quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Goldfajn Deveria Sentir Inveja dos Mudos

por : 

Você é um alto funcionário de um banco. Não um banco qualquer: o maior do Brasil entre os privados.

Seu banco no primeiro semestre de 2013 teve um lucro maior que a economia de 33 países. No terceiro trimestreseu banco teve simplesmente o maior lucro da história financeira do país.
Importante: como executivo desse banco, você ganha bônus por esse desempenho formidável.
O que você deveria fazer? Agradecer o país por ter dado as bases macroeconômicas seria um passo previsível, uma espécie de retribuição diante do aumento do seu patrimônio.
Ilan Goldfajn, economista chefe do Itaú, decidiu inovar. Ele fez exatamente o oposto em Davos no Fórum Econômico Mundial.
Segundo o jornal Financial Times, ele disse que os investidores estão olhando para os países com uma economia “sustentável e estável”, o que o Brasil “não é”. Isso no rastro do esforço que Dilma fez em Davos para atrair investidores estrangeiros.
Goldfajn parece torcer contra o Brasil por razões políticas. Ele foi diretor do Banco Central no governo FHC. Deixou o posto em 2003. Você tem ideia do que vai pela mente dele quando verifica que ele é colunista do Instituto Millennium, um dos redutos mais petrificados da direita brasileira.
Goldfajn é, previsivelmente, um nome sempre presente na mídia brasileira. Escreve artigos regularmente para jornais como o Globo, já foi entrevistado no Roda Viva e está sempre dando suas opiniões na Globonews, CBN e quetais.
Invariavelmente, ele defende soluções conservadoras para os problemas econômicos brasileiros. Para ele o governo deveria aumentar os juros – e com isso o desemprego – para debelar a inflação. E também “melhorar” a situação para os negócios — um eufemismo para cortar direitos trabalhistas. É a anti-Escandinávia, em suma.
Na ditadura militar este receituário ortodoxo foi amplamente utilizado – com resultados catastróficos. O único resultado concreto obtido por economistas da ditadura como Roberto Campos, Delfim Netto e Mário Simonsen foi criar uma engrenagem com a qual o Brasil se tornaria campeão mundial da desigualdade social.
Com sua pregação, Goldfajn vem incomodando todos aqueles que querem um Brasil socialmente justo, um país “escandinavo”, como o DCM gosta de dizer. Mas agora ele exacerbou.
Na pessoa física, ele poderia dizer o que quisesse, mas como alto executivo de um banco que invariavelmente registra lucros bilionários ele tem que controlar a língua.
O que ele fez em Davos é uma propaganda inadmissível não contra o governo petista, que ele naturalmente abomina – mas contra o Brasil. Goldfajn lembrou Diogo Mainardi em sua recente conversa com a empresária Luiza Trajano. Nos dois casos, o que se viu foram palavras que traem a incapacidade de fazer uma distinção entre simpatias políticas e o interesse maior do Brasil.
O caso de Goldfajn é ainda pior que o de Mainardi, sobretudo pela repercussão de suas palavras. Ele criou embaraço não apenas para si, mas para o banco Itaú. Dada a ligação entre o Itaú e Marina Silva, deve-se perguntar: a política econômica conservadora de Goldfajn é o que os brasileiros devem esperar caso Marina se eleja presidente?
Sêneca escreveu que ao lembrar de certas coisas que dissera sentia inveja dos mudos. Goldfajn, se fizer uma reflexão honesta sobre a asneira dita em Davos, sentirá inveja dos mudos.

Abaixo as Máscaras

by bloglimpinhoecheiroso

Rua 7 de Abril, centro da cidade de São Paulo. A agência da CEF foi destruída. 
Florestan Fernandes Jr., via Por dentro da mídia
Querem transporte coletivo de qualidade, mas depredam pontos de ônibus e colocam fogo nos coletivos. São contra a especulação financeira internacional e depredam agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica. Reclamam do custo das ligações telefônicas, mas arrebentam com os orelhões. Pedem mais investimentos em cultura e educação e invadem teatros e shows. São contra os grandes magazines, mas saqueiam pequenas lojas do comércio. Dizem defender os direitos do cidadão humilde, mas colocam fogo em carros populares com a família dentro. São contra a Copa do Mundo, mas não fizeram nada para evitar que ela viesse para o Brasil. Para mim, esse quebra-quebra todo é coisa de fascista, neonazista ou de pessoas a mando de um esquema clandestino para levar à insegurança institucional. São atos terroristas numa sociedade democrática onde as liberdades individuais são garantidas pela Constituição.
Trinta anos após o início da campanha das Diretas Já, temos bons motivos para nos preocupar com o futuro da nossa democracia. Os governos do PT e do PSDB têm responsabilidade de preservar o maior legado da geração que foi às ruas pela redemocratização do país. Foi ela o embrião dos dois partidos. Não quero ser paranoico, mas devemos saber quem são esses encapuzados que se infiltram em movimentos de protesto para gerar pânico e violência descabida.
Tenho uma amiga no Facebook que estuda o movimento Black Blocs e que acompanhou o “protesto” de sábado, dia 25, em São Paulo. Segundo ela, pela primeira vez no grupo havia gente de 14 e 15 anos que ficou apavorada com a violência nas ruas e se retirou das manifestações. Hoje a Folha publica o perfil de quem foi preso pela polícia. Dos 119 identificados, 62 têm entre 20 e 29 anos e 14 são menores de idade. Entre os detidos, uma menina de 14 anos e um senhor de 59 que é funcionário público. E ficou nisso. Nada além. Apenas quatro dos que participaram de atos de vandalismo foram detidos. Isso mostra que os mais violentos sabem quando e como desaparecer da cena do crime.
É urgente que o setor de inteligência das polícias federal, estadual e municipal identifiquem os vândalos para saber com exatidão quem são e se estão agindo a mando de grupos neonazistas ou de paramilitares. A nossa democracia precisa ser defendida imediatamente antes que seja tarde demais.
A realização da Copa no Brasil teve o apoio de quase todos os partidos e dos governos estaduais e municipais. A escolha do Brasil como sede do mundial foi comemorada pela maioria da população brasileira que ama o futebol. Realmente as exigências da Fifa foram exageradas, e algumas obras de governos estaduais excederam e muito os gastos previstos.
Aqui em São Paulo, o estádio da Copa é privado. O mesmo ocorre em Curitiba e no Rio Grande do Sul. Devemos cobrar explicações dos governos de Minas, Rio de Janeiro, Amazonas, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Distrito Federal, Ceará e Bahia. Cada um que se explique. Em ano eleitoral é bom mesmo saber quem administrou mal os recursos públicos. Mas depois de todo o caminho percorrido, boicotar a Copa é de uma burrice sem tamanho. O melhor a fazer é aproveitar o evento para retirar dele parte dos gastos que tivemos.
A sociedade civil e os movimentos organizados devem continuar indo às ruas para cobrar de seus governantes ações de interesse público: saúde, educação, segurança, moradia, reforma agrária e transporte público de qualidade. Mas de cara limpa, sem máscaras. Pra mim, quem esconde o rosto numa democracia não tem boas intenções. Mesmo nos movimentos revolucionários em períodos de totalitarismo as pessoas tinham convicção do que queriam e não tinham motivos para esconder seus rostos.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Sobre os Gastos de Dilma em Lisboa

Precisamos falar sobre Dilma. Dilma e Lisboa.
Vou, antes, colocar todas as ressalvas. Sabemos que são hipócritas as críticas aos gastos da polêmica parada em Lisboa.
Todo presidente brasileiro se hospeda em hotéis como o de Dilma em Lisboa e come no mesmo tipo de restaurante.
A diferença é que uns são cobrados por isso e outros não. E não só por isso. Uma filha de FHC usava regularmente avião da FAB para ir de Brasília ao sítio da fazenda em Minas para passar os finais de semana. Mas isto não era notícia.
Voltando.
Com todas as ressalvas para o farisaísmo das críticas aos gastos de Dilma em Lisboa, o fato é que é hora de promover um choque de frugalidade e austeridade no uso do dinheiro público no Brasil.
E ninguém melhor que o presidente, ou presidenta, da República para comandar uma mudança de mentalidade.
Os tempos pedem isso.
Dois homens são particularmente inspiradores: um é Pepe Mujica, e o outro é o papa Francisco.
Paro momentaneamente aqui para aplaudi-los. De pé.
Está enraizada na vida pública brasileira uma suntuosidade absurda que só se explica porque o dinheiro gasto para sustentá-la não é de quem gasta.
O dinheiro público é desrespeitado em todas as esferas: dos banheiros reformados e das diárias europeias de Joaquim Barbosa ao caviar de Roseana Sarney, do helicóptero de Sérgio Cabral aos camarões de Renan, é uma farra.
Frugalidade é vital do ponto de vista da simbologia. A mensagem que é passada aos brasileiros comuns quando ela não existe não poderia ser pior. “É assim que gastam o dinheiro que pago de imposto”: é a conclusão da voz rouca das ruas.
A tentação de sonegar aumenta, ao mesmo tempo que baixa a crença na boa fé dos homens públicos – e as duas coisas juntas são péssimas para a construção de um país saudável.
Os mais cínicos dizem que no final é pouco dinheiro, e este é um argumento falacioso. O problema real não são as cifras em si, mas o que elas representam.
Como mudar? Nada melhor que a força do exemplo.
Mujica não existem dois, é verdade. Não estou dizendo que o próximo presidente brasileiro deveria renunciar ao Planalto para ficar num sitiozinho cuidando de suas cabras.
Mas Francisco está provando que você pode conciliar poder com simplicidade. Ele não pode levar no Vaticano a vida simples que tinha na Argentina, onde andava de ônibus e ia comprar pessoalmente seu jornal numa banca de revistas.
Mas ele não se deixou tragar pelos luxos reservados há séculos aos papas. Dentro das circunstâncias, tem a vida mais frugal que poderia ter.
Este é o ponto.
O mundo carece disso.  A cultura da simplicidade é vital no combate ao grande mal de nossos dias: a desigualdade. O oposto dela – o culto da opulência e do consumo conspícuo – acaba levando a uma corrida frenética para ver quem tem mais dinheiro, e a raiz de iniquidade reside aí.
Não é tão difícil assim mudar um costume antigo na vida pública brasileira. Um bom exemplo, ao estilo de Mujica e Francisco, e as coisas começam rapidamente a mudar.
Dilma mesma pode promover esta pequena e necessária revolução caso se reeleja.
Ela pode, e deve, mujicar. Ou se impregnar do franciscanismo do papa. Será um avanço para ela — e para o país.   Paulo Nogueira

