quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A gRoubo Pode Ficar Tranquila Quanto ao Golpe Militar

Casemiro Silva
Nesse momento desesperador que estamos vivendo, isso não passa de uma piada de mau gosto. Quem dá um golpe no Brasil é o Grande Capital e não vai ter pra mais ninguém. Quem tá mandando nesta merda aqui, depois de uma presidenta eleita pelo povo deposta e das instituições derrubadas ao chão, chama-se Estados Unidos da América, pelas mãos de uma milícia de mercenários, assassinos e traficantes como Cunha, Aécio e Temer, que se escondem atrás do terninho, da gravata, das grades ou das Organizações Globo. Uma milícia que está entregando direitinho tudo o que eles querem: do nosso programa nuclear à Amazônia, do desmonte do Estado ao açoite do trabalhador e a volta da miséria e da humilhação do nosso povo. Um bando que, como moleques traficantes que não tem ma nada a perder, pegam em armas, tatuam o nome do chefe no ombro, metem a mão na lama, se lançando de forma suicida pra fazer a alegria do patrão $$$$.
A Miriam Leitão pode ficar descansada, o Pedro Bial pode fazer afago no General Villas Boas que até eles estão completamente desmoralizados e não prestam nem pra cumprir o seu papel de defender a soberania, qto mais pra dar um golpe nos golpistas que aí estão (pra Globo bater continência já no dia seguinte) . Esse golpe é da direita principal ligada ao capital financeiro e ninguém tasca. Um golpe que foi dado com a ajuda da direita conservadora, que já foi dispensada dos holofotes e hoje não apita é quase nada (a não ser qdo o MBL dá mais um chiliquezinho contra a causa LGBT). Um Golpe com G maiúsculo que se sustenta no condomínio "direita liberal-neodireita 2013" com seu apoio incondicional à Operação Lava-Jato. Esse golpe é o golpe da prisão do Almirante Othon, responsável pelo programa nuclear brasileiro, a quase 50 anos de cadeia, pelas mãos do mesmo juiz que recebeu apoio de Caetano, Freixo, Molon e do grupo "Vem pra Rua", em ato no Rio de Janeiro.
Está aí, precisa dizer mais alguma coisa? Só há uma maneira de derrubar esse golpe, e essa maneira é com toda a esquerda, os movimentos sociais e sindicais levantarem os trabalhadores e deserdados sociais, plantarem em Brasília pra botar esses filhos da puta pra correr! Fora disso, Lula vai ser preso, 2018 vai pra putaquiupariu e o que estamos vivendo hoje já podemos considerar o início de uma ditadura ainda pior do que imagina essa classe mediazinha burguesa que se treme na base só de ver um militar sentado no sofá da Globo.

