terça-feira, 15 de junho de 2010

PSDB o Partido da Traição

o PSDB foi o partido da traição, da vergonha naconal, da entrega de nosso patrimônio, da humilhação dos servidores públicos e dos aposentados, do monstruoso endividamento interno e externo, da cooptação ao neoliberalismo e aos rompantes dos Estados Unidos, ao decréscimo na educação, com o desprezo ao profissional e o não investimento em pessoal qualificado e na instalação de novas faculdades, ao menosprezo à segurança nacional, com a tentativa  de ceder a base espacial de alcântara aos americanos, o enfraquecimento da atuação da polícia federal, o engaveta-mento dos pedidos de inspeção relativos a falcatruas, o desmonte da petrobras, com o acidente na plataforma possivelmente tendo sido criminoso, o imoral descaso quanto às estradas, à energia e às comunicações, porque teriam de ser privatizadas, a ridícula venda de nosso sub-solo, a humilhação perante o fmi, e tantas mazelas, que somente suportadas por um país por Deus abençoado..
O PMDB foi a agremiação da inflação galopante, de muita permissividade, mas que em extensão e quantidade não absorveu considerável parte da legenda anteriormente citada. Em termos profissionais, não perseguiu os trabalhadores, forçando-os a aposentadoria em massa, instigando o programa de demissão voluntária, separando casais, fazendo mudar de endereços pessoas com a saúde debilitada, e tantos outros crimes, cometidos pela não-democracia, anti--social.
Aécio Neves, ex-governador mineiro, envolveu-se com Amauri Ribeiro Jr. para que esse editasse um livro sobre as indignidades perpetradas pelos tucanos paulistas. São pessoas assim, sem fé, sem caráter, - evidentemente não todas assim procedem -, as que compõem aquele bloco de aves. Serra também intentou levar o político mineiro ao constrangimento, não tendo logrado êxito o seu intento.
Assim, meu caro, não vejo porque alguém possa enturmar-se com um pássaro que rouba a comida e mata pobres avezinhas, porque isto consta em sua índole. Por beleza, não se queira tal espécime em nossa companhia, mesmo porque beleza não põe mesa, por extensão não garante esforço.
Estou um tanto perplexo, meu caro. O PMDB, através de Michel Temer, declarou que não só vai compor o governo, mas governar de fato.
Aos poucos em mim está faltando confiança: em quem buscar com um mínimo de seriedade?
Espero que Dilma saiba se impor para não perder a dignidade.  José Periandro. 

