quinta-feira, 24 de abril de 2014

Dirceu Deve Acusar Mídia em Tribunal Internacional

Segundo Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, "o papel da mídia no Julgamento do Mensalão será denunciado pela defesa de Dirceu à Corte Interamericana de Direitos Humanos seja qual for o resultado da Revisão Criminal que será pedida" e "o Brasil será denunciado por permitir à mídia que manipule processos judiciais, em clara afronta ao Direito"

Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania
Em mais alguns dias, completar-se-ão seis meses desde que José Dirceu se entregou à Justiça na sede da Polícia Federal em São Paulo. O ex-ministro de Lula é hoje o único condenado pelo julgamento do mensalão a regime semiaberto que não obteve autorização para trabalhar fora da prisão. Este post versa sobre a tortura psicológica que lhe foi imposta.
Dirceu é, também, o único réu do julgamento do mensalão contra quem não foi apresentada uma única prova e que, assim mesmo, foi condenado. Contra réus como José Genoíno, João Paulo Cunha ou Delúbio Soares ao menos havia o que chamam de "ato de ofício", mas contra Dirceu nunca houve nada.
Genoino ao menos firmou empréstimos em nome do PT, Delúbio foi o tesoureiro responsável por esses empréstimos, Cunha mandou a esposa sacar uma quantia no Banco Rural, mas contra Dirceu nunca foi apresentada uma única prova de envolvimento no caso.
Que fique claro que não se está considerando válidas ou suficientes as "provas" contra Genoino, Delúbio e Cunha. O que se diz é que contra eles há, pelo menos, alguma evidência, mas que contra Dirceu nunca houve absolutamente nada, nem mero indício.
A teoria usada pelo STF para condenar Dirceu, conforme afirma o jurista Dalmo de Abreu Dallari, foi "importada" da Alemanha nazista. A teoria do Domínio do Fato poderia, por exemplo, colocar Geraldo Alckmin e José Serra na cadeia pelo cartel de trens em São Paulo se passasse a ser usada no Brasil da forma como foi usada para Dirceu.
Apesar de ainda caber um último recurso à Justiça brasileira, a chamada "Revisão Criminal", as possibilidades de sucesso desse recurso não chegam a ser dignas de nota. Até porque, a progressão da pena do ex-ministro para o regime aberto pode ser conseguida no início de 2015, sobretudo se o carcereiro Joaquim Barbosa deixar o STF.
Se na Justiça brasileira não for possível conseguir justiça para Dirceu, estando ele dentro ou fora da prisão o recurso à Corte Interamericana de Direitos Humanos será inevitável porque todos os abusos praticados contra ele dependeram de um fenômeno que vem indignando e até assustando a comunidade jurídica brasileira: a influência da mídia sobre o Judiciário.
Mais do que a condenação sem provas de Dirceu, um fato recente envolvendo o Judiciário e o caso do ex-ministro espanta qualquer operador sério do Direito. O impedimento desse condenado de desfrutar dos benefícios do regime semiaberto só foi possível devido a uma campanha midiática quase tão intensa quanto a que ocorreu durante o julgamento.
Note-se que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acaba de emitir parecer favorável à concessão a Dirceu do direito de trabalhar fora da prisão. Após meses e meses, viraram pó as denúncias da mídia de que o ex-ministro desfrutou de "regalias" e de que usou um celular dentro do complexo prisional da Papuda. E ficou tudo por isso mesmo.
O mais bizarro em tudo isso é que, apesar de não ter sido provada regalia alguma para os condenados do mensalão, de não ter sido provado uso algum de celular por Dirceu dentro da prisão, o carcereiro oficial dos condenados, Joaquim Barbosa, pode produzir mais manobras para negar ou postergar o benefício de trabalho externo a Dirceu.
Diante dessa situação em nosso Judiciário, situação que pode ser considerada análoga à de qualquer ditadura, operadores do Direito dos quatro cantos do país vêm se reunindo para analisar não apenas o comportamento da Justiça ao longo do julgamento do mensalão, mas o papel da mídia nesse processo.
Nesta quarta-feira (23/04), por exemplo, o autor deste Blog estará em Porto Alegre participando de palestra na sede da OAB. A mesa de debates será composta por dois juristas, um filósofo filiado ao Partido dos Trabalhadores e este que escreve, cuja função será discorrer sobre o papel da mídia no processo do mensalão.
Devido ao exposto, o papel da mídia no Julgamento do Mensalão será denunciado pela defesa de Dirceu à Corte Interamericana de Direitos Humanos seja qual for o resultado da Revisão Criminal que será pedida se ou quando Joaquim Barbosa deixar o STF. O Brasil será denunciado por permitir à mídia que manipule processos judiciais, em clara afronta ao Direito. 

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Lênin, Aécio ​e a Coerência Histórica

Saul Leblon
 
O Conversa Afiada reproduz editorial de Saul Leblon, extraído da Carta Maior:

Lênin, Aécio e a coerência histórica

Aécio Neves pede uma CPI em defesa da Petrobras; em 2013 lançou uma agenda eleitoral de oito mil palavras, sem destinar uma ao pré-sal.

A desabalada defesa da Petrobrás –
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motivada pelo prejuízo que a operação Pasadena trouxe à estatal
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– revelou um zelo pelo interesse nacional que o país desconhecia.

A síntese arrematada da novidade  é o empenho do presidenciável Aécio Neves em  encaixar uma CPI sobre o tema no calendário eleitoral de 2014.

A política, como se sabe, não é o reino da linha reta. Política é economia concentrada, contém o conjunto das contradições da sociedade. Seguir uma  reta num pântano é missão para santidades, não para pecadores.

Aécio ou Lênin  não podem  ser julgado por atos isolados.

Para que não se firme, porém,  a impressão de que a política é o inferno da hipocrisia convém dar  aos eventos a ponderação da coerência histórica, cotejada  pela correlação de forças determinante em cada época.

Tomados esses cuidados, o ambiente político  adicionalmente turvado pelas disputas eleitorais deixa de passar a falsa impressão de que todos os gatos são pardos.

