSIVE VOCÊ, FALOU DISSO. AGORA, A DILMA SER ELEITA COM A DIFERENÇA A MAIOR DE QUASE 3 MILHÕES E MEIO DE VOTOS É POR VOCÊ CLASSIFICADA DE "DIFERENÇA MINÚSCULA HUMILHANTE" (SIC). FIQUEI CHOCADO COM ISSO, VINDO DE VOCÊ!!! LMontezuma

Nunca tivemos a união de tantas forças reacionárias contra uma candidatura popular quanto agora. Dilma venceu o poder da mídia, tanto nacional quanto internacional, o poder dos banqueiros, o poder dos grandes empresários, o poder dos especuladores, o poder dos impérios estrangeiros, o poder da elite, especialmente a paulista. Derrota humilhante foi a de Serra em 2002, quando perdeu para Lula tendo tudo isso a seu favor, além da máquina governamental. Tarcílio Mesquita

O PT derrota a elite (e sua imprensa) pela quarta vez com a força do povo

O PT não é um partido perfeito, longe disso. O PT cometeu erros. Mas, se fosse derrotada hoje, Dilma Rousseff o seria pelos acertos do PT. Não pelos erros. A elite brasileira e a imprensa que a representa odeiam o PT não porque o partido esteve envolvido em denúncias de corrupção ou porque o Brasil “vai mal” economicamente. Eles odeiam o PT porque não concordam com seu projeto para o País. Querem outro, o seu.
A elite brasileira e a imprensa que a representa odeiam, em primeiro lugar, Lula. Não porque Lula despreza as famílias que são donas dos meios de comunicação. É o contrário: Lula despreza as famílias que são donas dos meios de comunicação porque sempre foi maltratado por seus jornais, TVs e revistas, porque foi vítima de seu enorme preconceito de classe. A elite e a imprensa que a representa não suportam que não seja um dos seus que esteja à frente do poder no Brasil.
Dilma achou que podia seduzir a imprensa, atraí-la para seu lado. Doce ilusão. Foi um dos maiores erros do primeiro mandato e espero que corrija no segundo. Dilma, a imprensa jamais a apoiará, simplesmente porque o projeto que você defende é considerado pela elite e pela imprensa que ela representa– arcaico, anacrônico, ultrapassado. Presidenta, ouça o que eu digo: você só teria a mídia a seu favor se rompesse com Lula. Lembre-se das cizânias entre vocês que a imprensa semeou durante os últimos quatro anos. Você vai ver como será a partir de agora: mal foi consagrada sua vitória e já tem gente na mídia falando em impeachment.
Os jornais brasileiros nunca trataram o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, que fez um governo pífio, muito aquém do governo Lula em resultados sociais e, inclusive, econômicos, como tratam o ex-operário Lula. A revista Veja, braço armado da oposição no Brasil, usou a palavra “apedeuta” (analfabeto, ignorante) mais de 2 mil vezes para se referir ao ex-presidente em seu site nos últimos anos. Veja fez mais de uma dezena de capas contra Lula a última delas esta semana, em mais uma acusação sem provas.
O filho de Lula é alvo de boatos e notícias falsas desde que a revista Veja o colocou como destaque de uma de suas edições. Repare que nunca foi questionada pela revista, por exemplo, qual a fonte de renda do filho de FHC, Paulo Henrique. A Folha de S.Paulo, por sua vez, teve o desplante de publicar um artigo em que um ex-petista ressentido acusava Lula de nada mais nada menos que tentar estuprar um rapaz. A imprensa estrangeira, que pagou mico e fez mea culpa por ter copiado o terrorismo da mídia nativa em relação aos preparativos da Copa (em vez de praticar jornalismo), precisa saber dessas coisas, mostrar ao mundo que no Brasil a verdadeira oposição ao PT vem da imprensa.
Não foi o PT quem jogou “pobres contra ricos”, “negros contra brancos”. É a imprensa quem tenta jogar pobres e ricos, negros e brancos contra o PT. Não foi Lula quem criou esta divisão no Brasil ou no mundo. Ela sempre existiu e é alimentada pela elite e pela imprensa que a representa. O PT nada mais fez que mostrar que essas diferenças estão aí e estabelecer estratégias para diminui-las. Isto é uma qualidade do PT, mas, para a imprensa, é um defeito. O Brasil não está dividido, ele É dividido. Como disse uma leitora no Facebook: só que um dos lados também passou a ter voz.
Hoje Dilma foi reeleita contra toda a mídia brasileira. Foi reeleita com o voto de gente sofrida, dos brasileiros de todas as regiões que mais precisam da ajuda do governo, e também com os votos de brasileiros que não precisam de ajuda alguma, mas que não votam pensando só em si. Votam pensando em um Brasil mais inclusivo e menos desigual. Votamos no PT porque o projeto do partido é o que mais contempla nossa sede de justiça social. Não nos sentimos representados pelo projeto de País que a imprensa brasileira tenta nos impingir, nos empurrar goela abaixo junto com o candidato da vez.
A responsabilidade do PT e de Dilma é imensa agora. É preciso, como sempre, governar para todos, mas é preciso ter um olhar especial para os desejos dos que tornaram realidade esta reeleição. Vá em frente, Dilma. Vá em frente, PT. Pisem fundo. Seu projeto de Brasil é o que queremos. Não o da imprensa.