Patifes, Porém Blindados

PATIFES, PORÉM BLINDADOS
Déficit recorde escancara fracasso da política econômica de Meirelles e Goldfajn. Mas cobiça da elite empresarial os sustenta — e mídia silencia
Por Paulo Kliass, em Carta Maior
As últimas semanas têm sido marcadas por um verdadeiro movimento de vai-e-vem nas declarações oficiais relativas ao imbróglio fiscal que avassala nosso País. Porém, é forçoso reconhecer que essa onda de hesitação em assumir o inevitável é bastante compreensível. Afinal, a narrativa dos defensores do financismo sempre assegurou amplamente que a solução era simples. Bastaria tirar a Dilma para que todas as dificuldades se transformassem em oportunidades para o retorno de nossa economia a uma suposta normalidade.
A evolução da conjuntura, no entanto, tem demonstrado exatamente o oposto. Temer tem sido devorado por sua própria voracidade, condimentada por uma boa dose de mentira e de oportunismo. Afinal, o principal argumento utilizado pela turma do financismo contra Dilma havia sido sua suposta irresponsabilidade fiscal. A consolidação do golpeachment trouxe para o centro da equipe econômica uma dupla autêntica em sua capacidade de bem representar os interesses do sistema financeiro. Ocorre que Henrique Meirelles & Ilan Goldfajn deveriam estar à frente do ministério da Fazenda e do Banco Central para representar os interesses da população e não a sanha arrebatadora dos banqueiros.
Mas o fato é que a opção que os dois sugeriram ao vice-Presidente eleito em 2014 foi exatamente na direção oposta do que a maioria havia escolhido nas urnas. Assim, recomendaram levar ao extremo a opção equivocada que Dilma já havia ensaiado meses antes, quando nomeou Joaquim Levy para o comando de sua equipe econômica. Dominados pela lógica neoliberal e conservadora da “contração expansiva”, fizeram crer a todos que a restauração estaria ali, logo mais à frente na esquina. Bastaria um pouco de competência técnica e força de vontade para superar os problemas causados pela execrada “nova matriz econômica”. Equívoco imenso. O aprofundamento do desastre estava a caminho, sem nenhum obstáculo à vista.
O austericídio e a pinguela
A receita do austericídio foi o principal fator para o estrangulamento das dificuldades na esfera fiscal. Isso porque, ao contrário do que papagueiam os colunistas a serviço do financismo, não houve explosão alguma das despesas da União. A recessão e o desemprego — aliás, diga-se de passagem, mui estimulados pela ortodoxia como solução para a crise — é que provocaram a brutal queda na arrecadação tributária. Com a queda nas receitas do Tesouro Nacional, torna-se inescapável a ampliação do déficit na apuração do resultado na contabilidade pública.
E assim tem sido desde 2015, quando a perda sucessiva e continuada de receitas tem provocado uma piora no resultado fiscal do governo federal. Confirma-se a imagem da pinguela rumo ao passado, balangando perigosamente sobre o precipício. Ora, é sabido que a retórica liberalóide acentua de forma monocórdica um sentimento contra o excesso de gastos públicos e se posiciona raivosamente contra qualquer tentativa de se recorrer ao aumento de impostos. Assim, a única solução para os executores da cabeça de planilha é martelar com a insanidade do corte de despesas orçamentárias a qualquer custo.
No ano passado, Meirelles dizia cheio de coragem e ousadia que o déficit primário de 2017 seria menor do que os R$ 159 bilhões apurados em 2016. Afinal, aqueles números ainda estariam seriamente comprometidos pelo desastre da equipe anterior. Daqui prá frente tudo vai ser diferente! E sua equipe chuta um déficit de R$ 139 bi para o ano em que estamos. No entanto, como faltou combinar o jogo com a fadinha das expectativas, a cada dia que passava a situação da economia piorava e as contas públicas iam pelo mesmo caminho. A orientação de “cortar e cortar e cortar” nas despesas orçamentárias tem se revelado implacável e os efeitos têm sido sentidos pela maioria da população na ponta do atendimento. Assistimos de forma passiva ao drama do serviço público sendo destruído de forma criminosa e irresponsável.
Mexer na meta: traição ao financismo
Um dos muitos problemas de Temer é que a conta não vai fechar de acordo com a enganação patrocinada em torno da “indiscutível competência” do “time dos sonhos da economia”. Não haverá conciliação possível entre o idealismo financista que lhe deu suporte até o momento e o pragmatismo negocial que opera no interior de sua base aliada no Congresso Nacional. Meirelles foi obrigado a jogar a toalha e reconhecer que não vai cumprir a meta fiscal que havia prometido. Oh, santo pecado!