Assim Caminha a Impunidade


Nova publicação em bloglimpinhoecheiroso

Enquanto o “mensalão” petista foi julgado com celeridade, o dos tucanos recebe tratamento diferente.
Meio na surdina, como convém a processos do alto tucanato, a Justiça livrou mais um envolvido no chamado mensalão mineiro. O ex-ministro e ex-vice-governador Walfrido dos Mares Guia safou-se da acusação de peculato e formação de quadrilha, graças ao artifício de prescrição de crimes quando o réu completa 70 anos. Já se dá como praticamente certa a absolvição, em breve, de outro réu no escândalo. Trata-se de Cláudio Mourão, ex-tesoureiro da campanha do PSDB ao governo mineiro em 1998. Ao fazer 70 anos em abril, Mourão terá direito ao mesmo benefício invocado por Mares Guia.
Vários pesos, várias medidas. Enquanto o chamado “mensalão” petista foi julgado com celeridade (considerado o padrão nacional) e na mesma, e única, instância suprema, o processo dos tucanos recebe tratamento bastante diferente. Doze anos (isso mesmo, doze!) separam a ocorrência do desvio de dinheiro para o caixa da campanha de Eduardo Azeredo (1998) da aceitação da denúncia (2010). Com o processo desmembrado em várias instâncias, os réus vêm sendo bafejados pelo turbilhão de recursos judiciais.
Daí para novas prescrições de penas ou protelações intermináveis, é questão de tempo. Isso sem falar de situações curiosas. O publicitário Marcos Valério, considerado o operador da maracutaia em Minas, já foi condenado pelo “mensalão” petista. Permanece, contudo, apenas como réu no processo de Azeredo, embora os fatos que embasaram as denúncias contra o PSDB mineiro tenham acontecido muito antes.
Se na Justiça mineira o processo caminha a passo de cágado, no Supremo a situação não é muito animadora. A ação contra Azeredo chegou ao STF em 2003. Está parada até agora. Diz-se que o novo relator, o ministro Barroso, pretende acelerar os trabalhos para que o plenário examine o assunto ainda este ano. Algo a conferir.
Certo mesmo é o contraste gritante no tratamento destinado a casos similares. Em todos os sentidos. Tome-se o barulho em torno de um suposto telefonema do ex-ministro José Dirceu de dentro da cadeia. Poucos condenam o abuso de manter encarcerado um preso com direito a regime semiaberto. Isso parece não interessar. Importa sim reabrir uma investigação sobre uso de celular, que aliás já havia sido arquivada. Resultado: com a nova decisão, por pelo menos mais um mês Dirceu perde o direito de trabalhar fora da Papuda.
Por mais que se queira, é muito difícil falar de imparcialidade diante de tais fatos, que não são os únicos. As denúncias relativas à roubalheira envolvendo trens, metrô e correlatos, perpetrada em sucessivos governos do PSDB, continuam a salvo de uma investigação séria. Isso apesar da farta documentação colocada à disposição do público nas últimas semanas. Vê-se apenas o jogo de empurra e muita, muita encenação. Alguém sabe, por exemplo, que fim levou a comissão criada pelo governo de São Paulo para supostamente investigar os crimes? Silêncio ensurdecedor. Mesmo assim, cabe manter alguma esperança na Justiça – desde que seja a da Suíça.
Depois da operação estapafúrdia na Cracolândia e dos acontecimentos nas manifestações de sábado, ou o governador Geraldo Alckmin toma alguma providência para disciplinar suas polícias, ou em breve ele terá aquilo que todo governante sempre deveria temer: um cadáver transformado em mártir.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Quem Deveria Ficar "Nervosinho"

​CLÓVIS ROSSI

Um estranho país em que os ricos batem recorde de pessimismo, mas os pobres parecem contentes.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/146671-quem-deveria-ficar-quotnervosinhoquot.shtml

Há algo de profundamente errado em um país, um certo Brasil, em que os ricos choram (e de barriga cheia), ao passo que os pobres parecem relativamente felizes. Na ponta dos mais ricos, refiro-me à pesquisa da consultoria Grant Thornton que o caderno "Mercado" publica hoje, páginas adiante, e que mostra um absurdo recorde de pessimismo entre os executivos brasileiros.

Na ponta dos pobres, valem as sucessivas pesquisas que mostram satisfação majoritária com o governo Dilma Rousseff, a ponto de 11 de cada 10 analistas apostarem, hoje por hoje, na reeleição da presidente. Como ninguém vota em governo que o faz infeliz, só se pode concluir que uma fatia majoritária dos brasileiros, especialmente os pobres, está rindo.

Que a economia brasileira tem problemas, ricos, pobres e remediados estão cansados de saber. Problemas conjunturais (o crescimento medíocre dos anos Dilma ou a forte queda do saldo comercial, por exemplo). Problemas estruturais que se arrastam há tantos séculos que nem é preciso relacioná-los aqui. Daí, no entanto, a um pessimismo recorde vai um abismo. Um país em que há pleno emprego e crescimento da renda não pode ser campeão de pessimismo nem pode ficar em 32º lugar, entre 45, no campeonato mundial de pessimismo. É grotesco.

Grotesca igualmente é uma das aparentes razões para o surto de pessimismo que vem grassando desde meados do ano passado. Seria a diminuição do superavit primário, ou seja, do que sobra de dinheiro nos cofres públicos depois de descontadas as despesas e tem servido exclusivamente para o pagamento dos juros da dívida. Foi por isso que o ministro Guido Mantega apressou-se a divulgar os dados de 2013, para acalmar os "nervosinhos".

Quem deveria ficar nervoso, mas muito nervoso, não apenas "nervosinho", é exatamente quem está contente com o governo.

Basta fazer a comparação: os portadores de títulos da dívida pública (serão quantos? Um milhão de famílias? Cinco milhões no máximo?) receberam do governo, no ano passado, R$ 75 bilhões. É exatamente quatro vezes mais do que os R$ 18,5 bilhões pagos às 14 milhões de famílias (ou 50 milhões de pessoas) que recebem o Bolsa Família.

Quatro vezes mais recursos públicos para quem tem dinheiro para investir em papéis do governo do que para quem não tem renda. Seria um escândalo se os pobres tivessem voz. Mas quem a tem são os rentistas que ficam reclamando da redução do que recebem, como se houvesse de fato a mais remota hipótese de que o governo deixe de honrar sua dívida. Fazem um baita ruído com os truques contábeis que permitiram o superavit, mas não dizem que, com truque ou sem truque, a dívida líquida diminuiu este ano, de 35,16% do PIB em janeiro para 33,9% em novembro, última medição disponível.

Ou, posto de outra forma: o governo, supostamente irresponsável, gasta menos do que arrecada e ainda pinga 1,3% de tudo o que o país produz de bens e serviços na conta dos mais ricos e apenas 0,4% na dos pobres entre os pobres. E os ricos ainda choram.