Por Cynara Menezes

“Denúncia” de Youssef Foi Plantada no Depoimento Por “Retificação”

Por: Fernando Brito
Carta Capital percebeu e publicou em seu site as informações de uma pequena matéria de O Globo.
Seu conteúdo é estarrecedor e seu tamanho é escandalosamente minúsculo.
Diz que “investigadores da Operação Lava-Jato suspeitam que Youssef foi estimulado a fazer declarações sobre Dilma e Lula, numa manobra que teria, como objetivo, influenciar o resultado das eleições presidenciais”.
Youssef prestou depoimento terça-feira aos policiais. A partir daí, narra a matéria, passou-se o seguinte.
“No dia seguinte, um de seus advogados pediu para fazer uma retificação no depoimento anterior. No interrogatório, perguntou quem mais, além das pessoas já citadas pelo doleiro, sabia das fraude na Petrobras. Youssef disse, então, acreditar que, pela dimensão do caso, não teria como Lula e Dilma não saberem. A partir daí, concluiu-se a “retificação” do depoimento.”
Na quinta, como se sabe, a Veja publicou as fotos de Lula e Dilma e a manchete:
“Eles sabiam de tudo”.
Só isso, independente de se provar que o advogado e o bandido receberam vantagens econômicas para produzir tamanha monstruosidade, já é o suficiente para abrir uma investigação criminal sobre a formação de uma quadrilha de estelionatários políticos, composta por representantes da revista e pelos que porventura tenham participado de sua armação para “plantar”  esta suposição que viraria afirmação na capa-panfleto fartamente distribuída pela campanha tucana.
Alberto Youssef, ao que tudo indica, não é o único bandido nesta história que, agora fica evidente, foi, na linguagem dos advogados, “adrede preparada”.
O juiz Sérgio Moro, que defende a ideia de que o conteúdo dos depoimentos deve ser divulgado, certamente não vai se opor à exibição desta “retificação” nele consignada.
Será que vamos ter um novo caso “Cachoeira”, onde o aquadrilhamento da Veja com criminosos será preservado?
Não é possível que o “sigilo” de Justiça seja invocado para encobrir uma mutreta criminosa destas.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Mídia "Fascista" Troca Golpismo Por Lobismo

Helena Sthephanowitz, via RBA

Imprensa corporativa conseguiu no 1º turno impedir o avanço das forças progressistas no Legislativo, mas no 2º turno perdeu. Há ainda uma tentativa de valorizar a oposição acima da real correlação de forças.

