quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Frei Tito

ENVIADO PELO PERIANDRO


FREI TITO

Assisti hoje ao filme “Batismo de Sangue”. Cenas fortes que retratam o sofrimento de uma alma. O ocaso prematuro de uma alma. Relembranças amargas da brutalidade, da bestialidade e do mau caráter de alguns facínoras.


Quem lutava contra a injustiça e pregava contra a tirania poderia “estagiar” em calabouços, sob “garantia” de mãos covardes e assassinas. De pasmar que os guardiões da nação combatiam o comunismo, como se o capitalismo e os Estados Unidos representassem os melhores mundos!


Os entregadores em suas subserviências rastejantes zombavam de quem não professava o puro sotaque americano e comentavam com desdém: - fulano fala inglês macarrônico – ou o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil.


Em nomes de ruas, viadutos, monumentos e praças são homenageadas pessoas que tingiram de sangue o solo pátrio, enriqueceram ante as facilidades do regime fechado e ceifaram vidas sem piedade, torturadores infames que se sobressaíram impondo flagelos atrozes às suas pobres vítimas.


Os torturados que não puderam suplantar as noites de agonias e cujos corpos se decompuseram nas lajes frias, ainda não tiveram a honra “post mortem” de receber os encômios merecidos, conforme sucede com Frei Tito, um cearense apagado na memória do povo que ele tanto amava.


Um movimento esboçado por relevantes companheiros do CAHB, que intentava retirar da praça que ladeia o imponente prédio que ao BNB pertencera - e que por um ato falho de um ex-presidente da instituição foi doado à justiça, e esta por “consciência plena” resolveu homenagear o primeiro presidente ditatorial - o nome de um general que serviu com fervor ao golpe militar malsão, transformando-a em Praça Frei Tito, não se sabe o rumo percorrido. É compreensível ser difícil transpor as dificuldades estabelecidas, porquanto a direita tem o privilégio do dinheiro e dos vícios a ele adstritos, e se tornaria desonroso revisar o nome escolhido entre as patentes das forças armadas. É tão forte o poder dessa gente conservadora que o terreno entre o final da Santos Dumont e a praia recebe o nome de Praça 31 de Março, um triste preito a um golpe sórdido que repercutiu dolorosamente em tantas vidas.


Os camaradas cahbistas ainda têm a flama de prestar um louvor ao cearense ultrajado? Há espaço para que se concretize tal ato.


Não se espere benevolência de Veja, Época, Globo, Folha, Estadão e tantos outros veículos de sustentação de vidas nababescas, no que se refere à reparação de erros grosseiros, mesmo porque foram eles sustentáculos de atrocidades, em detrimento de outros seres que padecem em cortiços e favelas. José Periandro.




ENVIADO PELO FRANKLIN


(Rcebido do Tarcísio)

A UNIÃO FAZ A FORÇA! “Quem sabe faz a hora”.

Aos companheiros Severino Souza Bizinho, Hindenburgh de Mélo Rocha e Gaudioso Carvalho Melo.

Nesta sexta-feira, dia 11 de dezembro de 2009, às 11h00, na audiência do processo em que estamos reivindicando aporte de recursos à Capef por parte do Banco por conta do déficit atuarial de 1995, revivi, emocionado, que “a união faz a força”. Assim, unidos num mesmo ideal e prosseguindo à nossa disposição de luta pelo fortalecimento da Capef, levamos, com altivez, ao conhecimento do Juiz da necessidade do Banco cobrir o déficit atuarial de sua responsabilidade e, com isso, proporcionar condições financeiras e assegurar melhorias nos benefícios da Capef. Momento ímpar da confirmação de que estamos unidos nessa luta. Merecia uma foto.

Sabemos, por outro lado, que a luta é desigual, com o preposto da Capef querendo inverter a discussão e defender, numa atitude de submissão, os interesses da patrocinadora.

Sabemos, por outro lado, que o Banco não dispõe de sensibilidade política suficiente para entender a gravidade do momento e que estamos pleiteando somente aquilo que seria de sua responsabilidade como principal patrocinador, ante a omissão das entidades sindical e dos aposentados do BNB.

Entretanto, não vamos desvanecer, a luta continua e a vitória é possível. Viva a nossa união e a nossa disposição de luta! Um fraternal abraço.

Fortaleza, 11 de dezembro de 2009. TARCISIO JOSÉ DA SILVA, O Bacharel

Dilma, como ela é

ENVIADO PELO CLÁUDIO PEREIRA




TROPA BOA, DONA DILMA COMO ELA É. AQUELE ABRAÇO, CLAUDIO PEREIRA


Opinião - O Povo


Dilma, como ela é (por Adísia Sá)


Setores da Imprensa comprometidos com grupos ou partidos, pessoas ou organizações, entram, vez por outra, no esquema de seus interesses , em detrimento da informação de alcance coletivo. Agora, por exemplo, estamos testemunhando sinais disto .


E o personagem central é a ministra Dilma, apontada como possível candidata à sucessão do presidente Lula. Raro o dia em que não esteja ela no centro do ``noticiário``.


``A peruca não cai bem``. Eu me pergunto: não caberia um pouco mais de consideração à ministra, vítima que foi de um longo tratamento contra o câncer que a deixou careca, obrigando-a & por força da vaidade feminina & a utilizar o artifício da peruca?


``É muito séria. Não sorri ...``


Mas ninguém cita a ``cara fechada`` das ministras Golda Meyer (Israel) e Margareth Thatcher (Inglaterra), como não se alude ao não sorriso da rainha Beatrix (Holanda) e das presidentes Cristina Kirchner (Argentina), Michelle Bachelet ( Chile) e de Ângela Merkel (Alemanha)... mulheres que estiveram ou estão à frente de governos de países reconhecidamente ``machistas``, como os da Alemanha e da Argentina.
Mas Dilma não, ela precisa sorrir, ter a peruca milimetricamente assentada... pisar leve. Talvez até queiram que ela conte piadas ou desfile em passarela.Ridículo.


Um país como o nosso que quebrou ``cadeias`` culturais curtidas por segmentos sociais defensores do isolamento feminino; um país que elegeu e elege governadoras de Estados, senadoras, deputadas federais... estaduais, vereadoras, prefeitas, Ministras de Tribunais, inclusive o Supremo, está preparado para ter uma Presidente da República.
Além de Dilma há outras mulheres prontas e preparadas para chegar à presidência, mas, para isto o que se espera é a que segmentos da Imprensa não sejam manipulados por homens do tempo e do espaço da cartola e da bengala, fraque, longos bigodes e madames de compridos vestidos de cinturas fininhas graças a espartilhos sufocantes e enganadores...


Adísia Sá - Jornalista - adisia@opovo.com.br

sábado, 12 de dezembro de 2009

Blogueiros de Língua Afiada

ENVIADO PELO FRANKLIN
(Recebido do Clóvis Atico)

ENVIADO PELO CLOVIS ATICO
Blogueiros de língua afiada correm riscos legais
23 de novembro de 2004, 0:00http://webinsider.uol.com.br/index.php/2004/11/23/blogueiros-de-lingua-afiada-correm-riscos-legais/
Autores de blogs mais chegados a posts ácidos nem desconfiam que podem ser processados por empresas ou pessoas que se sentem prejudicadas. Advogados ensinam a contornar problemas deste tipo.

Paulo Rebêlo, com Folha de Pernambuco

É no blog onde muita gente expõe o que pensa sobre a vida, as pessoas e o mundo. No entanto, poucos percebem que a popularização excessiva também pode trazer surpresas desagradáveis. Ao achar que estão livres para escrever o que pensam de forma indiscriminada, blogueiros podem correr riscos judiciais sem necessidade.

Uma empresa ou uma pessoa, ao se sentir ofendida por algo escrito no blog, pode processar o autor. As conseqüências podem ser mais sérias, com pagamento de multas pesadas e, em situações mais raras, até prisão. No Brasil, há vários casos de blogueiros que se sentiram coagidos a apagar comentários ou tirar o blog do ar.