Rede Globo Responde a Inquérito Instaurado na Polícia Federal

Correio do Brasil

Por Redação - do Rio de Janeiro

A Polícia Federal, no Rio de Janeiro, instaurou inquérito para investigar possível fraude tributária nas Organizações Globo
A Polícia Federal (PF), no Rio de Janeiro, instaurou inquérito para investigar possível fraude na Rede Globo e na Globo Participações (Globopar) junto ao fisco. A denúncia sobre a sonegação bilionária das Organizações Globo e posterior desaparecimento de provas junto à Receita Federal, que o núcleo fluminense do Barão de Itararé, junto com os blogs Megacidadania e O Cafezinho, protocolou no Ministério Público Federal (MPF), seguiu os trâmites internos da instituição e se transformou em um inquérito, conduzido pela equipe do delegado federal de primeira classe Rubens de Lyra Pereira.
O inquérito federal a que passa a responder a empresa destinatária de mais da metade dos recursos públicos destinados à publicidade, no país, visa apurar crimes contra a ordem tributária, de sonegação de impostos propriamente dito, que pode envolver evasão de divisas, lavagem de dinheiro e atentados contra o sistema financeiro; e ocultação de bens, direitos ou valores, que corresponde ao misterioso desaparecimento dos documentos originais no processo, nos quais os auditores da Receita decidem pela condenação da Rede Globo pelo crime de sonegação.
O Barão de Itararé, nesta segunda-feira, foi em comitiva às dependências da Superintendência da PF-RJ, para saber do andamento do processo e, segundo o blogueiro Miguel do Rosário, editor do blog O Cafezinho, “a PF, após conferir a importância que o caso adquire como exemplo contra a sonegação de impostos, agora conduz um inquérito contra as Organizações Globo”.
Leia, adiante, a matéria publicada no blog O Cafezinho:
O chefe da Delegacia Fazendária da Polícia Federal do Rio de Janeiro, Fabio Ricardo Ciavolih Mota, confirmou à comitiva do Barão de Itararé-RJ que o visitou nesta segunda-feira: o inquérito policial contra os crimes fiscais e financeiros da TV Globo, ocorridos em 2002, foi efetivamente instaurado. Os crimes financeiros da TV Globo nas Ilhas Virgens Britânicas foram identificados inicialmente por uma agência de cooperação internacional. A TV Globo usou uma empresa laranja para adquirir, sem pagar impostos, os direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002. Agora já temos um número e um delegado responsável. É o inquérito 926/2013, e será conduzido pelo delegado federal Rubens Lyra.
A agência enviou sua descoberta ao Ministério Público do Brasil, que por sua vez encaminhou o caso à Receita Federal. Os auditores fiscais fizeram uma apuração rigorosa e detectaram graves crimes contra o fisco, aplicando cobrança de multas e juros que, somados à dívida fiscal, totalizavam R$ 615 milhões em 2006. Hoje esse valor já ultrapassa R$ 1 bilhão.
Em seguida, houve um agravante. Os documentos do processo foram roubados. Achou-se uma culpada, uma servidora da Receita, que foi presa, mas, defendida por um dos escritórios de advocacia mais caros do país, foi solta, após conseguir um habeas corpus de Gilmar Mendes. Em países desenvolvidos, um caso desses estaria sendo investigado por toda a grande imprensa. Aqui no Brasil, a imprensa se cala. Há um silêncio bizarro sobre tudo que diz respeito à Globo, como se fosse um tema tabu nos grandes meios de comunicação.
Um ministro comprar uma tapioca com cartão corporativo é manchete de jornal. Um caso cabeludo de sonegação de impostos, envolvendo mais de R$ 1 bilhão, seguido do roubo do processo, é abafado por uma mídia que parece ter perdido o bonde da história. Nas “jornadas de junho”, um grito ecoou por todo o país. Foi talvez a frase mais cantada pelos jovens que marchavam nas ruas: “A verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura”.
A frase tem um sentido histórico. É como se a sociedade tivesse dito: a democracia voltou; agora elegemos nossos presidentes, governadores e prefeitos por voto direto; chegou a hora de acertar as contas com quem nos traiu, com quem traiu a nossa democracia, e ajudou a criar os obstáculos que impediram a juventude brasileira de ter vivido as alegrias e liberdades dos anos 60 e 70.
O Brasil ainda deve isso a si mesmo. Este ano, faz cinquenta anos que ocorreu um golpe de Estado, que instaurou um longo pesadelo totalitário no país. A nossa mídia, contudo, que hoje se traveste de paladina dos valores democráticos, esquece que foi justamente ela a principal assassina dos valores democráticos. E através de uma campanha sórdida e mentirosa, que enganou milhões de brasileiros, descreveu o golpe de 64 como um movimento democrático, como uma volta à democracia!
A ditadura enriqueceu a Globo, transformou os Marinho na família mais rica do país. E mesmo assim, eles patrocinam esquemas mafiosos de sonegação de imposto?
O caso da sonegação da Globo é emblemático, e deve ser usado como exemplo didático. Se o Brasil quiser combater a corrupção, terá que combater também a sonegação de impostos. Se estamos numa democracia, a família mais rica no país não pode ser tratada diferentemente de nenhuma outra. Se um brasileiro comum cometer uma fraude fiscal milionária e for pego pela Receita, será preso sem piedade, e seu caso será exposto publicamente.
Por que a Globo é diferente? A sonegação da Globo deve ser exposta publicamente, porque é uma empresa que sempre viveu de recursos públicos, que é uma concessão pública, que se tornou um império midiático e financeiro após apoiar um golpe político que derrubou um governo eleito – uma ação pública, portanto.
Esperamos que a Polícia Federal cumpra sua função democrática de zelar pelo interesse público nacional. E esperamos também que as Comissões da Verdade passem a investigar com mais profundidade a participação das empresas de mídia nas atrocidades políticas que o Brasil testemunhou durante e depois do golpe de 64. Até porque sabemos que a Globo continuou a praticar golpes midiáticos mesmo após a redemocratização, recusando-se a dar visibilidade (e mentindo e distorcendo) às passeatas em prol de eleições diretas, manipulando debates presidenciais e, mais recentemente, tentando chancelar a farsa de um candidato (o episódio da bolinha de papel).
O Brasil se cansou de ser enganado e, mais ainda, cansou de dar dinheiro àquele que o engana. Se a Globo cometeu um grave crime contra o fisco, como é possível que continue recebendo bilhões em recursos públicos?

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

O Brasil de Várias Justiças – e Injustiças

by bloglimpinhoecheiroso
A Justiça deveria ser uma só no Brasil. Mas tudo indica que não é bem assim. Há várias Justiças pelo país afora, cada uma delas a serviço do chefe local.
A Justiça de São Paulo, todos sabem, é amicíssima dos políticos tucanos, que fazem do Estado seu feudo há 20 anos. As denúncias sobre a podridão em que se converteram os negócios do Metrô paulistano são renovadas diariamente, mas encontram pela frente uma má vontade imensa por parte do Judiciário.
Em Minas Gerais, pelo que se lê, não é diferente. O Estado, também dominado pelas aves bicudas, mostra um interessante repúdio pela prática democrática, pelo exercício do contraditório e pela tão aclamada “liberdade de imprensa”. Lá, quem não reza na mesma cartilha do senador Aécio Neves não se dá bem.
É o caso do dono do Novo Jornal, Marco Aurélio Carone, que foi preso, acreditem, preventivamente por causa das constantes críticas que faz ao grupo político que domina o Estado.
Parece coisa do outro mundo – o mundo não civilizado. Uma juíza mandou prender o empresário para que ele deixe de criticar o clã Neves e seus amigos! Além disso, os advogados de Carone não conseguem nem ter acesso ao processo para decidir sobre que atitude tomar.
Estamos falando de Minas Gerais, de um senador da República, não de algum ditador perdido na imensidão da África ou dos cruéis bolivarianos da Venezuela e seus comparsas sul-americanos.
O sujeito foi preso porque uma juíza acha que ele vai cometer um crime! Incrível, extraordinário senso de Justiça! Sensacional interpretação das leis do país!
O fato é que, do jeito como as coisas vão indo no Brasil, com juízes agindo como se fossem capangas daqueles velhos coronéis nordestinos, logo mais não teremos mais Legislativo ou Executivo.
Os juízes, que cada vez mais se intrometem na competência dos outros poderes, vão mandar em tudo. E, como já estão tentando fazer, rasgarão de vez a Constituição.
Não sei quem, mas alguém tem de colocar essa turminha em seu devido lugar.

Zumbis Amestrados Defendem Liberdade de Nossa Imprensa

by bloglimpinhoecheiroso
Washington Araújo, via Cidadão do Mundo
Existe um novo tipo de fundamentalismo. E é tão letal quanto o religioso e perigoso quanto o ideológico. É o fundamentalismo midiático.
Esse fundamentalismo padece das vãs fantasias, como de costume, levadas ao extremo: julga-se autossuficiente, tem certeza de sua superioridade intelectual, aferra-se à ideia maniqueísta do “somos moralmente imbatíveis e os demais destituídos de qualquer predicado moral”.
É assim que o jornalismo praticado por Veja, Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e Organizações Globo (TV Globo, GloboNews, O Globo, Época e CBN) passa a ser referido como jornalismo-verdade, jornalismo-sério, jornalismo-tradição, jornalismo-isento.
Os demais meios de comunicação – notadamente na Web – simbolizam seus contrários, jornalismo-mentira, pândego, experimental e cooptado pelo governo de plantão nas esferas federal, estadual e municipal. Para esse jornalismo de segunda linha os “fundamentalistas” cunharam as expressões “jornalismo de esgoto/esgotofera”, “blogues sujos e mal-cheirosos”, “revistas QuantoÉ”.
O fundamentalismo midiático se apropria da ingenuidade das pessoas para transformá-las em meros autômatos, em zumbis amestrados, roubando-lhes o que têm de mais precioso – a capacidade de pensar por si mesmos.
Como guardiães de verdades inquestionáveis, esses fundamentalistas são genes conscientes de seu poder de fogo: enfraquecem os governos com suas chamadas alarmantes e suas pesquisas feitas no calor da hora em que qualquer governo se sinta acuado ou fragilizado (vejam as manifestações populares de junho de 2013 e a imediata pesquisa Datafolha feita a toque de caixa); tratam os opositores de governo que se recuse a ser subjugado por sua influência com extrema complacência (observem como a corrupção sobre os trilhos de São Paulo continuam sendo referidos como “suposto cartel”, não obstante a multiplicidade de provas, evidências, documentos, testemunhos e condenações judiciais dessas mesmas empresas corruptoras em Cortes da Suíça, Estados Unidos, França).
Os fundamentalistas brandem seu corporativismo tantas vezes quantas sejam necessárias. Como cartel bem estruturado administrativa e financeiramente, mexeu com um mexeu com todos. Seguem o lema de Os Três Mosqueteiros: um todos, todos por um.
E é assim que o escândalo regular forjado por Veja com repórteres acionados por controle remoto na semana anterior ganha capa na edição do sábado seguinte, recebe espaço generoso na edição do Jornal Nacional do mesmo dia, assegurando-se tratamento diferenciado com “testemunha-chave” na revista dominical Fantástico e ao longo da semana será escândalo de uma nota só – editoriais e colunistas esbravejando nos jornais tradicionais do eixo Rio-São Paulo. Essa a receita do fundamentalismo sempre que se percebe ameaçado em seu monopólio de gerir o lucrativo negócio da comunicação.
Que ninguém se iluda, aos fundamentalistas só interessa atuar como força política capaz de proteger e alavancar seus interesses econômico-financeiros. Para ocultar essa sórdida agenda são trazidos à cena biombos com as surradas expressões “Liberdade de imprensa”, “Pluralismo de ideias”.
Só que, para ser verdade, far-se-ia necessária a inclusão do pronome possessivo “nossa”. Esses fundamentalistas midiáticos querem mesmo é “Liberdade de nossa imprensa” e “Pluralismo de nossas ideias”. Por paradoxal que pareçam.

Vai Ter Copa ​do Mundo, Sim

​“Como a desinformação alimenta o festival de besteiras ditas contra a Copa do Mundo de Futebol no Brasil.”  O Conversa Afiada reproduz artigo de Antonio Lassance, extraído da Carta Maior:
 

Como a desinformação alimenta o festival de besteiras ditas contra a Copa do Mundo de Futebol no Brasil.

