sábado, 26 de maio de 2018

Uma Cova se Abriu na Frente de Michel Temerda

Temer e sua ministra virtual.

Carlos Fernandes, via DCM em 24/5/2018

O Brasil não resistirá ao caos gerado pelo quinteto Temer, Meirelles, Parente, Maia e Eunício.

A julgar pela capacidade dessa turma em solucionar conflitos, a situação dramática em que se encontra o país só tende a piorar.

A “greve” dos caminhoneiros que descarrilha todo o comboio da atividade produtiva mostrou-se ser o estopim para uma série de eventos que culminarão num resultado desastroso para toda a economia, que já cambaleia empurrada por toda sorte de incertezas.

A disparada nos preços dos combustíveis (e de tudo que dela depende), os engarrafamentos quilométricos nas grandes capitais, o cancelamento de voos nos aeroportos, a escassez de alimentos que já se verifica em vários centros de abastecimento e a paralização dos transportes públicos formam uma receita infalível para o estouro da manada.

Uma vez aberta a porteira, não será a tardia demissão do servil Pedro Parente que amainará os ânimos.

O estrago já é grande demais para que um governo que sofre na penúria de apoio popular possa reverter apenas com atos furtivos e retóricas baratas.

No poço em que nos metemos ao desrespeitarmos as regras democráticas, existem muito mais alçapões para descermos do que cordas para subirmos.

É nesse cenário que o sujeito que foi alçado ao poder pela manipulação das massas observa inerte, confuso, inoperante e desesperado o desenrolar trágico de suas ações.

Michel Temer é um defunto à espera de sua cova.

E ela foi aberta de ofício pela sua própria incompetência e incompreensão ao tratar dos profundos e complexos problemas estruturais de uma nação com arraigada vocação para o proselitismo antidemocrático e antipatriótico.

Resta agora um ato final.

Um empurrão que selará por vez o destino de um homem que já não possui mais serventia a nenhum propósito. Que determinará na história o lugar do mais odiado de todos os presidentes já vistos nessa República.

A terceira denúncia por corrupção contra Temer, a ser apresentada pela PGR, poderia nos servir como esse grande momento. O momento em que uma justiça poética se faria num país que poesia nenhuma já não há.

Ser atirado em sua cova pelas mãos dos mesmos traidores que o ajudaram a trair não só Dilma, mas o projeto de governo vencedor nas urnas, seria um final à altura de sua podridão humana.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Fundo Soberano e o Brasil de Joelhos

Por Marcelo Manzano, no site da Fundação Perseu Abramo:

Michel Temer segue firme em seu propósito de fazer o país retroceder. Não satisfeito com o desmonte dos pilares de nossa Constituição, com a regressão econômica e social que produziu nos últimos dois anos, agora se volta contra o Fundo Soberano do Brasil (FSB), de olho nos 23 bilhões de reais que poderá arrastar para o caixa do governo federal e assim evitar o descumprimento da chamada Regra de Ouro (que proíbe o endividamento do governo para cobrir despesas correntes).

Trata-se de uma medida carregada de simbolismo, até porque não há no FSB dinheiro suficiente para fechar o buraco aberto pela equivocada política de ajuste fiscal posta em prática pelo ex-ministro Henrique Meirelles.

Para quem não se lembra, o FSB foi criado em 2008 pelo então presidente Lula e tinha como objetivo acumular saldos monetários obtidos em anos de vacas gordas a serem aplicados em ativos variados que garantiriam rendimentos futuros ao país, os quais poderiam ser utilizados em períodos de vacas magras.

Muitos países ao redor do mundo possuem fundos soberanos recheados de dinheiro, os quais além de funcionarem como estabilizadores frente aos ciclos econômicos, constituem também um mecanismo de solidariedade intergeracional. O caso mais notável talvez seja o da Noruega. Com uma economia fortemente dependente da exploração de suas reservas de petróleo, os noruegueses depositam parte da renda anual que auferem com a venda de petróleo no seu fundo soberano e fazem dele uma potente carteira de investimentos que aposta em negócios diversos ao redor do mundo. Para se ter uma ideia, o fundo norueguês dispõe atualmente de mais de um trilhão de dólares em ativos, constituindo-se em um dos mais importantes acionistas do planeta, com participação em 1,4% das empresas listadas em bolsas.