Quando se afunila  a visão, ao contrário,  estamos a um passo do moralismo.

Não importa que  ele venha entrecortado de bem intencionados  sustenidos radicais.

O moralismo traz  no DNA a prostração  política encarnada nas legendas redentoras do ‘tudo ou nada’.

O ‘nada’ muito frequentemente tem saído vitorioso nessa prática de dar a história o tratamento de uma roleta de cassino.

Ou não será nisso que o conservadorismo aposta para levar a eleição de outubro a um segundo turno do tipo ‘todos contra o bando do PT’?

O incentivo quase paternal aos protestos contra a Copa do Mundo dimensiona o valor elevado que o jornalismo  isento atribui a essa aposta.

É nesse ponto, quando o alarido  do presente embaça  a  percepção do futuro,  que a  balança crítica  deve escrutinar o saldo da coerência  no prato da direita e no da esquerda.

Um exemplo extremo, à esquerda, a título de ilustração, foi a política de capitalismo de Estado, adotada por Lênin,  em março de 1921, com amplas concessões ao capital privado.

Quando a NEP (nova política econômica) foi instaurada, a Rússia revolucionária sangrava ferida de fome, desabastecimento, desemprego e colapso na infraestrutura.

A NEP  regenerou  práticas capitalistas contras as quais se fez a revolução.

Por exemplo: o investimento privado do capital estrangeiro foi liberado no setor varejista  (o comércio atacadista foi preservado em mãos do Estado).

Enquanto  avançava a criação de cooperativas no campo, a  NEP proibia novas expropriações de indústrias nas cidades; a nacionalização de fábricas só poderia ocorrer  após minuciosa avaliação do governo revolucionário.

Não só.

Foi restaurada a livre contratação de mão de obra.

O salário igualitário foi suprimido.

O critério de produtividade foi reposto no cálculo das folhas.

E mais: a população passou a pagar pelos serviços de água, transportes, moradia, jornais, correio e eletricidade, gratuitos no início da revolução.

A ninguém ocorre  carimbar em Lênin o epíteto de ‘covarde’ por ter cedido espaços ao capital quando a alternativa era perder tudo.

Pode-se (deve-se) discutir exaustivamente os gargalos e erros que levaram a experiência de 1917 a desaguar na queda de 1989.

Carta Maior tem opiniões claras sobre isso: uma delas remete à natureza indissociável entre socialismo e participação direta da sociedade na sua construção.
É impossível, porém,  negar à biografia de Lênin a coerência por ter reagido como reagiu ao risco de uma metástase do regime, em 1921.

Feito esse entrecho à esquerda, voltemos à coerência de Aécio Neves e assemelhados na defesa, algo tardia, que fazem agora  da Petrobrás.

Avulta aqui o oposto na balança.

Não há qualquer coerência entre o que se diz no presente, o que se praticou  no passado e o que se promete consumar no futuro .

Alguém duvida que entre as ‘medidas impopulares’, das quais o tucano se jacta de ser um portador destemido, encontra-se a quebra do regime de partilha do pré-sal, que hoje garante a redistribuição da renda petroleira na forma de educação, saúde e infraestrutura aos nossos filhos e aos filhos que um dia eles terão?

Não estamos falando de um detalhe tangencial à luta pelo desenvolvimento brasileiro.

O pré-sal, é forçoso repetir quando tantos preferem esquecer, mudou o peso geopolítico do Brasil ao adicionar à sua riqueza uma reserva da ordem de 50 bilhões de barris de óleo.

A preços de hoje isso significa algo como US$ 5 trilhões.

É como se o Brasil ganhasse dois anos de PIB  –
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sob  controle político da sociedade
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– para se recuperar  das mazelas seculares incrustradas em seu tecido social.

Não se trata tampouco de um futuro remoto.

O pré-sal já alterou a curva de produção da Petrobras.

A estatal, que levou 60 anos para chegar à extração  de dois milhões de barris/dia, vai dobrar essa marca em apenas sete anos.

A ignorância tudo pode, mas quem desdenha dessa mutação em curso sabe muito bem  o que está em jogo.

Dez sistemas de produção do pre-sal entram em operação até 2020.

Hoje, os novos reservatórios já produzem 400 mil barris/dia.

Em 2020 serão mais dois milhões de barris/dia.

A curva é geométrica.

Para reter as rendas do refino  na economia brasileira, a capacidade de processamento da Petrobras crescerá proporcionalmente: de pouco mais de dois milhões de barris/dia hoje, alcançará  3,6 milhões de barris/dia em seis ou sete anos.

O conjunto requer  US$ 237 bilhões em investimentos até 2017.

É o maior programa de investimento de uma petroleira em curso no mundo.

Seus desdobramentos não podem ser subestimados.

A infraestrutura é o  carro-chefe do investimento nacional nesta década. Mais de 60% do total de R$ 1 trilhão a ser gasto na área estará associado à cadeia de óleo e gás.

Objetivamente: nenhuma agenda política relevante pode negligenciar aquela que  é a principal fronteira crível do desenvolvimento  brasileiros nas próximas décadas.

Mas foi  exatamente esse sugestivo lapso que o agora patriótico Aécio Neves cometeu em dezembro de 2013, quando lançou sua agenda eleitoral como presidenciável do PSDB.

Em oito mil e 17 palavras encadeadas em um jorro espumoso do qual se extrai ralo sumo, o candidato tucano  não mencionou uma única vez o trunfo que mudou o perfil geopolítico do país, o pré-sal.

A omissão  fala mais do que consegue esconder.

Seu diagnóstico sobre o país, e a purga curativa preconizada a partir dele, são incompatíveis com a existência desse  incômodo cinturão estratégico a encorajar a construção de uma democracia social , ainda que tardia, por essas bandas.

Ao abstrair o pré-sal  a agenda de Aécio para o Brasil mais se assemelha a uma viagem de férias à Brazilândia do imaginário conservador, do que à análise do país realmente existente –
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com seus gargalos e trunfos.

Só se concebe desdenhar dessa janela histórica  –
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como o fez o agora empedernido defensor da CPI — se a concepção de país embutida em seu projeto negligenciar deliberadamente certas  urgências.