Cientes das dúvidas sobre o assunto, Túlio Vianna e Cynthia Semíramis, advogados especializados em tecnologia e informática, resolveram criar uma espécie de manual de sobrevivência para ajudar donos de blogs e sites. Ele é professor de Direito Penal da PUC Minas e doutorando em Direito pela UFPR. Ela é mestre em Direito pela PUC–MG. Ambos são blogueiros e acompanham de perto a situação dos blogs que tiveram problemas com a Justiça brasileira. Confira a entrevista:

Um blog pode mesmo ser retirado do ar por causa de uma ofensa? E se o autor não se identificar e escrever de forma anônima?

Túlio Vianna Um blog hospedado no Brasil, mesmo de forma anônima, pode ser facilmente retirado da internet por meio de ordem judicial. É uma ilusão achar que escrever um blog anônimo seja seguro, pois a Justiça pode determinar a quebra do sigilo contratual com a empresa que hospeda o site. O autor pode ser processado por danos morais ou até mesmo na esfera criminal. Por outro lado, um blog anônimo hospedado em servidor estrangeiro dificilmente será alvo de um processo, porque o procedimento vai exigir intermédio do serviço diplomático para retirar uma página em outro país. É bem mais complicado.

Então pela lei as pessoas não podem escrever no blog sem se identificar? Não seria uma forma de censura? E se o autor não usar o nome verdadeiro, com medo de represálias? Um pseudônimo, talvez?

Cynthia Semíramis A Constituição Federal garante a livre manifestação do pensamento, mas veda expressamente o anonimato (art.5º, IV) que, em princípio, pode ser interpretado como má–fé do autor. Mas é bom não confundir anonimato com pseudônimo (nome artístico, por exemplo). O pseudônimo para atividades legais é protegido por lei (art.19 do Código Civil).

Uma dos aspectos mais interessantes nos blogs é o sistema de comentários. As pessoas deixam opiniões e sugestões, passam dicas e pedem ajuda. Se alguém escrever uma calúnia ou algo ilegal, o autor do blog pode ser processado ou a responsabilidade é apenas de quem escreveu o comentário?

TV O autor do blog não está livre de uma eventual responsabilidade civil ou mesmo criminal por causa de comentários deixados por leitores. Se o blogueiro detém o poder de autorizar os comentários, editá–los ou apagá–los, então a página de comentários está legalmente sob sua responsabilidade. No caso de dúvidas quanto à possibilidade de identificar o autor, ou do comentário ser injustamente ofensivo a terceiros, é recomendável apagá–lo, pois o dono do blog pode ser responsabilizado juntamente com o autor do comentário.

Em que situações o dono do blog pode ser processado por algo escrito? Ele pode ir preso?

CS Um comentário ofensivo pode gerar dois tipos de responsabilidade jurídica: a criminal e a civil. A criminal, em regra, resulta na prisão do culpado. No entanto, em crimes leves como nos casos de crimes contra a honra, que são os mais comuns em blogs, a prisão pode ser substituída por prestação de serviços à comunidade e/ou multa. Já a condenação civil é sempre patrimonial e consiste no pagamento de uma indenização à vítima pelos danos sofridos.

Existem blogs onde podemos ler críticas de novelas, músicas e filmes. Alguns são excelentes e até referência para a grande imprensa. Em casos assim, o artista que se sente prejudicado por uma crítica também pode processar o autor do blog?

TV Em tese, toda crítica deveria ser objetiva e direta. Isso significa que ela não deve ser feita à pessoa, mas a um fato, a algo que ela fez. Numa crítica literária, deve–se discutir a obra, não o autor. Numa crítica ao comportamento de alguém, deve–se criticar apenas a atitude desagradável. É simples: não tem problema dizer que é burrice a idéia de que bandido bom é bandido morto, mas não se deve dizer que a pessoa que emitiu esta opinião seja burra. Ainda que eventualmente os raciocínios burros venham de pessoas burras, uma afirmação como essa não pode ser considerada uma ofensa, pois mesmo as pessoas inteligentes têm opiniões infelizes.

E em relação às empresas? Há pessoas que compram um produto, não gostam e depois usam o blog para criticar de forma ofensiva. Como funciona a lei em casos assim?

CS Evite criticar uma empresa sem ter algo contra ela. A reclamação pode ser feita, sim. Mas quem reclama deve fazê–lo com base em fatos, não em suposições ou porque ouviu alguém reclamar. A crítica aos serviços de empresas pode ser considerada judicialmente como de utilidade pública, mas deve ser dirigida ao serviço prestado, não ao dono ou à empresa como um todo a menos que quem critique possa provar isso perante um tribunal. Não há, em princípio, a obrigação de retratação ou de retirada de comentários, a menos que os termos usados tenham sido realmente desrespeitosos e ofensivos. [Webinsider]



ENVIADO PELO MARTINHO

Lula "decepciona" Obama, diz jornal Influência do Brasil na América Latina incomoda, segundo Wall Street Journal
    
Isabel Fleck  CORREIO BRASILIENSE
    
    As posições divergentes de Estados Unidos e Brasil sobre a resolução do conflito e as eleições em Honduras expuseram de forma mais explícita a dificuldade de Washington em manter proximidade não só com o maior país latino-americano, mas com toda a região. Em sua edição de ontem, o The Wall Street Journal, um dos mais influentes dos EUA, evidenciou a resistência do continente a aceitar que o país permaneça como ator dominante nas Américas, mais ainda tendo como contrapeso o Brasil, a China e o bloco antiamericano liderado por Hugo Chávez. O jornal chega a afirmar que o presidente Barack Obama, que diante de todo o mundo exaltou o colega Luiz Inácio Lula da Silva - "este é o cara", disse numa reunião internacional -, estaria decepcionado com a política externa brasileira.

    "A emergência do Brasil como potência hemisférica mostra-se um desafio e - em termos de política externa - um desapontamento para Obama, que, como George W. Bush, desenvolveu uma relação próxima com o carismático presidente Luiz Inácio Lula da Silva", afirma o Wall Street Journal. O periódico destaca que as posições discrepantes sobre Honduras são a "mais nova pedra no sapato" nas relações de Washington com a região, e lembra que o Brasil foi um dos países que questionaram a presença de tropas americanas em bases militares da Colômbia. Ainda afirma que Washington "não se mostrou contente" com a visita do presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, ao Brasil.

    Especialistas ouvidos pelo Correio contestam uma possível "decepção" ou mesmo uma "surpresa" do governo Obama com a diplomacia de Lula, apesar das divergências. "Eu vejo na ascensão do Brasil como potência regional um bem, mais do que uma ameaça à influência norte-americana. Não vejo como a influência de Lula (1) seria uma decepção para Obama, exceto no caso de Honduras, que provavelmente será resolvido em breve em 2010, afirma Anthony Knopp, professor da Universidade do Texas.

    Para a especialista do Council on Foreign Relations (CFR) Shannon Neil, é pouco provável que o governo Obama esteja frustrado com as posições brasileiras. "O que há é a percepção de que a independência diplomática do Brasil pode apresentar desafios quando os dois países diferirem em suas posições", diz. Segundo ela, é preciso que Obama defina logo sua relação com o Brasil, uma decisão que foi postergada, "em parte porque o Senado segurou a confirmação do Tom Shannon como embaixador para o Brasil, em parte por causa de outros problemas prementes os EUA estão enfrentando - tanto em casa como no exterior".

    Quintal
    O Wall Street Journal afirma que não só ascensão do Brasil como uma potência regional ajudou a reduzir o peso dos Estados Unidos na América Latina, "antes considerada o seu quintal". "Também devem ser consideradas a influência da união de nações antiamericanas lideradas pela Venezuela, rica em petróleo, e a crescente musculatura da China, que vê os recursos latino-americanos como fundamentais para seu próprio crescimento econômico", diz o jornal. O especialista Ray Walser, da Fundação Heritage, concorda. "A liderança dos EUA no continente está sendo desafiada como nunca. O governo Obama tem procurado meios de avançar, mas está muito envolvido em outras partes do mundo".

    1 - Visita a Mujica
    O presidente eleito do Uruguai, o ex-guerrilheiro esquerdista José Mujica, se reunirá na próxima terça-feira com Lula, que estará em Montevidéu para a cúpula do Mercosul. Durante a campanha e depois de proclamado vencedor da eleição de domingo, Mujica foi enfático ao apontar o presidente brasileiro como seu "modelo", pelo perfil de negociador.