Temer, porém, prefere o caminho inverso. Com um governo que nada mais é do que um consórcio de interesses particulares, vende o fogão para comprar a marmita do almoço, simplesmente porque o futuro da nação não lhe importa em nada. Oxalá essa lastimável medida possa ser sumariamente revertida com o retorno de um governo de esquerda a partir de janeiro de 2019.

domingo, 20 de maio de 2018

Um Tempo de Mediocridade

POR FERNANDO BRITO · 19/05/2018

Talvez o pior reflexo da ditadura judicial e midiática que passamos a viver, de alguns anos para cá – e exponenciada, desde a “Era Lava Jato” – seja a estupidez que tomou conta da vida nacional.

Por onde quer que se olhe, é mediocriadade – no máximo – o que se vê.

Os candidatos a presidente disputam para ver quem tem o discurso mais agressivo e até um mosca-morta como Geraldo Alckmin se aventura no discurso de distribuição de armas aos fazendeiros do interior. Será que vai colocar “detector de armamentos” nos muitos pedágios das rodovias paulistas, para assegurar-se de que estas armas não serão usadas em Guaianazes ou Parelheiros?

Os jornalistas ditos “formadores de opinião” passaram a comportar-se como pregadores religiosos de uma fé mercadista que, francamente, os coloca à beira da imbecilidade.

Um deles, hoje, chega a escrever que a “política econômica [é](correta em sua essência, mas ineficaz no curto prazo)”, como se o problema da dependência fosse apenas operacional, não algo essencial.

Nenhum deles atenta para o fato de que o país não apenas está majoritariamente perplexo e que só há, até agora, dois pólos que catalisam vontades: Lula e Bolsonaro. Agem como se, a esta altura, pudesse ainda surgir outro “outsider”, como se tentou com Luciano Huck e, depois, com Joaquim Barbosa.

Aceitam, como verdade e modelo, uma figura medíocre, que usou ladravazes como degraus para escalar a notiriedade, apoiando-se nas pedras podres que sempre, desde séculos, marcaram esta Nação, onde a elite sempre se apoiou – e não deixou de fazê-lo – no saque e nos privilégios.

O sistema de dominação cultural que nos é imposto encontra, espertamente, uma distorção à qual certa parte da esquerda, no passado e mais ainda no presente, empresta tola legitimidade: o novo.

O novo, é claro, sempre existe e existe a cada dia, porque não somos uma cópia do ontem.

E não existe nunca, porque somos sempre a continuidade do ontem.

Não há novo no Brasil que retrocede.

A ofensiva de moralidade que nela se encapa para destruir-nos é, ne sua essência, o mesmo udenismo entreguista que nos arrebatou a chance de sermos uma Coreia, país que estava muito atrás de nós nos anos 50.

Mas, deus nos proteja, nem é ele que está à frente deste processo, mas um regresso à República Velha, onde a “questão social é um caso de polícia”.

Ou, até, miseravelmente, um “caso de Exército”.

Já disse diversas vezes e o reafirmo: a esquerda não pode aceitar que a disputa eleitoral seja definida por uma salada de moralismos, sectarismos ou rompantes.

Existe um processo, facilmente visível, de demolição do Brasil, de seu Estado e, com ele, da capacidade de intervirmos coletivamente sobre nosso futuro.

A resistência a esta máquina monstruosa é nosso ponto de união, muito mais forte que qualquer dissenção que possamos ter.

E essa resistência tem um símbolo, que é Lula.

Ninguém governará democraticamente o Brasil sem ele.

Mas a maré de mediocridade que governa a “mente midiática” que acha ter se apossado do país diz o contrário, que defender Lula é fatal para qualquer candidatura.

Não é, é o contrário. Não é fatal, mas é vital para qualquer candidatura progresista.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

O Imbecil do Brasil

Moro: o imbecil do Brasil se exibe na metrópole

POR FERNANDO BRITO · 18/05/2018

Francamente, nenhuma outra sensação senão a vergonha pode vir da leitura da cobertura da Folha sobre o périplo de Sérgio Moro em Nova York.

Um juiz, com cara de idiota deslumbrado, comprazendo-se em ver-se como super-herói, nas ceroulas coloridas do Super-Homem, num jantar de bacanas num restaurante de Manhattan é a coisa mais  tosca que alguém pensaria um dia ver.