Por exemplo, a luta pela reindustrialização brasileira, da qual as encomendas do pré-sal podem figurar como importante alavanca, graças aos índices de nacionalização consagrados no regime de partilha.

Mais que isso:  se, ao contrário, a alavanca acalentada pelo tucano, para devolver dinamismo à economia,  for como ele gosta de papagaiar aos ouvidos do dinheiro grosso,  o chamado ‘choque de competitividade’.

Do que consta?

Daquilo que a emissão conservadora embarcada na mesma agenda alardeia como inevitável dia sim, o outro também.

O velho  recheio  inclui  ingredientes tão intragáveis que se recomenda dissimular em um contexto eleitoral, a saber: ajuste fiscal drástico, com os custos sociais sabidos; ampla abertura comercial –
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com a contrapartida imaginável de desindustrialização adicional e desemprego;  livre movimento de capitais; privatização do que sobrou das estatais (quando Aécio fala em ‘estatizar’ a Petrobrás é a novilíngua, em ação beligerante contra a inteligência nacional); cortes de direitos trabalhistas e de poder aquisitivo real dos salários –
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para reduzir o custo Brasil e tornar o país ‘atraente’ ao capital estrangeiro.

Por último, ressuscitar a lógica  da Alca e atrelar a diplomacia do Itamaraty  aos interesses  norte-americanos.

Em resumo, um neoliberalismo requentado, indiferente ao prazo de validade vencido na crise de 2008.

Reconheça-se, não é fácil pavimentar o percurso oposto, como vem tentando o Brasil desde então.

Com a maturação da curva do pré-sal  as chances de êxito aumentam geometricamente nos próximos anos.

Não é uma certeza, é uma possibilidade histórica.

Os efeitos virtuosos desse salto no conjunto da economia exigem uma costura de determinação política para se efetivarem.

Algo que a agenda eleitoral do PSDB omite, renega e descarta.

Em nome da coerência, Aécio Neves deveria adicionar ao seu pedido de CPI  uma explicação ao país sobre o destino reservado ao pré-sal,  caso as urnas de outubro deem a vitória a quem assumidamente se propõe a ser uma réplica  do governo FHC em Brasília.

domingo, 13 de abril de 2014

Pimenta É Só Para os Olhos dos Outros

​Saul Leblon

O candidato do PSDB ao Governo de Minas, Pimenta da Veiga, escolhido a dedo por Aécio Neves, foi indiciado pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro.

Antes tarde do que nunca, a Polícia Federal indiciou o tucano Pimenta da Veiga por envolvimento no mensalão tucano. Pimenta é, ou era, o candidato oficial do PSDB ao Governo de Minas Gerais – escolhido a dedo por Aécio Neves.

Pimenta foi ministro das Comunicações de FHC. Seu nome está nos anais da privataria tucana. Está também no caderninho da Polícia Federal, e já faz muito, muito tempo. Pimenta é acusado do crime de lavagem de dinheiro.

A imprensa amiga, de bico longo e grossa plumagem, não o chama de mensaleiro – isso não se faz com os amigos. Tampouco traduz lavagem de dinheiro por “corrupção” – não existe pecado no reino dos privatistas, apenas negócios.

Essa imprensa que presta bons serviços a Pimenta, a Aécio e seu partido “informa” que o candidato tucano é “suspeito” de receber R$ 300 mil das agências de publicidade de Marcos Valério. Quanta condescendência. Suspeito? Pimenta embolsou R$300 mil. Nem mesmo ele nega que tenha agasalhado a bufunfa.

Pimenta reconhece ter recebido tal valor e defende que mereceu, por tudo que fez às empresas de Marcos Valério, a quem prestava serviços advocatícios. O último advogado que alegou prestar serviços a empresas de Marcos Valério,  Rogério Tolentino, foi condenado e já cumpre pena.

Se a defesa de Pimenta se resume a dizer que prestava serviços a Marcos Valério, não é preciso dizer mais nada. Sabedores que somos de qual era o negócio de Marcos Valério, se alguém assume que prestava serviços em prol de seus negócios, o que a Justiça está esperando pra tomar providências? Por que a Polícia Federal esperou mais de uma década para fazer o indiciamento?

Graças à demora, Pimenta está próximo de completar a idade de ouro, os 70 anos. Nessa fase, qualquer um passa a gozar do benefício da idade da inocência.

Aécio Neves, ao invés de agradecer a demora, reagiu indignado. Defendeu aquele que, ontem, era seu cabo eleitoral de luxo; hoje, é seu fardo, sua mala sem alça.

Aécio queria a ajuda de Pimenta para, juntos, de mãos dadas,  garantirem, em outubro, alguns milhões a mais em Minas. Milhões de votos, bem entendido.

Inconformado com o tropeço, o presidenciável tucano pergunta por que a denúncia foi ressuscitada justo depois de Pimenta ter sido escolhido candidato.

Não ficou bem claro qual é o problema. A indignação é com a acusação ou com o fato de que, agora, Aécio já não sabe o que fazer com aquele que cuidaria de seu quintal? Como explicar que sua ajuda não é mais bem vinda?

O filme que roda na bobina é previsível. O outrora ministro, transformado em candidato, agora é indiciado. Mais algumas voltas do rolo e será réu.

Alguém provavelmente avisará a Pimenta da Veiga que o gato subiu no telhado. Alguém, forçosamente, sugerirá que saia de fininho, para não atrapalhar o presidenciável, assim como se fez com Eduardo Azeredo, que, ao renunciar ao mandato, fugiu do STF e vê seu processo transferido para as calendas gregas.

Pimenta, assim como Eduardo Azeredo, esbarrou em Marcos Valério e caiu na teia de denúncias daquele mensalão. Pimenta é provavelmente tão inocente quanto Azeredo em sua relação altruísta com Marcos Valério.

Para a sorte de ambos, o cordão dos tucanos mineiros engarranchados com Valério é desfiado lentamente, a passos de tartaruga. Pimenta, mesmo, só nos olhos dos outros.