    Lobo pede "razão"
    O vencedor da eleição presidencial de domingo em Honduras, o conservador Porfírio Lobo, se disse ontem convencido de que o governo brasileiro "voltará à razão" e terminará por reconhecer a legitimidade de seu mandato, como um dado da "realidade". Falando ao jornal chileno La Tercera, Lobo respondeu indiretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que na véspera havia respondido "peremptoriamente não" a uma pergunta sobre a possibilidade de dar aval à votação conduzida pelo governo de fato instalado após a deposição de Manuel Zelaya - cuja recondução ao poder continua a ser exigida pelo Brasil.

    "É lógico que (o Brasil) tenha uma atitude reticente, já que sua posição foi contrária ao pleito, mas voltará à razão na medida em que se dê conta da realidade", analisou o vencedor. "A realidade é que as eleições reforçam nossa democracia", prosseguiu. No dia em que foi proclamado o resultado, Lobo já havia afirmado sua disposição de "bater à porta" de Lula para estabelecer o diálogo com o governo brasileiro, que lidera na Organização dos Estados Americanos (OEA) o bloco, até aqui majoritário, dos países que fecham questão em não reconhecer a autoridade do presidente de fato, Roberto Micheletti, para realizar um processo eleitoral. "Não dá para fazer concessão a golpista", disse o presidente brasileiro à imprensa, na terça-feira, antes de deixar a Cúpula Ibero-Americana, realizada em Portugal, com destino à Ucrânia.

    Lobo foi diplomático com Lula, mas subiu o tom ao comentar a rejeição a seu mandato por parte do presidente venezuelano, Hugo Chávez, e o bloco aglutinado na Aliança Bolivariana para as Américas (Alba). "Ele que não intervenha em Honduras, porque não vamos permitir", advertiu. Chávez é apontado como mentor de Zelaya em sua manobra para tentar reformar a Constituição e disputar um segundo mandato. "Temos zelo pela nossa soberania e, assim como não interferimos em outros países, não queremos que outros interfiram no que acontece em Honduras".

    Congresso
    Os 128 deputados hondurenhos reuniram-se ontem no início da tarde para examinar a recondução de Zelaya ao poder, nos termos do acordo político avalizado pelo presidente da Costa Rica, Óscar Arias. O texto propõe o retorno à ordem constitucional prévia à deposição do presidente, em 28 de junho, mas não condiciona a isso a realização de eleições. Os deputados têm de tomar a decisão por maioria absoluta. Antes do Legislativo, a Corte Suprema de Justiça deu parecer negativo sobre a volta do presidente. O Judiciário acusa Zelaya de violar a Constituição e pretende levá-lo a  julgamento.



ENVIADO PELO MARTINHO

ACADÊMICOS AMESTRADOS PELA 'GRANDE' MÍDIA

Acadêmicos amestrados: os especialistas que a nossa mídia inventa

Se um marciano aterrissasse hoje no Brasil e se informasse pela Rede Globo e pelos três jornalões, seria difícil que nosso extra-terrestre escapasse da conclusão de que o maior filósofo brasileiro se chama Roberto Romano; que nosso grande cientista político é Bolívar Lamounier; que Marco Antonio Villa é o cume da historiografia nacional; que nossa maior antropóloga é Yvonne Maggie, e que o maior especialista em relações raciais é Demétrio Magnoli.

Trata-se de outro monólogo que a mídia nos impõe com graus inauditos de desfaçatez: a mitologia do especialista convocado para validar as posições da própria mídia. Curiosamente, são sempre os mesmos.

Se você for acadêmico e quiser espaço na mídia brasileira, o processo é simples. Basta lançar-se numa cruzada contra as cotas raciais, escrever platitudes demonstrando que o racismo no Brasil não existe, construir sofismas que concluam que a política externa do Itamaraty é um desastre, armar gráficos pseudocientíficos provando que o Bolsa Família inibe a geração de empregos. Estará garantido o espaço, ainda que, como acadêmico, o seu histórico na disciplina seja bastante modesto.

Mesmo pessoas bem informadas pensaram, durante os anos 90 [no governo FHC/PSDB/DEM], que o elogio ao neoliberalismo, à contenção do gasto público e à sanha privatizadora era uma unanimidade entre os economistas. Na economia, ao contrário das outras disciplinas, a mídia possuía um leque mais amplo de especialistas para avalizar sua ideologia. A força da voz dos especialistas foi considerável e criou um efeito de manada. Eles falavam em nome da racionalidade, da verdade científica, da inexorável matemática.

A verdade, evidentemente, é que essa unanimidade jamais existiu. De Maria da Conceição Tavares a Joseph Stiglitz, uma série de economistas com obra reconhecida no mundo apontou o beco sem saída das políticas de liquidação do patrimônio público. Chris Harman, economista britânico de formação marxista, previu o atual colapso do mercado financeiro na época em que os especialistas da mídia repetiam a mesma fórmula neoliberal e pontificavam sobre a “morte de Marx”. Foi ridicularizado como dinossauro e até hoje não ouviu qualquer pedido de desculpas dos papagaios da cantilena do FMI.

Há uma razão pela qual não uso aspas na palavra especialistas ou nos títulos dos acadêmicos amestrados da mídia. Villa é historiador mesmo, Maggie é antropóloga de verdade, o título de filósofo de Roberto Romano foi conquistado com méritos. Não acho válido usar com eles a desqualificação que eles usam com os demais.

No entanto, o fato indiscutível é que eles não são, nem de longe, os cumes das suas respectivas disciplinas no Brasil. Sua visibilidade foi conquistada a partir da própria mídia. Não é um reflexo de reconhecimento conquistado antes na universidade, a partir do qual os meios de comunicação os teriam buscado para opinar como autoridades. É um uso desonesto, feito pela mídia, da autoridade do diploma, convocado para validar uma opinião definida a priori.

É lamentável que um acadêmico, cujo primeiro compromisso deveria ser com a busca da verdade, se preste a esse jogo. O prêmio é a visibilidade que a mídia pode emprestar — cada vez menor, diga-se de passagem. O preço é altíssimo: a perda da credibilidade.

O Brasil possui filósofos reconhecidos mundialmente, mas Roberto Romano não é um deles. Visite, em qualquer país, um colóquio sobre a obra de Espinosa, pensador singular do século 17. É impensável que alguém ali não conheça Marilena Chauí, saudada nos quatro cantos do planeta pelo seu A Nervura do Real, obra de 941 páginas, acompanhada de outras 240 páginas de notas, que revoluciona a compreensão de Espinosa como filósofo da potência e da liberdade.

Uma vez, num congresso, apresentei a um filósofo holandês uma seleção das coisas ditas sobre Marilena na mídia brasileira, especialmente na revista Veja. Tive que mostrar arquivos .pdf para que o colega não me acusasse de mentiroso. Ele não conseguia entender como uma especialista desse quilate, admirada em todo o mundo, pudesse ser chamada de “vagabunda” pela revista semanal de maior circulação no seu próprio país.

Enquanto isso, Roberto Romano é apresentado como “o filósofo” pelo jornal O Globo, ao qual dá entrevistas em que acusa o blog da Petrobras de “terrorismo de Estado”. Terrorismo de Estado! Um blog! Está lá: O Globo, 10 de junho de 2009. Na época, matutei cá com meus botões: o que pensará uma vítima de terrorismo de Estado real — por exemplo, uma família palestina expulsa de seu lar, com o filho espancado por soldados israelenses — se lhe disséssemos que um filósofo qualifica como “terrorismo de Estado” a inauguração de um blog em que uma empresa pública reproduz as entrevistas com ela feitas pela mídia? É a esse triste papel que se prestam os acadêmicos amestrados, em troca de algumas migalhas de visibilidade.

A lambança mais patética aconteceu recentemente. Em artigo na Folha de S.Paulo, Marco Antonio Villa qualificava a política externa do Itamaraty de “trapalhadas” e chamava Celso Amorim de “líder estudantil” e “cavalo de troia de bufões latino-americanos”. Poucos dias depois, a respeitadíssima revista Foreign Policy — que não tem nada de esquerdista — apresentava o que era, segundo ela, a chave do sucesso da política externa do governo Lula: Celso Amorim, o “melhor chanceler do mundo”, nas palavras da própria revista. Nenhum contraponto a Villa jamais foi publicado pela Folha.