A grande derrotada nas eleições presidenciais foi a mídia tradicional, seguida pelos bancos privados. A imprensa corporativa, patrocinada por estes bancos, passou anos doutrinando o brasileiro a se afastar da luta política, a criminalizar movimentos sociais, a ver a política apenas como sinônimo de corrupção e não como instrumento de transformação da realidade, a que todo cidadão deve se engajar de alguma forma, nem que seja apenas votando com consciência política.
O truque é simples: o povo é induzido a odiar a política e desiste da luta pelo poder popular, então a classe dominante ocupa o poder com seus candidatos manietados.
Esse truque deu parcialmente certo no 1º turno. No Congresso Nacional eleito, parlamentares que se elegem com votos de opinião perderam espaço para candidatos do poder econômico. Mesmo assim, as mudanças nas correlações de forças foram relativamente pequenas. O Congresso já era majoritariamente conservador e continuou sendo. Evitou um avanço progressista no poder legislativo.
Mas fracassou no 2º turno, com a reeleição da presidenta Dilma Rousseff, que tinha a oposição da mídia corporativa e de todo o mercado financeiro.
Todo o poder de fogo da mídia corporativa para eleger seu candidato tucano foi usado, sem escrúpulos. O Manchetômetro (estudo desenvolvido por professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro) demonstrou que o noticiário dos jornais e telejornais de grande circulação e audiência fizeram verdadeira campanha negativa contra a candidata petista, e campanha positiva para os candidatos de oposição.
Um verdadeiro golpe foi a tentativa da revista Veja de produzir uma reviravolta às vésperas das eleições produzindo uma matéria sensacionalista, panfletária e sem compromisso com a verdade, cuja natureza de campanha eleitoral negativa e paralela foi reconhecida pelo Ministério Público Eleitoral e pela Justiça Eleitoral. O caso ainda precisa ser investigado pois, se houve premeditação de criminosos confessos, em ação conjunta com interesses escusos para solapar a democracia e soberania do voto popular, os crimes são bem graves.
Apuradas as urnas, o noticiário desta mesma mídia corporativa mudou no dia seguinte. Saiu o sensacionalismo golpista, entrou o lobismo conservador, até legítimo para jornais e tevês conservadores na área econômica.
O caso Petrobras passou a ser tratado com sobriedade, atendo-se mais aos fatos e menos às especulações, ilações. A economia brasileira já não está mais próxima do fim do mundo, como era dito antes das eleições. O tom do noticiário é de que precisa apenas de um novo ministro da Fazenda ao agrado do mercado para reverter expectativas. O tom de crise, seja econômica, seja política, seja institucional, ficou restrito a alguns colunistas e editorais. As manchetes agora refletem o lobismo para ocupação de ministérios, sobretudo os da área econômica e que afetam a comunicação social, por atingir os interesses dos próprios “barões da mídia”.
Nota-se também o lobismo no noticiário puxando para a agenda política conservadora, já buscando no parlamento reações à proposta de reforma política com plebiscito.
Há ainda uma tentativa de valorizar a oposição acima da real correlação de forças. A votação mais expressiva no 2º turno não é suficiente para fazer a oposição mais forte, quando a oposição encolheu em poder regional, elegendo menos governadores, e elegeu praticamente a mesma bancada que tinha, tanto no Senado como na Câmara dos Deputados. Quem cresceu em poder regional elegendo mais governadores foram partidos da base governista como PMDB, PSD, PCdoB etc.
Por mais que o PMDB tenha rachado durante o processo eleitoral, seus sete governadores vão querer manter uma boa relação com a presidenta para fazer uma boa administração. Mesmo os cinco governadores do PSDB também agirão de forma semelhante, pelo menos nos dois ou três primeiros anos do segundo mandato.