O estelionato golpeachmental é um fato. Agora se trata de discutir tão somente o valor da lorota. Para usar a terminologia que deu base à retirada de Dilma, Meirelles estaria patrocinando uma autêntica pedalada fiscal. Nem mais, nem menos. A diferença reside tão somente no tratamento cortês e compreensivo com que é afagado pelos colunistas de plantão, sempre tão bem adestrados no conservadorismo da ortodoxia. “Coitadinho, ele bem que tentou”. “Mas também, esse nosso sistema político é muito chantagista”. “Esses deputados é que não deixam o cara trabalhar direito!”. E por aí vai.
As tentativas desesperadas de obter receitas por vias não tributárias deram com os burros n’água. Os vários anúncios de novos leilões de concessão e privatização de serviços públicos têm esbarrado em dúvidas e falta de interesse por parte dos principais grupos participantes. As receitas obtidas foram irrisórias. As iniciativas escandalosas de perdoar os crimes bilionários da evasão fiscal tampouco lograram atrair os recursos sonegados criminosamente e mantidos no exterior. Aqui também os ingressos auferidos pelo Tesouro Nacional revelaram-se inexpressivos.
Por outro lado, a Medida Provisória da renegociação das dívidas por sonegação abriu a porteira para que os bilhões de reais esperados fossem transformados em alguns poucos milhões. Os representantes dos interesses do capital no Congresso Nacional chegaram a incluir emendas reduzindo em 99% o valor das dividas das empresas para com o fisco, em troco de alguns poucos recursos de pagamento à vista, para que o governo tenha algum dinheiro entrando no caixa até dezembro. Uma loucura!
Fisiologismo pragmático ou financismo purista?
De tanto condenar de foram apriorística o uso da política tributária para compensar esses momentos de dificuldade nas finanças públicas, o governo vê-se agora amarrado na armadilha que seus apoiadores sempre criaram no passado. Menos Estado! Impostômetro! São essas as palavras de ordem da insanidade que permeia nossas classes dominantes, a ponto de aceitarem passivamente a alternativa do desmonte das conquistas incluídas na Constituição desde 1988. E seguimos mantendo inalterado o modelo regressivo de nossa estrutura tributária. Isso significa não tocar na carga maior de impostos que incide sobre a população de menor renda e nem se atrever a pensar em tributar lucros e dividendos, heranças, grandes fortunas, movimentação financeira ou exportação de “commodities”.
Enquanto escrevo este artigo, o núcleo duro do governo deve estar afinando, pela enésima vez, o discurso oficial a respeito de qual será a nova meta para 2017 e para 2018. Por inúmeras ocasiões o anúncio oficial foi frustrado. A divergência não reside apenas no número mágico a ser anunciado. Manter os R$ 159 bi do ano anterior? Aumentar um “pouquinho” mais para R$ 169 ou R$ 170 bi? Na verdade, pouco importa. Na lógica dos operadores do mercado financeiro, tudo isso já estava “precificado” há muito tempo. Afinal, qualquer pessoa que acompanha um pouco a evolução da economia sabia que o “estouro” da meta seria inevitável.
O ponto é saber se a lógica do “animal político” vai se impor à lógica do “animal liberal”. Essa é a verdadeira disputa entre o núcleo da cozinha do Palácio do Planalto e os puristas da área econômica. Uma base aliada prestes a se rebelar contra Temer em compasso de espera pela nova denúncia ser apresentada por Janot. Uma sopa de letrinhas do fisiologismo ávida por recursos e cargos para atravessar com certa tranquilidade o período difícil que nos separa do pleito do ano que vem. Afinal, carregar nas costas um governo impopular e arriscar a não reeleição merece algum tipo de prêmio de consolação. E convenhamos que esse cálculo não é lá muito difícil de ser feito.
Assim, desse ponto de vista, o mais “recomendado” seria jogar uma meta de déficit ainda mais frouxa, para que o governo continue podendo atender às demandas gastadoras de quem está de olho única e exclusivamente no resultado das urnas em outubro de 2018. Nada de preocupação com um modelo de superação da crise, com a recuperação do protagonismo do Estado na busca de políticas públicas anticíclicas e estimuladoras da retomada do crescimento da atividade econômica. O fisiologismo pragmático prefere o gasto fácil e rápido, aquele que rende votos no curto prazo e facilita a montagem de palanques pelo país afora. O político profissional do baixo clero raciocina por uma lógica que é a que menos contribui para sairmos da crise. Ou seja, ele exige do Executivo exatamente o oposto do que o Brasil necessita atualmente.