domingo, 13 de junho de 2010

Lula, O O PÜTCHIPÜ´Ü do Mundo

José Ribamar Bessa Freire é professor universitário (Uerj), reside no Rio há mais de 20 anos, assina coluna no Diário do Amazonas, de Manaus, sua terra natal, e mantém o blog Taqui Pra Ti .
Estou convencido: a recente projeção do Brasil no cenário mundial mostrou que Lula é muito mais do que “o cara”. Lula é o próprio pütchipü´u. Ele age como um pütchipü´u. Pensa como um pütchipü´u. Usa as mesmas ferramentas que um pütchipü´u. Então, ele é um pütchipü´u. Na verdade, sempre foi um pütchipü´u, mas sua pütchipü´ulidade adquire agora uma dimensão planetária. Que diabo, afinal, vem a ser o pütchipü´u?
Pera lá! Antes de qualquer explicação, deixa que eu vá logo prevenindo: não entendo chongas de política internacional. E daí? Muitos colunistas de plantão da grande mídia também não, o que não impediu, nessa semana, que pontificassem, com ar doutoral, sobre a recente iniciativa diplomática do Brasil e da Turquia no Irã. É impressionante! Os caras falam com tanta intimidade, parece até que o Obama, com quem tomam o breakfast, lhes passa informações em primeira mão. Não manifestam dúvidas, só certezas. São contundentes.
Concordaram com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que criticou a ação de Lula no cenário internacional. Ela acha que o acordo arrancado pelo Brasil e pela Turquia, com base – quanta ironia! – em exigências prévias da própria Casa Branca, “torna o mundo mais perigoso” porque “ajuda o Irã a ganhar tempo na execução de seu programa nuclear”. Manifestou “discordâncias sérias com o Brasil”. Cobrou do Conselho de Segurança da ONU sanções ao Irã e reafirmou a doutrina Bush de segurança, que confere aos Estados Unidos a função de meganha do planeta.
Essa é a opinião dela, lá pras negas dela. Tudo bem, ela está no seu papel. Serve ao militarismo e à indústria bélica. Quem não está no seu papel são alguns comentaristas brasileiros, que de forma subserviente embarcaram na canoa norte-americana, adotando o ponto de vista da secretária como se fosse “a verdade”. Criticaram “o erro de cálculo do Itamaraty”, sua “desastrosa política externa” e as “ambições megalomaníacas” de Lula. Debocharam do que chamam de “diplomacia da periferia”. Incorporaram o complexo de vira-lata: “Imagina, o Brasil querendo interferir nos destinos do planeta como se fosse uma grande potência nuclear!”
Se me permitem, quero discordar. Ora, se Lula e o Brasil, por essa razão, não podem influenciar a diplomacia mundial, então jornalista que nasce e reside no país do Lula está incapacitado para tecer comentários sobre política internacional, distanciado que está das fontes e do círculo de poder. Só quem pode falar é colunista do New York Times ou do Washington Post. Acontece que o poder do Lula não se apóia no canhão e na bomba atômica. Lula, em vez de rosnar como um Pitt Bull, fala como um pütchipü´u.
O dono do verbo
O pütchipü´u é um personagem fundamental na cultura dos índios Wayuu, que são conhecidos também como Guajiro, vivem na Venezuela e na Colômbia e somam atualmente cerca de 500 mil habitantes nos dois países.
O direito consuetudinário dos Wayuu parte do princípio de que os conflitos são inevitáveis em todas as sociedades e que cada uma desenvolve mecanismos para manter a ordem, a paz, a harmonia e a coesão social. Para isso, algumas sociedades criaram instituições como polícia, cadeia, tribunal, lei. Os Wayuu criaram um sistema jurídico singular onde quem se destaca é o pütchipü´u.
Sua origem está no grande legislador, que segundo as narrativas míticas é um pássaro, que dita as primeiras normas de vida em sociedade. Esse pássaro dá origem ao pütchipü´u, cuja retórica, similar ao canto das aves, busca a harmonia. O pütchipü´u é o “mestre da palavra’, o “dono do verbo”, enfim um índio sábio, especialista no manejo da linguagem. Tem a fala envolvente, convincente, sedutora e o dom da clarividência, do bom humor. Sua função é usar tais qualidades para solucionar disputas familiares e conflitos intra-étnicos.
Quando alguém se sente prejudicado, chama logo o pütchipü´u. Ele vem, analisa, conversa com as partes em lítigio, persuade, insinua, negocia, cria cenários às vezes ameaçadores sobre os possíveis desdobramentos do caso, mostrando que todo mundo pode perder. Ele não é bem um juiz que condena ou absolve. É mais um intermediário, um mediador na solução das brigas, e isso porque o sistema jurídico Wayuu não é um sistema de “justiça punitiva”, mas de “justiça de compensação”, “justiça de restituição”.
Esse sistema, do qual o pütchipü´u é – digamos assim – um “funcionário”, não está tão preocupado com as normas, que são limitadas a alguns princípios gerais. O seu foco não incide sobre a transgressão ao código, mas sobre a “origem do dano”. A intencionalidade de quem cometeu um prejuízo não é relevante, mas sim sua “responsabilidade objetiva”. A justiça se faz não para vingar e punir os culpados, mas para restabelecer a paz e o equilíbrio das relações sociais.
Por isso, a intervenção do pütchipü´u não se conclui com um “ganhador” e um “perdedor”, mas com a restauração da harmonia entre as partes em litígio. O principal é o reconhecimento do dano por parte de quem o fez e uma compensação ao prejudicado, em geral, com o pagamento de uma indenização, o que é decidido não por uma sentença imposta às partes, mas por consenso, pelo acordo através da conversa, do papo, da negociação, da conciliação, e esse é justamente o trabalho do pütchipü´u.
Dessa forma, os Wayuu consideram os conflitos sociais não como formas indesejadas de patologia social, mas como eventos cíclicos inerentes à vida comunitária, que abrem a possibilidade de recompor as relações sociais, solucionando as desavenças através do diálogo, que é – segundo Jorge Luis Borges – a mais criativa invenção do ser humano, mais importante do que a bomba atômica.