Leia, não estou delirando:

Moro também parecia esfuziante ao ver imagens dele mesmo projetadas no telão, de montagens como a que mostra a cara do juiz federal no corpo de um Super-Homem a imagens das passeatas de quem se vestiu de verde e amarelo e bateu panelas pelo impeachment da ex-presidente petista Dilma Rousseff.
Moro, que parece fazer agora uma volta olímpica publicitária, reconheceu que o peso da opinião pública foi fundamental para seus julgamentos ao longo da Operação Lava Jato.

Quem sabe não podemos ter o mesmo episódio em terras patrias, fazendo uma homenagem ao “salvador do Brasil” no próprio Supremo Tribunal Federal, com a Ministra Cámem Lúcia de Mulher-Gato, Rosa Weber de Mulher-Maravilha e Luís Roberto Barroso de Robin, já que o Batman Barbosa  aposentou-se e correu da raia?

Vamos, reduzam ainda mais ao ridículo a Liga da Justiça que “governa” o Brasil desgovernado, transformando este país numa caricatura doentia de vaidades e arrogâncias!

De verdade, a última coisa que pensei em escrever na vida foi que juízes admitam ser transformados em clowns para platérias estrangeiras endinheiradas.

Dá nojo ver no que esta gente se transformou.

Até um Antonio Carlos Magalhães ou um José Sarney teriam vergonha na cara para não se prestarem a tal papel.

Estamos sob a tutela de imbecis, que não têm sequer a noção do decoro que se exige de magistrados.

Comportam-se como pré-adolescentes numa casa de festas, entregues a brincadeiras infantilóides, sem qualquer noção de ridículo.

Insurgir-se contra isso não é mais uma atitude político-ideológica, é um imperativo moral.

Viramos uma chacota internacional.        

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Requião Se Coloca Candidato

REQUIÃO SE COLOCA À DISPOSIÇÃO PARA SER CANDIDATO À PRESIDENTE PELO MDB
Prezado companheiro senador(a)… Dirijo-me aos companheiros tanto como colegas da bancada do PMDB no Senado quanto na condição de participantes à convenção do que, em julho, definirá os rumos do partido em relação à sucessão presidencial. Acredito que todos partilham da mesma angústia que me tem assaltado nos últimos anos, quando reflito sobre o destino do Brasil e sobre o papel que nosso partido está desafiado a desempenhar no próximo quatriênio. Paira sobre nossas costas, como convencionais, o peso de uma responsabilidade jamais suportado por integrantes do PMDB, inclusive nos momentos históricos da redemocratização. Estamos caminhando para o quarto ano seguido de uma depressão econômica sem precedentes. Milhões de cidadãos e cidadãs, sobretudo jovens, estão sendo lançados fora do mercado de trabalho, sem perspectiva à vista de retomada do emprego. O sistema de seguridade social está esgarçado, com o propósito aparente de torná-lo ruim para facilitar sua privatização. Empresas estratégicas como Petrobrás e Eletrobrás, essenciais para o funcionamento da economia, estão igualmente listadas para privatização retalhada. O Governo está vendendo a água e a terra a estrangeiros. Este mesmo Governo, com nomes do PMDB mas sem a alma histórica do MDB, recusa-se a tomar qualquer medida efetiva de combate ao desemprego, confiando nas forças “cegas” do mercado, para revitalizar a economia. Acabamos de ver os resultados desse tipo de política na Argentina, levada mais uma vez ao caos pelos neoliberais. É o caminho que seguiremos, inevitavelmente, se não houver uma reversão radical da política econômica. A estratégia do Governo é simples: reduzir o espaço do Estado, ampliar o do setor privado e degradar o valor do trabalho, para facilitar os ganhos do grande capital financeiro. É um insulto à consciência emedebista e à própria cidadania que dirigentes do Governo, os mesmos que levaram ao descalabro a economia, agora, confiados apenas em dinheiro, se apresentem como postulantes às eleições presidenciais. São os feitores da emenda 95, a mesma que estabelece o congelamento do orçamento público por 20 anos, como se, nesse período, o país também ficasse congelado. Essa lei é uma das que temos a obrigação de submeter a referendo revogatório, como condição fundamental para a retomada do desenvolvimento, pois os neoliberais, naturalmente, não fariam isso. O projeto neoliberal está em derrocada na Europa, em vários países sul-americanos e especialmente na Argentina. No Brasil a derrocada avançou consideravelmente. E uma vitória completa desse modelo seria a privatização da Previdência, da Saúde, da Petrobrás e da Eletrobrás. E é isto que está na pauta também de pré-candidatos à Presidência que se preparam descaradamente para a convenção do PMDB, tentando dar legitimidade a iniciativas tão violadoras da tradição do partido como a tal Ponte para o Futuro, rejeitada nas instâncias partidárias próprias e realizada pelo Governo. Move-me unicamente o espírito da absoluta necessidade de colocar o PMDB na trilha de uma mobilização comum, para regenerar o País do virtual derretimento das instituições republicanas. Para tanto, estou disposto, desprovido de qualquer ambição pessoal que não o serviço ao povo, a apresentar meu nome à convenção do partido. Não é um ato de aventura. Esta carta serve como consulta prévia aos convencionais, e se encontrar parceiros nessa empreitada seguirei em frente. Posteriormente, encaminharei o discurso que pretendo dirigir à convenção, caso tenha apoio para disputá-la. Dos companheiros e companheiras espero que se movam com razão e emoção. A razão indica que temos poucas alternativas para tirar o país da crise econômica e institucional, mas com a liderança do PMDB reestruturado podemos fazê-lo a curto prazo, depois das eleições, pois a direita não tem alternativas viáveis, e a centro-esquerda ainda busca articulação unitária. A emoção indica que temos de nos mobilizar para oferecer um horizonte de esperança a nossas famílias e especialmente nossos jovens, tendo como primeiro passo de uma iniciativa vigorosa para afastar os entreguistas que tomaram conta dos postos chave da República. Embora essa iniciativa pareça solitária, tomo-a, para que ninguém, amanhã, possa dizer que me omiti. Filiado número um ao PMDB do Paraná, sempre PMDB, Roberto Requião, Senador da República