Mas, por outro lado, segue o dilema de Temer enredado em seu nó fiscal. Como se manter firme com o muito pouco que ainda lhe resta da imagem de governo sério, que teria vindo para acabar com a bandalheira dos governos anteriores? “Bom, pelo menos a equipe econômica merece nossa confiança e vai conseguir tocar as reformas necessárias e conduzir a política econômica sem o populismo fiscal que acabava com nossa economia”. Só que não! Temer deverá dar uma bela enquadrada no sonho poético da turminha de Meirelles, pois depende de boa parte dos votos dos 513 deputados federais.

* Paulo Kliass é doutor em Economia pela Universidade de Paris 10 e Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal.

​​Temerda, esTrumpado e a Ingerência na Venezuela

Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

Agora estamos feitos. Temer admite “coincidência absoluta” com as posições de Donald Trump. Conforme escrevi aqui, o jantar desta segunda-feira não foi um encontro bilateral entre Trump e Temer, tal como andou divulgando o Planalto. Foi uma reunião de Trump com Brasil e vizinhos que estão dispostos a “pressionar” a Venezuela por uma “solução democrática”, eufemismo para a derrubada do presidente Nicolás Maduro. Chega a ser patético, vindo de Temer, que usurpou a Presidência com um golpe parlamentar.

Além de Temer, participaram do jantar os presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos, o do Panamá, Juan Carlos Varela, e a vice-presidente argentina, Gabriela Machette. O nome do presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, esteve na lista da Casa Branca mas não compareceu, por ter desistido de participar da conversa conspiratória ou por qualquer outra razão não explicada. Segundo Temer, eles combinaram um “aumento da pressão” contra a Venezuela, mas pressão apenas verbal e diplomática, ressalvou. O que está na agenda para outubro, entretanto, é uma operação militar conjunta, nos fundos do quintal da Venezuela, na Amazônia brasileira, reunindo Estados Unidos, Brasil, Colômbia e Peru.

Esta operação, apresentada como exercício de cooperação militar, é vista com enorme receio pela Venezuela e seus amigos. Ela permitirá aos quatro países conhecer o teatro de operações para uma eventual intervenção militar, embora o que se teme é algo mais sutil: a indução de “forças irregulares” que operam na área conhecida como Cabeça do Cachorro – traficantes e mercenários de toda espécie - a se deslocarem para o Sul da Venezuela, criando enclaves como os que foram plantados pelos americanos na Líbia e na Síria. Isso feito, começa a conflagração e a desestabilização, sem que os Estados Unidos ou qualquer outro país seja acusado de intervenção militar direta.

No Brasil, militares nacionalistas não gostaram mas se calaram em nome da hierarquia (diferentemente do general Mourão, o que pregou o golpe militar, levando o governo a um silêncio de 72 horas sobre tão grave assunto). E a sociedade civil, tragada por nossa tragédia doméstica, não atentou para os passos largos que Temer vem dando em sentido contrário à nossa tradição diplomática, de respeito à autodeterminação dos povos e de solidariedade aos povos irmãos da América Latina. Nada mais revelador disso do que a declaração de sua “coincidência absoluta” com Trump em relação à Venezuela. Nada do que interessa ao Brasil, na relação com os Estados Unidos, foi tratado no encontro.

Pedida Suspeição de iMoro

PROCURADORA PEDE QUE SUSPEIÇÃO DE MORO SEJA DEBATIDA NO STJ

247 - A sub-procuradora-geral da República, Aurea Maria Etelvina Nogueira Lustosa Pierre, defendeu em parecer que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) discuta o pedido de suspeição do juiz federal Sérgio Moro, feito pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em seu parecer com data dessa segunda-feira, 18, a representante do Ministério Público citou, entre outras informações, foto em que o juiz Sérgio Moro aparece ao lado do senador Aécio Neves (PSDB).

Em seu parecer, Aurea questiona a imparcialidade de Moro ao julgar Lula por conta de diversas declarações do magistrado que denotariam que ele tem o ex-presidente como seu adversário. Outro ponto de destaque do parecer é o que ela inclui a participação de Moro em um evento da 'Istoé', revista que ela classifica como "tendenciosa" e "desrespeitosa" com relação à Lula e cita fotos, no mesmo evento, em que Moro posa ao lado de adversários declarados do petista, aos sorrisos.

A subprocuradora cita ainda diversos outros exemplos pelos quais Moro não poderia julgar Lula. Entre eles, permitir que uma testemunha chamasse o petista de "lixo" durante uma audiência e ainda liberar o vídeo para a imprensa para "ampla divulgação". Aurea resgata também o fato de o juiz de Curitiba agradecer à população pelas manifestações em seu apoio relacionadas à processos contra Lula que estão sob sua jurisdição e ainda em trâmite e, mais do que isso, o fato de ter pedido apoio da opinião pública.