O Maior Cabo Eleitoral do Planeta



Por Pepe Damasco, em seu blog: Desde que deixou o governo, consagrado com mais de 80% de aprovação popular, Lula só faz apanhar da mídia golpista brasileira e dos demais representantes da nossa elite mais retrógada. Não foram poucas as tentativas de atirá-lo aos leões na arena do mensalão. Suas atividades como palestrante estiveram sempre no alvo dos ressentidos de sempre e seu filho foi transformado em "dono da Friboi" pelos que acalentam o sonho da uma volta aos tempos das trevas. Sem falar na destilação de ódio nas redes sociais por parte de gente que não se envergonha de torcer explicitamente pelo agravamento da doença que acometeu o ex-presidente em 2011.Nada disso adiantou. E por um simples e poderoso motivo : Lula tem lugar cativo no coração do povo brasileiro, como atesta mais uma pesquisa, desta vez a do instituto Datafolha, publicada no domingo.

Feito sob medida para rebaixar os índices de intenção de voto da presidenta Dilma, conforme revelam as perguntas tendenciosas do questionário divulgadas pelo Portal 247, nem assim o levantamento feito pelo instituto da Folha de São Paulo conseguiu esconder a força política e eleitoral de Lula. Nada menos do que 52% dos entrevistados o consideram o mais qualificado para empreender as mudanças que o Brasil precisa. Merece especial atenção o fato de o ex-presidente ser visto como o nosso político mais qualificado.
Isso representa uma derrota fragorosa do pensamento conservador, que até hoje insiste em carimbar a pecha de despreparado em Lula, por ser operário e não ter curso superior, embora tenha governado infinitamente melhor do que tantos doutores que o antecederam. E, para a desgraça dos preconceituosos, o povo brasileiro não só reconhece as qualidades de Lula como governante e líder político, como o vê como um igual, um homem que superou todas as dificuldades impostas aos pobres e venceu.
Abro um parênteses para contar um episódio ocorrido na primeira ou segunda candidatura presidencial de Lula, não lembro bem, que dá bem uma dimensão de como o preconceito dos bem-nascidos em relação a Lula não resiste a um sopro de argumentação : durante um evento da campanha do Lula, na Praça XV, aqui no Rio de Janeiro,entreguei um panfleto a um senhor de terno e gravata e cabelo gomalinado. Disse-lhe também duas ou três frases, pedindo o voto no Lula. O sujeito percorreu uns 20 metros lendo o material de campanha e voltou, caminhando na minha direção.
Logo me abordaria com um tirambaço preconceituoso : "Como pode você, um rapaz aparentemente instruído, fazer campanha para um analfabeto como o Lula ?" Respirei fundo, contendo o impulso de mandar o cara às favas, e devolvi a provocação rasteira propondo-lhe um desafio.
- Se o senhor diz que o Lula é analfabeto, então, quero lhe fazer uma pergunta.
- Pois não, fique à vontade.
- Na sua opinião, quais são os problemas brasileiros que o presidente eleito deve priorizar ?
- Ah, segurança pública, saúde, educação, emprego, salário, habitação e a relação do Brasil com os outros países.
- Pois bem, pelo anel que usa, o senhor deve ser advogado.
- Sim, tenho 35 anos de experiência na advocacia.
- Com toda a sua formação, sou capaz de apostar que o senhor, bem como grande parte da classe média e da elite, se fizessem um debate com Lula sobre os males que afligem o pais, seriam engolidos pelo Lula, simplesmente porque ele, além de ser dotado de grande inteligência, tem informação e preparo para debater com qualquer um. O fato é que o Lula é muito mais preparado do que os que vivem a chamá-lo de analfabeto. A classe dominante sente é inveja do Lula.
Silêncio, o engravatado, provável morador de Niterói, toma seu rumo em direção à estação das barcas. Lula é isso. Cala fundo. Quanto o Datafolha, envergonhado e com alguns dias de atraso, se vê obrigado a informar que 37% dos brasileiros pretendem votar em quem o ex-presidente pedir e que 23% se propõem a analisar com carinho uma indicação feita por ele, percebemos como são inócuas as campanhas de difamação que visam mudar a história a fórceps e sufocar a admiração e o respeito do povo por Lula.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