Profetas do pânico: os gupos que patrocinam a campanha anticopa


Existe uma campanha orquestrada contra a Copa do Mundo no Brasil. A torcida para que as coisas deem errado é pequena, mas é barulhenta e até agora tem sido muito bem sucedida em queimar o filme do evento.

Tiveram, para isso, uma mãozinha de alguns governos, como o do estado do Paraná e da prefeitura de Curitiba, que deram o pior de todos exemplos ao abandonarem seus compromissos com as obras da Arena da Baixada, praticamente comprometida como sede.

A arrogância e o elitismo dos cartolas da Fifa também ajudaram. Aliás, a velha palavra “cartola” permanece a mais perfeita designação da arrogância e do elitismo de muitos dirigentes de futebol do mundo inteiro.

Mas a campanha anticopa não seria nada sem o bombardeio de informação podre patrocinado pelos profetas do pânico.

O objetivo desses falsos profetas não é prever nada, mas incendiar a opinião pública contra tudo e contra todos, inclusive contra o bom senso.

Afinal, nada melhor do que o pânico para se assassinar o bom senso.

Como conseguiram azedar o clima da Copa do Mundo no Brasil


O grande problema é quando os profetas do pânico levam consigo muita gente que não é nem virulenta, nem violenta, mas que acaba entrando no clima de replicar desinformações, disseminar raiva e ódio e incutir, em si mesmas, a descrença sobre a capacidade do Brasil de dar conta do recado.

Isso azedou o clima. Pela primeira vez em todas as copas, a principal preocupação do brasileiro não é se a nossa seleção irá ganhar ou perder a competição.

A campanha anticopa foi tão forte e, reconheçamos, tão eficiente que provocou algo estranho. Um clima esquisito se alastrou e, justo quando a Copa é no Brasil, até agora não apareceu aquela sensação que, por aqui, sempre foi equivalente à do Carnaval.

Se depender desses Panicopas (os profetas do pânico na Copa), essa será a mais triste de todas as copas.

“Hello!”: já fizemos uma copa antes

Até hoje, os países que recebem uma Copa tornam-se, por um ano, os maiores entusiastas do evento. Foi assim, inclusive, no Brasil, em 1950. Sediamos o mundial com muito menos condições do que temos agora.

Aquela Copa nos deixou três grandes legados. O primeiro foi o Maracanã, o maior estádio do mundo – que só ficou pronto faltando poucos dias para o início dos jogos.

O segundo, graças à derrota para o Uruguai (“El Maracanazo”), foi o eterno medo que muitos brasileiros têm de que as coisas saiam errado no final e de o Brasil dar vexame diante do mundo – o que Nélson Rodrigues apelidou de “complexo de vira-latas”,  a ideia de que o brasileiro nasceu para perder, para errar, para sofrer.

O terceiro legado, inestimável, foi a associação cada vez mais profunda entre o futebol e a imagem do país. O futebol continua sendo o principal cartão de visitas do Brasil – imbatível nesse aspecto.

O cartunista Henfil, quando foi à China, em 1977, foi recebido com sorrisos no rosto e com a única palavra que os chineses sabiam do Português: “Pelé” (está no livro “Henfil na China”, de 1978).

O valor dessa imagem para o Brasil, se for calculada em campanhas publicitárias para se gerar o mesmo efeito, vale uma centena de Maracanãs.

Desinformação #1: o dinheiro da Copa vai ser gasto em estádios e em jogos de futebol, e isso não é importante

O pior sobre a Copa é a desinformação. É da desinformação que se alimenta o festival de besteiras que são ditas contra a Copa.

Não conheço uma única pessoa que fale dos gastos da Copa e saiba dizer quanto isso custará para o Brasil. Ou, pelo menos, quanto custarão só os estádios. Ou que tenha visto uma planilha de gastos da copa.

A “Copa” vai consumir quase 26 bilhões de reais.

A construção de estádios (8 bi) é cerca de 30% desse valor.

Cerca de 70% dos gastos da Copa não são em estádios, mas em infraestrutura, serviços e formação de mão de obra.

Os gastos com mobilidade urbana praticamente empatam com o dos estádios.

O gastos em aeroportos (6,7 bi), somados ao que será investido pela iniciativa privada (2,8 bi até 2014) é maior que o gasto com estádios.

O ministério que teve o maior crescimento do volume de recursos, de 2012 para 2013, não foi o dos Esportes (que cuida da Copa), mas sim a Secretaria da Aviação Civil (que cuida de aeroportos).

Quase 2 bi serão gastos em segurança pública, formação de mão de obra e outros serviços.

Ou seja, o maior gasto da Copa não é em estádios. Quem acha o contrário está desinformado e, provavelmente, desinformando outras pessoas.

Desinformação #2: se deu mais atenção à Copa do que a questões mais importantes


Os atrasos nas obras pelo menos serviram para mostrar que a organização do evento não está isenta de problemas que afetam também outras áreas. De todo modo, não dá para se dizer que a organização da Copa teve mais colher de chá que outras áreas.

Certamente, os recursos a serem gastos em estádios seriam úteis a outras áreas. Mas se os problemas do Brasil pudessem ser resolvidos com 8 bi, já teriam sido.

Em 2013, os recursos destinados à educação e à saúde cresceram. Em 2014, vão crescer de novo.

Portanto, o Brasil não irá gastar menos com saúde e educação por causa da Copa. Ao contrário, vai gastar mais. Não por causa da Copa, mas independentemente dela.

No que se refere à segurança pública, também haverá mais recursos para a área. Aqui, uma das razões é, sim, a Copa.

Dados como esses estão disponíveis na proposta orçamentária enviada pelo Executivo e aprovada pelo Congresso (nas referências ao final está indicado onde encontrar mais detalhes).

Se alguém quiser ajudar de verdade a melhorar a saúde e a educação do país, ao invés de protestar contra a Copa, o alvo certo é lutar pela aprovação do Plano Nacional de Educação, pelo cumprimento do piso salarial nacional dos professores, pela fixação de percentuais mais elevados e progressivos de financiamento público para a saúde e pela regulação mais firme sobre os planos de saúde.

Se quiserem lutar contra a corrupção, sugiro protestos em frente às instâncias do Poder Judiciário, que andam deixando prescrever crimes sem o devido julgamento, e rolezinhos diante das sedes do Ministério Público em alguns estados, que andam com as gavetas cheias de processos, sem dar a eles qualquer andamento.

Marchar em frente aos estádios, quebrar orelhões públicos e pichar veículos em concessionárias não tem nada a ver com lutar pela saúde e pela educação.

Os estádios, que foram malhados como Judas e tratados como ícones do desperdício, geraram, até a Copa das Confederações, 24,5 mil empregos diretos. Alto lá quando alguém falar que isso não é importante.

Será que o raciocínio contra os estádios vale para a também para a Praça da Apoteose e para todos os monumentos de Niemeyer? Vale para a estátua do Cristo Redentor? Vale para as igrejas de Ouro Preto e Mariana?

Havia coisas mais importantes a serem feitas no Brasil, antes desses monumentos extraordinários. Mas o que não foi feito de importante deixou de ser feito porque construíram o bondinho do Pão-de-Açúcar?

Até mesmo para o futebol, o jogo e o estádio são, para dizer a verdade, um detalhe menos importante. No fundo, estádios e jogos são apenas formas para se juntar as pessoas. Isso sim é muito importante. Mais do que alguns imaginam.

Desinformação #3: O Brasil não está preparado para sediar o mundial e vai passar vexame


Se o Brasil deu conta da Copa do Mundo em 1950, por que não daria conta agora?

Se realizou a Copa das Confederações no ano passado, por que não daria conta da Copa do Mundo?

Se recebeu muito mais gente na Jornada Mundial da Juventude, em uma só cidade, porque teria dificuldades para receber um evento com menos turistas, e espalhados em mais de uma cidade?

O Brasil não vai dar vexame, quando o assunto for segurança, nem diante da Alemanha, que se viu rendida quando dos atentados terroristas em Munique, nos Jogos Olímpicos de Verão de 1972; nem diante dos Estados Unidos, que sofreu atentados na Maratona Internacional de Boston, no ano passado.

O Brasil não vai dar vexame diante da Itália, quando o assunto for a maneira como tratamos estrangeiros, sejam eles europeus, americanos ou africanos.

O Brasil não vai dar vexame diante da Inglaterra e da França, quando o assunto for racismo no futebol. Ninguém vai jogar bananas para nenhum jogador, a não ser que haja um Panicopa no meio da torcida.

O Brasil não vai dar vexame diante da Rússia, quando o assunto for respeito à diversidade e combate à homofobia.

O Brasil não vai dar vexame diante de ninguém quando o assunto for manifestações populares, desde que os governadores de cada estado convençam seus comandantes da PM a usarem a inteligência antes do spray de pimenta e a evitar a farra das balas de borracha.

Podem ocorrer problemas? Podem. Certamente ocorrerão. Eles ocorrem todos os dias. Por que na Copa seria diferente? A grande questão não é se haverá problemas. É de que forma nós, brasileiros, iremos lidar com tais problemas.

Desinformação #4: os turistas estrangeiros estão com medo de vir ao Brasil

De tanto medo do Brasil, o turismo para o Brasil cresceu 5,6% em 2013, acima da média mundial. Foi um recorde histórico (a última maior marca havia sido em 2005).

Recebemos mais de 6 milhões de estrangeiros. Em 2014, só a Copa deve trazer meio milhão de pessoas.

De quebra, o Brasil ainda foi colocado em primeiro lugar entre os melhores países para se visitar em 2014, conforme o prestigiado guia turístico Lonely Planet (“Best in Travel 2014”, citado nas referências ao final).

Adivinhe qual uma das principais razões para a sugestão? Pois é, a Copa.


Desinformação #5: a Copa é uma forma de enganar o povo e desviá-lo de seus reais problemas


O Brasil tem de problemas que não foram causados e nem serão resolvidos pela Copa.