Em outro trecho, a subprocuradora ainda destaca: "É suspeito o juiz que faz palestras no Brasil e no exterior — eventualmente remuneradas — para tratar de assunto que está sob sua jurisdição e é objeto de ações pendentes de julgamento".

No pedido feito ao STJ, a defesa de Lula alega que Moro demonstrou parcialidade na ação penal que levou à condenação do ex-presidente, ordenando conduções coercitivas e interceptações telefônicas ilegais, bem como levantado ilegalmente o sigilo profissional dos advogados do petista ao grampear seus telefones.

Leia algumas das questões levantadas pela sub-procuradora:

“Questões trazidas (da e-fl 1505/1508):

1-Na APn 5046512-94.2016.404.7000 – linguagem de certeza de condenação no recebimento da Denúncia (Apartamento 164-A);

2-Na mesma Decisão esclarecimento sobre a Denúncia apresentada pelo MPF – quanto à individualização da responsabilidade;

3-Evento em 06/12/216, ‘Revista Isto É’ - fotografia trazida;

4-A defesa do magistrado na Queixa-Crime apresentada

5-Vídeo com divulgação em redes sociais – figurando o magistrado com membros do órgão de acusação

6-Brasil apresentou informações em 27/01/2017 ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, referente à comunicação do Agravante em 28/7/2016;

7-Em audiência de 16/12/2016, permitido o tratamento indevido para com o Acusado;

8-O magistrado após audiência, fora da gravação, dirigiu provocação ao Advogado do Agravante;

9- Inquirição de Testemunhas com potencial de prejudicar o Acusado”.

Ciro Gomes e o Custo da Traição

Marcio Valley em 16/9/2017

A capacidade de alguns seres humanos de materializar a hipocrisia parece ser ilimitada. Frequentemente testemunhamos pessoas ultramoralistas e conservadoras, defensoras intransigentes da ética, da ordem, da moral, dos bons costumes, da família, da monogamia e da heterossexualidade, pegas em flagrante praticando pedofilia, ou em relação homossexual, ou com malas de dinheiro em suas garçonnières, ou em qualquer situação atentatória às pregações que até então realizava. Na verdade, alguns exercitam a hipocrisia a um tal nível que, mesmo após flagrados contrariando o próprio discurso, continuam a exigir dos outros o que não praticam.

Há poucos dias, uma jornalista da GloboNews, demonstrando que, fora do teleprompter, a inteligência na Globo é bastante rasa, publicou em seu Twitter uma crítica ao Lula por ter ele adjetivado Palocci de calculista e frio, enquanto, no passado, o elogiava. Todos sabemos que os jornalistas da grande imprensa, notadamente os da Globo, são absolutamente “imparciais”. Produzem críticas indiscriminadamente para todo e qualquer político, desde que não sejam do PSDB, preferencialmente sejam da esquerda e, melhor ainda, do PT. Em poucos segundos uma sagaz internauta respondeu ao tuíte da jornalista:

“Quando você chamou Aécio pra padrinho de seu casamento também devia achar muita coisa boa dele, né? Acontece...”

Essa resposta, como não poderia deixar de ser, acabou gerando um gigantesco compartilhamento, possivelmente para desespero da pouco inteligente jornalista, que deveria ter consciência do próprio telhado de vidro.

Nem vale a pena comentar a hipocrisia explícita que reinou no Congresso quando da votação do impeachment da Dilma e a implícita, que acomete os tribunais, principalmente o Supremo.

E quem acaba de ingressar no panteão pouco glorioso da hipocrisia oportunista nacional? Sim, ele mesmo: Ciro Gomes. Sugere ele que o povo não é imbecil e está percebendo as contradições na narrativa de Lula sobre as investigações da Lava-Jato. Ciro sustenta que Lula se equivoca ao abraçar Renan Calheiros nas manifestações e que há contradição de o PT ter votado no Eunício Oliveira para a presidência do Senado. Afirma que Lula não pode se dizer perseguido pelo sistema, pois quem o está acusando é um companheiro de décadas.