El palabrero  
Nem todo pütchipü´u tem sucesso. Quando tem, o pagamento que recebe pelos serviços prestados é uma vaca ou algumas ovelhas e cabras, mas atualmente alguns deles recebem dinheiro. No entanto, o benefício maior é o aumento de seu prestígio. Há casos, porém, de fracasso, quando em vez de resolver o problema, causam mais confusão, originando novas agressões e o agravamento das hostilidades entre as partes. Aí, seu prestígio diminui. 
Embora não sejam perfeitos, os procedimentos do sistema normativo Wayuu não devem ser considerados como algo rudimentar e primitivo, mas ao contrário constituem uma forma de exercer justiça que pode contribuir significativamente para o aperfeiçoamento dos sistemas legais de sociedades mais complexas. Um juiz da Venezuela, Ricardo Colmenares, autor de dois livros sobre o tema, está convencido de que o estudo do sistema normativo Wayuu pode favorecer a incorporação de formas jurídicas indígenas dentro do sistema jurídico formal. 
Durante os últimos cinco séculos os Wayuu vêm aplicando o direito próprio dentro de seu território, mas de forma extralegal. Só recentemente esse direito foi reconhecido pelos dois países. Os colombianos, cuja Constituição de 1991 garantiu a autonomia dos territórios indígenas, começaram a estudar o sistema jurídico Wayuu, entendendo que o seu uso pode ser útil para a administração dos territórios. 
Na Venezuela, um pluralismo jurídico tácito funciona também em território Wayuu, na medida em que num mesmo espaço social coexistem dois ou mais sistemas normativos – o direito escrito e o direito consuetudinário. Tanto lá como na Colômbia o pütchipü´u é designado pelo termo espanhol de “palabrero”, uma expressão meio ambígua que numa tradução aproximativa significa também falastrão, ou aquele que tem lábia, manha, esperteza, o que pode revelar um preconceito grafocêntrico de sociedades com escrita em relação às culturas da oralidade. 
Lula, que veio do mundo da oralidade, que construiu seu saber na luta sindical e política, no trabalho, nas assembléias, nas negociações com a FIESP, no convencimento dos metalúrgicos, atuou como um sábio pütchipü´u no caso do acordo com a Turquia e o Irã, acordo conquistado – como escreveu Leonardo Boff “mediante o diálogo, a mútua confiança que nasce do olho no olho e a negociação na lógica do ganha-ganha. Nada de intimidações, de imposições, de ameaças, de pressões de toda ordem e de satanização do outro”. 
Nesse caso – confirmou o próprio Lula – não tem essa história de ou dá ou desce. "Aqui ninguém dá e todo mundo desce”. Desde as lutas dos metalúrgicos do ABC, quando negociava com a poderosa Fiesp, cercado por baionetas, Lula já era um legítimo pütchipü´u. A ONU devia mesmo nomeá-lo o pütchipü´u do mundo.

P.S. 1– Espero que os eleitores do Maranhão não se deixem convencer quando Lula pedir votos para a Roseana Sarney (vixe, vixe!).

P.S. 2 – Agradeço ao antropólogo wayuu do clã Uliana, Weidler Guerra Curvelo, autor do livro “La disputa y La palabra. La Ley em La sociedad wayuu”, publicado em 2001. Foi de lá que retirei as informações aqui apresentadas.O livro, dividido em oito capítulos, recebeu o Premio Nacional de Cultura em 2001 e foi publicado pelo Ministerio de Cultura da Colombia. Seu autor é mestre em antropologia pela Universidade de Los Andes e foi secretário de Assuntos Indigenas do Departamento da La Guajira. Em seu trabalho de pesquisa, entrevistou vários palabreros, entre os quais o conhecido Sarakaana Pushaina que lhe apresentou o funcionamento mitico do sistema normativo Wayuu.
Fonte: http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=863

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A frota de Gaza e os limites da força

AMÓS OZ

Por 2.000 anos, os judeus só conheciam a força da força em forma das chibatadas que lhes eram aplicadas. Há algumas décadas, porém, nos tornamos capazes de também exercer a força. Seu poder, no entanto, nos embriagou incontáveis vezes. Incontáveis vezes imaginamos que é possível resolver todo grande problema que encontramos por meio da força. 