Senador Que Fala Em 'Ética' É Réu Em 11 Processos Por Corrupção

Senador Mário Couto, que tomou a defesa histérica de Aécio Neves e pediu o impeachment de Dilma é acusado de fraude em 11 processos

Mário Couto, que se autoproclama como paladino da ética, tem a conta bloqueada pela justiça e acumula diversos processos (Agência Senado)
Uma figura regional ganhou notoriedade nacional ontem na patética discussão travada em torno do Marco Civil entre Aécio e Lindbergh Farias no Senado, imortalizada num vídeo que viralizou na internet.
Era o senador Mário Couto, do PSDB do Pará. Ele saiu correndo em direção de Lindbergh, dedo em riste numa gesticulação histérica. Tomou a defesa de seu colega de partido, e a cena poderia terminar em pugilato se não interviessem ali.
Couto é a chamada chave de cadeia, e é revelador do sistema político e jurídico nacional que ele ocupe ainda uma cadeira no Senado, da qual profere, não raro, do alto de sua ficha corrida pesada, inflamados pronunciamentos pela ética e contra a corrupção.
A biografia de Couto é rica.
Algum tempo atrás, uma mulher numa pequena cidade do Pará entrou com um processo contra ele depois de ter sido chamada – contou ela – de “macaca” e coisas do gênero.
No processo, ela disse que a razão da fúria de Couto foi ela não haver deixado que ele pregasse em sua casa cartazes de um candidato a prefeito.
Como deputado pelo Pará, ele se meteu em encrencas legais também. O Ministério Público o acusou de fraudar licitações na Assembleia Legislativa, da qual era presidente.
Empresas em nome de laranjas ganharam concorrências em série. O controle das licitações da Assembleia Legislativa estava a cargo da filha de Couto, Cilene.
Por conta das licitações suspeitas, a conta de Couto foi bloqueada pela justiça paraense, para evitar transferências de dinheiro para parentes, amigos ou, simplesmente, laranjas.
Até no futebol a crônica dele é notável.
Couto, algum tempo atrás, virou patrono de um time da segunda divisão paraense. O estádio do time, do interior do Pará, recebeu seu nome, e é conhecido como Coutão.
Algumas contratações caras para os padrões locais despertaram suspeitas. Como um clube tão modesto poderia bancar as despesas – sem receita de estádio e com patrocínio tímidos?
A resposta, segundo as evidências, residiria no Detran do Pará, um reduto de Couto de acordo com pessoas que conhecem a política do Pará.
As denúncias sugerem que Couto arrumava bons empregos no Detran para mulheres de jogadores, e ali estaria o pagamento, com dinheiro do contribuinte paraense.
No YouTube, um vídeo mostra uma cena desalentadora neste capítulo futebolístico. Numa reportagem de uma emissora local, aparece um pequeno empresário brandindo uma papelada.
Eram os documentos de um terreno, disse o empresário, que foi tomado por Couto para fazer parte das dependências do clube. O terreno fica ao lado do Coutão.
Apesar dos documentos, apesar da luta do proprietário do terreno na justiça, não houve reintegração de posse. Isso, no Brasil, é algo que só funciona contra favelados como os da Favela Oi.
Couto, no passado, segundo é amplamente comentado entre os paraenses, foi presença destacada no jogo do bicho.
Nada disso impede o senador de ser um cruzado pela moralidade. Antes de tomar a defesa física de Aécio, ele pediu o impeachment de Dilma por causa do caso da refinaria de Pasadena.
A presença de Mário Couto no Senado mostra várias coisas, nenhuma delas animadora. Uma delas é que o PSDB tem que olhar para o espelho antes de falar em moralização.
Mas a conclusão mais importante é: que venha, urgentemente, uma reforma política.
Paulo Nogueira, DCM