Ciro jogou para a plateia, tentando abocanhar uma fatia do eleitorado antipetista nacional e também dos neutros. Ciro conhece a militância petista e sabe que esta declaração o afastará definitivamente de qualquer simpatia desses militantes. O estrago eleitoral junto aos petistas é irreversível. Se algum petista convicto o considerava uma opção, isso definitivamente acabou. Como, ao menos ao que parece, é impossível classificar Ciro Gomes como um jumento político, um ignorante que tateia aleatoriamente no escuro das possibilidades eleitorais, o que o teria levado a abdicar de quase um terço do eleitorado nacional? Teria sido uma jogada superinteligente que nos escapa, a nós que não possuímos o mesmo atributo de genialidade? Não, não foi.

O que o moveu, para ficar numa palavra, foi o desespero. A fonte desse desespero político? A sede de poder que sempre orientou cada passo de Ciro Gomes e a percepção de que seu tempo está passando sem a abertura de uma janela política favorável. O sentimento de que a desesperança de parcela importante dos eleitores não petistas está sendo canalizada, por eleitores que estão aquém do uso da inteligência, para figuras abjetas que se situam nos limites do gradiente político. A sensação de que, ainda que Lula não seja candidato, o PT possivelmente terá candidato próprio, quem sabe Haddad, quem sabe Lindbergh ou, ainda, Gleise Hoffmann.

Essas percepções aterrorizam Ciro Gomes, pois ele é, nada mais, nada menos, do que uma Marina da Silva ou uma Marta Suplicy do gênero masculino, movido pela mesma impressão messiânica de que tem um destino heroico traçado pelos deuses e que tudo e qualquer um que se interpuser nesse caminho é um empecilho a ser afastado ou mesmo destruído. Assim como Marina e Marta, Ciro delira que nasceu para ser presidente do Brasil, de modo que eventuais pecados cometidos no percurso constituem um dano colateral aceitável em função de um projeto maior e mais importante. Os fins justificam os meios, como diria Dostoievski por intermédio de Raskolnikov. Se a realidade, por vezes, imita a ficção, é interessante lembrar que Raskolnikov não teve um final muito feliz.

Por que entender a declaração de Ciro como demonstração de pura hipocrisia oportunista? Porque ele é um político experiente que não desconhece que, em política, somente os tolos jogam para o tudo ou o nada. Esse é um dilema ético, sem dúvida, mas que é imposto pela realidade inescapável e não pela vontade individual. Ciro sabe que houve um “racha” no PT em relação à votação no Eunício, com grande parte dos parlamentares manifestando-se pela não adesão à chapa do PMDB. A parcela mais “afinada” com a militância, como Lindbergh Farias, Gleisi Hoffmann e Fátima Bezerra, foram contra.

O problema é que, graças ao trabalho incessante da grande mídia e de instituições públicas que abdicaram de seu dever constitucional de zelar pela imparcialidade e legalidade, o PT perdeu fatia importante do poder político. Se abdicasse da mesa do Senado, perderia mais uma importante ferramenta política. De que interessa ao cidadão que um partido se torne totalmente incapaz de influir nas políticas públicas? Ciro quase certamente faria o mesmo, mas assume a postura hipócrita de exigir um purismo programático que não possui, pois praticou e pratica durante a vida pública a mesma política de coalizão praticada pelo PT, que exige, vez ou outro, a exibição de um sorriso amarelo ao abraçar um adversário num palanque.

Quanto a Palocci, Ciro resolve “esquecer”, assim como fez a repórter tucana da GloboNews, que a credibilidade das afirmações do ex-ministro de Lula é inversamente proporcional à tortura psicológica que lhe foi imposta pelo grupo de justiceiros de Curitiba: prisão preventiva fundamentalmente ilegal há mais de um ano e possibilidade de ficar preso por vários outros anos caso não mencionasse o nome de Lula. Relembra-se que, inicialmente, mesmo condenado, Palocci nada disse contra Lula. Todavia, não possuindo a mesma integridade moral de um José Dirceu, sucumbiu à tortura e possivelmente denunciaria a própria mãe se moros e dallagnóis assim exigissem.