A Queixa de Dilma a João Roberto Marinho


Segundo Mônica Bergamo, da Folha, Dilma se queixou do Jornal Nacional numa conversa que teve com João Roberto, o segundo dos três filhos de Roberto Marinho e responsável pelo conteúdo editorial das Organizações Globo.
Faz sentido, é claro.
O Jornal Nacional, absurdamente governista na ditadura militar, foi para a direção oposta quando o PT chegou ao poder.
Se o JN existisse sob Jango, é provável que ele seria mais ou menos como é hoje: uma ênfase extraordinária nas más notícias, reais ou imaginárias.
O que não faz sentido é a atitude de Dilma, e do PT no poder, diante da Globo. A Globo faz o que sempre fez: sabota governos populares e intimida o mundo político para que seus privilégios imensos sejam preservados.
E o que tem feito o governo em resposta? Nada. Repito: nada.
A evidência mais notável disso está nas verbas publicitárias que o governo destina à Globo. Em dez anos, foram 6 bilhões de reais, isso mesmo, com a queda notável da audiência da emissora. (A Globo perdeu cerca de um terço do público na última década.)
Este dinheiro alimenta a máquina da Globo destinada à sabotagem de medidas favoráveis ao “Zé do Povo”, como o patriarca da Globo, Irineu Marinho, se referia aos cidadãos comuns.
O Secom, que administra a verba governamental, afirmava sob Helena Chagas que esse paradoxo – um dinheiro brutal para uma empresa que faz campanha contra – se devia a uma coisa chamada “mídia técnica”.
Pausa para rir. Ou chorar.
Nada justifica você premiar quem sabota você, ou numa visão mais ampla, a sociedade.
As mensagens oficiais veiculadas na Globo chegariam a um número maior de pessoas. Era mais ou menos o que dizia Helena Chagas.
Mas um momento.  Que pessoas são mesmo estas? Elas verão – ou zapearão para fugir – comerciais que promove um governo que nas reportagens é brutalmente atacado sempre.
Pela lavagem cerebral a que é submetido, o típico admirador da Globo – ou da Veja – abomina o governo petista e estatais como Petrobras e Banco do Brasil.
Há lógica em gastar bilhões de reais para levar a este grupo publicidade de estatais que ele detesta?
Não. Não há.
Outro dia, vi uma publicidade da Petrobras na página de Reinaldo de Azevedo na Veja. Alguém já viu o que Azevedo e seus leitores dizem a respeito da Petrobras?
Um dos maiores erros do governo é exatamente a “mídia técnica”, que favorece quem age para corroê-lo ou mesmo, como se viu no julgamento do Mensalão, para destruí-lo.
Helena Chagas saiu e Thomas Trauman entrou. Haverá alguma mudança numa estratégia não apenas errada como suicida?
Os fatos dirão.
A recente pesquisa da Secom sobre consumo de notícias mostrou o avanço extraordinário da internet.
Testemunhamos isso de um lugar privilegiado. O DCM, em um ano de vida, saiu de pouco mais 100 mil visualizações mensais para 2,5 milhões. Passamos a barreira de 1 milhão de visitantes únicos por mês.
O fato de Lula ter escolhido blogueiros para dar uma entrevista é também revelador de que o PT parece ter acordado para a realidade: a internet é cada vez mais influente e a mídia tradicional cada vez menos. Fora tudo, é na internet que você encontra vozes alternativas à velha visão de mundo pró 1% defendida agressivamente pelas grandes corporações jornalísticas.
No caso da alardeada queixa de Dilma a João Roberto Marinho, muito mais efetivo que palavras seria um ajuste imediato e profundo na distribuição das verbas oficiais.
Quem ganharia com isso, na verdade, seria a sociedade – e com ela o projeto de um Brasil justo, algo que a Globo e as grandes empresas de mídia sempre combateram ferozmente.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Por Que o Datafalha Não Pergunta Lula vs fhc?

Saul Leblon: 2/3 fogem do entreguismo dos tucanos !
O Conversa Afiada reproduz editorial de Saul Leblon, extraído da Carta Maior:

Lula não precisa ser candidato

A Folha reteve por 24 horas o dado capaz de relativizar esmagadoramente a queda de seis pontos nas intenções de votos na presidenta Dilma.

Por que o Datafolha não inclui em suas enquetes algumas  perguntas destinadas a decifrar o modelo de desenvolvimento intrínseco à aspiração mudancista majoritária na sociedade brasileira, segundo o próprio Instit
​ut​o?

Por que o Datafolha não pergunta claramente a esse clamor se ele  inclui em seu escopo de mudanças um retorno às prioridades e políticas vigentes  quando o país era governado pelo PSDB, com a agenda que o dispositivo midiático tenta restaurar com o lubrificante do alarmismo noticioso?

Não se trata de introduzir proselitismo nos questionários de sondagem. É mais transparente  do que parece. E de pertinência jornalística tão óbvia que até espanta que ainda não tenha sido feito.

Por exemplo, por que o Datafolha não promove uma simulação que incluiria Fernando Henrique Cardoso e Lula  como candidatos teóricos e assim avalia as preferências entre os modelos e ênfases de desenvolvimento que eles historicamente encarnam?

Por que  o Datafolha não pergunta claramente ao leitor se prefere a Petrobras  –
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e o pré-sal, que é disso que se trata, sejamos honestos
​ ​
–  em mãos brasileiras ou fatiada e privatizada?

Por que o Datafolha não investiga quais políticas e decisões estão associadas à preferência pelo petista que há 12 anos está sob  bombardeio ininterrupto da mídia e, ainda assim, conserva 52% das intenções de voto num país seviciado pelo monopólio midiático?

Por que o jornal que é dono da pesquisa  –
​ ​
em mais de um sentido
​ ​
–  não explicita em suas análises  as relações (ostensivas) entre a resistência heroica do recall desfrutado por Lula; o desejo majoritário de mudança na sociedade  e o vexaminoso arrastar dos pés-de-chumbo do conservadorismo, Aécio e Campos?

Por que a Folha reteve por 24 horas o dado capaz de relativizar esmagadoramente o impacto da queda de seis pontos que teria marcado as intenções de votos na presidenta Dilma –
​ ​
mas que ainda assim vence com folga (38%)  seus dois principais oponentes juntos (26% de Aécio e Campos)?

O dado em questão não é singelo.

Só divulgado nesta noite de domingo –
​ ​
sem espaço na manchete e sequer registro na primeira página do diário dos Frias!– ele tem ca
​l​
ibre para dissolver em partículas quânticas tudo  o que foi dito no final de semana sobre a  derrocada do governo  na eleição para 2014.

Qual seja, a  opinião de Lula — colheu o Datafolha–  é uma referência positiva de impacto avassalador sobre as urnas de outubro: seu  peso ordena e  hierarquiza  a definição de voto de nada menos que 60% do eleitorado brasileiro.

Seis em cada dez eleitores tem em Lula uma baliza do que farão na cabine eleitoral.

Segundo o Datafolha,  37% deles votariam com certeza em um candidato indicado pelo petista; e 23% talvez referendassem essa mesma  indicação.

Note-se que os estragos que isso deixa pelo caminho não são triviais e de registro adiável.

Se divulgados junto com a pesquisa das intenções de voto, esmagariam, repita-se, o esforço do tipo ‘vamos lá, pessoal’, que os comodoros do conservadorismo tentaram injetar na esquadra de velas esfarrapadas de Campos e Neves.

Vejamos: ao contrário do que acontece com o cabo eleitoral de Dilma,   41% dos eleitores rejeitariam esfericamente um nome apoiado por Marina Silva –
​ ​
Eduardo Campos encontra-se nessa alça de mira contagiosa, ou não?

Já a rejeição a um candidato apoiado por fhc é de magníficos  57%.

Colosso. Sim, quase 2/3 do eleitorado, proporção só três pontos inferior à influência exercida por Lula, foge como o diabo da cruz da benção dada pelo ex-presidente tucano a um candidato; apenas 23% cogitariam sufragar um nome apoiado por ele.