O Brasil tem futebol sem precisar, para isso, fazer uma copa do mundo. E a maioria assiste aos jogos da seleção sem ir a estádios.

Quem quiser torcer contra o Brasil que torça. Há quem não goste de futebol, é um direito a ser respeitado. Mas daí querer dar ares de “visão crítica” é piada.

Desinformação #6: muitas coisas não ficarão prontas antes da Copa, o que é um grave problema

É verdade, muitas coisas não ficarão prontas antes da Copa, mas isso não é um grave problema. Tem até um nome: chama-se “legado”.

Mas, além do legado em infraestrutura para o país, a Copa provocou um outro, imaterial, mas que pode fazer uma boa diferença.

Trata-se da medida provisória enviada por Dilma e aprovada pelo Congresso (entrará em vigor em abril deste ano), que limita o tempo de mandato de dirigentes esportivos.

A lei ainda obrigará as entidades (não apenas de futebol) a fazer o que nunca fizeram: prestar contas, em meios eletrônicos, sobre dados econômicos e financeiros, contratos, patrocínios, direitos de imagem e outros aspectos de gestão. Os atletas também terão direito a voto e participação na direção. Seria bom se o aclamado Barcelona, de Neymar, fizesse o mesmo.

Estresse de 2013 virou o jogo contra a Copa

Foi o estresse de 2013 que virou o jogo contra a Copa. Principalmente quando aos protestos se misturaram os críticos mascarados e os descarados.

Os mascarados acompanharam os protestos de perto e neles pegaram carona, quebrando e botando fogo. Os descarados ficaram bem de longe, noticiando o que não viam e nem ouviam; dando cartaz ao que não tinha cartaz; fingindo dublar a “voz das ruas”, enquanto as ruas hostilizavam as emissoras, os jornalões, as revistinhas e até as coitadas das bancas.

O fato é que um sentimento estranho tomou conta dos brasileiros. Diferentemente de outras copas, o que mais as pessoas querem hoje saber não é a data dos jogos, nem os grupos, nem a escalação dos times de cada seleção.

A maioria quer saber se o país irá funcionar bem e se terá paz durante a competição. Estranho.

É quase um termômetro, ou um teste do grau de envenenamento a que uma pessoa está acometida. Pergunte a alguém sobre a Copa e ouça se ela fala dos jogos ou de algo que tenha a ver com medo. Assim se descobre se ela está empolgada ou se sentou em uma flecha envenenada deixada por um profeta do apocalipse.

Todo mundo em pânico: esse filme de comédia a gente já viu

Funciona assim: os profetas do pânico rogam uma praga e marcam a data para a tragédia acontecer. E esperam para ver o que acontece. Se algo “previsto” não acontece, não tem problema. A intenção era só disseminar o pânico e o baixo astral mesmo.

O que diziam os profetas do pânico sobre o Brasil em 2013?  Entre outras coisas:

Que estávamos à beira de um sério apagão elétrico.

Que o Brasil não conseguiria cumprir sua meta de inflação e nem de superávit primário.

Que o preço dos alimentos estava fora de controle.

Que não se conseguiria aprontar todos os estádios para a Copa das Confederações.

O apagão não veio e as termelétricas foram desligadas antes do previsto. A inflação ficou dentro da meta. A inflação de alimentos retrocedeu. Todos os estádios previstos para a Copa das Confederações foram entregues.

Essas foram as profecias de 2013. Todas furadas.

Cada ano tem suas previsões malditas mais badaladas. Em 2007 e 2008, a mesma turma do pânico dizia que o Brasil estava tendo uma grande epidemia de febre amarela. Acabou morrendo mais gente de overdose de vacina do que de febre amarela, graças aos profetas do pânico.

Em 2009 e 2010, os agourentos diziam que o Brasil não estava preparado para enfrentar a gripe aviária e nem a gripe “suína”, o H1N1. Segundo esses especialistas em catástrofes, os brasileiros não tinham competência nem estrutura para lidar com um problema daquele tamanho. Soa parecido com o discurso anticopa, não?

O cataclismo do H1N1 seria gravíssimo. Os videntes falavam aos quatro cantos que não se poderia pegar ônibus, metrô ou trem, tal o contágio. Não se poderia ir à escola, ao trabalho, ao supermercado. Resultado? Não houve epidemia de coisa alguma.

Mas os profetas do pânico não se dão por vencidos. Eles são insistentes (e chatos também). Quando uma de suas profecias furadas não acontece, eles simplesmente adiam a data do juízo final, ou trocam de praga.

Agora, atenção todos, o próximo fim do mundo é a Copa. “Imagina na Copa” é o slogan. E há muita gente boa que não só reproduz tal slogan como perde seu tempo e sua paciência acreditando nisso, pela enésima vez.

Para enfrentar o pessoal que é ruim da cabeça ou doente do pé

O pânico é a bomba criada pelos covardes e pulhas para abater os incautos, os ingênuos e os desinformados.

Só existe um antídoto para se enfrentar os profetas do pânico. É combater a desinformação com dados, argumentos e, sobretudo, bom senso, a principal vítima da campanha contra a Copa.

Informação é para ser usada. É para se fazer o enfrentamento do debate. Na escola, no trabalho, na família, na mesa de bar.

É preciso que cada um seja mais veemente, mais incisivo e mais altivo que os profetas do pânico. Eles gostam de falar grosso? Vamos ver como se comportam se forem jogados contra a parede, desmascarados por uma informação que desmonta sua desinformação.

As pessoas precisam tomar consciência de que deixar uma informação errada e uma opinião maldosa se disseminar é como jogar lixo na rua.

Deixar envenenar o ambiente não é um bom caminho para melhorar o país.

A essa altura do campeonato, faltando poucos meses para a abertura do evento, já não se trata mais de Fifa. É do Brasil que estamos falando.

É claro que as informações deste texto só fazem sentido para aqueles para quem as palavras “Brasil” e “brasileiros” significam alguma coisa.

Há quem por aqui nasceu, mas não nutre qualquer sentimento nacional, qualquer brasilidade; sequer acreditam que isso existe. Paciência. São os que pensam diferente que têm que mostrar que isso existe sim.

Ter orgulho do país e torcer para que as coisas deem certo não deve ser confundido com compactuar com as mazelas que persistem e precisam ser superadas. É simplesmente tentar colocar cada coisa em seu lugar.

Uma das maneiras de se colocar as coisas no lugar é desmascarar oportunistas que querem usar da pregação anticopa para atingir objetivos que nunca foram o de melhorar o país.

O pior dessa campanha fúnebre não é a tentativa de se desmoralizar governos, mas a tentativa de desmoralizar o Brasil.

É preciso enfrentar, confrontar e vencer esse debate. É preciso mostrar que esse pessoal que é profeta do pânico é ruim da cabeça ou doente do pé.

(*) Antonio Lassance é doutor em Ciência Política e torcedor da Seleção Brasileira de Futebol desde sempre.

domingo, 26 de janeiro de 2014

​Santayana: o Brasil de Davos e Mariel

Mauro Santayana

Quanto mais forte, mais pragmático

Dilma e Raúl Castro: chora, FHC, chora !
Conversa Afiada republica artigo de Mauro Santayana, extraído do JB Online:

A presidente Dilma chegou ontem (antes de ontem) a Davos, na Suíça, para reunir-se, entre outras personalidades, com o presidente do país, Didier Burkhalter, o do grupo Saab (sócio brasileiro no projeto dos caças Gripen NG – Hakan Buskhe), o da Fifa, Joseph Blatter, e CEOs de grandes multinacionais, como a Unilever e a Novartis.

De lá, ela irá para Havana, Cuba, onde se encontrará com líderes do continente, na reunião da Celac (Comunidade de Estados da América Latina e do Caribe), e participará, junto ao presidente Raul Castro, de uma cerimônia emblemática: a inauguração da primeira etapa do terminal de contêineres e da Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel, junto ao porto do mesmo nome, financiado com dinheiro brasileiro e construído por empresas nacionais de engenharia, em associação com  firmas locais, no valor aproximado de um bilhão de dólares.

O objetivo do Brasil, no Fórum Econômico de Davos, é esclarecer aos investidores que, com relação à economia, por aqui o diabo não está tão feio quanto aparenta ou querem fazer que pareça. Para isso, os representantes brasileiros deverão apresentar dados como a queda da inadimplência, o aumento da arrecadação e a manutenção, no ano que passou, do Investimento Estrangeiro Direto em um patamar acima de 60 bilhões de dólares por ano, quase o mesmo,  portanto, que o de 2012.

Já, em Cuba, o papel do Brasil será dar novo exemplo de seu “soft power” regional, exercido também por meio de grandes projetos de infraestrutura, voltados para melhorar as condições de vida de nossos vizinhos e parceiros, e integrar, pelo desenvolvimento, a América Latina.

O que paraguaios, bolivianos, peruanos, equatorianos e mexicanos vão ver, paralelamente à reunião da Celac, quando tomarem conhecimento da dimensão do projeto de Mariel — onde devem se instalar empresas brasileiras a partir do ano que vem, para montar produtos destinados às Américas e ao Pacífico, aproveitando a vizinhança do Canal do Panamá — não é muito diferente do que o Brasil já faz em seus respectivos países.

Basta lembrar o recém-inaugurado linhão elétrico de 500 kV entre Itaipu e Assunção, que permitirá, finalmente, a industrialização do Paraguai;  o gasoduto Bolivia-Brasil, que gera, com a exportação de gás, boa parte do PIB boliviano; os corredores ferroviários e rodoviários bioceânicos, em fase de implantação, que nos levarão ao Peru, Bolívia e Chile, e por meio deles ao Oceano Pacífico; as obras do metrô de Quito, no Equador, que também tem participação brasileira; ou o maior projeto petroquímico em construção no México, que está sendo tocado, em associação com empresas locais, pela Braskem.