Micos da Campanha Eleitoral


Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador:
Passada a eleição, é hora de selecionar os grandes “micos” dessa campanha eleitoral que mobilizou ódio e preconceito – por fim, derrotados na urna. Faço aqui uma breve lista, mas gostaria que os internautas ajudassem a completá-la.
1) Marina Silva
Ganhou, disparado, o grande troféu de mico eleitoral. Sorriu sobre o caixão de Eduardo Campos em agosto. Depois, terceirizou sua campanha ao Itaú, enquanto se apresentava como “terceira via”… No fim, desmontada pelos fatos, soltou os cabelos numa cerimônia constrangedora de adesão a Aécio Neves.
Marina destruiu dois partidos (PSB e Rede), e avacalhou sua própria história.
Derreteu quando fugiu do debate com Dilma no primeiro turno. Raivosa, apoiou Aécio no segundo turno.
Ao lado do tucano, perdeu a eleição e a pose.
2) Sensus e Istoé
Quando todas as pesquisas, na reta final, já davam Dilma em primeiro lugar, o instituto Sensus produziu estranhíssimos levantamentos que indicavam Aécio até 15 pontos na frente. É, nitidamente, caso para investigação policial. A revista “Istoé” arrastou-se na lama publicando as pesquisas aecistas.
Mas pior foi ver o Estatístico que dirige o instituto afirmar: “rasgo o meu diploma se a pesquisa estiver errada”. Aguarda-se agora que ele cumpra a promessa de campanha.
3) Lobão e Mainardi
O roqueiro prometeu ir embora do Brasil se Dilma ganhasse.
Mais um que faz promessas só para iludir o povo. Diante da derrota, o ex-roqueiro declarou que voltava atrás – frustrando milhões de brasileiros que já se cotizavam para pagar o bilhete aéreo do rapaz.
Lobão recebeu, na última hora, a companhia do moço que trabalhava na “Veja” e fugiu para Veneza. Diogo Mainardi prometeu que se jogaria pela janela se Dilma vencesse. Até agora, não cumpriu a promessa.
4) “Veja” e a classe média paulista
A revista da marginal lançou-se com fúria infantil na campanha. Às portas da falência, apostou tudo na eleição de Aécio Neves – produzindo uma capa que atendia aos interesses tucanos.
A capa virou panfleto nas mãos da furiosa classe média paulista – que na tarde de sábado (25/outubro) distribuía o material em uma desesperada passeata na avenida Paulista.
A mesma classe média espalhou boatos de que o doleiro Youssef (principal “fonte” da revista) teria sido “envenenado pelo PT”. Era mentira.
“Veja” e a classe média conservadora acabaram por se afogar no próprio ódio.
A revista da marginal pagou o mico de publicar um direito de resposta do PT em seu sítio eletrônico – por ordem do TSE.
Já a classe média conservadora pagou o mico de terminar a eleição espalhando mensagens preconceituosas pelas redes sociais – contra o Nordeste.
Detalhe: a derrota de Aécio não se deu no Nordeste. Mas no Rio e em Minas.
5) A viúva de Pernambuco
A família de Eduardo Campos mergulhou na campanha de Marina (e, depois, de Aécio) de forma abrupta. Filhos e viúva foram os primeiros a desrespeitar o luto.
Pagaram o mico duplo: usaram o cadáver na campanha, o que não impediu uma derrota humilhante no segundo turno.
Entre a exploração mórbida da memória de Eduardo e o reconhecimento ao ex-presidente Lula, o povo pernambucano ficou com o segundo.
6) “O povo não é bobo…”
A Globo de Ali Kamel iniciou o segundo turno descarregando o escândalo da Petrobras sobre Dilma. A família Marinho imaginava que ali decidiria a eleição. Mas Dilma resistiu – bravamente.
A capa da “Veja”, na véspera do segundo turno, mostrou uma Globo já mais vacilante.
Na sexta-feira (24/outubro), Ali Kamel fugiu do assunto – temendo que Dilma desmascarasse a Globo no debate ao vivo que aconteceria naquela noite. E Dilma mandou mesmo recado no debate, quando abriu sua resposta sobre a revista com a frase: “o povo não é bobo…”.
No sábado antes da eleição, a Globo entrou no assunto – de forma covarde. Dilma já não teria como responder. Mas o JN não teve o mesmo ímpeto de outras eleições. Mostrou-se fraco.
Quando Dilma fazia o discurso da vitória no domingo, com transmissão ao vivo, a platéia interrompeu: “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”.
Dilma manteve um meio sorriso no rosto. O áudio vazou no ar, inclusive na Globo.
Mais um mico para a coleção de Ali Kamel (diretor de Jornalismo da emissora) – que se dedica a processar blogueiros, enquanto vê a audiência da TV despencar.
7) “Vamos conversar? Não, obrigado…”
Aécio foi um candidato competitivo. Agressivo demais em alguns momentos.
Mas mostrou coragem, ao defender o legado de FHC, e ao reconhecer a vitória de Dilma de maneira republicana e tranquila.
Mas, do ponto de vista visual, o grande mico da eleição foi a foto que abre esse texto.
Aécio iniciou a campanha com o mote “vamos conversar”. Os ricos e remediados toparam falar com ele. E votaram nele.
Mas Aécio jamais conseguiu chegar aos pobres. Na visita a uma comunidade em BH, um morador recolheu a mão quando o candidato estendeu a dele para o cumprimento.
Mico registrado para a posteridade.
Mico tão grande quanto perder a eleição em Minas – onde ele esperava uma vitória “consagradora”.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Fabio Barbosa Tem Que Responder Por Tudo Que a Veja Tem Feito