Esse, o empolgante futuro reservado ao presidenciável Aécio Neves, ou será que a partir de agora ele imitará seus antecessores de dificuldades e esconderá o personagem que o imaginário brasileiro identifica ao saldo deixado pelo PSDB na economia e na política do país?

O fato é que a  virada anti-petista, ou anti-governista, ou ainda anti-dilmista  que o dispositivo midiático tenta vender –
​ ​
e o fez com notável sofreguidão  neste final de semana, guarda constrangedoramente pouca aderência com a realidade.

Exceto se tomarmos por realidade as redações da emissão conservadora, a zona sul do Rio ou o perímetro compreendido entre os bairros de Higienópolis, Morumbi e Vila Olímpia, em São Paulo,  a disputa é uma pouco mais difícil.

Não significa edulcorar os desafios e gargalos reais enfrentados pelo país.

Mas na esmagadora superfície habitada por 60% da população brasileira o jogo pesado da eleição de 2014 envolve outras referências que não apenas a crispação do noticiário anti-petista em torno desses problemas.

Por certo envolve entender quem é quem e o que propõe cada projeto em disputa na dura transição de ciclo econômico em curso  – e nessa luta ideológica pela conquista  e o esclarecimento de corações e mentes, o governo Dilma e o PT estão em débito com a sociedade.

Sobretudo, o que os dados mais recentes indicam é que a verdadeira disputa de projetos precisa de mais luz e mais desassombro por parte dos alvos midiáticos.

Os institutos de pesquisas, a exemplo do Datafolha,  em grande medida avaliam o alcance do seu eco quase solitário.

Bombardeia-se a Petrobras para em seguida mensurar o estrago que os obuses causaram na resistência adversária. Idem, com o tomate,  a standard & Poor’s, etc., etc., etc.

Ao largo das manchete do Brasil aos cacos, porém,  seis em cada dez brasileiros aguardam o que tem a dizer aqueles que se tornaram uma referencia confiável pelo que fizeram para a construção da democracia social nos últimos anos.

É aí que Lula entra. E o PT deve cuidar para que entre não apenas rememorando o passado, do qual já é uma síntese histórica.

Mas que coloque essa credibilidade a serviço de uma indispensável repactuação política do futuro, contra o roteiro conservador do caos que lubrifica a rendição ao mercadismo.

Dizer que Dilma perdeu seis pontos e retardar a divulgação do que fariam  60% dos eleitores diante de um apelo de Lula, é uma evidência do temor que essa agenda e esse cabo eleitoral causam no palanque de patas moles que a mídia, sofregamente, carrega nas costas.

A Alta Taxa de Rejeição de Eduardo Campos

Diário do Centro do Mundo

O pessoal da campanha do candidato do PSB à presidência, Eduardo Campos, tenta analisar sua situação como um caso clássico de copo meio cheio, meio vazio.
Os 10% das intenções de voto no último Datafolha são, para os pessimistas, sinal de que ele não decola; os otimistas acham que há espaço para crescer e que, com Marina Silva, a chapa vai esquentar.
Mas o que deve estar dando dor de cabeça aos marqueteiros de Campos é outro número. Embora ele não saia do lugar nos levantamentos, sua rejeição já atinge níveis quase serrísticos: 33%, o mesmo que Dilma e Aécio.
“Há um vento de mudanças no Brasil”, diz ele, que se vende como uma novidade. “É prioritário superar a velha política do clientelismo, do abuso do poder econômico e das superadas disputas personalistas”.
“O que vai romper é o pacto político velho, que será derrotado pela vontade do povo nas urnas”. É como aquele sujeito que ninguém conhece direito, mas não gosta. E uma das razões é que Campos trata o eleitor como idiota. Não que seja o único, mas em seu caso é flagrante.
Primeiro, Eduardo Campos teve tempo, enquanto aliado do governo, para ao menos discutir tudo o que aponta de errado na economia.
Depois, e principalmente: ele não é novidade nenhuma, ao contrário da papagaiada que não para de repetir. Paradoxalmente, faz questão de mostrar isso.
Já procurou Agripino Maia e Roberto Freire, o homem que dá má reputação ao oportunismo. E em seu palanque quando se despediu do cargo de governador de Pernambuco conseguiu reunir algumas das maiores múmias paralíticas da nossa história recente: Severino Cavalcanti, Inocêncio Oliveira e Jarbas Vasconcelos. Faltou ali o imortal Jorge “vamos acabar com essa raça” Bornhausen.
Para refrescar a memória: Severino, udenista desde criancinha, renunciou ao mandato de deputado federal em 2005 por causa do “mensalinho” (o dono de um restaurante da Câmara acusou-o de cobrar dele 10 mil por mês); Inocêncio, no nono mandato consecutivo, foi condenado por manter trabalho escravo em sua fazenda no Maranhão; Jarbas, 71 anos, é aquele que declarou em 2009 que “o PMDB é um partido corrupto”.
Esse é o time renovador de Eduardo Campos, com o qual ele pretende “romper com o pacto político velho”. Ao chamar o eleitor de bobo, não é de admirar que na próxima pesquisa a rejeição fure o teto e ele encontre Serra no fim do caminho.