segunda-feira, 14 de maio de 2018

Tapa na Cara

Por Miguel do Rosario

O ex-presidente do Peru, Ollanta Humala, e sua esposa, Nadine Heredia, foram beneficiados com habeas corpus concedido pelo Tribunal Constitucional do Peru. E colocados em liberdade.

A decisão despertou o ódio de peruanos ligados à direita, aos aparelhos de repressão e aos grandes meios de comunicação do país.

O presidente da corte, Ernesto Blume Fortini, reagiu com um artigo que é uma nova Declaração dos Direitos do Homem, escrito para nossa época!

A decisão da corte que resultou na liberdade do casal é uma lição histórica contra o espírito lavajateiro que hoje predomina no Brasil

DECLARAÇÃO DO PRESIDENTE DO TRIBUNAL CONSTITUCIONAL TRIBUNAL CONSTITUCIONAL do PERU – DOMINGO, 29 DE ABRIL DE 2018

O sistema anticorrupção se fortalece quando é respeitada a Constituição e os direitos fundamentais.

1. A luta contra a corrupção será mais efetiva, rápida, bem sucedida e irreversível quando se constitucionaliza.

2. Seguindo a ordem constitucional e o respeito aos direitos fundamentais, a luta contra a corrupção será vitoriosa e sem retrocessos.

3. A justiça mediática, ou seja, a justiça das Redes Sociais que ocultam rostos e identidades, não é justiça; é um linchamento de grupos e pessoas anônimas que ocultam suas verdadeiras intenções.

4. A prisão preventiva é uma medida excepcional. Não se pode fazer uso abusivo dela.

5. Tirar a liberdade de uma pessoa é uma medida necessária e indispensável quando há evidências comprovadas de perigo de fuga ou obstaculização da justiça.

6. O respeito à Constituição e aos Direitos Fundamentais que ela protege nos converte em um país no qual impera o Estado de Direito. Ou seja, a vida política e social de um país civilizado.

7. A justiça das multidões não é justiça. Recordemos que a multidão apoiou e aplaudiu quando se libertou Barrabás e se condenou Jesus à morte. A paixão não ajuda à justiça; ao contrário, se converte em um obstáculo.

8. Nós, Juízes Constitucionais, atuamos com razoabilidade, ponderação, proporcionalidade e respeito aos direitos humanos, seguindo os parâmetros estabelecidos pela Constituição Política do Peru, a lei, o Tribunal Constitucional, a Corte Interamericana de Direitos Humanos e os demais tribunais e organismos supranacionais de defesa dos direitos humanos.