Como toda pessoa instruída e politizada desse país, Ciro Gomes sabe que Lula sofre uma perseguição política implacável da mídia e da “justiça” desse país. Ele possui perfeita ciência de que o objetivo é varrer o PT e Lula do cenário político brasileiro e evitar a todo custo que Lula seja candidato. E é justamente esse último objetivo que interessa a Ciro e decidiu levá-lo a se tornar sócio do linchamento midiático-jurídico que tenta massacrar Lula. Ainda que ao custo sabido de perder a simpatia dos eleitores petistas.

Ciro imagina que o ganho será maior do que a perda. Quase certamente perceberá que o custo da traição às próprias convicções não está limitado à perda direta da confiança dos prejudicados. Ninguém gosta de traidores, nem de um lado, nem do outro. A aposta já foi perdida: Ciro não será presidente da República na próxima eleição e, a partir de agora, marcado pelo signo do oportunismo hipócrita, talvez, nunca.

iMoro Absolveu Ignorando Provas

Juiz que condenou Cabral humilha Moro, diz que esposa era mentora; Moro a absolveu ignorando provas

Na sentença em que condenou o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ) a 45 anos e dois meses de prisão e a mulher dele, Adriana Ancelmo, a 18 anos e três meses de reclusão, o juiz Marcelo Brêtas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, apontou que a ex-primeira-dama do Rio era "mentora", ao lado do marido, dos crimes pelos quais eles foram acusados.

Tanto Cabral quanto Adriana foram condenados por organização criminosa e lavagem de dinheiro. O ex-governador também foi sentenciado pelo crime de corrupção passiva.

"A condenada Adriana Ancelmo era, ao lado de seu marido, mentora de esquemas ilícitos perscrutados nestes autos", aponta Brêtas. "Adriana Ancelmo, companheira de Sergio Cabral, integrou o núcleo financeiro-operacional da organização e atuou, essencialmente, na lavagem do dinheiro espúrio angariado pela organização, seja através da aquisição dissimulada de joias de alto valor, amplamente comprovada nos autos, seja através de seu escritório, Ancelmo Advogados, valendo-se clássica modalidade de celebração de contratos fictícios".

Segundo a denúncia, empresas de consultoria e a banca de advocacia chefiada por Adriana lavavam dinheiro de corrupção obtido pela organização criminosa por meio de contratos fictícios.

"A arquitetura criminosa montada na intimidade de seu escritório de advocacia era de muito difícil detecção, e não por acaso durante muitos anos esta condenada logrou evitar fossem tais esquemas criminosos descobertos e reprimidos", diz o magistrado.

"Não bastava à organização criminosa em questão receber muitos milhões em propinas. Havia a necessidade de dissimular a ilegalidade de tais recursos, conferindo aos mesmos uma aparência de legalidade, e essa era exatamente a função assumida pela condenada Adriana Ancelmo na estrutura da ORCRIM [organização criminosa]", segue Brêtas.

Parece óbvio que a tarefa a cargo desta condenada era da maior relevância, seja pela função de promover a lavagem de dinheiro seja pelo seu relacionamento íntimo com o mentor dessa organização criminosa, e por isso a sua culpabilidade é extrema

No despacho, Brêtas diz que a postura de Adriana como advogada envergonha o direito brasileiro. "Seu comportamento vergonhoso tem ainda o potencial de macular a imagem da advocacia nacional, posto que sua atividade e sua estrutura profissional foram utilizadas nesta prática criminosa", aponta.

"Prazeres proporcionados pelo dinheiro"
O juiz Marcelo Brêtas também diz em sua decisão que Adriana Ancelmo e Sérgio Cabral usufruíram de benefícios oriundos da propina e enganaram os eleitores do Rio. O magistrado critica a postura do casal e sua ostentação.

Farra de Diárias e Passagens na Operação “Paga Jato”

Auler revela farra de diárias e passagens na Operação “Paga Jato”

POR FERNANDO BRITO · 20/09/2017

Marcelo Auler mostra, em detalhes, em seu blog, a verdadeira farra de diárias e passagens pagas aos procuradores da República envolvidos na Lava Jato.