Poucos países possuem um acervo acadêmico tão qualificado sobre relações raciais como o Brasil. Na mídia, os “especialistas” sobre isso — agora sim, com aspas — são Yvonne Maggie, antropóloga que depois de um único livro decidiu fazer uma carreira baseada exclusivamente no combate às cotas, e Demétrio Magnoli, o inacreditável geógrafo que, a partir da inexistência biológica das raças, conclui que o racismo deve ser algum tipo de miragem que só existe na cabeça dos negros e dos petistas.

Por isso, caro leitor, ao ver algum veículo de mídia apresentar um especialista, não deixe de fazer as perguntas indispensáveis: quem é ele? Qual é o seu cacife na disciplina? Por que está ali? Quais serão os outros pontos de vista existentes na mesma disciplina? Quantas vezes esses pontos de vista foram contemplados pelo mesmo veículo?

No caso da mídia brasileira, as respostas a essas perguntas são verdadeiras vergonhas nacionais.

FONTE: escrito por Idelber Avelar, publicado na Fórum e postado no portal "Vermelho". O autor é Professor (PhD) do Dept. of Spanish and Portuguese na Tulane University, New Orleans, EUA.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Meias, Cuecas e Panettones


ENVIADO PELO ACELINO

Meias, cuecas, panetones (por Camila Fernandes)

Bolos de dinheiro vivo, guardados em bolsas, meias, cuecas. Comemorados com satisfação por políticos que, de quatro em quatro anos, aparecem na TV e prometem, prometem, prometem. A história vista agora no Mensalão do DEM, no Distrito Federal, parece até velha de tantas histórias parecidas que já vimos no nosso curtíssimo período democrático. E basta acontecer de novo para que se repitam também as velhas desculpas esfarrapadas, umas dizendo que ``não, as notas eram de empréstimos para pagar dívidas de campanha``, outras, ``não, eram para comprar panetones para os pobres``! O mais interessante desse caso é que mais do que apenas ligações telefônicas e testemunhas, provas comuns nesse tipo de situação, há imagens que mostram a entrega da propina. Imagens que chocam, gritam corrupção, e que instantaneamente, em tempos de Youtube e banda larga, viram hit de sucesso, podendo ser repetidas e repetidas até não se ter mais dúvida de que aquilo ali é sim desvio de verbas, corrupção, roubo, ou outro nome que se queira dar.

Mas ver é pouco. Sim, porque da mesma forma que as cenas de corrupção parecem velhas, as de impunidade também. Sinceramente, desconheço um político brasileiro que tenha sido condenado e que cumpra alguma pena por desvio de verbas públicas. Paulo Maluf é o que mais se aproximou dessa situação, mas ainda está lá, é deputado federal, tem garantidos perto de 20% da votação na capital paulista e é um cobiçado cabo eleitoral de quem quer que vá tentar a sorte em São Paulo. A maioria, assim como ele, não só não é punido como é premiado por novos cargos eletivos, sejam cargos majoritários ou proporcionais.

VOTO NÃO PUNE
Ah, dizem muitos, mas aí a culpa é do eleitor, que escolhe mal seus representantes: a maior punição desses políticos corruptos deve ser dada no voto, para que nunca mais voltem ao poder. Essa é uma posição interessante, que cobra responsabilidade ao eleitor, mas que considero insuficiente. Como a prática já demonstrou, as eleições são processos com uma dinâmica própria, nem sempre tão conectada a fatos que acontecem fora de sua circunscrição, ainda que os personagens sejam os mesmos. O que geralmente determina o resultado final de uma eleição são os fatos que acontecem nela, não em governos. Não são incomuns os governantes mal-avaliados que, durante a campanha, conseguem reverter a situação e se elegem até com facilidade. No caso de José Roberto Arruda (DEM), que está no centro das denúncias desse novo mensalão, eu não duvido que ele conseguiria se reeleger em 2010, caso seu partido e a Justiça não tomem qualquer providência para impedir sua candidatura - ainda mais que seu governo é hoje bem avaliado. Não que o eleitor tolere demais a corrupção ou que seja até mesmo conivente com ela: os valores que permeiam a decisão do voto são muito mais complexos, passam por demandas sociais mas também pessoais, e muitas vezes não coincidem com a ânsia dos veículos de comunicação.

Com isso em mente, mais do que nunca é necessário cobrar as instituições - o DEM, a Justiça Eleitoral, o Ministério Público Federal, a Justiça comum - a cumprir seu papel o mais rápido possível. Não é aceitável que diante de tantas provas fique tudo como está para depois ver o que o eleitor quer. Arruda e seu vice, Paulo Otávio, têm de ser expulsos do partido, para serem impedidos de concorrer em 2010, e os processos de impeachment contra eles devem ter seguimento célere e acima de tudo sério. Os deputados distritais envolvidos também não podem ser poupados e a cobrança popular que está sendo feita na Casa, com a invasão do plenário e tudo, tem mais é que prosseguir, para que os pouquíssimos que parecem não estar envolvidos no esquema não se acomodem com o passar do tempo e lutem com vontade para limpar o legislativo. Não dá para jogar só nas costas do voto toda a responsabilidade pelo controle democrático: as instituições estão aí também para garantir que o direito de escolha se dê sobre uma base limpa.



ENVIADO PELO MARTINHO

De Elio Gaspari:  Ai, se o meu panettone falasse....

É sempre a mesma história. Apanhado, o magano chantageia seus pares ameaçando contar o que sabe. O tempo passa, ele mede as consequências, sai de fininho, e restabelece-se a paz no andar de
cima. (Se for o caso, o DEM, ex-Arena, ex-PDS, ex-PFL, muda de nome.)

Em 2001, quando foi apanhado no episódio da violação do sigilo do painel eletrônico do Senado, José Roberto Arruda ameaçou contar o que sabia caso fosse deixado ao relento. À época ele era um quadro do PSDB e líder do governo de Fernando Henrique Cardoso no Senado.

Arruda recebeu a visita de dois grão-tucanos, renunciou ao mandato de senador, escapou da cassação e foi cuidar da vida.

Ah, se o Arruda falasse… Em 2001 ele poderia ter contado como se formaram as maiorias parlamentares do tucanato. Algumas, como a da reforma da previdência, nasceram da troca de favores, outras, como a que permitiu a reeleição dos presidentes, governadores e prefeitos, precisaram de mais alavancagem. É verdade que Arruda nunca soube tanto quanto o ministro Sérgio Motta, mas soube bastante.

A crise dos pacotes de dinheiro nas meias de um deputado, na cueca de um dono de jornal e na bolsa de uma educadora transformou Arruda num ativo tóxico. Ele e o senador Eduardo Azeredo, denunciado pelo caixa dois do tucanato mineiro, tornaram-se fiéis depositários do patrimônio de maus costumes da oposição. Às pizzas da nação petista, José Roberto Arruda contrapôs os panetones.

Arruda sabe que as versões apresentadas por seus advogados e pelos seus colegas são pouco mais que um exercício de escárnio. Esse foi um estilo consagrado pelos petistas quando criaram a figura dos "recursos não contabilizados". Quatro anos depois do estouro do mensalão, os companheiros estão protegidos, alguns com mandato, outros com posições na direção partidária, todos com acesso a gestores de fundos capazes de se comover com uma história de abandono.

Arruda, com as meias e as cuecas de seus aliados, é uma conta que deve ir para o DEM, respingando nos seus tradicionais parceiros do tucanato. Não é justo falar em mensalão numa hora dessas, mas a sorte pregou uma peça ao novo presidente do PT, o comissário José Eduardo Dutra.

No mesmo dia em que as bandalheiras de Brasília chegavam ao café da manhã da choldra, ele deu uma entrevista à repórter Vera Rosa e disse o seguinte: "Em toda eleição há o risco de você ter desvios, caixa dois. É inerente ao modelo." Dutra acha que essa inerência do modelo só será resolvida instituindo-se o financiamento público nas campanhas eleitorais. (Será que o companheiro acha que com financiamento público a rapaziada de Brasília estaria saciada?)

Em 2001 Arruda tinha a rota de fuga da renúncia. Agora essa porta perdeu a funcionalidade, pois, se for posto para fora do DEM, não participa da próxima eleição. Se o Ministério Público e a Polícia Federal conseguirem a colaboração de mais um ou dois deputados distritais, os doutores (inclusive Arruda) terão motivos para temer a cadeia.