9. A sentença proferida no caso Humala fortalece o sistema anticorrupção ao estabelecer que as autoridades encarregadas de investigar, denunciar, processar e sancionar atuem no marco da Constituição e da Lei, para evitar processos que tenham que ser anulados, que se processem inocentes e que os corruptos tenham argumentos para eludir a justiça.

10. Nós, membros do Tribunal Constitucional, somos eleitos pelo Congresso da República por maioria qualificada. Os Magistrados não atuam por cálculo político nem interesse partidário.

11. O Tribunal Constitucional é autônomo, independente e alheio a toda pressão e interesse políticos. Não me distanciarei jamais desse princípio.

12. Toda pessoa humana tem direito a um juízo imparcial no qual se respeitem seus direitos fundamentais. Até o condenado à morte tem direito, antes de que lhe seja aplicada a pena, a atenção médica, a ser visitado por um sacerdote de sua confissão caso o peça e a um último desejo. Todo ser humano tem direito à defesa.

13. Somos um país que luta para avançar a um estágio superior de desenvolvimento que é a sociedade sustentada no Estado Constitucional de Direito.

14. Sejamos racionais, e sem pretender criticar a Procuradoria Geral, é preciso destacar que não se formulou, ainda, uma acusação fiscal. Não há, ainda, um caso. No momento em que a Procuradoria Geral acuse, o Poder Judicial estudará e poderá iniciar o juízo.

15. Se há ameaça de fuga comprovada, o Poder Judicial pode atuar rapidamente em defesa da legalidade e do devido processo.

16. O Tribunal Constitucional não JULGOU e não JULGA casos penais. Isso é atribuição do Poder Judicial, baseando-se na investigação, na acusação fiscal e nas provas de culpa e de inocência oferecida e atuada pelas partes.

17. A sentença retroagiu ao ex-presidente Ollanta Humala e à cidadã Nadine Heredia à situação de comparecência restrita, que tinham antes. Para que sejam investigados e julgados em liberdade restrita.

18. A liberdade é inerente à pessoa humana especialmente a liberdade pessoal. Afinal, tirar a liberdade a uma pessoa é a última medida que se deve adotar, sempre que existam fatos comprovados.

19. Nenhum juiz pode deixar de avaliar e valorar as provas de inocência do acusado. Não fazê-lo é violar o direito à prova, o direito de defesa, o direito à tutela processual efetiva e o direito a um devido processo.

20. Temos que fortalecer as instituições do Estado na luta contra a corrupção. A melhor forma de fazê-lo é atuar dentro da Constituição e dos devidos procedimentos. Não fazê-lo debilita a luta contra a corrupção.

21. O Tribunal Constitucional não seguirá o caminho fácil: lavar as mãos, seguir a raiva compreensível de um setor de peruanos ou, no afã de ser popular, abster-se de cumprir seu dever de velar pela constitucionalidade e pela defesa dos direitos fundamentais.

22. Peço a todos que estudem a Sentença do Tribunal Constitucional. Algumas pessoas não leram a sentença e opinam pelo que ouviram ou expressam um ponto de vista político.

23. Se o Tribunal Constitucional não atua de acordo com a Constituição e com a defesa dos direitos fundamentais, os agravados recorrerão a instâncias internacionais para defender seus direitos. Isso danifica a imagem do Peru e debilita a luta contra a corrupção.

24. Nós, os magistrados, não atuamos buscando votos nem interesses políticos partidários. Nosso interesse é fazer Justiça Constitucional.

25. Corrupto também é o que mente sobre uma sentença que nem sequer leu e muito menos estudou.

26. A experiência internacional dos últimos anos demonstrou que existem milhares de pessoas dedicadas em alguns países, e o Peru não é a exceção, a produzir linchamentos midiáticos e a mentir. É o que se denomina pós-verdade e, também, fake news. Peço aos cidadãos e aos jornalistas que evitem como "verdades" o linchamento nas redes que não são outra coisa além de juizados midiáticos.

27. Todos os peruanos decentes rechaçam a corrupção, que não tem partido político, mas tem rosto. Mas, esse repúdio e essa luta deve ser feita corretamente para que os êxitos sejam irreversíveis.

28. Os corruptos não devem alegrar-se com a sentença do Tribunal Constitucional que atua em defesa da Constituição e dos direitos fundamentais. Se os processos são conduzidos dentro desses parâmetros, todos ganharemos.