domingo, 6 de abril de 2014

Joaquim e Gilmar e o Ensino Didático da Chicana

247 – O jornalista Luis Nassif cita casos de abuso de poder cometidos por Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes, presidente e ministro do STF, respectivamente, e diz que são o ensino didático na chicana, tornando-se a cara do Judiciário. Leia:
Nos últimos anos, os Ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa se tornaram o espelho do Judiciário. Graças ao seu fascínio por factoides e por holofotes, à capacidade de atender às demandas dos grupos de mídia, Gilmar mais, Barbosa menos, tornaram-se a vitrine de um poder, em geral, discreto e impessoal. São os magistrados que mais aparecem, que mais se expõem, que mais tem o amparo da mídia. Por consequência, tornaram-se a cara do Judiciário.
As prerrogativas da magistratura são um dos pilares do funcionamento do Judiciário. E a independência de que dispõe o Juiz, uma garantia para o funcionamento da democracia.
Esse poder superior, no entanto, é utilizado de maneira abusiva por juízes inferiores. E quando personalidades mesquinhas, pequenas ganham poder, os maus exemplos espraiam-se sobre a imagem de todo o Judiciário.
Uma das piores práticas é a chicana, o uso de expedientes visando postergar decisões – contra ou a favor de réus. Quem é do meio conhece. A opinião pública – que acredita no Judiciário como o último espaço de defesa dos direitos – está sendo apresentada agora.
Tome-se o caso de José Dirceu. Foi condenado pelo STF. A condenação liquidou com sua carreira política, abortou sua atividade partidária, humilhou-o, derrubou-o, jogou-o ao chão. Perto dos 70 anos, é um inimigo caído no campo de batalha. Mas não basta.
A sentença que liquidou com sua carreira política preservou-lhe pequenos direitos: o de cumprir a pena em regime semiaberto, trabalhando. Barbosa tem impedido esse direito pequeno meramente como demonstração de poder e vingança, um sujeito menor, atrabiliário, com uma postura indecente valendo-se exclusivamente de um poder pontual, o de presidente do STF. Para tanto, instrumentalizou-se com um lugar-tenente pequeno, esse juiz Bruno Ribeiro, da Vara de Execuções, inventando argumentos para não conceder o direito. Passarão os tempos, e a imagem atual de Bruno o acompanhará por toda sua carreira, como exemplo do desrespeito à imagem de um poder que cabia a ele - como juiz - defender e preservar.
Com suas arbitrariedades, Barbosa conseguiu o impensável: vitimizou o outrora poderoso José Dirceu; e comprovou que todo o lero-lero dos grupos de mídia contra a ditadura e a favor do estado democrático de direito não vale para os adversários.
Já Gilmar Mendes pede vistas em um julgamento já decidido pela maioria do STF: 6 dos 11 votos a favor do fim do financiamento privado de campanha eleitoral. Seu voto em nada mudará o resultado final. Mas, pedindo vistas, impedirá que a decisão seja aplicada nas próximas eleições.

A Pesquisa do Datafolha é Mesmo Esquisita


Sabemos todos que pesquisa boa é pesquisa que traz bons números para nosso candidato, e então seria natural que os simpatizantes de Dilma ficassem incomodados com os resultados do último levantamento do Datafolha.
Mas ainda assim, dado este desconto, é realmente esquisita a metodologia da pesquisa.
Se o encaminhamento das questões influenciou ou não na queda de 6 pontos de Dilma é difícil dizer. Mas que as perguntas são passíveis de suspeição certamente são.
(Aqui, você pode ver o quadro completo.)
Durante toda a semana a internet ficou agitada primeiro com a notícia de que vinha uma pesquisa ruim para Dilma e, depois, com a onda de desconfiança sobre o Datafolha.
O site 247 afirmou que a pesquisa foi feita para derrubar Dilma. O 247 reivindicou o furo de ter tido acesso ao questionário.
O Datafolha parece ter acusado o golpe. Tanto que o site da Folha trouxe uma resposta do Datafolha, na qual foi dito que o procedimento foi o costumeiro e que as perguntas estavam, como de hábito, à disposição de quem quisesse vê-las, na internet.
Quando menos, o episódio vai servir para que se discuta o trabalho dos institutos de pesquisa. Se você pensa que simplesmente os respondentes dizem em quem vai votar não poderia estar mais enganado – pelo menos segundo esta pesquisa específica.
O episódio Petrobras-Pasadena é fortemente lembrado no questionário. Faz sentido? Mesmo que fosse para avaliar Dilma soa estranho.
Uma das perguntas era sobre o grau de responsabilidade de Dilma no negócio. Mas havia mais: a palavra corrupção aparecia, numa questão, vinculada à Petrobras.
O leitor tinha que dizer se a Petrobras é mais ou menos corrupta que outras empresas públicas.
Empresas públicas são, portanto, corruptas por natureza, segundo o Datafolha. Bonito isso. A Folha sonega impostos há décadas com seus PJs, cedeu carros à ditadura para a perseguição de militantes – e corruptos são os outros.
Quanto o caso Petrobras induziu o cidadão a fugir de Dilma na resposta é uma pergunta complexa, naturalmente.
Pessoalmente, acho que o questionário teve a independência e o apartidarismo da Folha, aspas e pausa para rir.
Também assuntos ruins, ou potencialmente ruins, para Dilma apareceram entre as perguntas, como os protestos e a Copa do Mundo.
É sempre assim, como afirmou o Datafolha?
Vale a pena fazer um trabalho de arqueologia, agora, e verificar a metodologia de outras pesquisas, e não apenas do Datafolha.
Pesquisas presidenciais são muito importantes como fator de indução para serem deixadas ao arbítrio de institutos cujos interesses podem não atender exatamente o bem público.
Este o mérito desta pesquisa: mostrar que a sociedade tem que saber muito mais sobre como são feitos os levantamentos. É preciso um choque de transparência sobre eles. Já

Denuncia de Jogo de Interesses Políticos


Petroleiros denunciam jogo de interesses políticos

Mais uma vez, a Petrobrás volta a ser palanque de disputas políticas em ano eleitoral. Foi assim no governo Lula, foi assim em 2010 e não seria diferente esse ano, quando as pesquisas eleitorais refletem o apoio popular ao governo Dilma. Tensionada, a oposição, em conluio com a velha mídia, mira na Petrobrás para tentar desmoralizar a gestão pública da maior empresa brasileira.

Os mesmos PSDB e DEM, que quando governaram o país fizeram de tudo para privatizar a Petrobrás, trazem de volta à cena política antigas denúncias sobre refinarias adquiridas pela empresa no exterior e tornam a atacar as que estão em fase final de construção no Brasil. Quem acompanha a nossa indústria de petróleo sabe da urgência de reestruturação do parque de refino da Petrobrás, que, durante o governo do PSDB/DEM, foi sucateado e estagnado, assim como os demais setores da empresa.