O desembaraço dos mensaleiros de todos os partidos não será inibido por reformas políticas. A única coisa de que bandido tem algum medo é da cadeia. Esse nobre sentimento pode levar alguns sabiás a gorjear diante dos procuradores ou dos delegados.



sábado, 5 de dezembro de 2009

Desdisses

Amigos e amigas, transcrevo texto do Maurício Silva, um dos nossos no Grupo. Chargista do Jornal Diário do Nordeste, o cara é cobra. As charges da Coluna É...  do Neno Cavalcante, são dele. O Maurício, gentilmente, enviou o texto abaixo para compor o meu blog. No que aproveito para mandar meus sinceros agradecimentos. Abraços a todos, Franklin.

Desdisses  (Maurício Silva)

Tinha pra mim que  a classe política era campeã  no quesito desdizer.  Reza a cartilha deles que, dependendo das conveniências e vantagens, ontem era isso, hoje nada disso. Fui reprovado no Enem do gênero. Comprovadamente científico: nada supera os avanços da ciência na arte do desdizer .

Perdi  horas de sono fazendo palavras cruzadas, caçando um por um os sete erros do joguinho, exercitando meus neurônios para poder fugir do mal de Alzheimer até a ciência dar meia volta.  Esqueça tudo isto . A nova ordem é  parar de perder tempo e ir  já pra cama; dormir é que é bom para manter  a boa  forma dos neurônios.

A “marvada da pinga”, que no balanço de perdas e danos foi  líder absoluta em mazelas, resgata seu lado bom. Cientistas comprovaram que o uso – moderado -  da branquinha é bom para o coração, controla o stress e até promete uma vida mais longeva. Taí ratinhos hiper tensos que não deixam os pesquisadores mentir,  depois de algumas doses ficaram calminhos e viveram mais. Bota uma pro santo. ’ Umas  e outras ‘  funcionam como elemento agregador, promove uma desinibição prazerosa. A caninha é do bem, assim como hoje existem os vampiros do bem, o novo filão do cinema. Drácula em sua crepuscular existência tremeu no caixão com esta e deve ter dito “Isto é coisa de veado!”.

Em outras eras o velho Lula, não confundir com aquele que é presidente, defendeu em prosa, verso e no resfolego da sanfona,  os benefícios do ovo de codorna para combater aqueles problemas de quem já passou da flor da idade e não quer embaçar os brios do macho de raiz. Era uma promessa. Ficou só nisso. A ciência, afrontando a sabedoria popular, foi implacável e constatou, o ovinho levanta sim, mas os níveis de colesterol. O bom mesmo para a tal disfunção, é comer melancia.  A sumarenta  frutona,  nobre descendente da família das trepadeiras, é rica em um componente que está na fórmula do Viagra. Isto realmente fez subir .

A começar pelos  preços da melancia que disparou  em feiras e super mercados.

A nova descoberta da ciência é massa! Quem sabendo dessa não vai encarar um rodízio de mussarela, catupiry, portuguesa, calabresa, marguerita...  A pizza é boa para combater o câncer! Antes  que haja provas em contrário e tudo acabe em pizza, feito o Congresso Nacional, vamos digerir  esta tese com muito gosto, ketchup e maionese.

O café, talvez por, preconceitos à parte, ser escurinho foi logo taxado de malfeitor da saúde. Hoje em dia os catedráticos voltaram atrás e recomendam o pretinho para energizar, mente e corpo. Ah, moleque! Deu a volta por cima.

Fazer amor deixou de lado seu lado prazeroso para virar uma competição olímpica. É que catedráticos  chegaram a conclusão de que a pratica milenar era saudável para a próstata. Noves fora - não rendeu muita coisa a não ser uma boa desculpa para chegar tarde em casa: - ”Ora, querida, estava cuidando  da minha próstata!”. Pelo sim, pelo não, fazer amor não saiu da moda.

No ringue dos saudáveis prós e contras, manteiga e margarina ainda provocam desentendimento entre os estudiosos. Ora pontos para uma, ora pontos para outra.  A manteiga tem mais histórias pra contar,  é coisa de cinema, lembra-se do “O ÚltimoTango em Paris”, a margarina estreante, sem querer lambuzar o cenário, ainda não obteve seu trunfo cinematográfico.

Cientistas, olha eles aí de novo, descobriram que 1/3 dos dinossauros que aparecem em livros e museus nunca existiram. Só Deus sabe como foi difícil apagar da minhas crendices mais íntimas as figuras de Flash Gordon, Mandrake, Nyoka, a Rainha da Selva, Saci Pererê, Papai Noel... Meu Deus, detonaram o Tiranosssauro Rex, como vou superar agora o peso de um trauma de uma tonelada?

Desde a pedra lascada até chegar na novela das oito tudo está sendo revisitado e repaginado. Vovó já dizia quem não tem colírio usa óculos escuros, e mulher faz sexo por amor. Pelas minhas contas, até ontem a gente levava em conta que as mulheres faziam sexo por amor . Estava escrito no abededário do macho. Veio uns cientistas PHDs e foram fundo para deixar nossa natureza selvagem abalada. As mulheres vão para a cama embaladas  por nada menos de 237 incentivos. Haja quereres. Nem o Kama Sutra ousou criar tantas motivações. Mulheres poderosas, até Lula, não o rei do baião mas o rei da lorota, apostou todas as suas fichas numa mulher para perpetuar o lulismo verde amarelo.Sabe-se que ele não dá murro em ponta de faca desde que perdeu um dos dedos da mão.

Tá tudo explicado. Cientificamente, até que se prove em contrário.                                    

Pelo sim, pelo não estou fugindo da esteira, de pegar ferro  em academias. Decididamente não nasci com vocação para Schwarzenegger . Espero  lá pelas tantas, placidamente , após o infarto do ratinho Rambo , que cientistas descubram  que fazer exercícios faz um mal danado pra saúde.


A César o Que é de César

ENVIADO PELO Martinho Nunes da Costa

A César o que é de César
Por José Arbex Jr., jornalista e escritor*, na revista Caros Amigos