Só com diárias, o grupo da Lava Jato em Curitiba recebeu R$ 463.576,62 reais em diárias (fora o salário e sem Imposto de Renda) durante os primeiros meses deste ano.

Ou aproximadamente R$ 58 mil mensais para o grupo, sem contar as passagens aéreas, para o território e para o exterior.

A campeã é Isabel Groba, a que se incomodou em ser chamada de “querida” por Lula, que abiscoitou quase R$ 65 mil até agosto.

A farra também atingia as forças tarefas do Rio, onde uma procuradora recebeu quase R$ 50 mil em diárias e de Brasília, onde só dois auxiliares de Janot tiveram nada menos que R$ 117 mil para pagarem suas despesas de estadia.

Auler mostra, detalhe por detalhe, com valores precisos, a farra diarista que, aliás, vem de longe, porque os valores que ele apura são apenas os deste ano.

Coisa de mudar o nome para “Operação Paga Jato”, de tanta viagem.

Tem história para todos os gostos – e desgostos – como o procurador que é de Curitiba, cuja mulher é de Curitiba – procuradora também , já recebe auxílio moradia-, cujo filho mora em Curitiba que foi transferido para São Paulo, onde recebe auxílio-moradia – e está emprestado para Curitiba, recebendo por isso mais 61 diárias, ou R$ 63, 6 mil.

Tudo, “dentro da lei”, claro.

E fora de qualquer padrão ético e moral que se deve exigir do serviço público.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Duran Mostra Extratos Que Sugerem Falsificação na Odebrecht

Nassif: Duran mostra extratos que sugerem falsificação na Odebrecht

POR FERNANDO BRITO · 20/09/2017

De Luís Nassif, no Jornal GGN, informação gravíssima que ajuda a entender porque a insistência em negar acesso aos bancos de dados e documentos da delação “em lote” dos 78 executivos da Odebrecht:

O livro-bomba sobre a Lava Jato, prometido pelo doleiro espanhol Tacla Duran, começa a dar frutos.

Tacla é o doleiro cuja declaração de renda comprovou pagamentos a Rosângela Moro, ao primeiro amigo Carlos Zucolotto e a Leonardo Santos Lima.

Alguns capítulos do livro ficaram por alguns dias no site de Tacla. No livro, ele diz que a delação da Odebrecht teve vários pontos de manipulação, com a montagem de documentos, provavelmente por pressão dos procuradores, atrás de qualquer tipo de prova contra Lula.

O juiz Sérgio Moro facultou apenas aos procuradores da Lava Jato o acesso ao banco de dados especial da Odebrecht. Aparentemente, os procuradores entram lá e pinçam apenas o que interessa.,Analistas foram atrás das dicas levantadas por Tacla e quase todas se confirmaram.

Mais que isso: há indícios de que alguns dos documentos foram montados.

Evidência 1 – extrato da Innovation tem somas erradas.



Evidência 2 – os extratos com erros são diferentes de outros extratos do mesmo banco apresentados em outras delações.



Evidência 3 – os extratos originais do banco apresentam números negativos com sinal (-), ao contrário do extrato montado, em que eles aparecem em vermelho.

Evidência 4 – a formatação das datas de lançamento é totalmente diferente de outros documentos do banco, que seguem o padrão americano: Mês/Dia/Ano.

Evidência 5 – a formatação nas datas de lançamento é idêntica ao da planilha PAULISTINHA, preparada por Maria Lúcia Tavares, a responsável pelos lançamentos no Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht.

Evidência 6 – nos anexos da delação de Leandra A. Azevedo consta ordem de pagamento, com data de 28 de setembro de 2012, de US$ 1.000.000,00 da conta da Innovation para a Waterford Management Gourp Inc. Mas no extrato bancário supostamente montado, a transferência consta como saída de 27 de setembro de 2012, ou seja, antes da ordem de pagamento.

Agora, se coloca o juiz Sérgio Moro em situação complicada. Como pretende julgar o processo sem facultar o banco de dados da Odebrecht à defesa, para se identificar os documentos falsificados e os verdadeiros.

Submeter os dados das delações da Odebrecht a perícia é a primeira providência que se espera da nova Procuradora, Raquel Dodge.