29. Os magistrados do Tribunal Constitucional não somos eleitos para ser populares. Nos elegeram para fazer Justiça Constitucional. É nosso dever atuar em defesa dos princípios constitucionais e dos direitos fundamentais.

30. As organizações criminosas usaram e usam as leis para tentar aproveitar a legalidade a seu favor distorcendo seu espírito, caráter e sentido. O Tribunal Constitucional não permitirá jamais que a Constituição e o devido processo sejam manipulados por ninguém.

Lima, 29 de abril de 2018

Ernesto Blume Fortini

Magistrado Presidente

Que o texto inspire o STJ e o STF

[11/5 15:09] Max Swell Lula Ribeiro:

Um tapa na cara das instituições da combalida justiça brasileira e dos personagens midiáticos: Moro, Bretas, Dallagnol, e tantos, "tontos", outros, como o trio do TRF4 RS, do STF como um todo. Porque, como está registrado para os anais da história da respublica brasileira; "Com SUPREMO com tudo." E, para além do sistema judiciário, têm no bojo da irresponsabilidade os famosos atores e atrizes de ruas da golpista mídia, patos e coxas... Infelizmente o Brasil, mais uma vez é citado como um péssimo exemplo de violação da democracia. CANALHAS!!!

domingo, 13 de maio de 2018

Não Vale Censurar Lula, MeritRíssima

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog: Ao encaminhar uma petição para a juíza Carolina Lebbos para entrevistar Lula na prisão, a Folha, o UOL e o SBT assumiram uma postura adequada ao atual momento político. Basta lembrar que uma lei em vigor desde 1984 nas penitenciárias brasileiras autoriza entrevistas de condenados para considerar que seria uma vergonhosa forma de auto-censura deixar de ouvir o depoimento de um cidadão que, no atual momento, é um pré-candidato igual a todos os outros -- e só deixará essa condição caso seja impedido de concorrer, decisão que sequer foi tomada pela Justiça. Do ponto de vista do jornalismo, o interesse também é evidente, pois se trata do líder absoluto em todas as pesquisas e simulações. Há dois dias, aqui neste espaço, escrevi uma nota sobre essa questão. Ali, fazia uma pergunta no título ("Folha e SBT querem ser carcereiros do Lula?") e argumentava: "Num país onde a lei não proíbe entrevistas de cidadãos encarcerados, a Folha, SBT e demais veículos de mídia têm o dever convidar Lula para dar entrevistas e depoimentos em programas e reportagens sobre as eleições presidenciais, exatamente como fazem com Boulos e Ciro, Alckmin e Manuela". Também escrevi que, com base na Lei de Execução Penal, assinada pelo ditador-presidente João Figueiredo, "vez por outra os jornais e emissoras de TV exibem reportagens e entrevistas de prisioneiros." A questão, agora, está com a juíza Carolina Lebbos, responsável pela execução da pena no cárcere de Curitiba. O debate, aqui, não tem a ver com a legislação eleitoral, que prevê a isonomia entre os candidatos. Interessado em garantir a presença de um porta-voz de Lula em entrevistas e debates, o PT levantou essa questão ao TSE -- mas o pedido foi rejeitado pelo ministro Og Fernandes. A Folha, o SBT e o UOL pedem outra coisas: o direito de entrevistar Lula. As entrevistas de prisioneiros são autorizadas com base no parágrafo 15 do artigo 41 da Lei de Execução Penal. Ali se diz que o preso tem direito de "manter contato com o mundo exterior por meio de correspondência escrita, da leitura e de outros meios de informação que não comprometam a moral e os bons costumes". É uma determinação tão forte que para suspender ou restringir esses direitos, a autoridade precisa de um "ato motivado". Tradução: não pode ser uma decisão arbitrária, fruto da vontade subjetiva -- necessita de uma justificativa jurídica. Em 27/11/2013, publiquei uma entrevista de José Genoíno, já na prisão. Ele acabava de ser conduzido a Papuda para cumprir pena pela AP 470. Vivemos num país onde a Constituição assegura a liberdade de expressão como um direito fundamental, a ser exercido sem censura prévia. A tal ponto que a presidente do STF Carmen Lúcia cunhou a frase "Cala a boca já morreu?" para explicar o regime em vigor no país. Condenado a 12 anos e um mês em regime fechado, mas não incomunicável, Lula tem todo o direito de se fazer ouvir pelos brasileiros e brasileiros. Alguma dúvida?