Para muita gente, o Brasil de Mariel, que tem consciência de sua dimensão geopolítica na América Latina, é incompatível com o Brasil de Davos, que, muita gente também acredita, deveria se sujeitar aos Estados Unidos e à Europa, em troca de capitais, acordos e investimentos.

Essa visão limitada, tacanha — defendida tanto por alguns setores da oposição quanto por gente do próprio governo e da base aliada — já foi ultrapassada pelos fatos, e deveria ser abandonada em benefício de um projeto de nação à altura de nosso destino e possibilidades.

Quanto mais poder tem um país, mais razões ele tem para ser pragmático, múltiplo, universal, no trato com as outras nações. Não podemos fechar as portas para ninguém, nem deixar de ter contato  ou de fazer negócios com quem quer que seja, desde que essa relação se faça em igualdade de condições.

O que não deve impedir, nem limitar, nosso direito de  eleger, estrategicamente, prioridades e alianças, específicas, no âmbito internacional, que nos permitam alcançar mais rapidamente nossas metas de fortalecimento do Brasil e  de melhora das condições de vida da população brasileira.

fhc, Calado, É O Poeta da Medíocre Burguesia

DAVIS SENA FILHO
Ao contrário dos presidentes estadunidenses que são discretos e se calam quando se retiram do poder, FHC não se conforma com seu papel de ex-mandatário sem voto e desprovido da confiança
“Pimenta nos olhos dos outros é refresco”. A sabedoria, o ditado popular não deixa dúvida quanto ao cinismo, ao oportunismo e ao que é relativo ao um peso e duas medidas quando uma pessoa ou grupo quer levar vantagem ou tergiversar sobre os fatos e as realidades e, consequentemente, os distorce, os manipula ou simplesmente opta por mentir na maior cara de pau ou insensatez proposital para angariar dividendos políticos em prol do PSDB e da burguesia.
Este é o caso do considerado intelectual e amado pela direita brasileira, o ex-presidente tucano, Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I —, conhecido também pela alcunha de FHC. O octagenário senhor não consegue parar de falar e por isto deita falação, no decorrer dos últimos 11 anos, período que os trabalhistas e socialistas estão no poder, fato este que, sobretudo, incomoda de mais o grão-tucano, titular de um governo terrível, que nem empregos para os trabalhadores brasileiros conseguiu criar.
O Governo do grão-vizir emplumado foi referência de uma série de fracassos e de números e índices negativos ou, às vezes, mediocremente positivos, que tiveram como símbolos o apagão de 14 meses, que aconteceu de julho de 2001 a setembro de 2002, bem como o naufrágio, também em 2001, da P-36, a maior plataforma de produção de petróleo do mundo, incidente este que demonstrou que o Governo do PSDB para vender o País o tratou como a Casa da Mãe Joana, coisa que, indubitavelmente, o Brasil não é e nunca o será, se depender de brasileiros que gostam e respeitam o Brasil e dele querem cuidar.
FHC — o Neoliberal I — é um homem pródigo. Contudo, pródigo e useiro e vezeiro em dizer besteiras, porque vive em um mundo paralelo. Quando se vê uma fotografia dele ou de seus gestos filmados pelas televisões, comporta-se como um “nobre” do século XVIII, a faltar-lhe somente os punhos de renda em suas camisas e a peruca branca dos aristocratas franceses, que virou moda na Europa e em suas colônias, que imitavam as cortes, como até hoje o faz FHC e a burguesia nacional em geral, porque os séculos passam, mas os costumes, os valores, os princípios, a subalternidade, a subserviência, o pensamento colonizado e o incomensurável e inenarrável complexo de vira-lata dos ricos e das classes médias deste País continuam a perdurar através dos tempos. E o pior de tudo é que essa gente se orgulha de ser tratada como cucaracha e de receber migalhas, como uma foca recebe peixe em um zoológico.
É dessa forma lamentável que se comportam os burgueses e pequenos burgueses, a exemplo de FHC e os que o acompanharam em seu desgoverno entreguista e que jamais se importou com a independência e a autonomia do Brasil, porque eles consideram que impedir a distribuição de renda e de riqueza, além de evitar a emancipação do povo brasileiro são questões de hegemonia social, pois nas mentes colonizadas dessas pessoas o status quo hereditário ou adquirido é o que mantém suas vidas opulentas e cheias de oportunidades.
Por isso que, psicologicamente, esses grupos reacionários, conservadores e medíocres como pensadores amam os Estados Unidos e seu principal satélite, a Inglaterra, e os defendem peremptoriamente, porque consideram o país yankee o garantidor, o mantenedor do establishment, do sistema de capitais e de suas vidas estabilizadas e fartas, mas, para isso, na cabeça dos inquilinos da Casa Grande é necessário ter uma polícia no mundo, de âmbito planetário, no caso os EUA, que com sua cavalaria, simbolizada nos filmes de faroeste de Hollywood, vem sempre salvar a tempo os interesses dos coxinhas, dos burgueses e dos pequenos burgueses dos vilões das classes baixas e dos comunistas, socialistas e trabalhistas, que querem destruir seus mundos cores de rosa.
Essas camadas privilegiadas têm imensa saudade dos tempos da Guerra Fria, porque viviam em um mundo bipolar, cada lado com seu papel e interesses, o que, sem sombra de dúvida, causava forte sensação de segurança à Casa Grande, pois ela sabia que poderia contar sempre com sua cavalaria estrangeira, cúmplice e parceira do Golpe de 1964, que depôs o grande presidente trabalhista João Goulart. Psicologia, mano... Freud explica!
FHC, politico que engole as sílabas e de frases rocambolescas e, por seu turno, ininteligíveis tanto quanto suas aulas, mas mesmo assim considerado intelectual é a representação do que é inócuo, porque a iniquidade em pessoa, pois considera seus erros e seus pecados como absolutamente normais, o que, evidentemente, o leva a pensar, juntamente com seus seguidores ou admiradores, que realizou uma grande administração em seus oito anos de governo, fato este que obviamente não ocorreu, porque o Neoliberal I foi ao FMI três vezes, de joelhos e pires nas mãos, porque, na companhia de Pedro Malan e outros “gênios” da posteridade, quebrou o Brasil três vezes. Ponto!
Eu poderia levar o dia inteiro ou uma semana a escrever os fracassos e as irresponsabilidades de um governo neoliberal, de perfil conservador, que vendeu o gigante país tropical. FHC é o maior traidor que esta Pátria teve a infelicidade de produzir — o Joaquim Silvério dos Reis do século XX, mas por ter cometido todos esses desatinos com sua equipe de governo (José Serra, Pedro Malan, Armínio Fraga, Mendonça de Barros, André Lara Resende, Gustavo Franco, entre outros) é blindado fortemente pela imprensa de negócios privados e historicamente golpista que o tem como ídolo por ter alinhado o Brasil, à moda Juracy Magalhães, aos interesses dos EUA e por desconstruir o estado brasileiro para favorecer os grandes grupos capitalistas, ao vender o Brasil e jamais, em tempo algum, pensar em sua independência e emancipação.
Este é o “Príncipe dos Sociólogos”, que virou o “Príncipe da Privataria” e acusado por seus adversários e ex-aliados de ter comprado por R$ 200 mil cada deputado que votou a favor da emenda da reeleição. FHC, ao contrário dos presidentes estadunidenses que são discretos e se calam quando se retiram do poder, não se conforma com seu papel de ex-mandatário sem voto e desprovido da confiança da grande maioria do povo brasileiro.
Vaidoso e inconformado por ter realizado um governo incompetente de índices sociais e econômicos baixíssimos, o líder do “tucanato” de alta penugem não para de falar e muito menos possui a sensatez de perceber que sua imagem foi escondida pelos candidatos à Presidência da República, José Serra (duas vezes) e Geraldo Alckmin, que, sabedores da péssima imagem de FHC junto à maioria dos eleitores, o afastaram do processo político e o guardaram dentro do armário do terrível passado do PSDB, partido que governou para os ricos, pois queria um Brasil para um minoria de brasileiros privilegiados.
Agora, tal príncipe da privataria abre a boca sem medir as palavras e afirma que o “mensalão do PT, que nunca foi comprovado, cujo julgamento foi fragorosamente político, ideologizado e, portanto, viciado, pois pautado e transmitido diariamente pela mídia como um show mambembe, onde alguns juízes se conduziram como estrelas matronas, é mais grave que o do PSDB, que já começou a caducar para alguns envolvidos, porque após dez anos o caso começa a prescrever, bem como pessoas acusadas ultrapassaram a idade limite para serem presas.
FHC, no poder, não construiu escolas e universidades e ainda teve a desfaçatez de aprovar lei para que não fossem construídas no Brasil escolas técnicas acha que tem moral o suficiente para tecer comentários, além de falar palavras desconexas e fora do contexto da realidade. Para o grão-vizir repleto de plumagens o “mensalão”, o do PT, foi uma compra sistemática de votos no Congresso para o Governo trabalhista receber apoio, enquanto o do PSDB, anterior ao do PT e origem das atividades do empresário Marcos Valério, foi apenas caixa dois dos tucanos.
Seria cômico se não fosse trágico, porque é evidente que Fernando Henrique Cardoso assumiu que o PSDB fez caixa dois, mas sabedor de que o tempo vai livrar seus correligionários, reconhece a ocorrência de malfeitos, mas não se importa porque, ao que parece, o Judiciário no Brasil é condescendente com os erros de alguns cidadãos e com outros, não, como nos casos de José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares, três lideranças históricas do PT e que, de forma surreal, encontram-se presas, enquanto acusados de escândalos que envolvem tucanos nunca são julgados.
Não satisfeito de falar sobre mensalões, o vendilhão da Pátria do Brasil considera que o propinoduto tucano dos trens e do metrô de São Paulo de mais de R$ 1 bilhão não existiu, apesar de as investigações na Suíça e no Brasil comprovarem que tucanos de alta penugem e seus assessores estarem “supostamente” envolvidos, a exemplo do vereador e ex-secretário Andrea Matarazzo, homem importante na hierarquia do PSDB paulista há décadas e suspeito de receber propinas da Alstom. Matarazzo arrecadou milhões para a reeleição de FHC, mas, talvez por sofrer de amnésia aguda, o ex-presidente tucano não consegue lembrar. Haja fosfato!
Além disso, o pretensioso político de ar blasé e caras e bocas entediadas disse que torce para “qualquer um que derrote o PT”. Se é assim, ele poderia indicar ao seu partido para disputar as eleições de outubro um chimpanzé, ou um recém-nascido, talvez o José Serra, ou ainda um poste para concorrer às eleições pelo PSDB. Afinal, creio eu, a sociedade brasileira não ficaria surpresa com os candidatos do partido que representa a direita brasileira herdeira da escravidão quando sabemos que por enquanto o candidato dos tucanos é o senador Aécio Neves. Qualquer um... Realmente, o FHC tem razão.
O tucano-mor não conseguia parar de falar, e continuou com suas ilações sem sentido, como devem ser suas aulas, porque não condizem com as realidades que se apresentam à Nação brasileira, enfim, à sociedade. O grão-vizir de bico longo e amarelado arrematou: ““Lula, de botar tanto poste sem luz, pode acabar escurecendo o Brasil”. Sua frase é tão estapafúrdia que, certamente que a ouviu ou a leu na imprensa alienígena e de mercado deve ter rolado de rir, porque as incongruências são evidentes e a noção de realidade há muito tempo abandonou tal personagem da política brasileira.
E por quê? Porque, como já afirmei muitas vezes, FHC, tal qual à burguesia dona da Casa Grande vive em um mundo paralelo, cujo trajeto geográfico se reduz a Paris, Londres, Nova York e Miami e mal conhece o Brasil e seu povo, um absurdo para quem foi presidente da República e que não para de falar sobre o que nunca compreendeu e não se importa em compreender.
Se existe uma pessoa que iluminou literalmente este País foi o presidente trabalhista Luiz Inácio Lula da Silva, por intermédio do Programa Luz para Todos, que a presidenta igualmente trabalhista, Dilma Rousseff, dá continuidade, além de aumentar o número de pequenas cidades, vilas, vilarejos e pessoas que moram no campo no que é relativo a ter acesso à luz elétrica — à eletricidade.
Em dez anos, completados em 2013, o Luz para Todos beneficiou mais de 15 milhões de moradores rurais. Os investimentos ultrapassaram os R$ 20 bilhões, dos quais mais de R$ 15 bilhões são da responsabilidade do Governo trabalhista. Agora, vamos à pergunta que insiste em não calar: “Será que o ex-presidente FHC — o Neoliberal I — tem ideia do que esses números gigantescos significam?” Respondo: “Creio que não”. E por quê? Porque o grão-vizir tucano dá a impressão que vive e sempre viveu em um mundo paralelo, regado a champanhe e distante das realidades dos mais pobres, dos que podem menos, dos injustiçados e dos deserdados. O FHC, calado, é o poeta da medíocre burguesia. É isso aí.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