Quando exercia o papel de governista (dos anos 1990 até 2002), a oposição demo-tucana quebrou o monopólio estatal da Petrobrás, escancarou a terceirização, privatizou alguns setores e unidades da empresa, reduziu drasticamente os efetivos próprios, estagnou investimentos em exploração, produção e refino e ainda tentou mudar o nome da Petrobrás para Petrobrax. Foi nessa época que a empresa protagonizou alguns dos maiores acidentes ambientais do país e o afundamento da P-36.

São os mesmos neoliberais que insistem em atacar a gestão estatal que desde 2003 iniciou o processo que fará da Petrobrás uma empresa verdadeiramente pública e voltada para os interesses nacionais.

Vamos aos fatos: em 2002, a Petrobras valia R$ 30 bilhões, sua receita era de R$ 69,2 bilhões, o lucro líquido de R$ 8,1 bilhões e os investimentos não passavam de R$ 18,9 bilhões. Uma década depois, em 2012, o valor de mercado da Petrobrás passou a ser de R$ 260 bilhões, a receita subiu para R$ 281,3 bilhões, o lucro líquido para R$ 21,1 bilhão e os investimentos foram multiplicados para R$ 84,1 bilhão.

Antes do governo Lula, a Petrobras contava em 2002 com um efetivo de 36 mil trabalhadores próprios, produzia 1 milhão e 500 mil barris de petróleo por dia e tinha uma reserva provada de 11 milhões de barris de óleo. Após o governo Lula, em 2012, a Petrobrás quase que dobrou o seu efetivo para 85 mil trabalhadores, passou a produzir 2 milhões de barris de óleo por dia e aumentou a reserva provada para 15,7 bilhões de barris de petróleo.

Apesar da crise econômica internacional e da metralhadora giratória da mídia partidária da oposição, a Petrobrás descobriu uma nova fronteira petrolífera, passou a produzir no pré-sal e caminha a passos largos para se tornar uma das maiores gigantes de energia do planeta. Não aceitamos, portanto, que esse processo seja estancado por grupos políticos que no passado tentaram privatizar a empresa e hoje, fortalecidos por novos aliados, continuam com o mesmo propósito.

Se confirmados erros e irregularidades na gestão da Petrobrás, exigiremos que sejam devidamente apurados pelos órgãos de controle do Estado e pela Justiça. A FUP e seus sindicatos acompanharão de perto esse processo, cobrando transparência na investigação e responsabilização de qualquer desvio que possa ter ocorrido. No entanto, não permitiremos que sangrem a Petrobrás em um ringue de disputas políticas partidárias eleitorais, como querem os defensores da CPI. Reagiremos à altura contra qualquer retrocesso que possa ser imposto à maior empresa brasileira, alavanca do desenvolvimento do país.

Rio de Janeiro, 25 de março de 2014,  Direção colegiada da FUP

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O Revelador Jantar Oferecido a Aécio Pelo 1%​

​Não poderia ser mais revelador o jantar oferecido pelo relações públicas João Dória a Aécio em sua casa em São Paulo. (Aqui, você tem o vídeo da fala de Aécio.)
Foi um jantar do 1%, pelo 1% e para o 1%. Para a sentença se completar, só falta Aécio obter 1% dos votos em outubro.
No caminho para isso ele está.
O que chama a atenção é a desconexão entre o mundo reunido em torno de Aécio por Dória, um ex-Cansei, e a realidade ululante das ruas.
Gosto da palavra alemã zeitgeist (zaitegáiste), que significa o espírito do tempo. O jantar era o oposto disso. O antizeitgeist.
Não surpreende que o melhor relato do encontro esteja numa coluna social, a de Mônica Bergamo, da Folha.
Aécio prometeu a um dos empresários participantes não aumentar os impostos. (Para o 1%, naturalmente.)
Há um consenso universal de que um dos dramas do mundo contemporâneo é a evasão de impostos do 1%. Mas Aécio se compromete a facilitar ainda mais a vida fiscal da plutocracia nacional.
Ele também disse que está disposto a tomar “medidas impopulares” desde a “primeira hora” caso se eleja.
O lado ruim é o fato em si. Sabemos bem o que querem dizer “medidas impopulares”: a conta é dos 99%.
O lado bom é que isso não vai acontecer porque são zero as chances de Aécio.
No encontro, FHC foi, segundo Bergamo, intensamente aplaudido. Disse que reformadores só são reconhecidos muito depois.
É uma forma de autoconsolo, aparentemente. FHC está dizendo para si mesmo que, se hoje é vaiado fora dos círculos refrigerados, no futuro será reconhecido.
Teria Thatcher dito para si mesma coisa parecida enquanto os ingleses se preparavam para comemorar seu passamento com festas em praça pública?
Acho que não. Ela era mais realista que FHC. E muito mais original. FHC, basicamente, copiou o que Thatcher fez: privatizar, desregular e criar as condições, como o tempo mostraria, para um brutal processo de concentração de renda.
Com o correr dos anos, o PSDB foi se transformando de Partido da Social Democracia Brasileira para Partido da Capital Democracia Brasileira. O “social” no nome é apenas uma tradição a resguardar.
Em sua desconexão formidável com as ruas, FHC, Aécio, Serra e demais líderes tucanos simplesmente ignoram o exemplo portentoso transmitido pelo Papa Francisco.
Francisco reinventou um gigante esclerosado conectando-o com as ruas. O ponto central disso foi identificar, claramente, a desigualdade social como o mal maior a combater.
Para fazer algo parecido, o PSDB teria que mudar seu discurso – o que é relativamente simples – e sua prática, e aí as coisas realmente se complicam.
Você tem que falar com a gente simples do povo, com os favelados e os excluídos. Seus sapatos podem se sujar de barro nessa empreitada, e você pode ser obrigado a comer carne de terceira. Dificilmente você vai aparecer em colunas sociais, com programas assim.
Alguém imagina Aécio e FHC neste tipo de ação?
Mais fácil continuar do jeito que está.
O único problema é que o partido marcha, então, para uma magnífica obsolescência. Ou, em linguagem mais popular, para o caixão.