Quando comecei a ler o já famoso texto de César Benjamin: “Os filhos do Brasil”, publicado pelo jornal Folha de S. Paulo em 27 de novembro, fiquei orgulhoso de ser da esquerda. E mais ainda: de ter compartilhado com o autor do texto alguns momentos emocionantes de nossa luta comum, como o final da marcha do MST para Brasília, em 1997, quando me encontrei pessoalmente com ele, pela primeira vez. Os parágrafos iniciais do texto são primorosos. Muito bem escritos, compõem uma narrativa densa, sedutora, que vai criando no leitor uma vontade de querer saber mais sobre uma história que nunca foi contada direito: a história da ditadura militar, dos porões, das torturas, das prisões, dos seres humanos condenados à ignomínia. Benjamin soube retratar com grande humanidade os seus companheiros temporários de cela. Resgatou-lhes a história, a identidade, a face profundamente humana.
Mas aí, veio a facada, o golpe inesperado, a decepção, a tristeza profunda. Benjamin relatou, no mesmo texto, uma conversa supostamente mantida com Luís Inácio Lula da Silva, em São Paulo, em 1994, durante a campanha à Presidência do Brasil. Lula teria “confessado”, então, entre amigos, que, na prisão, tentou seduzir, sem sucesso, um militante de uma organização de esquerda. Benjamin faz uma comparação entre o assédio descrito por Lula e o temor que ele mesmo, Benjamin, sentiu, quando preso, de ser “currado” por outros detentos.
Não entendi nada. Li de novo, reli, tentei buscar alguma ironia oculta, algo que justificasse, no plano do próprio texto, o absolutamente injustificável paralelo entre estupradores que pululam nas prisões brasileiras – em geral, seres humanos reduzidos a condições quase completamente animalescas pelo próprio sistema carcerário, e/ou por uma vida anterior mergulhada na mais profunda miséria econômica, ideológica e afetiva – e Lula, que não estuprou ninguém, mas que, supostamente, comentou ter sentido o desejo de manter relações sexuais com um companheiro de cela que não cedeu aos seus desejos. Não quis acreditar que alguém dotado com os recursos intelectuais de Benjamin, adquiridos ao longo de sua longa história de luta pela liberdade e pela dignidade humana, pudesse cair em um pântano tão sórdido e profundo. Mas não encontrei nada no texto de Benjamin que permitisse uma interpretação positiva. Ou melhor: encontrei “o” nada: o vazio absoluto; vazio de sentido, o vazio da total falta de perspectivas, o vazio de um rancor desmedido.
(Antes de prosseguir, esclareço logo: não sou e nunca fui “lulista”; não sou mais, já fui petista; não simpatizo com a maioria das medidas de governo adotadas por Lula, e por isso sou totalmente favorável à crítica de esquerda ao seu governo. Mais precisamente, creio que Lula pode e deve ser criticado por aquilo que fez, mas acho muito estranho ele ser atacado por aquilo que NÃO praticou.)
Vamos agora considerar, por um segundo, que Lula realmente fez o que supostamente disse ter feito. Isto é, que em dado momento tentou seduzir – seduzir, note bem, não estuprar — o colega de cela. E daí? O que se pode concluir disso? Qual seria, nesse caso, o crime de Lula? O exercício, o desejo da homossexualidade? Estaremos, então, diante de um texto homofóbico?
Ainda segundo o próprio Benjamin, como já observado, Lula teria comentado o caso numa roda de amigos. Estamos, então, diante de um gravíssimo precedente, aberto pelo próprio Benjamin. De hoje em diante, todos teremos que suspeitar dos nossos amigos, teremos que nos policiar para que nossas palavras não sejam, eventualmente, atiradas contra nós por algum “traíra”, algum “dedo duro”, algum “cagueta”, algum Judas, algum oportunista que resolva tirar proveito de uma situação de cumplicidade. Revivemos, então, a era da delação (Premiada? Que o prêmio, no caso, teria sido pago a Benjamin?), a era da intriga, da fofoca, da futrica, da artimanha, da safadeza. Que vergonha! (Isso tudo me faz lembrar a famosa oração de Marco Antônio, no brilhante texto de Shakespeare: “Poderoso César, terás então descido a tão baixo nível?”).
Benjamin utilizou a imprensa dos patrões para atacar um expoente do movimento de esquerda do Brasil. Claro, claro, claro: sempre se pode alegar que Lula não é de esquerda, como ele mesmo já disse e como eu, pessoalmente, avalio. Mas há um abismo entre considerações de caráter individual, feitas por indivíduos privados e isolados, ou mesmo por grupos e seitas, e a realidade política concreta, historicamente determinada pela luta de classes. No contexto brasileiro, em que as alternativas concretas ao governo Lula (e à sua imagem refratada Dilma Rousseff) são figuras sinistras como as de José Serra e Aécio Neves, Lula surge como um expoente à esquerda do espectro político, com algumas conseqüências importantes para a luta de classes na América Latina: por exemplo, a condução exemplar do governo brasileiro no caso de Honduras (embora feiamente chamuscada pelo desastre no Haiti), a recusa em avalizar o acordo das bases militares estadunidenses com a Colômbia e a denúncia permanente do bloqueio de Cuba. Para não mencionar o fato de que a figura de Lula, malgré lui même, inspira movimentos de resistência ao capital em todo o mundo. Disso não se conclui, automaticamente, que a esquerda deva, necessariamente, apoiar o governo Lula, ou mesmo apostar na eleição de Dilma. Ao contrário, deve aproveitar as contradições, os paradoxos e as ambigüidades para fortalecer o seu próprio campo. Mas Benjamin preferiu fortalecer as correntes representadas pelo jornal dos campos Elíseos.
Não por acaso, a Folha de S. Paulo cedeu o espaço todo pedido por Benjamin. Cederia mais, se necessário fosse. Benjamin conhece a teoria marxista e sabe, com Gramsci, que a mídia dos patrões é o verdadeiro organizador coletivo, é o grande partido do capital. Triste é o fato de ele ter arregaçado as mangas para trabalhar por tal partido. E pior: Benjamin sabe que o falso paralelo que tentou traçar entre os predadores das prisões da ditadura e o prisioneiro Lula seria muito mais verdadeiro se, no lugar de Lula, ele colocasse os donos dos jornais para os quais hoje escreve.
Todo o encanto produzido pelos primeiros parágrafos do texto de César Benjamin foi transformado em fel a partir do momento em que se instaurou a delação, o oportunismo, o absurdo. Lula não estuprou o seu companheiro de cela, mas Benjamin violentou, com alto grau de sadomasoquismo, a própria consciência e uma história repleta de glórias. Requiescate in pace.
*José Arbex Jr. é autor do excelente livro “Showrnalismo – a notícia como espetáculo”, dentre outros.



ENVIADO PELO MARTINHO NUNES DA COSTA

SAI O FILME SOBRE LULA E CÈSAR BENJAMIM ENTRA EM DESESPERO...
Observe a causa alegada por César Benjamim (vide abaixo)  da perfídia expelida contra Lula em artigo anterior: "o motivo é o filme (Lula - O Filho do Brasil), o contexto que o cerca e o que ele sinaliza". Uma explicação simplória para um escrito viperino derramado de uma mente em oposição raivosa, talvez dominada por sua própria teoria da conspiração. A interpretação dada por ele aos motivos desse filme é a de que Lula estaria tentando catapultar-se a algum tipo de poder absoluto, justamente quando este se prepara, da forma mansa e pacífica que lhe é peculiar, para entregar o cargo de presidente ao término de 2010.
Fala o articulista em   "concentração pessoal do poder, (e) (n)a calculada construção do culto à personalidade...". (E que)" Em outros contextos históricos isso deu em fascismo". Estaríamos, portanto, dado o pesadelo sonhado pelo sr. Benjamim, em vias de ser ameaçados por um novo Mussolini!
Ora, a característica que mais se destaca em Lula  na refrega política, no âmbito interno ou externo, é a sua facilidade de dialogar como hábil negociador nato. Este dom o tem levado a conseguir e a manter uma cordialidade inusitada com todos os chefes de Estado com quem se relacionou até agora. E têm sido muitos, a ponto de alguém de importância já ter dito, tempos atrás, em sinal de admiração e aprovação: "Qual seria o chefe de Estado a ter, como Lula, a capaciade de manter ao mesmo tempo relações amistosas com Bush filho e Hugo Chavez?".
Tanto Lula como o seu governo têm os seus erros e defeitos. E o Brasil encontra-se longe de oferecer condições de vida digna a uma grande parcela da sua população. Mas justamente quando aparece um presidente que inicia uma política de redistribuição de renda em busca de um começo de justiça social abrangente, passa ele a ser combatido até com insinuação de representar uma possível ameaça fascista. Fascistas são os argumentos enganadores do sr. Benjamim, que talvez esteja tentando, a exemplo de Goebbels, repetir mentiras, à exaustão, na busca de transformá-las em verdades (Goebells dizia: "Uma mentira repetida cem vezes torna-se verdade).
Já se desgastaram acusações como as de que Lula ambicionaria um terceiro mandato, estaria procurando reestatizar empresas, seria o chefe de um governo assistencialista. Mas logo a história fez justiça. Analistas nacionais e internacionais constataram que o principal sustentáculo da estabilidade da economia brasileira diante da presente crise mundial, está sendo a Classe C emergida da pobreza pelo governo Lula.
Entretanto, à moda de um fantasmagórico êmulo do corvo Carlos Lacerda, adverte-nos esse sr. Benjamim contra "o loteamento de cargos públicos (que) enfraqueceu o Estado... (e que) a generalização do fisiologismo demoliu o Congresso Nacional. Não existem mais partidos...". Só faltou ele responsabilizar Lula pela Guerra de Canudos; e por ter aliciado chefes de Estado estrangeiros com o objetivo de receber deles os mais diversos elogios e deferências, nunca antes dispensados a qualquer dos nossos outros governantes. 
A propósito, vem a calhar a publicação de reportagem, hoje (04/12/2009), no Diário do Nordeste sob a manchete: "Lula é recebido como estrela". A matéria mostra o presidente brasileiro sendo recebido pelo chefe de governo alemão Horst Koehler, numa "Berlim enfeitada com bandeiras do Brasil". Registra outrossim o Diário: Lula "foi recebido, ontem, na Alemanha como um 'superstar', afirmou o jornal 'Suddeutsche Zeitung', um dos mais respeitados do país... O jornal é a melhor tradução da badalação em torno do presidente na Alemanha. Na reportagem... o presidente é citado como o homem que conduziu o país ao sucesso. A publicação lembra que o Brasil deve se tornar em curto prazo a quinta maior economia do mundo... ainda fala dos programas sociais, a 'pitada de Estado e de nacionalismo' que o presidente imprimiu a seu governo e opina:  'Nenhum outro chefe de Estado oscila com tanta facilidade entre favela e Wall Street como Lula...'. Até a sempre sisuda chanceler Angela Merkel (que já passou um pito até em Sarkozy) deu demonstrações públicas de afeto... e afirmou:  'Acho que posso dizer que somos amigos'."
E Lula, ao lado de Angela Merkel, até mesmo deu uma demonstração de ter encarado a soberania do Brasil, bem como o diálogo justo e respeitoso entre as nações como uma profissão de fé, ao dizer: "só quem não possui armas nucleares tem autoridade moral para exigir de outros países que se abstenham de produzi-las" (esta foi a mensagem, em outras palavras), não sem antes exortar EUA e Rússia a desmantelarem os respectivos arsenais nucleares. Ao ler tudo isso, tanto o sr. Benjamim como os seus patronos da Folha de S.Paulo devem ter ficado apopléticos! Martinho Nunes da Costa