Como diz um provérbio, para o homem que carrega um grande martelo, todo problema tem jeito de prego. No período anterior à fundação do Estado, larga proporção da população judaica na Palestina não compreendia os limites da força e imaginava que fosse possível usá-la para atingir qualquer objetivo. 
Por sorte, durante os primeiros anos de Israel, líderes como David Ben Gurion e Levi Eskhol sabiam muito bem que a força tem seus limites e cuidavam em não ultrapassar essas fronteiras. 
Mas, desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel sofre de uma fixação pela força militar. O lema é: aquilo que não pode ser realizado pela força pode ser realizado por uma força ainda maior. 
O cerco de Israel à faixa de Gaza é um dos fétidos produtos dessa visão. Origina-se da errônea suposição de que o Hamas pode ser derrotado pela força das armas, ou, em termos mais gerais, que o problema palestino pode ser esmagado em lugar de resolvido. 

O HAMAS É UMA IDEIA 
Mas o Hamas não é apenas uma organização terrorista.  O Hamas é uma ideia. Uma ideia desesperada e fanática nascida da desolação e da frustração de muitos  palestinos. 
E ideia alguma jamais foi derrotada pela força nem por bloqueios, nem por bombardeios, nem soterrada sob as  esteiras dos tanques de guerra ou atacada por forças especiais da Marinha. Para derrotar uma ideia é preciso oferecer uma ideia melhor, mais atraente e mais aceitável. 
A única maneira de remover o Hamas é que Israel chegue rapidamente a um acordo com os palestinos para o estabelecimento de um Estado independente na Cisjordânia e na faixa de Gaza, tais como definidas pelas fronteiras de 1967, com capital em Jerusalém Oriental. Israel precisa assinar um acordo de paz com Mahmoud Abbas e seu governo e, com isso, reduzir o conflito entre Israel e os palestinos a um conflito entre Israel e a faixa de Gaza. 
E o último só poderá ser resolvido, em última análise, pela integração entre o Fatah, de Abbas, e o Hamas. Mesmo que Israel capture uma centena de outros navios rumo a Gaza, mesmo que envie soldados para ocupar Gaza mais uma centena de vezes, não importa quantas vezes Israel use suas Forças Armadas, polícia e forças clandestinas, não haverá como resolver o problema. 

NÃO ESTAMOS SÓS 
O problema é que não estamos sós nesta terra, e os palestinos não estão sós nesta terra. Não estamos sós em Jerusalém, e os palestinos não estão sós em Jerusalém. Até que nós, israelenses e palestinos, reconheçamos as consequências lógicas desse simples fato, viveremos todos em permanente estado de sítio: Gaza sob sítio israelense, e Israel sob sítio árabe e internacional. 
Não desconsidero a importância da força. A força militar é vital para Israel. Sem ela não seríamos capazes de sobreviver nem por um dia. Ai do país que desconsidere a eficácia da força. Mas não podemos nos permitir esquecer nem por um momento que a força só é efetiva de modo preventivo para impedir a destruição de Israel, proteger nossas vidas e nossa liberdade. 
Cada tentativa de usar a força não para fins preventivos, ou de autodefesa, e sim como forma de esmagar problemas e esmagar ideias conduzirá a novos desastres, como aquele que causamos para nós mesmos em águas internacionais, no alto-mar, ao largo das costas de Gaza. 

Tradução de PAULO MIGLIACCI

Nascido em Jerusalém em 1939, Amós Oz é escritor e jornalista. Publicou 18 livros, traduzidos para cerca de 30 idiomas. Um dos fundadores do Movimento "Paz Agora", representa a chamada esquerda engajada, favorável à criação do Estado palestino. Ensina literatura hebraica na Universidade Ben Gurion

Por que ninguém quer ser vice de Serra?