EUA: A Maior Ameaça à Paz No Mundo


by bloglimpinhoecheiroso

No entanto, uma visão enraizada na população norte-americana acredita que o país é uma força do bem no planeta e que qualquer ação destrutiva em outros países torna-se tolerável
Paul Street, em ZNet e lido na Revista Fórum
De acordo com uma pesquisa mundial publicada no final de 2013, com 66 mil pessoas em 68 países, conduzida pela Worldwide Independent Network of Market Research (WINMR) e Gallup International, a população mundial enxerga os EUA como a mais significante ameaça no planeta. Os EUA foram eleitos com uma larga margem (24%), enquanto em segundo lugar ficou o Paquistão (8%), seguido da China (6%). Afeganistão, Irã, Israel e Coreia do Norte empataram no quarto lugar (4%)
“Um cheque em branco em seu ‘McMundo’”
Uma manchete da International Business sobre a pesquisa da WINMR-Gallup pareceu questionar a validade e/ou racionalidade do resultado: “Em pesquisa do Gallup, a maior ameaça à paz mundial é… a América?”, dizia a manchete. Enquanto, na realidade, a visão mundial quanto ao status dos Estados Unidos como, de longe, a maior ameaça para a paz, deveria ser tudo, menos surpreendente para qualquer observador sério para com a política externa norte-americana e o cenário internacional. Os EUA representam, afinal de contas, quase metade de todo o gasto militar no mundo. Mantêm mais de mil bases militares em mais de 100 nações “soberanas” por todos os continentes. A administração Obama autoriza a ação das Operações Especiais em 75 a 100 países (a administração Bush contava com 60 em seu final) e conduz regulares ataques letais com drones contra alvos qualificados como terroristas (e um número muito maior de civis inocentes) no Oriente Médio, Sudeste Asiático e África. Mantém também um programa massivo de vigilância global dedicado a eliminar, de fato, a privacidade na Terra – um programa que espionou até mesmo os telefones pessoais de estadistas europeus, incluindo Ângela Merkel, na Alemanha. Como o mais famoso jornal alemão, Der Spiegel, escreveu em 1997: “Nunca antes na história moderna um pais dominou totalmente o planeta como os EUA o faz hoje, a América é agora o Schwarzenegger da política internacional: exibindo os músculos, intrusivo e intimidante, os norte-americanos, na ausência de limites impostos por qualquer um, agem como se tivessem um cheque em branco em seu ‘McMundo’”.
Sem pedido de desculpas
Esse Schwarzenegger decidiu fazer as coisas um pouco sozinho no atual milênio. Os EUA, desde o 11 de Setembro, mataram, marcaram e desalojaram milhões ao redor do mundo muçulmano como parte de sua Guerra ao (de) Terror. A violência é sempre conduzida em nome da paz, liberdade, democracia e segurança. Um incidente ilustrativo na guerra norte-americana ao/de terror ocorreu na primeira semana de maio de 2009. Foi quando um bombardeio norte-americano matou mais de 140 civis em Bola Boluk, um vilarejo na província de Farah, no oeste do Afeganistão. Noventa e três dos locais mortos, destroçados pelos explosivos norte-americanos, eram crianças. Apenas 22 eram homens de 18 anos ou mais velhos. Como o New York Times reportou:
“Em uma ligação telefônica colocada no viva voz na quarta-feira para o parlamento afegão, o governador da província de Farah, Rohul Amin, disse que cerca de 130 civis morreram, segundo o legislador, Mohammad Naim Farahi, ‘o governador disse que os locais trouxeram dois tratores cheio de pedaços de corpo humano para seu escritório, a fim de comprovar as mortes que ocorreram…todos estavam chorando, olhando para a cena chocante’. O sr. Farahi disse que conversou com alguém que conhecia pessoalmente, e tal pessoa havia contado 113 copos sendo enterrados, incluindo muitas mulheres e crianças”.
A resposta inicial do Pentágono do Obama para esse incidente horrível – um entre muitos outros ataques aéreos maciços que mataram civis no Afeganistão e Paquistão desde 2011 – foi jogar a culpa das mortes às “granadas do Talibã”. A secretária de Estado, Hillary Clinton, disse “lamentar” a perda de vidas humanas, mas a administração se recusava a fazer um pedido de desculpas ou reconhecer a responsabilidade dos EUA. Em contraste, Obama havia acabado de oferecer um pedido completo de desculpas e demitir um funcionário da Casa Branca por assustar nova-iorquinos por conta de uma sessão de fotos do Força Aérea Um (o avião presidencial norte-americano) voando baixo sobre Manhattan o que lembrou as pessoas do 11 de Setembro.
A disparidade foi extraordinária: assustar nova-iorquinos levou o presidente Obama a um pedido de desculpas e à demissão de um funcionário da Casa Branca, enquanto matar mais de 100 civis afegãos não requeria o mesmo pedido. Ninguém foi demitido e o Pentágono teve a permissão de seguir com as afirmações absurdas de como os civis morreram – histórias levadas a sério pela mídia. Os EUA, subsequentemente, conduziram uma duvidosa “investigação“ do massacre em Bola Boluk que reduziu a contagem de corpos e culpou o Talibã por colocar civis no caminho das bombas norte-americanas.
Filhas e filhos
Outro claro exemplo do compromisso dos EUA com a paz e a segurança é Fallujah, no Iraque. Em um discurso sobre política externa na véspera do anúncio de sua candidatura à presidência, Barack Obama teve a audácia de dizer que “o povo norte-americano tem sido extraordinariamente determinado. Eles viram suas filhas e filhos morrerem e se ferirem nas ruas de Fallujah”.
Essa seleção do lugar foi espantosa: Fallujah foi o local do maior atrocidade de guerra dos EUA – os crimes incluíram o assassinato indiscriminado de milhares de civis, ataques contra ambulâncias e hospitais e praticamente uma completa destruição de uma cidade inteira – pelos militares norte-americanos em abril e novembro de 2004. A cidade foi designada para destruição como um exemplo do incrível estado de terror prometido contra aqueles que ousarem resistir ao poder dos EUA. Em uma descrição:
“Os EUA lançaram dois ataques ferozes contra a cidade usando um poder de fogo devastador à distância, o que minimizou as baixas norte-americanas. Em abril, comandantes militares disseram ter alvejado com precisão forças insurgentes, no entanto, os hospitais locais reportaram que muitos ou a maioria das baixas eram civis, entre elas, mulheres, crianças e idosos… [refletindo uma] intenção de matar civis em geral. Em novembro, ataques aéreos destruíram o único hospital em território insurgente, para garantir que dessa vez ninguém pudesse documentar mortes de civis. As forças dos EUA então entraram na cidade, destruindo virtualmente tudo. Após isso, Fallujah parecia a cidade de Grozny, na Chechênia, quando as tropas de Vladimir Putin deixaram a cidade em escombros.
uso de material radioativo nos ataques dos EUA em Fallujah ajudou a criar uma epidêmica mortalidade infantil, defeitos de nascimento, leucemia e câncer.
A cidade de Fallujah foi apenas um episódio especialmente ilustrativo de um vasto arco criminal de uma invasão que matou prematuramente pelo menos um milhão de civis iraquianos e deixou o país como “uma zona de desastre em uma escala catastrófica, dificilmente comparável na memória recente”.
“Então jogue-os em Guantânamo”
Lawrence Wilkerson é um ex-combatente que já serviu como chefe de gabinete do então secretário de Estado Colin Powell. Conversando com o jornalista investigativo Jeremy Scahill, ele descreveu uma típica operação das forças especiais durante a ocupação do Iraque: “Você entra lá e colhe algumas informações e você diz ‘Oh, isso é realmente uma boa informação para ser usada como ataque. Aqui está a Operação Trovão Azul. Vá cumpri-la’. Então eles vão e matam 27, 30, 40 pessoas, que seja, e capturam sete ou oito. Depois você descobre que a informação era ruim e você matou um bando de gente inocente e que também você tem um monte de inocentes presos em suas mãos, então jogue-os em Guantânamo. Ninguém nunca saberá a respeito e então você prossegue para a próxima operação”. Realmente, um cheque em branco.
A Estrada da Morte em 1991 e outras maneiras de se matar
Em 1991, na primeira vez que os EUA estiveram no Iraque, as forças norte-americanas massacram dezenas de milhares de soldados iraquianos que já haviam se rendido e estavam saindo do Iraque, entre 26 e 27 de fevereiro daquele ano, no que ficou conhecido como “A Estrada da Morte”.