Quando Fabio Barbosa foi contratado para ser presidente executivo da Abril, ele tinha a fama de ser um dos executivos mais arejados e mais modernos do Brasil.
Era particularmente aplaudido pelas suas palavras e ações, à frente dos bancos que comandara, no terreno da sustentabilidade.
Pela imagem de executivo diferenciado, ele foi convidado a ser membro do Conselho de Administração da Petrobras não na gestão do PSDB – mas na do PT.
Não à toa, muita gente imaginou que Fabio Barbosa poderia exercer uma influência transformadora sobre a Abril e, particularmente, sobre a Veja, já àquela altura metida numa louca cavalgada pseudojornalística.
É verdade que dentro da própria Abril as expectativas eram menos elevadas. Almocei, na ocasião, com um amigo meu dos dias em que integrávamos o Comitê Executivo da Abril, no começo dos anos 2000.
“O que vocês esperam do Fabio Barbosa?”, perguntei.
“Ele é especialista em planejamento fiscal. A gente espera que ele faça isso para nós, agora que estamos dando muito lucro.”
Rimos. Era 2010, e a Abril tivera o maior lucro de sua história. “Planejamento fiscal”, como sabemos todos, é uma expressão bonita para dizer evasão de impostos. Ou, para usar a palavra justa, sonegação.
Grandes empresas multinacionais, em seu planejamento fiscal, transferem seu faturamento para lugares em que a carga de impostos é virtualmente nula.
Sonegam legalmente por esse expediente – uma esperteza que diversos governos estão tentando eliminar com grande empenho nestes nossos tempos.
Para o mundo exterior, o papel esperado de Fábio Barbosa na Abril ia muito além, naturalmente, de buscar frestas na legislação que permitissem à empresa pagar menos impostos.
Passado algum tempo, nada aconteceu do muro para fora. A Veja continuava a mesma.
Mas havia uma explicação razoável para eximir Barbosa de responsabilidade: Roberto Civita estava vivo e atuante.
RC, como o chamávamos, sempre dedicou a maior parte de seu tempo na Abril à Veja – o grande amor de sua vida.
Todo o resto do que foi o império Abril era pouco, ou quase nada, para RC diante da Veja.
Ele tinha uma reunião nas noites das quintas-feiras com o diretor da revista, na qual as coisas essenciais de política e economia na edição em curso eram acertadas.
Na gestão de JR Guzzo, durante parte da qual trabalhei na Veja, lembro do telefone vermelho que se destacava na mesa do diretor de redação.
Era, como tantas outras coisas na vida de RC, um simbolismo americano. Aquele aparelho servia exclusivamente para ligações de RC para Guzzo. Só tocava em momentos especiais, como o telefone vermelho que na Casa Branca da Guerra Fria era reservado a contatos com o comando supremo da União Soviética.
Tudo isso posto, era compreensível que, sob RC, Fabio Barbosa nada fizesse para tirar a Veja da delinquência editorial.
Mas as circunstâncias mudaram com a morte de Roberto Civita.