Artigo do Messias Pontes  
A pouco mais de uma semana para a realização de sua convenção nacional, o PSDB ainda não tem um nome para compor a chapa majoritária a ser encabeçada pelo ex-governador paulista José Serra para concorrer a Presidência da República.  A confusão no ninho tucano e de seus aliados é tamanha que está tirando o sono de todos eles, notadamente do Coisa Ruim, que insiste na mudança de rumo comportamental de Serra, já que este, com medo de perder mais eleitores, deixou de bater no presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas a ordem é bater com violência e Serra já começou. Isto mostra ao eleitor que ele está agindo como biruta de aeroporto, indo ao sabor dos ventos.
No que pese toda a pressão midiática e de todas as lideranças liberal-conservadoras, o ex-governador mineiro Aécio Neves já bateu o martelo e disse que nada o fará aceitar a vice de Serra. “Se não sirvo para ser o candidato a presidente, também não sirvo para ser vice”, desabafou o neto de Tancredo Neves. O senador Tasso Jereissati, igualmente, descartou de vez essa possibilidade. Portanto, chapa pura está fora de cogitação.
O ideal seria uma composição com o DEMO, mas o nome preferido está fora de combate, no caso José Roberto Arruda, apanhado com a mão na botija, sendo forçado a renunciar ao governo do Distrito Federal. Sobraria para a senadora Kátia Abreu, do DEMO do Tocantins, mas esta, pela sua truculência, é odiada pelos movimentos sociais de todo o País e inviabilizaria um possível apoio dos eleitores de Marina Silva num hipotético segundo turno. Outro demo fora do baralho é o seu presidente nacional, deputado federal Rodrigo Maia, que ainda não esclareceu a denúncia de seu envolvimento com o mensalão de Roberto Arruda.
 Outra opção seria o senador carioca Francisco Dorneles, do PP. Contudo o seu partido está dividido entre apoiar Serra ou a petista Dilma Rousseff. Ademais, Dorneles queimou-se completamente ao tentar mudar o texto do projeto de iniciativa popular Ficha Limpa, para beneficiar os corruptos, em especial o deputado Paulo Maluf.  No PPS, o seu presidente Roberto Freire não é sequer cogitado, até porque falta-lhe  credibilidade e não tem voto sequer para se eleger síndico do seu condomínio residencial. Já o ex-presidente Itamar Franco já avisou que quer mesmo é disputar o Senado.
Na realidade, todos os que estão rejeitando a indicação para vice alegando ser mais importantes para os seus estados como senador, têm a certeza da derrota, já que a tendência verificada há mais de um ano é de queda de Serra e de subida de Dilma revelada pelos institutos de pesquisa de opinião. A expectativa de vitória da candidata do presidente Lula ainda no primeiro turno tem desestimulado as principais lideranças da direita conservadora a aceitar a vice de Serra..
O crescimento histórico da economia, principalmente num momento de crise mundial do capitalismo, é outro fator a desestimular alguém a aceitar a vice de Serra. Segundo estudo revelado pelo BNDES semana passada, no período de 2010 a 2013 a indústria vai investir a colossal soma de R$ 1,324 trilhão, valor 55% superior ao que aplicou de 2005 a 2008. Trata-se do maior investimento destinado à produção dos últimos 35 anos.
Por outro lado, setores democráticos que alimentavam alguma ilusão com relação ao ex-governador paulista estão se desiludindo e até se decepcionando com as posições retrógradas do pré-candidato tucano. É que este já explicitou a sua posição contrária à política de integração regional e sua preferência pelo retorno do alinhamento automático com os Estados Unidos, a exemplo do que fez o Coisa Ruim nos seus oito anos de entreguismo (1995 a 2002).
Também não se viu por parte de José Serra nenhuma posição contrária ao criminoso bombardeio ao comboio de navios, em águas internacionais, por parte do Estado terrorista de Israel, quando foram mortos, há dois dias, dez pessoas e dezenas de outras ficaram feridas. O comboio levava alimentos para os famintos da Faixa de Gaza, na Palestina. O criminoso bloqueio de Israel à Palestina, igualmente, parece ter o apoio de Serra.
A indefinição dos coordenadores regionais devido a uma acirrada disputa entre os três partidos que sustentam a candidatura da direita conservadora é outro fator que pesa contra Serra. E o fato de ninguém querer aceitar a vice já está virando chacota em toda parte: “você quer ser o vice do Serra?”, ironiza-se nas ruas, nos bares e nos botequins. Parece até que o ninho tucano está infestado de pichilinga.
Por que no Ceará todos querem ser candidato a vice na chapa do governador de Cid Gomes (PSB)? No PT há inclusive uma acirrada disputa interna pela indicação. Todos querem porque sabem que a reeleição mais tranqüila no Brasil é justamente a de Cid Gomes. O resto é desculpa esfarrapada de quem só quer entrar na disputa se for pra ganhar. E com a economia bombando como está, então nem pensar.