Além da violência física direta, existem outras maneiras de se matar também. Cinco anos após a Estrada da Morte, a secretária de Estado, Madeline Albright, disse ao programa 60 Minutos da CBS, que a morte de 500 mil crianças, devido às sanções impostas pelos EUA ao Iraque era um “preço que valia a pena pagar” para a continuidade dos objetivos norte-americanos.
Mantendo a “máquina de matar rodando”
Qualquer um que pense que a selvageria imperialista dos EUA entrou em algum tipo de misericordiosa pausa por conta da chegada de Barack Obama está vivendo em um mundo de fantasias. Obama pode ter tido a tarefa de acabar com as guerras que falharam no Iraque e no Afeganistão (o mesmo trabalho teria caído nos colos de McCain, caso eleito), mas expandiu drasticamente a intensidade e o escopo da guerra com drones e a presença de tropas de forças especiais ao redor do mundo. Como o corajoso jornalista Allan Nairn destacou, Obama manteve a gigantesca e imperial “máquina de matar rodando”.
O tom foi definido logo no começo, com Obama autorizando dois grandes ataques com drones no Paquistão em seu quarto dia como presidente. O primeiro ataque “matou de sete a quinze pessoas, todas elas praticamente civis”. O segundo “atingiu a ‘casa errada’ e matou de cinco a oito civis”, incluindo duas crianças. Menos de seis meses depois, mais um dos “ataques precisos com drones” atingiu um funeral e matou “inúmeros civis – com idades de 18 a 55 anos”. Em outubro de 2009, Scahill reportou: “Obama já autorizou, em 10 meses, a mesma quantidade de ataques com drones que Bush fez em seus oito anos de mandato”. Uma fonte militar contou a Scahill sobre uma operação de assassinato padrão das forças especiais na era Obama: “Se existe uma pessoa que eles estão atrás, mas no mesmo local estão outras 34, então 35 pessoas irão morrer”.
“Os Estados Unidos são os do bem”
Na semana passada, uma radialista do Irã me perguntou se eu pensei que a pesquisa do WINMR-Gallup iria incitar qualquer repercussão anti-imperial por parte dos cidadãos norte-americanos, eu tive que dizer que não, por três razões. Primeiro, por ter sérias dúvidas que qualquer parte da mídia dominante nos EUA iria prestar atenção a uma pesquisa que tivesse tido como resultado algo que eles considerariam radicalmente inconsistente com a já habitual ideia que os EUA são uma força de paz e estabilidade no mundo. Segundo, porque pesquisas similares já haviam sido – fracamente – reportadas em outras ocasiões e pouco impacto tiveram na opinião pública e na orientação política nos EUA, que permanece indiferente às visões que outras pessoas têm sobre a parte ruim do poder dos EUA.
Por último, porque mesmo se a pesquisa e o que as pessoas no exterior pensam tivessem mais espaço na mídia norte-americana, parece irreal pensar que mais do que uma pequena minoria de cidadãos estejam prontos para aceitar a noção de que os EUA são realmente uma ameaça para a paz mundial, muito menos a maior ameaça. Considerando as reflexões do antigo correspondente internacional do New York Times Stephen Kinzer sobre as ações dos EUA na anexação do Havaí e das Filipinas, seu domínio sobre Porto Rico e seus golpes de Estado na Nicarágua e Honduras nos finais dos séculos 19 e 20:
“Por que os norte-americanos apoiam políticas que trazem tanto sofrimento às pessoas em terras estrangeiras? Existem duas razões para tal que, de tão interligadas, se tornam uma. A razão essencial é que o controle dos EUA em lugares distantes veio a ser visto como essencial para a prosperidade material dos EUA. Essa explicação, entretanto, está amarrada dentro de outra: a crença mais profunda da maioria dos norte-americanos de que o país deles é uma força para o bem no mundo. Então, consequentemente, até mesmo a mais destrutiva das missões em que os EUA embarcam para impor sua autoridade é tolerável. Gerações de políticos norte-americanos e líderes empresariais reconheceram o poder da nobre ideia do excepcionalismo dos EUA. Quando eles intervêm no exterior por razões estúpidas e egoístas, eles sempre insistem que, no final, suas ações irão beneficiar não apenas os EUA, mas também os cidadãos do país ao qual estão invadindo e, assim, por extensão, as causas da paz e da justiça no mundo”.
Esse problema do “excepcionalismo dos EUA” – a crença doutrinal de que os objetivos e comportamento dos EUA são inerentemente benevolentes, bem-intencionados e um bem para o mundo – permanece profundamente enraizado mais de um século depois. E é a principal razão para que as pessoas no mundo inteiro estejam corretas em identificar os EUA como a maior ameaça à paz no mundo. Nada é mais perigoso – e maléfico – que uma única superpotência militar que enxerga a si mesma além de qualquer reprimenda moral. Basta ler, a respeito disso, as seguintes declarações nacionalistas e narcisistas quanto à política externa norte-americana, tanto no partido democrata, quanto no republicano: “Um mundo uma vez dividido entre dois campos armados agora reconhece uma única e dominante potência, os Estados Unidos da América, e eles reconhecem isso sem temor, pois o mundo confia a nós com poder e o mundo está certo. Eles confiam em nós para sermos justos e comedidos. Eles confiam em nós para estar do lado da decência. Eles confiam em nós para fazermos o que é o certo”. – PresidenteGeorge H.W. Bush, 1992.
“Quando eu fui eleito, eu estava determinado que nosso país entrasse no século 21 sendo ainda a maior força de paz e liberdade no mundo. Pela democracia, segurança e prosperidade”. – Presidente Bill Clinton, 1996.
“A América foi escolhida para o ataque porque somos o mais brilhante raio da liberdade e oportunidade no mundo… Hoje, nossa nação viu o mal… Nossa força militar é poderosa e está preparada, nós iremos em frente para defender a liberdade e tudo o que é bom e justo em nosso mundo”. – Presidente George W. Bush, 11 de setembro de 2001.
“Nós lideramos o mundo combatendo males imediatos e promovendo o bem… A América é a última, a maior esperança da Terra… O maior propósito da América no mundo é promover e espalhar a liberdade. O momento norte-americano não passou… Nós iremos aproveitar esse momento e renovar o mundo”. – Candidato à presidência,Barack Obama, 23 de abril de 2007.
“Nossa segurança emana da justeza de nossa causa; a força de nosso exemplo; as qualidades moderadas de nossa humildade e comedimento”. – Presidente Barack Obama, 20 de janeiro de 2009.
“Os moralistas que pensam que não têm pecados”
Lendo essas declarações e considerando o quão criminosa, racista e imperial é a realidade da política externa dos EUA nesse e em outros séculos, pode-se pensar no que o M. Scott Peck, psicoterapeuta e autor do estudo do mal no ser humano, disse:
“O mal no mundo é cometido pelos moralistas que acham que não possuem pecados, pois não estão dispostos a sofrer do desconforto da autocrítica. Seu pecado mais básico é o orgulho – pois todos os pecados são reparáveis exceto o pecado de acreditar que não possui pecado. Uma vez que eles têm que negar sua própria maldade, é necessário enxergá-la nos outros. Eles projetam sua própria maldade no mundo”.
Isso soa como uma reflexão sobre a retórica norte-americana quanto ao “excepcionalismo dos EUA”. Quando combinada com o histórico alcance do poder militar norte-americano, o paralelo sugere que as pessoas no mundo estão perfeitamente certas em identificar a moralidade dos EUA como a maior ameaça à paz no planeta Terra.
O estudo de Peck, obviamente, era sobre indivíduos e não estruturas de poder. Até onde se sabe, Barack Obama é um indivíduo perfeitamente moral e caridoso em relação a sua família e amigos (o mesmo vale para George W. Bush). Mas isso é irrelevante quando se fala de assuntos internacionais, onde o papel do presidente dos EUA e seus assessores de alto escalão é avançar no – encharcado de sangue – projeto imperial norte-americano, sob um pretexto de intenção benevolente e uma forma maligna e narcisista chamada de “excepcionalismo norte-americano”.
O mundo, claramente, não é mais enganado pela grande modificação de Obama quanto ao “Schwarzenegger da política internacional”. Ele entende, corretamente, que o primeiro presidente pós-Bush, eleito com as palavras “esperança” e “mudança”, não é nada mais do que um represente novo do império usando roupas velhas.
Tradução: Vinicius Gomes