O desespero da Folha é pior do que a mente de Benjamim

Cesar Benjamim é uma mente doentia. Alguém que inventa histórias e constrói tramas para desqualificar aqueles com os quais por muitas vezes teve longo relacionamento.

Para quem não se lembra, esse é o sujeito que “denunciou” Emir Sader quando a editora dele não foi escolhida para fazer um trabalho que o sociólogo coordenava.

Era amigo de Sader por muito tempo, mas como seus interesses comerciais não foram atingidos, decidiu acusá-lo publicamente de corrupto.

Este Cesar Benjamim também é o mesmo que trabalhou no programa de governo de Garotinho quando imaginava que aquele poderia ser o candidato do PMDB à presidência da República.

Era um dos “cérebros” do ex-governador na construção de um programa nacionalista.

Mas como a candidatura do ex-governador não emplacou pelo PMDB, este mesmo Cesar Benjamim se filiou ao PSol e saiu candidato à vice-presidência da República na chapa de Heloísa Helena.

Provavelmente porque passou a achar que Garotinho não era mais o caminho a verdade e a vida. Mas sim HH.

Não foi só do PT, partido ao qual foi filiado, que saiu atirando. Também tretou com Garotinho e com o PSol. Benjamim não é só craque em produzir inimigos. É especialista em delação pública sem provas.

Se alguém com um currículo desses procurasse seu jornal para denunciar o presidente da República de ter tentado enrabar (vamos usar o português claro) um jovem nos dias em que era preso político, o que você faria? Publicaria o artigo?

E se essa mente doentia ainda citasse nominalmente uma única pessoa como testemunha, o que você faria? Não ouviria a testemunha e publicaria o artigo?

Cesar Benjamim é uma pessoa sem caráter, um psicopata da política. Pessoas assim existem. E vivem buscando jornais para acusar seus adversários. Jornais, em geral, as ignoram.

Por isso, neste episódio, o que mais me assusta é ver a Folha valer-se de uma mente insana para tentar atingir a reputação de alguém a quem se contrapõe politicamente.

Se a direção deste jornal considera isso válido para atingir seus objetivos, por que não sustentaria um golpe para derrotar esses mesmos adversários políticos?

A iminente derrota da oposição em 2010 e a falta de perspectiva política desse grupo nos próximos anos estão levando a uma radicalização midiática que não é só nojenta. É preocupante.

É bom os partidos da base do governo ficarem atentos a isso.


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O Forró Atual

ARIANO SUASSUNA E O FORRÓ ATUAL

'Tem rapariga aí? Se tem, levante a mão!'. A maioria, as moças, levanta a mão. Diante de uma platéia de milhares de pessoas, quase todas muito jovens, pelo menos um terço de adolescentes, o vocalista da banda que se diz de forró utiliza uma de suas palavras prediletas (dele só não, de todas bandas do gênero). As outras são 'gaia', 'cabaré', e bebida em geral, com ênfase na cachaça. Esta cena aconteceu no ano passado, numa das cidades de destaque do agreste (mas se repete em qualquer uma onde estas bandas se apresentam). Nos anos 70, e provavelmente ainda nos anos 80, o vocalista teria dificuldades em deixar a cidade.

Pra uma matéria que escrevi no São João passado baixei algumas músicas bem representativas destas bandas. Não vou nem citar letras, porque este jornal é visto por leitores virtuais de família. Mas me arrisco a dizer alguns títulos, vamos lá:


 
Calcinha no chão (Caviar com Rapadura),
Zé Priquito (Duquinha),
Fiel à putaria (Felipão Forró Moral),
Chefe do puteiro (Aviões do forró),
Mulher roleira (Saia Rodada),
Mulher roleira a resposta (Forró Real),
Chico Rola (Bonde do Forró),
Banho de língua (Solteirões do Forró),
Vou dá-lhe de cano de ferro (Forró Chacal),
Dinheiro na mão, calcinha no chão (Saia Rodada),
Sou viciado em putaria (Ferro na Boneca),
Abre as pernas e dê uma sentadinha (Gaviões do forró),
Tapa na cara, puxão no cabelo (Swing do forró).
 
Esta é uma pequeníssima lista do repertório das bandas.

Porém o culpado desta 'desculhambação' não é culpa exatamente das bandas, ou dos empresários que as financiam, já que na grande parte delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que investe no grupo. O buraco é mais embaixo. E aí faço um paralelo com o turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia, quando o país estava esfacelando-se. Dilacerado por guerras étnicas, em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental. As estrelas da turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das bandas de 'forró', parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam muito cedo, as saias e shortes começavam muito tarde. Numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, o diretor do Centro de Estudos alternativos de Belgrado, Milan Nikolic, afirmou, em 2003, que o regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e relevou o primitivismo estético. Pior, o glamour, a facilidade estética, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia, que, por sua vez, dominava o governo.

Aqui o que se autodenomina 'forró estilizado' continua de vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno lamentável, e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade, com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas) pergunta se tem 'rapariga na platéia', alguma coisa está fora de ordem. Quando canta uma canção (canção?!!!) que tem como tema uma transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é: 'É vou dá-lhe de cano de ferro/e toma cano de ferro!', alguma coisa está muito doente. Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos.

Ariano Suassuna

Observação:
O secretário de cultura Ariano Suassuna foi bastante criticado, numa aula-espetáculo, no ano passado, por ter malhado uma música da Banda Calypso, que ele achava (deve continuar achando, claro) de mau gosto. Vai daí que mostraram a ele algumas letras das bandas de 'forró', e Ariano exclamou: 'Eita que é pior do que eu pensava'. Do que ele, e muito mais gente jamais imaginou.

Realmente, alguma coisa está muito errada com esse nosso país, quando se levanta a mão pra se vangloriar que é rapariga, cachaceiro, que gosta de puteiro, ou quando uma mulher canta 'sou sua cachorrinha'. Aonde vamos parar? Como podemos querer pessoas sérias, competentes? E não pensem que uma coisa não tem a ver com a outra não, pq tem e muito! E como as mulheres querem respeito como havia antigamente? Se hoje elas pedem 'ferro', 'quero logo 3', 'lapada na rachada'? Os homens vão e atendem. Vamos passar essa mensagem adiante, as pessoas não podem continuar gritando e vibrando por serem putas e raparigueiros não. Reflitam bem sobre isso, eu sei que gosto é gosto... Mas, pensem direitinho se querem continuar gostando desse tipo de 'forró' ou qualquer outro tipo de ruído, ou se querem ser alguém de respeito na vida!
 
Que geração é essa? Cadê os valores e os bons costumes da família brasileira? Onde vamos parar? Vamos continuar aceitando o caos como normal? Reflita sobre isso com muito cuidado.

O DEMSALÃO

ENVIADO PELO CLÁUDIO PEREIRA

Brasília tem duas faces. De um lado, a “bolha”, onde moram o presidente da República, os ministros, os parlamentares, os embaixadores estrangeiros, os ministros de tribunais superiores, os jornalistas e a elite do funcionalismo público e da cidade.