Seus filhos, Gianca e Titi, substituíram o pai. Nem um e nem o outro jamais tiveram pretensões jornalísticas, e então era o momento certo para algum tipo de mudança.
Aqui, confesso, tive alguma expectativa. Gianca – sob cuja chefia trabalhei um curto período – é uma pessoa que ouve o que os outros têm a dizer, e se rende a argumentos convincentes.
Cheguei a escrever que algo poderia ocorrer de novo na linha da Veja, pós-RC. Uma semana depois, estava claro que as coisas continuaram iguais.
Mudar uma revista não é difícil, ao contrário do que muitas pessoas possam imaginar.
Mudei muitas ao longo de minha carreira.
Você tem que saber o que quer e o que não quer, e conversar sobre isso com o diretor de redação e seus principais editores.
Depois, na edição seguinte, você lê e vê se as novas diretrizes foram ao menos parcialmente cumpridas.
Se sim, ótimo. Mais conversas vão acelerar as mudanças desejadas.
Se não, fica claro que você, para mudar a revista, tem que mudar seu diretor. Para o resto da redação, a mensagem é imediatamente percebida: não queremos mais a mesma coisa.
Morto Roberto Civita, e aberta portanto a chance de transformações fundamentais, nada aconteceu.
Imaginei, num primeiro instante, que de alguma forma Fabio Barbosa estivesse alijado de decisões editoriais, como sempre aconteceu com presidentes executivos na Abril sob RC.
Lembro que Maurizio Mauro, presidente executivo vindo da Booz Allen, se martirizava por não ter ação nenhuma na área editorial. Ele não sabia sequer qual a capa da Veja que chegaria no sábado às bancas.
Viveria Barbosa no mesmo regime?
Soube que não – depois da morte de Roberto Civita.
Amigos meus da Exame, onde vivi meus melhores anos na Abril, me contaram que Fabio Barbosa participava de reuniões editoriais regulares nas quais se discutia o conteúdo da revista.
Na Veja, o mesmo ocorria.
Num recente boletim executivo da Abril, isso se tornou público. Fabio Barbosa era tratado ali, oficialmente, como coordenador editorial da Veja e da Exame.
Chequei com colegas meus dos dias de Comitê Executivo.
“Ele adora dar a amigos empresários detalhes das coisas que a Veja vai dar na próxima edição”, me contou um daqueles colegas.
Me veio à mente Roberto Civita: seus olhos brilhavam quando ele antecipava, a uns poucos eleitos, os “furos” da Veja que chacoalhariam a República.
Logo, Fabio Barbosa é tão responsável pelo que a Veja faz quanto os dois filhos de Roberto Civita e o diretor de redação, Eurípides Alcântara.
A capa criminosa das vésperas das eleições não teria saído sem a anuência desse quarteto do qual Barbosa faz parte.
A Veja era Roberto Civita.
Morto Roberto Civita, a Veja é Gianca,Titi, Fábio Barbosa e Eurípides Alcântara.
Qualquer tentativa de Fabio Barbosa, agora que a casa caiu, de se eximir de responsabilidade será apenas falácia, cinismo e mentira – tudo aquilo, aliás, que vem pautando o comportamento da Veja.