É um mundo de excelente qualidade de vida.
Casas ou mansões à beira do Paranoá, amplos apartamentos nas quadras mais nobres do Plano Piloto.
A outra face é governada pelo GDF. Um povo trabalhador, que paga seus impostos, mora longe do Plano Piloto, muitas vezes nas cidades-satélites.
A condução é escassa, a violência é grande, as invasões de terrenos são frequentes, muitas vezes estimuladas por políticos inescrupulosos.
A “bolha” atrai as atenções de jornalistas e analistas políticos e econômicos. Mas quase ninguém presta atenção ao GDF. (Washington também é assim. Existe a “bolha”, com tudo o que há de bom, e a prefeitura do D.C., eternamente envolvida com políticos populistas e corruptos. Volta e meia um prefeito é apanhado fazendo o que não deve, seja com prostitutas, seja cheirando crack, seja com a boca na botija da corrupção mais deslavada.)
Desde que conseguiu a emancipação política e passou a eleger seus governadores, Brasília não teve muita sorte. Com a honrosa exceção de Cristóvam Buarque, o GDF ficou entregue a Joaquim Roriz, que foi governador por quatro mandatos.
Nomeado por José Sarney em 1987, Roriz foi eleito em 1990, em 1998 e em 2002, graças a políticas clientelistas, que incluíam estímulo a invasões de áreas à beira do lago Paranoá.
Eleito em 2006 para o Senado, Roriz envolveu-se num rumoroso caso de corrupção – uma estranhíssima compra de bezerras – e renunciou para não ser cassado.
Seu suplente, Gim Argello, também envolvido no mesmo caso, não foi nem advertido. Hoje é vice-líder do governo e o mais próximo conselheiro político da ministra Dilma Rousseff.
Ah, é também candidato a governador em 2010.
José Roberto Arruda foi um dos senadores mais poderosos durante o governo Fernando Henrique. Líder do governo na casa, mandava e desmandava no Senado, de súcia com o então presidente da casa, senador Antonio Carlos Magalhães.
Em 2001, associou-se a ACM para fraudar o painel do Senado, no caso da votação secreta que cassou o mandato do senador Luís Estêvão. Apanhado, negou. Da tribuna, fez patético discurso.
Ninguém acreditou. Em lance de puro cálculo político, voltou à tribuna, chorou, reconheceu sua participação na fraude. Pediu desculpas. E tratou de renunciar rapidinho, para não ser cassado.
Saiu do PSDB, ingressou no PFL e desapareceu. E aí começou tudo de novo.  Em 2002 foi eleito deputado federal. Em 2006 rompeu com Joaquim Roriz, de quem era cria, e elegeu-se governador do Distrito Federal, no DEM (o PFL depois da plástica). De Roriz herdou não apenas o governo, mas as práticas.
O mensalão do DEM (ou DEMsalão, como já está sendo chamado) teria começado ainda no governo Roriz, de quem o denunciante, Durval Barbosa foi secretário.
As denúncias atingem tudo e todos. Do governador e o vice, a deputados distritais, secretários e, parece, gente do Judiciário.
Claro que o governador deu declarações negando tudo. Mas o estrago já foi feito. Na reunião com a cúpula do DEM, Arruda ameaçou contar para todo mundo que o DEMsalão do Planalto Central foi utilizado também para ajudar outros diretórios do partido.
Com isso, o DEM rachou. De um lado, pressionaram pelo desligamento de Arruda os senadores José Agripino (RN) e Demóstenes Torres (GO), além do deputado Ronaldo Caiado (GO), líder do partido na Câmara.
Mas o senador Adelmir Santana (DF), suplente do vice-governador Paulo Octávio (também envolvido no escândalo), o deputado ACM Neto (BA) e, pasmem, até o próprio presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia, querem proteger o governador Arruda.
E os tucanos, como estão se comportando no episódio?
Afinal, o projeto estratégico da aliança PSDB-DEM era transformar Brasília num imenso canteiro de obras, fazer da capital uma cidade-modelo, aumentar ainda mais a enorme popularidade do governador Arruda e consolidar a aliança. Serra para presidente e Arruda para vice.  E agora?
Até agora, os tucanos estão em silêncio.
E o governador José Serra, não tem nada a dizer?
E assim, um escândalo local se transforma em escândalo nacional.
A coisa promete.


Texto do Tostão

O texto abaixo foi escrito por TOSTÃO, ex-jogador de futebol, comentarista esportivo, escritor e médico, e foi publicado em vários jornais do Brasil.

"Na semana passada, ao chegar de férias, soube, sem ainda saber detalhes, que o governo federal vai premiar, com um pouco mais de R$ 400 mil, cada um dos campeões do mundo, pelo Brasil, em todas as Copas.

Não há razão para isso. Podem tirar meu nome da lista, mesmo sabendo que preciso trabalhar durante anos para ganhar essa quantia.

O governo não pode distribuir dinheiro público. Se fosse assim, os campeões de outros esportes teriam o mesmo direito. E os atletas que não foram campeões do mundo, mas que lutaram da mesma forma? Além disso, todos os campeões foram premiados pelos títulos. Após a Copa de 1970, recebemos um bom dinheiro, de acordo com os valores de referência da época..

O que precisa ser feito pelo governo, CBF e clubes por onde atuaram esses atletas é ajudar os que passam por grandes dificuldades, além de criar e aprimorar leis de proteção aos jogadores e suas famílias, como pensões e aposentadorias.

É necessário ainda preparar os atletas em atividade para o futuro, para terem condições técnicas e emocionais de exercer outras atividades.

A vida é curta, e a dos atletas, mais ainda.

Alguns vão lembrar e criticar que recebi, junto com os campeões de 1970, um carro Fusca da prefeitura de São Paulo. Na época, o prefeito era Paulo Maluf. Se tivesse a consciência que tenho hoje, não aceitaria.

Tinha 23 anos, estava eufórico e achava que era uma grande homenagem.

Ainda bem que a justiça obrigou o prefeito a devolver aos cofres públicos, com o próprio dinheiro, o valor para a compra dos carros.

Não foi o único erro que cometi na vida. Sou apenas um cidadão que tenta ser justo e correto. É minha obrigação.”    Tostão



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Migalhas
Politica & Economia na Real (Francisco Petros e José Marcio Mendonça)

Dubai é novidade ?

O Emirado de Dubai construiu uma daquelas histórias que se tornam manchete de quase todos os jornais do mundo, mas que de fato não é um acontecimento inesperado. Aquele pedaço minúsculo de terra representa, como nenhum outro, o perfil especulativo do mercado mundial nas últimas duas décadas. Por lá, foram construídos inúmeros empreendimentos imobiliários, desde escritórios em prédios monumentais até mansões enormes doadas a personalidades públicas para promover a atração de recursos de investidores mundo afora. Ah ! Tem ainda o turismo, mesmo que lá somente existam terras inférteis e prédios de arquitetura arrojada que se desfraldam sob os olhos dos mais desavisados. Dez entre dez investidores bem informados já sabiam que aquele Emirado do Golfo Pérsico tinha lá seus problemas, velhos problemas : investiu largamente em maravilhas do mundo baseado na crença de que os preços do petróleo iriam ficar eternamente ao redor de US$ 150. Hoje estão pela metade. Talvez o mesmo percentual do valor de face das dívidas do país e do setor privado que lá despejou bilhões de dólares.

E agora ?

O que os empreendedores (especuladores) de Dubai querem é evitar um default formal da sua dívida de US$ 60 bi. Se fossem argentinos, os árabes que comandam o pedaço já teriam mandado não apenas recados, mas um plano de redução da dívida começando com uma moratória. Talvez isto não ocorra, mas os fatos são os mesmos. O mais provável é que aquele pessoal (o mesmo pessoal !) da City e de Wall Street que emprestou bilhões de forma irresponsável cobre umas comissões a mais (bem generosas) e refaça os planos de pagamento em termos de prazos e, quiçá, em termos de valor. Por que crer nisto ? Por uma razão simples : apesar dos problemas de caixa do emirado, não houve uma venda massiva de títulos da principal empresa estatal do país : o prêmio de risco - spread - subiu de 116 pontos (ou seja, 1,16% acima do que pagam os títulos do tesouro norte-americano) para algo ao redor de 434 pontos. Um nível muito alto, mas nada que se aproxime dos níveis do default argentino durante o governo Kirchner (tratamos do marido, no caso). Portanto, uma moratória clássica pode até ocorrer, mas ainda não é o mais provável de acontecer.